Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!
Queiron - Endless Potential of a Renegade Vanguard (2018) (Heavy Metal Rock - Nacional)
01. Imperia Caedes 02. Pestis Pain 03. Denial Upon the Heavenly Scorn 04. Iussu Caelest Negabunt 05. Misleading Mission 06. King of Damned Proclamation 07. Unholy Perverse Rapture 08. Tombs I Desecrate 09. Endless Potential of a Renegade Vanguard
Nos últimos 23 anos, o Queiron se firmou como um dos nomes mais tradicionais do cenário Death Metal no Brasil. Bruto, insano e caótico, a banda veio evoluindo trabalho a trabalho, sempre fazendo jus a forte tradição de qualidade brasileira, quando falamos de vertentes mais extremas. Após um hiato de 5 anos, desde o lançamento do ótimo Sodomiticvm per Conclave, o quarteto ressurge com mais um trabalho digno de todos os elogios, Endless Potential of a Renegade Vanguard.
Seguindo o seu processo evolutivo, mas sem se afastar 1 milímetro de suas raízes, o Queiron se mostra ainda mais maduro em seu 5º álbum de estúdio. Sua música soa ríspida e intensa, com um vigor e brutalidade absurdos, mas ainda sim com boas melodias – oriundas do Metal Tradicional – que dão as caras em passagens mais cadenciadas e solos, e uma técnica bem refinada. Os guturais de Marcelo DaemoniiPest Grous continuam demoníacos, e ele faz uma bela dupla nas guitarras com Luciano Fernandes, com destaque não só para os riffs, como para os belíssimos solos. Que dupla! Na parte rítmica, Luis Hellthorn (baixo) e Oscar M. Vison (bateria) realizam um belíssimo trabalho, esbanjando peso, precisão e técnica. Destaque para os blastbeats insanos.
Temos aqui 9 canções, sendo 2 delas instrumentais, a introdução “Imperia Caedes”, que já nos dá uma ideia do que está por vir, e a sinistra “Iussu Caelest Negabunt”. Nas demais, temos uma verdadeira aula de Death Metal, um massacre impiedoso em forma de música. Os destaques ficam por conta da técnica, brutal e caótica “Pestis Pain”, a destruidora de pescoços “Denial Upon the Heavenly Scorn”, com seu ótimo refrão e guitarras primorosas, a explosiva “Misleading Mission” e seu excelente solo, a mais tradicional “Tombs I Desecrate” e “Endless Potential of a Renegade Vanguard”, outra que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelo solo.
Gravado no Estúdio RG Produções, por Guilherme Malosso e Ricardo Biancarelli, com mixagem realizada pelo primeiro, e masterização de Neto Grous, no Absolute Master, Endless Potential of a Renegade Vanguard tem na produção um dos seus pontos mais fortes. Conseguiram deixar tudo bem claro e audível, mas sem abrir mão do peso e da brutalidade. A belíssima parte gráfica ficou por conta do ótimo Alcides Burn (Blood Red Throne, Headhunter D.C., Imago Mortis, Malefactor), com ilustrações adicionais de Emerson da Silva Maia. Equilibrando com precisão brutalidade, técnica e melodia, o Queiron nos entregou um dos principais trabalhos nacionais desse ano de 2018. Recomendadíssimo!
NOTA: 87
Queiron é: - Marcelo DaemoniiPest Grous (vocal/guitarra); - Luciano Fernandes (guitarra); - Luis Hellthorn (baixo); - Oscar M. Vison (bateria).
Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!
01. Cannibal Corpse - Red Before Black (Metal Blade Records/Rock Brigade Records - Nacional)
02. Ex Deo - The Immortal Wars (Napalm Records/Shinigami Records - Nacional)
03. God Dethroned - The World Ablaze (Metal Blade Records - Importado)
04. Memoriam - For the Fallen (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
05. Nothing Lies Above - Liber Teth (Independente - Nacional)
06. Necrot - Blood Offerings (Tankcrimes Records - Importado)
07. Immolation - Atonement (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
08. Lock Up - Demonization (Listenable Records - Importado)
09. Noldor - Condemned To Eternity (Independente - Nacional)
10. Incantation - Profane Nexus (Relapse Records - Importado)
Quase chegaram
- Nervochaos - Nyctophilia (Cogumelo Records - Nacional)
- Azarath - In Extremis (Agonia Records - Importado)
- Gutted Souls - The Illusion of Freedom (Independente - Nacional)
Mortifer Rage - Fall of Gods (2017) (Vários - Nacional)
01. Intro 02. Ethnocentrism 03. Religious Necrosis 04. The Hammer 05. Immolation 06. Tunisian Storm (Instrumental) 07. No Masters, No God 08. Doctrines of Death 09. Hate, My Offer 10. Redeption Blade 11. Genocide of Minds 12. Sword and Blood
Dificuldades não faltam para quem resolve viver o underground de corpo e alma. O Mortifer Rage surgiu em Santa Luzia/MG, no ano de 1999 (ainda com o nome de Mortifer), apostando firmemente no Death Metal, e de lá para cá veio trilhando com firmeza o tortuoso e sinuoso caminho da música pesada em nosso país. Nesses 18 anos, os lançamentos foram esparsos. Primeiro veio seu debut, em 2001, Legacy of Obsessions, e seu segundo álbum veio 7 anos depois, Murderous Ritual. Agora, após um hiato de 9 anos (onde chegaram a lançar 2 singles), finalmente nos apresentam seu terceiro álbum, Fall of Gods.
Quando falamos aqui de Death Metal, estamos nos referindo àquela sonoridade mais tradicional, típica do final dos anos 80 e início dos 90, com foco em nomes como Deicide, Immolation e Morbid Angel. O Mortifer Rage não brinca em serviço e nem abre espaço para experimentos e inovações, pois seu DNA é old school até a medula. É bruto, é agressivo, é violento e sua música, forjada para destruir os pescoços mesmos dos deathbangers mais resistentes.
Ok, não temos absolutamente nada de novo aqui, e você pode até argumentar, com razão, que o que escutamos aqui já foi feito com muito mais brilhantismo por nomes consagrados do estilo, tanto no exterior como no Brasil. Mas e daí? O que importa é que ela é muito bem feita e transpira honestidade. É nítido que Carlos Pira (vocal/baixo), R. Amon (guitarra), Robert Aender (guitarra) e Wesley Adrian (bateria) amam o que fazem.
Quem teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores da banda, vai notar de cara a evolução do quarteto desde o lançamento de Murderous Ritual. Sua música soa mais madura, coesa e bem trabalhada. Os vocais guturais são muito bons, enquanto as guitarras despejam riffs agressivos e de muita qualidade. A parte rítmica destrói tudo, mostrando boa técnica e variedade. Aliás, vale destacar que aqui o Mortifer Rage não padece daquele mal que vemos em alguns trabalhos do estilo, onde todas as músicas soam meio parecidas. Mostram uma diversidade bem interessante, já que alternam passagens mais cadenciadas com outras mais velozes. Ponto para o quarteto.
Descontando a introdução e uma faixa intrumental, temos 10 verdadeiras odes ao Death Metal. Aponto como destaques “Ethnocentrism”, faixa que prima pela agressividade e pelo belo trabalho da dupla baixo/bateria, a raivosa “The Hammer”, com boas mudanças de andamento que acabam por lhe dar grande variedade, “No Masters, No God”, pesada, bruta e com ótimo trabalho das guitarras, a insana “Doctrines of Death”, que se destaca por seus momentos velozes, e a impiedosa “Hate, My Offer”.
Gravado no Maçonaria do Áudio Studios (Nova Lima/MG), foi produzido, masterizado e mixado por André Damian. Está claro e audível, além de bem direto e com uma boa dose de crueza, que até cai bem para tal proposta sonora. Claro que ainda não está ideal e é algo que pode ser mais bem trabalhado no futuro, mas não compromete o resultado final. A capa é obra de Marlon Lima, com o design do encarte feito por Marco Túlio Alves. O resultado final ficou bem legal e condizente com a proposta da banda.
Sem inventar e investindo pesado naquele bom e velho Death Metal Tradicional, o Mortifer Rage presenteia a todos os fãs de música mais extrema com um trabalho técnico, agressivo, cru e bruto, feito sob medida para moer os pescoços alheios. Se for sua praia, vale a pena conhecer. NOTA: 7,5
Mortifer Rage é: - Carlos Pira (vocal/baixo); - R. Amon (guitarra); - Robert Aender (guitarra); - Wesley Adrian (bateria).
Suffocation - ...of the Dark Light (2017) (Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)
01. Clarity Through Deprivation 02. The Warmth Within the Dark 03. Your Last Breaths 04. Return to the Abyss 05. The Violation 06. ...Of the Dark Light 07. Some Things Should Be Left Alone 08. Caught Between Two Worlds 09. Epitaph of the Credulous
Um dos nomes seminais do estilo. Inovadores e responsáveis pelo lançamento das bases do que podemos entender por Brutal Death Metal e Technical Death Metal. O Suffocation dispensa apresentações, afinal, são quase 30 anos de carreira (incluindo o hiato entre 1998 e 2002), nos quais deram uma contribuição inestimável ao Metal Extremo, além de, claro, terem lançado clássicos do porte de Effigy of the Forgotten (91), Breeding the Spawn (93) e Pierced from Within (95). Sua influência é algo incontestável.
Desde seu retorno em 2002, mesmo que não tenham alcançado a excelência de sua primeira fase, nunca lançaram algo decepcionante, já que trabalhos como Souls to Deny (04), Suffocation (06), Blood Oath (09) ou mesmo Pinnacle of Bedlam (13) estão muito acima da média do que ouvimos por aí. Para o lançamento de seu 8º álbum de estúdio, passaram por algumas mudanças de formação, já que do line-up que gravou o último álbum, tivemos as saídas de ninguém menos que o guitarrista Guy Marchais e do baterista Dave Culross (substituído por Kevin Talley, que também se retirou da banda posteriormente). Sendo assim, temos aqui duas estreias, Charlie Errigo (guitarra) e Eric Morotti (bateria). Uma curiosidade a respeito de tais mudanças é que ambos sequer eram nascidos quando o Suffocation estreou com o fantástico Effigy of the Forgotten.
E é justamente essa juventude que acabou por fazer um bem tremendo ao Suffocation, renovando o seu som. Mas calma, não estamos falando aqui que houve alguma mudança na sonoridade da banda, mas sim em matéria de energia. A entrada de 2 novos membros parece ter reacendido aquela chama inicial dos anos 90, já que sem qualquer tipo de exagero, ...of the Dark Light poderia ser o sucessor natural de Pierced from Within, o elo perdido entre os anos 90 e os 2000, já que em muitos momentos de suas 9 músicas somos remetidos à fase inicial do grupo, principalmente no trabalho das guitarras, onde o lendário Terrance Hobbs e o novato Errigo despejam riffs simplesmente incríveis. Na parte rítmica, o baixo de Derek Boyer soa simplesmente impactante, enquanto Morotti nos apresenta um trabalho de bateria intrincadíssimo. Quanto aos vocais, bem, é Frank Mullen cantando e não preciso dizer mais nada.
O álbum abre com a desoladora “Clarity Through Deprivation”, onde velocidade e cadência se misturam para gerar algo simplesmente brutal. A incrível sequência inicial ainda conta com “The Warmth Within the Dark” e seus riffs absurdamente cativantes e a técnica “Your Last Breaths”, onde o trabalho das guitarras e da bateria se sobressaem. Em “Return to the Abyss” é possível observarmos algumas melodias, mesmo que não abram mão da brutalidade em momento algum, enquanto “The Violation”, além de apresentar um ótimo trabalho vocal, transborda energia por todos os poros. “...Of the Dark Light” é outra que mescla com muita competência os momentos mais velozes com os mais cadenciados, e “Some Things Should Be Left Alone” apresenta um dos melhores riffs de todo o trabalho. Na sequência final, temos “Caught Between Two Worlds”, que é outra que incorpora boas melodias mesmo sendo absurdamente agressiva e bruta, e uma ótima regravação para “Epitaph of the Credulous”, presente em Breeding the Spawn e que fecha o álbum de forma perfeita.
No quesito produção, repetiram o que vêm fazendo desde seu retorno, com a mesma ficando a cargo de Joe Cincotta. Já a mixagem e masterização, assim como no álbum anterior, foi realizada pelo renomado Zeuss (Carnifex, Crowbar, Kataklysm, Iced Earth, Queensrÿche, Municipal Waste, Soulfly). O resultado final é o melhor em anos, já que soa muito mais orgânica do que vínhamos observando anteriormente. Já a bela capa é obra de Colin Marks (Kataklysm, Exodus, Jeff Loomis, Nevermore, Fleshgod Apocalypse), saindo um pouco do padrão que estamos acostumados ver o Suffocation adotar.
Ao final, temos o seu trabalho mais forte nos últimos anos e seu melhor álbum desde o retorno em 2002. Com energia de sobra e composições agressivas, brutas, técnicas e complexas, mais uma vez o Suffocation vai fazer a alegria de seus fãs, mostrando a quem duvidava que ainda têm muita lenha para queimar e muita coisa boa para oferecer ao Death Metal. Um dos melhores trabalhos de Metal Extremo de 2017.
NOTA: 9,0
Suffocation é: - Frank Mullen (vocal); - Terrance Hobbs (guitarra); - Charlie Errigo (guitarra); - Derek Boyer (baixo); - Eric Morotti (bateria).
In
Torment – Sphere of Metaphysical Incarnations (2014)
(Eternal
Hatred Records/Rapture Records - Nacional)
1. The Unnatural Conception
2. Divine Universal Awareness
3. Into Abyssal Landscapes
4. The Threshold (Transcending the
Matter)
5. Sphere of Metaphysical Incarnations
6. Far Beyond Mortality
7. Mechanisms of Domination
8. The Extinction Process
9. Beholding the Everlasting
Vindo de São Leopoldo, no Rio Grande do
Sul, o In Torment é um legítimo representante do Metal extremo de qualidade que
é feito na região Sul do país, principalmente nos pampas gaúchos, vide Krisiun,
Nephasth, Rebaelliun ou Mental Horror, todas bandas que não me deixam mentir.
Apesar de estar na estrada desde 1997, esse é apenas o terceiro trabalho
completo de estúdio dos gaúchos e vem para suceder o bom Paradoxical Visions of Empitness (2011). E o que esperar desse
trabalho?
Bem, quem conhece o In Torment e seus
dois álbuns anteriores, sabe bem que vai encontrar aqui um Technical/Brutal
Death Metal de respeito e que remete a nomes como Morbid Angel, Cannibal Corpse
ou Suffocation. Mostrando estar ainda mais maduro e coeso que nos trabalhos
anteriores, apresenta aqui um som brutal, insano e técnico, mas sem abusar de
partes intrincadas, já que sua música consegue ser bem direta. A prova disso é
que Sphere of Metaphysical Incarnations
dura pouco mais de 30 minutos, fazendo com que você inevitavelmente coloque o
Cd para rodar novamente após seu término. Sem espaço para passagens
“modernosas”, na maior parte do tempo apostam na velocidade, mas sem deixar
partes mais cadenciadas e algumas melodias de lado, o que acaba por dar
variedade a seu som e evita aquela sensação de estarmos escutando uma única
faixa todo tempo, como ocorre com algumas bandas nessa linha. Ponto para o In
Torment. O nível é alto e o álbum é de uma homogeneidade absurda, sendo um
desafio destacar faixas, mas como se eu não o fizer, vai ter gente por ai
reclamando, sugiro que escutem “The
Unnatural Conception”, “The Threshold (Transcending the Matter)”, “Sphere of
Metaphysical Incarnations” e “The
Extinction Process”. Mas sinceramente, eu poderia ter destacado aqui
qualquer uma das demais.
Produzido novamente por Sebastian Carsin
e mixado e masterizado por Zack Ohren (Deeds of Flesh, Immolation, Suffocation,
Carnifex, All Shall Perish), Sphere of
Metaphysical Incarnations tem uma qualidade excelente e não fica nada a
dever ao que se escuta por ai. Brutal, caótico e insano, o In Torment nos
entrega um dos melhores trabalhos do estilo já feitos no Brasil.
01. Amidst The Ruins
02. Entranced In Decades Of Psychedelic Sleep
03. Rise of The Virvum Juggernaut
04. Celestial Serpents
05. Caelum Hirundines Terra/The Sky Swallows The Earth
06. Xeno-Virus
07. Hollow Human Husks
08. Portals To Canaan
09. Orphans of Sickness (Gorguts Cover)
O Deeds
Of Flesh é dessas bandas que você sabe exatamente o que esperar. Death Metal
brutal, veloz, insano e absurdamente técnico. Se formos comparar esse trabalho
com os primeiros de sua carreira, veremos que em 18 anos conseguiram alcançar
um nível absurdo de maturidade em sua música. É de aplaudir em pé.
Termos
como brutal, brutalidade, insano ou doentio serão recorrentes nessa resenha,
pois é impossível falar do DOF sem utilizar esses adjetivos. Portals To Canaan é um álbum conceitual,
onde a banda continua a história iniciada em seu trabalho anterior. Para dar
uma rápida resumida, se passa algumas décadas após os eventos do álbum
anterior. Extraterrestres vêm a terra para recolher a energia sagrada dos seres
humanos, utilizando uma criatura para isso. Os humanos sobreviventes encontram
como única saída esconderem-se no subsolo. O ar futurista do trabalho se
reforça ainda mais com pequenos barulhos e ruídos em algumas músicas, além da
5ª faixa, instrumental, que é uma colagem de sons eletrônicos. Mas esses são
apenas pequenos interlúdios que te ajudam a recuperar o fôlego da brutalidade e
insanidade presentes nas músicas desse álbum. A sequência de abertura é para
deixar qualquer um com o ouvido zunindo, tamanha a porradaria contida nelas. A
brutal “Amidst The Ruins” abre o
álbum sem dó nem piedade, já emendando com a absurdamente técnica e brutal “Entranced In Decades Of Psychedelic Sleep”
que para mim é a melhor do álbum. “Rise
of The Virvum Juggernaut” e “Celestial
Serpents” mantêm o nível de brutalidade e velocidade lá no alto. Após o
breve interlúdio instrumental já citado, a porradaria recomeça com a ótima “Xeno-Virus”, continuando com a técnica
e brutal “Hollow Human Husks” e a
faixa título. Vale destacar também os vocais para lá de doentios em todas as
músicas. Para encerrar, um ótimo cover do Gorguts, “Orphans of Sickness”.
O Deeds
Of Flesh não decepciona aqueles que são fãs de um Death Metal que alie
velocidade, brutalidade e muita técnica. Apesar da proposta brutal e veloz da
banda, as músicas presentes em momento algum soam repetitivas aos ouvintes,
pois são muito bem arranjadas e trabalhadas. A produção também se destaca,
sendo muito limpa e moderna, mas sem tirar as características da banda. Como
mostraram os últimos lançamentos de bandas como Nile e Suffocation, Death Metal
pode ser sim muito bem produzido. Portals
To Canaan também vai nessa linha. Para mim, desde já é uma obra prima do
Death Metal e um dos melhores trabalhos de 2013.