quinta-feira, 17 de abril de 2014

Project46 – Que Seja Feita A Nossa Vontade (2014)




Project46 – Que Seja Feita A Nossa Vontade (2014)
(Wikimetal Music - Nacional)

01. Caos Renomeado
02. Foda-se (Se depender de nós)
03. Erro +55
04. Desordem e Progresso
05. Carranca
06. Na Vala
07. Empedrado
08. Veneno
09. Em nome de quem?
10. Vergonha na cara

E o que era ótimo, conseguiu ficar melhor ainda. Essa foi à sensação que tive após finalizar a audição do 2º álbum do Project46, Que Seja Feita A Nossa Vontade, sucessor do ótimo Doa A Que Doer (2011). Crescendo cada vez mais no cenário, principalmente após sua participação no Monsters Of Rock ano passado, o quinteto paulistano vem com a faca entre os dentes e disposta a se tornar uma das principais bandas do metal nacional.

O impacto já começa com a belíssima capa, um grafite do artista paulistano Will Ferreira e continua com a avassaladora faixa de abertura “Caos Renomeado”. O nível de violência alcançado pelo Project46 vai assustar os mais desavisados. Henrique Pucci, estreando em estúdio com a banda, simplesmente destrói tudo com sua bateria, enquanto seu companheiro de cozinha, Rafael Yamada vai se mostrando um dos melhores baixistas do nosso cenário. A isso tudo, juntam-se as guitarras de Jean Patton e Vinícius Castellari, com riffs absurdamente pesados e o vocal avassalador de Caio McBeserra. Eles vão enfileirando uma porrada atrás da outra, a ponto de deixar o ouvinte zonzo, tamanha a agressividade da música que sai das caixas de som. As letras, absurdamente ácidas e criticas, são um capítulo a parte. Jogam na cara a podridão na qual nossa sociedade esta mergulhada, dando um choque de realidade em todos. Em álbum de altíssimo nível, os maiores destaques vão para a já citada faixa de abertura, “Erro +55”, "Carranca", “Na Vala”, sobre a violência cotidiana que nos cerca, “Empedrado” (minha preferida), que trata da questão do tráfico e do vício em crack, e “Vergonha na cara”, com um pé no Thrash. 

Com uma produção de alta qualidade, um som com cara própria (algo raro para uma banda ainda em seu 2º álbum), riffs pesados e muita técnica, o Project46 lançou certamente um dos álbuns mais sujos e pesados de 2014. Que Seja Feita A Nossa Vontade veio para consolidar de uma vez por todas o nome da banda entre as principais do Brasil e certamente, em Dezembro, estará na lista de melhores de muita gente por ai. Simplesmente esmagador.

NOTA: 9,0





terça-feira, 15 de abril de 2014

Loath – Total Peace (2013)




Loath – Total Peace (2013)
(Inverse Records - Importado)

01. Humanity
02. Masochist Karma
03. Psychic Leech
04. Irstas Ääretön Tyhjyys
05. Sect
06. Shortcut To Heavenly Bliss
07. Xeroxed
08. The Common God
09. Slave’s Mouth
10. Live Through Me

E lá vem a Finlândia nos brindando com mais um bom nome do Metal. Formada em 2013, o Loath não quis saber muito de enrolação e logo foi tratando de lançar seu debut, intitulado Total Peace. Parafraseando certo personagem de desenho animado, nunca antes na história dessa industria vital, vi um título tão irônico em minha vida. Digo isso porque a audição desse álbum pode te despertar diversos tipos de sentimentos, mas nenhum deles será a paz total.

O Loath aposta em uma mistura de Grind/Crust/Sludge/Death capaz de te despertar as sensações mais sombrias possíveis. Seu som é pesado, sujo, obscuro, alternando partes velozes com outras mais arrastadas, e vocais que variam entre a agressividade e o agonizante.  A faixa de abertura, “Humanity”, é sombria e chega a ser opressiva para o ouvinte, dando assim um panorama do que vem pela frente. A banda vai alternando esses momentos mais velozes, como em “Masochist Karma” ou “Shortcut To Heavenly Bliss” (uma verdadeira pancada Crust/Punk) com outros mais lentos, caso de “Irstas Ääretön Tyhjyys” ou “Sect”, mas em qualquer um desses é capaz de despertar a angustia no ouvinte. Essa sensação inquietante que sua música desperta se mantém em faixas como “Xeroxed”, na fúnebre “The Common God” e na frenética “Slave’s Mouth”.

Sinceramente, poucas vezes vi uma banda capaz de despertar sensações tão negativas e desagradáveis como o Loath em seu debut. Se não chegam a apresentar nada de muito novo dentro da mistura de sons proposta, acabam ganhando pontos por todos os sentimentos que despertam no ouvinte, algo para poucos nos dias de hoje. Aliás, posso dizer sem qualquer exagero que Total Peace não é um trabalho para todos os gostos, já que sua degustação não é das mais fáceis. Indicado para todos os misantropos de plantão.

NOTA: 8,0

Inverse Records



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Delain – The Human Contradiction (2014)




Delain – The Human Contradiction (2014)
(Napalm Records - Importado)

01. Here Comes The Vultures
02. Your Body Is A Battleground (feat. Marco Hietala)
03. Stardust
04. My Masquerade
05. Tell Me, Mechanist (feat. George Oosthoek)
06. Sing To Me (feat. Marco Hietala)
07. Army Of Dolls
08. Lullaby
09. The Tragedy Of The Commons (feat. Alissa White-Gluz)

Quando falamos em Metal Sinfônico vindo da Holanda, os primeiros nomes que virão em sua cabeça certamente serão Épica e Within Temptation. Alguns certamente poderão recordar do hoje finado After Forever, mas poucos irão citar o Delain logo de cara como fazendo parte da linha de frente do estilo. A verdade é que apesar de uma carreira consistente e de vir crescendo em popularidade nos últimos anos, sempre faltou aquele algo mais para que chegassem ao mesmo nível de popularidade dos nomes citados. Sempre enxerguei o Delain como uma banda muito similar ao Within Temptation, já que assim como esta, sempre teve certo apelo pop em suas músicas. A diferença é que no caso deles, por mais que Charlotte Wessels tenha uma voz agradável e cativante, não tem o alcance de uma Sharon Den Adel. Em resumo, sempre os achei um tanto sem graça, sem sal.

Mas The Human Contradiction tem potencial para me fazer rever certos conceitos. Conduzidos pelos teclados de Martijn Westerholt (sem dúvida alguma, a força motriz por de trás da banda) e por ótimos refrões (o apelo pop se faz presente em certos momentos), conseguiram imprimir um pouco mais de peso em sua música, se descolando dos rumos tomados pelo Within Temptation. Se este último vem seguindo um caminho cada vez mais na direção de tornar sua música comercial (Hydra esta ai para confirmar isso), o Delain optou por se aproximar mais do Metal. O álbum conta com três participações especiais, Marco Hietala (Nightwish), George Oosthoek (Orphanage) e Alice White-Gluz (ex The Agonist, Arch Enemy), que só agregam qualidade ao trabalho. Apontaria como destaque aqui “Your Body Is A Battleground” com um dueto funcional entre Charlotte e Hietala, “Stardust” e “My Masquerade”, faixas com apelo mais pop de todo trabalho, “Tell Me, Mechanist”, a mais agressiva e com ótimos vocais guturais a cargo de Oosthoek e “The Tragedy Of The Commons”, pesada e mais operística, contando com ótima participação de Alice, que se saiu muito bem tanto nos vocais limpos quanto nos guturais.

Com um trabalho mais maduro e pesado, The Human Contradiction tem potencial para levar o Delain a um patamar mais elevado no cenário do Metal Sinfônico. Aquele apelo pop ainda está ali, é uma característica inerente à banda, principalmente pelos vocais de Charlotte, só que agora, mais confiantes, deram um importante passo adiante e tem tudo para agradar aqueles que curtem bandas como Lacuna Coil, Épica, Within Temptation ou Nightwish. Se é a sua praia, pode correr atrás sem arrependimentos.

NOTA: 7,5





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lothlöryen – Some Ways Back Some More (2014)




Lothlöryen – Some Ways Back Some More (2014)
(Power Prog Records - Importado)

01. My Mind in Mordor
02. We Will Never Be the Same
03. One Ring
04. Hobbit’s Song
05. White Lies
06. Some Ways Back No More
07. Secret Time
08. My Grimoire
09. Unfinished Fairytale

Quando, em 2012, lançou o ótimo Raving Souls Society, o Lothlöryen mostrou evolução e maturidade assombrosas, se comparado com seus álbuns anteriores. Já Some Ways Back Some More, novo lançamento da banda mineira, na verdade não é assim tão novo. Trata-se do relançamento de seu segundo álbum, Some Ways Back No More (08), visando o lançamento do mesmo no mercado europeu. Mas antes que você trate esse trabalho como um simples caça-níqueis, saiba que existem certas particularidades presentes aqui. Todos os vocais foram regravados pelo vocalista atual, Daniel Felipe, tendo o mesmo ocorrido com os teclados (mais evidentes agora), além de diversos solos de guitarra e violão. Várias faixas foram rearranjadas e o trabalho passou por nova mixagem e remasterização, além de ter ganhado uma capa melhorada.

Todas essas mudanças executadas fizeram com que o álbum desse um salto de qualidade em relação ao original. Os vocais de Daniel deram nova cara às músicas, deixando-as mais dinâmicas. Os novos trabalhos de mixagem e masterização deixaram o som bem mais encorpado e pesado, permitindo que várias partes que antes não eram perceptíveis se tornassem audíveis aqui, principalmente no quesito backing vocals. Faixas como “Some Ways Back No More” e “White Lies” sofreram profundas reformulações que as deixaram com mais qualidade. Podemos observar também o quanto à banda amadureceu desde então. Se antes faziam um Power/Folk com letras baseadas na obra de Tolkien, hoje apresentam um som mais moderno e letras bem mais atuais. Claro, não quero desmerecer o que fizeram no passado, longe disso, pois sempre apresentaram material de muita qualidade, mas que hoje apresentam uma sonoridade muito mais agradável, isso é inegável. Destaques vão para as ótimas “My Mind in Mordor”, “We Will Never Be the Same”, “Hobbit’s Song” e “Some Ways Back No More”.

Se você gostava de Some Ways Back No More, certamente irá apreciar mais ainda, se não curtia, tem agora a possibilidade de dar a ele uma nova chance. Ao final de tudo, esse relançamento se mostra muito válido, já que só tem a acrescentar, não só ao trabalho original como a discografia do Lothlöryen, mesmo não representando mais a realidade da banda. Aliás, só por isso esse trabalho não ganha uma nota maior. Aos que apreciaram mais o que foi apresentado em Raving Souls Society, podem ficar tranquilos, pois os próprios músicos já deixaram claro que o próximo álbum da banda vai manter a mesma pegada. Estão de parabéns por esse trabalho.

NOTA: 7,5

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