Mostrando postagens com marcador Symphonic Black Metal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Symphonic Black Metal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de abril de 2020

…and Oceans: banda lança vídeo para “Five Of Swords”


Após um hiato de 18 anos, a banda finlandesa de Black Metal Sinfônico …and Oceans vai lançar um novo álbum, intitulado Cosmic World Mother, no dia 8 de maio, via Season of Mist.

A banda lançou um videoclipe para a nova música, “Five Of Swords”. A respeito disso, o vocalista Mathias Lillmåns comentou:

“‘Five Of Swords’ é minha música favorita do álbum. Uma música da velha escola … and Oceans, mas feita para se encaixar na década de 2020, acompanhada por um videoclipe minimalista, frio, mas ainda pessoal! É uma música que mostra outro lado da Cosmic World Mother e o que ele tem a oferecer”

A arte da capa da Cosmic World Mother foi criada por Adrien Bousson


Tracklisting:

“The Dissolution Of Mind And Matter”
“Vigilance And Atrophy”
“Five Of Swords”
“As The After Becomes The Before”
“Cosmic World Mother”
“Helminthiasis”
“Oscillator Epitaph”
“In Abhorrence Upon Meadows”
“Apokatastasis”
“One Of Light, One Of Soil”
“The Flickering Lights”

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Dimmu Borgir - Eonian (2018)


Dimmu Borgir - Eonian (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Unveiling
02. Interdimensional Summit
03. Ætheric
04. Council Of Wolves And Snakes
05. The Empyrean Phoenix
06. Lightbringer
07. I Am Sovereign
08. Archaic Correspondence
09. Alpha Aeon Omega
10. Rite Of Passage

O que é Black Metal? Uma música visceral, odiosa, anticomercial e niilista? Certamente sim. Hoje o Dimmu Borgir se encaixa nisso? Sinceramente não. Isso é um absurdo, um crime inafiançável? Nunca. Aliás, é curioso observar uma parcela do público criticando os noruegueses nesse sentido, e usando os anos 90 como parâmetro para tal fala. Quem viveu a época do lançamento de Enthrone Darkness Triumphant (97), por exemplo, escutou esse mesmo discurso por parte dos fãs de Black Metal do período. Para eles, a banda já havia abandonado os padrões do estilo e não merecia receber tal rótulo. Hoje esse mesmo álbum é utilizado como parâmetro por seus detratores, para dizer que hoje são mais uma banda do estilo. O mundo dá voltas.

Segundo a linha de pensamento de Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C.), ninguém entra duas vezes em um mesmo rio, já que na segunda vez, tanto a pessoa quanto o rio já se modificaram. Não são mais as mesmas águas, não se é mais o mesmo ser. O mundo está em movimento constante, tudo flui, tudo é dinâmico e nada pode ficar parado. O Dimmu Borgir completou em 2018, 25 anos de carreira, e nada mais normal que depois de mais de duas décadas, certas coisas mudassem. Então se você alimentava uma volta ao passado depois de um hiato de 8 anos sem um álbum de inéditas, certamente vai se decepcionar, pois, o que temos aqui é um passo evolutivo em relação ao seu trabalho anterior, o contestado por muitos, Abrahadabra (10).


Hoje o Dimmu Borgir é em sua essência, uma banda de Metal Sinfônico. Isso pode ser decepcionante para alguns, mas não diminui em nada o trabalho dos noruegueses. Eonian não é um álbum fácil, e confesso que em uma primeira audição, a chave não virou de imediato. Senti que existia muito mais naquelas 10 canções do que a minha sensação inicial, e decidi que não teria pressa com o mesmo. Vou dizer que foi a melhor escolha que fiz. Dessa vez Shagrath (vocal), Silenoz e Galder (guitarras), mais uma vez acompanhados de Gerlioz (teclado) e Daray (bateria), acertaram a mão em cheio quanto ao equilíbrio do lado Metal e o Sinfônico. Ao contrário de seu trabalho anterior, as guitarras soam pesadas e não ficam soterradas pelos arranjos orquestrais e corais. Você consegue focar suas atenções nos riffs, que em alguns casos sim, remetem ao passado Black Metal da banda, assim como nos demais instrumentos.

O álbum abre com “The Unveiling”, que possui em sua introdução os elementos industriais já conhecidos no trabalho da banda. Galder e Silenoz se saem muito bem nas guitarras, entregando bons riffs, que conseguem se destacar no meio de tanta coisa acontecendo. A participação do Schola Cantorum, mais uma vez responsáveis pelos corais, causam impacto quando surgem. A 1ª vez que escutei “Interdimensional Summit”, senti certa decepção, pois, a achei pomposa em demasia e com cara de sobra do Abrahadabra. Com o tempo essa percepção foi se alterando. Melódica, grudenta, versátil e com um refrão grandioso (responsabilidade dos corais), acabou se tornando uma das minhas faixas preferidas. “Ætheric” é o que podemos chamar de um Black 'n' Roll. Riffs frios e pegajosos, mudanças de tempo bem interessantes e corais simplesmente bombásticos a colocam em uma posição de destaque no álbum.

“Council Of Wolves And Snakes” se mostra densa e com bastante refinamento. As guitarras trazem bom peso, e elementos tribasi são adicionados, através da percussão, a cargo de Martin Lopez (Soen, ex-Opeth), e de vocais xâmanicos executados por Mikkel Gaup. Os teclados de Gerlioz também assumem uma posição de destaque e são responsáveis por algumas passagens bem atmosféricas e etéreas. “The Empyrean Phoenix” é o que podemos chamar de um jogo de luz e sombras. Possui aquela escuridão típica do Black Metal, com guitarras que nos entregam riffs sombrios e um tanto gélidos, mas, ao mesmo tempo, os corais e as partes sinfônicas iluminam a canção, dando até mesmo certo ar dramático à mesma. “Kings of Carnival Creation” encontra-se com “Mourning Palace”. Pode soar exagerado, mas essa é realmente uma boa definição para “Lightbringer”. Os teclados dão um ar atmosférico, as guitarras e a percussão te hipnotizam. Tem aquele ar malévolo do Dimmu Borgir antigo, mas adaptado para uma nova realidade sonora.


“I Am Sovereign” é certamente o momento mais Black de todo o álbum, já que várias passagens pendem para o estilo. Sim amigos, aqui você consegue ter vislumbres daquela faze noventista da banda. Épica, dramática e melancólica, possui algumas melodias orientais bem interessantes. Já “Archaic Correspondence” tem uma abordagem ligeiramente mais minimalista da coisa, com guitarras pesadas e bons desempenhos da bateria e do teclado. “Alpha Aeon Omega” me levou aos tempos de Death Cult Armageddon (03), e possui aquele ar grandioso típico de uma música como “Progenies Of The Great Apocalypse”. Aliás, desde Puritanical Euphoric Misanthropia (01), todo álbum do Dimmu possui uma música com essa pegada. O final se dá com a instrumental “Rite Of Passage”, bem melancólica e que passa uma sensação de vazio, de solidão, em que ouve.

Produzido pela própria banda, o álbum teve a coprodução do onipresente, onipotente e oniciente Jens Bogren, que também foi responsável pela mixagem. A masterização foi realizada por Tony Lindgren. O resultado é excelente, já que apesar de termos uma infinidade de coisas ocorrendo ao mesmo tempo, em nenhum momento a música fica confusa. A capa foi obra de Zbigniew M. Bielak (Ghost, Behemoth, Paradise Lost, Deicide), com layout sob a supervisão do brasileiro Marcelo Vasco e Shagrath. Durante a audição, é nítida a paixão de todos pela música que executam, e isso é certamente responsável por fazer desse um material divertido de se escutar. Mais épico e sinfônico do que tudo já feito agora, mas sem os exageros cometidos no passado, com corais e elementos orquestrais majestosos, ótimas melodias e guitarras que dão peso as composições, esse é simplesmente sua obra mais ambiciosa até então. Sem dúvida, seu melhor e mais sólido álbum dos últimos 15 anos.

NOTA: 86

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (vocal/teclado);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo).

Dimmu Borgir (gravação):
- Shagrath (vocal/teclado/baixo);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo);
- Daray (bateria);
- Gerlioz (teclado);
- Martin Lopez (percussão na faixa 4);
- Mikkel Gaup (vocl na faixa 4).

Homepage
Facebook
Instagram
YouTube
Twitter


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017) (DVD Duplo)


Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017) (DVD Duplo)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


DVD 1 e 2
01. Xibir (Orchestra)
02. Born Treacherous
03. Gateways
04. Dimmu Borgir (Orchestra)
05. Dimmu Borgir
06. Chess With The Abyss
07. Ritualist
08. A Jewel Traced Through Coal
09. Eradication Instincts Defined (Orchestra)
10. Vredesbyrd
11. Progenies Of The Great Apocalypse
12. The Serpentine Offering
13. Fear And Wonder(Orchestra)
14. Kings Of The Carnival Creation
15. Puritania
16. Mourning Palace
17. Perfection Or Vanity (Orchestra)

A história, todo fã do Dimmu Borgir conhece. Em maio de 2011, durante a turnê do álbum Abrahadabra (10), o grupo fez uma apresentação na capital de seu país, Oslo, no Spektrum, que foi cercada de aspectos diferenciados. A mesma contou com a participação da Orquestra da Rádio da Noruega e membros do coro Schola Cantorum, além de ter sido filmada e transmitida em forma de documentário pela rádio e TV governamental norueguesa, a NRK.

Na época, foi prometido que um DVD com a apresentação na íntegra seria lançado em 2012, mas tal fato não ocorreu. Aliás, se arrastou por tanto tempo que as cópias piratas desse show histórico surgiram para aplacar um pouco da ânsia dos fãs. A qualidade não era das melhores, mas era o que tínhamos em mãos. Mas eis que finalmente, em 2017, com alguns anos de atraso, Forces Of The Northern Night finalmente chegou de maneira oficial, em forma de CD (resenha aqui) e DVD.

Quando escutei o CD, fiz lá minhas ressalvas ao set list do mesmo (que é idêntico ao que temos aqui), já que praticamente ignora os anos 90 do grupo e se concentra pesadamente em Abrahadabra, um trabalho que passa longe do brilho da fase compreendida entre 1995 e 1999. Felizmente, o complemento do trabalho se dá com faixas dos álbuns Puritanical Euphoric Misanthropia (01) e Death Cult Armageddon (03), o que ajuda em muito a encorpar o trabalho como um todo. Mas ao mesmo tempo, enquanto fazia a audição, ficava imaginando a falta que fazia ter o DVD em mãos e assistir o show na prática. Sentia que tudo poderia me soar melhor.


O que temos em mãos é um DVD duplo, que além da mítica apresentação da Noruega, traz também a apresentação feita pelo Dimmu Borgir no Wacken de 2012, nos mesmos moldes da de Oslo, só que com a participação da Orquestra Sinfônica Nacional da República Tcheca. O set list é o mesmo, sem tirar nem pôr, com as apresentações se diferenciando apenas por detalhes de produção e de participação do público. Sendo assim, vamos focar mais no DVD 1, por se tratar da apresentação original. De cara, chama a atenção toda a produção que cercou o evento, com um palco com espaço de sobra para acomodar os 53 membros da Orquestra e os 30 membros do coral, além de claro, Shagrath (Vocal), Silenoz (Guitarra), Galder (Guitarra), Cyrus (Baixo), Daray (Bateria) e Gerlioz (Teclado).

Após a execução de “Xibir” por parte da Orquestra, o Dimmu Borgir surge com a sequência “Born Treacherous” e “Gateways”, deixando bem claro que, apesar de toda a parte sinfônica (simplesmente perfeita), estamos em um show de Metal, dado o peso que a banda imprime às canções. Ainda assim, é nítida a força que as canções ganharam, com uma atmosfera ainda mais grandiosa do que nas versões de estúdio, mas com a vantagem de não soarem pedantes. Após isso, um ataque duplo da faixa “Dimmu Borgir”, primeiramente executada apenas pela Orquestra e depois, já com o acompanhamento do sexteto. A sequência composta por “Chess With The Abyss”, “Ritualist” e “A Jewel Traced Through Coal” fecha a primeira metade do trabalho. Aqui também se encerram as canções de Abrahadabra.


Mais uma vez temos a orquestra sem a banda no palco, executando  “Eradication Instincts Defined”, para então o sexteto retornar com as ótimas “Vredesbyrd” e “Progenies Of The Great Apocalypse”, que soam simplesmente grandiosas (principalmente a segunda). Mesmo “The Serpentine Offering”, que não acho ser lá das músicas mais inspiradas da banda, soa muito legal aqui. Mais uma vez a banda se retira e a Orquestra executa “Fear And Wonder” (também encerram a apresentação com “Perfection Or Vanity”), instrumental que abre o Puritanical. O Dimmu Borgir então retorna e entrega a melhor sequência de todo o show, com as clássicas “Kings Of The Carnival Creation”, “Puritania” e a magnânima “Mourning Palace”, melhor canção da carreira da banda e que aqui encontrou sua versão definitiva.

No DVD 2 temos a apresentação da banda no Wacken de 2012, com o apoio da Orquestra Sinfônica Nacional da República Tcheca. Apesar do palco menor e de parte do show ter rolado ainda com a luz do dia, o que tirou uma pouco da força da produção, temos um público muito mais animado e participativo (não que não o fosse também no show de Oslo). De resto, em ambos os shows a banda está na ponta dos cascos, com seus músicos afiadíssimos, mesmo que o tecladista Gerlioz tenha ficado meio soterrado pela avalanche sonora da Orquestra. A produção é simplesmente primorosa, tanto no quesito imagem quanto som, mas nem poderíamos esperar menos de um trabalho que demorou anos para ficar pronto. Agora é esperar o dia 4 de maio para o lançamento de seu novo álbum, Eonian. Enquanto isso, aproveite sua cópia de Forces Of The Northern Night.

NOTA: 8,5

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (Vocal);
- Silenoz (Guitarra);
- Galder (Guitarra).
Músicos ao vivo:
- Cyrus (Baixo);
- Daray (Bateria) ;
- Gerlioz (Teclado);
- Agnete Kjølsrud (Vocal em “Gateways”).

Facebook
Twitter
YouTube
Instagram



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)


Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

 
01. Exquisite Torments Await
02. Heartbreak And Seance
03. Achingly Beautiful
04. Wester Vespertine
05. The Seductiveness Of Decay
06. Vengeful Spirit
07. You Will Know The Lion By His Claw
08. Death And The Maiden
09. The Night At Catafalque Manor (bônus)
10. Alison Hell (Annihilator Cover) (bônus)

Como é bom ver uma banda conseguir recuperar seu brilho. Nos anos 90, o Cradle of Filth lançou alguns trabalhos realmente clássicos, com maior destaque para os álbuns Dusk and Her Embrace (96) e Cruelty and the Beast (98) e o EP V Empire or Dark Faerytales in Phallustein (96), mas infelizmente a entrada no século XXI não foi das melhores, com trabalhos de qualidade discutível (Nymphetamine (04) e Thornography (06) passam longe dos seus anos de glória) e uma série de álbuns que entrariam naquela categoria “não fede e nem cheira”, já que soaram indiferentes para uma parcela de fãs de música pesada. Parte disso certamente pode ser colocado na conta das mudanças de formação ocorridas no período.

Hammer of the Witches (15) foi um trabalho que surpreendeu a muitos (inclusive a mim) pela sua força e grande qualidade, com o Cradle of Filth acertando a mão como não fazia desde o século passado. E nesse ponto, as entradas dos guitarristas Ashok e Rich Shaw e da tecladista e vocalista Lindsay Schoolcraft ajudaram demais, pois a química entre os novatos e Dani Filth (vocal), Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) parece ter sido realmente instantânea. Era como se tocassem juntos há muito mais tempo. E foi mantendo essa formação (algo que não ocorria há muito tempo no COF) que partiram para a gravação de Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay, seu 14º trabalho de estúdio (incluindo na conta o álbum de regravações, Midnight in the Labyrinth (12)).

Em Cryptoriana temos a prova que o álbum anterior não foi um simples golpe de sorte, já que o alto nível se mantém. Mesclando elementos de Black, Death e Heavy Tradicional, com as orquestrações e coros dando aquele ar gótico que marcou a banda nos anos 90, o Cradle of Filth conseguiu unir o antigo e o novo em sua sonoridade. Os vocais de Dani Filth continuam mostrando aquela versatilidade à qual nos acostumamos, enquanto a dupla de guitarristas formada por Ashok e Rich Shaw se mostra um verdadeiro achado, sendo responsáveis por alguns dos melhores riffs da história da banda, além de solos fantásticos. Na parte rítmica, Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) apresentam a competência de sempre, com coesão e peso, enquanto Lindsay Schoolcraft nos entrega ótimas melodias de teclado e intervenções precisas de seus vocais.


Após a sinistra introdução com “Exquisite Torments Await”, que dá o tom do que encontraremos pela frente, temos “Heartbreak And Seance”, pesada, com bons riffs e atmosfera gótica dada pelos belos coros. Já “Achingly Beautiful” possui elementos sinfônicos grandiosos e vai remeter o ouvinte direto aos tempos de Dusk and Her Embrace. Sem dúvida uma das melhores de todo o álbum. A melancólica e melódica “Wester Vespertine” traz os primeiros elementos mais evidentes de NWOBHM, que acabam escancarados de vez em “The Seductiveness Of Decay”, graças à dupla Ashok/Shaw (a influência de Maiden fica muito evidente). “Vengeful Spirit”, além dos bons riffs, tem boa participação de Liv Kristine. Na sequência final, temos as pesadas "You Will Know The Lion By His Claw”, cativante e com refrão forte e “Death And The Maiden”. Na versão nacional, mais duas bônus, que fazem valer a pena a aquisição: a excelente “The Night At Catafalque Manor”, que poderia estar tranquilamente no clássico Cruelty and the Beast, e uma ótima versão para “Alison Hell”, do Annihilator.

Mantendo a dobradinha dos últimos trabalhos, mais uma vez trabalharam com Scott Atkins, que aqui ficou responsável pela gravação, produção, mixagem e masterização. Claro, audível e pesado. Quanto à parte gráfica, assim como em Hammer of the Witches, a belíssima capa foi feita por Arthur Berzinsh, com o layout do encarte tendo sido obra de Dan Goldsworthy (Devilment, Alestorm, Gloryhammer). Belíssimo por sinal. Mostrando que está vivendo uma de suas melhores fases, o Cradle of Filth acerta em cheio com Cryptoriana, provando que, ao contrário do que pareceu por um tempo, não perdeu a mão para boa música.

NOTA: 8,5

Cradle of Filth é:
- Dani Filth (vocal);
- Ashok (guitarra);
- Richard Shaw (guitarra);
- Daniel Firth (baixo);
- Marthus (bateria);
- Lindsay Schoolcraft (vocal/teclado).

Homepage
Facebook
Twitter
Instagram
YouTube



segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Black Metal de 2017

Melhores álbuns de Black Metal de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. Patria - Magna Adversia
(Heavy Metal Rock - Nacional)


02. Ne Obliviscaris - Urn
(Season of Mist - Importado)


03. Myrkur - Mareridt
(Relapse Records - Importado)


04. Dodecahedron - Kwintessens
(Season of Mist - Importado)


05. Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten
(Season of Mist - Importado)


06. Miasthenia - Antípodas
(Mutilation Productions - Nacional)


07. The Ruins of Beverast - Exuvia
(Ván Records - Importado)


08. Wolves in the Throne Room - Thrice Woven
(Artemisia Records - Importado)


09. Akercocke - Renaissance in Extremis
(Peaceville Records - Importado)


10. Cradle Of Filth - Cryptoriana-The Seductiveness Of Decay
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


Quase chegaram

- Nokturnal Mortum – Істина
(Oriana Music - Importado)


- Ulvegr - Titahion: Kaos Manifest
(Ashen Dominion - Importado)


- Le Chant Noir - Ars Arcanvm Vodvm
(Heavy Metal Rock - Nacional)


- Neige Et Noirceur - Verglapolis
(Dusktone - Importado)


- Limbonic Art - Spectre Abysm
(Candlelight Records - Importado)

 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Patria - Magna Adversia (2017)


Patria - Magna Adversia (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Infidels
02. Axis
03. Heartless
04. A Two-Way Path
05. Communion
06. Now I Bleed
07. Arsonist
08. The Oath
09. Porcelain Idols
10. Magna Adversia

Não nego, quando soube que o Patria estava para lançar um novo álbum, fiquei ansioso pelo mesmo. Vindo de uma ótima sequência, com Liturgia Haeresis (11), Nihil Est Monastica (13) e Individualism (14), ficava cada vez mais nítido que o grupo, formado por Mantus (Mysteriis, Darkest Hate Warfront), responsável pela guitarra, baixo e bateria, e o vocalista Triumphsword (Land of Fog, Thorns of Evil, Cold Mist) seguia a passos largos rumo ao seu auge criativo. Bem, não podemos dizer que já o tenham alcançado, mas se isso não ocorreu, imagino que estejam muito perto depois de Magna Adversia, seu 6º trabalho de estúdio.

A palavra evolução sempre assusta quando utilizada dentro do contexto do Metal, e mais ainda quando falamos de Black Metal, mas não soa exagerada se a inserirmos dentro dessa resenha. Mas calma, o Patria não aderiu às correntes mais modernas do estilo, pois sua música continua umbilicalmente ligada à segunda geração do Black Metal. Contudo, ao terminar a audição de Magna Adversia, é inevitável a sensação de que a banda evoluiu em muito dentro de sua proposta, mostrando que é possível sim, soar atual mesmo sendo tradicional.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi a forma como conseguiram equilibrar precisão, brutalidade e melodia, já que esta se faz presente em meio à rispidez e à agressividade das músicas. Muito disso se dá devido ao belo trabalho das guitarras e aos teclados que, encaixados de forma discreta, conseguem dar um discreto ar sinfônico às canções. Mas friso desde já que, quando falo de melodia e elementos sinfônicos, o paralelo a ser traçado aqui é com nomes como Dissection, Emperor, Limbonic Art ou Enslaved, e não com um Dimmu Borgir, um Cradle of Filth ou um Carach Angren. Como já falei acima, são atuais, sendo tradicionais.

Tudo aqui está um nível acima. Os vocais de Triumphsword soam melhores que nunca, mais variados que nos trabalhos anteriores. As canções também estão mais bem-arranjadas, mais trabalhadas, sendo perceptível o maior esmero nas composições. O nível das mesmas aqui é elevado. As orquestrações, quando surgem, têm a função de criar um clima soturno, épico, mas sem qualquer tipo de excesso, o que é muito positivo. Já o trabalho das guitarras é simplesmente fenomenal, despejando alguns riffs frios e marcantes, daqueles que ficam grudados na cabeça por horas. A bateria é um caso à parte e está fenomenal, tendo ficado por conta de Asgeir Mickelson, que já tocou com nomes do porte do Borknagar, Ihsahn, Sarke, Vintersorg (em estúdio) e atualmente comanda o projeto God of Atheists, ao lado de nomes como ICS Vortex, Vibeke Stene e Ihsahn, dentre outros.


A abertura, com “Infidels”, já deixa claro que o Patria não está para brincadeiras. Partes velozes se alternam com outras mais cadenciadas, muita energia, riffs cortantes e sintetizadores dando um clima sinfônico, mostram o passo à frente dado pela banda. A sequência, com a ótima “Axis” mantém o nível lá no alto, com um clima mais sombrio, boas melodias e riffs marcantes, fórmula bem parecida com a que encontramos em “Heartless”. “A Two-Way Path” soa bem intensa, com riffs fortes e bateria bombástica, enquanto “Communion” começa com uma bela introdução acústica, antes de explodir em peso e boas melodias. “Now I Bleed” conta com uma belíssima introdução orquestrada, composta por Fabiano Penna, do Rebaelliun, e é uma das melhores músicas de todo o álbum, com sua intensidade e violência. Já “Arsonist” é aquele Black Metal tipicamente escandinavo, que vai te transportar de volta aos anos 90, algo que se repete mais à frente, na ótima “Porcelain Idols”, uma das mais brutas e enérgicas aqui presentes. “The Oath” tem início com uma curta introdução sinfônica e possui alguns dos riffs mais frios e cortantes de todo o trabalho. Simplesmente épica. A faixa-título encerra o trabalho de forma surpreendente, com sua mescla de partes acústicas, sinfônicas e climáticas.

A produção foi realizada pela própria banda, com co-produção, mixagem e masterização realizadas no Crosound Studio (Garnes/Noruega), por ninguém menos que Øystein G. Brun, do Borknagar. O resultado final ficou incrível e muito equilibrado, já que apesar de ter deixado tudo limpo e claro, com uma cara atual, não abriu mão da agressividade, do peso e da rispidez. Uma das melhores produções de Black Metal que escutei neste ano. Já a belíssima parte gráfica ficou por conta do próprio Mantus (ou, se preferir, Marcelo Vasco), repetindo os tons utilizados em Liturgia Haeresis, e ficou ainda mais incrível no digipack caprichado feito pela Heavy Metal Rock.

Magna Adversia é, sem dúvida alguma, um divisor de águas na carreira do Patria. Mostrando que é possível, sim, evoluir sem perder suas características próprias, e moldando uma personalidade sem precisar abrir mãos de suas referências e influências, conseguiram lançar um dos principais álbuns de Black Metal deste ano de 2017. Obrigatório!

NOTA: 9,0

Patria é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra, baixo, bateria).

Participações Especiais:
- Fabiano Penna (orquestrações nas faixas 06 e 10);
- Ristow (guitarra na faixa 10);
- Øystein G. Brun (bateria e programação na faixa 10).

Patria ao vivo é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra);
- Ristow (guitarra);
- Vulkan (baixo);
- Abyssius (bateria).

Facebook
Merchandise (Mundo)
Merchandise (Brasil)
Twitter
Instagram
YouTube
Heavy Metal Rock


terça-feira, 18 de julho de 2017

Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)


Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer, My Dark Desires Records, Extreme Sound, Tolkiean Records, Haeretikus Productions - Nacional)


01. From the Dark Hills of the Past (intro)
02. Night and Mysteries
03. A Funeral Frost
04. Triumph of Cruelty
05. Manuscripts From Beyond
06. Deadly Mist
07. Emotions of a Full Terror
08. Old Domains
09. Fullmoon Tragedies

Em sua gênese, o Black Metal era hostil, fosse pelas letras atacando o cristianismo, fosse por sua crueza e agressividade, advindas das guitarras distorcidas, dos blast beats e dos vocais doentios. Quanto mais inacessível, quanto mais bruto e ofensivo, melhor. Mas a partir da 3ª geração do estilo, em meados dos anos 90, as coisas começaram a mudar, e tudo foi se tornando mais palatável ao gosto do “grande público”. O Black se dividiu em diversos sub-estilos, se diversificou e sim, deixou de chocar. Bandas como Dimmu Borgir, Emperor e Cradle Of Filth passaram a figurar no 1º escalão do Heavy Metal, ajudando ainda mais na aceitação e popularização do estilo.

Não me levem a mal, aprecio de verdade o atual cenário do Black Metal, com todas as suas ramificações e bandas tão diversas como Fen, Deafheaven, Altar of Plagues, Carach Angren, Saor ou Negura Bunget, mas em certos momentos, é inevitável aquele saudosismo. Nessas horas, é bom ter uma banda como a gaúcha Cold Mist por perto, com seu Black Metal calcado naquela geração nórdica, que até agrega elementos sinfônicos através dos teclados muito bem encaixados, mas que não abre mão da crueza e brutalidade tão necessárias em uma música que sim, surgiu para agredir a sociedade.

Formado por 2 dos principais nomes do cenário Black brasileiro, o vocalista e baterista Triumphsword (Patria, Land Of Fog, Thorns of Evil) e o guitarrista e baixista Bloodhate (Thorns of Evil, Hatred Sculpted Souls), e ainda contando com a luxuosa participação de Mantus (Patria, Darkest Hate Warfront, Mysteriis), que faz as guitarras adicionais do álbum, o Cold Mist estreia muito bem, nos presenteando com aquele Black Metal ríspido, cru, simples e direto, que vai remeter o ouvinte diretamente a nomes clássicos do estilo, como Emperor, Satyricon, Limbonic Art, Immortal, Taake e Darkthrone.

Os vocais de Triumphsword transitam muito bem entre o rasgado e o gutural, enquanto sua bateria soa simplesmente monstruosa. Bloodhate não fica nada atrás, se destacando pelos riffs afiadíssimos e cortantes, que soam frios, obscuros e sombrios como devem ser os riffs em um álbum de Black Metal que opta por seguir tal linha. Vale destacar que os teclados, tocados aqui por Bartzabel, conseguem dar não só um certo ar sinfônico, como também passar um clima bem soturno, estando sempre muito bem encaixado nas canções. Claro que boas melodias surgem aqui e ali, mas nada que faça a música do Cold Mist perder a sua rispidez. 


São 9 canções, sendo que 3 são instrumentais. “From the Dark Hills of the Past” serve de introdução para o álbum, “Manuscripts From Beyond” surge como um interlúdio bem-vindo em meio ao massacre e “Fullmoon Tragedies”, que conclui o trabalho. As 6 faixas restantes são verdadeiros hinos de pura hostilidade. “Night and Mysteries” é ríspida e crua, soando brilhante dentro de sua simplicidade, enquanto “A Funeral Frost” soa sombria e gélida, com um belo trabalho dos teclados. A bruta “Triumph of Cruelty” se destaca pelo alto nível de agressividade e pela mescla de velocidade com momentos mais cadenciados e sombrios, característica também presente na ríspida “Deadly Mist”. “Emotions of a Full Terror” é a mais “melodiosa” das faixas aqui presentes, com ótimos teclados e um clima que vai imergir o ouvinte em trevas. Já “Old Domains” esbanja agressividade e bons riffs.

Produzido pela própria banda, From the Dark Hills of the Past foi gravado, mixado e masterizado no Mantra Studio (Carlos Barbosa/RS), por Leandro Debenetti, no ano de 2010, e segue aquela linha mais Lo-fi, soando crua e se encaixando perfeitamente dentro da proposta sonora que aqui escutamos. Mas há de se frisar que está tudo 100% audível. Já o layout foi todo feito por Mantus (ou Marcelo Vasco, se você preferir) e ficou excelente, com o logo sendo criação de Maicon Ristow (que toca guitarra ao vivo com o Patria). Se você sente falta daquele Black Metal veloz, ríspido, simples e agressivo, eis aqui um trabalho mais do que imperdível para você. Corra atrás, porque vai valer muito a pena ter essa obra em sua coleção.

NOTA: 8,0

Cold Mist é:
-  Triumphsword (vocal/bateria);
-  Bloodhate (guitarra/baixo);
-  Bartzabel (teclado).

Participação especial:
- Mantus (guitarra).

Facebook


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten (2017)


Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten (2017)
(Seasons of Mist - Importado)


01. Opening
02. Charlie
03. Blood Queen
04. Charles Francis Coghlan
05. Song for the Dead
06. In De Naam Van De Duivel
07. Pitch Black Box
08. The Possession Process
09. Three Times Thunder Strikes


Surgido no ano de 2003, na Holanda, o trio Carach Angren se notabilizou desde o início por apostar em um Black Sinfônico que o aproximava de nomes como Anorexia Nervosa (principalmente) e Dimmu Borgir, mas com a particularidade de ter suas letras voltadas para histórias de terror. Lammendam (08) é um dos melhores álbuns de estreia da primeira década dos anos 2000, e os trabalhos que vieram em sequência, Death Came Through a Phantom Ship (10), Where the Corpses Sink Forever (12) e o primoroso This Is No Fairytale (15), não só colocaram o nome dos holandeses entre os principais do estilo, como levaram seu tecladista e responsável pelas partes orquestrais a trabalhar com nomes de peso como Pain, Lindemann e Ex Deo. Com um momento tão positivo como esse, nada melhor do capitalizá-lo com um novo álbum.

E eis que o Carach Angren nos presenteia com Dance And Laugh Amongst The Rotten, seu 5º trabalho de estúdio. Mais uma vez, temos de fundo uma história de terror, centrada em uma menina, que está a jogar com um tabuleiro de Ouija na sala de sua casa, quando se depara com um espírito do mal chamado Charlie. Assustada, corre deixando o tabuleiro para trás, mas este permanece aberto para o mundo espiritual. Dai para frente, o que vemos é um desfile de fantasmas que passam  pela sala contando suas histórias, para o deleite de nós ouvintes.




Musicalmente, esse é seu trabalho mais abrangente, teatral e refinado. Além do já tradicional Black Sinfônico que lhe é característico, é possível observarmos elementos de estilos como Thrash e Heavy nas canções aqui presentes. As composições se mostram muito mais maduras, melhor trabalhadas e com uma riqueza imensa de detalhes. Os vocais de Seregor se mostram muito firmes e também mais teatrais, sendo seu melhor trabalho nesse sentido. Os backing vocals, a cargo de Ardek, também ajudam demais nesse sentido. Seregor também é o responsável pela guitarra, onde conta mais uma vez com o apoio de Patrick Damiani (também responsável pela gravação do baixo), com ótimos resultados. Temos aqui riffs fortes e marcantes, além de ótimas melodias. A bateria de Namtar, como sempre, soa implacável e se mostra imprescindível para o ótimo resultado que aqui observamos. E quanto a Ardek, brilha tanto nos teclados quanto nas orquestrações. Aliás, a cada trabalho que passa, elas vão ficando mais e mais cinematográficas, grandiosas. Vale destacar que as partes de violino, como de praxe em todos os álbuns, foram executadas por Nikos Mavridis, que toca ao vivo com a banda.

A introdução se dá com a belíssima instrumental “Opening”, que começa guiada por um piano e vai crescendo aos poucos, à medida que as demais orquestrações vão surgindo. Sombria, remete a trilhas de filmes e consegue te inserir com perfeição dentro do clima de terror da história. Sua transição para a segunda música, “Charlie”, é simplesmente perfeita. Nesta, somos introduzidos na história, tendo ao fundo uma música pesadíssima, assombrosa e com ótimos coros e partes sinfônicas. Os vocais de Seregor soam simplesmente malignos em alguns momentos. É uma das músicas que mais escutei nos últimos dias. A sequência se dá com a agressiva e dinâmica “Blood Queen”, que trata de uma das versões da lenda de Bloody Mary, que no caso aqui seria a Rainha Maria I da Inglaterra. Responsável por uma intensa perseguição religiosa aos protestantes, acabou morrendo sem ter o filho que tanto sonhava, já que era infértil. Os vocais dramáticos e os ótimos coros chamam a atenção de cara em “Charles Francis Coghlan”, nosso próximo fantasma. O sujeito em questão foi um famoso ator anglo-irlandês, que viveu entre 1842 e 1899. Ao falecer na cidade de Galveston, no Texas, teve seu corpo guardado por meses na cidade, enquanto a família decidia que procedimento adotar (enterro ou cremação). Mas em 1900, ocorreu o Grande Furacão de Galveston, que até hoje é a maior tragédia natural da história dos Estados Unidos. Seu caixão acabou arrastado para o mar, desaparecendo. Existem algumas histórias de que o mesmo teria sido encontrado, uma delas, que ele teria ido parar a milhares de quilômetros de distância, em sua casa em uma ilha no Canadá, mas nada realmente comprovado. Musicalmente falando, temos guitarras que soam realmente brutas, um ótimo trabalho de teclado e passagens primorosas de violino.

“Song for the Dead” parece ter sido escolhida de forma estratégica para dividir o trabalho. Com um tema mórbido (um cara que não só usa a roupa dos mortos, como mantêm seus corpos e dança com os mesmos), é uma canção até um tanto simplória, perto de todas as demais, mas reforça bem o clima teatral do trabalho, graças aos ótimos vocais e ao refrão que, mesmo que você não queira, cantará junto antes que a música termine. A segunda metade tem início com “In De Naam Van De Duivel”, canção que pende um pouco mais para o Black Metal mais clássico e que insere a figura do Diabo na história. E definitivamente, tem um clima diabólico, que casa perfeitamente com a história baseada no folclore da província de Limburgo (Holanda), onde o diabo envia uma bruxa com a tarefa de separar um casal. Ao final, o marido é levado a acreditar erroneamente que sua esposa quer assassiná-lo e acaba matando-a antes. “Pitch Black Box” dá sequência ao álbum, apresentando aquela que é a sonoridade mais moderna de guitarra aqui presente. Ainda assim, com sua levada mais cadenciada e ótimas orquestrações, acaba por soar realmente maligna. Liricamente, introduz um elemento de suma importância no futuro da história, uma caixa preta que não deve ser aberta de forma alguma.




“The Possession Process” possui ótimas melodias e orquestrações, e por ter uma pegada mais Death Metal, pode remeter alguns ouvintes aos gregos do Septicflesh. Contudo, ela ainda tem aquele ar marcante que só o Carach Angren consegue imprimir em uma música. Liricamente, e preste bem atenção nesse detalhe quando escutá-la, descreve o processo de possessão de uma pessoa por um espírito demoníaco. Aqui, vamos observando a pessoa perdendo o controle de forma gradual, até estar totalmente dominada. Para fechar com chave de ouro, temos a excelente “Three Times Thunder Strikes”, canção rápida, fenomenal e com orquestrações simplesmente épicas e grandiosas. Aqui somos transportados novamente à cena inicial do álbum e descobrimos que, na verdade, a menina havia aberto a caixa um mês antes e libertado Charlie, sendo possuída pelo mesmo; e que ele já estava lá desde o início do álbum, nos trazendo todas essas histórias. Com a última frase, “Did you open the box before hearing this song?”, podemos entender que, desde o início, fizemos parte de toda a história. Vale dizer que na versão boxset (que vem em uma caixa-preta… entendem a ironia?), ainda temos uma maravilhosa versão orquestral de “Charles Francis Coghlan”, que lamentavelmente não ter entrou na versão padrão.

Gravado no famoso Studio Abyss (Suécia), Dance And Laugh Amongst The Rotten teve a mesma equipe que cuidou de This Is No Fairytale, ou seja, mixagem feita por Peter Tägtgren (que convenhamos, dispensa apresentações) e masterização realizada por Jonas Kjellgren (Amorphis, Overkill, Dark Funeral, Immortal, Hypocrisy, Sabaton). O resultado final é primoroso, e mesmo com uma música tão rica em detalhes, conseguimos captar cada um deles. A capa ficou por conta de Costin Chioreanu (Arch Enemy, Darkthrone, At The Gates, Enslaved, Draconian), se encaixando perfeitamente dentro de todo o contexto.

Soando mais refinado e diversificado do que no passado, não dá para dizer que o resultado final aqui supera o de This Is No Fairytale, mas convenhamos, essa seria uma tarefa para lá de ingrata. Ainda assim, a música do Carach Angren é tão grandiosa e possui tanta qualidade, que dificilmente Dance And Laugh Amongst The Rotten deixará de estar entre os melhores álbuns de2017. Faça o que precisar, mas tenha esse álbum em sua coleção.

NOTA: 9,0

Carach Angren é:
- Seregor (vocal/guitarra);
- Namtar (bateria);
- Ardek (teclado/piano/orquestrações).

Homepage
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017)


Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


CD1
1. Xibir (Orchestra)
2. Born Treacherous
3. Gateways
4. Dimmu Borgir (Orchestra)
5. Dimmu Borgir
6. Chess With The Abyss
7. Ritualist
8. A Jewel Traced Through Coal
9. Eradication Instincts Defined (Orchestra)

CD2
1. Vredesbyrd
2. Progenies Of The Great Apocalypse
3. The Serpentine Offering
4. Fear And Wonder (Orchestra)
5. Kings Of The Carnival Creation
6. Puritania
7. Mourning Palace
8. Perfection Or Vanity (Orchestra)

Dia 28 de maio de 2011, Oslo, capital da Noruega. No Spektrum, o Dimmu Borgir executou mais um show da turnê de seu 9º álbum de estúdio, o controverso Abrahadabra (10). Mas essa não foi só mais uma apresentação. Acompanhando o trio principal da banda (o vocalista Shagrath e os guitarristas Silenoz e Galder), além de Cyrus (baixo), Daray (bateria) e Gerlioz (teclados), que tocavam ao vivo com a mesma, tivemos a participação mais que especial de 53 membros da Orquestra da Rádio da Noruega e 30 membros do coro Schola Cantorum, além da vocalista Agnete Kjølsrud em uma das canções.

Para tornar tudo ainda mais diferenciado, a apresentação foi filmada e transmitida em forma de documentário pela rádio e TV governamental norueguesa, a NRK. Um DVD com a mesma foi prometido pela banda, mas com a demora na época, versões piratas e de qualidade discutível do show começaram a surgir no mercado, tornando o material oficial extremamente desejado pelos fãs. E eis que, após 6 longos anos de espera, finalmente Forces Of The Northern Night deixa de ser um mito para se tornar uma realidade.

De cara, o ouvinte pode torcer um pouco o nariz para o setlist apresentado. Nada menos que 8 das 17 músicas aqui presentes saíram de Abrahadabra. Natural, já que o Dimmu Borgir estava divulgando o mesmo. Mas das 9 restantes, apenas “Mourning Palace” é do período referente aos anos 90, que para muitos fãs é o que concentra os melhores trabalhos e maior quantidade de clássicos. Felizmente, praticamente ignoraram In Sorti Diaboli (07), se concentrando principalmente no ótimo Puritanical Euphoric Misanthropia (01) e no bom Death Cult Armageddon (03).

Obstante essa ressalva no setlist, é inegável a força da apresentação. Se o colocarmos então lado a lado com os trabalhos de estúdio da banda a partir de 2003, ele adquire ainda mais força. O desempenho da Orquestra e do Coral beira o sublime, tamanha a perfeição. Não só tornam tudo grandioso ao extremo, como em muitos momentos conseguem dar um ar mais sinistro às canções aqui presentes. Ainda assim, vale dizer que em momento algum suplantam as guitarras de Silenoz e Galder, que imprimem muito peso à apresentação, lembrando que sim, estamos diante de um show de Metal. Vale destacar também o desempenho de Shagrath, superior ao que vinha apresentando nos trabalhos de estúdio da banda até então. Quanto aos demais músicos, Cyrus (baixo/Susperia) e Daray (bateria/ex-Vader) formam uma parte rítmica excelente, mas com uma orquestra e um coral tocando, o tecladista Gerlioz (ex-God Seed, ex The Kovenant) ficou meio deslocado na maior parte do tempo.


O CD1 se concentra principalmente nas músicas do Abrahadabra. Aqui, os destaques maiores vão para as ótimas “Gateways”, que conta com participação da vocalista Agnete Kjølsrud, “Dimmu Borgir”, essa tanto na belíssima versão orquestrada quanto na versão metálica e “Chess With The Abyss”. Já o CD2 se mostra superior, até por contar com um repertório superior em qualidade. Músicas como “Vredesbyrd”, a fantástica “Progenies Of The Great Apocalypse” e principalmente, as mais que clássicas “Kings Of The Carnival Creation” e “Mourning Palace” ficaram ainda mais grandiosas com orquestra e coral. E mesmo as demais, como “The Serpentine Offering” e “Puritania”, mantêm o nível de grandiosidade e qualidade lá no alto.

A produção não poderia ser menos do que primorosa, ainda mais para um trabalho que demorou 6 anos para ficar pronto. Você consegue perceber cada mínimo detalhe das canções e não soa como exagero algum dizer que a mesma conseguiu captar a essência do Symphonic Black Metal praticado pelo Dimmu Borgir nos dias de hoje. No fim, um trabalho mais que indicado para os fãs da banda, que finalmente podem aposentar as gravações piratas de Forces Of The Northern Night enquanto aguardam o novo trabalho de estúdio do trio, prometido para o final desse ano de 2017 (mas não se empolguem, Forces era para ter saído em 2012).

NOTA: 8,0

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (vocal);
- Silenoz (guitarra);
- Galder (guitarra).

Facebook
Twitter
YouTube
Instagram (Silenoz)
Instagram (Shagrath)


terça-feira, 5 de maio de 2015

Sympherium - Philosophy of Symmetry (2015)




Sympherium - Philosophy of Symmetry (2015)
(Independente – Nacional)

01. In Symmetria Entrare
02. The Name Above The Ancient Scriptures
03. Let My New World Be Born
04. The Orphan's Cry
05. Stairway To The Palace of Light
06. The Last Civilization
07. Emptiness And Asymmetry
08. Total Order Philosophy

Na segunda metade dos anos 90, o Black Metal Melódico ganhou força na cena, principalmente através do trabalho de duas bandas, Dimmu Borgir e Cradle Of Filth. Ganhou muitos admiradores, mas também um grande número de detratores, que passaram a chamar essas bandas de modinha e alegar que tal estilo não era Black Metal. Fico me perguntando o que essas pessoas pensam do cenário multifacetado que tomou conta do estilo hoje. Devem ter vontade de arrancar as calças pela cabeça. O tempo passou, as bandas do estilo foram buscando novas alternativas para sua música e muitas foram enveredando para o lado do Metal Sinfônico, vide os últimos trabalhos do DB ou mesmo essa geração mais nova, representada principalmente pelo holandês Carach Angren. Isso acabou por gerar um novo sub-estilo, rotulado por alguns como Symphonic Black Metal e por outros como Symphonic Extreme Metal.

Pois bem, o sexteto paraibano Sympherium se envereda justamente por esses caminhos, mesclando com uma surpreendente qualidade, se levarmos em conta que a banda surgiu apenas em 2011, elementos de Black, Death e arranjos sinfônicos de inegável qualidade. Mas não pense você, prezado leitor, que a musica aqui apresentada carece de agressividade, pois é justamente o contrário. A brutalidade se faz presente através de guitarras distorcidas e velozes, blast beats, vocais guturais/rasgados (também se utilizaram do artifício de vocais limpos em alguns momentos) e tudo aquilo que um fã de Black pode esperar de um trabalho do estilo. As estruturas musicais presentes são muito bem elaboradas os elementos sinfônicos e orquestrais são utilizados de forma perfeita e equilibrada, dando um ar atmosférico, grandioso e épico à música do Sympherium. Por sinal, nunca havia escutando uma banda nacional que utilizasse tão bem tais elementos como aqui e sinceramente, não vi nada que os deixe atrás de muita banda gringa do estilo que nego para pau por ai, como por exemplo, Fleshgod Apocalypse e Septicflesh, que também se utilizam de passagens clássicas em seu trabalho. Destacar músicas aqui é um trabalho árduo, mas sugiro que o ouvinte comece a audição por “The Name Above The Ancient Scriptures”, faixa que talvez condense todas as melhores características do Sympherium. Indicaria também “Let My New World Be Born”, “Stairway To The Palace of Light” e “The Last Civilization”. Ainda sim, nenhuma das demais faixas não citadas soa deslocada ou desnecessária, pois estão tranquilamente no mesmo nível de qualidade das que falei logo acima.

A produção ficou a cargo de Victor Hugo Targino (Soturnus, Necrohunter, Metacrose, Dissidium, dentre outras) e possui um nível muito bom de qualidade. Já a capa é obra do vocalista Ady França e também chama atenção já de cara. Gosta de bandas como os já citados Dimmu Borgir, Cradle Of Filth e Carach Angren, ou Anorexia Nervosa, Limbonic Art e outras nessa linha? Pois bem, se essa é sua praia você possui a obrigação moral de conhecer Philosophy of Symmetry (que está disponível no Bandcamp da banda, ou seja, você não tem desculpa para não ouvi-lo). E ai fico aqui me perguntando: se na estréia já fizeram esse estrago todo, imagina o que não vão fazer nos próximos trabalhos. Anote esse nome, Sympherium, porque esses caras têm potencial para voar muito alto. É o underground nacional esfregando na cara dos seus detratores que não fica nada a dever a cena gringa.

NOTA: 9,0