quarta-feira, 26 de abril de 2017

Prong - X - No Absolutes (2016)


Prong - X - No Absolutes (2016)
(Shinigami Records/SPV Steamhammer - Nacional)


01. Ultimate Authority   
02. Sense of Ease   
03. Without Words   
04. Cut and Dry   
05. No Absolutes    
06. Do Nothing
07. Belief System     
08. Soul Sickness
09. In Spite of Hindrances
10. Ice Runs Through My Veins    
11. Worth Pursuing    
12. With Dignity 
13. Universal Law

Capitaneado pelo vocalista e guitarrista Tommy Victor, o Prong nunca foi uma banda comum, já que sempre se destacou pela amplitude de sua música. Fundindo estilos e buscando abordagens que sempre saíram do lugar-comum, sua música não pode ser acusada de falta de personalidade. Do Crossover do início de carreira para a mescla de Thrash, Hardcore, Groove e Metal Industrial, acabaram servindo de influências declaradas para nomes diversos, como Korn, Nine Inch Nails, Demon Hunter (que coverizou “Snap Your Fingers, Snap Your Neck” em seu 3º álbum), dentre outros.

Indiscutivelmente, viveram sua melhor fase na primeira metade dos anos 90, com o lançamento dos ótimos Prove You Wrong (91) e Cleansing (94), tendo depois seus altos e baixos. Mas desde Carved into Stone (12) vivem um momento bem positivo e produtivo, já que entre 2012 e 2016, lançaram 3 álbuns de estúdio (contando com esse), 1 de covers e 1 ao vivo. Ruining Lives (14), seu álbum anterior, possuía tendências mais comerciais, mas ainda assim tinha muita qualidade e já deixava pistas do rumo futuro da banda. E isso se materializou em X - No Absolutes, um trabalho que equilibra passado e presente de forma bem interessante.


Claro que todas as características que conhecemos se fazem mais que presentes aqui. O estilo vocal inconfundível de Tommy, os riffs pesados, a parte rítmica sólida, aquela energia típica do Hardcore, mesclada com Thrash/Groove e algo de Industrial. Mas também temos um enfoque muito maior na acessibilidade, nas melodias. Funciona na maior parte do tempo, mas em outros não, como em “Do Nothing” e principalmente,  “With Dignity”, esta última remetendo aos piores momentos do Linkin Park. A sorte é que os momentos de qualidade surgem em muito maior quantidade. A trinca inicial, com “Ultimate Authority”, “Sense of Ease” e  “Without Words”, apresenta o melhor do Prong, com riffs memoráveis, ótimo groove e agressividade. “Belief System” é bruta, pesada e com algumas influências de Deathcore e Djent, que a deixam bem contemporânea, enquanto “Ice Runs Through My Veins” consegue equilibrar muito bem melodias grudentas e acessíveis com muita energia e um bom uso de elementos eletrônicos.

A produção ficou a cargo da dupla Tommy Victor e Chris Collier (Metal Church, Last In Line, Flotsam and Jetsam), sendo que esse último também cuidou da masterização e da mixagem. O resultado apresentado aqui é muito bom e superior ao que ouvimos em Ruining Lives. Já a capa ficou por conta de Sebastian Rohde (Iced Earth). Mesmo soando um pouco mais comercial do que de praxe em alguns momentos, na maior parte do tempo o Prong encontra o equilíbrio entre agressividade, peso e boas melodias, fazendo de X - No Absolutes, mais um grande lançamento. Os fãs certamente não irão se decepcionar.

NOTA: 8,0

Prong:
- Tommy Victor (vocal/guitarra);
- Jason Christopher (baixo);
- Arturo "Art" Cruz (bateria).

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Once Human – Evolution (2017)


Once Human – Evolution (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC – Nacional)


01. Flock of Flesh
02. Eye of Chaos
03. Mass Murder Frenzy   
04. Gravity
05. Dark Matter
06. Paragon
07. Drain   
08. Killers for the Cure
09. Passenger

Logan Mader se notabilizou na segunda metade dos anos 90 como guitarrista do Machine Head. Após sua saída da banda, chegou a tocar rapidamente com o Soulfly e teve alguns projetos menores. A partir de 2004, optou por focar apenas em seu trabalho como produtor, onde indiscutivelmente se saiu muito bem. E assim foi até o ano de 2014, quanto Monte Conner (ex-Roadrunner e atualmente na Nuclear Blast) lhe apresentou a vocalista Lauren Hart.

Empolgado com o talento da mesma, Logan resolveu voltar às atividades fora de estúdio, surgindo assim o Once Human. No ano seguinte, foi lançado o debut da banda, The Life I Remember, que se não empolgou muito, serviu para colocar o nome da banda em evidência, como sendo o retorno de Mader. Eis que agora, 2 anos depois, ressurge com uma formação renovada, graças à entrada dos guitarristas Max Karon e Skylar Howren (passaram a ser 3 guitarras) e do baterista Dillon Trollope, e um novo álbum, que acertadamente recebe o nome de Evolution.

Evolução é o que realmente ouvimos aqui, já que é nítido o amadurecimento do Once Human quando comparamos seu novo álbum com o debut. Ao invés de simplesmente fazerem um Death Melódico comum, corajosamente optaram por sair da zona de conforto e acrescentar novos elementos à sua música. Aqui, aquela sonoridade típica do “Gothemburg Sound” se une a elementos de Thrash/Groove Metal e a tendências progressivas típicas de bandas Djent, principalmente Meshuggah, uma das referências mais claras aqui presentes, ao lado do Arch Enemy.

Vale dizer que muito da influência do Arch Enemy vem dos vocais de Lauren Hart. Sua voz remete demais à de Angela Gossow quando canta de forma agressiva, ficando impossível não fazer tal associação. Ainda assim, vale dizer que ela também se sai muito bem nos poucos momentos em que canta de forma mais limpa. Decididamente, se trata de uma vocalista de talento e com um futuro muito promissor, bastando agora adquirir um pouco mais de personalidade própria. O trabalho das 3 guitarras aqui presentes é muito bom, e conseguem não só imprimir boa dose de agressividade e até mesmo brutalidade, como também ótimas melodias. A parte rítmica esbanja técnica e faz muito bem seu serviço, dando dinâmica e variedade às canções.


Por sinal, são 9 aqui que, se não apresentam nada de novo ou revolucionário, podem agradar aqueles que apreciam uma pegada mais moderna. A faixa de abertura, “Flock of Flesh”, talvez seja o principal destaque de Evolution. Riffs marcantes, muita agressividade e algumas melodias marcantes dão o tom da mesma, servindo como uma espécie de portfólio do que o ouvinte irá encontrar dali para frente. “Eye of Chaos” é outra com bons riffs e melodias, e vai te fazer balançar a cabeça involuntariamente. Em “Gravity”, tanto os riffs quanto a parte rítmica possuem forte influência de Djent/Progressivo, podendo remeter ao Meshuggah em alguns momentos, algo que ocorre também na ótima “Passenger”, que encerra o trabalho. “Paragon” merece ser citada, já que além de possuir um refrão muito bom, é um dos poucos momentos onde os vocais de Lauren mostram personalidade própria, deixando claro que sim, ela pode soar como Lauren Hart e não como Angela Gossow. Sinceramente, ela deveria explorar mais o recurso da voz limpa, pois soa muito agradável nos poucos momentos em que o faz aqui.

A produção e mixagem, como não poderia deixar de ser, ficaram a cargo de Logan Mader. Já a masterização foi realizada pelo onipresente, onipotente e onisciente Jens Bogren. Não preciso nem dizer muito a respeito, mas conseguiram unir um som claro, limpo, com agressividade e brutalidade. A capa foi obra de Seth Siro Anton (Kamelot, Paradise Lost, Nile, Moonspell, Exodus) e, como de praxe em seus trabalhos, tem um resultado final bem marcante. Consistente, diversificado e técnico, além de claro, conseguir equilibrar muito bem melodia e brutalidade, o Once Human parece encontrar cada vez mais seu rumo. Se não apresenta absolutamente nada de novo, consegue mostrar potencial latente com Evolution. Basta se aprofundar mais na sonoridade mostrada aqui e adquirir mais personalidade. Alcançando isso, logo estarão no primeiro escalão do Metal.

NOTA: 7,0

Once Human é:
- Lauren Hart (vocal);
- Logan Mader (guitarra);
- Max Karon (guitarra);
- Skylar Howren (guitarra);
- Damien Rainaud (baixo);
- Dillon Trollope (bateria).

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Immolation – Atonement (2017)


Immolation – Atonement (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. The Distorting Ligh
02. When the Jackals Come
03. Fostering the Divide
04. Rise the Heretics
05. Thrown to the Fire
06. Destructive Currents
07. Lower
08. Atonement
09. Above All
10. The Power of Gods
11. Epiphany

Sem dúvida, ao lado de nomes como Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel ou Obituary, o Immolation é uma das grandes lendas do Death Metal. Surgido das cinzas do Rigor Mortis no ano de 1988 e sempre capitaneado pelos míticos Ross Dolan (vocal/baixo) e Robert Vigna (guitarra), são responsáveis por ao menos dois clássicos inegáveis do estilo, os brutais Dawn of Possession (91) (um dos melhores trabalhos de estreia da história do Metal) e Here in After (96). Só isso já seria o bastante para gravar seu nome a ferro e fogo na história do Metal Extremo, mas não custa nada lembrar que mesmo após as duas obras-primas citadas, ainda lançaram outros álbuns memoráveis, como Close to a World Below (00), Unholy Cult (02) e Majesty and Decay (10).

A verdade é que sempre tiveram uma carreira para lá de consistente, lançando álbuns não menos do que ótimos, e mesmo o anterior, o apenas bom Kingdom of Conspiracy (13), é superior a 80% do que vemos por aí sendo lançado com o rótulo de Death Metal. Aliás, não é exagero dizer que se existe uma banda que hoje em dia ainda capta a essência do estilo, essa é o Immolation. De cara, a capa de Atonement, seu 10º trabalho de estúdio, já nos chama a atenção. E não só pela sua beleza, mas pelo fato de terem retornado a utilizar seu antigo logo, que havia sido aposentado após Here in After. Isso já cria uma expectativa e te faz perguntar se retornaram às suas raízes. E já adiante que em parte, a resposta é sim.

Quem acompanha o Immolation sabe que sua carreira possui duas fases bem divididas. No início da carreira, adotavam uma abordagem mais bruta, mais extrema, mas desde os anos 2000 passaram a seguir uma linha onde todo o peso e brutalidade vinham acompanhados de muita técnica e complexidade. Pois em Atonement esses dois lados se unem de uma forma absurdamente natural e sem soar forçado em momento algum. Os guturais de Ross Dolan continuam soando infernais e inteligíveis, ao mesmo tempo em que ele faz uma dupla destruidora com o baterista Steve Shalaty. Ritmos quebrados, viradas absurdas e muita técnica dão o tom na parte rítmica. Enquanto isso, Robert Vigna e o estreante Alex Bouks (ex-Incantation) realizam um trabalho que beira o magistral, com alguns dos melhores riffs da banda nos últimos anos.


A abertura, com “The Distorting Light”, é um retrato fiel do álbum. Clima para lá de sombrio, os vocais marcantes de Dolan, aqueles riffs infernais e dissonantes típicos do Immolation e uma bateria quebrada e simplesmente explosiva. “When the Jackals Come” é outra que se destaca por sua brutalidade e por manter bem o pique da abertura. Inquietante, alterna com competência passagens mais velozes com outras mais cadenciadas. E a bateria é um show à parte. Outra que vale muito a pena destacar é “Rise the Heretics”, brutal, com riffs simplesmente devastadores e alguma influência de Black Metal. É dessas músicas moldadas para quebrar pescoços. “Destructive Currents” tem uma pegada mais old school, com seu peso e brutalidade implacáveis, enquanto “Epiphany” encerra o álbum de forma magistral, com riffs simplesmente malditos, algumas boas melodias e mais uma atuação impecável de  Steve Shalaty.

A produção ficou a cargo de Paul Orofino, que vem trabalhando com a banda desde Failures for Gods (99), com mixagem e masterização feitas por Zack Ohren (Cattle Decapitation, Fallujah, Carnifex, Deeds of Flesh, Suffocation e o próprio Immolation). O resultado final é ótimo e muito superior ao que ouvimos em Kingdom of Conspiracy. Soa orgânica, mas consegue manter uma pegada moderna. Já a belíssima capa, certamente uma das mais belas que você irá ver esse ano, foi obra de Pär Olofsson (Exodus, Malevolent Creation, Unleashed, Immolation), com arte adicional de Zbigniew Bielak (Enslaved, Paradise Lost,Behemoth, Ghost, Vader). Decididamente um primor.

Bem diversificado, esse é um trabalho que consegue unir o melhor do Immolation. Se por um lado, o peso brutal das músicas pode nos levar a traçar um paralelo entre Atonement e o clássico Here in After, por outro, sua técnica e complexidade nos remete ao que de melhor apresentaram de 2000 para cá. Tentando resumir tudo, é como se estivéssemos diante de uma versão mais atual e moderna de seus dois primeiros álbuns. Com uma atmosfera escura, inquietante e maléfica, Dolan e Vigna nos dão mais uma aula de como fazer Death Metal Tradicional, de qualidade e sem soar datado. Obrigatório na coleção dos fãs do estilo.

NOTA: 9,0

Immolation é:
- Ross Dolan (vocal/baixo);
- Robert Vigna (guitarra);
-  Alex Bouks (guitarra)
- Steve Shalaty (bateria).

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Edenbridge - The Great Momentum (2017)


Edenbridge - The Great Momentum (2017)
(Shinigami Records/ SPV Steamhammer - Nacional)


1. Shiantara
2. The Die Is Not Cast
3. The Moment Is Now
4. Until the End of Time
5. The Visitor
6. Return to Grace
7. Only a Whiff of Life
8. A Turnaround in Art
9. The Greatest Gift of All

De toda aquela grande leva de bandas de Metal Sinfônico com vocalistas femininas surgidas no final dos anos 90 e início dos anos 2000, poucas se mantiveram fiéis à sua sonoridade original. Com quase 20 anos de carreira, o austríaco Edenbridge é um desses raros exemplos. Capitaneado pela vocalista Sabine Edelsbacher e pelo guitarrista Lanvall, fugiram pouca coisa da fórmula que estabeleceram ainda em seu primeiro trabalho de estúdio, o ótimo Sunrise in Eden (00). O que para muitos poderia ser um grave problema, acaba sendo uma das grandes vantagens do grupo sobre a concorrência.

The Great Momentum é o 9º álbum de estúdio do Edenbridge e vem para suceder o burocrático The Bonding (13), uma das raras patinadas do grupo em quase duas décadas de estrada (a outra é Aphelion, de 2003). Fico me perguntando como uma banda que lançou trabalhos clássicos dentro do seu estilo (e que podem bater de frente com os melhores álbuns do Nightwish e Epica), como o já citado Sunrise in Eden e, principalmente, Shine (04) e The Grand Design (06), pode não ser tão reconhecida como deveria, enquanto bandas com uma carreira muito mais inconstante e menos inspirada (alguém ai gritou Within Temptation?) conseguem ter mais visibilidade. Bem, a vida nem sempre é justa.

Antes de tudo, precisamos falar sobre Sabine. Lanvall, com todo o seu talento, até pode ser a alma do Edenbridge, mas ela é sem dúvida o coração da banda. Cantando melhor do que nunca, consegue imprimir emoção às canções, além de adaptar sua voz ao que cada música pede, soando mais agressiva quando preciso, e mais emocional quando isso se faz necessário. Mais do que as partes sinfônicas ou as guitarras, ela é a peça central da música do grupo austríaco. O trabalho das guitarras aqui por sinal é ótimo, já que em momento algum abrem mão do peso, com Lanvall e Dominik Sebastian formando um bela dupla. E sobre o primeiro, mesmo quando se aventura em outros instrumentos, como baixo, teclado e piano, o resultado é igualmente ótimo. Suas orquestrações são simplesmente bombásticas e fazem a felicidade de qualquer amante do gênero. O estreante baterista Johannes Jungreithmeier mostra ao que veio e bate pesado, além de dar bastante variedade ao seu instrumento.

Vale dizer que como de praxe, trabalham muito bem as melodias aqui. Aliás, é indiscutível que esse sempre foi um dos diferenciais da banda. Em The Great Momentum, procuraram dar uma boa variedade ao material, existindo uma boa alternância entre faixas com uma pegada mais Power Metal com outras onde o lado mais emocional predomina. Se na visão de alguns isso pode quebrar um pouco o ritmo, por outro evita que tudo se torne cansativo e repetitivo. Ponto para eles. E, mais uma vez, recorreram a uma orquestra real para a gravação das partes sinfônicas. Aqui a participação foi da Junge Philharmonie Freistadt. Esse tipo de opção deixa inegavelmente o som mais vivo, mais forte e orgânico. Soa infinitamente superior a samples de estúdio.


A abertura, com “Shiantara”, já nos dá um panorama geral do trabalho. Riffs e bateria pesados, arranjos orquestrais de bom gosto e que soam bombásticos, os vocais incríveis de Sabine e aquele equilíbrio perfeito entre o lado Metal e o Sinfônico da banda. A fórmula está posta e é muitíssimo bem utilizada daqui em diante. A sequência, com “The Die Is Not Cast” é um dos pontos altos do álbum. Atmosfera pesada, ótimos riffs, orquestrações e coros bem encaixados e variados, certo clima oriental em alguns momentos e ótimos solos, tanto de teclado quanto de guitarra. “The Moment Is Now” consegue soar acessível, mas sem perder seu lado mais pesado e agressivo. As melodias aqui são ótimas e possui um riff realmente cativante. A belíssima Power Ballad “Until the End of Time” conta com um dueto entre Sabine e o vocalista Erik Martensson, que a deixa ainda mais emocional. Após esse breve descanso, o lado mas pesado e agressivo volta a das as caras com “The Visitor”, que se destaca pelo trabalho das guitarras e pelas orquestrações.

“Return to Grace” já chega de cara explicitando suas influências de música oriental e soa muito enérgica. Com riffs bem agressivos e um solo muito bom, possui um ótimo arranjo de cordas e um desempenho implacável de Johannes Jungreithmeier, que mostra bem ao que veio durante toda a canção. A adrenalina abaixa um pouco com outra balada, “Only a Whiff of Life”. Não entendam mal, ela é linda, suave, transborda emoção através da voz de Sabine, mas poderia ter sido deixada como bônus, até porque antecede o grande momento de The Great Momentum (ah vá, foi um trocadalho do carilho hahahaha), a dobradinha composta por “A Turnaround in Art”, pesada, com ótimos riffs e algumas das melhores orquestrações do álbum, e “The Greatest Gift of All”, o ápice de todo o trabalho. Simplesmente épica, consegue soar suave, emotiva e emocional, mas sem perder o peso, algo importante no trabalho do Edenbridge. Os vocais de Sabine estão incríveis e o piano está muito bem encaixado, ajudando demais nesse lado mais emotivo citado acima. E meus amigos, que orquestrações, que coros! Tudo aqui é grandioso. Sem dúvida, uma das melhores canções da carreira dos austríacos.

A produção ficou a cargo de Lanvall, que fez a mixagem ao lado de Karl Groom. Já a masterização foi realizada pelo ótimo Mika Jussila, no lendário Finnvox Studio, na Finlândia. E que produção, amigos. Clara, limpa, cristalina, mas pesada. Seu grande mérito é sem dúvida, deixar a guitarra sempre em primeiro plano, mesmo nos momentos em que as orquestrações se fazem mais presentes. E convenhamos, em um álbum de Metal, nada mais justo que a guitarra estar à frente, mantendo o lado Metal como protagonista do trabalho. A bela capa foi feita em parceira por Anthony Clarksson e o baterista Johannes Jungreithmeier, que também foi o responsável por todo layout do encarte.

Não, The Great Momentum não é o melhor trabalho do Edenbridge, até porque esse posto é disputado por Shine e The Grand Design, mas ainda sim é um álbum de altíssimo nível e que supera em muito os últimos lançamentos de outros pares renomados do estilo. Não espere inovação ou grandes mudanças estilísticas, até porque não são afeitos a isso, mas se você aprecia Power Metal Sinfônico, esse é um CD obrigatório na sua coleção.

NOTA: 8,5

Edenbridge é:
- Sabine Edelsbacher (vocal);
- Lanvall (guitarra/teclado);
- Dominik Sebastian (guitarra);
- Johannes Jungreithmeier (bateria).

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Black Star Riders - Heavy Fire (2017)


Black Star Riders - Heavy Fire (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Heavy Fire
02. When the Night Comes In
03. Dancing with the Wrong Girl
04. Who Rides the Tiger
05. Cold War Love
06. Testify or Say Goodbye
07. Thinking About You Could Get Me Killed
08. True Blue Kid
09. Ticket to Rise
10. Letting Go of Me
11. Fade (Bonus Track)

A história já é conhecida por todos. Após mais uma turnê de reunião do Thin Lizzy (que durou “só” de 2004 a 2012), o guitarrista Scott Gorham decidiu que era hora da banda voltar a lançar um novo álbum de inéditas, algo que não ocorria desde 1984, e diria até, impensável desde o falecimento do lendário Phil Lynott. Mas como o baterista Brian Downey, único membro original da banda naquele momento (Gorham entrou em 1974), não estaria no projeto, Scott acertadamente optou por alterar o nome da mesma para Black Star Riders, e com a entrada do baixista Robbie Crane e do baterista Jimmy DeGrasso (que anunciou recentemente sua saída), soltaram o ótimo All Hell Breaks Loose (13), seguido de The Killer Instinct (15).

Ambos os trabalhos tiveram ótima repercussão, afinal, o Heavy Rock praticado pelo quinteto era empolgante e possuía muita qualidade. Ainda assim, aquele rótulo de “somos os Thin Lizzy com outro nome” parecia ter pegado a banda, até porque a sonoridade adotada era totalmente similar. Em seu terceiro trabalho de estúdio, Heavy Fire, ainda não podemos dizer que o BSR se livrou dessa sombra (até porque isso parece não incomodar), mas já podemos observar uma maior independência estilística em sua música. E olhe meus amigos, isso acaba sendo muito, mas muito bom mesmo, pois o que já era bom, parece estar ficando ainda melhor.

Claro, não dá para negar que a base da sonoridade aqui continua sendo o Thin Lizzy, mas em muitos momentos, observamos esse lado ser mesclado com novas influências, deixando claro que o quinteto está disposto a buscar novas possibilidades para suas músicas. Qualquer comparação entre Ricky Warwick e Phil Lynott é totalmente injusta, até porque o primeiro se sai muito bem mais uma vez, soando cada vez melhor a cada lançamento. Scott e Damon Johnson se mostram ainda mais afiados em Heavy Fire, com um trabalho de guitarras muito bom. Riffs pesados, ótimas harmonias e aquelas boas e velhas guitarras gêmeas fazem parte do repertório da dupla. A parte rítmica é não menos que excelente, afinal, Robbie Crane e Jimmy DeGrasso são músicos acima da média, brilhando em muitos momentos.


Pense em um trabalho verdadeiramente homogêneo. Esse é Heavy Fire, e não se assuste se a cada audição feita, você descobrir uma nova música preferida. É assim que a coisa funciona aqui. A abertura, com a faixa título, já dá amostras das novas influências encontradas no trabalho. É um Hard/Heavy com algo de Rock Sulista aqui e ali, e pitadas daquele Hard típico da Sunset Strip. “When the Night Comes In” empolga pelas boas guitarras, os ótimos vocais, com direito a backing vocals femininos no cativante refrão. Já “Dancing with the Wrong Girl” poderia estar em qualquer álbum do Thin Lizzy nos anos 70, tamanha a similaridade. Pesada, com bom groove e ótimos riffs, “Who Rides the Tiger” poderia estar em qualquer álbum de Hard nos anos 80, apesar de ser perceptível algo daquele Rock Alternativo dos anos 90 nas guitarras. Encerrando a primeira metade do álbum, temos a sentimental e agradável “Cold War Love”.

A segunda metade abre com “Testify or Say Goodbye”, que possui uma melodia absurdamente agradável, ótimo uso do Mellotron (tocado por Johnson) e linhas vocais agradabilíssimas. O álbum tem sequência com “Thinking About You Could Get Me Killed”, com ótimas linhas de baixo, bom groove, guitarras marcantes e novamente, algo de Rock Alternativo aqui e ali (nada exagerado, não precisam se assustar). “True Blue Kid” possui bom groove, com ótimo desempenho da dupla Crane/DeGrasso, além de boas guitarras. “Ticket to Rise” tem uma pegada que remete ao Thin Lizzy, ótimos vocais, refrão marcante e mais uma vez, ótimos backing vocals femininos, que fazem a música grudar na sua cabeça. E vale destacar o ótimo solo de guitarra, o melhor de todo o trabalho. A versão padrão do álbum encerra com “Letting Go of Me”, empolgante, poderosa e com um destaque maior para a bateria. É outra com leves traços de Rock Alternativo nas guitarras aqui e ali. Na edição nacional, temos uma faixa bônus, a emocional “Fade”, bonita balada que consegue manter o alto nível do trabalho.

A produção do álbum (excelente, vale dizer) ficou por conta do experiente Nick Raskulinecz, que já trabalhou com nomes diversos como Deftones, Foo Fighters, Danzig, Rush, Death Angel e Apocalyptica. Talvez esteja aí um dos motivos para a maior variedade encontrada. A mixagem foi realizada por Jay Ruston, enquanto a masterização foi feita por Paul Logus. Já a divertida capa e toda a concepção do encarte (muito bom, por sinal) foi obra da dupla Paul Tippett e Adrian Andrews, da Vitamin P. Decididamente, um dos trabalhos mais divertidos de se escutar desse ano de 2017. E só para provocar um pouco, se o Thin Lizzy ainda estivesse por aí soltando trabalhos de estúdio, certamente soaria como o Black Star Riders. Tradicional, mas moderno e sem soar forçado ou datado.

NOTA: 8,5

Black Star Riders é (gravação):
- Ricky Warwick (vocal);
- Scott Gorham (guitarra);
- Damon Johnson (guitarra);
- Robbie Crane (baixo);
- Jimmy DeGrasso (bateria).

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)


Quintessente - The Belief Of The Mind Slaves (2016) (Single)
(Independente - Nacional)


01- The Belief Of The Mind Slaves
02- Matronæ Gaia (bonus track)

Ter uma banda de Metal no Brasil nunca foi fácil, já que as pedras que se encontram pelo caminho são muitas. Surgido no Rio de Janeiro em 1994, com o nome de Quintessence, o grupo carioca lançou duas demos, The Mask of Dead Innocence (96) e Lonely Seas of a Dreamer (00) e depois entraram em um longo hiato de lançamentos. Em 2015, optaram por fazer uma pequena alteração no nome e agora, finalmente, estão preparando seu álbum de estreia. Mas antes disso, resolveram soltar esse single, para preparar o terreno.

Chama a atenção, positivamente, a sonoridade adotada pelo Quintessente. Ao contrário de boa parte dos nomes que surgem no nosso cenário, que optam por se enveredar por estilos mais tradicionais, o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristina Müller (teclado/vocal), Cristiano Dias (guitarra), Henrique Bessa (baixo) e Mark Souza (bateria), resolveu apostar em um Death Metal Progressivo, totalmente atual, ao qual adicionam outras influências diversas, de estilos como Gothic, Doom e Metal Tradicional.

Os vocais de André se destacam pela variedade, e ele se sai bem tanto cantando de forma agressiva como mais limpa. Cristina Müller é cirúrgica, tanto nos seus vocais, quanto no teclado, que possui ótimas linhas e é responsável por dar um ar sinfônico à banda. Já Cristiano Dias se sai muito bem na guitarra, despejando bons riffs e melodias, enquanto a dupla Henrique Bessa/Mark Souza, forma uma parte rítmica que esbanja técnica e peso. Indiscutivelmente, “The Belief Of The Mind Slaves” é uma grande música. Os arranjos são ótimos e em muitos momentos, me remeteram à fase atual do Amorphis. A energia que ela emana é incrível e cumpre bem a tarefa de nos deixar ansiosos pelo debut. Já “Matronæ Gaia” é uma faixa tirada da demo Lonely Seas of a Dreamer, e aqui podemos ver o quanto a banda evoluiu sua proposta de 2000 para cá. È uma música que pende mais para o Doom, mas nela já podemos perceber a base da atual sonoridade do Quintessente.



A produção fico por conta de Celo Oliveira e da própria banda, sendo que o primeiro também realizou a mixagem e masterização do mesmo, tudo no Kolera Studio. O resultado final é bom, já que os instrumentos estão bem timbrados, além de claros, audíveis e pesados. Um pouco menos de crueza pode ajudar ainda mais o som do quinteto. De resto, é esperar pelo lançamento do seu debut, programado para esse ano de 2017 e torcer para que tenha a mesma qualidade do que escutamos aqui.

NOTA: 8,0

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Henrique Bessa (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Mark Souza (bateria).

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terça-feira, 18 de abril de 2017

Indiscipline - Sanguínea (2017)


Indiscipline - Sanguínea (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Fear In Your Eyes
02. Take It Or Leave It
03. Nasty Roar
04. Burning Bridges
05. Degrees Of Shade
06. Losing My Mind
07. Born Dead
08. Higher
09. Miss Daniel
10. Poison

A presença cada vez maior das mulheres no meio do Rock/Metal é algo a ser louvado por todos. Essa ocupação de espaços e o protagonismo crescente ajuda muito no combate ao machismo nosso de cada dia (sim colega, o meio do Metal em nada se difere do que vemos em nosso cotidiano). O Power Trio feminino Indiscipline foi formado no Rio de Janeiro, em  2012, e 2 anos depois soltou uma demo, In My Guts, que fez criar uma expectativa pelo seu debut, devido a qualidade da mesma. E eis que Sanguínea finalmente chega às nossas mãos. A aposta do trio é em uma mescla de Heavy Metal com Hard Rock, mas você também pode perceber aquela energia típica do Punk e elementos de Grunge, principalmente no que diz respeito às ótimas linhas vocais de Alice D’Moura.

Ela é sem dúvida um dos principais destaques de Sanguínea, já que aposta mais na melodia do que na agressividade, obtendo ótimos resultados nesse sentido. Seu trabalho no baixo também não fica atrás, já que o mesmo soa bem forte e assume posição de protagonista quando necessário, algo muito importante em uma configuração de Power Trio, onde temos apenas uma guitarra. Por sinal, a experiente Maria Fernanda Calls (ex-Vociferatus, ex-Impacto Profano, ex-Melyra, e única integrante original) se sai excepcionalmente bem aqui, colocando muito peso na guitarra, graças aos ótimos riffs. Seus solos também são muitíssimo agradáveis de se escutar. Fazendo dupla com Alice na parte rítmica, Ale De La Vega faz um belíssimo trabalho cuidando das baquetas. Sua bateria soa simplesmente furiosa, pesada e bem diversificada.

A capacidade que o Indiscipline possui que equilibrar bem seus momentos mais agressivos com outros mais melodiosos é louvável. A forma como trabalham suas influências também merece aplausos, já que mesmo nos momentos em que as deixam mais explicitadas, ainda sim conseguem dar certa identidade à sua música. O Heavy/Hard dá as caras em faixas como a forte e enérgica “Fear In Your Eyes”, em “Take It Or Leave It” ou na mais que empolgante “Poison”, que encerra o trabalho. Lembram-se das influências Grunge que citei mais acima? Elas ficam bem evidentes na ótima trinca “Burning Bridges”, “Degrees Of Shade”, “Losing My Mind”, com aquela levada mais arrastada e climão bem Alice In Chains. Fizeram-me recordar um pouco do quarteto feminino sueco Drain S.T.H, que lançou alguns bons trabalhos no final dos anos 90, início dos 2000. Outra faixa que vale muito a pena destacar é a ótima e grooveada “Higher”, com uma pegada mais Stoner.


Agora vamos ao ponto de controvérsia de Sanguínea, a produção. A mesma ficou por conta do ótimo e experiente Felipe Eregion (Unearthly), com parceria do não menos ótimo e experiente Gus Monsanto (Adagio, Human Fortress, Revolution Renaissance). Já a mixagem e masterização foram realizadas no Sound Division Studio, na Polônia, pelo experiente Arkadiusz “Malta”Malczewski (Decapitated, Behemoth). Está tudo claro, audível, com uma ótima escolha de timbres, além de pesado e agressivo. Mas certamente alguns podem se incomodar com a opção por uma produção mais abafada. Da minha parte, combinou bem com a sonoridade adotada, mas consigo entender perfeitamente os que defendem algo mais bem trabalhado. É algo a se analisar no próximo álbum. Já a bela arte da capa foi obra de Jas Helena, com o layout do encarte feito por Eregion (muito bem feito por sinal).

Vale destacar que Sanguínea foi financiado por uma campanha de crowdfunding, mostrando que quando bem planejado e usado, essa pode ser uma ótima ferramenta para as bandas underground. De resto, o Indiscipline confirma todas as ótimas expectativas com relação à sua estreia, mostrando que todo o potencial demonstrado nos últimos anos não era apenas fogo de palha. Um dos bons álbuns nacionais de 2017.

NOTA: 8,5

Indiscipline é:
- Alice D’Moura (vocal/baixo)
- Maria Fernanda Cals (guitarra)
- Ale De La Vega (bateria)

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