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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Therion – Theli (1996)


Therion – Theli (1996)
(Nuclear Blast/Shinigami Records)


01. Preludium
02. To Mega Therion
03. Cults of the Shadow
04. In the Desert of Set
05. Interludium
06. Nightside of Eden
07. Opus Eclipse
08. Invocation of Naamah
09. The Siren of the Woods
10. Grand Finale / Postludium
11. In Remembrance (bônus)
12. Black Fairy (bônus)
13. Fly to the Rainbow (bônus)

No início, com as demos e o seu debut, Of Darkness… (91), tudo era puramente Death Metal. Com Beyond Sanctorum (92), os primeiros vocais femininos surgiram, de forma discreta, sinalizando que algo de diferente estava sendo gerado. Foi a partir do lançamento de Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas (93), que o ovo do dragão começou a eclodir, com teclados e partes sinfônicas se fazendo mais presentes, algo que se reforçou ainda mais com o ótimo Lepaca Kliffoth (95). Mesmo assim, nenhum fã do Therion estava preparado para Theli, um dos trabalhos mais inspirados de toda cena Metal dos anos 90, e responsável não só por fazer a banda crescer em popularidade, como também por dar origem a todo um subgênero, o Metal Sinfônico.

Após a boa repercussão de Lepaca Kliffoth, o Therion tratou de entrar em estúdio em janeiro de 1996, para aproveitar o bom momento. Apesar disso, Christofer Johnsson, não queria mais um trabalho que estivesse focado nas guitarras e na sua voz, e então disse a Nuclear Blast que gostaria de fazer um álbum totalmente sinfônico. Por mais que a ideia fosse extremamente arriscada e extravagante, a gravadora deu o sinal verde, e lá foi o quarteto, na época, formado por Christofer, Jonas Mellberg (guitarra), Lars Rosenberg (baixo) e Piotr "Docent" Wawrzeniuk (bateria/vocal), dar seu passo mais ousado.


Em Theli, os teclados e partes sinfônicas que já haviam dado as caras em trabalhos anteriores, foram trazidos para o centro do palco, e se tornaram um elemento essencial da música do Therion. Nos vocais, além de Christofer Johnsson, trouxeram para estúdio ninguém menos de Dan Swanö (Edge of Sanity, Nightingale, Witherscape), a soprano Anjs Krenz e o baixo-barítono Axel Patz, além de pela primeira vez, contar com o apoio de coros de ópera, nesse caso, o The North German Radio Choir e o The Siren Choir. O resultado é fabuloso, com um trabalho vocal variadíssimo e diferenciado. O instrumental não fica atrás, pois mescla elementos de Death, Power, Gothic e Prog Metal, com influências neoclássicas soa simplesmente brilhante. As guitarras de Johnsson e  Mellberg trafegam com naturalidade entre os estilos, entregando não só ótimas melódias, como solos belíssimos. A parte rítmica, com Lars e Piotr se mostra muito técnica, e brilha em diversos momentos. Os sintetizadores foram muito bem utilizados, criando atmosferas sombrias, que casam perfeitamente com o lado esotérico das letras.

Após a introdução, com a instrumental “Preludium”, temos aquele que é o maior clássico de toda a história da banda, a magnífica “To Mega Therion”, onde os maiores destaques ficam para o belo trabalho de coral, os ótimos riffs e o bom trabalho da bateria. Curiosamente, ela foi composta originalmente em 1993, mas deixada de lado por Johnsson, que a considerava muito melódica e comercial para o momento da banda. Com Theli, ele viu a oportunidade perfeita para gravá-la. O álbum tem sequência com “Cults of the Shadow”, que agrega elementos mais progressivos, possui um trabalho de baixo bem marcante, além de melodias e coros que criam um clima muito sombrio. “In the Desert of Set” tem uma base um pouco mais voltada para o Death Melódico, com os corais, elementos neoclássicos e sintetizadores criando uma atmosfera que remete ao Egito Antigo. A instrumental “Interludium” funciona como uma faixa de transição, ligando as metades do álbum.


A segunda metade abre com a ótima “Nightside of Eden”, com suas guitarras pesadas, boas melodias, corais e refrão muito marcantes. Esse último, por sinal, gruda na cabeça por uns dias. A instrumental “Opus Eclipse” poderia ser só mais uma canção para preencher espaço, mas passa longe disso com seu ótimo trabalho de guitarras e de sintetizadores. “Invocation of Naamah” é outro dos pontos altos do álbum, com seu instrumental que se envereda pelo Power Metal, ótimos riffs e elementos neoclássicos que só acrescentam. “The Siren of the Woods” é a faixa mais calma de todo álbum, trazendo um clima mais gótico para o trabalho, soando bem onírica. Para completar, é toda escrita no idioma acadiano. Encerrando, mais uma instrumental, “Grand Finale / Postludium”, que resume com perfeição tudo que foi apresentado. Apesar de não constar na listagem do CD, temos aqui mais 3 faixas bônus. “In Remembrance”, “Black Fairy” e o cover para  “Fly to the Rainbow”, do Scorpions, que na época do lançamento, saíram na edição japonesa do álbum, e posteriormente em A'arab Zaraq – Lucid Dreaming (97). Vale dizer que às duas primeiras originalmente deveriam ter entrado em Theli, mas por destoarem um pouco das demais na atmosfera, acabaram ficando de fora.

A produção ficou a cargo da dupla Gottfried Koch (Dreams of Sanity, EverEve, Darkseed) e Jan Peter Genkel (Cradle of Filth, Nightfall, Seven Witches), com o último cuidando também da mixagem e masterização. É a melhor produção da banda até então, pois permite que você escute tudo que ocorre com perfeição, tamanha a clareza obtida. Vale dizer que conseguiram isso sem tirar o peso da banda. Já a capa, com o Deus egípcio Set e elementos ocultistas, foi criação de Peter Grøn (Dimmu Borgir, Hypocrisy, Pain). Apresentando canções que mesclam com perfeição Metal, com influências neoclássicas, peso, melodia e tpecnica, o Therion apresentou um trabalhou que primou pela originalidade, e que lançou as bases para o que viria a se tornar o Metal Sinfônico, fazendo assim de Theli, um dos trabalhos mais clássicos de sua carreira. Obrigatório!

NOTA: 94

Therion (gravação):
-  Christofer Johnsson (guitarra, vocal, teclado)
- Jonas Mellberg (guitarra/teclado),
- Lars Rosenberg (baixo),
- Piotr "Docent" Wawrzeniuk (bateria/vocal).

Participações:
- Dan Swanö (vocal),
- Anjs Krenz (vocal/soprano),
- Axel Patz (vocal/baixo-barítono),
- Jan Peter Genkel (piano, teclado e programação),
- Gottfried Koch (teclado e programação),
- The North German Radio Choir,
- The Siren Choir.

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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Angel's Fire - O Conto (2018)


Angel's Fire - O Conto (2018)
(Independente - Nacional)


01. O Conto (prelúdio)
02. Anjo de Luz
03. Sacrifício
04. Guardião
05. Além do Horizonte
06. Meu Desejo
07. Novo Reino
08. Pensamentos em uma Linda Noit
09. Tonight
10. Angel's Fire
11. Meu Desejo (instrumental)

Para início de conversa, já vou deixar algo claro: o Angel’s Fire é uma banda de temática cristã, então se isso é algo que te incomoda, já pode parar a leitura. Independente de visões pessoais, o A Música Continua a Mesma é um espaço democrático e plural, e a não ser que uma banda (ou seus membros) pregue mensagens de ódio e discriminação, todo e qualquer nome terá espaço aqui. Posto isso, o quinteto hoje formado por Priscila Lira (vocal), Israel Lira (guitarra), Saymo Roberto (baixo), Ítalo Liano (teclado) e André Lima (bateria), e surgido no ano de 2004, na cidade de Recife/PE, se envereda pelo lado Metal Sinfônico, com toques de Power e Metal Tradicional. Não é uma proposta original, e para muitos, já deu o que deveria dar, mas ainda sim, quando bem executada, pode render bons frutos.

Algumas referências musicais ficam bem clara durante a audição, sendo Nightwish (muito), Stratovarius e Sonata Arctica (menos), as mais perceptíveis. Ainda sim, o Angel’s Fire não faz emulação pura e simples - por mais que às vezes esbarrem nisso -, e consegue imprimir alguma personalidade as canções. Os vocais de Priscila são muito agradáveis, e em momentos algum soam enjoativos aos ouvidos. Israel Lira é um guitarrista muito talentoso, entregando bons riffs e solos bem interessantes, enquanto a parte rítmica, com o baixista Saymo Roberto e o baterista André Lima, se mostra bem técnica e coesa. Quanto aos teclados de Ítalo Liano, eles são muito bem encaixados nas canções, sem soarem exagerados e criando o clima mais sinfônico necessário para a proposta musical dos pernambucanos.

Como já dito acima, musicalmente o Angel’s Fire não apresenta absolutamente nada de diferente do que já foi feito em se tratando do estilo nos últimos 20 anos. Em muitos momentos, por sinal, as influências ficam um pouco claras de mais, e bate aquela sensação do “eu já escutei isso em algum lugar”. Entretanto, é inegável a honestidade e paixão que colocam em cada nota, o que acaba equilibrando a balança a favor da banda. As letras, cantadas em português, podem incomodar um ou outro, mas sinceramente, não chegam a resvalar no panfletário. Cabe dizer que funcionam bem no nosso idioma pátrio, mostrando que esse papo de Metal cantado em português não dar certo, não passa de uma falácia. Mesmo assim, se arriscaram no inglês em duas canções aqui presentes, e vale dizer que funcionou muito bem, e pode ser uma aposta futura do quinteto para atingir o mercado internacional. 


Após breve introdução sinfônica, temos “Anjo de Luz”, com um trabalho de guitarra interessante, boas melodias, e sem negar a influência dos primeiros trabalhos do Nightwish sobre a banda. “Sacrifício” pende mais para o Power Melódico, e se mostra pesada, enquanto “Guardião” apresenta riffs e melodias interessantes. “Além do Horizonte” mescla teclados que você escutaria em um álbum do Stratovarius, com riffs que remetem a banda de Tuomas Holopainen, mas de uma forma que não soa como simples emulação. O Nightwish volta a dar as caras em “Meu Desejo”, mas de uma forma que faz você pensar quais canções dos finlandeses serviram de base, principalmente no refrão, onde tudo fica mais evidente. Até mesmo a participação de Nenel Lucena, que divide alguns vocais com Priscila, acabam remetendo as partes cantadas por Marco Hietala. “Novo Reino” é um Power Metal com bons elementos sinfônicos, sendo seguida pela balada introspectiva “Pensamentos em uma Linda Noite”. Para encerrar, as pesadas “Tonight” e “Angel's Fire”, cantadas em inglês, e uma versão instrumental para “Meu Desejo”.

Produzido por Israel Lira e Nennel Lucena, o álbum teve sua mixagem e masterização realizadas no estúdio Mr. Prog. O resultado ficou bom, já que está tudo equilibrado, bem timbrado e audível. Poderia ser um pouco menos cru, dado a proposta da banda, mas não chega a ser algo que atrapalhe e influencie no final. Já o projeto gráfico foi elaborado por Israel Lira, com arte gráfica de Ítalo Liano. Tudo muito bem-feito e bonito, denotando o profissionalismo dos pernambucanos. Musicalmente o Angel's Fire não sai do lugar-comum em se tratando dessa mescla de Metal Sinfônico com Power Metal, mas mesmo apresentando zero de novidade, conseguem executar sua proposta muito bem, compensando com honestidade, talento e energia, a certa previsibilidade do álbum. Para um debut, está ótimo, mas para um segundo álbum, um pouco mais de identidade própria vai ajudar demais. Mais um nome promissor vindo do nosso Nordeste!

NOTA: 78

Angel's Fire:
- Priscila Lira (vocal),
- Israel Lira (guitarra),
- Saymo Roberto (baixo),
- Ítalo Liano (teclado) e
- André Lima (bateria)

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)


Beyond the Black - Lost In Forever (Tour Edition) (2017)
(Hellion Records - Nacional)


01. Lost In Forever
02. Beautiful Lies
03. Written In Blood
04. Against The World
05. Beyond The Mirror
06. Halo Of The Dark
07. Dies Irae
08. Forget My Name
09. Burning In Flames
10. Nevermore
11. Shine And Shade
12. Heaven In Hell
13. Love's A Burden
14. The Other Side
15. Dim The Spotlight
16. Our Little Time
17. Rage Before The Storm

Não dá para negar que a cena do Metal Sinfônico estagnou nos últimos anos e, salvo raras exceções, a maior parte dos trabalhos é comum e repete os mesmos clichês de sempre do estilo. Sendo assim, não deixa de ser uma surpresa que uma banda novata, como a alemã Beyond the Black, possa estar fazendo um relativo barulho desde o lançamento de seu debut, Songs of Love and Death (15). E por que digo isso? Elementar, meu caro Watson (sim, temos um Xeroque Holmes aqui), isso se dá porque não apresentam absolutamente nada de novo em matéria de sonoridade.

O Beyond the Black, se aproveitando dos bons resultados obtidos por seu álbum de estreia, não quis perder muito tempo, já partindo quase que imediatamente para estúdio, soltando assim já no início do ano passado o seu segundo trabalho, Lost In Forever, que ganhou agora uma Tour Edition, com 4 faixas bônus e que está sendo lançado no Brasil pela Hellion. Nele, seguiram quase à risca aquele ditado do “não se mexe em time que está ganhando”, já que pouca coisa mudou em relação a Songs of Love and Death. Efetivamente, as únicas diferenças aqui se dão pela participação de Rick Altzi (At Vance, Masterplan), que divide os vocais com Jennifer Haben em “Beautiful Lies” e por uma maior quantidade de vocais masculinos agressivos, se aproximando um pouco nesse sentido do que faz, por exemplo, o Epica.

Basicamente, são canções que seguem a fórmula padrão do Metal Sinfônico, com boas partes melódicas, bom trabalho de guitarra, em canções claramente orientadas para os refrões fortes e de fácil assimilação e principalmente, para a ótima Jennifer Haben, que já pode ser colocada sim entre as principais vozes femininas do Metal. Tudo isso acaba dando uma boa dose de acessibilidade à sonoridade do Beyond the Black (e que pode incomodar um pouco no início), mesmo que não abram mão do peso na maior parte do tempo. Para que a audição não se torne cansativa, optaram por alternar canções mais “épicas” com (semi) baladas, o que ajuda muito no final, já que sem isso, as chances do trabalho se tornar maçante seriam grandes.


Na maior parte do tempo, você fica com aquela sensação do “já ouvi isso antes”, já que boa parte das canções soa familiar aos ouvidos mais acostumados com o estilo. “Lost In Forever” é uma boa faixa de abertura, graças às partes sinfônicas, que ficaram muito boas, e ao refrão para lá de grudento. O bom equilíbrio entre as orquestrações e o lado Metal dão o tom em “Beautiful Lies”, que conta com a já citada participação de Rick Altzi, que acaba dando um bom diferencial à canção. Já “Written In Blood”, além de possuir peso, tem um refrão que empolga. A sequência composta pelas ótimas “Halo Of The Dark” e “Dies Irae” é outro destaque aqui, pela energia que passam. Outra que vale a pena citar é “Heaven In Hell”, que se destaca não só pelo seu peso, como por possuir uma boa dose de agressividade. Já entre as 4 canções que vieram de bônus, os destaques ficam por conta da bela balada “The Other Side” e principalmente “Rage Before The Storm”, divertida e com um refrão daqueles forjado sobre medida para todos cantarem nos shows da banda.

Falta identidade ao Beyond the Black? Sim, já que durante toda a audição, nomes como Nightwish, Epica, After Forever e Withim Temptation virão à sua cabeça. Isso se torna um grande problema? No final das contas, nem tanto, e por dois motivos simples: a honestidade com a qual tocam e, principalmente, a energia que imprimem em suas canções. Isso acaba por compensar a já citada sensação do “já ouvi isso antes” que perdura por toda a audição de Lost In Forever. Um fato curioso é que, após o lançamento do trabalho no ano passado, a banda passou por uma reformulação radical, só ficando Jennifer da formação que gravou esse álbum.

O Beyond the Black possui um potencial razoável de crescimento e pode se tornar tão grande quanto um Epica, por exemplo. Basta ter mais calma e no próximo lançamento, trabalhar um pouco mais as canções, sem a correria para lançar um novo álbum em um curto espaço de tempo. E claro, ousar um pouco mais, já que ter uma identidade própria não mata ninguém.

NOTA: 7,0

Beyond the Black (gravação):
- Jennifer Haben (vocal);
- Nils Lesser (guitarra);
- Christopher Hummels (guitarra/vocal);
- Erwin Schmidt (baixo);
- Tobias Derer (bateria);
- Michael Hauser (teclado).

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Tarja - The Shadow Self (2016)


Tarja - The Shadow Self (2016)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


01. Innocence
02. Demons in You
03. No Bitter End
04. Love To Hate
05. Supremacy (Muse Cover)
06. The Living End
07. Diva
08. Eagle Eye
09. Undertaker
10. Calling From The Wild
11. Too Many
12. Hit Song (Hidden Track)

Esse ano de 2016 tem sido cheio para os fãs da finlandesa Tarja, afinal, além de The Shadow Self, já tivemos o EP Innocence e The Brightest Void, um álbum-prévia, que contava com algumas canções inéditas, outras já conhecidas de sua carreira, mas que ainda não haviam sido lançadas em Cd e versões diferentes de canções que aqui entraram, além de alguns covers. Como vemos, uma fartura de lançamentos.

Tarja havia prometido que esses seriam os materiais mais pesados de sua carreira até então, algo que pudemos realmente comprovar em The Brightest Void e que se mantém em The Shadow Self, já que o Metal se faz muito mais presente aqui do que em trabalhos anteriores. As participações especiais também são fartas e enriquecem o resultado final. Se não bastasse contar com músicos do calibre de Doug Wimbish (baixo, Living Colour), Mike Terrana (bateria, ex-Masterplan, ex-Rage, ex-Yngwie J. Malmsteen, dentre outros), Max Lilja (cello, ex-Apocalyptica) e Alex Scholpp (guitarra, Sinner), ainda temos aqui nomes como Chad Smith (baterista, Red Hot Chili Peppers), Alissa White-Gluz (vocalista, Arch Enemy) e Fernando Scarcella (baterista, Rata Blanca), dentre muitos outros.

Mas claro que quando falamos em peso, não estamos nos referindo a nada exagerado, já que em momento algum o trabalho perde a acessibilidade que dele se espera. Na maior parte do tempo, o Metal e o Clássico se equilibram muito bem e Tarja procura cantar de forma bem mais natural, tornando assim os vocais líricos menos presentes, algo que do meu ponto de vista é muito positivo. Claro que nem tudo são flores, já que em alguns momentos tal mescla de estilos não funciona tão bem, ficando tudo um pouco demarcado demais, mas não é nada que comprometa o resultado final, já que possivelmente apenas os mais ranzinzas como eu irão se incomodar com tal fato.




“Innocence”, faixa de abertura, é um retrato fiel do álbum. Acessível, com uma guitarra simples, funcional e que imprime o peso necessário, além de uma parte orquestral exuberante.  Outras que seguem bem esse modelo são “Love To Hate”, “Undertaker” e “Supremacy”, essa última um cover do Muse no qual, para variar, a finlandesa consegue imprimir sua identidade. Já “Demons in You” começa com uma levada que remete ao Funk Rock (conta com Chad na bateria), mas logo adquire uma pegada bem moderna e pesada, com direito a participação de Alicia, que divide os vocais no refrão com Tarja. Outra com um peso extra é “Calling From The Wild”, com um belo trabalho de guitarra. “The Living End” se mostra uma bonita balada, enquanto “Diva” já não funciona tão bem, soando um pouco maçante. Outra que não funciona é “Too Many”, faixa que encerra o álbum e sem dúvida o momento mais experimental do mesmo. Se você deixar o Cd rolando após o final da mesma, vai se deparar com uma faixa escondida, mas que não acrescenta muita coisa (apesar do peso).

Mas os dois grandes destaques de The Shadow Self são “No Bitter End” e “Eagle Eye”, faixas presentes em The Brightest Void e que aqui estão em suas versões finais. A primeira se mostra acessível, mas com ótimos riffs e um ótimo refrão. Realmente me empolgou. Já a segunda, além do ótimo dueto entre Tarja e seu irmão Tony, ganhou uma dose extra de peso. Supera em muito a versão anterior.

A produção, como não poderia deixar de ser, é excelente, conseguindo equilibrar muito bem todos os elementos da música de Tarja, tendo sido responsabilidade dela, do seu marido Marcelo Isaac Cabuli e de Tim Palmer (Ozzy Osbourne, Sepultura), que também  cuidou da mixagem. Já a masterização ficou por conta de Justin Shturtz (Jag Panzer, Thunderstorm) e a capa foi obra do Büro Dirk Rudolph.

Posso dizer sem medo que The Shadow Self é o melhor trabalho de Tarja até hoje. Conseguindo equilibrar bem o Clássico e o Metal, injetando mais peso as suas canções, mas sem perder a acessibilidade e soando muito mais natural que no passado, esse é um álbum que vai não só agradar em cheio aos fãs da finlandesa, como também tem potencial para agradar aqueles que até então não haviam se sentido atraídos por seu trabalho.

NOTA: 8,0

Tarja é:
- Tarja Turunen (vocal, piano);
- Alex Scholpp (guitarra);
- Doug Wimbish (baixo);
- Mike Terrana (bateria);
- Christian Kretschmar (teclado);
- Max Lilja (cello).

Gravação:
- Tony Turunen (vocal na faixa 8);
- Julián Barrett (guitarra e violão nas faixas 2, 5, 8 e 11);
- Luis Conte (percussão nas faixas 3, 6, 7 e 8);
- Chad Smith (bateria nas faixas 2, 3 e 11);
- Alissa White-Gluz (vocal na faixa 2);
- Fernando Scarcella (bateria nas faixas 2, 5 e 7);
- Tim Palmer (guitarra e violão nas faixas 3 e 10, teclado nas faixas 1, 3 e 4);
- Jim Dooley (guitarra de 12 cordas na faixa 6);
- Kevin Chown (baixo nas faixas 1, 2, 3 e 5 e baixo acústico na faixa 6);
- Anders Wollbeck (teclado nas faixas 1 e 7);
- Guillermo d'Medio (teclado nas faixas 4, 6, 9 e 10);
- Atli Örvarsson (programação na faixa 9);
- Jetro Vainio (programação na faixa 11);
- Izumi Kawakatsu (piano na faixa 1);
- Marcelo Isaac Cabuli (orgão na faixa 7);

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Epica - The Holographic Principle (2016)


Epica - The Holographic Principle (2016)
(Nuclear Blast - Importado)


01. Eidola   
02. Edge of the Blade   
03. A Phantasmic Parade   
04. Universal Death Squad   
05. Divide and Conquer    
06. Beyond the Matrix    
07. Once upon a Nightmare    
08. The Cosmic Algorithm   
09. Ascension - Dream State Armageddon    
10. Dancing in a Hurricane   
11. Tear Down Your Walls    
12. The Holographic Principle - A Profound Understanding of Reality

Logo que o Epica surgiu com seus primeiros trabalhos, eu não conseguia entender a empolgação de muitos com seu som. Seu Metal Sinfônico era muito mais sinfônico do que qualquer outra coisa e as guitarras eram apenas mero detalhe meio às partes orquestrais e ao vocal operístico de Simone Simons, por mais que ainda assim soassem mais pesados que seus pares. Mas desde Requiem for the Indifferent (12), já com o guitarrista Isaac Delahaye fazendo parte efetivamente do grupo, isso começou a mudar paulatinamente e a guitarra começou a ganhar mais espaço nas canções.

Em seu trabalho anterior, The Quantum Enigma (14), o Epica parecia ter chegado a seu ápice, unindo suas características básicas com um som pesado, moderno e atual, tudo soando absurdamente natural (resenha aqui). Pois bem, perceberam que eu disse “parecia”? The Holographic Principle vem para mostrar que os holandeses podem voar ainda mais alto do que imaginei. Em seu 8º trabalho de estúdio, sua sonoridade alcançou um padrão que eu realmente não imaginava que conseguiriam.

Claro, ainda temos aqui aquela fórmula básica de como fazer uma canção do Epica, ou seja, abertura orquestrada/grandiosa, peso mesclado com elementos do Progressivo, que dão complexidade às músicas, seguido de um refrão que cativa fácil o ouvinte. A banda criou um estilo todo seu, que as outras por mais que tentem imitar, não conseguem igualar. Ajuda muito nisso também a qualidade individual de todos os seus músicos e o fato de todos terem voz na parte criativa. É isso que impede o Epica de se tornar uma banda repetitiva.



Aqui parece que conseguiram maximizar ainda mais tudo de bom que já apresentavam. Os coros estão simplesmente perfeitos e as orquestrações estão um show à parte. Pesa nisso o fato de terem trocado os samples por instrumentos reais, o que deu uma outra profundidade às suas canções. Além disso, tudo soa mais pesado e como de praxe, elementos de diversos outros estilos podem ser observados aqui. Quer um exemplo?

Podemos observar a influência de música oriental em diversas passagens por aqui, como na cativante  “A Phantasmic Parade”, que conta com uma parte de coro e orquestra simplesmente fabulosa, além de ótimos guturais de Mark (algo que você vai escutar bastante nesse trabalho) e principalmente na hipnótica  “Dancing in a Hurricane”, que faz jus ao título. Outro? “Ascension - Dream State Armageddon” começa com um piano e os vocais de Simone e vai crescendo aos poucos, até explodir em peso, chegando em alguns trechos a remeter àquele Black Sinfônico praticado pelo Dimmu Borgir (muito disso graças aos teclados, simplesmente fantásticos). Já “The Cosmic Algorithm” é bem Metal e abre espaço para aquele lado mais gótico dos holandeses. Aliás, o peso das guitarras no álbum todo impressiona, se lembrarmos que estamos diante de uma banda de Metal Sinfônico.

Mas existem muitos outros destaques por aqui. “Edge of the Blade” se mostra absurdamente enérgica, com um coral simplesmente incrível e Simone exibindo toda sua diversidade vocal. Vale dizer que em The Holographic Principle ela dá um enfoque muito maior aos vocais convencionais se comparado com o passado mais recente. Mas claro, seus poderosos vocais operísticos se mantêm mais que presentes durante os mais de 72 minutos de duração do álbum. Esse aspecto também pode ser observado em “Universal Death Squad”, bem intrincada, com melodias bem marcantes e ótimos guturais de Mark. “Beyond the Matrix” é outra na qual você pode pescar alguns elementos orientais nas guitarras, além de possuir um ótimo solo e o refrão mais épico do álbum. Já “Once upon a Nightmare” é uma balada que tinha tudo para soar melosa, mas que o piano/teclado de Coen Janssen, os vocais de Simone e as orquestrações e corais acabam por torná-la um dos grandes destaques de todo o trabalho. Já a faixa título, que encerra o trabalho com seus mais de 11 minutos de duração, consegue reunir tudo de bom que aqui encontramos em uma única canção, sendo o resumo e encerramento perfeito para o álbum.


Como em time que está ganhando não se mexe, na produção repetiram o time do álbum anterior, tendo a mesma sido capitaneada por Joost van den Broek (After Forever, ReVamp, Mayan, Xandria) e mixagem realizada por Jacob Hansen (Evergrey, Destruction, Pyramaze, Kamelot, Primal Fear), que conseguiram elevar ainda mais o resultado obtido em The Quantum Enigma. Ficou tão perfeita que eu diria ter tirado até um pouco da naturalidade da coisa. Infelizmente esse é um mal dos tempos atuais, mas não dá para discutir a qualidade da mesma. A premissa de não mexer no que está dando certo funcionou também para a capa, aqui feita mais uma vez por Stefan Heilemann.

The Holographic Principle é desses trabalhos que devemos degustar com calma, apreciando todas as suas nuances. Com canções muito bem construídas e pesadas, corais excelentes, orquestrações poderosas e que deram muita profundidade às canções, por serem tocadas com instrumentos reais, além de um desempenho individual de todos os músicos aqui envolvidos, o Epica entrega aos seus fãs o melhor trabalho de sua carreira, seu projeto mais grandioso e ambicioso.

E aos interessados, o CD está saindo no Brasil pela Voice, com primeira edição em digipack duplo, limitado e numerado.

NOTA: 9,0

Epica é:
- Simone Simons (vocal);
- Mark Jansen (guitarra/vocal)
- Isaac Delahaye (guitarra)
- Rob van der Loo (baixo)
- Ariën van Weesenbeek (bateria/vocal)
- Coen Janssen (teclado)

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