quinta-feira, 10 de abril de 2014

Black Label Society – Catacombs of the Black Vatican (2014)




Black Label Society – Catacombs of the Black Vatican (2014)
(eOne Music - Importado)

01. Fields of Unforgiveness
02. My Dying Time
03. Believe
04. Angel of Mercy
05. Heart of Darkness
06. Beyond the Down
07. Scars
08. Damn the Flood
09. I’ve Gone Away
10. Empty Promises
11. Shades of Gray

Zakk Wylde é um cara que dispensa qualquer tipo de apresentação e, depois de 15 anos de estrada, podemos dizer o mesmo do seu Black Label Society. É dessas bandas que você sabe exatamente o que esperar. Sem soltar um álbum de inéditas desde 2010, com Order of the Black, surgem agora nesse início de ano com seu 9º álbum de estúdio, Catacombs of the Vatican. E podemos dizer que aqui, conseguiram manter a consistência de seus últimos bons lançamentos.

Hoje em dia uma coisa se tornou indiscutível. Black Label Society é Zakk Wylde e Zakk Wylde é o Black Label Society, independente dos músicos que estiverem na banda. Ele, por sinal, vem se mostrando um compositor cada vez melhor e mais versátil, capaz de compor tanto uma belíssima balada com tons acústicos, como “Angel of Mercy”, com toques de The Allman Brothers e um solo de guitarra maravilhoso, a uma faixa mais pesada e com total influência de Sabbath, como “Heart of Darkness”. As duas faixas citadas talvez explicitem perfeitamente o que é o som do BLS nos dias de hoje, uma perfeita mistura de riffs sabbáticos com o melhor do Southern Rock, temperado com uma dose melodia, peso e agressividade na medida certa. Catacombs of the Vatican é um trabalho muito agradável de ouvir e você mal percebe o tempo passar durante a audição. Além das duas faixas já citadas, apontaria como destaques a belíssima balada “Scars”, “Damn the Flood”, com uma pegada Stoner e um riff fantástico, a forte e direta “Fields of Unforgiviness”, “My Dying Time”, com harmonias vocais que vão te remeter ao Alice In Chains (o que vêm a ocorrer em algumas outras faixas do álbum), “I’ve Gone Away” e “Empty Promises”, que poderia estar em qualquer álbum que Zakk tocou com Ozzy.

Gravado no estúdio do próprio Zakk Wylde, o Black Vatican (sacaram agora o porquê do nome?), a qualidade sonora é excelente e o álbum possui uma sonoridade bem orgânica, com cara de gravação analógica e longe dessa coisa digital da maior parte dos lançamentos dos dias de hoje. Com um lançamento muito sólido, o Black Label Society mostra que ainda tem muita lenha para queimar nos próximos anos. Recomendado.

NOTA: 8,0

Homepage Zakk Wylde


segunda-feira, 7 de abril de 2014

De La Tierra – De La Tierra (2014)




De La Tierra – De La Tierra (2014)
(Roadrunner - Importado)

01. DLT - Intro
02. Somos Uno
03. Rostros
04. San Asesino
05. Detonar
06. Maldita Historia
07. Fuera
08. Chamam de Manaus
09. Reducidores de Cabezas
10. Corran
11. Cosmonauta Quechua

Na história do Rock/Metal, não é incomum o surgimento de supergrupos. Alguns dão certo, outros nem tanto, mas eles estão sempre ai a criar expectativas nos fãs do estilo. O De La Tierra é mais um desses, mas com uma particularidade toda sua. É formado única e exclusivamente por músicos de nome no cenário Pop/Rock/Metal da América Latina. Dois de seus membros são bem conhecidos no Brasil, ou pelo menos a banda de origem o é. O primeiro dispensa toda e qualquer apresentação, pois se trata de nada mais, nada menos que Andreas Kisser (G/Sepultura). Já o outro é Alex Gonzáles, baterista do Maná, que já emplacou diversas músicas em trilhas de novelas por esses lados nos últimos anos. Completam a formação o vocalista e guitarrista Andrés Gimenez, que chegou a ter alguma repercussão por esses lados no final dos anos 90, através da banda argentina de Thrash/Groove A.N.I.M.A.L. (certamente os headbangers mais antigos irão se recordar) e o baixista Sr. Flávio, da banda de Ska/Rock Los Fabulosos Cadillacs, que apesar de totalmente desconhecida no Brasil, é um dos grupos mais influentes de todos os tempos do Rock latino americano. 

Confesso que estava bem curioso para escutar o que surgiria de uma formação tão heterogênea assim, já que dois dos músicos são totalmente externos a cena do Heavy Metal. Esperava algo diferenciado, com as influências latinas mais a tona e, talvez por isso, tenha me decepcionado um pouco ao constatar que o De La Tierra soa exatamente como uma mistura do A.N.I.M.A.L. com o Sepultura atual. Veja bem, não estou dizendo que a música aqui é ruim, até porque temos bons momentos aqui e ali, mas não apresentam novidade alguma em sua música. É Groove Metal pesado, moderno, com uma agressividade bem dosada, agradável de ouvir e que transpira honestidade. Do meu ponto de vista, pouco em se tratando do calibre dos músicos envolvidos, mas certamente irá agradar fãs menos exigentes. De diferencial, apenas o fato de as letras em muitos momentos serem bilíngues, já que Andreas surge em muitos momentos dividindo os vocais com Andrés, como em “San Asessino” (onde surgem algumas batidas tribais), “Fuera” e “Chamam de Manaus”. Outros destaques vão para “Somos Uno”, “Maldita História” e “Cosmonauta Quéchua”, a mais Thrash do trabalho.

Apesar de tudo, temos alguns pontos bem positivos. É perceptível que a banda ainda está encontrando seu caminho e, até em virtude dos nomes envolvidos, possui grande potencial futuro. Tudo questão de ousarem mais e colocarem uma dose a mais de agressividade. Chamou-me muito a atenção também o ótimo desempenho da dupla Sr. Flávio e Alex Gonzáles, principalmente deste ultimo. Ouso dizer que ele está perdendo seu tempo no Maná, pois tem vaga em qualquer grande banda de Metal do mundo. Frustrações a parte, o álbum cumpre bem sua função e é um bom trabalho de estreia. Esperemos agora que para o próximo, explorem mais todo potencial sonoro da banda.

NOTA: 7,5





sexta-feira, 4 de abril de 2014

Noturnall - Noturnall (2014)




Noturnall - Noturnall (2014)
(Independente - Nacional)

01. No Turn At All
02. Nocturnal Human Side (Feat. Russell Allen)
03. Zombies
04. Master of Deception
05. St. Trigger
06. Sugar Pill
07. Last Wish
08. Hate
09. Fake Healer
10. The Blame Game

Ano passado, quando do anuncio da formação do Noturnall, incluindo os integrantes do Shaman (Thiago Bianchi, Léo Mancini, Fernando Quesada e Juninho Carelli) mais o baterista Aquiles Priester (ex-Angra, Hangar), a primeira coisa que pensei foi que o mundo não precisava de mais uma banda de Power Metal com pitadas de Prog, afinal, a cena esta repleta delas no Brasil e no exterior, a maioria fazendo o mais do mesmo. Levando em conta o histórico dos membros do Noturnall, meu pensamento era totalmente coerente (ou eu pensava que era). Talvez por isso eu não tenha dado atenção quando, ano passado, lançaram o primeiro single, “Nocturnal Human Side” e, no começo desse ano, seu debut autointitulado. Então, dia desses, um amigo surge com o cd em mãos sugerindo que o escutasse. Olhei com cara de desconfiança, mas resolvi dar uma chance ao mesmo.

Quando a faixa de abertura, “No Turn At All”, começou, meu primeiro pensamento foi se realmente estava escutando o cd certo, já que o som que saia dos falantes em nada tinha a ver com o que eu imaginava antes da audição. O que eu estava ouvindo ali era pesado, moderno, agressivo e os vocais passavam longe dos agudos que caracterizaram a carreira de Thiago Bianchi em outras bandas. Então me toquei o quanto estava sendo estúpido em pré-julgar um trabalho sem nem ao menos escutar, levando apenas em conta as bandas de origem dos envolvidos. Não estou dizendo que a melodia é inexistente, ao contrário, ela está ali presente o tempo todo, mas a sonoridade do Noturnall passa a milhas de distância do que vemos no Shaman ou no Hangar. 

Na base do som, temos o Prog Metal, afinal, estamos falando de músicos altamente gabaritados, mas o foco do trabalho é sempre a música e não a técnica, como em outros trabalhos do estilo. Sobre essa base, temos grandes doses de Thrash, Groove e Metalcore, fazendo com que em muitos momentos, você se recorde de bandas como Pantera (sim, Pantera!) ou mesmo Lamb Of God. Fernando Quesada e Aquiles Priester formam uma dupla assombrosa, sendo um dos grandes destaques do trabalho. Os riffs e solos de Léo Mancini estão fortes, agressivos e são ótimos e os teclados de Juninho Carelli surgem sempre muito bem colocados, realmente agregando algo as músicas. Thiago Bianchi surpreende deixando os agudos praticamente de lado, já que os mesmos só surgem nas duas baladas do álbum. De resto, seu vocal está absurdamente agressivo. O nível das composições é excelente e destacaria aqui “No Turn At All”, técnica e pesada, “Nocturnal Human Side”, com um belo dueto entre Thiago e Russel Allen, a moderna “Zombies”, “Hate” e “Fake Healer”. Claro que nem tudo é perfeito aqui. As duas baladas, “Last Wish” e “The Blame Game”, soam totalmente deslocadas dentro do contexto do álbum, já que se encaixam perfeitamente no repertório do Shaman, mas não no do Noturnall. Já “Sugar Pill”, apesar de ser uma ótima música, tem uma pegada mais Hard Rock, devido a seu refrão (muito bom por sinal), e acaba se diferenciando um pouco do restante do trabalho.

Ao final de tudo, o que nos resta é um ótimo álbum de Prog que foge totalmente do tradicional do estilo, já que o Metal praticado aqui é técnico sim, mas também muito pesado, agressivo e moderno. A produção de Russell Allen também ajudou muito no resultado, já que reforçou bastante a agressividade do som. Um trabalho que vai agradar os fãs das bandas de origem dos músicos, mas também aqueles que curtem tanto progressivo quanto algo mais voltado para o Thrash. Se tiver a cabeça mais aberta, dê uma chance a esse álbum, pois o Noturnall demonstra um potencial de crescimento que a muito eu não via em uma banda nacional.

NOTA: 8,5

OBS: Prefiro acreditar que os membros do Noturnall nada tenham a ver com isso e que tenha partido pelos responsáveis por divulgar a banda, mas segundo mensagem recebida por mim, agradecem a resenha, mas que não a divulgariam, pois só estavam fazendo isso com as que receberam nota 10. E para fechar com chave de ouro, sugeriram que eu alterasse a nota para 10, para que assim divulgassem o que escrevi. Bem, se realmente acham que vou vender minha opinião por divulgação, estão absurdamente enganados. Se nem todo dinheiro do mundo me faria falar bem de algo que não gostei ou, no caso aqui, aumentar uma nota para agradar a terceiros, o que dirá uma resenha divulgada em uma page de Facebook. E para comprovar o que falo, ai está o print da mensagem que recebi da página oficial dos mesmos no Facebook, já que não falo nada sem provas. E um pouco de humildade cairia bem, pois como qualquer banda por ai, passam longe da perfeição. Ou realmente acham que lançaram um clássico atemporal do Heavy Metal Mundial?




28/05/2014

Após quase dois meses, tal fato foi divulgado pelo site Intervalo Banger, gerando compartilhamentos em massa dessa resenha e trazendo o ocorrido ao conhecimento de todos. Possivelmente, se você está lendo a mesma nesse momento, é grande a chance que tenha se deparado com uma delas. Toda essa “merda jogada no ventilador” fez com que a banda soltasse uma nota lamentando o ocorrido e que, por ser democrático e acreditar no amplo direito de defesa de todos, estou compartilhando agora. Que tal fato sirva de lição não só para o Noturnall como para demais bandas da cena nacional. Gerenciamento de mídias sociais é algo mais sério do que se pensa e não pode ser colocado nas mãos de qualquer um. Leiam e tirem suas próprias conclusões.


"A quem possa interessar.
Chegou a nosso conhecimento um post sobre uma resenha de nosso disco, onde a página da banda diz só postamos resenhas com a nota Dez.
Esclarecemos que a postagem foi feita por um fã da banda que tinha direitos de administrador da Fan Page da Noturnall no Facebook na época, mas que há algum tempo não trabalha mais com a banda.
Então deixamos claro aqui que essa resposta não foi dada por nenhum membro da banda, tampouco pela sua assessoria de imprensa ou por seus empresários.
Não compartilhamos em hipótese alguma dessa opinião e se tiverem interesse em visitar nossa página no FaceBook, verão várias resenhas, com notas variadas, onde foram e são compartilhadas, não só aqui mas também em nosso site.
Lamentamos pelo o ocorrido e vale lembrar apoiamos fielmente a liberdade de expressão e de imprensa.
- Banda Noturnall"
 


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