quarta-feira, 11 de julho de 2018

Warshipper - Black Sun (2018)


Warshipper - Black Sun (2018)
(LAB 6 Music/Brutaller Records/Damned Records/Rapture Records - Nacional)


01. Nemesis (Intro)
02. Glowworm Dragon
03. Cry of Nowhere
04. Black Sun (Part I, II & III)
05. Rebirth
06. Abandoment
07. Descending - Genesis & Ontogenesis
08. Deathblast Overhead (Intro)
09. M.E. 262
10. Delusions of Grandeur

Deve existir alguma coisa na água que bebemos que faz com que o Brasil tenha uma capacidade ímpar de gerar bons nomes em vertentes mais extremas do Heavy Metal. Surgido no ano de 2011, na cidade de Sorocaba/SP, o Warshipper se envereda pelos caminhos do Death Metal, com uma sonoridade bruta e pesada. O seu EP de estreia, Worshippers of Doom (14), já havia chamado a atenção dos que acompanham mais atentamente o nosso underground, gerando assim certa expectativa para o seu debut.

Eis que finalmente, após 4 anos de espera, temos em mãos Black Sun, o debut do quarteto formado por Renan Roveran (vocal/guitarra, ex-Bywar), Rafael Oliveira (guitarra), Rodolfo Nekathor (baixo, ex-Zoltar) e Roger Costa (bateria). E o que podemos observar é uma banda que amadureceu sua música nesse meio tempo, passando a equilibrar com muita maestria peso, brutalidade, agressividade, técnica e melodia, gerando assim uma sonoridade de muita qualidade e que prima principalmente por não soar datada, já que tem uma pegada mais “moderna”, e por possuir personalidade própria, algo raro em bandas mais novas.

Após a breve introdução, surge a ótima “Glowworm Dragon”, veloz e simplesmente esmagadora, com guitarras pesadas, boas melodias e ótimo desempenho da parte rítmica. “Cry of Nowhere” até parece que vai ser mais cadenciada, mas então explode no mais puro Death Metal, abusando da brutalidade e dos ótimos riffs. “Black Sun (Part I, II & III)” é dessas canções épicas. Em seus 10 minutos de duração, mostra muita diversidade, complexidade e tem passagens cadenciadas que são simplesmente primorosas, que dão um ar bem opressivo à canção. Pense em uma faixa esmagadora e com potencial para triturar tímpanos. Essa é “Rebirth”. Com uma levada mais cadenciada, e ótimo trabalho tanto das guitarras quanto da parte rítmica, é um dos destaques do álbum.


A segunda metade do álbum abre com “Abandoment”, que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pela boa técnica dos músicos. Já “Descending - Genesis & Ontogenesis” é tão densa e intensa, que quase se solidifica diante de você. Destaque para o belíssimo trabalho das guitarras e as boas melodias que dele provêm. Após outra breve introdução, surge “M.E. 262”, uma dessas canções que transborda fúria e agressividade por todos os poros. Encerrando o álbum e mantendo a qualidade lá em cima, temos “Delusions of Grandeur”, onde mostram não só muita técnica, como também esbanjam peso e agressividade. Não existia forma melhor de fechar Black Sun.

A produção ficou a cargo da banda e de Rafael Augusto Lopes (Fanttasma, Lothlöryen, Hangar), sendo que este também foi o responsável pela mixagem e masterização. O resultado final é muito bom, pois mesmo tendo deixado tudo muito claro, não abriu mão em momento algum da agressividade. Já a capa e parte gráfica é mais um belo trabalho de Alcides Burn (Blood Red Throne, Queiron, Headhunter D.C., Malefactor, Nervochaos), da Burn Artworks. Com um Death Metal enérgico e bruto, e abusando do peso, o Warshipper se coloca entre as principais promessas do estilo no Brasil, e mostra potencial para voar muito mais alto em seus próximos trabalhos. Mais do que indicado aos que curtem um bom Death Metal.

NOTA: 87

Warshipper é:
- Renan Roveran (vocal/guitarra);
- Rafael Oliveira (guitarra);
- Rodolfo Nekathor (baixo);
- Roger Costa (bateria).

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Dysnomia - Anagnorisis (2018)


Dysnomia - Anagnorisis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Anagnorisis
02. Vorax Chronos
03. The Fall Of Phaethon
04. Janus – Faced Serpents
05. Library Of Babel
06. Prometheam
07. Occam’s Razor
08. Sertões

Como é legal você poder acompanhar o desenvolvimento de uma banda, trabalho após trabalho. O Dysnomia surgiu no ano de 2006, na cidade de São Carlos/SP, e em 2013 lançou um bom EP, As Chaos Descends, onde apresentava um Death/Thrash que primava pela agressividade. O passo seguinte se deu 3 anos depois com seu debut, Proselyte (resenha aqui), onde ficava nítida a evolução do quarteto, que soava mais coeso e maduro, refinando um pouco mais as composições, adicionando um pouco de melodia, mas sem abrir mão da brutalidade. A impressão deixada foi das melhores, e ficava nítido que estávamos diante de um novo nome muito promissor.

E eis que Anagnorisis vem para confirmar aquela sensação de 2 anos atrás. Estreando um novo guitarrista em estúdio, Fabrício Pereira, o quarteto completado por João Jorge (vocal/guitarra), Denílson Sarvo (baixo) e Érik Robert (bateria) dá um passo além e leva sua sonoridade um nível acima em matéria de qualidade. Equilibrando de forma magistral um Death Metal mais técnico com um Thrash Metal mais atual, o Dysnomia acaba gerando uma música que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pelas boas melodias e pelas passagens mais grooveadas que dão um diferencial às canções. Essas, por sinal, passam longe de soarem repetitivas, graças às boas mudanças de andamento que surgem a todo momento.

O vocal de João continua trafegando entre o gutural e o rasgado, enquanto sua guitarra, ao lado da de Fabrício, são responsáveis por um ótimo trabalho, já que nos entregam riffs realmente diferenciados. A parte rítmica, com Denilson e Érik se mostra mais entrosada e afiada do que nunca, o que não podia ser diferente, já que tocam juntos desde o surgimento da banda. Outro diferencial importante se dá nas letras, e isso é algo que preciso muito destacar. Elas são de extrema inteligência, e através da mitologia grega, filosofia e literatura, abordam diversos problemas de nossa sociedade, como a hipocrisia, só para ficar em um exemplo. Vale muito a pena prestar atenção nas mesmas. E de quebra, temos no encarte citações a nomes como Álvaro de Campos, Hesíodo e José Luis Borges, dentre outros.


“Anagnorisis” abre o álbum esbanjando peso, se destacando principalmente pelos ótimos arranjos e pelo belo trabalho das guitarras. “Vorax Chronos” vem na sequência, pendendo um pouco mais para o Death Metal, esbanjando brutalidade e com um ótimo desempenho da parte rítmica. “The Fall Of Phaethon” possui partes mais cadenciadas, que soam muito bem, e um bom groove. As guitarras nos entregam ótimos riffs e o vocal também se sobressai. “Janus – Faced Serpents” prima mais pelo tradicionalismo e pela energia, além de possuir boa técnica, enquanto “Library Of Babel” é outra que apresenta um bom groove e diversidade. “Prometheam” equilibra Death e Thrash com maestria, e apresenta mudanças de tempo interessantes, e “Occam’s Razor” faz jus ao nome, com seus riffs afiados e cortantes, além de ótimos solos e boa técnica. Encerrando o álbum, temos a ótima “Sertões”, bem agressiva, diversificada e onde apresentam elementos de ritmos brasileiros, com direito a uma citação ao grande Patativa do Assaré.

Assim como em Proselyte, a produção ficou a cargo da banda e de Gabriel do Vale, com um resultado não menos que ótimo e que nada fica devendo para produções gringas. É clara e límpida, mas manteve o peso e a agressividade que a música do quarteto pede. A capa e toda a parte gráfica dessa vez ficou por conta do talentoso Carlos Fides (Evergrey, Almah, Semblant, Noturnall) e se encaixa perfeitamente na sonoridade e temáticas abordadas pela banda. Com Anagnorisis, o Dysnomia deixa o time das promessas e se torna uma realidade do Metal no Brasil. Com uma música pesada, bruta, agressiva e muita equilibrada, esse é daqueles álbuns feitos sob medida para moer as vértebras do seu pescoço. Um dos melhores álbuns nacionais de 2018 que escutei até o momento.

NOTA: 87

Dysnomia é:
- João Jorge (vocal/guitarra);
- Fabrício Pereira (guitarra);
- Denílson Sarvo (baixo);
- Érik Robert (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Funeratus - Accept the Death (2018)


Funeratus - Accept the Death (2018)
(Distro Rock Records/Extreme Sound Records  - Nacional)


01. Accept the Death    
02. Rise and Fall Again   
03. Asphalt Eaters
04. Lost Souls
05. Indian Healing
06. Follow the Track
07. Victory
08. Vision from Hell
09. Endless Battle

O Brasil sempre gerou grandes nomes quando se trata das vertentes mais extremas do Metal, e convenhamos, falar disso é quase como chover no molhado. Fica até parecendo que é fácil fazer música pesada no Brasil, o que passa longe de ser uma verdade. A vida no underground não é fácil e muito menos justa, e uma prova disso são os paulistas do Funeratus. Surgido em 1993, o trio hoje formado por Fernando (Vocal/Baixo), André Nálio (Guitarra) e Guru Reis (Bateria), angariou nesses 25 anos de carreira o respeito daqueles que acompanham a cena nacional, mas isso não se refletiu em popularidade e quantidade de lançamentos. Uma injustiça.

Para os que não conhecem, o que temos aqui é aquele bom e velho Death Metal bruto, agressivo e pesado que se popularizou nos anos 90 e que em muitos momentos vai remeter o ouvinte a grandes nomes do estilo nesse período, como Morbid Angel e Krisiun, duas das influências mais perceptíveis. Mas veja bem, estou falando aqui de influência e não de simples emulação. Apesar dos 25 anos de estrada, Accept the Death é apenas o terceiro álbum completo de estúdio da banda, e surge 14 anos após seu antecessor, Echoes in Eternity (04), e 9 anos depois do EP Vision from Hell (09).

Esse grande intervalo de tempo acabou sendo positivo para o Funeratus, fazendo de Accept the Death indiscutivelmente seu melhor álbum até então. Aqui vemos o trio mais amadurecido e coeso, reflexo de uma formação que toca junta desde 2001. Os vocais de Fernando soam brutos (com algo de Morbid Angel antigo neles), e seu desempenho no baixo é não menos que excelente, já que o instrumento se faz bem presente durante toda a audição. André se destaca com riffs afiadíssimos e solos de qualidade, enquanto a bateria de Guru nos entrega muita precisão e uma avalanche de blast beats. Musicalmente a velocidade dá o tom da música do trio, mas passagens cadenciadas são inteligentemente inseridas, o que dá mais variedade às canções e evita aquele sentimento incômodo de que você está escutando a mesma música ad eternum. 


Sem perder tempo, o álbum abre com a faixa título, pesada, com ótimos riffs e levemente mais cadenciada (mas, ainda assim, veloz). Uma abertura perfeita, que é seguida da variada “Rise and Fall Again”, que alterna muito bem velocidade e cadência, com destaque para a dupla Fernando/Guru. “Asphalt Eaters” não alivia na agressividade e tem pitadas de HC e Thrash Metal que ajudam ainda mais nesse sentido. “Lost Souls” é simplesmente esmagadora, abusando da velocidade e contando com um bom solo, enquanto “Indian Healing” se mostra curta e grossa, com a força de um murro no pé da orelha. “Follow the Track” se mostra bruta e técnica, com uma influência saudável de Thrash Metal que faz dela um dos grandes destaques de todo o trabalho. “Victory” é outra que se destaca pelo peso absurdo, muito disso devido à sua cadência. A sequência final não abranda em nada a fúria, com “Vision from Hell” e a instrumental “Endless Battle”.

A produção coube à banda, em parceria com Joca Street, com a mixagem e masterização sendo realizadas na Alemanha, por Andy Classen (Rotting Christ, Tankard, Krisiun, Belphegor, Destruction). O resultado final é muito bom, já que conseguiu deixar tudo muito claro e audível, mas sem perder a agressividade que é necessária ao estilo. Já a capa e parte gráfica são mais um belo trabalho de Alcides Burn. Apresentando um trabalho forte, com boa técnica e muita coesão e precisão, o Funeratus mostra porque é um dos grandes nomes do Death Metal nacional e chega para ocupar de vez o espaço que lhe é de direito. Indiscutivelmente, um dos grandes álbuns do estilo que você irá escutar por aqui nesse ano de 2018.

NOTA: 86

Funeratus é:
- Fernando (Vocal/Baixo);
- André Nálio (Guitarra);
- Guru Reis (Bateria).

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domingo, 1 de julho de 2018

Melhores álbuns – Junho de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de junho na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. A Sound Of Thunder - It Was Metal 


2º. The Night Flight Orchestra - Sometimes the World Ain't Enough 


3º. Khemmis - Desolation
 

4º. Ghost - Prequelle 


5º. Nervosa - Downfall of Mankind


6º. Marduk - Viktoria
 

7º. Refuge - Solitary Men


8º. Sear Bliss - Letters From The Edge


9º. Orange Goblin - The Wolf Bites Back


10º. Sacrificed - Enraged
 

Menções Honrosas

- Kataklysm - Meditations


- Funeral Mist - Hekatomb


- Nordheim - Enter the Wolf


- Stormwitch - Bound to the Witch


sexta-feira, 29 de junho de 2018

White Dragon – Prepare for the changes (2018)


White Dragon – Prepare for the changes (2018)
(Nomade Records – Nacional)

 
01. Prepare for the changes
02. The End of the World
03. Tears for Somebody
04. White Dragon
05. Light Warrior
06. Six Destinies
07. Evolution
08. I Will Fly Free
09. Game of Life
10. Doomsday

Quanto vale um sonho? Ao sair da banda Harmonyca, o vocalista Léo Rodrigues tinha em mente um objetivo muito claro, que era lançar seu trabalho solo. Nasceu então o White Dragon. Mas quando se trata de Heavy Metal, as coisas nunca são fáceis, já que o estilo, além de não estar entre os mais populares em nosso país, não conta com o apoio merecido. Ainda assim, quando se trabalha duro e se tem persistência, mesmo aqueles sonhos mais difíceis e improváveis podem ser alcançados. É, acho que persistência é um substantivo que se encaixa bem quando falamos de Prepare for the Changes.

Se fazer Metal no Brasil não é fácil, imagine em uma cidade de interior, onde os recursos são infinitamente menores. Para encarar tal desafio, nos últimos anos Léo contou com o apoio de alguns amigos que o ajudaram, fosse tocando algum instrumento, fosse com o processo de gravação e produção, fosse como parceiro nas composições. Participaram da empreitada Levi Alves, Jhojo Sozi, Daniel Medeiros, Rafael Barbosa, Tonin Silva, Rafael Fernandes e Thiago Ghilhos. E o que temos em mãos no final desse processo é um álbum de Heavy Metal Tradicional, com um toque aqui e ali de Metal Melódico, e que não nega as suas raízes, pois aposta naquela sonoridade tipicamente oitentista de nomes como Iron Maiden (talvez a maior referência aqui) e Helloween. É aquele som feito sobre medida para os apreciadores desse período.

De cara, o álbum abre com a faixa título, que possui uma introdução orquestrada que dá um ar grandioso à mesma. Assim que ela se inicia, o DNA “Maideniano” fica bem claro, não só pelo instrumental, como pelo timbre vocal de Léo, que remete bastante ao de Bruce Dickinson em alguns momentos. Os riffs e as melodias agradam de imediato e o refrão é daqueles que cativa o ouvinte. Na sequência, “The End of the World” tem um bom uso dos teclados, que quando surgem, dão uma pegada mais Classic Rock à canção, além de um trabalho de guitarra muito legal. É outra onde o refrão se destaca. “Tears for Somebody” se destaca pelas boas melodias e pelo trabalho da parte rítmica, enquanto “White Dragon” soa como uma mescla de Iron e Helloween. Vale destacar as ótimas melodias vocais presentes. Encerrando a primeira metade, temos “Light Warrior”, faixa que prima não só pela variedade, já que alterna passagens mais cadenciadas com outras mais velozes, como também pelo refrão de bom gosto.


A segunda metade abre com “Six Destinies”, na qual tanto o instrumental quanto a letra homenageiam o Iron Maiden. Preste atenção em como Léo utilizou títulos de canções da banda em cada um dos versos e se divirta caçando essas referências. Musicalmente, a faixa emula a sonoridade dos britânicos com perfeição, algo que não incomoda em nada quando você percebe a intenção da faixa. É aqui também o momento onde ele deixa seu lado Bruce Dickinson aflorar com mais força. “Evolution” é enérgica e agradável, com um trabalho de guitarra muito bom, melodias agradáveis e um refrão que cativa.  “I Will Fly Free” é uma balada muito bonita e emocional, guiada apenas por violão, teclado e a voz de Léo, e é seguida por uma das melhores músicas do álbum, “Game of Life”. É dessas canções que chama a atenção pela força, pela técnica e por possuir ótimas melodias. A parte rítmica se destaca e o refrão é daqueles que você já sai cantando de primeira. Encerrando o álbum, temos a crua e enérgica “Doomsday”, onde o peso da guitarra se sobressai.

Com o passar dos anos, foram sendo utilizados 2 estúdios, tanto para o processo de gravação como de produção, Estúdio JS e Asafe Studio’s, mas, apesar disso, a produção de Prepare for the Changes está dentro da média para um álbum totalmente independente e gravado com as dificuldades que todos nós conhecemos. Tudo soa claro, audível, e não possui variações de volume entre as faixas. Claro, não dá pra negar que possui uma dose maior de crueza do que de praxe, mas surpreendentemente isso acaba fazendo bem à música na maior parte do tempo. Ainda assim, isso não exclui o fato de que em um futuro segundo trabalho, uma produção um pouco mais refinada (mas sem exageros) pode deixar o que é bom melhor ainda. Quanto à parte gráfica, vale dizer que foi toda feita pelo próprio Léo Rodrigues, tendo ficado bem legal. Gosta daquele Heavy Metal que parece ter saído dos anos 80? Se sim, temos aqui um trabalho que certamente vai te agradar em cheio. Quanto vale um sonho? Ah meus amigos, sonhos assim não têm preço.

NOTA: 84

White Dragon Project (Gravação):
- Léo Rodrigues (Vocal)
- Levi Alves (Guitarra, Baixo e Bateria nas faixas 1, 5, 6, 8, 10)
- Jhojo Sozi (Todos os instrumentos 2, 3, 4, 7)
- Daniel Medeiros (Guitarra na faixa 3)
- Rafael Barbosa (Guitarra na faixa 4)
- Tonin Silva (Guitarra na faixa 7)
- Rafael Fernandes (Teclado nas faixas 1, 5, 6, 8, 10)
- Thiago Ghilhos (Todos os instrumentos na faixa 9 e Guitarra na faixa 10)



quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)


A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)
(Mad Neptune Records – Importado)


01. Phantom Flight (Feat. Mark Tornillo)
02. Lifebringer
03. Atlacatl
04. The Crossroads Deal
05. It Was Metal
06. Obsidian & Gold (Desdinova Returns) (Feat. Tony Carey)
07. Second Lives
08. Els Segadors (The Reapers)
09. Tomyris
10. Charles II
11. Fortress of the Future Race

Se você ainda não conhece os americanos do A Sound Of Thunder, está perdendo um tempo precioso. Surgido no ano de 2008, e com a formação estável desde 2010, que conta com Nina Osegueda (Vocal), Josh Schwartz (Guitarra), Chris Haren (Baixo) e Jesse Keen (Bateria/Teclado), estrearam em 2009 com um EP autointitulado, que foi seguido 2 anos depois pelo seu debut, Metal Renaissance. De lá para cá, foram mais 3 EP's, Queen of Hell (12), Tales from the B-side (Pleasure Slave) (15), Second Lives (17), 4 excelentes trabalhos de estúdio, Out of the Darkness (12), Time's Arrow (13), The Lesser Key of Solomon (14), Tales from the Deadside (15) e 1 álbum de covers, Who Do You Think We Are? (16).

Em uma época onde bandas produzem em intervalos cada vez maiores, o quarteto originário de Washington deixa claro que passa longe do comodismo, enfileirando lançamentos e apresentando um crescimento e amadurecimento constantes, sem que isso em momento algum signifique abrir mão de sua identidade. Sim amigos, nem sempre evolução vem acompanhada de descaracterização musical. E agora, com It Was Metal, seu 6º álbum de estúdio, deixam mais do que claro que não pretendem tirar o pé do acelerador. Aliás, mais uma vez financiaram o trabalho através de campanha no Kickstarter, já que possuem uma base de fãs muito fiel e que confia na capacidade do ASOT de forjar músicas de qualidade. E vale dizer que, como de praxe, oferecem um produto diferenciado, pois além do álbum, produziram uma graphic novel (vendida separadamente), com histórias originais baseadas nas canções e produzidas por artistas da Marvel, DC e Valiant Entertainment.


Para quem acompanha o quarteto, a qualidade de It Was Metal não chega a surpreender. Mas aqui, curiosamente, para evoluir deram um passo atrás, já que musicalmente é um álbum mais direto e um pouco menos diversificado que os anteriores, uma espécie de retorno ao Heavy Metal Clássico de outrora. A influência de nomes como Iron Maiden, Saxon, Dio, Rush, Deep Purple, Rainbow e outros é latente, mas temperada com muita personalidade. Apesar da menor diversidade, esse é um trabalho com um ar mais grandioso do que, por exemplo, The Lesser Key of Solomon e Tales from the Deadside, com canções bem fortes, enérgicas e rápidas. A guitarra de Josh está simplesmente soberba, com muito peso, riffs grudentos, além de solos e melodias que são capazes de cativar qualquer amante do estilo. A parte rítmica não fica atrás, com o baixo de Chris apresentando aquelas linhas sólidas com as quais os fãs se acostumaram, fazendo uma bela dupla com Jesse e sua bateria, aqui simplesmente bombástica. Vale citar também o seu trabalho com os teclados, já que mesmo que os mesmos não se façam presentes em 100% das músicas, quando surgem acabam dando mais profundidade às mesmas.

Claro que o forte do A Sound Of Thunder é a coesão e o entrosamento de seus integrantes, que funcionam como uma máquina muito bem azeitada de fazer Heavy Metal. Mas, ainda assim, precisamos falar sobre Nina Osegueda. Apesar de ter formação clássica, tendo até mesmo cantado na Ópera Nacional de Washington entre 2000 e 2002, e de ter sido influenciada em sua juventude por algumas das maiores vozes femininas da história, como a espetacular Aretha Franklin e Whitney Houston (segundo a própria Nina, por causa de seus pais, ela não tinha muito contato com Metal na época, e o mesmo se limitava à trilha sonora do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”), sua voz cai como uma luva no estilo da banda. Sem querer comparar, mas é como se fosse uma mistura de Rob Halford como Ronnie James Dio, mas em versão feminina. Para mim, está no mesmo nível de importância de outras vocalistas que, ao menos para mim, são lendárias para o estilo, como Leather Leone, Doro Pesch, Ann Boleyn, Lee Aaron, Betsy Bitch, Kim McAuliffe e Wendy O. Williams. Aliás, fica aí a dica de pesquisa, caso não conheça os nomes citados. Seria exagero fazer o trocadilho dizendo que sua voz é o próprio som do trovão?


Assim que os primeiros acordes de “Phantom Flight” começam, sua primeira reação é pensar que está diante de alguma faixa oitentista perdida do Saxon. Ótimas guitarras, que despejam riffs fortes e melodias grudentas, além de solos primorosos e uma participação mais do especial de Mark Tornillo (Accept), que divide os vocais com Nina (que canta de maneira primorosa). É Heavy Metal em estado puro. “Lifebringer” é o retrato perfeito do que é o A Sound Of Thunder. Tem aquele Classic Rock com uma pegada Progressiva, mesclado com Metal Tradicional bem na veia do Iron Maiden, e pitadas de Power Metal. Simplesmente empolgante. A faixa seguinte,  “Atlacatl”, trata da história do mítico governante de mesmo nome, que reinou em um estado indígena baseado na cidade de Cuzcatlan (em território hoje pertencente a El Salvador), e que resistiu bravamente às forças invasoras espanholas por alguns anos. Segundo a lenda, ao ser finalmente derrotado, para não ser capturado, teria saltado em um vulcão, se tornando dessa forma uma lenda inconquistada. A parte rítmica se destaca, sendo responsável por dar um forte clima tribal à canção, que casa perfeitamente com o tema. Somado aos vocais agressivos de Osegueda, temos aqui uma das faixas mais pesadas e densas de todo trabalho. Vale dizer que Nina tem descendência salvadorenha por parte de pai. Após todo esse peso, temos uma breve faixa instrumental, intitulada “The Crossroads Deal”. E como o nome deixa bem claro, tem forte influência de Blues.

Se prepare então para o murro no meio da cara que é “It Was Metal”. Repare nos riffs, afiadíssimos e certeiros (e que não escondem a influência de Blackmore), e nas ótimas linhas de baixo. Os vocais também se destacam pela agressividade. Uma verdadeira ode ao Heavy Metal. Bem, recuperar um pouco do fôlego se faz necessário, e para isso surge a épica e maravilhosa “Obsidian & Gold (Desdinova Returns)”, que não esconde a influência de Classic Rock e de nomes como Deep Purple e Rainbow. Por falar neste último, seu ex-tecladista Tony Carey participa (e brilha) na faixa. São quase 10 minutos de uma música simplesmente brilhante. Não se deixe enganar pela aparente calma da introdução de “Second Lives”, pois quando você menos esperar, ela vai simplesmente explodir em peso e energia. Forte, traz à tona as influências de Hard Rock da banda, perceptíveis aos mais atentos no trabalho das guitarras. Você é desses que acha que Metal e política não podem se misturar? Além de estar equivocado, certamente vai precisar pular a próxima faixa. Ela é nada menos do que uma versão metálica para o hino da Catalunha, “Els Segadors (The Reapers)”. E antes que você se pergunte o porque da banda ter gravado o mesmo, saiba de antemão que a mãe de Nina é catalã, e que parte de sua família reside lá. E no fim, o que era para ser uma homenagem da vocalista à sua mãe, tomou outro vulto com a declaração de autonomia da Catalunha no ano passado (que diga-se, não foi reconhecida pela Espanha). Apenas escute, e duvido que você não cante o refrão a todos pulmões, levantando o punho para o alto. 


Então chega a hora de mais um pouco de história, com “Tomyris”, rainha que governou os Masságetas (com território localizado hoje em partes do moderno Turcomenistão, Afeganistão, Uzbequistão, e sul do Cazaquistão.), e que foi a responsável pela morte de Ciro, o Grande, rei da Pérsia entre 559 e 530 a.C. Conta-se que após este morrer, ela decapitou o mesmo e jogou sua cabeça em um jarro com sangue humano, cumprindo assim a promessa que havia feito ao mesmo, de o afogar em sangue humano (Ciro havia assassinado seu filho, após capturá-lo em batalha). Mais Heavy Metal que isso, só mesmo a música em si, que se destaca pelas ótimas guitarras, pelo refrão cativante, pelo brilhante uso dos teclados (aqui a veia setentista vem à tona novamente) e pelos vocais viscerais de Nina. A sequência final mantém o nível primoroso das canções anteriores, com “Charles II” (mais um pouco de história, agora tratando do rei inglês Carlos II), com riffs que parecem ter sido forjados pela dupla Tipton/Downing. Veloz, certeira e tem uma melodia que contagia qualquer um e vai agradar em cheio aos fãs de Judas Priest e afins. É Metal em seu estado mais clássico, assim como a ótima “Fortress of the Future Race”, uma dessas canções que parecem ter sido forjadas pelo próprio Deus Metal. Duvido você não se empolgar com os ótimos riffs e solos aqui presentes.

Como de praxe na carreira da banda, a produção ficou nas mãos de Kevin Gutierrez (algo que ocorre desde Out of the Darkness), que ouso dizer, é quase como um quinto integrante, já que é homem de confiança do quarteto nesse sentido. Mais uma vez ele acerta em cheio, pois a produção ficou em um nível altíssimo. Clara, límpida e cristalina, mas sem soar artificializada. Não consigo imaginá-los trabalhando com outro nome nesse sentido. A capa é mais um trabalho fora do comum de Dusan Markovic, responsável pelas mesmas desde o EP Queen of Hell. Dizer que esse é o melhor trabalho da banda pode ser um pouco prematuro, já que The Lesser Key of Solomon está facilmente entre os 10 melhores álbuns de Metal dessa década, mas é inegável que It Was Metal tem tudo para colocá-los em um patamar mais alto dentro da cena. Você é desses que fica aí, lamurioso e queixoso quanto ao fato de nomes tradicionais do estilo estarem pendurando as chuteiras? Pois saiba que temos toda uma nova geração de excelentes bandas, e o A Sound Of Thunder é certamente um dos melhores nomes desta. Basta você deixar o comodismo de lado e acordar para a vida. Existe sim muita vida e qualidade no Heavy Metal, sem que a banda precise se chamar Iron Maiden, Metallica ou Black Sabbath. It Was Metal é mais uma das provas disso! Um dos melhores álbuns de 2018!

OBS: Bem que alguma gravadora nacional podia se dignar a lançar a discografia da banda no Brasil, hein!

NOTA: 92

A Sound Of Thunder é:
- Nina Osegueda (Vocal);
- Josh Schwartz (Guitarra);
- Chris Haren (Baixo);
- Jesse Keen (Bateria/Teclado).

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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Attomica – The Trick (2018)


Attomica – The Trick (2018)
(Marquee Records – Nacional)


01. Give Me The Gun
02. Feeling Bad
03. Kill The Hero
04. The Last Samurai
05. The Trick / You Bet
06. Endless Cycle
07. Land Of Giants
08. Mistery

Uma verdadeira lenda do Metal Nacional: é assim que podemos definir o Attomica. Surgido mais de 3 décadas atrás, no hoje já distante ano de 1985, os paulistas são responsáveis por alguns clássicos do Thrash metal no Brasil, como seu debut, Attomica (85) e o magistral Disturbing the Noise (91). Após esse último, entraram em um hiato de 12 anos (92-04), mas após o seu retorno, ao menos no que tange lançamentos, as coisas foram um tanto quanto devagar, já que tivemos apenas um álbum ao vivo, Back and Alive (04), e um de estúdio, o bom IV (12).

De 2012 para cá, o Attomica passou por enormes mudanças, com o falecimento do vocalista Alex Rangel em um acidente, e alterações profundas em sua formação, só restando o baixista André Rod. Esse, assim como na época de Limits of Insanity (89), assumiu os vocais, e complementando a formação, temos o guitarrista Marcelo Souza e o baterista Argos Danckas. Mas não pense que tais acontecimentos afetaram a sonoridade do grupo, pois o que temos aqui é aquele mesmo Thrash metal pesado, furioso, e que praticamente te obriga a sair batendo cabeça pela sala enquanto o Cd rola no som.

O que escutamos desde o primeiro segundo de The Trick é um Attomica bem coeso, que dosa com perfeição todos os elementos de sua música. Soam mais técnicos que em trabalhos anteriores, mas, ainda assim, muito pesados e agressivos. Os vocais de André remetem invariavelmente aos de Dave Mustaine, o que certamente vai levar muitos a comparar a sonoridade da banda com o Megadeth. Ok, a influência se faz realmente presente, sendo inegável em muitos momentos, mas também é possível escutarmos ecos de outros grandes nomes da Bay Area, como Metallica, Exodus e Testament. Mas o mais importante é que em momento algum soa como cópia. A identidade do Attomica se faz presente sempre.


De cara temos a enérgica e variada “Give Me The Gun”, com riffs destruidores e um refrão bem forte. Uma abertura perfeita e que deixa claro o nível de destruição que encontraremos pela frente. “Feeling Bad” vem na sequência, mantendo a variedade do trabalho, com boa técnica, mas sem abrir mão da agressividade. “Kill The Hero” é aquela canção que já nasceu clássica. Tem uma pegada mais cadenciada, bom groove, ótimos riffs e um refrão que você já sai cantando de primeira. Fechando a primeira metade do CD, temos outra canção mais cadenciada, “The Last Samurai”, onde o trio esbanja peso e técnica. “The Trick / You Bet” abre a segunda metade com muita energia e boas melodias, sendo seguida por “Endless Cycle”. Não se deixe enganar pelo começo tranquilo da mesma, pois quando o peso chega, ela se torna absurdamente intensa. A instrumental “Land Of Giants” apresenta boas melodias e técnica, enquanto “Mistery” encerra com uma homenagem póstuma a Alex Rangel (para quem o The Trick é dedicado), já que conta com seus vocais. Um final emocionante para um trabalho para lá de marcante.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Vagner Alba (Morfolk, Angry, Chaos Synopsis), com a gravação e tudo o mais ocorrendo no Oversonic Studio (São José dos Campos/SP). O resultado final ficou muito bom, já que apesar de tudo claro e audível, ainda assim, a sonoridade soa bastante orgânica, algo raro nas produções mais modernas, onde tudo fica plastificado em excesso. Já a bela capa foi obra de Fabio Moreira (vocalista da banda na época do clássico Disturbing the Noise), com concepção de André Rod. O design do encarte foi obra do ex-guitarrista Pyda Rod. Mostrando muito entrosamento, coesão e equilíbrio, e entregando ao ouvinte uma música que transborda energia, peso e agressividade, o Attomica lançou, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns de Thrash de 2018. Um trabalho que faz jus ao seu brilhante legado!

NOTA: 87

Attomica é:
- André Rod (Vocal/Baixo);
- Marcelo Souza (Guitarra);
- Argos Danckas (Bateria).

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