segunda-feira, 26 de junho de 2017

Axes Connection - A Glimpse Of Illumination (2017)


Axes Connection - A Glimpse Of Illumination (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Meaning Of Evil
02. Rearrage Yourself
03. Wisdom Is The Key
04. Use The Reason
05. Prepare Your Soul
06. The Gates
07. A Glimpse Of Illumination
08. Journey To Forever
09. Skyline
10. The True Connection

Vamos voltar um pouco no tempo. Nos anos 90, os irmãos Vitor (bateria) e Marcos Machado (guitarra) resolveram trabalhar juntos em algumas músicas, visando um projeto em conjunto, mas a entrada deste último no Distraught no ano de 1998 (permaneceu até o início de 2013) fez com que a ideia fosse engavetada. Nos 15 anos em que Marcos permaneceu na banda gaúcha, ele, Vitor e eventualmente o terceiro irmão, Márcio (vocal), se reuniram algumas vezes para não deixar as músicas existentes esquecidas, mas sempre de maneira muito informal.

Em 2013, Vitor convenceu o Marcos a trabalhar no projeto de forma séria, mas logo após tal fato, infelizmente veio a falecer. Foi então que, como forma de homenagear o irmão, Marcos e Márcio resolveram seguir em frente com o sonho do mesmo, convidando o baixista Magoo Wise (ex-Apocalypse, ex-Distraught) a se juntar à banda. O que era um projeto ganhou um nome que é uma referência explícita ao sobrenome dos irmãos, Axes Connection (Axe significa Machado em inglês), e 4 anos depois surge A Glimpse Of Illumination, que muito mais do que um álbum de estreia, é uma homenagem à memória de Vitor.

Musicalmente, nos deparamos com um Heavy Metal Clássico, com influência de bandas tanto dos anos 70 quanto dos 80. Os vocais de Márcio são bem diversificados, enquanto Marcos faz um belo trabalho na guitarra e apresenta alguns bons riffs. A parte rítmica, que na gravação foi composta por Magoo e Lourenço Gil (bateria), mostra técnica e boa variedade, imprimindo peso às canções. Os destaques aqui ficam por conta de “The Meaning Of Evil”, que tem uma pegada setentista, além de soar bem intensa e pesada, a enérgica “Rearrage Yourself”, que flerta com o Black Sabbath, “Use The Reason”, forte, pesada e com bons riffs, a sabbathica “Prepare Your Soul” e a variada e técnica “A Glimpse Of Illumination”.


Produzido por Marcos Machado e pela banda, e como ele mesmo define no release enviado à imprensa, com o espírito do “do-it-yourself” prevalecendo, o álbum foi gravado parte em casa, parte no Felipe Live Studio, onde também foi mixado por Felipe Haider, tendo sido masterizado pelo ex-baixista do Hibria, Benhur Lima. O resultado final fica dentro da média, mas fiquei com a sensação de que poderia ter ficado um pouco melhor. Está tudo claro, audível, bem timbrado e soando bem orgânico, mas ficou um pouco cru além da conta. Já a bela capa, que retrata com perfeição o que é A Glimpse Of Illumination, foi obra de Aldo Marcondes.

Pesado, intenso e bem diversificado, o Axes Connection não só tem uma boa estreia, como também faz uma bela e emocionante homenagem a Vitor. Eis mais um nome promissor de nossa profícua cena.

NOTA: 7,5

Axes Connection é:
- Márcio Machado (vocal);
- Marcos Machado (guitarra);
- Magoo Wise (baixo);
- Cristiano Hulk (bateria).

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sábado, 24 de junho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Mechina - As Embers Turn to Dust (2017)
(Independente – Importado)


O Mechina é uma banda peculiar, pois sua música não é das mais fáceis de se rotular (afinal de contas, para que rótulos, não é?). Mas para localizar o leitor, é como se praticassem um Djent/Progressivo Sinfônico, mas com toques de Groove, Industrial e Death Metal aqui e ali. Desde seu 2º álbum, Conqueror (11), o grupo americano vem contando uma história conceitual sobre humanos refugiados buscando uma nova casa e os desdobramentos disso, sendo que As Embers Turn to Dust já é seu 7º trabalho de estúdio (lançam religiosamente 1 álbum por ano desde 2013, sempre no dia 1º de janeiro). Como sempre, conseguem manter o ótimo nível, com um trabalho vocal primoroso (vão desde vocais limpos masculinos e femininos até urrados/guturais), ótimos riffs, e com as partes orquestrais muitíssimo bem equilibradas, sem roubar o espaço dos demais instrumentos. Para quem conhece a banda, imagine um trabalho que em matéria de sonoridade, trafega entre Acheron (15) e Progenitor (16). Épico, cinematográfico e muito bom! (8,5)

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Grog – Ablutionary Rituals (2017)
(Murder Records – Importado)


Oriundo de Portugal, o Grog já é uma banda veterana, com seus 26 anos de estrada. Praticando uma mescla de Brutal Death Metal com Grindcore, chegam a seu 4º álbum de estúdio apresentando um trabalho nada indicado para aqueles que possuem ouvidos sensíveis e delicados. Sua música é brutal, destrutiva, com vocais “podres” (no melhor sentido da palavra), riffs velozes e trituradores e parte rítmica destruidora, conseguindo unir muito bem o lado técnico do Death Metal com a incivilidade do Grindcore. E títulos como “Uterine Casket”, “Sterile Hermaphrodite”, “A Scalpel Affair” e “Flesh Beating Continuum” deixam muito claro que a “singeleza” também se faz presente na parte lírica. Vale ressalvar que dentro da proposta adotada, os 40 minutos de duração acabam tornando o trabalho um pouco cansativo da metade para frente, sendo que uns 10 minutos a menos cairiam bem aqui. Se o Grog não apresenta nada de novo ao ouvinte, ainda assim faz com competência o que se propõe, valendo uma audição aos que curtem uma “podreira”. (7,0)

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Dark Rites – Dark Rites (2017)
(Sliptrick Records – Importado)


O Dark Rites surgiu no ano de 2016 e é um reflexo dos tempos atuais. Se trata de um projeto de internet que une músicos dos Estados Unidos, Inglaterra e Suécia. Apesar disso, conseguem mostrar uma sonoridade muito coesa, que mescla de forma bem interessante Groove Metal e Death Metal Melódico. É como se membros do Amon Amarth e do Lamb Of God resolvessem se juntar para formar um projeto paralelo, já que essas são as duas maiores referências presentes no trabalho de estreia do grupo. Equilibrando muitíssimo bem peso e melodia, nos apresentam uma música recheada de boas melodias, bons riffs e boa técnica. Não, você não vai se deparar com nada revolucionário aqui, já que não existe nada de novo musicalmente, mas fazem sua música com tanta paixão que você acaba relevando completamente isso. Fora que soa muito divertido. Um nome para se observar de perto nos próximos anos. (8,0)

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Ulvegr - Titahion: Kaos Manifest (2017)
(Ashen Dominion – Importado)
 
 
Para quem desconhece, o Ulvegr é um duo de Black Metal oriundo da Ucrânia, formado por Odalv (GreyAblaze, KZOHH, Elderblood, ex-Nokturnal Mortum) e Helg (Khors, GreyAblaze, KZOHH), já estando em seu 4º trabalho de estúdio. Seu Black Metal feroz, que versa sobre misticismo, ocultismo e paganismo, recebe uma série de influências que enriquecem em muito o resultado final. Passagens atmosféricas e elementos tribais criam um clima de culto ritualístico simplesmente assustador e sinistro, que deixa sua música ainda mais intensa e, porque não, desesperadora. Vale dizer que aqui a dupla contou com a colaboração do vocalista e guitarrista Astargh (GreyAblaze, Elderblood, ex-Nokturnal Mortum), do tecladista Hyozt (KZOHH, Nokturnal Mortum) e do vocalista Ermunaz (KZOHH), este em uma faixa. Um álbum poderoso! (8,5)

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Jonne - Kallohonka (2017)
(Playground Music Finland – Importado)
 
 
Para quem não ligou os pontos, esse é o projeto solo do vocalista do Korpiklaani, Jonne Järvelä, que chega a seu segundo trabalho e conta com a participação de músicos de bandas como Amorphis, Battlelore, Shape of Despair, dentre outras. Mostrando um trabalho mais bem-composto, maduro e diversificado que em sua estreia, sua música reúne elementos de Folk Acústico, World Music, Jazz, Flamenco, Progressivo e até algumas boas melodias Pop, resultando em algo que se aproxima muito mais do que fez no Shammaani Duo do que o que faz no Korpiklaani. Amplo e versátil, é um dos álbuns mais agradáveis que você escutará nesse ano de 2017. (8,0)

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Eis que o grupo polonês capitaneado pela vocalista Marta Gabriel chega a seu 6º CD mantendo aquela mesma pegada típica do Metal oitentista apresentada em seus trabalhos anteriores. A fixação da banda pelo período é tanta que em alguns momentos suas músicas chegam a soar um pouco datadas e sem identidade, já que a busca por originalidade não parece ser do interesse do quarteto polaco. Durante toda a audição, nomes como Iron Maiden, Cirith Ungol, Manowar, Warlock e Running Wild virão à sua cabeça, fazendo persistir aquela sensação famosa do “eu já escutei isso antes”. Mas ao mesmo tempo, não podemos negar a qualidade dos ótimos vocais de Marta, dos riffs pesados e sim, muito bons, além da ótima parte rítmica. São essas qualidades que acabam por equilibrar o jogo e dar qualidade ao grupo. Sua devoção pelos anos 80 é tão grande, que temos aqui participações especiais de ícones do período, como Ross The Boss (ex-Manowar), Mantas (ex-Venom) e Steve Bettney (Saracen), além de um cover para “See You in Hell” do Grim Reaper, na versão em CD, e para “Long Live the Loud”, do Exciter, no vinil. Vale destacar também a belíssima capa do mestre Andreas Marshall. (7,5)

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Apophanous – Obliteration Has Come (2016) (EP)


Apophanous – Obliteration Has Come (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Origins Of Violence
02. Bright Evil Eyes
03. Like An Angel
04. Death Drive

Apesar do Thrash Metal ser um estilo bem cotado entre as bandas brasileiras, a maior parte delas opta por adotar aquela sonoridade mais tradicional, com suas raízes bem fincadas ou na cena da Bay Area, ou na cena alemã. Algumas outras poucas, seguem uma escola mais brasileira, tendo o Sepultura como referência. Mas mesmo meio a um panorama mais conservador, existem novos nomes que optam por se enveredar por caminhos mais “modernos”. E esse é o caso do Apophanous.

O Apophanous ainda está dando seus primeiros passos, tendo surgido em São Paulo no ano de 2015. Adotando como sonoridade o que chamamos de Progressive Thrash Metal, podemos citar como referências bandas como Machine Head, Pantera, Lamb Of God, Chimaira e afins, executando assim um som com pegada mais moderna, técnico, muito bem trabalhado, mas sem abrir mão do peso e da agressividade em momento algum. Mudanças de tempo ocorrem em diversos momentos, evitando que as canções se tornem repetitivas e cansativas, além de possuírem melodias interessantes. Mas repito, a agressividade está presente em cada nota aqui, já que não abrem mão da mesma de forma alguma.

Chama a atenção o fato de que, apesar do pouco tempo de estrada, já apresentam uma coesão absurda, e muito disso vem do fato de já se tratarem de músicos com certa rodagem no underground. O vocalista Vitor Alcantara já passou pelo Encanto Blasfemo e pelo Divine Holocaust, sendo que nessa última tocou junto com o baterista Fábio Trevisan. O guitarrista Tiago Lima passou pelo Cimeries e pelo Everhate e o baixista Álvaro Albuq, pelo Stultifera. Exatamente por toda essa bagagem, conseguem dar uma cara própria à sua música, mesmo que as referências fiquem bem evidentes. Os vocais são agressivos e variados, a guitarra despeja bons riffs e solos melodiosos e a parte rítmica mostra competência, precisão e técnica.


São apenas 4 faixas, mas todas com um nível muito bom de qualidade. A abertura se dá com “Origins Of Violence”, bem variada, alternando muito bem partes mais cadenciadas com outras um pouco mais rápidas e ótimo desempenho da dupla formada por Álvaro Albuq e Fábio Trevisan. “Bright Evil Eyes” segue essa mesma linha, variando bem seu andamento e, além de ótimos riffs, possui um belíssimo solo. Já “Like An Angel” soa mais crua e enérgica, com uma melodia bem agradável e um bom refrão, enquanto “Death Drive” tem uma dose um pouco maior de rispidez, ótimos riffs, além de ser outra que se destaca pelo ótimo solo.

Gravado, mixado e masterizado no I.M.F (Santo André/SP) por Titio Falaschi, o resultado final em termos de produção é muito bom, soando clara, mas sem aquela coisa asséptica e fria que escutamos por ai. Soa pesada, orgânica, viva. Já a capa foi obra de Bruno Guia. A se lamentar, apenas o fato de Obliteration Has Come não ter saído em formato físico. Mas o mesmo pode ser encontrado em formato digital no YouTube, Bandcamp, Spotify, iTunes e demais plataformas digitais conhecidas. Mostrando um potencial de crescimento muito grande, o Apophanous se credencia desde já a, no futuro, estar entre os grandes nomes do nosso cenário.

NOTA: 8,0

Apophanous é:
- Vitor Alcantara (vocal);
- Tiago Lima (guitarra);
- Álvaro Albuq (baixo);
- Fábio Trevisan (bateria).

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Mothership - High Strangeness (2017)


Mothership - High Strangeness (2017)
(Ripple Music - Importado)


01. High Strangeness    
02. Ride The Sun    
03. Midnight Express    
04. Crown Of Lies    
05. Helter Skelter    
06. Eternal Trip    
07. Wise Man    
08. Speed Dealer

Parece ser indiscutível o fato de que o Stoner Rock vive o seu melhor momento em termos de popularidade, vide a grande quantidade de bandas que surgem a todo o momento apostando no dito estilo. Mas por mais que isso tenha aspectos positivos, por outro, a grande oferta acaba, de certa forma, nivelando tudo por baixo, já que grande parte desses novos nomes se limitam apenas a emular o que já foi feito por nomes consagrados do passado. Dentro desse panorama, uma banda que queira se destacar e não ser apenas mais uma em meio à multidão tem que apresentar algo muito consistente.

Esse é o caso do Power Trio texano Mothership, formado pelos irmãos Kyle (vocal/baixo) e Kells Juett (vocal/guitarra) e pelo baterista Judge Smith. Formado no ano de 2010, lançaram 2 álbuns de estúdio, Mothership I (13) e Mothership II (14) e um trabalho ao vivo, Live Over Freak Valley (16), que ajudaram a sedimentar seu caminho e crescimento dentro do underground, os colocando em uma posição de cada vez mais destaque dentro da cena. E após a audição de High Strangeness, não seria exagero da minha parte dizer que esse é o passo que faltava para os colocar um degrau acima, entre os grandes nomes do gênero.

Com seus dois pés muito bem fincados nos anos 70, praticando um Stoner/Hard com pitadas psicodélicas que surgem para temperar mais esse caldo, High Strangeness já chama a atenção de cara por sua belíssima capa. Ao bater o olho na mesma, você já sabe com o que irá se deparar. Se você já estiver familiarizado com a discografia do trio, assim que colocar o material para tocar, irá se ligar em um segundo aspecto: esse é um trabalho muito mais “simples” que seus antecessores, já que sua duração fica em torno dos 33 minutos (os anteriores ficavam na casa dos 45 minutos). Suas canções, definitivamente, estão mais curtas, diretas e precisas, soando muito mais orgânicas. 




O álbum abre com a faixa-título, um ótimo e hipnótico prelúdio instrumental que deixa escancarada toda a vibe setentista do trio. Na sequência, “Ride The Sun” chega bem direta, simples, com um riff inicial pra lá de marcante e que gruda na sua cabeça de imediato, assim como o bom refrão. É dessas músicas que cativam o ouvinte já de cara. “Midnight Express” é uma dessas clássicas faixas do estilo, capaz de te deixar viciado na mesma e com uma ótima performance da parte rítmica. Aliás, Kyle e Judge, em muitas passagens, conseguem remeter ao melhor do Black Sabbath. “Crown Of Lies” encerra a primeira metade do trabalho, e além de um riff simplesmente esmagador, se mostra bem variada, com várias mudanças de ritmo e um solo muito legal.

Não se deixe enganar, apesar do nome, “Helter Skelter”, que abre a segunda metade, não se trata de um cover dos Beatles, mas sim de uma música do próprio Mothership. Ótimos riffs, uma bateria muito forte e um climão bem Kyuss dão o mote em uma das faixas mais enérgicas do trabalho. “Eternal Trip” é um interlúdio instrumental suave e dinâmico, que surge para abaixar um pouco a adrenalina e preparar para o espetacular final. Primeiro, “Wise Man”, simples, direta, com um ótimo riff e uma melodia grudenta e por último, com a espetacular “Speed Dealer”, melhor faixa disparada de todo o trabalho, uma verdadeira viagem pelo que os anos 70 tinham de melhor a oferecer em matéria de música. Vibrante, viciante e com um belo riff.

A produção é excelente, conseguindo emular bem o clima do período, mas sem soar forçado. Tudo é muito honesto e natural aqui. O trabalho vocal é excelente, digno de todos os elogios, assim como a guitarra, que soa 100% verdadeira, saída de um trabalho dos anos 70. E a parte rítmica, essa brilha durante toda a audição. Equilibrando muito bem peso e melodia setentistas, o Mothership criou um álbum que vai agradar em cheio a fãs de formações como Spiritual Beggars, Fu Manchu, Orange Goblin, Kyuss e outras nessa linha. Certamente um dos grandes álbuns de Stoner Rock de 2017.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 68. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/ZkBcFg
Leitura Online: https://goo.gl/t9Eg1Q

Mothership é:
- Kyle Juett (vocal/baixo);
- Kells Juett (vocal/guitarra);
- Judge Smith (bateria).

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Fuoco Fatuo – Backwater (2017)


Fuoco Fatuo – Backwater (2017)
(Profunde Lore Records - Importado)


01. Sulphureous Hazes    
02. Rainfalls of Debris    
03. Perpetual Apochaos    
04. Nemesis

Se existe uma coisa que a Itália produz muito bem, além das massas, é o tal do Doom Metal. Não sei se é o macarrão à bolonhesa, se é a pizza napolitana, ou se é o fato do Silvio Berlusconi ter governado o país por anos e anos (o mais provável, já que os dois primeiros itens devem ter influenciado o Power Metal animado e alegre das bandas de lá), mas os caras sabem fazer músicas sombrias como poucos. Esse é o caso do Fuoco Fatuo, surgido no ano de 2011 e que se envereda pelos tortuosos caminhos do Funeral Doom.

É preciso deixar claro, que esse não é um álbum para se tocar de fundo nas tarefas cotidianas de casa. Devido à sua profundidade, se faz necessária dedicação exclusiva para sua audição, já que  certos detalhes mais sutis exigem alguma atenção. Obviamente que estamos diante de um som muito arrastado, brutalmente pesado e opressivo, mas o Fuoco Fatuo agrega elementos de Death e Black à sua sonoridade, o que acaba permitindo pequenas mudanças de andamento aqui e ali, além de um aumento da velocidade em alguns trechos (mas nada exagerado). No final, é justamente esse aspecto de sua música que acaba tornando a audição “agradável”, já que apesar da longa duração das canções aqui presentes (entre os 13 e os 17 minutos), você mal percebe o tempo passar, e quando se dá conta, Backwater já chegou ao fim e você está dando o Play mais uma vez.


Os vocais de Milo Angeloni são rosnados e parecem sair das profundezas de algum sepulcro, maximizando a sensação de desolação. Ele, ao lado de Giovanni Piazza, é responsável por despejar riffs duríssimos, lentos e de um peso simplesmente esmagador, fora algumas melodias muito interessantes que surgem aqui e ali. Como o álbum foi gravado como um trio, Piazza também acumulou a função de baixista (posto hoje pertencente a Andrea Collaro), fazendo um belíssimo trabalho, enquanto o baterista Fabrizio Moalli (que saiu após a gravação, sendo substituído por Davide Bacchetta) consegue dar variação às canções, nos momentos em que as mesmas “aceleram” um pouco, evitando que se tornem cansativas.

São apenas 4 músicas, mas que valem por 40 de muitas bandas por aí. “Sulphureous Hazes” abre o álbum de forma sufocante. Os vocais rosnados, os riffs desoladores, momentos atmosféricos, tudo isso se une para criar uma sensação de vazio no ouvinte. A sensação de angústia toma conta de  “Rainfalls of Debris”, assim como de  “Perpetual Apochaos”, com seu clima hipnótico e assombroso. É certamente o ponto mais alto de “Backwater”. Encerrando, “Nemesis” faz jus ao nome e abate impiedosamente qualquer resquício de felicidade que ainda possa existir no ouvinte. E ao final da audição, tudo que sobra é terra desolada. Tem coisa melhor que isso quando falamos de Funeral Doom? Opressivo, como todo álbum do estilo deveria ser.

NOTA: 8,0

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 68. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/ZkBcFg
Leitura Online: https://goo.gl/t9Eg1Q

Formação (gravação):
- M. (Milo Angeloni) (vocal/guitarra);
- G. (Giovanni Piazza) (guitarra/baixo);
- F. (Fabrizio Moalli) (bateria).

Formação atual:
- Milo Angeloni (vocal/guitarra);
- Giovanni Piazza (guitarra);
- Andrea Collaro (baixo);
- Davide Bacchetta (bateria).

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Ministério da Discórdia - Abismo (2016) (EP)


Ministério da Discórdia - Abismo (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Abrace a Discórdia
02. Abismo
03. Supremo Concílio
04. Orquídea Negra
05. Perdidos

O Heavy/Rock com aquela sonoridade mais setentista é talvez o estilo que ande mais em voga nos dias de hoje. A quantidade de novos nomes se enveredando por esses lados é imensa. Ainda assim, no Brasil, por mais que tenha ocorrido um aumento nos últimos anos, poucas são as novas bandas a adotar tal sonoridade. O Ministério da Discórdia surgiu no ano de 2007 e em 2013 lançou seu debut, autointitulado, em que mesclava Heavy e Thrash, mas deixava claras suas influências com essa sonoridade mais clássica do Heavy/Rock. Nada mais normal para quem em seu início de carreira fazia covers do Black Sabbath.

Pois em Abismo, seu segundo trabalho, o Power Trio formado por Maurício Sabbag (vocal/guitarra), Carlos Botelho (baixo) e Inacio Nehme (bateria), resolveu investir de vez no seu lado mais Heavy, mergulhando de cabeça nas influências “sabbathicas” que estão presentes desde o surgimento da banda. Mas não pense que se trata de uma simples emulação, pois apesar da influência mais que latente, o som do Ministério da Discórdia possui uma identidade toda sua. Esse é o grande diferencial que os separa de boa parte da concorrência.

Os vocais de Mauricio são sem dúvida alguma, um dos grandes destaques aqui. Forte, com um timbre para lá de agradável, consegue imprimir ótimas linhas vocais. Aliás, aqui temos uma prova de que sim, o português cai muito bem no Metal, ao contrário do que muitos acreditam por aí. Basta ter competência para tal. Sua guitarra também executa um ótimo trabalho, despejando riffs que deixariam Tony Iommi orgulhoso, além de executar ótimos solos. A parte rítmica, com Carlos e Inácio, também não fica nada atrás, esbanjando técnica, coesão e competência. Dão peso e diversidade às canções.


“Abrace a Discórdia”, que abre o trabalho, é a que mais se aproxima daquela sonoridade do debut. Enérgica e com uma pegada mais moderna, transborda peso e tem um refrão daqueles bem grudentos. Já “Abismo” tem ótimas guitarras e não esconde a influência de Black Sabbath, com sua levada cadenciada e densa. “Supremo Concílio” mantém essa mesma pegada, com uma melodia marcante e um refrão desses que ficam por dias na sua cabeça, além de uma letra forte. Sendo a mais curta e simples do trabalho, “Orquídea Negra” tem uma pegada mais psicodélica, lisérgica, algo que se mantém na densa e ótima “Perdidos”, que encerra o EP.

Gravado no estúdio Audiofusion, com produção de Rafael Zeferino, o resultado final é muito bom, com tudo orgânico, natural. Soa claro, audível, mas sem perder nada do peso. Já a bela capa foi obra de Silvio Senna. Vale citar que temos a participação especial de Gus Sanches, tocando Hammond em “Perdidos”. Apresentando músicas cheias de energia, variadas e com melodias que agradam sem qualquer esforço, o Ministério da Discórdia se credencia para entrar de vez no primeiro time do Metal nacional. E em tempos modernos, Abismo não foi lançado em versão física, mas liberado nas principais plataformas de música digital, além de suas músicas estarem disponíveis para audição no YouTube. Vale a pena correr atrás.

NOTA: 8,0

Ministério da Discórdia é:

- Maurício Sabbag (vocal/guitarra);
- Carlos Botelho (baixo);
- Inacio Nehme (bateria).

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Céu em Chamas - Infernal (2017)


Céu em Chamas - Infernal (2017)
(Independente - Nacional)


01. Lutar
02. Portões do Inferno
03. Gritos e sussurros
04. Correntes
05. Caos
06. Inferno
07. Falida Imaginação
08. Sopro da Destruição
09. Olhos Pulsantes

O que chamamos de “brasileiro médio” é sem sombra de dúvida, um sujeito conservador em quase todos os campos de sua vida. Não é um tipo muito afeito a mudanças, ao que fuja do tradicional, do “certo”. O “fã médio de Heavy Metal” no Brasil também não difere em nada disso. Se apega com todas as suas forças às formas mais tradicionais de se fazer Metal, vendo como “modinha” ou desmerecendo a qualidade de qualquer coisa que ouse sair da fórmula pronta que perdura no estilo por décadas. A coisa chega a um ponto que, para muitos, basta ter sido feito nos anos 80/90 para se tornar um material clássico (mesmo que na época em que foi originalmente feito tenha sido considerado mediano ou até mesmo fraco). Basta observar que muitos dos selos nacionais hoje em dia sobrevivem de relançamentos de álbuns clássicos, ou até mesmo obscuros, do período citado acima.

Isso se reflete de diversas formas em nossa cena, como por exemplo, no fato de que boa parte dos novos nomes apostam justamente nessas sonoridades mais tradicionais, afinal, as mais modernas são “coisa de adolescentes modinhas”, segundo muitos pregam por aí. E não me levem a mal, gosto e muito do Metal feito nas décadas passadas, mas isso não significa que preciso desmerecer o que é feito hoje em dia, afinal, tem muita coisa boa por aí, basta deixar o radicalismo um pouco de lado. Mas felizmente, existem aqueles que remam contra a corrente e investem com força em sonoridades mais modernas, indo de encontro aos anseios de uma geração de fãs mais nova e que sim, prezado amigo que parou musicalmente no tempo, não se importa muito com os novos trabalhos do Metallica ou do Iron Maiden.

O Céu em Chamas surgiu em Itapira/SP, no início de 2013, e faz parte desse grupo que nada contra a corrente. Mesclando elementos típicos do Metalcore, com estilos como Death Metal Melódico e Groove Metal, sua sonoridade nos remete de imediato a nomes como Heaven Shall Burn, Carnifex, Hatebreed, Whitechapel, The Agonist, In Flames, ou as brasileiras Confronto, Pray For Mercy e Project46. Sua música transborda energia e alterna momentos mais velozes com outros mais cadenciados, mas nunca abrindo mão do peso. Rafael Coradi (ex-Slasher) é responsável por ótimos guturais, sempre cantando de forma bem agressiva, enquanto a dupla Alemão e Maicon é responsável por bons riffs (em alguns momentos, típicos de Death Metal) e melodias muito agradáveis. A parte rítmica, com Frango (baixo) e Betão (bateria), também executa um belo trabalho, dando diversidade às canções e soando bem firme.


São 9 sons que, como já dito, soam muito enérgicos, além de bastante heterogêneos. Não há grandes variações de qualidade entre as músicas, apesar de obviamente termos algumas que se destacam frente às demais. “Lutar” tem uma sonoridade bem moderna e um ótimo trabalho da dupla de guitarristas, enquanto “Portões do Inferno” é curta e direta, com destaque inevitável pra o belo trabalho da parte rítmica. “Gritos e Sussurros” é outra com uma pegada mais moderna e as guitarras despejam riffs com boas melodias, que inevitavelmente vão te remeter a nomes como In Flames e Dark Tranquillity. “Inferno” é uma bela mescla de Hardcore com Death Metal, abusando da agressividade e do peso, e “Sopro de Destruição” faz mais do que jus ao seu nome, destruindo pescoços dos menos tarimbados.

Gravado no Black Stone Studio, com produção de Bruno Cestari, Infernal tem ótima qualidade nesse quesito, já que mesmo com tudo claro e audível, o peso e a agressividade se fazem mais que presentes. Já a capa foi obra do guitarrista Alemão Pompeu. Vale destacar que o álbum está disponível para download gratuito tanto no site da banda como também em seu Bandcamp. Podem não apresentar absolutamente nada de novo, mas dentro do que propõem a fazer, conseguem obter um ótimo resultado, ainda mais se tratando de um álbum de estreia. Então, se esse é o seu tipo de som, vale muito a pena conferir a música do Céu em Chamas.

NOTA: 8,0

- Rafael Coradi (vocal);
- Alemao Pompeu (guitarra);
- Maicon (guitarra); 
- Frango (baixo);
- Betao (bateria).

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