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terça-feira, 16 de abril de 2019

Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)


Fred Mika - Withdrawal Symptons (2018)
(Musik Records - Nacional)


01. The Coming Of Symptoms
02. Wired In (feat. Carl Dixon)
03. Artwork Nightmare (feat. Michael Vöss)
04. Sly Side Effect (feat. Haig Berberian)
05. Silence In Heaven (feat. André Adonis)
06. Saints Spirits & Slaves Sinners (feat. Rod Marenna)
07. First Day Without You (feat. Daniel Vargas & Tito Falaschi)
08. Sharppia
09. Dawning Of Aquarius (feat. Steph Honde)
10. Second Skin Arena (feat. Mario Pastore)
11. Miss Misery (feat. André Adonis)

Para quem desconhece, Fred Mika é líder e baterista da banda goiana de Hard Rock Sunroad, e  Withdrawal Symptons é seu primeiro trabalho solo. Na maioria das vezes, quando um músico opta por algo nessa linha, a ideia é se descolar de sua banda principal, mas Fred optou por não se afastar demais do terreno que conhece muito bem. Dessa forma, o ouvinte vai se deparar com uma boa mescla de Hard, Classic Rock, AOR, Glam e Melodic Rock, que certamente tem tudo para agradar aos que apreciam os citados estilos.

Para essa empreitada, a opção foi se cercar não só de músicos mais próximos, como também de nomes de inegável talento. O vocalista do Sunroad, André Adonis, assumiu toda a parte instrumental, cuidando das guitarras, baixo e teclado, além de cantar em duas canções. O hoje ex-guitarrista da banda goiana, Netto Mello, cuidou da produção. Além disso, para os vocais, se cercou de músicos convidados que só ajudaram a enriquecer o resultado: Carl Dixon (April Wine, Guess Who), Michael Vöss (Mad Max, Casanova, M.S.G., Phantom V), Haig Berberian (Dogman), Daniel Vargas (Adellaide), Tito Falaschi (ex-Symbols), Rod Marenna (Marenna), Steph Honde (Hollywood Monsters) e Mario Pastore (Pastore).

Com um time desses, não precisa dizer que os vocais são um dos pontos de destaque do álbum. Na parte instrumental, Adonis faz um bom trabalho, se mostrando não só um guitarrista muito talentoso, dado não só os bons riffs, bem melodiosos, como os solos com clara influência de Blues que ele nos entrega, mas também se saindo bem no baixo e, principalmente, nos teclados. Ele consegue os encaixar com exatidão nas canções, sem exageros e sem que ele se sobreponha as guitarras, além de criar ótimas atmosferas. Na bateria, como não poderia deixar de ser, Fred mostra o seu já reconhecido talento.


Descontando a introdução, temos 10 canções que apresentam boas melodias, algum peso e que possuem a dose necessária, e esperada, de acessibilidade. O único porém para mim se dá na questão dos refrões, já que a maioria não causa aquele impacto esperado e necessário. Após uma breve introdução, “Wired In” surge  mesclando bem elementos de Classic Rock e AOR; “Artwork Nightmare”, tem aquela pegada bem Whistesnake, equilibrando peso e acessibilidade; “Sly Side Effect” remete o ouvinte ao Deep Purple setentista; “Silence In Heaven” é um Hard mais cadenciado, enquanto “Saints Spirits & Slaves Sinners” é um AOR oitentista da melhor qualidade. A segunda metade do álbum abre com a versão acústica de “First Day Without You”, canção do Sunroad, sendo seguida pela instrumental “Sharppia”. Encerrando, a sequência composta pelas pesadas “Dawning Of Aquarius” e “Second Skin Arena”, ambas com um pé no Metal Tradicional, e uma versão para “Miss Misery”, do Nazareth.

A produção ficou a cargo de Fred e do já citado Netto Mello, com a coprodução de Adonis. O resultado é positivo, já que tudo está audível, mas podem me chamar de chato, achei um pouco crua além da conta para o estilo proposto. Penso que algo um pouco mais limpo deixaria tudo um pouco mais bombástico. A parte gráfica é bem-feita, mas a parte referente aos créditos peca pela escolha e tamanho das letras, já que ficou confuso e quase impossível de ler. Posto tudo isso, não tenho nenhuma dúvida quanto ao fato de que Withdrawal Symptons cairá em cheio no gosto daqueles que apreciam um bom Hard Rock/AOR, pois, é feito na medida para fãs do estilo.

NOTA: 79

Fred Mika (gravação):
- Frad Mika (bateria);
- André Adonis (vocal/guitarra/baixo/teclado)

Convidados:
- Carl Dixon;
- Michael Vöss;
- Haig Berberian;
- Daniel Vargas;
- Tito Falaschi;
- Rod Marenna;
- Steph Honde;
- Mario Pastore.


terça-feira, 12 de março de 2019

Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)


Burn Incorporated – Supernova (2018) (EP)
(Independente – Nacional)


01. Hate
02. Lonely
03. Until My End
04. Supernova

Uma das coisas que mais escuto por aí, é que o Metal precisa se renovar, mas para tal, se faz necessário o surgimento de novos valores. A juventude deve voltar a abraçar o Rock/Metal. O Burn Incorporated surgiu na cidade de Monte Alto/SP, no ano de 2014, através das mãos do baterista Vincenzo Nuciteli, que na época possuía, acreditem, apenas 10 anos. Como boa parte das bandas iniciantes, o foro era fazer covers de nomes consagrados, mas com o tempo, e uma formação mais estabilizada, resolveram partir para as músicas próprias. Em 2018 lançaram seu EP de estreia, Supernova.

Musicalmente, nos deparamos com uma mescla de Metal Tradicional, Classic Rock e Prog Metal, pesada, com um ar mais moderno e que se destaca pela boa técnica dos envolvidos, apesar da juventude de todos. Conseguem entregar boas melodias, e bons arranjos, com a guitarra de Gabriel alonso apresentando bons riffs e solos. A parte rítmica, formada pelo baixista Raphael Alonso e pelo prodígio Vincenzo Nuciteli mostra segurança e boa técnica. Os vocais de Hariel Davela (que já não faz mais parte do BURN, Inc.) possuem qualidade, mas destoam um pouco se comparado ao desempenho dos demais, já que fica devendo um pouco em algumas passagens mais pesadas.


A abertura se dá com “Hate”, sem dúvida a faixa mais agressiva e enérgica do trabalho, com boas guitarras e bateria. Na sequência temos a ótima “Lonely”, um Hard/Heavy um pouco mais acessível e com ótimo desempenho da parte rítmica, fora o bom refrão. Sem dúvida alguma a melhor canção do EP. Em, “Until My End”, com seus quase 10 minutos, o quarteto mostra sua influência de Progressivo, com muita variedade, e passagens que vão das limpas até as mais pesadas. A ressalva deve ser feita aos vocais, que em alguns momentos não funcionam muito bem. Encerrando, a instrumental “Supernova”, onde mostram toda a sua qualidade como instrumentistas, mas sem pedantismo, fora as boas melodias presentes.

Gravado no Fonzare Studio (Pradópolis/SP), o EP teve produção, mixagem e masterização realizadas por Fábio Fonzare. O resultado é uma sonoridade clara e pesada, que funcionou bem para a banda. Um pouco de crueza a menos ajudaria? Possivelmente, mas nada que chegue a comprometer a audição. Já a parte gráfica, muito bonita, ficou por conta do sempre talentoso Gustavo Sazes (Angra, Arch Enemy, Kamelot, Krisiun, Morbid Angel), mostrando a preocupação da banda em entregar um pacote que soe bem profissional. Supernova acaba por mostrar o potencial que existe por detrás do Burn Incorporated, nos apresentando um nome promissor e que, com o devido amadurecimento, algo que só o tempo e a estarda podem fazer, tem tudo para se colocar entre os principais nomes da nossa cena.

NOTA: 8,0

Burn Incorporated (gravação):
- Hariel Davela (vocal);
- Gabriel Alonso (guitarra);
- Raphael Alonso (baixo);
- Vincenzo Nuciteli (bateria).

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domingo, 30 de dezembro de 2018

Melhores de 2018 - Hard/Classic Rock

Melhores de 2018 - Hard/Classic Rock


Chegou a hora das tão amadas e odiadas listas de melhores do ano. Assim como no ano de 2017, além das listas de melhores do ano no geral, teremos listas segmentadas por estilo.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um álbum não “bate” para um como “bate” para outro. Além disso, nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Divirtam-se!

01. The Dead Daisies - Burn It Down


02. Maya - Egophilia


03. The Night Flight Orchestra - Sometimes the World Ain't Enough


04. Greta Van Fleet - Anthem Of The Peaceful Army 


05. Graveyard - Peace


06. The Vintage Caravan - Gateways 


07. Michael Schenker Fest - Resurrection 


08. Voodoo Circle - Raised on Rock 


09. Black Stone Cherry - Family Tree 


10. Monster Truck - True Rockers 

 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

The Gard - Madhouse (2018)


The Gard - Madhouse (2018)
(Independente - Nacional)


01. Immigrant Song
02. Play of Gods
03. Madhouse
04. The Gard Song
05. Music Box
06. Back to Rock
07. Kaiser of the Sea
08. Panem At Circenses

Nos últimos anos se tornou bem comum o surgimento de novas bandas que apostam naquela sonoridade típica dos anos 70. Nomes como Rival Sons, Blues Pills, Horisont, Graveyard e mais recentemente, Greta Van Fleet, revisitam muito bem o período, nos apresentando uma música de qualidade inquestionável. Mas uma coisa sempre me incomodou um pouco nesses nomes, por mais que eu até goste da proposta: a necessidade de emular desesperadamente o som de 40 anos atrás.

O The Gard surgiu em Campinas/SP, no ano de 2010, é mais um nome a apostar nessa proposta de revisitar os anos 70. Mas existe um diferencial na música do trio formado por Beck Norder (vocal/guitarra/baixo), Allan Oliveira (guitarra) e Lucas Mandelo (bateria): os caras não tentam soar como as bandas clássicas do passado. Sua música tem aquela pegada forte e vigorosa do período em questão, tem aquela organicidade tão bem-vinda atualmente, mas tem personalidade. O The Gard soa como o The Gard, e não como o Led Zeppelin ou o Deep Purple.


Isso já fica bem óbvio na abertura, com uma versão muito legal para “Immigrant Song”, carregada de personalidade e onde Beck não tenta emular Robert Plant, até porque convenhamos, só existe um Plant na face da terra, e ele se chama Josh Kiszka. Brincadeiras a parte, na sequência temos “Play of Gods”, que mescla muito bem Blues com Progressivo. “Madhouse” é enérgica, pesada e com uma pegada bem Hard. “The Gard Song”, com seus mais de 10 minutos, trafega com uma naturalidade absurda entre os mais diversos estilos, e é um dos pontos altos aqui. “Music Box” soa como uma mistura bem legal de beatles com Queen, e “Back to Rock” faz jus ao nome. “Kaiser of the Sea” tem peso e um ar bem sombrio, enquanto “Panem At Circenses” encerra o álbum com uma pegada bem Blues Rock.

A produção ficou em um nível muito bom, e conseguiu deixar tudo bem claro, mas sem tirar a organicidade, com a mixagem e masterização divididas entre André Diniz nas 4 primeiras faixas, e Lucas e Beck nas demais músicas. Já a parte gráfica, que ficou bem legal e com um ar psicodélico, foi obra de Samir Monroe. Mostrando uma maturidade impressionante para um debut, e com uma música que transborda não só qualidade, como também muita energia e vibração, o The Gard mostra que é possível sim, fazer Classic Rock com cara de século XXI. Uma banda para se observar de muito perto daqui para frente.

NOTA: 85

The Gard é:
- Beck Norder (vocal/guitarra/baixo);
- Allan Oliveira (guitarra);
- Lucas Mandelo (bateria).

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Deep Purple - Graz 1975 (2014/2018)


Deep Purple - Graz 1975 (2014/2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Burn
02. Stormbringer
03. The Gypsy
04. Lady Double Dealer
05. Mistreated
06. Smoke On The Water
07. You Fool No One
08. Space Truckin’

Algumas coisas nessa vida nunca são demais. Eu poderia listar algumas destas aqui, mas certamente iriamos divergir sobre o conteúdo dessa lista, algo normal, já que cada um tem suas preferências. Mas existe uma coisa que eu cravaria sem um pingo de medo na minha lista: álbuns ao vivo do Deep Purple. Entre Cds, VHS e DVDs, lá se vão 64 lançamentos feitos de forma oficial em um espaço de 50 anos, o que matematicamente falando, dá 1,28 por ano de vida. Um exagero? Amigos, nada é exagero se te faz feliz, e sim, álbuns ao vivo do Deep Purple fazem o coração de qualquer fã irradiar felicidade. Mas vejam bem, esse não é qualquer álbum ao vivo do Deep Purple. Gravado em 03 de Abril de 1975, em Graz, na Austria, temos em mãos um dos últimos shows da MKIII antes da saída de Blackmore para formar o Rainbow.

Ao serem comunicados pelo guitarrista de que estava para partir, o gerenciamento da banda tratou de trazer o Estúdio Móvel do Rolling Stones para registrar os últimos momentos daquela formação. Em um espaço de 5 dias, 3 apresentações foram gravadas: Graz, Saarbrücken (Alemanha) e Paris (França), todas históricas e que de alguma forma, haviam chegado quase em sua totalidade aos ouvidos dos fãs através dos álbuns Made in Europe (76) e MK III The Final Concerts (96), e no caso de Paris, em um lançamento posterior no ano de 2003 (com relançamento remasterizado em 2012). Ainda sim, o show de Graz nunca havia sido lançado de forma integral (por mais que exista controvérsia sobre a execução ou não de Highway Star no encore neste dia) até o lançamento deste CD. Cortesia da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, que prestou um grande serviço aos fãs nesse sentido, com o lançamento de algumas apresentações históricas dos anos 70.

Quem estava na plateia naquele dia de abril de 1975, nem poderia imaginar que o quinteto formado por David Coverdale (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Glenn Hughes (baixo/vocal), Jon Lord (teclado) e Ian Paice (bateria) estava nas últimas. E isso porque tiveram a oportunidade de presenciar uma banda afiadíssima e que parecia viver seu melhor momento, estando mais entrosada do que nunca. Não é por menos que muitos entendidos por ai afirmam que o show de Graz apresentou a melhor performance da MK III em um palco. O nível de energia que emanava da banda era algo único, sendo impossível você não se empolgar. A interação entre Coverdale e Hughes beira a perfeição, e Blackmore soa simplesmente espetacular, furioso. Nem parecia estar desencantado com os rumos tomados pela banda. Quanto a Lord e Paice, bem, são Lord e Paice. Acho isso mais do que suficiente para falar sobre o desempenho de ambos.


São 8 canções simplesmente matadoras, e que vão valer cada centavo da aquisição desse CD. De cara temos possivelmente a melhor versão de “Burn” de todos os tempos, e aqui incluo a de estúdio. Fabulosa, explosiva e única. Na sequência, 3 faixas retiradas de Stormbringer, a faixa título, “The Gypsy” e “Lady Double Dealer”, que com todo respeito ao álbum em questão, que adoro, soam superiores as suas versões de estúdio. Acho que isso já dá uma noção muito boa do quanto brilharam nessas canções. “Mistreated” mostra Blackmore brilhando, enquanto “Smoke On The Water” segue aquela sina de não ter ao vivo, uma versão tão clássica quanto a de estúdio. Ainda sim, é impossível não se empolgar com a mesma, afinal, estamos falando de uma das mais icônicas canções da história do Rock. “You Fool No One” simplesmente arrebenta com tudo que encontra pela frente, tamanho o nível de energia da mesma em seus 12 minutos de duração. Reza a lenda que existe uma lei que proíbe um álbum ao vivo do Deep Purple gravado nos anos 70, de não possuir uma versão para “Space Truckin’” que possua menos de 20 minutos. Diz a mesma também que não existem 2 versões iguais da música em questão. E bem, no encerramento do álbum a lei é seguida a risca, goste você ou não. Reparem como Paice brilha aqui.

Originalmente produzido pelo lendário Martin Birch, Graz 1975 teve sua masterização e mixagem realizados por Martin Pullan, o que ajudou ainda mais no brilhante resultado que temos aqui. Seguindo o padrão da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, a capa e o layout foram mais uma vez obras de Alexander Mertsch, com liner notes a cargo de Geoff Barton (jornalista inglês que foi editor da Sounds e da Kerrang! E um dos responsáveis pela popularização da NWOBHM). Você pode idolatrar a MK II, e não existe nada de errado nisso, afinal, ela nos presenteou com os grandes clássicos da banda. Mas a MK III não deve ser subestimada, e mesmo tendo tido uma vida curtíssima, foi uma das melhores bandas a pisar sobre um palco na história do Rock. Um show obrigatório para todo e qualquer fã do Deep Purple.

NOTA: 92

Deep Purple (gravação):
David Coverdale (vocal);
Ritchie Blackmore (guitarra);
Glenn Hughes (baixo/vocal);
Jon Lord (teclado);
Ian Paice (bateria).

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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)


Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Speed King
02. Strange Kind Of Woman
03. Child In Time
04. Mandrake Root

Desde 2013, a earMUSIC vem lançando uma série de álbuns ao vivo do Deep Purple, através da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, que cobrem a fase setentista da banda, com as MK II, III e IV. Por mais que não se tratem de materiais totalmente inéditos, já que bootlegs dos mesmos eram conhecidos pelos mais aficionados, os mesmos valem como o resgate de um período em que o grupo não deixava pedra sobre pedra em cima de um palco, com shows realmente memoráveis. Long Beach 1971 foi gravado e transmitido pela Rádio KUSC 91.5 FM, e vale dizer que nesse dia estavam abrindo para o The Faces, de Rod Stewart.

No repertório, temos apenas 4 músicas, mas que chegam perto dos 70 minutos de duração, algo totalmente normal nesse período para Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (teclado). Longas jams, improvisações e longos solos de todos os instrumentistas eram características muito comuns para o Deep Purple nos anos 70. A verdade é que nos anos 70, em cima de um palco, o Deep Purple não era uma simples banda, mas a personificação de uma força da natureza. Todos os músicos brilham em algum momento. Gillan está simplesmente soberbo, enquanto Blackmore e Lord soam monstruosos, no melhor sentido da palavra. Já Roger Glover mostra a categoria que sempre lhe foi marcante, enquanto Paice deixa claro o motivo de ser um dos maiores bateristas de todos os tempos.

 

O Purple estava na época do clássico In Rock (70) e, de cara, abre a apresentação com a fantástica “Speed King”, em uma versão de tirar o fôlego. Na sequência, nada menos que “Strange Kind Of Woman”, que havia saído apenas em single e que acabou por fazer parte do álbum seguinte, Fireball (71). Destaques para os solos e para o duelo entre a voz de Gillan e a guitarra de Blackmore. Chega então a vez de “Child in Time”, onde o centro das atenções fica com o saudoso Jon Lord. Simplesmente incrível. Encerrando, “Mandrake Root”, retirada do álbum de estreia da banda, Shades of Deep Purple (68). Tem peso, ótimas melodias e é uma daquelas raras oportunidades que você tem de escutar em CD uma música da MK I tocada pela MK II.

Como já dito, originalmente esse material foi gravado e transmitido por uma rádio. Para esse lançamento, a apresentação foi remasterizada, deixando o que era bom ainda melhor. A qualidade do som não está menos do que ótima. Sempre me pergunto se o mundo precisa de mais um álbum ao vivo do Deep Purple, afinal, nessas 5 décadas de carreira foram lançados dezenas de trabalhos nesse formato, e no final sempre chego à mesma conclusão: sim, o mundo precisa. Uma das bandas mais importantes de todos os tempos em sua melhor forma. Precisa de motivo maior do que esse para ter Long Beach 1971 na sua coleção? Acho que não.

NOTA: 89

Deep Purple (gravação):
- Ian Gillan (vocal);
- Ritchie Blackmore (guitarra);
- Roger Glover (baixo);
- Jon Lord (teclado);
- Ian Paice (bateria).

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Kadavar - Rough Times (2017)


Kadavar - Rough Times (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Rough Times
02. Into The Wormhole
03. Skeleton Blues
04. Die Baby Die
05. Vampires
06. Tribulation Nation
07. Words of Evil
08. The Lost Child
09. You Found The Best In Me
10. A l’ombre du temps
11. Helter Skelter (Beatles cover) (bônus track)

É indiscutível o revival pelo qual passou o Heavy/Hard Rock setentista nos últimos anos, com inúmeras boas bandas do estilo surgindo. Dentre todas, uma das melhores sem dúvida alguma é o trio alemão Kadavar. Formado atualmente por Christoph "Lupus" Lindemann (Vocal/Guitarra),  Simon "Dragon" Bouteloup e  Christoph "Tiger" Bartelt, o grupo vem enfileirando lançamentos desde 2012, algo raro em se tratando do cenário moderno, onde a maioria das bandas demoram de 3 a 4 anos entre um álbum e outro.

Kadavar (12) nos apresentou o Power Trio, Abra Kadavar (13) mostrou que o debut não havia sido apenas um golpe de sorte e o excelente Berlin (15) consolidou de vez seu nome entre os grandes do estilo. Uma das principais características dos alemães é que, apesar de referências a nomes clássicos do estilo como Black Sabbath, Budgie, Coven, Blue Cheer e Hawkwind se fazerem presentes, seu som não só não soa como simples emulação, como também soa atual (mesmo com aquela sensação de que foi gravado nos anos 70). Soa contraditório, mas é a realidade.

De cara, temos a enérgica “Rough Times”, com suas guitarras distorcidas e que já deixa bem claro o que teremos pela frente. “Into The Wormhole” é bem forte, esmagadoramente pesada e com algo de Acid Rock, enquanto “Skeleton Blues” compartilha com elas as duas primeiras características, mas com um pé bem fincado no Rock Psicodélico. A primeira metade do álbum fecha com a ótima “Die Baby Die”, com sua linha de baixo pra lá de marcante, e “Vampires”, onde os vocais e a guitarra se destacam.


A segunda metade abre com a marcante e viajante “Tribulation Nation” (outra com o pé no Acid), onde o trabalho de bateria e o ótimo refrão se sobressaem. “Words of Evil” esbanja energia e bons riffs, além de ser pesada, enquanto “The Lost Child” tem um início que te remete diretamente ao The Doors, com boa utilização do órgão. Na sequência final, a belíssima “You Found The Best In Me” mescla muito bem Blues e Southern Rock, e “A l’ombre du temps” encerra de forma sombria. Na versão nacional temos de bônus uma versão para "Helter Skelter", do Beatles, que pode até não soar tão genial quanto a original, mas ainda assim faz bonito.

Gravado pelo baterista Christoph Bartelt e por Richard Behrens (Samsara Blues Experiment) no Blue Wall Studio (Berlim/Ale), foi mixado no mesmo local por Bartelt, que também cuidou da masterização ao lado de Emanuele “Nene” Baratto. Gerando um resultado muito bom, já que apesar de tudo nos remeter aos anos 70, nada aqui soou datado. A capa foi obra de Drew Milling. Com uma música poderosa, cativante e enérgica, o Kadavar mais uma vez acerta no alvo, com um trabalho que vai agradar em cheio os amantes de Heavy/Hard setentista. Vale lembrar que o trio estará fazendo shows no Brasil nesse mês de março. Ouça no volume máximo!

NOTA: 8,5

Kadavar é:
- Christoph "Lupus" Lindemann (Vocal/Guitarra);
- Simon "Dragon" Bouteloup (Baixo);
- Christoph "Tiger" Bartelt (Bateria).

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Melhores álbuns de Hard/Classic Rock de 2017

Melhores álbuns de Hard/Classic Rock de 2017


Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.

E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!

01. The Night Flight Orchestra - Amber Galactic
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


02. Alice Cooper - Paranormal
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


03. Living Colour - Shade
(
Megaforce Records - Importado)


04. Horisont - About Time
(Century Media Records - Importado)


05. Warrant - Louder, Harder, Faster
(Frontiers Records - Importado)


06. Pink Cream 69 - Headstrong
(Frontiers Records - Importado)


07. Corona Kings - Death Rides a Crazy Horse
(Forever Vacation Records - Nacional)


08. Deep Purple - Infinite
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


09. Canábicos – Intenso
(Monstro Discos - Nacional)


10. Jess and the Ancient Ones - The Horse and Other Weird Tales
(Svart Records - Importado)


Quase chegaram

- Kadavar - Rough Times
(Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)


- Mr.Big - Defying Gravity
(Frontiers Records - Importado)


- EZoo - Feeding The Beast
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


- Black Stone Cherry - Black To Blues
(Mascot Records - Importado)


- Europe - Walk the Earth
(Hell and Back Recordings/Hellion Records - Nacional)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

EZoo - Feeding The Beast (2017)


EZoo - Feeding The Beast (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. You Are Your Wallet
02. The Flight Of The Sapini
03. C’est La Vie
04. Guys From God
05. Feeding The Beast
06. Eyes Of The World
07. Colder Than Cool
08. Too High to Be Falling
09. Motorbike
10. Since You Been Gone
11. Don’t Look Back
12. CODA

Graham Bonnet é um músico que dispensa apresentações. Seja por sua passagem por nomes como Rainbow (onde substituiu Dio), Michael Schenker Group, Alcatrazz, Impellitteri e Blackthorne (em que tocou com Bob Kulick, Chuck Wright e Frankie Banali), ou por sua carreira solo, o britânico marcou seu nome como uma das maiores vozes do Hard/Heavy de todos os tempos. Já o guitarrista italiano Dario Mollo pode não ser tão badalado, mas seus álbuns com o Crossbones, The Cage (ao lado de Tony Martin, ex-Black Sabbath) e Voodoo Hill (uma parceria com ninguém menos que Glenn Hughes), além de seu renome como produtor, deixam bem evidente que estamos diante de um grande talento.

Apesar de Feeding The Beast ser o trabalho de estreia do EZoo, as raízes do projeto são muito mais antigas. No ano de 2001, Graham e Dario tiveram a oportunidade de excursionar na banda de Don Airey (Deep Purple), e a química entre o vocalista e o guitarrista funcionou tão bem, que em 2004 resolveram formar o Electric Zoo. Com a banda, excursionaram pela Europa e chegaram a planejar um álbum para o ano de 2007, mas devido aos diversos compromissos musicais de ambos, a ideia acabou no limbo, ficando de recordação apenas 3 covers que haviam gravado nos ensaios para a turnê de 2004. Pois foi após escutar as mesmas esse ano, que Bonnet resolveu entrar em contato com Mollo, sugerindo que finalmente tocassem a ideia em frente. E bem, agora finalmente temos o resultado dessa união em mãos.

Antes de tudo, o prezado leitor tem que ter em mente que Graham Bonnet, com seus 69 anos, não é mais o mesmo vocalista que gravou trabalhos como Down to Earth (Rainbow), No Parole from Rock 'n' Roll (Alcatrazz), Stand in Line (Impellitteri) ou Assault Attack (MSG). Ele adaptou sua voz à sua atual realidade, e mesmo que não tenha todo o alcance vocal de 40 anos atrás, ainda assim é um verdadeiro monstro quando o assunto é cantar. Já Dario Mollo não esconde em momento algum toda a influência que possui de nomes como Ritchie Blackmore e Eddie Van Halen, nos entregando de bandeja ótimos riffs e melodias, além de alguns solos verdadeiramente primorosos. O cara realmente é bom no que faz.




Acompanhados do baixista/tecladista Dario Patti (Crossbones, The Cage, Voodoo Hill) e do baterista Roberto Gualdi (Premiata Forneria Marconi, The Cage, ex-Voodoo Hill), a dupla Bonnet/Mollo lançou um dos melhores trabalhos de Hard/Heavy de 2017. O primeiro mostra que, apesar do tempo, a idade não pesa (ao menos em estúdio), e nos entrega um trabalho vocal bem característico e carregado de identidade. Potente e com seu timbre bem característico, é incrível como sua voz se encaixou bem no instrumental. Já Dario brilha com guitarras simplesmente fenomenais, tanto no que tange as bases, como também nos riffs e solos, e tudo isso sem precisar cometer exageros para demonstrar toda a sua técnica.

Das 12 faixas aqui presentes, 2 são instrumentais, “The Flight Of The Sapini” (duvido você não lembrar de “Eruption”, do Van Halen) e “CODA”, que encerra o álbum. Das demais, eu apontaria como destaques a cativante e forte faixa de abertura, “You Are Your Wallet”, o Hard intenso de “C’est La Vie”, com brilhantes desempenhos de Dario e Bonnet, a grudenta “Guys From God”, com sua pegada meio Blues, a enérgica “Colder Than Cool” e a ótima “Motorbike”, um Hard daqueles, que vai te transportar diretamente aos anos 80. E claro, não podemos esquecer aqui dos 2 covers do Rainbow presentes (e que contam com Guido Block no baixo), “Eyes Of The World” e “Since You Been Gone” (que originalmente já se trata de um cover de Russ Ballard), onde o Ezoo, sem inventar, consegue imprimir sua personalidade.

Com ótimas melodias, algumas verdadeiramente grudentas, peso e agressividade na medida certa, um trabalho de guitarra magistral e linhas vocais marcantes, o Ezoo entrega com Feeding The Beast uma verdadeira aula de como fazer Hard 'n' Heavy. Simplesmente obrigatório para qualquer fã do estilo.

NOTA: 8,5

Ezoo é:
- Graham Bonnet (vocal);
- Dario Mollo (guitarra);
- Dario Patti (baixo/teclado);
- Roberto Gualdi (bateria).

Graham Bonnet:
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Dario Mollo
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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)


The Night Flight Orchestra - Amber Galactic (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Midnight Flyer
02. Star of Rio
03. Gemini
04. Sad State Of Affairs
05. Jennie
06. Domino
07. Josephine
08. Space Whisperer
09. Something Mysterious
10. Saturn in Velvet
11. Just Another Night

Quando fiquei sabendo que o 3º álbum de estúdio do The Night Flight Orchestra sairia em versão nacional, não vou negar que abri um sorriso de orelha a orelha. Para quem não conhece o sexteto sueco, uma das bandas mais legais da atualidade, se trata de um daqueles projetos que chamamos de supergrupo. Sua formação conta com Björn “Speed” Strid (vocal/Soilwork), David Anderson (guitarra/Soilwork), Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D’Angelo (baixo/Arch Enemy, Spiritual Beggars, ex-King Diamond), Jonas Kälsbäck (bateria/Mean Streak) e Richard Larsson (teclado/Gathering Of Kings). Em resumo, só músicos do mais alto gabarito.

Quem escutou os dois excelentes trabalhos anteriores, Internal Affairs (12) e Skyline Whispers (15), sabe muito bem o que irá encontrar em Amber Galactic, mas se você desconhece por completo a banda e foca apenas nos grupos de origem dos músicos, se prepare para uma grande surpresa, pois a aposta aqui é no Classic Rock setentista, com grandes nuances de Rock Melódico/AOR/Rock de Arena. Saca aquela sonoridade típica da transição dos anos 70 para os 80, que consagrou nomes como Journey, Kansas, Boston, Foreigner, Styx, Toto, Survivor ou Eagles? É exatamente isso que você irá encontrar por aqui. E prezado leitor, isso é bom demais, acredite.

No The Night Flight Orchestra,  Björn “Speed” Strid tem a oportunidade rara de mostrar todo o seu talento como vocalista, comprovando de uma vez por todas que é sim, o melhor cantor daquela geração do Death Melódico surgida nos anos 90. Se não acredita, basta escutar o que ele faz por aqui. A dupla de guitarristas formada por David Anderson e Sebastian Forslund mostra uma competência impar, forjando ótimos riffs, enquanto a parte rítmica, com Sharlee e Jonas, esbanja talento, técnica e muito groove (e convenhamos, não podia ser diferente). Por último, cabe também destacar o excelente trabalho do tecladista Richard Larsson, que não só encaixa muito bem suas partes nas músicas, como faz solos inspiradíssimos. 


Já na abertura, o sexteto deixa bem claro a que veio. “Midnight Flyer” é uma faixa forte, que mescla algo de Prog Rock com Deep Purple, com bons riffs, ótimos vocais e solos. “Star of Rio” tem uma pegada mais Rock, novamente com as guitarras se destacando e um refrão bem marcante, enquanto “Gemini” é divertida, com uma melodia que cativa o ouvinte desde o primeiro segundo e um refrão simplesmente grudento, que você já se pega cantando de primeira. Vale deixar claro que sim, existe uma veia certa veia Pop na música do TNFO, que dá à sua música uma acessibilidade muito legal. Já “Sad State Of Affairs” soa como se o Kiss se encontrasse com o Rolling Stones, com ótimos resultados, e a balada “Jennie” tem muito de Supertramp nela, com destaque para o trabalho dos teclados.

A segunda metade do álbum abre com a ótima “Domino”, carregada de elementos de AOR e que vai te remeter fortemente ao Toto. O refrão simples e pegajoso vai te pegar de cara. “Josephine” possui uma veia pop bem legal, que vai te remeter diretamente ao início dos anos 80, enquanto “Space Whisperer” tem uma pegada um pouco mais Rock, com belo trabalho tanto das guitarras quanto do teclado. “Something Mysterious” me fez pensar de cara em Survivor, com uma levada mais cadenciada e bastante melodia, e “Saturn in Velvet” tem grande influência de Prog Rock, sendo a faixa épica do trabalho. Encerrando, temos uma versão muito legal para “Just Another Night” (Mick Jagger), que coloca o astral lá em cima e te faz dar aquele mergulho de cabeça nos anos 80.

Gravado no Handsome Hard Studio e no Nordic Sound Lab, Amber Galactic teve produção da própria banda, com sua mixagem tendo sido feita por Sebastian Forslund. Já a masterização, realizada no The Panic Room, ficou nas mãos de Thomas “Plec” Johansson. O resultado final é ótimo, já que além de ficar tudo perfeitamente audível, conseguiu deixar bem no clima da época, mesmo soando como uma produção atual. Mantendo o altíssimo nível dos trabalhos anteriores, e provando que não precisa copiar Black Sabbath ou Led Zeppelin para fazer um som que remeta aos anos 70, o The Night Flight Orchestra não só lançou um dos melhores álbuns de 2017, como também um dos mais divertidos.

NOTA: 9,0

The Night Flight Orchestra é:
- Björn “Speed” Strid (vocal);
- David Anderson (guitarra);
- Sebastian Forslund (guitarra);
- Sharlee D’Angelo (baixo);
- Jonas Kälsbäck (bateria);
- Richard Larsson (teclado).

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Canábicos – Intenso (2017)


Canábicos – Intenso (2017)
(Monstro Discos – Importado)


01. Planeta Estranho
02. Fora Da Lei
03. Intenso
04. Não Faz Sentido
05. Lei Do Cão
06. Viagem Espacial
07. Rotina
08. Eu Não Sei O Que Vai Ser De Mim

Eis aqui uma prova de que o cenário mineiro não revela nomes de qualidade apenas no Metal Extremo. Surgido no ano de 2013 em Araguari (no Triângulo Mineiro), pelas mãos dos ex-integrantes do Anil, o guitarrista Murcego Gonzáles (Uganga) e o vocalista Clandestino, e contando ainda com o baixista MM e o baterista Mestre Mustafá, o Canábicos se enveredam pelos caminhos do Hard/Classic Rock, com nítidas influências daquele som feito nos anos 70 por nomes internacionais como Led Zeppelin, Black Sabbath, Steppenwolf ou mesmo nacionais, como Os Mutantes. E vale dizer que as letras (muito boas) são feitas em nossa língua pátria.

A primeira coisa que chama a atenção é o fato de Intenso já ser o 3º álbum de estúdio dos mineiros (que ainda têm um EP). Sim, em uma época onde bandas parecem lançar material por obrigação a cada 3, 4 anos, o Canábicos produz não só de forma massiva, mas também com muita qualidade. Outro aspecto que vale destacar é que, apesar da proposta sonora adotada, em momento algum sua música soa datada. Você consegue perceber as referências, as influências do quarteto, mas ainda assim sua música soa atual, contemporânea.

Enérgica! Eis um adjetivo que cabe bem à música do Canábicos. Aliando peso, agressividade, groove e ótimas melodias, conseguem fazer uma música que soa absurdamente agradável aos ouvidos e que acaba te fazendo deixar o CD no repeat, já que os poucos mais de 30 minutos de duração de Intenso parecem durar a metade do tempo. Quando você se dá conta, o mesmo já acabou e bate aquela vontade de escutar tudo de novo. Os vocais de Clandestino são bem fortes e possuem um ótimo timbre, enquanto a guitarra de Murcego despeja bons riffs e solos em nossos ouvidos, com influências claras de nomes como Page, Iommi e Hendrix. A parte rítmica com MM e Mustafá é firme, coesa e bem diversificada.


São apenas 8 canções, mas todas de ótimo nível. “Planeta Estranho” além de enérgica, possui ótimos riffs, enquanto “Fora da Lei” tem uma levada mais cadenciada e bom groove. Já “Intenso” tem uma pegada mais zeppeliana e faz mais que jus ao nome, e o Black Sabbath dá as caras em “Não Faz Sentido”, outra com um ótimo groove e uma vibe um pouco mais psicodélica. As influências de Page e Cia voltam a surgir na grooveada e melodiosa “Lei do Cão”, que tem um refrão que você já pega de primeira. Já a animada “Viagem Espacial” é a mais acessível de todo álbum, tendo uma veia mais Pop/Rock e teria espaço na programação de qualquer Rádio Rock por aí. Muito boa! “Rotina” tem um início mais enérgico, cru, para logo depois cair em um momento mais “viajado”, para em seu final retornar à pegada inicial. “Eu Não Sei O Que Vai Ser De Mim” encerra o álbum de forma intensa, com boa melodia e groove, sendo, sem dúvida, o momento mais psicodélico de Intenso.

Gravado no RockLab, em Goiânia, o álbum teve produção, mixagem e masterização realizados por Gustavo Vazquez (Uganga, Black Drawing Chalks, Hellbenders), com um resultado simplesmente excelente. O CD vem embalado em um digipack simples, mas caprichado, com fotos e arte feitos por Luiz Soufe. Com uma música forte, intensa e variada, o Intenso vai agradar em cheio os amantes de um bom Rock and Roll. Anotem esse nome, Canábicos, pois ainda irão ouvi-lo muito por aí.

NOTA: 8,5

Canábicos é:
- Clandestino (vocal);
- Murcego Gonzalez (guitarra);
- MM (baixo);
- Mestre Mustafá (bateria).

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Deep Purple - inFinite (2017)


Deep Purple - inFinite (2017)
(Shinigami Records/earMusic - Nacional)


01. Time For Bedlam
02. Hip Boots
03. All I Got Is You
04. One Night In Vegas
05. Get Me Outta Here
06. The Surprising
07. Johnny’s Band
08. On Top Of The World
09. Birds Of Prey
10. Roadhouse Blues

São 49 anos de carreira, alguns álbuns considerados como clássicos absolutos do Rock, casos de In Rock (70), Machine Head (72), Burn (74) e aquele que é o melhor trabalho ao vivo de todos os tempos, o magistral Made In Japan (72), apresentações incendiárias e lendárias, além de mais de 120 milhões de álbuns vendidos. Só isso já bastaria para colocar o Deep Purple no panteão dos nomes lendários da música. Mas de nada adiantaria se isso não fosse acompanhado de uma carreira consistente, apesar do hiato de alguns anos entre os anos 70 e 80 e algumas idas e vindas de membros importantes.

Você, fã mais ranzinza e saudoso do auge da banda nos anos 70, com a MK II e a MK III, pode reclamar dos deslizes cometidos em trabalhos como Slaves and Masters (90) e Abandon (98), talvez até mesmo de The House of Blue Light (87). Pode também reclamar da ausência de Blackmore, que se frise, saiu por escolha própria quase 25 anos atrás, ou de terem continuado após o saudoso Jon Lord optar pela aposentadoria em 2002 (algo que o mesmo aprovou, tanto que se apresentava esporadicamente com a banda em ocasiões especiais). Mas nesses casos, sinto lhe informar, isso faz de você apenas isso, um fã ranzinza e que provavelmente, pelo seu xiismo, perdeu muita coisa legal nos últimos 20 anos.

Sim, isso mesmo, porque é indiscutível que mesmo não repetindo a genialidade de décadas atrás, lançaram alguns trabalhos dignos de aplausos nesse período, como os ótimos Purpendicular (96), Rapture of the Deep (05) e Now What! (13). Fora isso, Steve Morse, prestes a completar 25 anos de Purple e Don Airey, já com 15, caíram como uma luva nessa que é a formação mais duradoura da história dos ingleses. E qualquer dúvida com relação a isso é vaporizada pela brilhante atuação de ambos em inFinite, o 20º trabalho de estúdio da banda, que apesar de não afirmarem e tampouco negarem, pode vir a ser o seu último.

Provavelmente esse é o trabalho mais “vintage” do Purple desde o seu retorno nos anos 80, já que aquele clima setentista permeia todo o trabalho durante seus 45 minutos de duração. Ok, Ian Gillan não alcança mais notas tão altas, mas compensa isso cantando de forma bem mais variada. E convenhamos, estamos falando de um senhor de 71 anos de idade que, ainda assim, coloca 90% dos vocalistas da cena atual no bolso. A dupla formada por Steve Morse e Don Airey é talvez a principal responsável por esse clima citado e, sem exagero, são os dois grandes destaques aqui. E o que dizer de Roger Glover e Ian Paice? Soam simplesmente impecáveis, principalmente Paice, que imprime muito peso e variedade. Muito moleque de 20 anos que se acha por aí não consegue chegar sequer aos pés do desempenho dele aqui.


“Time for Bedlam” abre o álbum e é uma típica canção do Purple, com aquele clima setentista e um brilho especial para Morse e Airey. “Hip Boots” tem ótimo groove e uma pegada mais blues, sendo muito agradável de se escutar, enquanto “All I Got Is You” é possivelmente uma das melhores canções da banda desde os anos 80. Ótimo desempenho do trio Gillan/Morse/Airey e uma melancolia que dá um toque diferenciado à mesma. “One Night In Vegas” e “Get Me Outta Here” conseguem manter o bom nível, graças às ótimas melodias e a cativante “The Surprising” surpreende com uma pegada mais progressiva a partir de sua metade. As influências de blues dão as caras na direta “Johnny’s Band” (outra onde Morse e Airey brilham) e na boa “On Top Of The World”, com seu ótimo riff. Se encaminhando para o final, temos “Birds Of Prey”, facilmente a mais pesada do álbum, com aquele clima de Deep Purple antigo e um solo primoroso de Morse. Encerrando, uma ótima versão para “Roadhouse Blues”, do The Doors, que ouso dizer, supera a original em qualidade.

Toda a produção, assim como em Now What!, voltou a ficar nas mãos do experiente Bob Ezrin (Alice Cooper, Kiss, Pink Floyd, Aerosmith, Nine Inch Nails, Lou Reed, Peter Gabriel, dentre muitos outros), não sendo menos do que primorosa. Já a belíssima parte gráfica foi obra do Büro Dirk Rudolph (Apocalyptica, Iced Earth, Kreator, Paradise Lost, Tarja, Scorpions). inFinite pode não possuir a genialidade de um In Rock ou de um Machine Head, mas é um trabalho que agrada, cativa o ouvinte e mostra uma banda se divertindo fazendo o que mais gosta, ou seja, boa música.

NOTA: 8,5

Deep Purple é:
- Ian Gillan (vocal);
- Steve Morse (guitarra);
- Roger Glover (baixo);
- Ian Paice (bateria);
- Don Airey (teclado).

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Black Star Riders - Heavy Fire (2017)


Black Star Riders - Heavy Fire (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Heavy Fire
02. When the Night Comes In
03. Dancing with the Wrong Girl
04. Who Rides the Tiger
05. Cold War Love
06. Testify or Say Goodbye
07. Thinking About You Could Get Me Killed
08. True Blue Kid
09. Ticket to Rise
10. Letting Go of Me
11. Fade (Bonus Track)

A história já é conhecida por todos. Após mais uma turnê de reunião do Thin Lizzy (que durou “só” de 2004 a 2012), o guitarrista Scott Gorham decidiu que era hora da banda voltar a lançar um novo álbum de inéditas, algo que não ocorria desde 1984, e diria até, impensável desde o falecimento do lendário Phil Lynott. Mas como o baterista Brian Downey, único membro original da banda naquele momento (Gorham entrou em 1974), não estaria no projeto, Scott acertadamente optou por alterar o nome da mesma para Black Star Riders, e com a entrada do baixista Robbie Crane e do baterista Jimmy DeGrasso (que anunciou recentemente sua saída), soltaram o ótimo All Hell Breaks Loose (13), seguido de The Killer Instinct (15).

Ambos os trabalhos tiveram ótima repercussão, afinal, o Heavy Rock praticado pelo quinteto era empolgante e possuía muita qualidade. Ainda assim, aquele rótulo de “somos os Thin Lizzy com outro nome” parecia ter pegado a banda, até porque a sonoridade adotada era totalmente similar. Em seu terceiro trabalho de estúdio, Heavy Fire, ainda não podemos dizer que o BSR se livrou dessa sombra (até porque isso parece não incomodar), mas já podemos observar uma maior independência estilística em sua música. E olhe meus amigos, isso acaba sendo muito, mas muito bom mesmo, pois o que já era bom, parece estar ficando ainda melhor.

Claro, não dá para negar que a base da sonoridade aqui continua sendo o Thin Lizzy, mas em muitos momentos, observamos esse lado ser mesclado com novas influências, deixando claro que o quinteto está disposto a buscar novas possibilidades para suas músicas. Qualquer comparação entre Ricky Warwick e Phil Lynott é totalmente injusta, até porque o primeiro se sai muito bem mais uma vez, soando cada vez melhor a cada lançamento. Scott e Damon Johnson se mostram ainda mais afiados em Heavy Fire, com um trabalho de guitarras muito bom. Riffs pesados, ótimas harmonias e aquelas boas e velhas guitarras gêmeas fazem parte do repertório da dupla. A parte rítmica é não menos que excelente, afinal, Robbie Crane e Jimmy DeGrasso são músicos acima da média, brilhando em muitos momentos.


Pense em um trabalho verdadeiramente homogêneo. Esse é Heavy Fire, e não se assuste se a cada audição feita, você descobrir uma nova música preferida. É assim que a coisa funciona aqui. A abertura, com a faixa título, já dá amostras das novas influências encontradas no trabalho. É um Hard/Heavy com algo de Rock Sulista aqui e ali, e pitadas daquele Hard típico da Sunset Strip. “When the Night Comes In” empolga pelas boas guitarras, os ótimos vocais, com direito a backing vocals femininos no cativante refrão. Já “Dancing with the Wrong Girl” poderia estar em qualquer álbum do Thin Lizzy nos anos 70, tamanha a similaridade. Pesada, com bom groove e ótimos riffs, “Who Rides the Tiger” poderia estar em qualquer álbum de Hard nos anos 80, apesar de ser perceptível algo daquele Rock Alternativo dos anos 90 nas guitarras. Encerrando a primeira metade do álbum, temos a sentimental e agradável “Cold War Love”.

A segunda metade abre com “Testify or Say Goodbye”, que possui uma melodia absurdamente agradável, ótimo uso do Mellotron (tocado por Johnson) e linhas vocais agradabilíssimas. O álbum tem sequência com “Thinking About You Could Get Me Killed”, com ótimas linhas de baixo, bom groove, guitarras marcantes e novamente, algo de Rock Alternativo aqui e ali (nada exagerado, não precisam se assustar). “True Blue Kid” possui bom groove, com ótimo desempenho da dupla Crane/DeGrasso, além de boas guitarras. “Ticket to Rise” tem uma pegada que remete ao Thin Lizzy, ótimos vocais, refrão marcante e mais uma vez, ótimos backing vocals femininos, que fazem a música grudar na sua cabeça. E vale destacar o ótimo solo de guitarra, o melhor de todo o trabalho. A versão padrão do álbum encerra com “Letting Go of Me”, empolgante, poderosa e com um destaque maior para a bateria. É outra com leves traços de Rock Alternativo nas guitarras aqui e ali. Na edição nacional, temos uma faixa bônus, a emocional “Fade”, bonita balada que consegue manter o alto nível do trabalho.

A produção do álbum (excelente, vale dizer) ficou por conta do experiente Nick Raskulinecz, que já trabalhou com nomes diversos como Deftones, Foo Fighters, Danzig, Rush, Death Angel e Apocalyptica. Talvez esteja aí um dos motivos para a maior variedade encontrada. A mixagem foi realizada por Jay Ruston, enquanto a masterização foi feita por Paul Logus. Já a divertida capa e toda a concepção do encarte (muito bom, por sinal) foi obra da dupla Paul Tippett e Adrian Andrews, da Vitamin P. Decididamente, um dos trabalhos mais divertidos de se escutar desse ano de 2017. E só para provocar um pouco, se o Thin Lizzy ainda estivesse por aí soltando trabalhos de estúdio, certamente soaria como o Black Star Riders. Tradicional, mas moderno e sem soar forçado ou datado.

NOTA: 8,5

Black Star Riders é (gravação):
- Ricky Warwick (vocal);
- Scott Gorham (guitarra);
- Damon Johnson (guitarra);
- Robbie Crane (baixo);
- Jimmy DeGrasso (bateria).

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