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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Resenha de Show: Night Of Shadows - Carangola/MG



Night Of Shadows
Carangola Campestre Clube – Carangola/MG
01 de Novembro de 2014
Por Leandro Vianna – Fotos: Leandro Vianna


Vida de Headbanger de interior não é fácil, pois se você realmente quer apoiar e acompanhar a cena tem que ter disposição para andar por essas estradas do Brasil a fora. E sendo assim, lá fomos nós encarar duas horas e meia de viagem para acompanhar o Night Of Shadows, em Carangola/MG, que contou com a participação das bandas Petite Mort (Cariacica/ES), Silent Cry (Governador Valadares/MG), Rizzi (Espera Feliz/MG), Contempty (Rio Pomba/MG) e Spectrum (Cataguases/MG). Infelizmente o evento que estava programado para começar às 20h, teve inicio com algum atraso, o que acabou se refletindo mais a frente na elaboração dessa resenha. 


Após uma passagem de som um pouco mais demorada (em virtude de alguns problemas), a Spectrum abriu a noite com seu Heavy/Classic Rock. Investido em um trabalho autoral, com ótimas letras em português, além dos tradicionais covers (Sabbath, Judas, Motorhead), a banda promete seu primeiro cd para o ano de 2015. É esperar para ver. Destaques para as ótimas “O Corvo” e “A Louca”, com toques muito interessantes de música regional. Apesar dos problemas pontuais na qualidade do som, foi um belo show para começar a noite e ouvi muita gente elogiando a banda após a apresentação.


Em seguida, tivemos o Death/Doom do Contempty, que já compareceu aqui em nossa página com o muito bom EP Gaping Deception In Guiltless Eyes (aqui). Sou suspeito para falar, pois aprecio demais a proposta da banda de seguir uma linha mais voltada para aquela sonoridade das bandas inglesas do início dos anos 90, com toques interessantes de Funeral Doom. Então, nada dessa coisa de Doom Gótico que andou tomando conta da cena há alguns anos. Riffs muito pesados, cozinha arrastada, ótimos vocais guturais, o show do Contempty é um prato cheio para os fãs mais tradicionais do estilo. Foi uma grande apresentação e que surpreendeu aos que não conheciam seu trabalho. Destaque para “Lifeless”.


A terceira banda da noite foi a Rizzi. O sexteto de Espera Feliz, na estrada desde 2010, aposta em um Rock/Symphonic/Gothic Metal em suas músicas próprias, além de alguns covers que fogem um pouco do comum em relação ao que vejo nos Festivais por ai, como por exemplo, “Holy Diver” (Dio), The Wickerman (Maiden) ou “Bring Me To Life” (Evanescence), música na qual conseguiram a façanha de fazer abrir uma roda de mosh diante do palco (em anos e anos nessa indústria vital, foi a primeira vez que vi mosh em musica do Evanescence). Isso mostra o quanto o show empolgou aos presentes. Pude notar uma banda com grande potencial, garra para crescer e que pelo menos a mim, agradou bastante. Nesse dia, estavam lançando o clipe para a música “The Rain”, que você pode assistir aqui.


A quarta atração da noite foram os veteranos da Silent Cry. Há dois finais de semana atrás já tinha tido a oportunidade de vê-los tocando em Tocantins, no Firearms Rock Festival II (aqui) e se já tinha achado o show de lá muito bom, esse conseguiu superá-lo. Dilpho Castro e Joyce Vasconcelos, além de funcionarem muito bem dividindo os vocais, possuem o total domínio do palco, algo que só a estrada é capaz de dar a uma banda. Obstante algumas paradas para resolverem pequenos contratempos, fizeram um belíssimo show, alternando entre clássicos do passado e algumas faixas que irão entrar no próximo trabalho da banda, Hypnosis, mostrando que podemos esperar o melhor desse álbum vindouro. Outro grande destaque da apresentação foi o cover para “Opium”, do Moonspell, que entrou no recém lançado tributo nacional a banda portuguesa, intitulado Em Nome do Medo, que você pode baixar de forma gratuita aqui.

Infelizmente, pelo avançar da hora e por ter que encarar mais duas horas e meia de estrada de volta para a casa, não pude assistir o show dos capixabas do Petite Mort, algo que desejava muito, já que seu EP auto-intitulado de 2012 me agradou demais com seu Dark Metal, que possui influências mais latentes de Dimmu Borgir e My Dying Bride. Mas se mantiveram a qualidade do Cd, certamente os presentes devem ter assistido a um ótimo show. Quem sabe mais para frente não tenha a oportunidade de vê-los ao vivo.



Ao final, tivemos uma ótima noite, com ótimas bandas no palco e cerveja sempre gelada (algo de extrema importância, convenhamos). A organização foi muito boa e o espaço onde ocorreu o Festival, nas dependências do Carangola Campestre Clube, era excelente. Decididamente, estão todos de parabéns.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Contempty - Gaping Deception In Guiltless Eyes




Contempty - Gaping Deception In Guiltless Eyes
(Independente - Nacional)

1. Gaping Deception In Guiltless Eyes
2. The Harpist
3. Lifeless

Vindo de Minas Gerais e com pouco tempo de estrada, já que a banda surgiu apenas em 2012, o Contempty nos brinda com esse bom EP de estreia. A aposta aqui é no Doom Metal, mas seguindo um caminho totalmente diferente da grande maioria das novas bandas que surgem nesse estilo. Ao contrário daquela sonoridade “gótica feliz” que infelizmente tem se tornado comum ao estilo, o negócio aqui é peso, melancolia, tristeza e angústia, exatamente como uma banda do estilo deve soar.

A base da sonoridade do Contempty está naquele Death/Doom que marcou os primórdios do estilo e o início de carreira de bandas como Paradise Lost, Anathema e My Dying Bride (a Santíssima Trindade inglesa), mas também podemos ver algo de Dark Metal (os alemães do Bethlehem me vieram imediatamente à cabeça) e Funeral Doom (Thergothon, Evoken, Skepticism, etc), o que acaba sendo muito positivo e mostra que o quinteto se encontra no caminho certo para encontrar uma identidade própria. A melancolia e a angústia que emergem das três faixas que compõem Gaping Deception In Guitless Eyes impressionam até mesmo os mais acostumados com o estilo, já que estamos falando de uma banda com pouco mais de 1 ano de estrada. Os vocais, ora falados, ora guturais, a cargo de Gil, deixam tudo ainda mais agonizante, principalmente porque no mesmo pacote temos os riffs pesados a do guitarrista Tony Reis, a cozinha arrastada, méritos do baixista Cleyton e do baterista Joe e, principalmente, os teclados de Anderson, sempre muito bem encaixados e variados, deixando tudo mais depressivo e sendo o principal diferencial dos mineiros. A faixa título, que abre o trabalho, é bem arrastada e angustiante, sendo um bom cartão de visitas para o trabalho vindouro. “The Harpist” é mais variada, alternando momentos rápidos com outros mais cadenciados. “Lifeless” encerra o trabalho em alto estilo, com seu clima arrastado e sombrio.

Ok, não se pode dizer que originalidade já é a grande marca do Contempty, mas isso passa longe de ser um demérito, pois podemos ver claramente que a banda vem se encaminhando para encontrar uma cara própria. Dois são os pecados cometidos aqui. Em primeiro lugar, a parte gráfica. Apesar de muito bem bolada, ficou mal impressa, o que impede até mesmo a leitura das letras. O outro grande pecado é que o trabalho dura apenas 17 minutos, obrigando o ouvinte a colocar o CD no repeat. É uma pena que não tenhamos mais bandas no Brasil que apostem no estilo adotado aqui, pois o que nos é apresentado em Gaping Deception In Guitless Eyes é de muita relevância. Mais uma banda promissora vindo do celeiro metálico que é Minas Gerais. E que nos brindem logo com um álbum completo!

NOTA: 8,0