Chegou
a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como
no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos
listas segmentadas por estilo.
E como digo sempre, não esqueçam,
listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer
outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os
melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate”
para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para
escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses).
Divirtam-se!
Melhores álbuns de Heavy Metal/Metal Tradicional de 2017
Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!
01. Black Star Riders - Heavy Fire (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
02. Witherfall - Nocturnes and Requiems (Independente - Importado)
03. Pagan Altar - The Room of Shadows (Temple of Mystery Records - Importado)
04. Blaze Bayley - Endure and Survive (Infinite Entanglement Part II) (Dynamo Records - Nacional)
05. Oz - Transition State (AFM Records - Importado)
06. Attic - Sanctimonious (Ván Records - Importado)
07. Accept - The Rise of Chaos (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Importado)
08. Hell Fire - Free Again (Independent - Importado)
09. Jack Starr’s Burning Starr - Stand Your Ground (High Roller Records - Importado)
10. Venom Inc - Avé (Nuclear Blast Records - Importado)
Quase chegaram
- Manilla Road - To Kill A King (Hellion Records - Nacional)
- Cloven Hoof - Who Mourns for the Morning Star (High Roller Records - Importado)
- Ram - Rod (Metal Blade Records - Importado)
- Kobra and the Lotus – Prevail I (Napalm Records - Importado)
- Jag Panzer - The Deviant Chord (SPV/Shinigami Records - Nacional)
Surgida na primeira metade dos anos 90,
o Dreadnox sempre foi uma das bandas mais representativas do underground
carioca. Após um hiato de quatro anos desde o lançamento de Dance Of Ignorance (10), finalmente o
quarteto carioca retorna com seu terceiro álbum, The Hero Inside.
A
sonoridade que aqui encontramos é moderna, mas sem nunca tirar os dois pés do
Metal Tradicional que sempre marcou a carreira do grupo. Orbitando em volta,
temos elementos de Power/Prog, Thrash e Melódico que só enriquecem mais ainda a
obra do Dreadnox. Nomes como Maiden, Megadeth ou Angra podem vir à cabeça
durante a audição, mas não se engane, a música aqui apresentada passa longe de
soar como mero xerox. Falamos aqui de influências e não de cópia simples e
descarada, algo que só quem tem muita experiência e competência consegue
evitar. Os riffs e solos a cargo do guitarrista Kiko Dittert, são pesados e de
ótima qualidade e, em alguns momentos, pendem um pouco para o Thrash. Já a
parte rítmica, a cargo do baixista Dead Montana e do baterista Felipe Curi se
mostra muito precisa e segura, imprimindo o peso necessário as 10 faixas aqui
presentes. Já os vocais de Fábio Schneider se destacam bastante e ele não fica
nada a dever a alguns vocalistas renomados por ai, conseguindo soar variado e
agradável durante toda a audição. Os maiores destaques para mim ficaram por
conta de “Final Siege”, “Abuse Of Power”,
“Who Can Be Sure os Anything?”, “The Hero Inside”, “Dreamcatcher” e “My Judgment Day”.
Com relação à produção, de excelente
qualidade, é possível observar todo o profissionalismo da banda quando
constatamos os nomes envolvidos. The Hero
Inside foi produzido por Renato Tribuzy, mixado por ninguém menos que Roy Z
e masterizado por Maor Appelbaum (Halford, Therion, Angra, Anvil, Dokken, dentre
outros). Um time realmente de primeira. Unindo suas influências e conseguindo
dar uma identidade própria a sua música além de apresentar uma sonoridade que
consegue ser melódica, pesada e agressiva, o Dreadnox retorna com o pé direito,
entregando aos fãs de Metal Tradicional um belíssimo trabalho. E que não
demorem tanto para um novo trabalho.
Sabe aquele Cd que você para escutar sem
grandes expectativas e acaba se surpreendendo positivamente pela qualidade do
mesmo? Pois é, foi isso que ocorreu quando resolvi tirar uns 40 minutos do meu
dia para escutar Powered Heart, álbum
de estréia dos paulistanos do Rexor. Surgida em 1999 e com um EP, Heavy Metal Forever (2008), na bagagem,
tiveram sua trajetória atrapalhada pela troca de integrantes e pelas
dificuldades de se fazer Heavy Metal em um país pautado por modas, o que acabou
por causar esse intervalo de seis anos entre o EP e o debut.
Mas o importante é que ele saiu e mesmo não
apresentando nada de novo, o que escutamos aqui é empolgante. Basicamente, o
que temos é um Metal Tradicional, tipicamente oitentista, com doses de Power e
Hard Rock que acabam por enriquecer mais a música. Então, se você é fã de
bandas como Grave Digger, Judas Priest, Saxon, Running Wild, Accept e afins,
esse é um trabalho que você tem obrigação de conhecer. Alguns refrões
grudentos, ótimos riffs e solos, a cargo de Wander Cunha (que também produziu o
álbum), os vocais agressivos de Wash Balboa (ex-Command6) e uma cozinha firme,
composta por Adrian Fernandes (baixo) e Gleison Torres (bateria), vão agradar
em cheio aos fãs do estilo. Vale citar a ótima atuação de Adrian Fernandes, que
com suas linhas de baixo, consegue suprir a possível ausência que uma segunda
guitarra pode vir a fazer as nove faixas aqui presentes. Inteligentemente
alternam algumas faixas mais rápidas com outras um pouco mais cadenciadas, o
que ajuda demais na audição de Powered
Heart, tornando-a mais agradável. Os maiores destaques ficam para a pesada “Blood Swords”, as mais cadenciadas “Powered Hearts” e “H.M.F” (essa com uma pegada totalmente Hard oitentista) e
principalmente, as ótimas “Sinners” e
“Vegas Locomotive”. Para os que
curtem uma balada, temos “Seal of My
Heart”, que pode agradar.
A produção é boa, permitindo que se escutem
todos os instrumentos com muita clareza, mostrando que não se fazem necessárias
superproduções para se ter algo de muita qualidade. Como costumo dizer nesses
casos, o Rexor pode não reinventar a roda, mas a faz rodar muitíssimo bem. Uma estréia
para lá de promissora de uma banda que pode voar muito alto. Se curtir Metal
Tradicional, pode ir sem medo.
Na
maioria das vezes, é dito que o fã de Heavy Metal é muito exigente e não se
contenta com qualquer coisa. Pois eu digo que não, não somos exigentes, mas sim
chatos. É uma afirmação forte, certamente, mas é a mais pura realidade. Muitas
vezes parece que nosso grande prazer não é escutar Heavy Metal, mas sim reclamar
do que é lançado. Uma hora, estamos dizendo que o som, apesar de bom, não é
original, que está carregado de clichês, que não surge nada de novo e
surpreendente, que tudo que é lançado é lixo. Já em outros momentos reclamamos
justamente do oposto, que tal som é diferente do Metal Tradicional que
acostumamos a escutar nos anos 80 e que nesse período é que se fazia música boa
e que não temos mais bandas apostando nisso. Nosso grande prazer hoje é
reclamar, reclamar, reclamar, escutar álbuns lançados há quase 30 anos atrás e
então, reclamar novamente.
Certamente
teremos aqueles que irão reclamar e criticar os paranaenses do Hazy Hamlet. Na
estrada desde 1999 e completando 15 anos de carreira, a banda lançou no final
de 2013 seu segundo trabalho, sucessor do bom Forging Metal (2009). O que temos
aqui? Uma boa mistura de NWOBHM com aquele típico Metal vindo da Alemanha e que
irá nos remeter a grandes nomes como Judas Priest, Iron Maiden, Accept, Manowar
e Running Wild. Resumindo, nada de inovador. Isso é um problema? Para alguns,
certamente sim, mas para mim é digno de ser louvado. Você pode argumentar que
se for para ouvir uma banda que se utiliza de todos os clichês do estilo, então
que se escute os originais, mas convenhamos, essas bandas a tempos não lançam
um trabalho realmente relevante, goste você disso ou não, caro leitor. Então,
qual o problema de novas bandas lançarem trabalhos calcados no que esses
grandes nomes fizeram? Para mim, nenhum. Aqui você irá encontrar Heavy
oitentista no talo, com riffs vibrantes, um vocal que foge dos agudos,
apostando em uma voz mais grave e forte e uma cozinha forte e pesada, que não
deixa buracos na música, apesar de termos apenas uma guitarra presente. Os
grandes destaques aqui vão para a faixa titulo, “Symphony Of Steel”, que vai te
remeter ao Accept, “Vendetta”, as “maidenianas” “Odin’s Ride” e “Red Baron”.
A
produção é boa, mas um tanto crua, o que de certa forma nos remete aos
trabalhos lançados nos anos 80. Full Throttle transpira garra e honestidade,
sendo um álbum agradável de escutar e que vai proporcionar bastante diversão
aos amantes desse tipo de som. E daí se abusam dos clichês do gênero e não
apresentam um trabalho original? Quando se faz algo de qualidade, como no caso
do Hazy Hamlet, isso não tem a mínima importância. E que continuem sempre
assim.