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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Die Apokalyptischen Reiter - Der Rote Reiter (2017)


Die Apokalyptischen Reiter - Der rote Reiter (2017)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Wir sind zurück
02. Der rote Reiter
03. Auf und nieder
04. Folgt uns
05. Hört mich an!
06. The Great Experience of Ecstasy
07. Franz Weiss
08. Die Freiheit ist eine Pflicht
09. Herz in Flammen
10. Brüder auf Leben und Tod
11. Ich bin weg!
12. Ich nehm' dir deine Welt
13. Ich werd' bleiben

Como tudo nesse mundo, o Heavy Metal também foi afetado de diversas formas pela popularização da internet. Uma delas, foi como a música se tornou global, já que hoje, com um simples clique, você consegue ter acesso a bandas dos mais diversos países, mesmo aqueles mais obscuros em se tratando do estilo. Ainda sim, ou talvez por toda essa facilidade, muita coisa acaba passando batida. Esse é o caso dos Cavaleiros do Apocalipse alemães, o Die Apokalyptischen Reiter, que mesmo estando na estrada a quase 25 anos, é quase uma desconhecida fora de seu país de origem. Sendo assim, cabe uma breve apresentação aos leitores que ainda não tiveram contato com a horda.

Surgido no ano de 1995, no estado da Thuringia, o Die Apokalyptischen Reiter – nome alemão para os 4 Cavaleiros do Apocalipse –, lançou seu debut, Soft & Stronger, em 1997. Na sequência, emplacaram mais 2 álbuns, Allegro Barbaro (99) e All You Need Is Love (00). Sua música tinha os pés bem fincados no Death Metal Melódico, mas abria espaço para elementos Folk que ajudavam a diferenciar a banda. Com a boa repercussão, assinaram um contrato com a Nuclear Blast, fato que marcou uma virada em sua história, já que as mudanças foram muito mais profundas do que uma simples troca de gravadora. Sua estreia na nova casa, Have I Nice Trip (03), deu início a um processo de evolução sonora, onde outros estilos foram sendo agregados a sua base Death, gerando algo que hoje é difícil de rotular. Os lançamentos seguintes, Samurai (04), Riders on the Storm (06), Licht (08), Moral & Wahnsinn (11) e Tief. Tiefer (14), não só consolidaram tal sonoridade, como também os colocaram entre os maiores nomes da música pesada alemã.

Musicalmente falando, gosto de chamar o Die Apokalyptischen Reiter – em tom de brincadeira, vale dizer – de Caos Metal. O termo caos pode soar um tanto negativo para quem lê, mas vejo como algo positivo, pois disse Nietzsche, “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz a uma estrela cintilante.”. É exatamente isso que o quinteto formado por Fuchs (vocal/guitarra), Ady (guitarra), Volk-Man (baixo), Dr. Pest (teclado) e Sir G. (bateria) faz. Misturando elementos de Heavy, Death, Folk, Power, Thrash, Neu Deutsche Harte, Metal Sinfônico, e até mesmo Jazz, criam uma música criativa, melódica, cativante e que prima pela versatilidade. Vindo de um álbum que preocupou os fãs, não por ser propriamente fraco, mas por ser irregular, precisavam provar que não haviam perdido a mão. Der rote Reiter prova que continuam afiados, já que mesmo com uma pequena queda de qualidade no final, conseguem manter um nível muito alto nas composições.


De cara, temos a rápida e cativante “Wir sind zurück”, com boas melodias e um refrão marcante, sendo seguida pela sombria “Der rote Reiter”, que soa, sem brincadeira, como se o Amon Amarth estivesse fazendo uma jam com o Rammstein. Aqui elementos de Death se misturam com NDH gerando uma canção pesada, bruta e densa. “Auf und nieder” tem uma pegada mais Rock, cercada por uma certa aura Folk e um refrão que cativa com facilidade; “Folgt uns” remete ao passado Death da banda, com ótimas melodias e riffs, além de possuir um belo solo, enquanto “Hört mich an!” volta a misturar elementos mais extremos com aquele Metal Industrial tipicamente alemão, e os vocais de Fuchs remetendo aos de Till Lindemann em alguns momentos. “The Great Experience of Ecstasy” mistura brutalidade com alguns elementos sinfônicos nos vocais e no instrumental, que a tornam um dos pontos altos de todo o trabalho. “Franz Weiss” carrega mais no Folk Metal, assim como “Die Freiheit ist eine Pflicht”, mas essa trazendo para si alguns elementos de NDH. “Herz in Flammen” apresenta guitarras com riffs típicos do Death Melódico; “Brüder auf Leben und Tod” esbanja peso e agressividade, e “Ich bin weg!” tem guitarras cativantes e um pé no Punk. Na sequência final, duas faixas bem sombrias e melancólicas, “Ich nehm' dir deine Welt” e “Ich werd' bleiben”.

A produção ficou a cargo do trio composto por Fuchs, Alexander Dietz (Deep Purple, Gamma Ray, Heaven Shall Burn) e Eike Freese (Dark Age, Hansen & Friends, Myrath), sendo que os dois últimos também foram responsáveis pela mixagem e masterização. Tudo claro, limpo, agressivo e audível, já que apesar de muita coisa acontecer ao mesmo tempo, o ouvinte consegue distinguir tudo com clareza. Já a capa foi obra de Fuchs e Patrick Wittstock (Deadlock, Heaven Shall Burn, Scar Symmetry). É o melhor trabalho dos alemães? Ainda penso que esse título pertence dobradinha formada por Samurai (04) e Riders on the Storm (06), mas Der rote Reiter recoloca o Die Apokalyptischen Reiter no caminho certo, e se apresenta como uma ótima porta de entrada para quem ainda não conhece a banda.

NOTA: 84

Die Apokalyptischen Reiter é:
- Fuchs (vocal/guitarra)
- Ady (guitarra)
- Volk-Man (baixo)
- Dr. Pest (teclado)
- Sir G. (bateria)

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terça-feira, 11 de junho de 2019

Eluveitie – Ategnatos (2019)


Eluveitie – Ategnatos (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Ategnatos
02. Ancus - interludio
03. Deathwalker
04. Black Water Dawn
05. A Cry In The Wilderness
06. The Raven Hill
07. The Silvern Glow
08. Ambiramus
09. Mine Is The Fury
10. The Slumber
11. Worship
12. Trinoxtion
13. Threefold Death
14. Breathe
15. Rebirth
16. Eclipse

Apesar de uma passagem um tanto tumultuada pelo Brasil em fevereiro desse ano, com shows cancelados e trocas de acusações entre banda e produtores, com direito a virarem meme, devida a suposta exigência de chá no camarim, é inegável que o Eluveitie possui uma forte base de fãs no Brasil. Seu nome foi forjado não só a base de uma sonoridade que mescla de forma muito equilibrada, o Death Metal Melódico e o Folk Metal, como também se diferenciando da concorrência por uma abordagem mais séria nas letras, com foco na história e mitologia célticas, e claro, bons lançamentos.

Após passar por uma drástica mudança em 2016, com a saída de Anna Murphy (vocal e hurdy gurdy), Ivo Henzi (guitarra) e Merlin Sutter (bateria) – que acabaram formando o Cellar Darling –,  Chrigel Glanzmann optou por estrear a nova formação com uma continuação de Evocation I – The Arcane Dominion (09), intitulado Evocation II – Pantheon (17), algo que era prometido a alguns anos. Assim como o primeiro, o enfoque foi totalmente acústico, e mais uma vez se aprofundando na cultura e panteão de deuses célticos. Fechado o ciclo aberto em 2009, o Eluveitie volta a sua programação normal, fincando novamente seus pés de forma bem firme na fórmula que os consagrou.

Aos apreciadores de trabalhos como Spirit (06), Slania (08) e Origins (14), possivelmente os preferidos por boa parte dos fãs, posso afirmar sem medo que finalmente estes foram superados. Ategnatos é sem dúvida alguma, seu trabalho mais consistente, e mostra o Eluveitie em seu melhor momento, soando mais coeso, enérgico e criativo do que nunca. Esbanjando peso e boas melodias, e se utilizando muito bem dos elementos folclóricos, acabam por entregar um álbum bem diversificado. Os vocais de Chrigel continuam sendo um belo diferencial, mas Fabienne Erni prova de forma definitiva que é uma substituta mais do que à altura para Anna Murphy. A dinâmica entre as vozes de ambos funciona com perfeição. O trabalho das guitarras também se destaca pela qualidade dos riffs e pelo peso, assim como também a parte rítmica. Quanto aos instrumentos folclóricos, como sempre estão bem encaixados, e em momento algum suplantam o lado Metal da banda, enriquecendo demais o resultado.


O álbum já abre com uma porrada, “Ategnatos”, que mescla com perfeição as melodias folclóricas com a ferocidade do Death Melódico. Após um breve interlúdio – são 3 no total durante todo o trabalho, e que nada acrescentam –, “Deathwalker” surge com um ótimo groove, agressividade e boas melodias, assim como “Black Water Dawn” e “A Cry In The Wilderness”, ambas nesse mesmo padrão já conhecido pelos fãs. O álbum então dá uma breve acalmada, com a sequência formada por “The Raven Hill”, com as partes Folks um pouco mais afloradas, e “Ambiramus”, que possui uma melodia pop um pouco mais aflorada. O peso e agressividade retornam com “Mine Is The Fury” e se mantêm presentes na ótima e sombria “The Slumber”, onde o trabalho vocal da dupla Glanzmann/Erni se destaca. “Worship” é a faixa mais pesada do álbum, feroz, agressiva, com uma parte folclórica bem encaixada e participação do vocalista Randy Blythe (Lamb of God), enquanto “Threefold Death” apresenta não só bons riffs, como se equilibra muito bem entre as partes mais calmas e as mais brutas. Na sequência final, “Breathe” destaca ainda mais a voz de Erni, além de possuir boas guitarras; “Rebirth”, originalmente lançada em 2017, reaparece um pouco mais bruta, enquanto “Eclipse”, suave e tranquila, soa quase como um interlúdio, graças mais uma vez ao desempenho de Fabienne.

Quanto a produção, a gravação e engenharia de som ficaram a cargo do velho conhecido da banda, Tommy Vetterli (Coroner, Kreator), com a mixagem dividida entre Linus Corneliusson (Amorphis, Dimmu Borgir, Moonspell), em 4 faixas, e o onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren no restante do álbum. Já a masterização foi realizada pelo quase onipotente, onipresente e onisciente Tony Lindgren (Angra, Enslaved, Paradise Lost, Rotting Christ, Sepultura). O resultado não é menos que ótimo. Já a capa foi obra de Travis Smith (Anathema, Death, Fleshgod Apocalypse, King Diamond). Com uma consistência que não apresentava já a algum tempo, e maximizando ainda mais suas qualidades, como o peso e as melodias folclóricas, o Eluveitie acertou em cheio com Ategnatos, mostrando o porquê de se manter a tanto tempo entre os grandes nomes da cena. Bote o CD para tocar, pegue sua xícara de chá, e se divirta!

NOTA: 84

Eluveitie é:
- Chrigel Glanzmann (Vocal, Flauta Tin Whistle, Mandola, Gaita de foles, Bodhran)
- Fabienne Erni (Vocal, Harpa Celta, Mandola)
- Rafael Salzmann (Guitarra)
- Jonas Wolf (Guitarra)
- Kay Brem (Baixo)
- Alain Ackermann (Bateria)
- Michalina Malisz (Sanfona)
- Matteo Sisti (Flauta Tin Whistle, Gaita de foles, Mandola)
- Nicole Ansperger (Violinos)

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quarta-feira, 20 de março de 2019

Children of Bodom - Hexed (2019)


Children of Bodom - Hexed (2019)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. This Road
02. Under Grass and Clover
03. Glass Houses
04. Hecate's Nightmare
05. Kick in a Spleen
06. Platitudes and Barren Words
07. Hexed
08. Relapse (The Nature of My Crime)
09. Say Never Look Back
10. Soon Departed
11. Knuckleduster
12. I Worship Chaos (live)
13. Morrigan (live)
14. Knuckleduster (remix)

O início do Children of Bodom foi arrasador, com Something Wild (97), Hatebreeder (99), Follow the Reaper (00) e Hate Crew Deathroll (03). O resultado? Os finlandeses se tornaram reféns desses trabalhos, principalmente porque os lançamentos seguintes não conseguiram manter a qualidade que eles mesmo se impuseram. É inegável que a sequência formada por Are You Dead Yet? (05), Blooddrunk (08) e Relentless Reckless Forever (11) nivelou tudo meio que por baixo. Felizmente nos dois últimos álbuns da banda, Halo of Blood (13) e I Worship Chaos (15), as coisas voltaram a seguir um rumo interessante, o que acabou por criar certa expectativa com relação a Hexed.

O 10º trabalho de estúdio do Children of Bodom tem tudo para agradar, não só aos que aprovaram os dos dois últimos álbuns, como aos que apreciam o início de sua carreira. Haxed é um álbum carregado daquela energia de 20 anos atrás, e em muitos momentos, remete o ouvinte àquela banda do início, mas sem renunciar a suas características atuais. Acredito que muito disso possa ser colocado na conta do guitarrista Daniel Freyberg, que estreia em estúdio com o COB, e que parece ter dado nova vida ao grupo.

A voz de Alexi Laiho soa renovada, reenergizada, muito mais natural que nos últimos álbuns. Também é responsável, ao lado de Daniel, por ótimos riffs e solos, sendo que a dupla entrega o melhor trabalho de guitarra do COB em mais de 15 anos. O baixista Henkka Blacksmith e o baterista Jaska Raatikainen formam uma parte rítmica certeira e afiada, que prima pela variedade, enquanto, como de praxe, o tecladista Janne Warman se destaca principalmente nos solos, com quelas transições características entre ele e Alexi. As canções se mostram muito bem estruturadas, e conseguem equilibrar fúria, agressividade e ótimas melodias.


A sequência inicial é simplesmente matadora, com a pesada e feroz “This Road”, a cativante e melódica “Under Grass and Clover”, e a furiosa e veloz “Glass Houses”. Aqui você percebe que o COB não está para brincadeiras. “Hecate's Nightmare” é uma canção forte, que se destaca pelos teclados atmosféricos, e “Kick in a Spleen” possui riffs pesados e agressivos. “Platitudes and Barren Words” é outra faixa que se sobressai pelos riffs, melodias, peso e por ter um refrão bem melódico. “Hexed” conta com alguns elementos neo-clássicos e boas guitarras, e “Relapse (The Nature of My Crime)” se mostra uma canção bem direta e pesada. “Say Never Look Back” é rude, forte e possui boas melodias, enquanto “Soon Departed” e “Knuckleduster”, se mostram mais cadenciadas e muito pesadas. De quebra, temos de bônus 2 faixas ao vivo, “I Worship Chaos” e “Morrigan” e o remix de “Knuckleduster”.

Outro ponto de destaque aqui é a produção. Ela, assim como a mixagem, ficou a cargo do já conhecido pelos fãs da banda, Mikko Karmila, com a masterização feita por Mika Jussila. O resultado é excelente, já que apesar de terem conseguido deixar tudo limpo e cristalino, conseguiram manter uma organicidade muito bem-vinda. Não é aquela coisa asséptica, fria, robótica. É um álbum que soa vivo. Já a capa é obra de Denis Forkas, e está dentro do padrão que esperamos dos finlandeses. Dando um passo a frente em relação aos seus antecessores, Hexed não só mostra muito daquela energia inicial e primordial do Children of Bodom, como também cativa com muita facilidade o ouvinte. Se você se encaixa no grupo dos que nunca se empolgaram com a banda, não será com esse trabalho que mudará de ideia, mas se você faz é fã, temos aqui um álbum que tem tudo para agradar em cheio e no qual vale a pena investir.

NOTA: 8,5

Children of Bodom é:
- Alexi Laiho (guitarra e vocal);
- Janne Wirman (teclados);
- Daniel Freyberg (guitarra);
- Henkka Blacksmith (baixo);
- Jaska Raatikainen (bateria).

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Soilwork – Verkligheten (2019)


Soilwork – Verkligheten (2019)
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records – Nacional)


01. Verkligheten
02. Arrival
03. Bleeder Despoiler
04. Full Moon Shoals
05. The Nurturing Glance
06. When the Universe Spoke
07. Stålfågel
08. The Wolves Are Back in Town
09. Witan
10. The Ageless Whisper
11. Needles and Kin
12. You Aquiver

Underworld (EP) (Bônus)
13. Summerburned and Winterblown
14. In This Master's Tale
15. The Undying Eye
16. Needles and Kin (Original Version)

Parece que foi ontem que escutei Steelbath Suicide, álbum de estreia dos suecos do Soilwork, mas já se passaram 2 décadas desde então. Nesse tempo, mesmo com alguns altos e baixos na carreira – Stabbing the Drama, Sworn to a Great Divide e The Panic Broadcast são trabalhos um tanto mornos  – se consolidaram como um dos maiores nomes da cena Metal da atualidade. Vindo de 2 álbuns de ótima repercussão, o ótimo The Living Infinite e o bom The Ride Majestic, e de uma importante mudança de formação, com a saída de ninguém menos que Dirk Verbeuren (que assumiu de vez o posto de baterista do Megadeth), existia uma grande expectativa por Verkligheten.

A primeira coisa que posso afirmar sem medo, é que esse é um álbum que não vai conquistar o ouvinte de cara, como The Livind Infinite, mas que possui potencial para crescer exponencialmente a cada audição, como seu antecessor, The Ride Majestic. A verdade é que o Soilwork não foge muito da sua fórmula básica de sempre, com riffs típicos do Death Metal Melódico, peso e refrões grudentos, fora a estrutura das canções, que seguem sempre aquele padrão já conhecido pelos fãs. Isso deixa tudo estruturalmente parecido e previsível, você sabe exatamente o que esperar na maior parte do tempo, o que faz com que a monotonia se abata sobre a audição em alguns momentos. Não dá para negar que a fórmula adotada pela banda em seus últimos lançamentos vêm apresentando cada vez mais sinais de desgaste.

Mas nem tudo está perdido, e fica visível que os suecos começam a procurar novas ideias para suas canções. Em Verkligheten, fica muito claro que essa saída para diretamente pelo The Night Flight Orchestra, a outra banda do vocalista Björn "Speed" Strid e do guitarrista David Andersson. Essa influência fica muito visível em algumas canções, principalmente nas melodias dos refrões e em alguns riffs típicos do Rock Clássico. A voz de Björn continua sendo um diferencial tremendo para o Soilwork, e seus vocais limpos ganham mais espaço aqui, remetendo demais ao que executa no TNFO. Sylvain Coudret e Andersson brilham nas guitarras, e ouso dizer que nesse sentido é o melhor trabalho da banda até então. Ótimas melodias e riffs, além de solos de destaque. A parte rítmica não compromete, e faz um trabalho muito correto, mas é inegável que a banda perdeu muito com a saída de Dirk. Não entendam mal, Bastian Thusgaard não é mau baterista, ele executa um bom trabalho, mas não faz nada além do básico, algo que não ocorria com Verbeuren.


Após a dispensável introdução com a faixa-título, o álbum começa bem, com “Arrival”, uma típica música do Soilwork e que funciona muito bem, graças ao peso, aos bons riffs, solo e as melodias. “Bleeder Despoiler” vêm na sequência e eleva um pouco mais o nível, principalmente pelo ótimo trabalho da dupla Coudret/Andersson, e pelo bom refrão. Em “Full Moon Shoals” observamos mais claramente as influências já citadas de Rock Clássico, e não dá para negar que a melodia do refrão remete demais ao trabalho com o The Night Flight Orchestra. Elas também se fazem bem presentes na faixa seguinte, “The Nurturing Glance”, com suas guitarras melodiosas. “When the Universe Spoke” se mostra bem pesada e as guitarras brilham mais uma vez. “Stålfågel” é outra onde o Rock Clássico dá as caras, e conta com a participação de Alissa White-Gluz (Arch Enemy), que sinceramente, poderia ter sido melhor explorada. “The Wolves Are Back in Town” é um tanto quanto previsível e não apresenta nada de novo, enquanto “Witan” se destaca principalmente pelo ótimo refrão. Já “The Ageless Whisper” chama a atenção pelo ótimo trabalho das guitarras. Em “Needles and Kin” temos a ótima participação de Tomi Joutsen (Amorphis), que elevou a canção com seus vocais, e encerrando, “You Aquiver” apresenta bons riffs e um refrão agradável. Vale dizer que a primeira prensagem nacional vem com o EP Underworld de bônus.

Após trabalhar com os ótimos Jens Bogren e David Castillo nas produções dos últimos álbuns, o Soilwork optou por Thomas "PLEC" Johansson (Dynazty, Borealis, Nocturnal Rites, The Night Flight Orchestra), que já havia feito a masterização da compilação Death Resonance (16), para fazer o trabalho em Verkligheten. O resultado é bom, não dá para negar, mas sinceramente achei um pouco inferior às duas últimas. Já a belíssima capa, foi obra de Valnoir (Amorphis, Behemoth, Orphaned Land, Paradise Lost), sendo que a versão em digipack possui uma capa alternativa. Mostrando sinais de desgaste de sua fórmula, mas deixando claro que não pretende se acomodar, já que a busca por soluções fica clara, o Soilwork se saiu bem na espinhosa missão de lançar um álbum que não deixasse o nível dos últimos lançamentos despencar. Se você é fã da banda, pode comprar sem medo.

NOTA: 79

Soilwork é:
- Björn "Speed" Strid (vocal);
- Sven Karlsson (teclado);
- Sylvain Coudret (guitarra);
- David Andersson (guitarra);
- Bastian Thusgaard (bateria).

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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)


Sad Theory – Entropia Humana Final (2017)
(Mindscrape Music – Nacional)


01. Willard Suitcases
02. Antífona
03. Maestro
04. Inanição
05. Punhais Longos, Cortes Profundos
06. A Cadela de Buchenwald
07. Occipício
08. A Alvorada das Hienas
09. S-21
10. Before my Turn, Agonizing (Infernal Cover)
11. Entropia Humana Final

Underground e justiça nunca caminharam lado a lado, e o paranaense Sad Theory é uma prova disso. Surgido no ano de 1998, em Curitiba, chegou a lançar 3 bons álbuns, The Lady & The Torch (02), A Madrigal of Sorrow (04) e Biomechanical (06), mas em 2008, durante a gravação de  Descrítica Patológica, acabaram se separando (o álbum acabou lançado em 2012, sendo seu primeiro totalmente em português). O retorno da banda se deu em 2014, e já no ano seguinte soltaram o excelente Vérmina Audioclastia Póstuma (15), seu primeiro trabalho conceitual.

Mostrando que o retorno não foi em vão, o Sad Theory vêm mantendo o ritmo de lançamentos, e no ano passado liberou seu 6º álbum de estúdio, Entropia Humana Final, que mais uma vez se envereda pelos caminhos do conceitual. Liricamente, optaram por tratar da violência e massacres cometidos por regimes como o Nazismo alemão, o Comunismo soviético do período Stalin, o Imperialismo americano e o Khmer Vermelho. E vale dizer que as letras possuem ligações diretas com eventos reais, com atos promovidos por tais governos.

Musicalmente, quem acompanha a carreira da banda, sabe bem o que esperar. É Melodic Death Metal da melhor qualidade, mesclado com Progressive Death Metal, o que acaba por gerar uma sonoridade forte e muito atual. As canções são pesadas, agressivas e mostram boa diversidade, alternando bem entre passagens mais velozes e outras com mais cadência. Os guturais de Claudio "Guga" Rovel estão ótimos, com boa variedade, e as guitarras de Alysson Irala e Wenttor Collete realizam um ótimo trabalho, com destaque para as ótimas melodias e solos. A parte rítmica, com o baixista Daniel Franco e o baterista Jefferson Verdani, se destaca pelo peso imposto as canções e pela técnica apresentada.


De cara, já temos um dos grandes destaques do álbum, a forte e cativante “Willard Suitcases”. “Antífona” é nada mais do que a poesia do grande poeta Cruz e Souza, que foi musicada e ficou muito boa. “Maestro” se destaca pelo ótimo trabalho das guitarras, e “Inanição”, que conta com participação de Guilherme "Luxyahak" Medina, do Archityrants, nos vocais, tem peso e boas melodias. “Punhais Longos, Cortes Profundos” é dessas canções brutas e destruidoras, enquanto “A Cadela de Buchenwald” se destaca não só pelos bons riffs, como pela variedade. “Occipício” se destaca principalmente pelo peso e técnica, e a ótima “A Alvorada das Hienas” equilibra agressividade e melodia com maestria. Na sequência de encerramento, temos a boa “S-21”, um ótimo cover para  “Before my Turn, Agonizing”, do Infernal, e a instrumental “Entropia Humana Final”

Toda a parte referente a produção ficou a cargo do guitarrista Alysson Irala, e o resultado é muito bom, já que conseguiu deixar tudo polido, mas sem cometer exageros nesse sentido, mantendo o peso e a agressividade do trabalho. Além disso, a escolha dos timbres foi bem feliz. Já a parte gráfica, que também ficou bem legal, foi obra de Tersis Zonato (Offal, Axecuter, Lymphatic Phlegm). Posso dizer sem medo, que Entropia Humana Final é o melhor álbum da carreira do Sad Theory, e se você curte um Death Metal técnico, com ótimas melodias, e atual, precisa conhecer urgentemente a banda. E vale dizer que já estão com seu próximo álbum, Léxico Reflexivo Umbral, baseado na série Black Mirror, programado para sair no primeiro semestre de 2019. Que ele venha logo.

NOTA: 85

Sad Theory é:
- Claudio "Guga" Rovel (vocal);
- Alysson Irala (guitarra);
- Wenttor Collete (guitarra);
- Daniel Franco (baixo);
- Jefferson Verdani (bateria).

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Drowned - 7th (2018)


Drowned - 7th (2018)
(Cogumelo Records/Greyhaze Records - Nacional)


01. The Bitter Art of Detestation
02. Rage Before Some Hope
03. Toothless Messiah
04. Murder, Sex, Hate and More
05. Violent March of Chaos
06. Damaged Wood Coffins
07. Epidemic and God Selfishness
08. Elitist Heaven Ruled by Devil
09. The Time Bomb Conscience
10. KRH317
11. Ministry of National Inquisition

Surgido no ano de 1994, em Belo Horizonte, o Drowned construiu uma carreira sólida nesses quase 25 anos de caminhada pelo underground nacional, através de álbuns como Bonegrinder (01), Butchery Age (03) e By the Grace of Evil (04), se tornando assim um dos principais nomes do Death/Thrash da nossa cena. Seu trabalho sempre foi muito correto, íntegro, e nunca se dobraram a modas, sendo dessas bandas que se caracterizam pela honestidade sonora durante toda a sua história. Sendo assim, depois de tanto tempo, porque mudar?

Após um hiato de 6 anos desde o lançamento de seu último álbum, o Drowned retorna com seu 7º trabalho de estúdio, sintomaticamente intitulado 7th, fazendo justamente o que se espera dele, ou seja, sendo ele mesmo. Mas vale frisar, isso não significa que estão se repetindo e lançando o mais do mesmo, já que por sobre uma base Death/Thrash, podemos observar influências mais modernas de Death Metal Melódico, Groove e até mesmo Progressive Thrash. Os vocais de Fernando Lima soam agressivos, e estão bem variados, enquanto as guitarras de Marcos Amorim e Kerley Ribeiro despejam bons riffs e uma dose interessante de melodias. A parte rítmica, com Rafael Porto (baixo) e Beto Loureiro (bateria) dá um show, com muitas variações de andamento, passagens quebradas aqui e ali, sendo responsável por esse ar mais atual que observamos na música do grupo.


Funciona 100% do tempo? Olha, serei sincero com vocês, até porque estou aqui justamente para isso: não. Seria fácil ficar rasgando seda para a banda, devido a sua importância para nossa cena, mas não seria justo. Existem alguns momentos, em faixas como “Murder, Sex, Hate and More”,  “Violent March of Chaos” ou  “Epidemic and God Selfishness”, que a coisa fica um pouco sem sal, por mais que na maior parte do tempo as músicas citadas tenham boas qualidades, principalmente no que tange aos riffs de guitarra, as melodias e as mudanças de tempo. São boas canções, mas falta algo mais. Já em músicas como “The Bitter Art of Detestation”, com sua boa mescla de agressividade e melodia,  “Toothless Messiah”, com algumas passagens bem brutas, “Damaged Wood Coffins”, a melhor de todo álbum, ríspida e melódica, e “The Time Bomb Conscience”, um Death/Thrash bruto, com bom trabalho das guitarras e uma pegada mais moderna, a fórmula funciona com perfeição e fica impossível o ouvinte não se empolgar.

A produção mostra um bom nível e conseguiu aliar clareza com peso e a dose de agressividade necessária. A parte gráfica também ficou bem-feita, e o CD vem embalado em um digipack bem caprichado. Com 7th, o Drowned mostra que é possível sim, buscar algo novo sem precisar virar as costas para o passado. Com uma música que não aposta puramente na velocidade, e mescla bem momentos mais ríspidos com outros mais melódicos, conseguiram uma sonoridade que tem tudo tanto para agradar os fãs mais antigos, como também conquistar novos.

NOTA: 83

Drowned é:
- Fernando Lima (vocal);
- Marcos Amorim (guitarra);
- Kerley Ribeiro (guitarra);
- Rafael Porto (baixo)
- Beto Loureiro (bateria)

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Kataklysm - Meditations (2018)


Kataklysm - Meditations (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. Guillotine
02. Outsider
03. The Last Breath I’ll Take Is Yours
04. Narcissist
05. Born To Kill And Destined To Die
06. In Limbic Resonance a
07. And Then I Saw Blood
08. What Doesn’t Break Doesn’t Heal
09. Bend The Arc, Cut The Cord
10. Achilles Heel

DVD (Faixas em negrito são partes do documentário):
01. Intro
02. In Shadows & Dust
03. Beyond Salvation
04. Why these 2 albums?
05. Illuminati
06. Chronicles of the Damned
07. Bound in Chains
08. Rediscovering These Albums
09. Where the Enemy Sleeps...        
10. Centuries (Beneath the Dark Waters)
11. We Have a Different Drummer Now
12. Face the Face of War
13. Years of Enlightment/Decades in Darkness
14. Intermission
15. The Ambassador of Pain
16. The Resurrected
17. The Fans
18. As I Slither
19. For All Our Sins
20. Generations
21. The Night They Returned
22. Serenity in Fire
23. Drumming on the Different Albums
24. Blood on the Swans
25. 10 Seconds from the End
26. The Tragedy I Preach
27. Meditations
28. Under the Bleeding Sun
29. Credits

Quando falamos de Kataklysm, sempre existe o risco de nos depararmos com viúvas de seus 2 primeiros álbuns, com Sylvain Houde nos vocais. Para esses, não importa que já se tenham passado 20 anos desde a saída do mesmo e que Meditations seja o 11º álbum da banda após Temple of Knowledge (96). Sempre ficarão presos ao saudosismo. Uma pena, porque nessas duas décadas, o quarteto canadense hoje composto por Maurizio Iacono (vocal), Jean-François Dagenais (guitarra), Stéphane Barbe (baixo) e Olivier Beaudoin (bateria), lançou ótimos trabalhos, sendo que alguns deles podem ser considerados clássicos quando falamos de Death Metal em sua vertente mais melódica.

Após anos e mais anos aprimorando seu estilo, Of Ghosts and Gods (15) marcou o desembarque definitivo do Kataklysm no Death Metal Melódico. Nele, nos deparamos com uma música que mantinha o peso e a agressividade, mas recebendo altas doses de melodia e groove, além de uma cara mais moderna. Puristas se incomodaram? Com certeza. O quarteto resolveu mudar sua abordagem por isso? Se o fizessem, não seriam o Kataklysm, e assim, o que temos em Meditations é uma sequência natural de seu trabalho anterior. Os vocais de Iacono estão em sua melhor forma e temos aqui seu melhor desempenho em um álbum da banda. Dagenais nos entrega um trabalho de guitarra primoroso, com ótimos riffs e melodias, além de solos que se destacam. Quanto a parte rítmica, se destacam pela técnica e coesão, com o baixo de Barbe bem pesado, ajudando demais nesse sentido quando as melodias tomam conta das canções, e a bateria de Beaudoin soando sólida e explosiva em muitos momentos.


“Guillotine” abre o trabalho de forma simplesmente furiosa, com uma bateria rápida, ótimos vocais e riffs cortantes. “Outsider” se destaca principalmente pelo ótimo groove e por sua diversidade, além de ter uma pegada bem moderna. A vigorosa “The Last Breath I’ll Take Is Yours” vem em seguida, equilibrando de forma ímpar brutalidade e melodia. A cadenciada “Narcissist” tem um ótimo trabalho da parte rítmica, com a bateria soando muito potente, enquanto “Born To Kill And Destined To Die” é outra carregada de groove, boas melodias e ótimos riffs. Confesso que em alguns momentos me lembrou Amon Amarth. “In Limbic Resonance” é monstruosa, conseguindo esbanjar brutalidade, mas sem abrir mão de ser melódica. Uma das melhores músicas da banda nos últimos anos. “And Then I Saw Blood” é outra que me remeteu ao Amon Amarth, com sua cadência e boas melodias, e “What Doesn’t Break Doesn’t Heal” se destaca principalmente pelo bom groove e por uma brutalidade dosada. “Bend The Arc, Cut The Cord” segue na pegada da antecessora, com destaque para seus ótimos riffs. Finalizando o álbum, temos a intensa e melódica “Achilles Heel”, com trabalho de guitarra primoroso e uma pegada simplesmente infernal.

A produção ficou a cargo de Dagenais e Beaudoin, com mixagem de Jay Ruston (Anthrax, Armored Saint, Sons of Apollo, Adrenaline Mob) e masterização de Paul Logus (Shadows Fall, Cradle of Filth, Satyricon). Ficou tudo bem claro e audível, e nesse sentido ouso dizer que até um pouco polido demais para o meu gosto, mas nada que comprometa, já que tudo soa pesado e agressivo. A bela capa e toda parte gráfica mais uma vez ficou por conta da esposa de Iacono, Surtsey, da Ocvlta Designs. Tudo soa bem uniforme, sem grande variedade de qualidade entre as canções, e isso não deixa de ser positivo, por mais que você sinta falta de mais momentos que grudem em sua cabeça. Isso não tira o mérito de que Meditations é um dos melhores álbuns do Kataklysm nos últimos anos, e que vai agradar em cheio os seus fãs. Vale lembrar que a versão nacional vem com um DVD  bônus, que mescla uma apresentação da banda na Alemanha, onde tocaram na íntegra os álbuns Shadows & Dust (02) e Serenity in Fire (04), com trechos de um documentário. Um material obrigatório!

NOTA: 86

Kataklysm é:
- Maurizio Iacono (vocal);
- Jean-François Dagenais (guitarra);
- Stéphane Barbe (baixo);
- Olivier Beaudoin (bateria).

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Megaira - Power, Lies and Death (2017)


Megaira - Power, Lies and Death (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Rising Of The King (Intro)
02. Power And Cruelty
03. Ariadne’s Thread
04. The Fall Of Minotaur
05. Dedalus And Icarus Escape
06. Corona Borealis
07. End Of A Reign (Begin The Judgement)
08. Erinyes

Como é legal descobrir um nome novo e promissor, já que, apesar de não se tratar de uma banda novata, confesso que desconhecia por completo a Megaira. Surgida no ABC paulista no ano de 2009, passaram por um processo longo de gravação de seu debut, que teve início em 2012. E finalmente, após 5 anos, temos em mãos Power, Lies and Death, o debut do quinteto formado por Paulo Schmidt (vocal), Annia Bertoni (vocal), Paulo Melo (guitarra), Tiago Souza (baixo) e Murillo Vuldroph (bateria).

De cara, você tem sua atenção despertada para a dificuldade em definir a sonoridade da Megaira, o que acaba por ser um fator bem positivo. Buscando referência na mitologia grega (que por sinal é o foco lírico do grupo), podemos definir sua música como uma quimera que une estilos como Metal Tradicional, Power, Thrash, Death, Black e Sinfônico, mas de uma forma que funciona surpreendentemente bem. Soa pesado, agressivo, mas, ao mesmo tempo, possui melodias ótimas e marcantes. Tudo aqui é muito bem equilibrado.

Os vocais possuem uma dinâmica bem interessante. Paulo Schmidt é responsável pelos guturais, enquanto Annia Bertoni responde pelos vocais limpos, mas não naquela linha lírica “a bela e a fera”, já que eles pendem para o Metal Tradicional. Isso acaba por evitar que os mesmos fiquem chatos e maçantes. A guitarra de Paulo Melo consegue despejar riffs que conseguem unir agressividade e melodia. Aliás, é da guitarra que boa parte das melodias aqui presentes emana. A parte rítmica, com o baixista Tiago Souza e o baterista Murillo Vuldroph, se mostra firme, variada, pesada e técnica, chegando até mesmo a tomar para si o protagonismo em alguns momentos. Já as partes sinfônicas surgem sempre nos momentos ideais, enriquecendo e dando um diferencial interessante às músicas.


Após uma introdução instrumental (“Rising Of The King”), “Power And Cruelty” abre efetivamente o trabalho de forma agressiva, com um bom trabalho de guitarra e ótimo dueto vocal entre Paulo e Annia. Em seguida, temos “Ariadne’s Thread”, com melodias muito boas, teclado bem encaixado e com passagens sinfônicas que surgem para enriquecer a canção. “The Fall Of Minotaur” se mostra bem variada e pesada, com o baixo se destacando e riffs marcantes, enquanto “Dedalus And Icarus Escape” alterna de forma muito positiva passagens mais cadenciadas com outras mais rápidas. Já “Corona Borealis” tem os teclados se destacando e a guitarra despejando não só ótimos riffs, como boas melodias, e “End Of A Reign (Begin The Judgement)” possui uma pegada bem Thrash, soando bem pesada e com algumas passagens bem ríspidas. Encerrando o álbum, “Erinyes” esbanja energia, intensidade e boas melodias.

Gravado no Estúdio 1202 (São Paulo/SP), Power, Lies and Death teve produção e mixagem feitas por Luiz Portinari, com mixagem e masterização adicionais realizadas por Thiago Oliveira. O resultado final é bom, já que tudo soa bem orgânico, longe da artificialidade de alguns trabalhos atuais, deixando tudo claro, audível, mas com certa dose de crueza (acho que poderiam polir um pouco mais, mas nesse caso é gosto pessoal mesmo). Já a capa (que retrata o Rei Minos, de Creta) e o encarte (que ficou bem legal com os tons predominantemente claros utilizados) foram feitos por Leandro Furlanetto.

Mostrando que é possível sim, sair do lugar comum e da zona de conforto nas quais muitas bandas novas optam por ficar, e soando moderno, mas sem abrir mão de sonoridades mais tradicionais, a Megaira estreou com o pé direito, se credenciando ao posto de uma das principais revelações do Metal brasileiro nesse ano de 2017. É esperar que todo o potencial aqui demonstrado se confirme nos trabalhos vindouros.

NOTA: 8,0

Megaira é:
- Paulo Schmidt (vocal);
- Annia Bertoni (vocal);
- Paulo Melo (guitarra);
- Tiago Souza (baixo);
- Murillo Vuldroph (bateria).

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)


Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Belief Of The Mind Slaves
02. Delirium
03. A Sort Of Reverie
04. My Last Oath
05. Essente
06. Eyes Of Forgiveness
07. L'Eternità Offerto
08. Unleash Them
09. Reflections Of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

O single The Belief Of The Mind Slaves (resenha aqui), lançado em 2016, já havia dado pistas que estávamos diante de uma banda diferenciada, já que sua proposta sonora foge do lugar-comum da maioria das bandas nacionais que temos oportunidade de escutar. O que temos aqui é uma interessante e criativa mescla de Death Metal Melódico, Progressivo, Doom, Gothic, Atmospheric, Metal Sinfônico, Black e até mesmo algo daquele Synth Pop oitentista.

Fazer algo tão amplo é arriscado, já que fica muito fácil se perder na falta de foco musical. Mas cabe dizer que no caso do Quintessente não estamos diante de um grupo iniciante, mas sim de uma banda que, entre idas e vindas, já está na estrada desde 1994. E no final essa experiência conta muito, já que o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Luiz Fernando de Paula (baixo), Cristina Müller (teclado e vocal) e Léo Birigui (bateria) faz uma música não só dificil de rotular, como também capaz de despertar sentimentos diversos no ouvinte.

Uma das coisas que muito me chamou a atenção foi a diversidade vocal que encontramos em todo trabalho. André Carvalho consegue ir desde vocais mais suaves até o gutural, passando pelo rasgado, tudo com uma naturalidade absurda. Os vocais femininos da tecladista Cristina Müller, quando surgem, também se destacam pela qualidade. Por sinal, o teclado foi outro aspecto de destaque. Ele se faz muito presente em todas as canções, sendo que em muitas é o fio condutor da mesma, mas sem cometer exageros e dando um ar pomposo às canções. O trabalho de guitarra também é muito bom, assim como a parte rítmica mostra muito peso e versatilidade.

O álbum abre com a já conhecida “The Belief Of The Mind Slaves”, faixa que resume bem o que é a sonoridade da banda. Ótimas melodias, passagens mais rápidas se alternando com outras mais atmosféricas, um refrão marcante e grande diversidade vocal. “Delirium” mantem a mesma pegada da abertura, soando bem agressiva, enquanto “A Sort Of Reverie” é um Death/Doom dos bons, bem arrastado, com ótimas linhas de teclado e belo trabalho vocal. “My Last Oath” é outra onde o trabalho de Cristina se destaca, além de possuir ótimas guitarras, e o Doom “Essente” fecha a primeira metade do trabalho de forma belíssima, com um ótimo dueto vocal e melodias que se destacam.


O álbum tem sequência com a pesada e agressiva “Eyes Of Forgiveness”, que possui um certo clima de introspecção. A épica “L'Eternità Offerto” mescla boas melodias com Black, Doom e Metal Sinfônico, além de ter uma parte rítmica de destaque, e “Unleash Them” surpreende pelas influências de Synth Pop oitentista e Gótico, soando como uma mistura do Depeche Mode com o Sisters of Mercy. É sem dúvida um dos momentos mais legais de toda a obra. Na sequência final, temos “Reflections Of Reason”, com boa mescla de agressividade e melodia, além de possuir bons riffs, e a arrastada “Matronæ Gaia (Chapter II)”, um Doom com toques Góticos e belo solo de teclado, além de ter boa diversidade vocal.

Gravado no Kolera Studio, o álbum teve produção, mixagem e masterização realizados por Celo Oliveira, com um resultado muito bom. Deixou tudo claro, audível, mas com uma pitada de crueza saudável e comedida, que caiu muito bem aqui. Já a bela parte gráfica do CD foi obra de Marcus Lorenzet (Artspell), e combinou perfeitamente com todo o clima criado pelo mesmo. Mostrando personalidade e uma música difícil de se rotular, o Quintessente lançou um dos grandes álbuns do Metal nacional nesse ano de 2017. Uma banda que realmente vale a pena conhecer.

NOTA: 8,5

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Luiz Fernando de Paula (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Léo Birigui (bateria).

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Hatefulmurder - Red Eyes (2017)


Hatefulmurder - Red Eyes (2017)
(Secret Service Records - Nacional)


01. Silence Will Fall
02. Red Eyes
03. Tear Down
04. Riot
05. The Meaning of Evil
06. Time Enough At Last
07. My Battle
08. You´re Being Watched
09. Creature of Sorrow

Uma das coisas mais legais quando você acompanha constantemente o trabalho de uma banda é poder observar o seu desenvolvimento e crescimento. Meu primeiro contato com o Hatefulmurder foi com o EP The Wartrail (11), e nele já era perceptível a qualidade do seu Thrash/Death. E foi essa qualidade que foi confirmada em 2014 no seu debut, No Peace. Quem teve a oportunidade de assisti-los ao vivo durante a turnê de divulgação pôde ver uma banda que estava na “ponta dos cascos”, literalmente quebrando tudo. Mas após o término da mesma, o vocalista Felipe Lameira anunciou seu desligamento da banda, o que não deixou de ser um baque para quem acompanhava o trabalho dos cariocas.

Felizmente, Renan Ribeiro (guitarra/vocal), Felipe Modesto (baixo) e Thomás Martin (bateria) não deixaram que o golpe os abatesse e logo anunciaram Angélica Burns (ex-Scatha, ex-Diva) para assumir o posto deixado por Felipe. Confesso que respirei aliviado, por já conhecer a capacidade da mesma por seu trabalho na Diva, mas muita gente ficou com um pé atrás em um primeiro momento, talvez por não acompanhar de tão perto o cenário underground. De lá pra cá muita água passou por debaixo da ponte, shows ocorreram, mas se ainda existiam dúvidas a respeito da nova formação, ela foi sanada de vez com seu 2º trabalho, Red Eyes.

Certamente existirão aqueles que tentarão traçar comparações entre o Hatefulmurder e o Arch Enemy, não só pelo Thrash/Death Metal Melódico praticado aqui, como também pelo fato de ambas contarem com uma vocalista. Bem, não dá para negar que podemos até encontrar pontos em comum aqui e ali, mas a verdade é que Red Eyes é muito mais que isso. É acima de tudo um trabalho muito forte, com composições inspiradas e que consegue equilibrar de forma muito madura elementos como agressividade e melodia, sem perder a essência de sua sonoridade.

Os vocais de Angélica estão ótimos e são responsáveis por uma parcela de agressividade das músicas. Podemos notar também a inclusão de alguns vocais limpos, que confesso, aos meus ouvidos, soaram um pouco estranhos e não funcionaram tão bem, soando um tanto quanto desnecessários às canções, mas também não chegam a comprometer. O trabalho de guitarra de Renan é simplesmente ótimo, esbanjando peso, criatividade, com riffs marcantes e boas melodias. Já a parte rítmica, com Felipe e Thomas não fica atrás, mostrando boa técnica, coesão e muita diversidade.


São 9 músicas que conseguem manter um nível alto de qualidade, mas com alguns destaques evidentes. Músicas como “Silence Will Fall”, bruta, agressiva e que abre o álbum da melhor forma possível, e “Tear Down”, onde os vocais limpos até funcionam bem em alguns momentos, mostram uma pegada mais moderna, saindo do lugar-comum de muitas bandas brasileiras quando o assunto é Thrash/Death. “Red Eyes”, além dos ótimos riffs, tem um refrão marcante, assim como a ótima “Riot”, que compartilha tais características. Outra que vale destacar é “My Battle”, que mescla não só velocidade com partes mais cadenciadas, como também melodia e agressividade. De quebra ainda temos a participação de Mayara Puertas (Torture Squad) nos vocais da ótima e bruta “Time Enough At Last”.

Gravado por Celo Oliveira, Felipe Eregion e Rafael Sentoma, nos estúdios Casa do Mato e Kolera Studio, Red Eyes recebeu a produção de João Milliet, tendo um resultado final muito bom. Está tudo limpo, claro, com todos os instrumentos 100% audíveis, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Sinceramente, não fica devendo nada se comparado a 90% das produções que escuto vindas do exterior. Já a bela capa foi obra do grego Orge Kalodimas (pesquisem o trabalho dele na internet, é muito bom!), com arte e design de Eregion (Lacerated and Carbonized, Vociferatus, Unearthly). Simplesmente ótimo!

Renovado, mas sem perder a sua essência, e indo direto ao ponto (o álbum dura pouco menos de 32 minutos). Esse é o Hatefulmurder com o qual nos deparamos em Red Eyes, uma banda que caminha a passos largos para encontrar sua maturidade musical e fincar os dois pés no panteão dos grandes nomes da história do Metal no Brasil. Um dos melhores álbuns nacionais de 2017!

NOTA: 8,5

Hatefulmurder é:
- Angélica Burns (vocal);
- Renan Campos (guitarra/vocal);
- Felipe Modesto (baixo/vocal);
- Thomás Martin (bateria).

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)


Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)
(Shinigami Records/Century Media Records - Nacional)


01. The Loss Of Fury
02. Bring The War Home
03. Passage Of The Crane
04. They Shall Not Pass
05. Downshifter
06. Prey To God
07. My Heart Is My Compass
08. Save Me
09. Corium
10. Extermination Order
11. A River Of Crimson
12. The Cry Of Mankind (My Dying Bride Cover)

Existem bandas que sempre procuram inovar, às vezes com bons resultados, outras vezes, nem tanto assim. No espectro oposto, existem aquelas bandas que encontraram uma “fórmula mágica” e que, por isso, procuram se manter dentro de sua zona de conforto. Assim como no caso anterior, isso pode ser positivo ou negativo, dependendo muito do nível de inspiração dos músicos envolvidos. É nesse segundo caso que se encaixam os alemães do Heaven Shall Burn, que ano passado lançaram Wanderer, seu 8º trabalho de estúdio e que agora chega as mãos dos fãs brasileiros em sua versão nacional, graças à iniciativa da Shinigami Records.

No caso do grupo alemão, encontraram sua fórmula em Antigone (04) e de lá para cá, pouco arriscaram, variando alguma coisa aqui e ali, mas mantendo sempre uma mesma linha sonora, mesclando Death Metal Melódico com Metalcore, criando assim uma espécie de Deathcore Melódico, capaz de agradar desde os fãs de nomes como Kataklysm ou In Flames (antigo) até os que apreciam bandas como Caliban e As I Lay Dying. Felizmente, no caso do HSB, a inspiração sempre esteve em dia e nunca decepcionaram seus fãs, lançando bons trabalhos na última década.

Mas em Wanderer, primeiro trabalho sem o baterista fundador, Matthias Voigt, podemos observar alguns pequenos avanços na sonoridade do Heaven Shall Burn. A base de sua sonoridade continua ali, firme e forte, mas podemos observar uma certa influência de Thrash Metal nos riffs, dando assim mais peso às canções aqui presentes. Sim, estamos diante do trabalho mais pesado do HSB em muito tempo, o que acaba por ser uma lufada de ar fresco para a banda. Os vocais de Marcus Bischoff continuam ótimos, brutos, agressivos e variados, sendo uma das marcas do quinteto, mas precisamos muito falar aqui da dupla de guitarristas Alexander Dietz e Maik Weichert. Decididamente, são a alma de Wanderer, já que seus riffs conseguem equilibrar com perfeição agressividade e melodia, além de soarem muito pesados. Os solos também se destacam pela qualidade. Eric Bischoff faz um bom trabalho no baixo e cabe dizer que seu instrumento está bem mais audível aqui do que no trabalho anterior, Veto (13). Já o estreante Christian Bass consegue manter o alto nível de seu antecessor, já que a bateria continua soando bombástica.


São 12 canções, incluindo a já tradicional faixa cover que consta em todos os lançamentos. Depois de coverizar bandas como Bolt Thrower, Paradise Lost, Edge of Sanity e Blind Guardian, dentre outras, a escolha aqui recaiu sobre o My Dying Bride. O nível das mesmas é bem homogêneo, mas é possível apontar alguns destaques inatos aqui. “Bring The War Home” é esmagadora e tem uma influência bem nítida da cena de Gotemburgo, sendo impossível não se lembrar dos bons momentos do In Flames nos anos 90. Isso também ocorre em “Passage Of The Crane”, bem refinada mas sem abrir mão da brutalidade, em “Extermination Order” e na direta “Corium” (com participação do guitarrista Nick Hipa, ex-As I Lay Dying). “Prey To God” é a faixa mais Death Metal já composta pela banda e conta com a participação mais que especial de ninguém menos que George "Corpsegrinder" Fisher (Cannibal Corpse). Já “A River Of Crimson” é bem intensa e possui ótimas melodias. E não dá para não citar a primorosa versão de “The Cry Of Mankind”, do My Dying Bride, simplesmente magistral e de muito bom gosto, contando com a participação de Aðalbjörn Tryggvason, vocalista do Sólstafir.

Produzido pelo guitarrista Alexander Dietz, com mixagem e masterização de Tue Madsen (Behemoth, At The Gates, Dark Tranquillity, Moonspell, Kataklysm, Vader), o resultado final é ótimo. Claro, cristalino, pesado e agressivo. Já todo o layout e design foram obra de Carsten Drescher (After Forever, Arch Enemy, Epica, Borknagar, Paradise Lost, Lacuna Coil), e acompanharam a qualidade da produção. Se você é fã do Heaven Shall Burn, sabe bem que pode adquirir esse trabalho sem medo, mas se você se encontra no time dos mais receosos, devido ao pé da banda no Metalcore, mas é fã de Death Metal Melódico, eis aqui um título que vale muito a pena conhecer.

NOTA: 8,0

Heaven Shall Burn é:
- Marcus Bischoff (vocal);
- Maik Weichert (guitarra);
- Alexander Dietz (guitarra);
- Eric Bischoff (baixo);
- Christian Bass (bateria).

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Céu em Chamas - Infernal (2017)


Céu em Chamas - Infernal (2017)
(Independente - Nacional)


01. Lutar
02. Portões do Inferno
03. Gritos e sussurros
04. Correntes
05. Caos
06. Inferno
07. Falida Imaginação
08. Sopro da Destruição
09. Olhos Pulsantes

O que chamamos de “brasileiro médio” é sem sombra de dúvida, um sujeito conservador em quase todos os campos de sua vida. Não é um tipo muito afeito a mudanças, ao que fuja do tradicional, do “certo”. O “fã médio de Heavy Metal” no Brasil também não difere em nada disso. Se apega com todas as suas forças às formas mais tradicionais de se fazer Metal, vendo como “modinha” ou desmerecendo a qualidade de qualquer coisa que ouse sair da fórmula pronta que perdura no estilo por décadas. A coisa chega a um ponto que, para muitos, basta ter sido feito nos anos 80/90 para se tornar um material clássico (mesmo que na época em que foi originalmente feito tenha sido considerado mediano ou até mesmo fraco). Basta observar que muitos dos selos nacionais hoje em dia sobrevivem de relançamentos de álbuns clássicos, ou até mesmo obscuros, do período citado acima.

Isso se reflete de diversas formas em nossa cena, como por exemplo, no fato de que boa parte dos novos nomes apostam justamente nessas sonoridades mais tradicionais, afinal, as mais modernas são “coisa de adolescentes modinhas”, segundo muitos pregam por aí. E não me levem a mal, gosto e muito do Metal feito nas décadas passadas, mas isso não significa que preciso desmerecer o que é feito hoje em dia, afinal, tem muita coisa boa por aí, basta deixar o radicalismo um pouco de lado. Mas felizmente, existem aqueles que remam contra a corrente e investem com força em sonoridades mais modernas, indo de encontro aos anseios de uma geração de fãs mais nova e que sim, prezado amigo que parou musicalmente no tempo, não se importa muito com os novos trabalhos do Metallica ou do Iron Maiden.

O Céu em Chamas surgiu em Itapira/SP, no início de 2013, e faz parte desse grupo que nada contra a corrente. Mesclando elementos típicos do Metalcore, com estilos como Death Metal Melódico e Groove Metal, sua sonoridade nos remete de imediato a nomes como Heaven Shall Burn, Carnifex, Hatebreed, Whitechapel, The Agonist, In Flames, ou as brasileiras Confronto, Pray For Mercy e Project46. Sua música transborda energia e alterna momentos mais velozes com outros mais cadenciados, mas nunca abrindo mão do peso. Rafael Coradi (ex-Slasher) é responsável por ótimos guturais, sempre cantando de forma bem agressiva, enquanto a dupla Alemão e Maicon é responsável por bons riffs (em alguns momentos, típicos de Death Metal) e melodias muito agradáveis. A parte rítmica, com Frango (baixo) e Betão (bateria), também executa um belo trabalho, dando diversidade às canções e soando bem firme.


São 9 sons que, como já dito, soam muito enérgicos, além de bastante heterogêneos. Não há grandes variações de qualidade entre as músicas, apesar de obviamente termos algumas que se destacam frente às demais. “Lutar” tem uma sonoridade bem moderna e um ótimo trabalho da dupla de guitarristas, enquanto “Portões do Inferno” é curta e direta, com destaque inevitável pra o belo trabalho da parte rítmica. “Gritos e Sussurros” é outra com uma pegada mais moderna e as guitarras despejam riffs com boas melodias, que inevitavelmente vão te remeter a nomes como In Flames e Dark Tranquillity. “Inferno” é uma bela mescla de Hardcore com Death Metal, abusando da agressividade e do peso, e “Sopro de Destruição” faz mais do que jus ao seu nome, destruindo pescoços dos menos tarimbados.

Gravado no Black Stone Studio, com produção de Bruno Cestari, Infernal tem ótima qualidade nesse quesito, já que mesmo com tudo claro e audível, o peso e a agressividade se fazem mais que presentes. Já a capa foi obra do guitarrista Alemão Pompeu. Vale destacar que o álbum está disponível para download gratuito tanto no site da banda como também em seu Bandcamp. Podem não apresentar absolutamente nada de novo, mas dentro do que propõem a fazer, conseguem obter um ótimo resultado, ainda mais se tratando de um álbum de estreia. Então, se esse é o seu tipo de som, vale muito a pena conferir a música do Céu em Chamas.

NOTA: 8,0

- Rafael Coradi (vocal);
- Alemao Pompeu (guitarra);
- Maicon (guitarra); 
- Frango (baixo);
- Betao (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)


terça-feira, 25 de abril de 2017

Once Human – Evolution (2017)


Once Human – Evolution (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. Flock of Flesh
02. Eye of Chaos
03. Mass Murder Frenzy   
04. Gravity
05. Dark Matter
06. Paragon
07. Drain   
08. Killers for the Cure
09. Passenger

Logan Mader se notabilizou na segunda metade dos anos 90 como guitarrista do Machine Head. Após sua saída da banda, chegou a tocar rapidamente com o Soulfly e teve alguns projetos menores. A partir de 2004, optou por focar apenas em seu trabalho como produtor, onde indiscutivelmente se saiu muito bem. E assim foi até o ano de 2014, quanto Monte Conner (ex-Roadrunner e atualmente na Nuclear Blast) lhe apresentou a vocalista Lauren Hart.

Empolgado com o talento da mesma, Logan resolveu voltar às atividades fora de estúdio, surgindo assim o Once Human. No ano seguinte, foi lançado o debut da banda, The Life I Remember, que se não empolgou muito, serviu para colocar o nome da banda em evidência, como sendo o retorno de Mader. Eis que agora, 2 anos depois, ressurge com uma formação renovada, graças à entrada dos guitarristas Max Karon e Skylar Howren (passaram a ser 3 guitarras) e do baterista Dillon Trollope, e um novo álbum, que acertadamente recebe o nome de Evolution.

Evolução é o que realmente ouvimos aqui, já que é nítido o amadurecimento do Once Human quando comparamos seu novo álbum com o debut. Ao invés de simplesmente fazerem um Death Melódico comum, corajosamente optaram por sair da zona de conforto e acrescentar novos elementos à sua música. Aqui, aquela sonoridade típica do “Gothemburg Sound” se une a elementos de Thrash/Groove Metal e a tendências progressivas típicas de bandas Djent, principalmente Meshuggah, uma das referências mais claras aqui presentes, ao lado do Arch Enemy.

Vale dizer que muito da influência do Arch Enemy vem dos vocais de Lauren Hart. Sua voz remete demais à de Angela Gossow quando canta de forma agressiva, ficando impossível não fazer tal associação. Ainda assim, vale dizer que ela também se sai muito bem nos poucos momentos em que canta de forma mais limpa. Decididamente, se trata de uma vocalista de talento e com um futuro muito promissor, bastando agora adquirir um pouco mais de personalidade própria. O trabalho das 3 guitarras aqui presentes é muito bom, e conseguem não só imprimir boa dose de agressividade e até mesmo brutalidade, como também ótimas melodias. A parte rítmica esbanja técnica e faz muito bem seu serviço, dando dinâmica e variedade às canções.


Por sinal, são 9 aqui que, se não apresentam nada de novo ou revolucionário, podem agradar aqueles que apreciam uma pegada mais moderna. A faixa de abertura, “Flock of Flesh”, talvez seja o principal destaque de Evolution. Riffs marcantes, muita agressividade e algumas melodias marcantes dão o tom da mesma, servindo como uma espécie de portfólio do que o ouvinte irá encontrar dali para frente. “Eye of Chaos” é outra com bons riffs e melodias, e vai te fazer balançar a cabeça involuntariamente. Em “Gravity”, tanto os riffs quanto a parte rítmica possuem forte influência de Djent/Progressivo, podendo remeter ao Meshuggah em alguns momentos, algo que ocorre também na ótima “Passenger”, que encerra o trabalho. “Paragon” merece ser citada, já que além de possuir um refrão muito bom, é um dos poucos momentos onde os vocais de Lauren mostram personalidade própria, deixando claro que sim, ela pode soar como Lauren Hart e não como Angela Gossow. Sinceramente, ela deveria explorar mais o recurso da voz limpa, pois soa muito agradável nos poucos momentos em que o faz aqui.

A produção e mixagem, como não poderia deixar de ser, ficaram a cargo de Logan Mader. Já a masterização foi realizada pelo onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren. Não preciso nem dizer muito a respeito, mas conseguiram unir um som claro, limpo, com agressividade e brutalidade. A capa foi obra de Seth Siro Anton (Kamelot, Paradise Lost, Nile, Moonspell, Exodus) e, como de praxe em seus trabalhos, tem um resultado final bem marcante. Consistente, diversificado e técnico, além de claro, conseguir equilibrar muito bem melodia e brutalidade, o Once Human parece encontrar cada vez mais seu rumo. Se não apresenta absolutamente nada de novo, consegue mostrar potencial latente com Evolution. Basta se aprofundar mais na sonoridade mostrada aqui e adquirir mais personalidade. Alcançando isso, logo estarão no primeiro escalão do Metal.

NOTA: 7,0

Once Human é:
- Lauren Hart (vocal);
- Logan Mader (guitarra);
- Max Karon (guitarra);
- Skylar Howren (guitarra);
- Damien Rainaud (baixo);
- Dillon Trollope (bateria).

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