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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Miasthenia - Antípodas (2017)


Miasthenia - Antípodas (2017)
(Mutilation Productions - Nacional)


01. Ymaguare
02. Novus Orbis Profanum
03. Conjupuyaras
04. Antípodas
05. Ossário
06. 1542
07. Araka'e
08. Bestiários Humanos

Ter uma banda de Black Metal no Brasil não é algo fácil. Ter uma banda de Black Metal no Brasil que foge daquele clichê batido de adoração ao demônio, falando sobre a cultura nacional e da América pré-colombiana, e ainda por cima com letras em português, é ainda mais difícil. Por isso a carreira dos brasilienses do Miasthenia deve ser repeitada, pois são 23 anos fazendo exatamente isso, ou seja, contrariando certos padrões estabelecidos.

Antípodas é seu 5º álbum de estúdio e vem para suceder o excelente Legados do Inframundo, de 2014, um trabalho onde pudemos observar uma banda madura e, aparentemente, no seu auge criativo. O que temos aqui é uma continuação mais que natural dele, com o Miasthenia mantendo o alto nível de criatividade e adicionando uma dose extra de melodia ao seu som (cortesia da saudável influência de Metal Tradicional no trabalho das guitarras), mas sem que isso torne sua sonoridade menos soturna e intensa. A raiz de seu som continua lá, firme e forte. É Pagan Black Metal da melhor qualidade.


Os vocais de Hécate continuam com aquela agressividade característica, mas em algumas canções temos uma boa utilização de corais, tanto femininos quanto masculinos, com resultados interessantes. Seu teclado, como sempre, é encaixado com perfeição nas canções, sendo essencial para a dinâmica da música do grupo. É graças a ele que temos aquele clima sombrio que perpassa toda a obra dos brasilienses. Thormianak faz o que se espera dele, ou seja, realiza um grande trabalho nas guitarras, com ótimos riffs e melodias bem interessantes. Além disso, seus solos estão realmente muito bons. Vale dizer que ele também foi responsável pela gravação do baixo. Já na bateria, V. Digger volta a nos mostrar a competência e técnica que nos foi apresentada no álbum anterior.

Chama a atenção positivamente a variação musical aqui apresentada, já que mesclam de uma forma muito equilibrada as passagens mais velozes com as mais cadenciadas. “Ymaguare” serve de introdução e abre os trabalhos com um clima “tribal” e ótimos corais indígenas, sendo seguida pela excelente “Novus Orbis Profanum”, forte, com destaque não só para as ótimas linhas de teclado e parte rítmica, como também para as boas melodias de guitarra. Em oposição às melodias da canção anterior, “Conjupuyaras” surge bruta e agressiva e conta não só com bons riffs, mas com uma utilização interessante dos corais. Já “Antípodas”, além dos riffs marcantes e do belo coral feminino, soa densa e esmagadora.


A segunda metade do álbum abre com a ótima veloz e enérgica “Ossário”, com sua boa dose de crueza e teclados belissimamente encaixados. Thormianak também nos entrega guitarras bem interessantes aqui. “1542” tem um clima bem sombrio, graças aos teclados que são capazes de fazer você imergir em trevas. Já “Araka'e” se mostra um verdadeiro massacre em forma de música, com sua velocidade, agressividade e belíssimo trabalho da parte rítmica. Para encerrar o trabalho, temos a cadenciada “Bestiários Humanos”, escura, profunda e intensa. O encerramento perfeito para uma obra desse nível.

A produção ficou a cargo da banda e de Caio Duarte (Dynahead), com um resultado muito bom, já que apesar da clareza e de todos os instrumentos estarem audíveis, a crueza e a agressividade que marcam o Miasthenia continuam mais do que presentes. Já a capa foi obra de Márcio Menezes (Blasphemator Art), com layout do encarte feito por Slanderer Possessed. Tudo em um belíssimo digipack, com direito a contraste em relevo na capa. Antípodas conseguiu o improvável, manter o alto nível do álbum anterior, com o Miasthenia mostrando o porquê de estar entre os maiores nomes do Black metal latino-americano. Candidato a estar entre os melhores trabalhos de 2017!

NOTA: 9,0

Miasthenia é:
- Hécate (vocal/teclado);
-  Thormianak (guitarra);
- V. Digger (bateria).

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Miasthenia - Legados Do Inframundo (2014)




Miasthenia - Legados Do Inframundo (2014)
(Misanthropic Records/Mutilation Records)

01. Deuses Fúnebres
02. Saga ao Xibalbá
03. Entronizados na Morte
04. Sacerdote Jaguar
05. Tok’yah
06. 13 Ahau Katún
07. Senhores do Mitnal
08. Legados do Inframundo
09. Onde Sangram Pagãs Lembranças

Em minha mui modesta opinião, já há muito tempo o Miasthenia se tornou a principal banda de Black Metal de nossa cena, graças a grandes álbuns como Batalha Ritual (2004) e Supremacia Ancestral (2008). Sempre nos presenteando com uma musica ríspida, pesada, letras cantadas em português e com inspiração na mitologia sul americana, retornam após um hiato de seis anos (lançaram apenas um DVD nesse tempo, O Ritual da Rebelião (2011)) com Legados do Inframundo, para a alegria dos amantes da boa musica extrema.
Esse tempo parece só ter feito bem ao Miasthenia, pois a banda amadureceu ainda mais o seu som e o que já era ótimo, ficou melhor. As guitarras estão mais pesadas que nos trabalhos anteriores, o que deixa tudo ainda forte e agressivo, podendo notar também uma grande influência do Metal Tradicional dos riffs e solos (vide o de “13 Ahau Katún”). Outra coisa que me impressionou foi a grande variedade do trabalho apresentado, já que souberam dosar muito bem passagens mais rápidas e agressivas com outras mais cadenciadas e épicas. O teclado aqui é muito bem utilizado, complementando bem as músicas e fazendo com que o Miasthenia passe longe desse Black Metal meigo e delicado praticado por alguns nomes hoje em dia. Aqui não temos espaço para sutilezas, mas sim para uma música brutal, gélida, esporrenta e de uma rispidez que vai assustar os mais desavisados. Hécate, para variar, canta de forma muito agressiva, Thormianak mostra sua costumeira competência e o mais novo da turma, o baterista V. Digger brilha mostrando muita técnica. Maiores destaques aqui vão para “Saga ao Xibalba”, “Sarcedote Jaguar”, “Tok’yah” (a melhor do álbum) e “Legados do Inframundo”. Além disso, vale destacar a clássica “Onde Sangram Pagãs Lembranças”, que teve seus vocais regravados e ganhou nova mixagem.
Odioso, como todo álbum de Black Metal deve ser, Legados do Inframundo não só é um grande trabalho, como também pode ser considerado o melhor álbum do Miasthenia até hoje. Devastador, coeso e maduro, vai estar fácil em qualquer lista de melhores de 2014. Obrigatório para quem gosta de Metal Extremo de verdade.

NOTA: 9,0