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sexta-feira, 29 de março de 2019

VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)


VLTIMAS - Something Wicked Marches In (2019)
(Season of Mist – Importado)


01. Something Wicked Marches In
02. Praevalidus
03. Total Destroy!
04. Monolilith
05. Truth And Consequence
06. Last Ones Alive Win Nothing
07. Everlasting
08. Diabolus Est Sanguis
09. Marching On

Nunca escondo que tenho os dois pés atrás com o termo supergrupo, e a história do Metal me dá embasamento para tal. Entretanto, confesso que ao ficar sabendo que David Vincent (ex-Morbid Angel), Rune “Blasphemer” Eriksen (ex-Mayhem, Aura Noir) e Flo Mounier (Cryptopsy), estavam se unindo para formar o VLTIMAS, bateu no mínimo uma curiosidade quanto ao que surgiria de tal mistura. Fora isso, existia certa dúvida quanto a capacidade de David de voltar a fazer Música Extrema de qualidade, após o tão controverso Illud Divinum Insanus (11). Com o lançamento de  Something Wicked Marches In, tais perguntas começam a ser respondidas.

Para início de conversa, chama a atenção o entrosamento e a coesão do trio. A sensação que você tem é que estamos diante de músicos que tocam juntos há muito tempo. A forma como conseguem unir suas características individuais também impressiona. O VLTIMAS não reinventa o Death Metal, mas consegue fazer uma leitura própria do estilo, unindo a sonoridade do Morbid Angel dos primeiros álbuns, com riffs, solos e melodias próprios do Black Metal, e uma bateria explosiva e técnica, típica das vertentes mais brutais do Death Metal. Em suma, é uma música mortífera, esmagadora e impiedosa com pescoços e ouvidos menos treinados.

Em pouco mais de 38 minutos, o ouvinte irá se deparar com aqueles vocais bem característicos, que marcaram a passagem de David pelo Morbid Angel. Um prato cheio para os fãs. As guitarras de  Rune soam agressivas, e trazem aquela atmosfera típica do Black Metal para as canções do  VLTIMAS, graças aos seus riffs afiados, cortantes e repulsivos. Quanto a  Flo Mounier, ele não é menos que monstruoso, e sua bateria tem o poder de 10 bombas atômicas, tamanho o potencial destrutivo da mesma. Fazia muito tempo que eu não escutava uma estreia tão bruta e esmagadora como essa. É impossível não se empolgar.


“Something Wicked Marches In” chega metendo o pé na porta se dó nem piedade, mesclando Death Metal com Black, e com uma bateria monstruosa, características que compartilha com a brutal “Praevalidus”. Riffs afiadíssimos e cortantes dão o tom na esmagadora “Total Destroy!”, enquanto a sombria “Monolilith” tem uma pegada mais Death Metal Old School, e vocais sinistros de Vincent. “Truth And Consequence” se destaca pelos ótimos riffs; a sinistra “Last Ones Alive Win Nothing” se mostra cadenciada e absurdamente opressiva; e “Everlasting” esbanja velocidade e agressividade. Encerrando o álbum, uma sequência destruidora, com a visceral “Diabolus Est Sanguis” e a tirânica “Marching On”.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Jaime Gomez Arellano (Ghost, Myrkur, Paradise Lost, Sólstafir), e a qualidade não é menos que ótima. A capa é obra de Zbigniew Bielak (Behemoth, Deicide, Dimmu Borgir, Possessed, Vader). Para visualizar melhor o que temos aqui, imagine um Caterpillar 797 (aqueles caminhões monstros de minério) descendo uma ladeira desgovernado e passando por cima de tudo que encontra pela frente. Mortífero e esmagador, o VLTIMAS não nos entrega um CD, mas uma verdadeira força da natureza. Dificilmente vai escutar um CD de Death Metal melhor em 2019. Aos interessados, a Urubuz Records lançará em breve a versão nacional de Something Wicked Marches In.

NOTA: 93

VLTIMAS é
David Vincent (vocal);
Rune “Blasphemer” Eriksen (guitarra);
Flo Mounier (bateria).

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Belphegor - Totenritual (2017)


Belphegor - Totenritual (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Baphomet
02. The Devil's Son
03. Swinefever - Regent Of Pigs
04. Apophis - Black Dragon
05. Totenkult - Exegesis Of Deterioration
06. Totenbeschwörer
07. Spell Of Reflection
08. Embracing A Star
09. Totenritual
10. Stigma Diabolicum (live) (bônus track)
11. Gasmask Terror (live) (bônus track)

Quando falamos de Death/Black Metal, um dos primeiros nomes que vêm a cabeça é certamente o dos austríacos do Belphegor. Na estrada desde 1992, o grupo capitaneado pelo vocalista e guitarrista Hel "Helmuth" Lehner já nos presenteou com trabalhos no mínimo excelentes, como Blutsabbath (97), Necrodaemon Terrorsathan (00), Lucifer Incestus (03), Pestapokalypse VI (06) e Blood Magick Necromance (11). Vindo de um álbum no mínimo inconstante, onde apostaram mais no Death Metal, Conjuring the Dead (14), o agora trio, completado por Serpenth (baixo) e Simon "BloodHammer" Schilling (bateria) resolveu não brincar em serviço.

O que temos em Totenritual, seu 11º álbum de estúdio, é justamente o que o Belphegor sabe fazer de melhor, Blackened Death Metal pesado, bruto, agressivo e infernal, com boas doses de técnica e alguma melodia aqui e ali, mas sem afastar aquele clima sombrio de que estamos em meio a um ritual satânico. Helmuth parece estar 100% recuperado dos sérios problemas de saúde que teve em 2011 (para quem não sabe, o mesmo contraiu febre tifoide na turnê brasileira daquele ano, tendo quase morrido em decorrência disso), e seus vocais estão em altíssimo nível, enquanto sua guitarra despeja riffs realmente poderosos. A parte rítmica, com Serpenth e o estreante BloodHammer, executa um trabalho brilhante, com destaque para a precisão e variação da bateria, algo que o trabalho anterior ficou devendo um pouco.

Abrindo o trabalho, temos a brutal “Baphomet”, pesada, com riffs afiadíssimos e uma pegada mais Death Metal, mas logo em seguida o Belphegor clássico dá as caras com a ótima “The Devil's Son”, uma faixa simplesmente explosiva, com um pé bem firme no Black Metal, além de boas melodias e um trabalho primoroso de bateria. Surge então uma das sequências mais matadoras da carreira do grupo austríaco: “Swinefever - Regent Of Pigs” tem alguns dos riffs mais brutais de todo o trabalho, além de ser absurdamente pesada, “Apophis - Black Dragon” tem, além de ótimas guitarras, um certo clima oriental que pode te remeter ao Nile, enquanto a épica e memorável “Totenkult - Exegesis Of Deterioration” chega brutalizando tudo com seus ótimos riffs e refrão para lá de forte.


A segunda metade do álbum abre com a assustadora instrumental “Totenbeschwörer”, sendo seguida pela veloz “Spell Of Reflection”, onde o ponto alto são, sem dúvida, os vocais de Helmuth. “Embracing A Star” soa sufocante, claustrofóbica, alternando com muita competência passagens mais lentas com outras mais velozes e brutas. Encerrando a versão padrão do álbum, temos a apocalíptica e violenta “Totenritual”, curta, grossa e simplesmente explosiva. De bônus, ainda temos 2 faixas ao vivo, gravadas no Inferno Festival, na Noruega, em abril de 2017. São “Stigma Diabolicum”, presente em Bondage Goat Zombie (08), e  “Gasmask Terror”, faixa de abertura do trabalho anterior, Conjuring the Dead.

No quesito produção, temos aqui o melhor resultado obtido pelo grupo até hoje. A mixagem ficou nas mãos de Jason Suecof (Deicide, Job for a Cowboy, Kataklysm, Death Angel), enquanto a masterização foi realizada por Mark Lewis (Cannibal Corpse, Trivium, Six Feet Under, Fallujah). Conseguiram deixar tudo muito nítido, mas ainda assim brutal, aliando modernidade e crueza. A capa é mais uma brilhante obra de Seth Siro Anton (Moonspell, Decapitated, Rotting Christ, Ex Deo, Exodus). Soando pesado, agressivo e sobretudo, orgânico, o Belphegor lançou mais um trabalho demoníaco, que vai fazer a alegria não só dos seus fãs, como também dos que apreciam um bom Death/Black.

NOTA: 8,5

Belphegor é:
- Helmuth (vocal/guitarra);
- Serpenth (baixo);
- BloodHammer (bateria).

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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Death Metal de 2017

Melhores álbuns de Death Metal de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Cannibal Corpse - Red Before Black
(Metal Blade Records/Rock Brigade Records - Nacional)


02. Ex Deo - The Immortal Wars
(Napalm Records/Shinigami Records - Nacional)


03. God Dethroned - The World Ablaze
(Metal Blade Records - Importado)


04. Memoriam - For the Fallen
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


05. Nothing Lies Above - Liber Teth
(Independente - Nacional)


06. Necrot - Blood Offerings
(Tankcrimes Records - Importado)


07. Immolation - Atonement
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


08. Lock Up -  Demonization
(Listenable Records - Importado)


09. Noldor - Condemned To Eternity
(Independente - Nacional)


10. Incantation - Profane Nexus
(Relapse Records - Importado)


Quase chegaram

- Nervochaos - Nyctophilia
(Cogumelo Records - Nacional)


- Azarath - In Extremis
(Agonia Records - Importado)


- Gutted Souls - The Illusion of Freedom
(Independente - Nacional)


- Morbid Angel - Kingdoms Disdained
(Silver Lining Music/Hellion Records - Nacional)


- Exhumed - Death Revenge
(Relapse Records - Importado)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sodoma - Mutapestaminação (2016)


Sodoma - Mutapestaminação (2016)
(Altera Pars Records - Nacional)


01. Audiatur et Altera Pars
02. Pesthereticanonica
03. 7Strega
04. Mutapestaminação
05. Libertinos
06. Devora-te
07. Ramaerata
08. Destrói Dei Verbum
09. Viperovz Papisa

A riqueza do cenário nacional é algo indiscutível. Por mais que muitos se recusem a enxergar, a verdade é que aqui temos bandas tão boas quanto qualquer uma que venha do exterior. E olha que, por toda a situação econômica e pela falta de valorização do estilo no Brasil, a luta para se manter uma banda é muito mais árdua por aqui do que na Europa ou América do Norte. O paraibano Sodoma é um exemplo disso. Surgido em 2003, soltou duas demos, Sadomazocristo (05) e Renascida em Trevas (08), só chegando ao seu debut em 2011, com o muito bom Sempiterno Agressor, onde em 10 temas, desfilava o seu furioso Blackened Death Metal.

Então, após um hiato de 5 anos, o Sodoma nos apresentou Mutapestaminação, onde mostram que o tempo decorrido entre um álbum e outro só lhes fez bem. Não entendam mal, como eu mesmo já disse acima, seu debut é um trabalho muito bom, mas a evolução apresentada entre um e outro é algo realmente incrível. E o melhor, sem perder quaisquer das características da banda. Sua música continua bruta, agressiva (diria que até mais que na estreia) e blasfema, mas soando ainda mais técnica, bem-arranjada e acabada, enquanto boas melodias surgem em meio a riffs afiadíssimos.

A forma como conseguem equilibrar bem os elementos de Death e Black em sua música lembra os melhores momentos de nomes como Behemoth, Belphegor, Azarath, Angel Corpse e afins, além de gerar uma música que consegue soar ao mesmo tempo infernal e soturna. Na maior parte do tempo, a velocidade predomina sobre as passagens mais cadenciadas (que, quando surgem, são muito bem encaixadas), com um belo trabalho de guitarra da dupla Samidarish e Seth. Os vocais de Hate Devoro estão doentios, enquanto seu baixo faz uma bela dupla com a bateria de Dagon. Por sinal, em diversos momentos, a parte rítmica assume o protagonismo das canções.


Descontando a breve introdução, temos aqui 8 verdadeiros hinos de mais puro louvor à luxúria e à blasfêmia, todos cantados em nossa língua pátria. Os principais destaques ficam por conta de “Pesthereticanonica”, veloz, diversificada e brutal, com um belo trabalho das guitarras, a insana “7Strega”, a infernal “Mutapestaminação”, onde Hate Devor e Dagon mostram muita técnica em seus instrumentos, a doentia e sombria “Ramaerata”, outra onde as guitarras se destacam, e o encerramento com a insana e feroz “Viperovz Papisa”.

Gravado em 3 estúdios diferentes, SG Studio Digital, 1404 Studios e Estúdio Peixe-boi, todos em João Pessoa/PB, Mutapestaminação teve produção, mixagem e masterização realizadas por Victor Hugo Targino (Soturnus, Conclave, Metacrose, Cangaço, Necrohunter), com um bom resultado, já que manteve a clareza, o peso e a agressividade, mas com a dose de crueza necessária para o Death/Black dos paraibanos. Já a capa é obra de Rafael Tavares (Blood Red Throne, Ocultan, Chaos Synopsis, Torture Squad, Queiron) e reflete com perfeição o conteúdo lírico blasfemo do Sodoma.

Provando que evoluir e amadurecer não significa perder suas características, o Sodoma dá um passo à frente e se coloca na ponta de lança do cenário Death/Black brasileiro. Uma verdadeira hecatombe em forma de música!

NOTA: 8,0

Sodoma é:
- Hate Devoro (vocal/baixo);
- Samidarish (guitarra);
- Seth (guitarra);
- Dagon (bateria).

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Desdominus - Without Domain (2003/2017)


Desdominus - Without Domain (2003/2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Supremacia Underground
02. Opposition Warrior
03. Without Domain
04. False Creator’s Creator
05. The Other Side... (Atheist Mind)
06. Intro*
07. Reality of Whispers Mine*
08. Ejaculate in Your Stupidity*
09. The Fall and the Vision*
10. Judgement of the Souls*
*Bonus Tracks: Judgement of the Souls - Demo 1999

E lá se vão quase 25 anos de serviços muito bem prestados ao Death/Black nacional. Surgido em Americana/SP, no ano de 1993, o Desdominus tem uma discografia sucinta se comparada com seu tempo de existência (3 demos e 3 CD’s), mas que é de suma importância pela qualidade apresentada em seus lançamentos. Vide por exemplo o caso de Uncreation, seu último trabalho, que foi um dos melhores lançamentos nacionais de 2015. Mas toda caminhada tem um início, e é ele que temos aqui, graças à iniciativa da Heavy Metal Rock de relançar o debut da banda, Without Domain.

Claro que não iremos encontrar aqui a mesma sonoridade dos dois trabalhos seguintes, Devastating Millenary Lies (13) e Uncreation, até porque existe um lapso de tempo considerável entre os mesmos, além de músicos diferentes envolvidos (apenas o baterista Ney Paulino se mantém na banda desde seu início), mas já era possível perceber que estávamos diante de uma banda diferenciada, que não poderia ter seu estilo rotulado simplesmente como Death/Black.

Em Without Domain, apesar de notarmos algumas similaridades com o Dissection, já podíamos observar que o então trio formado por Douglas (vocal/guitarra), Willian Gonsalves (guitarra/baixo/vocal limpo) e Ney Paulino (bateria) começava a forjar uma identidade sonora para o Desdominus. As canções aqui presentes se mostravam bem variadas e muito bem trabalhadas. Apresentam também um bom nível de complexidade e técnica, mostrando que não estávamos diante de uma banda qualquer. E, apesar de as composições serem brutas, é possível notarmos boas melodias inseridas nas mesmas, mas tudo de forma muito bem equilibrada. Podemos - e devemos - dividir o álbum em duas partes bem distintas. As 5 primeiras canções compõem Without Domain, enquanto a sua segunda metade é composta pela demo de 1999, Judgement of the Souls, que foi incluída como bônus aqui.

“Supremacia Underground”, que abre o CD, tem sua letra em português e, apesar de ser relativamente curta se comparada com as faixas seguintes, mostra boa variedade de ritmo. É um bom exemplo de Blackened Death Metal que une peso, agressividade e boas melodias. Já “Opposition Warrior”, assim como as demais músicas, começa com uma narração em português feita por Ney, para depois explodir em brutalidade. Podemos observar aqui a boa técnica da banda, assim como solos de muita qualidade. Os solos também são elemento de destaque em “Without Domain”, que despeja bons riffs, além de possuir arranjos bem interessantes. Cabe também uma menção aos vocais de Douglas, muito bons e que soam tipicamente Black em todo o álbum. “False Creator’s Creator” se mostra mais cadenciada em seu início e possuidora de ótimas melodias, além de ser bem variada, mas nunca abrindo mão da agressividade e do peso. “The Other Side... (Atheist Mind)”, encerra Without Domain de forma acústica e com boas melodias. 


Em seguida, temos as músicas que compõem a demo Judgement of the Souls, as quais mostram-se naturalmente mais cruas, mas também bem pesadas e agressivas. Após uma introdução, temos “Reality of Whispers Mine”, bem pesada, variada e que conta inclusive com alguns vocais femininos. “Ejaculate in Your Stupidity” esbanja brutalidade e agressividade, enquanto “The Fall and the Vision” se mostra mais cadenciada (apesar de momentos mais velozes da sua metade para frente) e detentora de um bom trabalho de guitarra, principalmente no que tange aos riffs. Finalizando, temos a mais que violenta “Judgement of the Souls”.

Chama a atenção o fato de que, apesar de as gravações aqui presentes datarem de 1999 e 2003, as mesmas apresentam um bom nível, melhores até do que algumas que escuto em trabalhos nacionais lançados recentemente. Além disso, nesse relançamento Without Domain vem embalado em um digipack caprichado, o que torna sua aquisição ainda mais interessante. Já mostrando personalidade e mesclando muito bem peso, agressividade, brutalidade e boas melodias, o debut do Desdominus não só resistiu ao teste do tempo, como é um trabalho que todo fã de Death/Black deveria ter em sua coleção.

NOTA: 8,0

Desdominus é (gravação):
- Douglas (vocal/guitarra);
- Willian Gonsalves (guitarra/baixo/vocal limpo);
- Ney Paulino (bateria).

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Bloodred - Nemesis (2016)


Bloodred - Nemesis (2016)
(Independente - Importado)


01. Fell Voices on the Wind    
02. Tragedien i Svenskehuset
03. Nemesis
04. The Hail-Storm
05. Collateral Murder    
06. The Lost Ones
07. Spirits of the Dead   
08. Im kalten Licht der Ewigkeit

Com o tempo, a música extrema se dividiu em tantas ramificações, em tantos subestilos, que as vezes esquecemos de como o básico, o simples, pode ser muito bom. O Bloodred é uma one man band surgida na Alemanha, pelas mãos de Ron Merz, que só não toca bateria nas gravações. O projeto surgiu em 2009, mas só lançou seu primeiro registro, um EP intitulado The Lost Ones, em 2014. Finalmente em 2016, lançou seu primeiro álbum completo, Nemesis.

Basicamente, o que temos aqui é um trabalho que navega pelos mares do Blackned Death Metal, com vocais agressivos, que pendem para o Death Metal, riffs de qualidade puxados para o Black e uma bateria simplesmente furiosa, tocada pelo baterista do Atrocity, Joris Nijenhuis. Por sinal, a produção ficou por conta de Alexander Krull. Ainda assim, algumas boas melodias, que remetem àquele Death Metal tipicamente sueco podem ser notadas em muitos momentos e a variação entre passagens mais lentas e outras mais velozes dão a diversidade necessária ao Bloodred para que sua música não soe repetitiva.


Após uma breve instrumental, já temos de cara um dos destaques do álbum, a agressiva “Tragedien i Svenskehuset”, que possui um certo ar obscuro. O Black dá as caras já na faixa seguinte, a épica “Nemesis”, onde a guitarra consegue imprimir melodias bem interessantes. Essas características também podem ser notadas em outras faixas, como a pesada “The Hail-Storm” e a agressiva “Spirits of the Dead”. “Im kalten Licht der Ewigkeit” tem uma queda para aquele Black Metal mais atmosférico, com sua guitarra soando bem sombria, enquanto o lado Death Metal pode ser claramente notado na violenta “Collateral Murder”, enquanto “The Lost Ones” possui uma influência maior de Thrash.

A produção, como já citado mais acima, ficou por conta de Alexander Krull (Atrocity, Leaves’ Eyes) e soa condizente com a proposta musical apresentada. Os instrumentos estão audíveis, mas sem tirar aquela dose se sujeira e agressividade mais do que necessárias para o estilo. Já a capa é obra de Stefan Heilemann, que já trabalhou com nomes como Epica, Kreator, Pain, Kamelot, Xandria, Atrocity e muitos outros. Se você curte um Black/Death sem invenções, direto, agressivo e muito pesado, mas ainda não conhece o trabalho do Bloodred, está mais do que na hora de corrigir essa falha.

NOTA: 8,0

Bloodred é:
- Ron Merz (vocal, guitarra e baixo)

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Vociferatus - Mortenkult (2016)


Vociferatus - Mortenkult (2016)
(Eternal Hatred Records - Nacional)


01. Eloi, Eloi, lama sabachthani (Instrumental)
02. Blood Runs over Bayt Lahm    
03. The New Opposition    
04. Storms Are Mine    
05. Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo (Instrumental)
06. Mortenkult    
07. Chaos Legions Battlefront   
08. Where Hope Dies   
09. Amenti

Que o brasileiro tem o dom para vertentes mais extremas do Metal, isso ninguém discute. Mesmo assim, muitas vezes me surpreendo com a qualidade de algumas bandas que surgem por aqui. Oriundo do Rio de Janeiro, o Vociferatus surgiu no ano de 2008 e já havia lançado em 2011 o EP Blessed by the Hands of Flames, onde mostravam um bom potencial de crescimento. Ainda assim, o mesmo não poderia nos preparar para o que encontramos em Mortenkult, seu álbum de estreia.

Trafegando entre o Death e o Black Metal, o Vociferatus mostra uma evolução monstruosa, apresentando uma sonoridade agressiva, brutal e acima de tudo variada. Sua sonoridade é enriquecida por elementos orquestrais e por um lado Folk que surge em alguns momentos, com a inclusão de percussão, tanto brasileira como oriental, que são cuidadosamente encaixadas para não soarem deslocadas ou exageradas, agregando positivamente ao brilhante resultado final. Mas em momento algum o quinteto formado por Pedrito Hildebrando (vocal), Luiz Mallet (guitarra), Filipe Lima (guitarra), Lucas Zandomingo (baixo) e Augusto Taboransky (bateria) abre mão da velocidade e da rispidez. É porrada do início ao fim, e melhor, com uma cara própria.

Pedrito se mostra um vocalista extremamente variado, sendo um dos destaques do Mortenkult. Sem dúvida, uma das principais vozes do cenário Death nacional. Já Luiz e Lucas estão afiadíssimos nas guitarras, despejando uma variedade absurda de riffs e conseguindo encaixar ótimos solos. Já Lucas e Augusto mostram uma técnica absurda e imprimem muito peso à música do Vociferatus. Além disso, temos uma série de participações especiais. 


Tal, vocalista da banda de Black canadense Cryptik Howling participa de “The New Opposition”. Na parte de percussão (que foi toda elaborada por Thiago di Sabbato da Bangalafumenga), tivemos as participações de Santiago Galdino, Leonardo Dias (brasileira) e Arthur Kauffman (oriental), enquanto os arranjos orquestrais ficaram a cargo de Jon Marques e Luiz Freitag (Empürios). A cítara, que surge muito bem encaixada em alguns momentos, foi responsabilidade de Sandro Shankara, enquanto o piano ficou a cargo de Bruno Sá (Allegro). A voz feminina que surge em “Mortenkult” pertence a Natalia Espinosa e os coros contam com a participação de Thiago Pereira (Solifvgae), Renan Brito (Espera XIII, Spreading Hate), Eduardo Ayres (Spreading Hate), Rodolfo Ferreira (DarkTower), Flávio Gonçalves (DarkTower) e Bruno Valente (ex-DarkTower).

Das 9 canções aqui presentes, “Eloi, Eloi, lama sabachthani” é uma introdução e “Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo” é uma instrumental percussiva com foco na música do Oriente Médio. Sendo assim, sobram 7 canções simplesmente destruidoras e empolgantes. “Blood Runs over Bayt Lahm” é nervosa e brutal, com destaque para seus ótimos riffs e um belo trabalho da parte rítmica. “The New Opposition” vem em seguida, com seu refrão marcante, participação de Tal e ótimas inclusões de cítara e percussão. Já “Storms Are Mine” se mostra muito variada, com uma avalanche de bons riffs e orquestrações que se destacam. Já “Mortenkult” se mostra simplesmente brutal e conta com ótimos trechos percussivos e vocal feminino. Minha preferida aqui. “Chaos Legions Battlefront” é a mais curta das músicas aqui presentes e pende para o Black Metal. Já “Where Hope Dies” é a “diferentona” do álbum. Mais cadenciada, tem uma pegada bem soturna e introspectiva, com direito a guitarras limpas, piano e ótimas melodias. Tem muito de Post-Black Metal e poderia estar tranquilamente em um álbum do Deafheaven ou do Lantlôs. Simplesmente ótima. “Amenti” encerra os trabalhos mantendo o nível lá no alto, com destaque para o belo trabalho da parte rítmica.

A produção é outro destaque, tendo ficado a cargo de Jon Marques e Luiz Freitag, que também cuidaram da mixagem. Já a masterização foi feita na Grécia, pelo ex-Rotting Christ Giorgos Bokos. O resultado final não poderia ser melhor, já que apesar do refinamento e da clareza, o peso, a agressividade e a rispidez se mantiveram presentes. A bela capa é mais uma obra do já renomado Marcelo Vasco.

Confirmando todo o potencial demonstrado anos atrás e fugindo do lugar-comum através da inserção de elementos percussivos brasileiros e orientais, o Vociferatus lançou um dos trabalhos mais legais de Death Metal desse ano de 2016, não só no Brasil, mas a nível mundial. É a comprovação de que o Brasil tem sim, bandas tão boas ou até superiores às que escutamos lá fora. Simplesmente obrigatório.

NOTA : 9,0

Vociferatus é:
Pedrito Hildebrando (vocal);
Luiz Mallet (guitarra);
Filipe Lima (guitarra);
Lucas Zandomingo (baixo);
Augusto Taboransky (bateria).

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

DarkTower - Eight Spears (2016)


DarkTower - Eight Spears (2016)
(Black Legion Productions/Lab 6 Music)


1. Eight Paths - Initiation
2. Destroy the House of Ha'shem
3. Burn the Pyre
4. The Legion Marches On
5. Nameless Servants of Damnation
6. On Darkest Wings
7. Haeretic
8. Eight Spears
9. Blood Harvest

Para quem porventura não conhece o DarkTower, o grupo foi formado no ano de 2006, no Rio de Janeiro e, após alguns singles e EP’s, chegou ao seu debut, o muito bom ...of Chaos and Ascension (13), executando um Black/Death de primeiríssima linha. Eis que após um hiato de 3 anos, retornam com o sucessor deste, intitulado Eight Spears, e bem, posso dizer que o que era extremo, ficou mais extremo ainda.

Após algumas mudanças de formação nesse período, o DarkTower parece ter se estabilizado com Flávio Gonçalves (vocal), Raphael Casotto e Rafael Morais(guitarras), Rodolfo Ferreira (que migrou da bateria para o baixo e também faz os vocais limpos) e Jean Secca (bateria). É esse quinteto o responsável pelo massacre sonoro que ouvimos em Eight Spears. A evolução da banda nesse espaço de 3 anos foi realmente impressionante em todos os aspectos e souberam lapidar o que se mostrava necessário para seu crescimento.

A primeira coisa que chama a atenção é o nível de agressividade imposto às canções. Soando ainda mais violenta do que no debut, a música do quinteto transborda raiva por todos os poros, estando mais crua e um pouco menos melódica. Tecnicamente a banda também cresceu bastante, com os arranjos melhor trabalhados e orquestrações com um pouco menos de espaço, mas inseridas de forma cirúrgica nas composições. Os vocais de Flávio mantém a variedade de outrora, indo do gutural ao rasgado sem perder qualidade. Os vocais limpos de Rodolfo Ferreira, que já haviam chamado a atenção no debut, soam ainda melhores aqui, dando uma boa dinâmica nesse quesito. As guitarras de Raphael Casotto e Rafael Morais estão afiadíssimas, tanto nos riffs, simplesmente cortantes, quanto nos solos, enquanto Rodolfo e Jean Secca formam uma parte rítmica técnica, variada e pesada.


O álbum se mostra extremamente homogêneo e o nível das músicas aqui presentes é altíssimo. Ainda assim, posso destacar “Destroy the House of Ha'shem”, bem técnica, bruta, variada e com um ótimo trabalho de guitarras, “Burn the Pyre”, outra bem técnica, com destaque para a parte rítmica e com vocais e riffs bem variados, a brutal e grudenta “Nameless Servants of Damnation”, “Haeretic”, com uma avalanche de bons riffs e melodias que se destacam e a ótima “Eight Spears”, que exala ódio do início ao fim. Vale ressaltar que temos algumas participações especiais aqui. Felipe Eregion (vocal/Unearthly) em “Destroy the House of Ha'shem”, Guilherme Sevens (vocal/Painside) em “The Legion Marches On”, Pedrito Hildebrando (vocal/Vociferatus) e Rodrigo Garm (vocal/Pagan Throne) em “Blood Harvest”. Além disso, as orquestrações aqui presentes foram feitas por Rômulo Pirozzi, que tocou com o DarkTower até 2013.

Outro ponto de evolução foi na produção. Se já era boa em ..of Chaos and Ascension, em Eight Spears ela não fica devendo nada a boa parte do que vem lá de fora. Ficou a cargo da banda e de Fernando Campos, que também foi o responsável pela mixagem, no AM Studios. com a masterização sendo feita por Giorgos Bokos (Stone Cold Dead, ex-Rotting Christ, ex-Nightfall) no Grindhouse Studio. Isso resultou em uma sonoridade que além de soar moderna, conseguiu equilibrar agressividade, peso e clareza. Já toda a bela parte gráfica foi concebida pelo baixista Rodolfo Ferreira, sendo tudo embalado em um digipack caprichado.

Extremo, agressivo e ríspido, o DarkTower é responsável por um dos melhores lançamentos nacionais desse ano de 2016, mostrando que é sim, uma das principais bandas do nosso cenário. Para moer o pescoço mesmo dos bangers mais calejados e contraindicado aos de ouvidos sensíveis.

NOTA: 8,5

DarkTower é:
Flávio Gonçalves (vocal);
Raphael Casotto (guitarra);
Rafael Morais(guitarra);
Rodolfo Ferreira (baixo);
Jean Secca (bateria).

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Sodamned - Songs For All And None (2015)




Sodamned - Songs For All And None (2015)
(Antichrist Hooligans Distro/Battle Distro/Burnin Groove Recs/Face the Abys Recs/Infernal Rites Recs/Morbid Tales Recs/Old Serpent Recs/OneEye Recs – Nacional)

01. Psalm Of The Hunter
02. The Killing
03. Bread And Water
04. Noise Of Rain On The Roof
05. Blinded By The Light
06. Distopia (Instrumental)
07. For All And None
08. Dynamite
09. Oração À Virgem

Para quem conhece de perto a cena nacional, acompanha bandas, shows, adquire cd’s e materiais de bandas, nada soa mais irritante do que a afirmação de alguns bitolados dessa geração Guitar Hero, que não tira a bunda do sofá ou da frente do PC (onde só fica reclamando e falando mal de tudo) para nada (a não ser que seja para ir a um show de alguma banda gringa consagrada), de que não existe Metal de qualidade sendo feito no Brasil. Coleguinhas, lhes informo que não só existe, como não fica devendo nada se comparado ao que vem lá de fora, inclusive se colocado frente a frente com materiais atuais de certas bandas estrangeiras idolatradas por aqui.

Dentre essas bandas, podemos incluir sem titubear um segundo sequer os catarinenses do Sodamned, banda já veterana na cena (na estrada desde 1999) e que havia se destacado em muito com seu debut, The Loneliest Loneliness (11). Em Songs For All And Done, seu segundo álbum completo de estúdio, os caras chegam quebrando tudo, se mostrando mais maduros, além de pesados e brutais. Mas não pensem que abrem mão completamente das melodias, pois as mesmas se encontram presentes aqui, mas de forma muito equilibrada para não tirar sequer 0,1% da agressividade do Blackned Death Metal praticado pelo Sodamned.

Aqui, Juliano Régis (Vocal/Guitarra), Fabricio Gamba (Guitarra, substituído atualmente por Eduardo Blumer), Felipe Gonçalves (Baixo) e Gilson Lange (Bateria) contam com as participações do vocalista Marcelo Fagundes (Battalion, outra puta banda de Santa Catarina) e do baterista e tecladista do Insane Devotion (procurem conhecer, coleguinhas), Fernando Nahtaivel, para nos presentear com um dos melhores trabalhos do estilo que escutei nesse ano de 2015. Como já dito, pesado, agressivo e brutal, mas sem abrir mão de boas melodias (vide por exemplo, o solo no final de “Oração A Virgem”), o Sodamned realizou uma obra dessas que empolga do primeiro ao último segundo. A variedade é um ponto a favor dos caras, já que não apostam apenas em momentos mais rápidos, com passagens mais cadenciadas dando as caras aqui e ali, evitando que as músicas soem cansativas ou repetitivas.

Destaques? Amigos, sabe aquele papo clichê de que é difícil destacar essa ou aquela faixa, pois todas são de alto nível? Então, isso vale para Songs For All And Done. Essa tarefa é tão difícil, que estou a uns 15 minutos tentando finalizar esse parágrafo, mas simplesmente não consigo, pois sempre que não excluo uma das faixas do álbum na lista, acho que estou sendo injusto e apago tudo. Sendo assim, escute o álbum de cabo a rabo e se surpreenda.

A produção aqui foi realizada por Roger Fingale e a mixagem feita por Earth. Do meu ponto de vista, não fica devendo nada a qualquer produção gringa do estilo, já que mesmo soando bem pesada e agressiva, conseguiu deixar tudo limpo a ponto de ser possível escutar cada um dos instrumentos. Já a capa é mais uma belíssima obra de ninguém menos que Gustavo Sazes, fechando assim o pacote com chave de ouro e mostrando a preocupação da banda em entregar um trabalho de alto nível em todos os sentidos.

Você, caro leitor, também tem algum coleguinha desses que acha que banda de qualidade, só as que vêm “da gringa”? Pois pegue Songs For All And Done e esfregue na fuça dele com vontade para que o mesmo veja o quanto anda equivocado. Quem sabe ele tome vergonha na cara, tire a bunda do sofá ou da frente do PC e passe a apoiar as bandas de qualidade que existem dentro de nossa cena. Forte candidato a melhor cd nacional de 2015!

NOTA: 9,0

Sodamned é:

- Juliano Régis (Vocal/Guitarra)
- Eduardo Blumer (Guitarra)
- Felipe Gonçalves (Baixo)
- Gilson Lange (Bateria)