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terça-feira, 9 de abril de 2019

Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)


Magnética – Homo sapiens brasiliensis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Inflamáveis
02. Super Aquecendo
03. Homo Sapiens Brasiliensis
04. Céu de Abril
05. Descãonhecido
06. Crianças – certa melancolia e introspecção
07. Interstellar
08. Os Magnéticos
09. Natural
10. Minha Hora

O Brasil sempre teve ótimos nomes quando falamos de Rock, incluindo aí suas vertentes mais comerciais. Nos anos 70, tivemos artistas como Mutantes, Joelho de Porco, Raul Seixas, O Terço e Secos & Molhados; nos 80, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Camisa de Vênus e Plebe Rude; nos 90, Planet Hemp, Pato Fu, O Rappa, Detonautas, Chico Science e Nação Zumbi e Charlie Brown Jr.; e mesmo no início da década de 2000, bandas como CPM 22, Cachorro Grande e Pitty ocuparam um bom espaço nas mídias de massa. O problema é que de meados da década passada em diante, o estilo foi perdendo espaço de forma progressiva nas rádios e em programas de TV, passando a impressão que nada mais surgia no cenário.

Entretanto, quem acompanha com mais atenção, não se fechando em nichos, sabe que o problema nunca foi esse. Ótimas bandas continuaram surgindo durante todo o período, mas por uma série de fatores, que vão desde a dificuldade inicial de se adaptar a uma nova realidade, onde a internet passou a ter papel central na distribuição e consumo de música, até ao saudosismo e conservadorismo do público, que se recusa a aceitar o que é novo, se prendendo apenas ao passado, criou-se o “Mito da Crise Criativa” do Rock Nacional. Scalene, Far From Alaska, Supercombo, Ego Kill Talent, Francisco El Hombre, Selvagens a Procura de Lei, Vivendo do Ócio, Vanguart, Vespas Mandarinas, Boogarins, são alguns dos nomes que jogam por terra essa falácia.

Formada na cidade de Bebedouro/SP, no ano de 2012, a Magnética é mais uma banda que pode ser incluída entre os nomes citados acima. Tendo em sua formação Elvio Trevisone (vocal), Rafael Musa (guitarra), Kelson Palharini (guitarra), Anderson Pavan (baixo) e Marcos Ribeiro (bateria), apostam em uma sonoridade que une elementos de diversas fases do Rock, indo do Classic Rock setentista até o Grunge/Alternativo dos anos 90, passando pela geração oitentista do Rock brasileiro. É uma música simples, honesta, muito bem tocada, que consegue equilibrar muito bem o lado pesado com o mais comercial, e principalmente, grudenta como poucas que escutei nos últimos anos. Tem refrões aqui que são forjados na base da supercola, já que ficam na sua cabeça por dias.


A abertura se dá com “Inflamáveis”, uma canção pesada, com dose razoável de agressividade e que deixa clara a influência do Grunge; “Super Aquecendo” tem uma pegada setentista, toques de Blues e ótimas melodias; “Homo Sapiens Brasiliensis” se destaca pelo tom crítico e pelo trabalho das guitarras; “Céu de Abril” é a mais acessível de todo o álbum, e possui não só boas melodias, como um refrão que fica marcado na cabeça; e “Descãonhecido” é uma bonita balada voltada para a causa animal. A segunda metade do álbum abre com a melancólica “Crianças”, sendo seguida pela boa “Interstellar”. “Os Magnéticos” se destaca pelo trabalho das guitarras; “Natural” se mostra pesada; “Minha Hora” encerra com riffs mais arrastados, peso, e muito de Grunge.

A produção, masterização e mixagem foram realizadas por Romulo Ramazini Felicio, e o resultado ficou acima da média. Tudo claro, audível, mas ainda sim, pesado. A parte gráfica ficou a cargo de Pablo Gomes Nicolela, e também se destaca por ser muito bem-feita. Estreando com o pé direito e mostrando possuir talento de sobra, a Magnética se mostra uma banda acima da média, e que possui todos os requisitos para firmar seu nome entre os principais nomes da cena nacional. Cabe dizer que após o lançamento, passaram por mudanças de formação, com o quinteto se tornando um trio após as saídas do vocalista Elvio Trevisone e do guitarrista Kelson Palharini, e que estão finalizando um EP para muito em breve.

NOTA: 83

Magnética (gravação):
- Elvio Trevisone (vocal);
- Rafael Musa (guitarra);
- Kelson Palharini (guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

Magnética é:
- Rafael Musa (vocal/guitarra);
- Anderson Pavan (baixo);
- Marcos Ribeiro (bateria).

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mickey Junkies - Since You’ve Been Gone (2016)


Mickey Junkies - Since You’ve Been Gone (2016)
(Sinigami Records - Nacional)


01. Nothing to Say
02. Something About Destruction
03. Since You’ve Been Gone
04. Use Me (to Move On)
05. Stoned
06. Tryin’ to Resist
07. Sweet Flower
08. Big Bad Wolves
09. Alguma Coisa
10. A Tired Vampire

O legal de se escutar Rock/Metal há quase 3 décadas e de não ter sido, na maior parte do tempo, um radical de cabeça fechada, é que acabei escutando de tudo um pouco do que passou pela cena nos últimos 28 anos. Me lembro que em idos de 93/94, já morava no interior de Minas e nem sempre tinha acesso a informações, então qualquer revista do estilo que aparecesse por aqui, eu comprava sem titubear. Em uma dessas, peguei uma edição da Dynamite, na qual tinha a cobertura do Festival “Juntatribo”, que havia ocorrido em Campinas/SP e reuniu o que podemos chamar de “a nata” do Rock Alternativo brasileiro de meados da década de 90 (foram duas edições, uma em 93 e a outra em 94).

Nesse momento, tive contato com toda uma gama de bandas para lá de interessantes. Okotô, Garage Fuzz, Pin Ups, Second Come, Lethal Charge, Anarchy Solid Sound, Killing Chainsaw e Mickey Junkies se tornaram familiares para mim, já que aos poucos fui procurando conhecer cada uma delas. O Grunge havia estourado nos Estados Unidos, o Rock Alternativo havia crescido por aqueles lados de lá e isso refletiu diretamente aqui. Um exemplo é que a maior parte das bandas cantava em inglês, o que talvez tenha atrapalhado bastante as mesmas, pois curiosamente, as duas únicas dessa geração que realmente vingaram e fizeram grande sucesso, cantavam em português: Raimundos e Planet Hemp (curiosamente, cada uma cantou em uma das edições do Juntatribo).

Dessas, o Mickey Junkies, surgida no ano de 1991, sempre se destacou como uma banda diferenciada. Após algumas demos e elogios de nomes do porte de Jello Biafra e Dave Grohl (na época, ainda baterista do Nirvana), finalmente conseguiram lançar seu álbum de estreia, “Stoned”, em 1995. Infelizmente, não era um período fácil e algum tempo depois, a banda encerrou as atividades. Poderiam ter caído no limbo em que muitas de suas contemporâneas caíram, sendo relembrada por alguns poucos, mas eis que em 2007, 10 anos após seu fim, sua formação clássica, com Rodrigo Carneiro (crooner), Érico Birds (guitarra), André Satoshi (baixo), Ricardo Mix (bateria) resolveu voltar à ativa, fazendo shows e relançando seu debut, com algumas bônus.


E bem, demorou, mas o segundo trabalho do Mickey Junkies finalmente foi lançado. Since You’ve Been Gone mostra uma banda mais madura e que não ficou parada no tempo, sabendo se adaptar com perfeição ao cenário alternativo atual, mas sem perder as suas raízes. Sua música mescla com perfeição elementos de Rock setentista, Blues, Punk, Grunge e boas doses de Psicodelia, gerando assim uma sonoridade para lá de agradável e com grande dose de personalidade. A voz de Rodrigo remete diretamente à de Glenn Danzig, enquanto Érico Birds despeja alguns dos riffs mais legais que escutei nos últimos tempos vindos de uma banda de Rock brasileira. Peso, groove e psicodelia muito bem equilibrados. Já a parte rítmica, com André Satoshi e Ricardo Mix é um show à parte, já além de esbanjarem técnica, conseguem imprimir grande variedade às canções.

Sobre estas, nada aqui soa dispensável e o resultado final é ótimo. Parte das canções aqui presentes data dos anos 90, apesar de serem inéditas em CD, e as demais foram compostas após o retorno. Entre minhas preferidas, destaco a dobradinha que abre o CD, “Nothing to Say” e “Something About Destruction”, ambas pesadas, com bom groove e certa lisergia, “Stoned”, com uma pegada bem Stoner Rock, o Blues Rock psicodélico “Sweet Flower” (faixa presente na primeira demo da banda), a enérgica e “hendrixiana” “Big Bad Wolves” e a pós-punk “Alguma Coisa”, um cover do De Falla e a única cantada em português aqui.

A produção ficou por conta de Michel Kuaker, que conseguiu deixar tudo audível, mas com aquela sujeira e crueza que a música pede. Mostrando maturidade, energia e provando que ainda tem muita lenha para queimar e muita coisa boa a oferecer para nosso cenário, só podemos esperar que o Mickey Junkies engate uma quinta marcha, siga em frente a toda velocidade e nos presenteie com muitos outros trabalhos de qualidade!

NOTA: 8,5

Mickey Junkies é:
- Rodrigo Carneiro (crooner);
- Érico Birds (guitarra);
- André Satoshi (baixo);
- Ricardo Mix (bateria).

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

4drive - Recycle (2016)


4drive - Recycle (2016)
(Independente - Nacional)


01. Something There
02. Madman
03. Fading Memories
04. In the Game
05. Spacetime Theory
06. Voiceless
07. Owe You
08. Catch Fire (Interlude)
09. Rain
10. Highlander

Ao ler as influências da banda no press kit enviado e a página da mesma no Facebook, você se depara com nomes díspares como Pantera, Metallica, Iron Maiden, Led Zeppelin, The Beatles, Lynyrd Skynyrd, Mr.Big, Silverchair, 30 Seconds to Mars, Alice In Chains, Korn, Red Hot Chili Peppers, dentre diversos outros. São tantos nomes de estilos diversos, que você fica até surpreso de não se deparar com o Raça Negra e o Molejão ali.

Mas, brincadeiras à parte, o 4drive surgiu no ano de 2001, na cidade de Americana/SP e, apesar da miscelânea citada acima, aposta em algo muito, mais muito mais simples. Sabe aquele Pop/Rock Alternativo de bandas como Incubus, Nickelback, Creed, Hoobastank, Puddle Of Mudd, Three Days Grace, Bush, Seether e toda aquela geração pós-grunge que se popularizou mundo afora e que tomaram as rádios rock brasileiras de assalto na segunda metade dos anos 90 e primeira dos anos 2000? Então, é isso que você vai escutar em Recycle.

Então sim, o som do 4drive é datadíssimo e te remete o tempo todo a esse período. E pior, apesar dos 15 anos de estrada, soa na maior parte do tempo sem muita personalidade, já que durante toda a audição, você vai se recordar de algum dos nomes citados, ou mesmo de outros que esqueci. Mas calma, isso não faz de Recycle um trabalho ruim, até porque Du Zabani (vocal), Gabriel Falcade e Vião (guitarras), Guilherme Falcade (baixo), Daniel Carrara (bateria) e Konishi (sampler) se mostram músicos para lá de competentes.


Acima de tudo, as canções aqui presentes são muito bem feitas. E dai se “Something There”, “Madman” e “Spacetime Theory” parecem faixas perdidas de bandas como Nickelback, Crazy Horse ou Incubus, ou se “Fading Memories” te lembra Creed. Du tem um timbre vocal agradável, Gabriel e Vião fazem um bom trabalho de guitarras, dando peso à música, sem claro, perder a acessibilidade e Guilherme e Daniel fazem bem o seu serviço na parte rítmica. Já os samplers de Konishi são muito bem encaixados, sem exageros.

Produzido por Guilherme Malosso e pela banda, com mixagem e masterização feitas pelo próprio Guilherme em parceira com Yuri Camargo, Recycle obteve bons resultados nesse sentido, já que o som ficou limpo, claro, mas com certo peso. A capa foi obra de Pedro Konishi. Apostando em um som datado, mas bem feito, o 4drive mostra muito potencial para crescer eobter grandes resultados nos próximos trabalhos. Basta imprimir um pouco mais de personalidade à sua música.

NOTA: 7,0

4drive é:
- Eduardo Zabani (vocal);
- Gabriel Falcade (guitarra);
- Otaviano Costa Jr. (guitarra);
- Guilherme Forti (baixo);
- Daniel Carrara (bateria);
- Pedro Konishi (samplers).

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dee Snider – We Are The Ones (2016)

Dee Snider – We Are The Ones (2016)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. We Are The Ones
02. Over Again
03. Close To You
04. Rule The World
05. We’re Not Gonna Take It
06. Crazy For Nothing
07. Believe
08. Head Like A Hole
09. Superhero
10. So What

Quando um músico consagrado vai lançar um trabalho solo, você já espera algo de muita qualidade, que honre seu legado. No caso de Dee Snider, já imagina uma música que trafegue entre o Hard e o Heavy, com aquela veia oitentista que consagrou sua carreira com o Twisted Sister. É o normal e o esperado. Mas lembrem-se, estamos falando de um músico de personalidade forte. Ok, seu primeiro trabalho solo, Never Let the Bastards Wear You Down (00), era um álbum forte e composto por canções nunca utilizadas pelo TS, mas seu trabalho seguinte, Dee Does Broadway (12), era exatamente o que o título diz, ou seja, composto por canções de musicais da Broadway.

Entendo perfeitamente aqueles que não gostaram de We Are The Ones. Realmente, não deve ser nada fácil esperar um álbum de Hard/Heavy clássico e se deparar com um trabalho que trafega pelo Rock Alternativo dos anos 90/00 e as vezes até mesmo chega a ser descaradamente Pop. Dee Snider tentou fugir do óbvio e fazer algo mais “contemporâneo”, com isso já ficando claro desde o início, com a escolha do produtor (e que coescreveu boa parte das canções aqui presentes), o premiado Damon Ranger, que trabalhou com artistas como Kanye West, Smashing Pumpkins, Smoking Popes, Rhymefest, dentre outros. Ou seja, ele estava bem decidido sobre que rumo dar à sua música aqui.

A ideia básica, como ele mesmo disse em entrevistas que antecederam o lançamento, era abandonar o passado e seguir em frente com sua música, levando-a para novas gerações. E bem, é a partir dessa premissa que We Are The Ones deve ser analisado. Sim, em um primeiro momento é difícil se libertar das amarras e pensar fora da caixa, se desprender do passado de Dee. Eu mesmo precisei de um tempo considerável de audição para tal coisa, mesmo já tendo uma ideia do que encontraria, imagine então um fã die hard de Twisted Sister. Esse provavelmente não terá tal paciência. 


Vamos começar pelas melhores. “We’re Not Gonna Take It” é uma bela versão acústica do clássico do TS, contando apenas com a voz de Dee e um piano. Outro cover presente aqui é o para “Head Like A Hole”, do Nine Inch Nails, que ficou surpreendentemente legal. Outra muito boa é a altamente emocional e acústica “So What”, que encerra muito bem os trabalhos. Essas três canções fazem juz ao talento de Snider e nem mesmo o fã mais radical pode reclamar. Tá, talvez reclame do cover do NIN, mas isso não tira a qualidade do mesmo. Passado isso, vamos à parte polêmica.

Boa parte de We Are The Ones poderia estar em qualquer álbum de Rock Alternativo da segunda metade dos anos 90 ou dos anos 2000. Canções como “Over Again” (cáustica e com bom refrão) e “Crazy For Nothing” (com uma pegada pop e refrão que pega fácil) poderiam estar sem exagero algum em um álbum do Foo Fighters. Nelas, a voz de Dee chega a soar como a de Dave Grohl em alguns momentos, só que obviamente mais dinâmica. Já “We Are The Ones” (enérgica), “Close To You” (um tanto datada), “Rule The World” (bem melodiosa) e “Believe” (beeeem pop) teriam espaço no repertório de bandas como Smashing Pumpkins, Thirty Seconds To Mars, Panic! at the Disco, Fall Out Boy ou Blink 182. “Superhero” é a única indefensável. Aqui Snider mergulha de cabeça no pop de uma forma que torna a canção constrangedora. Na boa, consigo imaginar a Kate Perry cantando a mesma.

No final, existem duas formas de se avaliar We Are The Ones. Do ponto de vista do que a maioria espera de um trabalho de Dee Snider, fica difícil defender a álbum. Como ele mesmo falou em uma entrevista para a Billboard em agosto de 2016, “a maioria dos meus fãs de Heavy Metal vai odiá-lo”. E bem, provavelmente está certíssimo em sua fala. Mas a questão é que esse não é um álbum feito para atingir o fã de Metal. Essa nunca foi a intenção. Dentro dessa proposta de fazer um som mais contemporâneo e atingir uma nova parcela do público, We Are The Ones é sim um bom trabalho. Claro, não dá pra negar que é inconstante em alguns momentos, mas na maior parte do tempo o talento de Dee fala mais alto. A questão aqui é: você consegue pensar fora da caixa?

Nota: 7,0

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Anita Latina - Anita Latina (2016)


Anita Latina - Anita Latina (2016)
(Alternative Music - Nacional)


01. Desert
02. Baião
03. Insunity
04. The Day Your Savior Comes
05. Love (Defend Against Its Devotees)
06. Nullius In Verba
07. Zomia
08. Zephyr

Uma das coisas legais de não se ter a cabeça fechada para música é que isso muitas vezes te dá a oportunidade de conhecer bandas bem legais, que procuram sair daquele ABC básico do Rock. Esse é o caso desse Power Trio de Campinas/SP, formado em 2010 e que chega aqui a seu primeiro trabalho completo de estúdio.

Com sua formação estabilizada há algum tempo e contando com Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado), Tarcísio Barsalini (guitarra) e Matheus Vazquez (bateria), todos graduandos em música pela Unicamp, o Anita Latina (sim, eu sei, o nome causa certo arrepio) aposta em uma espinhosa mistura de Rock Alternativo, Hard, Progressivo, Jazz, Fusion e MPB. A história da música mostra que, normalmente, quem tenta abraçar o mundo acaba de braços vazios, mas felizmente esse não é o caso aqui.

Na maior parte do álbum, é muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo na música do trio. O instrumental se mostra bem intrincado e técnico, a todo tempo elementos de fora são inseridos, mas ainda assim, dada a categoria dos instrumentistas, conseguem manter a coesão e a coerência do trabalho. Claro, não estamos falando aqui de músicas fáceis de serem consumidas e eu mesmo necessitei de algumas audições para me acostumar à proposta do Anita Latina, mas quando isso ocorre, fica difícil não gostar do que se escuta.


Uma coisa que facilita bastante a audição é que, apesar do alto nível de complexidade, não estamos lidando com músicas longas, como seria lógico de se pensar. Metade delas sequer chega aos 5 minutos de duração. Dentre as 8 aqui presentes, destacaria a faixa de abertura, “Desert”, que se mostra bem enérgica e pesada, “Baião”, com letra em português e que bem, o nome deixa bem claro o que o ouvinte encontrará pela frente (mas garanto, as influências de música popular foram muito bem encaixadas aqui) e “The Day Your Savior Comes”, uma das mais técnicas aqui presentes, com boa influência de Jazz e momentos que remetem ao Rush.

Quanto à produção, ai já entra uma questão mais de gosto pessoal meu. Gravado no Basement Studio, teve produção de Caio Ribeiro (também responsável pela masterização, no Electrosound) e co-produção de Tarcísio Jr, tendo a dupla também feito a mixagem. Está tudo claro, audível, bem timbrado, pesado, como deve ser. Mas para o meu gosto, achei um pouco crua demais, já que na minha cabeça, a proposta da banda pede um som mais refinado. De qualquer forma, é bem-feita e ficou bem orgânica, fugindo das produções mais plastificadas dos dias atuais. A ótima e criativa parte gráfica foi obra de Lucas Piro.

Ao final, é inevitável pensar até onde o Anita Latina pode chegar com o tempo e o amadurecimento natural que a estrada dá a qualquer banda. Não é um trabalho fácil, mas que decididamente vale o tempo gasto com audições adicionais, porque qualidade eles possuem de sobra e isso é mais que indiscutível.

NOTA: 8,0

Anita Latina é:
- Bruno Ganzoni (vocal/baixo/teclado);
- Tarcísio Barsalini (guitarra);
- Matheus Vazquez (bateria).

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Lavage - Zombie Walk (2016)


Lavage - Zombie Walk (2016)
(Independente - Nacional)


01. Insustentável
02. Cascalho
03. Viver no Brasil
04. Dez
05. Decadência
06. Zombie Walk
07. Degeneração
08. No Longer
09. Desintegração da Morte
10. Radiola

O cenário nordestino talvez seja o mais rico da atualidade, em matéria de qualidade. A quantidade de bandas que surgem por aqueles lados, esbanjando qualidade, é algo que impressiona qualquer um. Isso denota não só talento para fazer música de qualidade, como também organização. O Lavage já é um nome veterano da cena nordestina, estando na estrada desde 2003, tendo lançado 5 álbuns de estúdio nunca mostrando medo de fazer o que acredita.

Sua música tem como base o Punk Rock naquela linha adotada nos anos 70 e que influenciou muitas bandas do dito Rock Brasil na década de 80. A isso, eles adicionam doses de estilos como Indie Rock, Rockabilly e até mesmo daquela “música brega” tipicamente nordestina. Imagine uma mistura de Sex Pistols, Camisa de Vênus, The Strokes e Elvis Presley. Essa talvez seja uma boa forma de enxergar o que faz o Lavage. O resultado final disso é uma música enérgica, simples e acima de tudo, muito honesta e divertida.


Com músicas sem floreios, diretas, retas e que vão direto ao ponto, esse é um álbum que certamente vai agradar quem gosta de boa música. São 10 faixas que passam em um piscar de olhos e que te fazem deixar o CD no repeat por algum tempo. A homogeneidade dá o tom aqui e não existem canções descartáveis, mas entre minhas preferidas, aponto “Cascalho”, que apesar de bem crua, tem algo daquele Rock feito no Brasil durante os anos 80 e que dá certa acessibilidade à mesma, a empolgante “Viver no Brasil”, “Zombie Walk”, um Rockabilly dos bons, a alternativa “No Lounger” e o Punk brega “Radiola”.

Gravado no Estúdio Ruído 111, em Fortaleza/CE, Zombie Walk também se destaca pela produção, que ficou a cargo da banda e de Paulo Eduardo, que também foi o responsável pela mixagem e masterização do trabalho. A forma como conseguiram deixar tudo bem claro, mas sem abrir mão da sujeira e da crueza necessárias ao estilo foi muito legal. Já a capa, obra de Guabiras, é uma crítica divertida ao momento atual do país, com suas passeatas/micaretas de protesto. Reparem as referências a diversos ícones da cultura pop atual que, por sinal, são figuras bem presentes em tais passeatas. Só senti falta de um encarte com as letras, pois as mesmas são bem divertidas, críticas e irônicas.

Divertido, crítico e honesto, Zombie Walk é daqueles álbuns cuja audição se dá com facilidade e que ainda faz você lamentar que ele tenha chegado ao final. Um dos trabalhos mais divertidos que escutei nesse ano de 2016.

NOTA: 8,0

Lavage é:
- Bruno Andrade (vocal)
- Glenio Mesquita (guitarra/backing vocal)
- Everardo Maia (guitarra)
- Rafael Maia (baixo)
- Rogério Ramos (bateria)

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Volbeat - Seal The Deal & Let's Boogie (2016)


Volbeat - Seal The Deal & Let's Boogie (2016)
(Universal Music - Nacional)


01. The Devil's Bleeding Crown
02. Marie Laveau
03. For Evigt (feat. Johan Olsen)
04. The Gates Of Babylon
05. Let It Burn
06. Black Rose (feat. Danko Jones)
07. Rebound (Teenage Bottlerocket cover)
08. Mary Jane Kelly
09. Goodbye Forever
10. Seal The Deal
11. Battleship Chains
(Georgia Satellites cover)
12. You Will Know
13. The Loa's Crossroad

Se o seu álbum anterior, Outlaw Gentlemen & Shady Ladies (13), já havia colocado o Volbeat com um pé bem firme no Mainstream, Seal The Deal & Let's Boogie, novo trabalho do grupo dinamarquês, fez com que se consolidassem de vez por lá. Prova disso é que de cara, entraram em 4º lugar na Billboard 200, vendendo mais de 50 mil cópias na semana de lançamento, números que no mercado musical atual, impressionam.

O Volbeat possui algo muito raro no meio musical atual, que é identidade. Sua mescla de Hard, Heavy, Punk, Country, Rockabilly e Pop, na teoria pode parecer uma colcha de retalhos sem sentido algum, mas, na prática, resulta em uma sonoridade única. Quando você escuta, sabe que é Volbeat. Parte do mérito vai para o vocalista e guitarrista Michael Poulsen, com sua voz bem peculiar e inconfundível. Outra marca registrada são as melodias grudentas e com forte apelo pop e que por isso grudam na cabeça igual chiclete no cabelo. Ninguém no cenário atual consegue tal feito com tamanha competência.

Sendo assim, não inventam muito e procuram seguir sua fórmula como se fosse uma receita de bolo. As guitarras de Poulsen e Rob Caggiano (ex-Anthrax, que também tocou baixo na gravação) apresentam bons riffs, melodias marcantes e imprimem muito groove às canções. Jon Larsen pode não ser o baterista mais rápido e técnico do Rock/Metal, e nem precisa disso, já que possui um feeling único para música. A variedade imposta por ele enriquece por demais o trabalho.

Aqui o pop está um pouco mais acentuado que nos trabalhos anteriores, mas nada que comprometa de forma dramática o resultado final, já que o peso se faz presente. Os refrões, como de praxe no Volbeat, são simplesmente grudentos e basta uma ou duas audições para ficar com boa parte deles martelando em sua cabeça. Claro que Seal The Deal & Let's Boogie possui seus problemas, “Rebound” (cover do
Teenage Bottlerocket) e “Goodbye Forever” são faixas totalmente dispensáveis e que ocupam espaço desnecessariamente no CD, mas músicas como “The Devil's Bleeding Crown”, pesada, forte e com um belo trabalho de guitarra e bateria, a densa “The Gates Of Babylon”, que remete ao oriente em seu início, o rockão direto e certeiro de “Black Rose” (com participação de Danko Jones) a acelerada e frenética “Seal The Deal” e “The Loa's Crossroad”, a mais pesada e agressiva do álbum, com uma pegada bem Heavy, nos fazem esquecer essas pequenas falhas.

Como de praxe em se tratando do Volbeat, o álbum teve a produção de Jacob Hansen (Primal Fear, Destruction, Epica, Heaven Shall Burn, Anvil, Doro). Já a mixagem foi feita por Joe Barresi (Bad Religion, Kyuss, Melvins, L7, Soundgarden) e a masterização, por ninguém menos que Bob Ludwig (Rush, Megadeth, Ozzy Osbourne, Metallica, Iron Maiden, Mötley Crüe). O resultado final ficou muito bom, mas um pouco polido demais para meu gosto.

Divertido e cativante, Seal The Deal & Let's Boogie pode até não ser o melhor trabalho do Volbeat (para mim o título ainda pertence a Guitar Gangsters & Cadillac Blood), mas vai ser um dos CD’s mais divertidos que você escutará em 2016. Se você passa longe de radicalismos e tem a cabeça mais aberta, pode adquirir sem medo.

NOTA:8,0

Volbeat (gravação):
- Michael Poulsen (vocal/guitarra)
- Rob Caggiano (guitarra/baixo)
- Jon Larsen (bateria)

Volbeat é:
- Michael Poulsen (vocal/guitarra)
- Rob Caggiano (guitarra)
- Kaspar Boye Larsen (baixo)
- Jon Larsen (bateria)

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

In Flames – Siren Charms (2014)




In Flames – Siren Charms (2014)
(Sony Music – Importado)

01. In Plain View
02. Everything Is Gone
03. Paralysed
04. Through Oblivion
05. With Eyes Wide Open
06. Siren Charms
07. When The World Explodes
08. Rusted Nail
09. Dead Eyes
10. Monsters In The Ballroom
11. Filtered Truth

Minha relação com o In Flames foi de paixão a primeira audição. Isso lá em 1996, quando conheci a banda através do magistral The Jester Race. Depois disso, mais dois ótimos álbuns em sequência, Whoracle (97) e Colony (99) e eles entraram definitivamente no meu Top 5 de bandas preferidas. Ao contrário de muitos fãs mais antigos, não sou desses que abomina a banda pós-Reroute To Remain (02), já que sempre admirei a capacidade do In Flames em não se manter estagnado e procurar estar sempre se renovando, mesmo que isso o tenha feito lançar alguns trabalhos bem medianos e sem o brilhantismo de outrora.
Mas existe uma diferença grande entre gostar do que foi lançado de 2002 para cá e aprovar Siren Charms, décimo primeiro trabalho de estúdio dos suecos. Sounds of a Playground Fading (11) já havia dado alguns motivos para preocupação, por possuir vários momentos excessivamente americanizados, mas de forma alguma eu estava preparado para o que vim a escutar nesses pouco mais de 44 minutos de audição. Durante boa parte do trabalho, o que você irá ouvir é um Rock/Metal Alternativo totalmente voltado para o mercado americano e que vai te remeter a nomes como Linkin Park, Korn e, não estou ficando louco, bandas do porte de um Creed ou Nickelback. Não acredita? Experimente escutar “With Eyes Wide Open” e “Siren Charms” e diga se não poderiam estar em qualquer álbum das duas bandas citadas. Constrangedoras para uma banda com a história do In Flames. Para não dizer que tudo aqui é descartável, em alguns momentos o instrumental até demonstra certa força, como em “In Plain View”, “Everything Is Gone”, “Rusted Nail”, “Monsters In The Ballroom” ou “Filtered Truth”, mas mesmo nesses casos, falta impacto as músicas. Em grande parte isso se dá por responsabilidade de Anders Fridén (quem diria!). Abusando dos vocais limpos e um tanto chorosos (além de irritantes), ele só solta a voz nos refrãos, o que é muito pouco em se tratando de um vocalista de seu porte. O fato de a banda ter entrado em estúdio sem nenhuma música realmente finalizada e ter realizado todo o processo de composição e gravação em apenas 6 semanas, parece também ter pesado muito aqui, já que em muitos momentos, boas idéias se perdem no decorrer das músicas. Vide “When The World Explodes”, que começa promissora, mas se perde a partir da metade com barulhos eletrônicos e um vocal feminino.
Se um dia o In Flames esteve entre as bandas fundadoras do Death Melódico, hoje em nada lembram seu passado. Modernoso e focado única e exclusivamente em conquistar o mercado norte-americano, Siren Charms vai agradar em cheio os fãs que a banda conquistou de 2002 para cá, principalmente aqueles que aprovaram seus dois últimos trabalhos. Agora, se você não se encaixa nesse grupo e quer guardar na memória os bons tempos da banda nos anos 90, passe longe desse trabalho. Como finalizar essa resenha? Simples. Aqui jaz o In Flames.

NOTA: 4,0