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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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terça-feira, 22 de maio de 2018

Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)


Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. None Shall Sleep
02. Into Doom
03. Purpose Of A Virgin Mind
04. Hijacked By Unicorns
05. The Annihilation
06. Wake Up Now
07. A Broken Taboo
08. An Awakening
09. A Battle Against All Hope
10. A Look Inside
11. Metal Daze (Manowar Cover)
12. The Look Inside (Orchestral Version)

Como o tempo é algo escasso para a maior parte das pessoas, vou começar essa resenha de uma forma diferente. Se você não curte de forma alguma Power Metal, seja na sua vertente mais clássica ou mesmo a mais melódica/orquestral, pode parar por aqui mesmo sua leitura e voltar a concentrar seu tempo em atividades que julga mais edificantes. Continua aqui? Que ótimo, pois existem grandes possibilidades de que esse álbum entre no hall dos seus trabalhos preferidos nesse ano de 2018. Mas antes de tudo, vamos contextualizar o que vem pela frente.

Para quem não conhece, o Heavatar surgiu no ano de 2012, na Alemanha, pelas mãos de Stefan Schmidt, a mente criativa por detrás do Van Canto, grupo que se notabilizou por fazer um Heavy Metal a cappella. A ideia era simples: como soaria um grupo de Metal se nomes como Beethoven, Vivaldi, Puccini, Mendelssohn, Mozart, dentre outros, resolvessem formar uma banda? Inicialmente para tal jornada, o mesmo se cercou de músicos experientes na cena, mais precisamente o renomado baterista Jörg Michael (ex-Stratovarius, ex-Saxon, ex-Rage, ex-Running Wild, ex-Grave Digger, dentre outros), o guitarrista Sebastian Scharf (ex-Fading Starlight, banda na qual Stefan também tocou) e o baixista Charles Greywolf (Powerwolf).


Com esse time, lançou seu debut no ano de 2013, Opus I – All My Kingdoms, onde mostrou uma abordagem mais pesada ao tratar da fusão de Power Metal e Música Clássica. O fato é que em vez de inserir grandes partes orquestradas em suas canções, dentre outros exageros que muitos cometem por aí, resolveram fazer isso através das melodias, harmonias, solos e riffs presentes. Ok, outras bandas já fizeram isso no passado? Sim, mas não dá pra negar que o Heavatar transborda honestidade em sua música. Já para esse segundo álbum, apresentam uma mudança de formação, já que Greywolf não faz mais parte da mesma, tendo sido substituído pelo baixista Daniel Wicke, que tocou com Schmidt em outra ex-banda deste, o Jester’s Funeral.

Confesso que em um primeiro momento, o lançamento de Opus II: The Annihilation passou meio que batido por mim, já que o debut, apesar de bom, não me empolgou muito na época. Sendo assim, só posso agradecer à Shinigami Records por esse lançamento, pois eu teria perdido a chance de escutar um belo álbum de Power Metal. Como já dito, não estamos diante de uma proposta inovadora e revolucionária, mas temos em mãos um trabalho muito mais consistente, coeso e equilibrado do que há 5 anos atrás. As canções possuem peso e agressividade, com as influências de Música Clássica podendo soar mais na cara ou mais discretas. Os arranjos são muito bons, algo mais do que esperado levando em conta o talento que Stefan possui nesse sentido (o Van Canto, goste você ou não, está aí para mostrar isso). Ele, por sinal, se sai muito bem nos vocais, que se mostram bem variados, além de formar uma boa dupla com Sebastian Scharf, vide os bons riffs que surgem. A parte rítmica faz um belo trabalho, com Daniel sendo bem correto e Jörg apresentando seu trabalho explosivo de sempre.

“None Shall Sleep” abre o álbum de forma pesada e enérgica, com ótimos riffs e refrão, além de pegarem emprestada a linha melódica de “Nessun Dorma”, de Puccini. Ficou realmente muito legal. Mantendo o pé no acelerador, temos “Into Doom”, um Power Clássico com belas melodias e refrão fácil. “Purpose Of A Virgin Mind”, apesar de um pouco menos acelerada, ainda é uma faixa bem rápida e mostra ótimos riffs, além de bastante peso. A cadenciada “Hijacked By Unicorns” te esfrega Chopin na cara, na sua breve introdução de piano, e cativa com suas belas melodias vocais. “The Annihilation” começa com a 5ª Sinfonia de Beethoven, para depois alternar muito bem partes mais cadenciadas com outras mais velozes. E o refrão é explosivo! “Wake Up Now” é uma faixa mid-tempo que tem tudo para se tornar um hino do Heavatar, com riffs excelentes e muito peso. Simplesmente cativante.


Após isso, vem a sequência final, com a suíte intitulada The Look Inside, dividida em 4 canções diferentes, mas que possui elementos nas letras que se repetem em cada uma delas, servindo assim como um elo entre as mesmas. Aqui os elementos orquestrais surgem com mais força, transformando tudo em algo verdadeiramente épico. Além disso, se destacam pelas várias mudanças de ritmo, pelas belas melodias vocais (contando com a participação de Inga Scharf, do Van Canto) e por todo clima épico. Essas mudanças de andamento já podem ser bem observadas na abertura, com “A Broken Taboo”, que possui ótimas orquestrações e bastante peso. “An Awakening” é uma faixa belíssima, com lindas harmonias vocais, elementos clássicos e de Folk e bastante melodia. Mas o clima mais calmo é quebrado em seguida por “A Battle Against All Hope”, um Power Metal Sinfônico pesado e explosivo, com destaque para os pesadíssimos riffs de guitarra. Encerrando, temos “A Look Inside”, que é uma versão mais suave da abertura, “A Broken Taboo”. De bônus, ainda temos um cover para “Metal Daze”, do Manowar, e uma versão orquestrada da suíte The Look Inside.

A produção, muito boa por sinal, ficou por conta do próprio Stefan Schmidt, que também cuidou da mixagem. Já a masterização foi realizada por Jürgen Lusky (Angra, Edenbridge, Krokus, Unisonic). A capa foi obra do brasileiro Osmar Arroyo, responsável pela capa do último trabalho do Van Canto. No fim, o que temos é um álbum de Metal, sem invenções, sem inovações, e que consegue equilibrar muito bem o Power Metal e a Musica Clássica, dosando de forma perfeita peso, agressividade e melodia. Honesto, cativante e garantia de muita diversão. Sem dúvida um dos melhores trabalho do estilo nos últimos anos.

NOTA: 86

Heavatar é:
- Stefan Schmidt (Vocal/Guitarra);
- Sebastian Scharf (Guitarra);
- Daniel Wicke (Baixo);
- Jörg Michael (Bateria).

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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Twilight Force - Heroes Of Mighty Magic (2016)


Twilight Force - Heroes Of Mighty Magic (2016)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)

01. Battle of Arcane Might
02. Powerwind
03. Guardian of the Seas
04. Flight of the Sapphire Dragon
05. There and Back Again
06. Riders of the Dawn
07. Keepers of Fate
08. Rise of a Hero
09. To the Stars
10. Heroes of Mighty Magic
11. Epilogue
12. Knights of Twilight’s Might

Bem, vamos fazer o check in:
- Nome genérico? Confere.
- Título de álbum clichê? Confere.
- Capa com um dragão? Confere.
- Uma história épica sobre um mundo de magia e heróis? Confere.
- Títulos com palavras como Battle, Dragon, Hero(es), Magic, Might? Confere.
- Vocais limpos estridentes e agudos? Confere
- Profusão de partes sinfônicas, teclados e coros grandiosos? Confere.
- Refrões feitos sobre medida para cantarmos juntos? Confere.
- Guitarras e baixo velozes, com esse último no compasso da bateria? Confere.
- Canção épica de 10 minutos ou mais? Confere em dobro.

Como podemos ver, os suecos do Twilight Force usam e abusam de todos os clichês existentes no Power Metal Sinfônico, tanto que durante os 70 minutos de duração de Heroes Of Mighty Magic, perdura aquela sensação de que já ouvimos tudo isso antes. O som é genérico e isso não dá para discutir. Então porque raios, esse álbum consegue ser tão legal e divertido? Está ai uma pergunta que tentarei responder aqui.


Seu trabalho de estreia, Tales of Ancient Prophecies (14), conseguiu chamar a atenção dos fãs de Power Metal Sinfônico ao ponto de a Nuclear Blast oferecer um contrato ao grupo e investir pesado pra o lançamento de Heroes Of Mighty Magic. E isso se justifica claramente pela qualidade do que escutamos aqui. Confesso que há muito não tenho paciência para o estilo, e raras são as bandas que se enveredam por esses lados que ainda consigo escutar. Na verdade, apenas o Rhapsody (of Fire) e o Gloryhammer, sendo que esse último sequer se leva a sério, tamanha a forma como são caricatos. E bem, de certa forma isso também ocorre aqui, já que cada um dos membros do Twilight Force representa um personagem fictício. Aliás, se você for fã de RPG, vai se deliciar com o encarte do álbum.

Musicalmente falando, Chrileon (vocal), Lynd (guitarra/alaúde), Aerendir (guitarra), Borne (baixo), De'Azsh (bateria) e Blackwald (cembalo/teclado/piano/violino), que no debut utilizava o nome de Eldhrimnir) apresentam exatamente o que se espera deles, ou seja, melodias verdadeiramente grudentas e cativantes, orquestrações simplesmente exuberantes (que não soam forçadas) e que junto com os teclados, assumem o comando das canções. O Rhapsody (of Fire) é a principal referência aqui e o maior exemplo disso, sem sombra de dúvidas, está em  “Riders of the Dawn”, que poderia fazer parte de qualquer um dos primeiros trabalhos dos italianos.

Aliás, Fabio Lione está entre os convidados aqui, fazendo uma participação em  “There and Back Again”, um épico bombástico com mais de 10 minutos, com refrão daqueles grudentos. Talvez por não terem colocado nenhuma canção nesses moldes no debut, aqui resolveram incluir duas, as já citadas acima e  “Heroes of Mighty Magic”, que possui uma atmosfera verdadeiramente majestosa e conta com a participação de ninguém menos que Joakim Brodén, do Sabaton (o Twilight Force é outra banda sueca a vir de Falun). Outras canções que merecem ser destacadas aqui são “Battle of Arcane Might”, que abre os trabalhos retratando perfeitamente o que encontraremos no restante da audição,  “Flight of the Sapphire Dragon”, com um bom trabalho de guitarras e “To the Stars”, rápida, com belos solos e arranjos orquestrais destacados.


Dispensáveis aqui, apenas as duas últimas faixas presentes. A sensação que temos é que o trabalho é dividido em duas partes, ambas se encerrando com canções épicas, em “There and Back Again” e “Heroes of Mighty Magic”. Mas por algum motivo, ao final dessa última resolveram incluir um epílogo de mais de 6 minutos, com um narrador contando desnecessariamente uma história que ficou muito clara durante os mais de 60 minutos de música que o antecederam. A sequência, com a curta “Knights of Twilight’s Might”, soa totalmente desnecessária.

Toda parte de produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Lynd e Blackwald, com ótimos resultados. Apesar de muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, tudo está bem claro e você não se sente perdido, conseguindo escutar todos os instrumentos presentes. Já a capa foi obra de Kerem Beyit (Heavatar). Já toda a parte de design foi elaborada pela dupla Louise Klintäng e Hanna Turi, com resultados realmente muito legais.

Sim, todos os clichês possíveis estão por aqui, como já deixei bem claro, mas Heroes of Mighty Magic consegue cativar o ouvinte e vai agradar em cheio os fãs do estilo. Talvez seja por soarem caricatos e assim divertidos, ou então por não serem pedantes e pretensiosos como o Luca Turilli's Rhapsody, ainda não cheguei a uma conclusão. Mas de uma coisa eu sei. O Twilight Force foi responsável por um dos melhores trabalhos (ou quem sabe o melhor) do estilo lançados em 2016.

NOTA: 8,5

Twilight Force é:
- Chrileon (vocal);
- Lynd (guitarra/alaúde);
- Aerendir (guitarra);
- Borne (baixo);
- De'Azsh (bateria);
- Blackwald (cembalo/teclado/piano/violino).

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Avantasia – Ghostlights (2016)


Avantasia – Ghostlights (2016)
(Voice Music – Nacional)

01. Mystery of a Blood Red Rose (Tobias Sammet)
02. Let the Storm Descend Upon You (Tobias, Jorn Lande, Ronnie Atkins, Robert Mason)
03. The Haunting (Dee Snider, Tobias)
04. Seduction of Decay (Geoff Tate, Tobias)
05. Ghostlights (Michael Kiske, Tobias, Jorn Lande)
06. Draconian Love (Herbie Langhans, Tobias)
07. Master of the Pendulum (Marco Hieatala, Tobias)
08. Isle Of Evermore (Sharon Den Adel, Tobias)
09. Babylon Vampyres (Tobias, Robert Mason)
10. Lucifer (Jorn Lande, Tobias)
11. Unchain The Light (Tobias, Ronnie Atkins, Michael Kiske)
12. A Restless Heart and Obsidian Skies (Bob Catley, Tobias)

Tenho lá minhas dúvidas se Tobias Sammet imaginou a proporção que o Avantasia tomaria quando do lançamento de seu primeiro trabalho, The Metal Opera, em 2001. De lá pra cá, se seguiram mais 6 trabalhos (contando com Ghostlights) e o Avantasia, que começou como um simples projeto, tomou ares de uma das maiores bandas da história do Power Metal.

Bem, já vou deixando claro a todos, meu parâmetro de qualidade para comparação são os dois The Metal Opera, mas não pelo estilo de música praticado nos mesmos, mas sim pela qualidade das composições presentes em ambos. E bem, posso começar dizendo que se você estiver esperando por um típico trabalho de Power Metal, que remeta em matéria de sonoridade os dois primeiros álbuns, vai se decepcionar um pouco.

Claro que os momentos tipicamente Power se fazem presentes aqui, isso é algo inevitável, mas os elementos Sinfônicos, Progressivos e até mesmo uma ou outra passagem mais puxada para o Hard são encontradas nas canções. O grande problema é que a fórmula adotada por Tobias já está esgotada e em poucas vezes funciona de verdade. Apesar de termos boas melodias, não chegam ser marcantes e os riffs aqui presentes acabam soando um tanto requentados. Os refrões também não estão tão impactantes como em trabalhos anteriores. Tobias se arrisca pouco a sair da receita de bolo criada por ele para o Avantasia.

Um outro pecado foi a grande quantidade de vocalistas, o que impediu que alguns fossem melhores explorados, caso por exemplo de Herbie Langhans, do Sinbreed, que se destaca em um dos momentos no qual Sammet arrisca a sair de sua zona de conforto. Dois nomes aqui se destacam dos demais, Michael Kiske e Jørn Lande. Já no campo oposto, acabam mal aproveitados músicos do quilate de Sharon den Adel (em uma balada insossa) e Bob Catley (faltou um refrão de impacto aqui). Ainda atuaram como convidados, Bruce Kulick e Oliver Hartmann (ex-At Vance), tocando guitarras em algumas faixas e o baterista do Edguy, Feliz Bohnke.

Isso quer dizer que Ghostlights é uma verdadeira arma de destruição em massa de tão ruim e óbvio? De forma alguma, pois Tobias Sammet, mesmo passando a maior parte do tempo acomodado, consegue acertar a mão quando se permite arriscar ou a inspiração está em dia. Vide por exemplo, a já citada participação de Herbie Langhans em “Draconian Love” com momentos tipicamente góticos ou os mais de 12 minutos de “Let the Storm Descend Upon You”, com vocais divididos entre Tobias, Jorn, Ronnie Atkins (Pretty Maids) e Robert Mason (Warrant) e onde ele consegue evitar qualquer tipo de exagero, o que resulta em uma música simplesmente épica. “Master of the Pendulum”, com participação de Marco Hietala (Nightwish), também é outra que se destaca bastante pela agressividade. Já “Mystery of a Blood Red Rose”, única que Tobias canta sozinho, mostra que quando ele quer criar um refrão grudento, poucos conseguem superá-lo, enquanto “Ghostlights” (com Jørn e Kiske) e “Unchain The Light” (Kiske e Atkins) provam que ele não perdeu a mão para compor Power Metal, já que ambas vão empolgar os amantes do estilo.

Ao final, nem 8 e nem 80, mas apenas um álbum do Avantasia que agradará em cheio os fãs da banda e fornecerá mais motivos para os que não curtem denegrirem a mesma (o que julgo injusto). Se você anseia por escutar um novo The Metal Opera, o conselho que te dou é que vá lá na sua estante de CDs, pegue os títulos em questão e os coloque para tocar no som, porque isso não ocorrerá novamente. Sammet não precisa compor novamente esses álbuns, pois já o fez a 15 e 14 anos atrás e a vida seguiu seu curso evolutivo natural. A nota que vou dar pouco importa aqui (ela vai refletir em parte o meu gosto musical), pois se você for realmente for fã da banda, vai aprovar com louvor Ghostlights.

Só lembrando que o álbum está saindo em uma primeira prensagem nacional limitada a 1000 cópias, dupla, embalada em um digipack lindo e numerada a mão. Então corram porque certamente vai vender igual água no Deserto do Saara.

NOTA: 7,5

Avantasia é:
- Tobias Sammet (Vocal/Teclado/Baixo)
- Sascha Paeth (Guitarra/Teclado/Baixo)
- Miro (Teclado/Orquestrações)

Convidados:
- Felix Bohnke (Edguy) (Bateria)
- Herbie Langhans (Sinbreed) (Vocal)
- Robert Mason (Warrant) (Vocal)
- Bruce Kulick (Grand Funk Railroad/Ex-Kiss) (Guitarra)
- Oliver Hartmann (ex-At Vance) (Guitarra)
- Dee Snider (Twisted Sister) (Vocal)
- Geoff Tate (Operation:Mindcrime/ex-Queensrÿche) (Vocal)
- Marco Hietala (Nightwish) (Vocal)
- Sharon den Adel (Within Temptation) (Vocal)
- Michael Kiske (Kiske Somerville/Place Vendome/Unisonic/ex-Helloween) (Vocal)
- Ronnie Atkins (Pretty Maids) (Vocal)
- Bob Catley (Magnum) (Vocal)
- Jørn Lande (Allen-Land/ex-Masterplan)


Para comprar:


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Delain – The Human Contradiction (2014)




Delain – The Human Contradiction (2014)
(Napalm Records - Importado)

01. Here Comes The Vultures
02. Your Body Is A Battleground (feat. Marco Hietala)
03. Stardust
04. My Masquerade
05. Tell Me, Mechanist (feat. George Oosthoek)
06. Sing To Me (feat. Marco Hietala)
07. Army Of Dolls
08. Lullaby
09. The Tragedy Of The Commons (feat. Alissa White-Gluz)

Quando falamos em Metal Sinfônico vindo da Holanda, os primeiros nomes que virão em sua cabeça certamente serão Épica e Within Temptation. Alguns certamente poderão recordar do hoje finado After Forever, mas poucos irão citar o Delain logo de cara como fazendo parte da linha de frente do estilo. A verdade é que apesar de uma carreira consistente e de vir crescendo em popularidade nos últimos anos, sempre faltou aquele algo mais para que chegassem ao mesmo nível de popularidade dos nomes citados. Sempre enxerguei o Delain como uma banda muito similar ao Within Temptation, já que assim como esta, sempre teve certo apelo pop em suas músicas. A diferença é que no caso deles, por mais que Charlotte Wessels tenha uma voz agradável e cativante, não tem o alcance de uma Sharon Den Adel. Em resumo, sempre os achei um tanto sem graça, sem sal.

Mas The Human Contradiction tem potencial para me fazer rever certos conceitos. Conduzidos pelos teclados de Martijn Westerholt (sem dúvida alguma, a força motriz por de trás da banda) e por ótimos refrões (o apelo pop se faz presente em certos momentos), conseguiram imprimir um pouco mais de peso em sua música, se descolando dos rumos tomados pelo Within Temptation. Se este último vem seguindo um caminho cada vez mais na direção de tornar sua música comercial (Hydra esta ai para confirmar isso), o Delain optou por se aproximar mais do Metal. O álbum conta com três participações especiais, Marco Hietala (Nightwish), George Oosthoek (Orphanage) e Alice White-Gluz (ex The Agonist, Arch Enemy), que só agregam qualidade ao trabalho. Apontaria como destaque aqui “Your Body Is A Battleground” com um dueto funcional entre Charlotte e Hietala, “Stardust” e “My Masquerade”, faixas com apelo mais pop de todo trabalho, “Tell Me, Mechanist”, a mais agressiva e com ótimos vocais guturais a cargo de Oosthoek e “The Tragedy Of The Commons”, pesada e mais operística, contando com ótima participação de Alice, que se saiu muito bem tanto nos vocais limpos quanto nos guturais.

Com um trabalho mais maduro e pesado, The Human Contradiction tem potencial para levar o Delain a um patamar mais elevado no cenário do Metal Sinfônico. Aquele apelo pop ainda está ali, é uma característica inerente à banda, principalmente pelos vocais de Charlotte, só que agora, mais confiantes, deram um importante passo adiante e tem tudo para agradar aqueles que curtem bandas como Lacuna Coil, Épica, Within Temptation ou Nightwish. Se é a sua praia, pode correr atrás sem arrependimentos.

NOTA: 7,5





quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Rhapsody of Fire – Dark Wings of Steel (2013)




Rhapsody of Fire – Dark Wings of Steel (2013)
(AFM Records - Importado)
               
01. Vis Divina  
02. Rising From Tragic Flames
03. Angel of Light
04. Tears of Pain
05. Fly To Crystal Skies
06. My Sacrifice
07. Silver Lake of Tears
08. Custode Di Pace
09. A Tale of Magic
10. Dark Wings of Steel
11. Sad Mystic Moon
12. A Candle To Light (Bonus Track)

Quando Luca Turilli rompeu com a banda e formou seu próprio Rhapsody, diga-se de passagem, de forma amigável, me perguntei por que precisaríamos de mais um Rhapsody no mundo, afinal de contas, o original já a muito vinha demonstrando sinais de cansaço, com sua fórmula pomposa de fazer música. Quando a banda de Turilli lançou Ascending To Infinity no ano passado, era exatamente o que todos esperavam. Metal sinfônico cinematográfico, com toda gama de pompa e exageros que se têm direito. Dessa forma, estava muito curioso para ver o que o original iria apresentar nesse Dark Wings of Steel, se repetiria a fórmula já batida que os consagrou como um dos maiores nomes do Melódico em todos os tempos ou se procuraria novos rumos para sua música.
Felizmente, para a surpresa de muitos, o Rhapsody capitaneado por Alex Staropoli escolheu a segunda opção. Não que todas aquelas características que marcaram a carreira da banda não estejam presentes, afinal de contas, as orquestrações, os coros e as melodias continuam por aqui, mas agora de uma forma muito mais dosada, sem exageros de outrora. Digamos que soam mais Metal e menos teatral. Esse despojamento, essa organicidade maior, só fez muito bem a banda. Podemos notar agora a guitarra, a cargo de Roberto De Micheli (que por sinal, fez um belo trabalho), muito mais presente, com ótimos riffs e solos e mais peso do que de costume em se tratando de um álbum dos italianos. As músicas também estão menos velozes, saindo daquele clichê do Metal Melódico no qual apostaram por anos, mostrando que uma pitada de modernidade e diversidade não faz mal a ninguém. Claro que ainda temos músicas velozes por aqui, vide o exemplo da ótima “Silver Lake of Tears”, mas esse lado mais “dark” é o que predomina durante toda audição. Os destaques aqui vão para “Rising From Tragic Flames”, umas das faixas onde o Rhapsody clássico dá as caras, “Angel of Light”, “Tears of Pain”, a já citada “Silver Lake of Tears”, “A Tale of Magic” e a faixa título, o elo entre o velho e o novo Rhapsody.
É indiscutível que no passado o Rhapsody lançou verdadeiros clássicos do Metal Melódico, mas já a muito que a banda havia caído no piloto automático, lançando álbuns burocráticos e repetitivos. Com Dark Wings of Steel, resolveram sair da zona de conforto e depois de muito tempo voltam a fazer um trabalho de relevância. Se você, fã, estava preocupado em como a banda soaria sem Luca Turilli, pode respirar aliviado, pois não irá se decepcionar com o resultado final. Mostrando muita maturidade e provando a todos que ainda têm muita a oferecer, o Rhapsody voltou lançando seu melhor álbum nos últimos 10 anos, pelo menos.

NOTA: 8,0