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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)


Maestrick - The Trick Side of Some Songs (EP) (2016)
(Independente - Nacional)


01. Near -  Brain Damage
02. Yes, It’s a Medley!
03. The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle
04. The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen
05. Aqualung
06. While My Guitar Gently Weeps
07. Near -  Brain Damage (Reprise)
08. Rainbow Eyes (Bonus Track)

Responsáveis por Unpuzzle! (11), um dos trabalhos mais instigantes e criativos da história do Metal nacional, o Maestrick ressurge depois de 5 anos com The Trick Side of Some Songs, EP de covers feito para prestar reverência a algumas de suas principais influências, além de preparar o caminho para seu tão esperado segundo álbum. Mas chamar esse de um trabalho de covers é subestimá-lo, já que o que temos aqui são versões onde procuram, a sua forma, incorporar seu DNA a cada uma das canções.

Tanto na abertura como no encerramento, temos “Near – Brain Damage”, uma adaptação com letra feita pela banda, de “Almost a Brain Damage” do Pink Floyd, o que já mostra bem o espírito do EP. Em seguida, temos um medley bem legal do Yes, com trechos de “Soon”, “Close to the Edge”, “Roundabout”, “Changes” e “Give Love Each Day”. Sem perder o ritmo, emendam com duas do Queen, “The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle” e “The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and the Black Queen” (onde mesclam “The Fairy Fellers Master Stroke” e “The March of The Black Queen”). Nessa sequência de abertura simplesmente matadora, temos a banda imprimindo sua forte identidade em cada uma das versões.

Após esse início avassalador, temos versões para “Aqualung” (Jethro Tull) e “While My Guitar Gently Weeps” (Beatles), onde tiram o pé do acelerador e não se afastam tanto assim das versões originais, o que não significa que não tenham procurado, e conseguido, dar uma cara de Maestrick às canções. Após o encerramento com “Near – Brain Damage (Reprise)”, temos um bônus muito especial. A já conhecida versão para “Rainbow Eyes” (Rainbow), que fizeram para homenagear os 5 anos do falecimento de Ronnie James Dio, contando com a participação da Orquestra Belas Artes, que enriquece em muito o resultado final.

Produzido pela banda, The Trick Side of Some Songs teve mixagem e masterização feitas por Leandro Matos, com um resultado muito bom. Já a capa é novamente obra de Ricardo Chucky. Se alguém ainda tinha dúvidas, Maestrick mostrou ser uma das bandas mais criativas em atividade no Brasil. Dentro da proposta do EP, homenagear parte de suas maiores influências sem soarem como simples cópias, foram muito felizes, já que deram cara própria às versões aqui presentes.

E sabe qual o melhor de tudo? O Maestrick disponibilizou The Trick Side of Some Songs para download gratuito em seu site (clique aqui). Sendo assim, o que está fazendo aí parado que não foi trás da sua cópia ainda?

NOTA: 8,0

Maestrick é:
- Fábio Caldeira (vocal/piano/teclado)
- Renato Somera (baixo)
- Heitor Matos (bateria)

Participações:
- Rubens Silva (guitarra 1-7 e vocais nas faixas 1 e 7)
- Maurício Lopes (teclados e backings nas faixas 3 e 4)
- Dani Castro (vocais e backings)
- Carol Penhavel (vocais e backings)
- Andrea Porzio Vernino (arranjos orquestrais e condução na faixa 8)
- Oquestra Belas Artes (faixa 8)
- Paulo Pacheco (guitarra na faixa 8)

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Maestrick - Unpuzzle! (2011)


Maestrick - Unpuzzle! (2011)
(WikiMetal Music - Nacional)


01. H.U.C.
02. Aquarela
03. Pescador
04. Sir Kus
05. Puzzler
06. Disturbia
07.Treasures of the World
08. Radio Active
09. SmileSnif
10. Yellown of the Ebrium
11. Lake of Emotions

Sabe aquele conto da carochinha de que no Brasil não existe banda de Heavy Metal de qualidade? Então, da próxima vez que alguém vier com esse papo para o seu lado, esfregue Unpuzzle!, álbum de estreia do Maestrick lançado em 2011 na cara do indivíduo. Exagero? Não, de forma alguma, pois o debut do grupo de Prog Metal oriundo de São José do Rio Preto/SP, é um dos melhores álbuns do estilo lançados no país e não fica devendo nada para boa parte dos trabalhos de medalhões lá de fora.

Equilibrando muito bem Prog Metal e Rock Progressivo, o Maestrick se recusa a ser apenas mais uma banda do estilo, já que agrega ao seu som uma infinidade de outros estilos, o que resulta em uma identidade única. Vai encontrar ecos de nomes como Yes, Queen, Rush, Angra ou Dream Theater? Com toda certeza, mas também irá se deparar com elementos de MPB, Baião, Samba, Folk, Blues, Jazz e tudo mais que o quinteto julgar caber em sua música.

“Mas isso deve soar como uma verdadeira colcha de retalhos, Leandro!”. Sim, eu sei que você acabou de pensar isso, e nem o condeno por tal, já que o mesmo passaria por minha cabeça se eu estivesse no lugar de algum de vocês. Mas é ai que todos se enganam. Isso na verdade acaba por gerar composições com uma riqueza de arranjos ímpar e que saem completamente do lugar-comum. Claro, existem alguns poucos momentos no qual optam por fazer o básico do estilo (muito bem, por sinal), como em “Treasures of the World”, mas é quando se permitem experimentar que conseguem os melhores resultados.

Duvida? Escute por exemplo, faixas como a ótima “Pescador”, cantada em português e com forte influência de MPB e Baião (algo na linha do que o Angra fez em Holy Land), “Puzzler”, com sua mescla de Folk e Jazz ou “Yellown of the Ebrium”, que une de forma primorosa Prog, Blues e Samba e me diga se não está diante de um dos trabalhos mais criativos já lançados nesse país. Vale também destacar “Aquarela”, onde podemos observar a influência do Queen no som do Maestrick e a épica “Lake of Emotions”, com seus 21 incríveis minutos. Simplesmente primorosa.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Gustavo Carmo e o resultado ficou ótimo, já que permite observar com clareza cada detalhe da complexa música do Maestrick, mas sem que a mesma perca o peso. Já a capa é um belo trabalho de Ricardo Chucky. Individualmente, elogiar Fábio Caldeira (vocal/teclado), Danilo Augusto (guitarra), Maurício Figueiredo (guitarra), Renato Montanha (baixo/vocal) e Heitor Matos (bateria) é chover no molhado, já que todos brilharam aqui.

O maior pecado do Maestrick é que após um trabalho de tamanha qualidade, entraram em um hiato que já dura 5 anos com relação a um trabalho de inéditas, já que não estou contando aqui o EP de covers The Trick Side of Some Songs, lançado no início desse ano. Ao que parece, finalmente estão finalizando seu segundo álbum, que pode sair ainda nesse ano de 2016. Torço por isso, já que por tudo que escutamos em seu debut, esse é um trabalho que promete demais.

NOTA: 9,0

Maestrick (gravação):
- Fábio Caldeira (vocal/teclado)
- Danilo Augusto (guitarra)
- Maurício Figueiredo (guitarra)
- Renato Montanha (baixo/vocal)
- Heitor Matos (bateria)

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Opposite Of Hate - Beginnings (2015)




The Opposite Of Hate - Beginnings (2015)
(Gloria Mundi Records – Nacional)

01. Stolen Moments
02. Layers Of Noise
03. Beginnings
04. Ideal World
05. God's Middleman
06. I Saw Him Coming From Behind The Sun
07. Twitch #3
08. L.I.N.T.O.O.H.

É inegável que a internet não só revolucionou a forma como se consome música, como também a forma de se fazer a mesma. Nos dias de hoje, não é mais necessário que os membros de uma banda estejam na mesma cidade, quiçá, no mesmo país. Grava-se em um estúdio onde se estiver e o arquivo viaja tranquilamente pela internet, até seu destino final. Essa volta toda é só para falar que o The Opposite Of Hate de encaixa nessa descrição acima. Projeto criado por Will Geraldo (Violent Attitude If Noticed) e Silvério Simioni, seu álbum de estréia contou não só com a participação de músicos que residem em diversas cidades do Brasil, como também foi gravado em diferentes estúdios. Bem incomum.
A música praticada pelo The Opposite Of Hate também não é o que podemos chamar de comum. A proposta aqui é misturar o Progressivo dos anos 70, com nítidas influências de nomes como Gentle Giant, King Crimson ou Gênesis e estilos como Hard Rock, Post Rock, Alternativo, algumas passagens eletrônicas e até mesmo algo de Jazz. Dessa mistura toda acaba surgindo um som instigante e original, com ótimas guitarras, linhas vocais bem diversificadas, parte rítmica variada e muita densidade. Além de Will Geraldo (Sintetizador, Piano, órgão, Melotron e vocal) e Silvério Simioni (guitarra), Beginnings conta ainda com as participações de Erich Bruschini (baixo), Marcinho Pereira (bateria)Erik Müller (vocal), Kassio Todescatt (bateria), Fábio Spuza (bateria), Marcelo Vanini (piano), Anna Stéfano (vocal), Meire santos (piano, órgão, sintetizador) e Guilherme Sabá (baixo). Você, leitor atento, certamente percebeu a grande quantidade de bateristas e baixistas nessa lista. A explicação é simples, muito simples. A formação da banda varia de faixa para faixa e não existe nenhuma que se repita nas 8 faixas desse debut álbum. Quem sabe não seja um dos fatores que ajuda na diversidade musical do trabalho? Os grandes destaques aqui ficam por conta de “Stolen Moments”, “Beginnings”, “I Saw Him Coming From Behind The Sun” e “L.I.N.T.O.O.H.”.
O trabalho é muitíssimo bem produzido pela dupla Wiil e Silvério, sendo que coube ao primeiro a masterização e mixagem de Beginnings. Já a caba é uma belíssima arte de Erik Müller. O Progressivo pode não ser muito bem cotado por esses lados, no que tange o surgimento de novas bandas, mas isso não muda o fato de que estamos diante de um nome que tem tudo para se consolidar como o principal do país no estilo. Anotem esse nome, pois ainda irão escutar falar muito do The Opposite Of Hate, pois qualidade de sobra para isso eles possuem. O álbum esta disponível para audição e compra no Bandcamp deles.

NOTA: 8,5




terça-feira, 23 de setembro de 2014

Yossi Sassi – Desert Butterflies (2014)




Yossi Sassi – Desert Butterflies (2014)
(Independente - Importado)

01 – Orient Sun
02 – Fata Morgana
03 – Neo Ques
04 – Azadi
05 – Believe
06 – Desert Butterfly
07 – Inner Oasis
08 – Shedding Soul
09 – Jason’s Butterflies
10 – Azul
11 – Cocoon

O israelense Yossi Sassi marcou seu nome na história do Metal como guitarrista e cofundador de uma das bandas mais interessantes e instigantes do estilo, o Orphaned Land (pelo menos na modesta visão deste que vos escreve). Uma das grandes características de Yossi sempre foi a de nunca se impor limites e, sendo assim, não me surpreendi tanto quando ele anunciou seu desligamento da banda que ajudou a fundar e da qual era uma das forças criativas. Por mais que a sonoridade do Orphaned Land tenha sofrido algumas alterações desde seu debut, existiam limitações estilísticas que lhe eram impostas por se tratar de uma banda de Heavy Metal.
Desert Butterflies é seu segundo trabalho solo (1º após sua saída da banda) e vem suceder o bom Melting Clocks (2012). Contando com as participações especiais de Marty Friedman (ex-Megadeth), Ron “Bumblefoot” Thal (Guns n’ Roses) e Mariangela Demurtas (Tristania, Moonspell), esse é um álbum basicamente instrumental, já que apenas duas de suas faixas possuem vocais. Ainda sim, em momento algum o ouvinte sentirá a ausência dos mesmos, tamanha a capacidade de Sassi de fazer uma música que consegue ser ao mesmo tempo complexa, mas de fácil assimilação. Mesclando suas raízes culturais com música contemporânea, ele consegue unir com enorme competência, Oriente e Ocidente, em uma mistura de ritmos orientais, Folk, Jazz e Progressivo.  Criativa, profunda e agradável, a música presente em Desert Butterflies é de uma beleza rara. Maiores destaques aqui vão para a suave “Orient Sun”, “Fata Morgana”, “Believe”, que conta com os belos vocais da italiana Mariangela Demurtas, que canta parte da letra em sua língua pátria, “Desert Butterfly”, que vai remeter o ouvinte aos melhores momentos de Dick Dale (sim, estamos falando se Surf Music) e “Azul”, onde a guitarra de Yossi Sassi brilha profundamente.
Nada aqui lembra o Metal praticado em seus tempos de Orphaned Land. Pode-se dizer que Desert Butterflies é uma pequena joia musical, tamanha sua beleza instrumental. Colocando sua alma em cada nota aqui apresentada, Yossi Sassi nos entrega um trabalho variado, criativo, complexo, mas que se deixa escutar com uma facilidade absurda. Uma verdadeira viagem musical, que foge da mediocridade e do lugar comum que vem se enfiando a música contemporânea.

NOTA: 9,0