sexta-feira, 14 de junho de 2013

Gloryhammer – Tales From the Kingdom of Fife (2013)




01. Anstruther’s Dark Prophecy
02. The Unicorn Invasion of Dundee
03. Angus McFife
04. Quest for the Hammer of Glory
05. Magic Dragon
06. Silent Tears of Frozen Princess
07. Amulet of Justice
08. Hail to Crail
09.
Beneath Cowdenbeath
10. The Epic Rage of Furious Thunder
11. Wizards! (Bônus Track)

Quando fiquei sabendo que Christopher Bowes, tecladista, vocalista e alma do Alestorm, estava formando um novo projeto, e que com ele estaria o ótimo vocalista Thomas Winkler (Emerald), já imaginei algo mais na linha Power Metal, se distanciando um pouco do que é apresentado por sua banda principal. E bem, realmente pensei certo, já que o foco aqui remete a escola alemã do Power Metal. O que você irá encontrar aqui são riffs energéticos e velozes, solos complexos, vocal forte, bumbos duplos e teclados muito bem encaixados. Em resumo, tudo que você espera de um bom disco do estilo. 

Antes de começar a falar sobre o conteúdo do álbum, você deve ter em foco que a ideia primordial aqui é a diversão do ouvinte. Afinal de contas, um álbum que liricamente, trata de uma Escócia fantasiosa medieval, recheada de dragões, feiticeiros e heróis míticos, sendo que em uma de suas músicas, descreve a conquista da cidade de Dundee por um bruxo que utiliza unicórnios malignos para isso, dificilmente pode ser levado a sério. Como de praxe, a primeira música é aquela clássica faixa sinfônica instrumental, narrada, que abre 90% dos álbuns do estilo. Em seguida, temos “The Unicorn Invasion of Dundee”, que descreve o evento citado a cima. Apesar da temática lírica, se trata de um excelente Epic Power Metal, com ótimos riffs cavalgados e um refrão que vai grudar em sua cabeça de primeira. Quando a faixa seguinte, “Angus McFife”, começa, você resolve mandar a parte lírica pros infernos, afinal de contas, o que conta aqui é a música. Curta, direta e com um refrão na linha Rhapsody, que vai grudar em seus ouvidos, é a melhor faixa de todo trabalho. “He is the Prince of the Land of Fife. Noble and true with a heart of steel. Now it is lost vengeance shall be prince. Angus McFife is his name.”.  Guarde bem esse trecho, pois ele ficará gravado em sua cabeça. Não seria exagero dizer que os refrões são os destaques desse trabalho, já que dificilmente irá encontrar uma faixa onde eles não se destaquem. Apesar de a única música realmente descartável aqui se trate da balada “Silent Tears of Frozen Princess”, que é um tanto sonolenta, destacaria aqui “Quest for the Hammer os Glory”, com um instrumental melódico e coeso, e riffs marchantes, “Magic Dragon”, um Power Metal que vai te remeter a Stratovarius e Rhapsody e “Hail to Crail”, faixa mais épica e que me fez lembrar de Turisas.

Com um trabalho fácil de se ouvir e cantar junto, ótimos vocais e trabalhos de guitarras, melodias simples e cativantes, Bowes mostra com o Gloryhammer que ainda é possível fazer um bom álbum de Power Metal sem soar como mera cópia de bandas mais consagradas. Tales From the Kingdom of Fife é recheado de clichês do gênero? Sim, com toda certeza, e por isso, se não é fã do gênero, corra dele como o Diabo corre da cruz, mas caso curta a proposta, está aqui um álbum que deve constar em sua coleção. Se quer algo mais sisudo ou um tratado filosófico, recomendo a você que leia Nietzsche, Schopenhauer ou Hegel. Mas se você quer se divertir, se dispa de qualquer preconceito, pegue seu Martelo da Glória, monte em seu Dragão Mágico e vá ajudar Angus McFife a libertar Dundee do maléfico Feiticeiro Zargothrax. Extravagante, mas divertido!

NOTA: 8,5


sábado, 8 de junho de 2013

Paradise Lost - Discografia Comentada parte 3


Bem, aqui está a última parte da Discogradia comentada do Paradise Lost. Deixo claro por opção de abordar apenas material de estúdio, resolvi deixar de fora os 2 trabalhos ao vivo, At BBC e o excelente The Anatomy Of Melancholy, Além disso, o álbum Drown In Darkness, The Early Demos, que como o nome deixa claro, reune o material lançado no período das demos, ou seja, pré Lost Paradise, também não foi resenhado aqui.


PARADISE LOST (2005)

Se Symbol of Life representou a volta da banda ao Metal e pode ser considerado uma continuação natural de One Second, Paradise Lost vai além e marca o retorno da banda ao Doom Metal, território do qual nunca deveriam ter saido. Claro, não estamos falando de um retorno radical a suas raízes, até porque ainda temos alguns pouquíssimos elementos eletronicos aqui e ali, mas o que dá o mote desse álbum, sem sombra alguma de dúvida, é o peso das guitarras de Greg e Aaron. Finalmente, após 10 longos anos, o Paradise Lost começa a se reencontrar com sua verdadeira sonoridade.

Obviamente que não ocorre um descarte de tudo que adquiriram em matéria de sonoridade pós One Second, afinal de contas, um amadurecimento musical é mais do que natural e, principalmente, saudável. E inegavelmente, é muito bom poder escutar novamente o peso e a agressividade nos riffs de Mackintosh e Aedy. O álbum como um todo é bem homogêneo e pesado e destacaria aqui “Don’t Belong”, “Grey”, “Redshift” (a melhor do álbum), “Forever After” e “Over de Madness”.  


NOTA: 8,5 


IN REQUIEM (2007)

Sem exageros, In Requiem é o verdadeiro e legítimo sucessor  do clássico Draconian Times. Tudo que se esperava de One Second está presente nele, peso, vocais agressivos de Nick Holmes, intensidade, atmosfera sombria, guitarras fortes e ótimos solos, algo raro nos trabalhos anteriores da banda.  Experimentos eletrônicos? Esqueçam isso, o que temos aqui é o bom é ótimo Paradise Lost fazendo o que sabe, Metal puro e simples.
Destacar faixas no álbum? Poderia citar TODAS sem me sentir minimamente culpado, mas “The Enemy” é sem dúvida um clássico instantâneo e do meu ponto de vista, está entre as 5 melhores múscias do Paradise Lost. “Requiem” é outra que remete diretamente aos anos 90 e “Prelude To Descent” é um doom daqueles que que a banda não fazia a tempos. É um ábum que não possui faixas desnecessárias.
O bom filho a casa retornou. Esse é um álbum essencial na coleção de qualquer headbanger fã de Gothic/Doom e que nesse momento, em matéria de qualidade, ficaria só abaixo de Icon e Draconian Times. Aqui o Paradise Lost voltou a ser Paradise Lost em sua essência.

NOTA: 9,0



 Faith Divides Us - Death Unites Us (2009)

O que esperar de uma banda que nunca se repetiu de um trabalho para o outro, e se caracterizou por supreender seus fãs a cada lançamento (para o bem ou para o mal), ainda mais após um álbum excelente como o anterior, In Requiem? A resposta? Simples, um álbum ainda mais pesado e se aprofundando mais ainda nas raízes do Paradise Lost. Faith Divide Us – Death Unite Us é o disco mais agressivo do Paradise Lost desde Draconian Times, com direito a um Nick Holmes cantando de forma bem menos limpa que nos trabalhos anteriores. E apesar de gostar de suas vocalizações mais limpas, devo admitir que é bom, mais muito bom ver ele imprimindo vocais mais agressivos as músicas da banda.

Continuação natural do álbum anterior, temos aqui aquela palavra mágica que define todos os álbuns do Paradise Lost: homogeneidade. Não existe uma grande variação de qualidade entre as faixas e todas estão niveladas por cima. Se sobressaindo um pouco, temos “I Remain”, com um dos refrões mais cativantes da carreira da banda, “The Rise of Denial”, que une com perfeição agressividade e melódia, já nascendo clássica e “Living With Scars”, onde talvez tenhamos os riffs mais complexos já escritos pelo Paradise Lost.

Faith Divide Us – Death Unite Us é um registro sólido, pesado, agressivo e competente. Mais um ótimo álbum em uma discografia repleta de destaques dessa, que é uma das bandas mais influentes do cenário do Metal. Não acredita? Não concorda? Quantas bandas você conhece capazes de receber aclamações efusivas de nomes tão dispares como Lacuna Coil, Napalm Death, Cathedral, Kreator e System Of A Down? Pois é....


NOTA: 9,0


TRAGIC IDOL (2012)

Estaria mentindo se negasse que após o ótimo Faith Divide Us..., eu não estava ansioso ao extremo pelo lançamento desse álbum. Valeu a pena a espera? E como valeu. Em Icon, eles deixaram definitvamente seu passado Death para traz. Em Draconian Times, definiram o que viria a ser o Gothic Metal. Com Tragic Idol o Paradise Lost retorna a esse passado, fazendo uma releitura do período Icon/Draconian, justamente o melhor da banda, e disso simplesmente surgiu o melhor trabalho deles desde 1995.

Esse álbum é uma evolução do anterior. Faith tinha mais peso, mas indiscutivelmente Tragic Idol tem um potencial incrível para o surgimento de novos clássicos da banda. É um album que mistura perfeitamente o peso do Metal com a melancolia do Rock Gótico (alguém aqui lembrou do Draconian Times?), encontrando um equilibrio perfeito dentro dessa fórmula. O trio formado por Adrian Erlandsson (bateria)e os guitarristas Mackintosh e Aedy demonstra um ótimo entrosamento e os vocais de Nick Holmes estão bem próximos do seu trabalho em Icon.

Tragic Idol é um trabalho cativante e poderoso e uma atmosfera de melancolia paira sobre cada canção do álbum. Aliás, aqui temos músicas mais fortes que no álbum anterior. Greg Mackintosh está em seu auge, misturando perfeitamente riffs tipicamente Doom com aquela melodia característica do Paradise Lost, além de solos inspiradíssimos. As compisições presentes aqui são indiscutivelmente as melhores desde Icon/Draconian Times e os destaques vão para "Fear Of  Impending Hell", melhor do álbum, com um refrão grudento (não sai da minha cabeça por nada) e uma influência mais do que saudável de The Sisters Of Mercy, "Crucify", "To The Darkness", "Theories From Another World", "In This We Dwell" e a ótima "Honesty In Death" (com um belíssimo solo de guitarra). Simplesmente essencial!



NOTA: 9,5