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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Furia Louca - On The Croup Of The Sinner, Pt. 2 (2015)




Furia Louca - On The Croup Of The Sinner, Pt. 2 (2015)
(Voice Music – Nacional)

01. The Criminal Novel
02. Love You At Pieces
03. Rock Fever
04. Heart Mind And Soul
05. On The Croup Of The Sinner
06. Cohatrac City
07. Wild Horse Sitting Bull
08. Junkie To The Noise
09. Smiling Cat
10. Back To The Outer Space

O Hard Rock, principalmente naquela linha mais Glam que fez sucesso em meados dos anos 80, nunca esteve entre os estilos mais populares no Brasil. Prova disso e que por muito tempo não tivemos bandas de qualidade apostando em tal vertente. Mas ao que tudo indica isso vem mudando nos últimos anos e o Maranhão parece ser um dos epicentros de tal fato, já que de lá vieram o Purpura Ink e o Fúria Louca.

Para quem não sabe, o debut do Fúria Louca, On The Croup Of The Sinner (13), é um dos álbuns mais legais do estilo já lançados no Brasil e tal fato inevitavelmente criou uma grande expectativa pelo seu sucessor. Saca aquele conhecido desafio do segundo álbum que toda banda passa quando têm um grande trabalho de estréia? Então.

Aqui encontramos aquele Hard/Glam/Sleaze carregado de energia e sujeira, pesado, agressivo, mas que não abre mão das melodias grudentas que acabam por dar acessibilidade ao seu som. Escutar On The Croup Of The Sinner Pt2 é mergulhar em um túnel do tempo e se sentir em plena Sunset dos anos 80, com todo aquele clima de festa. Durante a audição nos deparamos com excelentes vocais e backings, ótimos riffs de guitarra (além de bons solos) e uma parte rítmica que se não esbanja técnica (até porque isso se faz desnecessário), se mostra afiada e precisa.

Isso significa que estamos diante de um trabalho tão bom quanto o debut? Olha, falo isso sem demérito algum a banda, mas igualar o álbum de estréia, a meu ver, era tarefa impossível. Sendo assim, On The Croup Of The Sinner Pt2 está um pouco abaixo do mesmo, talvez muito pelo fato de que as 10 canções aqui presentes façam parte de uma Demo lançada em 2012, ou seja, são músicas anteriores a ele.  Mas isso de forma alguma significa que esse não seja um trabalho empolgante, apesar de ter faltado um pouco mais de “cola” nos refrães (algo que o trabalho seguinte, ou melhor, anterior, tinha de sobra), que são um pouco menos impactantes e não grudam já de cara em sua cabeça. Esse foi certamente um dos pontos fortes da primeira parte desse trabalho, mas que ficam devendo um pouco aqui.

Ainda sim, desafio qualquer um que curta o estilo a não se empolgar com músicas como “The Criminal Novel”, “Rock Fever”, “On The Croup Of The Sinner”, “Cohatrac City” (a única cantada em português), “Wild Horse Sitting Bull” e “Junkie To The Noise”.

A produção, a cargo da própria banda, ficou em um nível superior ao debut, deixando tudo audível, limpo, mas sem exageros, já que nesse estilo se faz necessário uma dose de sujeira, que se faz bem presente aqui. Já a capa é novamente obra de Ronilson Freire, trazendo o mascote da banda, Ella. Soando natural, pesado, agressivo, sujo, mas com generosas doses de melodia, On The Croup Of The Sinner Pt2 pode até não ser superior ao debut, mas ainda sim é um dos melhores trabalhos nacionais de 2015. Coloque o volume no talo e se divirta!

NOTA: 8,5

Fúria Louca é:

- Henrique Sugmyama (Vocal)
- Hugão Away (Guitarra)
- Allex Kyel (Guitarra)
- Tiago Guinevere (Baixo)
- Ronaldo "The Truck" Lisboa (Bateria)




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Púrpura Ink - Breakin' Chains (2015)




Púrpura Ink - Breakin' Chains (2015)
(Wikimetal Music – Nacional)

01. Breakin' Chains
02. Lifestyle
03. Higher Ground
04. Kate
05. Let Me Stay (Go Away)
06. Enemy
07. Flying Away
08. Rose with Thorns
09. Bitter Wishes
10. Something to Believe

O Hard/Sleaze/Glam nunca foi um estilo popular entre as bandas nacionais, que sempre optaram por sonoridades mais pesadas, mas ainda sim o estilo sempre possuiu um bom público em nosso país. Sendo assim, nada mais natural que em algum momento, boas bandas do estilo começassem a surgir por esses lados. Originário do Maranhão, o Púrpura Ink se junta a nomes como Hard Desire, Desert Dance, Sioux66, Sixty-Nine Crash e Devils Paradise, dentre outros, para mostrar que o Hard talvez esteja passando pelo seu melhor momento aqui no Brasil.

As influências dos grandes nomes do estilo nos anos 80 são inegáveis aqui, mas antes que você pense que o Púrpura Ink se limita a emular tais bandas, já fique sabendo que os caras conseguem sim dar uma cara própria a seu som, já que em momento algum sua música soa como cópia ou datada (ao contrario, os caras conseguiram dar um ar moderno a tudo aqui). Mesclando Hard, Sleaze, Glam, AOR, Metal e Rock and Roll, conseguiram criar um Hard’n’Roll carregado de energia e que principalmente, transborda honestidade por todos os poros. O vocalista E.J. mostra-se excelente, com um timbre de voz muito agradável e bastante técnico, enquanto a dupla de guitarristas Marcio Glam e Chris Wiesen se mostram entrosados, despejando riffs afiados, além de ótimos duetos e solos. Já a parte rítmica, com Seth Bass (Baixo) e Derick (Bateria) imprime peso à música e se mostra monstruosa. O quinteto maranhense sabe dosar na medida certa melodia e agressividade, mostrando assim que entendem do riscado, chamando atenção também pelos os backings muito bem feitos e o teclado (a cargo de Marcio) que surge sem exagero nos momentos certos. E claro, não poderiam faltar os refrães grudentos típicos do estilo. Eles brotam aos montes durante a audição do trabalho. Os maiores destaques aqui ficam por conta de “Breakin' Chains”, “Lifestyle”, “Higher Ground”, “Flying Away”, “Bitter Wishes” e “Something to Believe”.

Confesso a todos que nunca fui lá muito chegado a escutar esse Hard Rock com pegada oitentista, mas também sou obrigado a confessar que essa leva de bandas nacionais surgidas nos últimos tempos, fizeram mudar muito o meu ponto de vista a respeito do estilo. Energia, garra, honestidade, criatividade, técnica e muito Rock and Roll, tudo isso você vai encontrar de sobra no debut do Púrpura Ink. Resumindo, diversão na certa para quem curte não só o estilo, como música pesada bem feita.

NOTA: 8,5




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sixty-Nine Crash - Louder! (2014)




Sixty-Nine Crash - Louder! (2014)
(Independente – Nacional)

01. Running Wild in the Night
02. Lost in the Darkness
03. Louder!
04. Back Again
05. Wicked
06. Scream’n’Shout
07. Everything I Need
08. Dead Inside
09. Wasted in Dreamland
10. Run Away

Talvez pela predileção do público por sonoridades mais pesadas, talvez pelo preconceito existente com relação às bandas Glam dos anos 80 e a seu visual exagerado, ou simplesmente pela união de ambos os fatores, o Hard Rock nunca foi lá um estilo muito popular em solo brasileiro, tanto que poucas são as bandas que se aventuram e conseguem destaque dentro desse estilo. Ainda sim, aqui e ali surgem bons nomes se aventurando por esse caminho. Vinda do Rio de Janeiro, a Sixty-Nine Crash é uma dessas bandas e após 4 anos de seu surgimento, finalmente chega a seu debut.
A aposta aqui é naquele Hard/Sleaze totalmente voltado para os anos 80 e que tem tudo para agradar em cheio a fãs de bandas do período como Ratt, Mötley Crüe, Kiss, Cinderella ou Poison. Como esperado, temos aqui ótimos riffs, aqueles refrões forjados para grudar na sua cabeça já na primeira audição, acompanhados de ótimos backings, vocais bem melodiosos e bons solos. O ouvinte não irá encontrar aqui grandes arroubos de técnica, pois seus membros preferiram focar mais na simplicidade e na música em si, evitando assim certos exageros que alguns grupos que se aventuram pelo estilo acabam cometendo. Ponto para eles. Chama muito a atenção também o fato de que sabem equilibrar perfeitamente os momentos mais melódicos e os mais pesados, de acordo com que o momento pede, demonstrando assim uma maturidade acima da média para uma banda com apenas 4 anos de estrada. Os maiores destaques aqui ficam com “Running Wild in the Night”, “Louder!”, “Wicked” (poderia estar em qualquer álbum do Kiss nos anos 80), “Wasted in Dreamland” e “Run Away”, com forte influência de AOR.
A produção de Louder! é de muito boa qualidade, fazendo juz a atual media nacional, tendo deixado tudo bem claro, limpo e perfeitamente audível, mas sem tirar aquela energia que se faz necessária para qualquer banda do estilo. Pode-se dizer também que a simplicidade da capa, que friso, não deixa de ser muito bonita, reflete bem o conteúdo musical do Cd, ou seja, música de qualidade, contagiante e livre de exageros. Mostrando muito entrosamento e maturidade, podemos dizer que estrearam com o pé direito. Se o Hard/Sleaze é a sua praia, precisa conhecer urgentemente o trabalho do Sixty-Nine Crash.

NOTA: 8,0