terça-feira, 22 de maio de 2018

Memoriam - The Silent Vigil (2018)


Memoriam - The Silent Vigil (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Soulless Parasite
02. Nothing Remains
03. From The Flames
04. The Silent Vigil
05. Bleed The Same
06. As Bridges Burn
07. The New Dark Ages
08. No Known Grave
09. Weaponised Fear
10. Dronestrike V3 (Bonus Track)

A história do Memoriam já é conhecida pela maioria dos que apreciam Death Metal. Após a morte repentina do baterista Martin "Kiddie" Kearns, o Bolt Thrower resolveu encerrar sua carreira, e então seu vocalista, Karl Willetts, se juntou a alguns amigos para homenagear seu companheiro de banda. Só que esses amigos eram ninguém menos que o guitarrista Scott Fairfax (ex-Cerebral Fix, e que toca ao vivo com o Benediction), o lendário baixista Frank Healy (Sacrilege, ex-Benediction, ex-Napalm Death, ex-Cerebral Fix) e o baterista original do Bolt Thrower, Andrew Whale. Nascia então um verdadeiro supergrupo de Death Metal.

Além de uma grande homenagem, o Memoriam também se tornou uma forma de seus músicos se expressarem musicalmente, já que mesmo antes do fim, o Bolt Thrower não lançava nada desde o longínquo ano de 2005 e o Benediction, desde 2008. Talvez esteja aí a explicação de tanta urgência em seus lançamentos. Seu álbum de estreia, For the Fallen, foi um dos melhores trabalhos de Death Metal de 2017, e passado exatamente 1 ano do lançamento do mesmo, o quarteto já nos surpreende com seu sucessor, The Silent Vigil. E o que esperar do mesmo, sendo lançado assim em um espaço tão curto de tempo?

O debut, do ponto de vista de sonoridade, não surpreendeu ninguém, já que tinha muito de Bolt Thrower no mesmo. E mais do que pelos vocais de Willetts, a semelhança se dava muito nos riffs de guitarra, que seguiam aquela linha mais conservadora e monolítica que marcou a carreira do grupo. Seu Death Metal sempre foi muito mais homogêneo, sólido, forte e consistente, do que veloz e brutal, como observamos em muitas bandas atuais. Em uma era onde todos querem tocar de forma mais rápida, bruta e técnica, For the Fallen primou por ser um álbum da velha escola, pesado, raivoso e sujo. 


Já com The Silent Vigil, o que podemos observar é um Memoriam buscando ser mais Memoriam e menos Bolt Thrower. Claro que algumas características em comum ainda se fazem presentes (principalmente no trabalho das guitarras), mas é inegável que aqui buscam novos caminhos para suas músicas, que soam com muito mais groove e peso que no seu antecessor. E não é exagero também dizer que soa mais visceral e sombrio. Como era de se esperar, a homogeneidade entre as canções é algo latente, mas algumas se destacam um pouco acima das demais. São os casos de  “Nothing Remains”, uma faixa que transborda maldade e onde Whale brilha, “From The Flames”, uma dessas músicas que te faz bater cabeça sem nem notar, graças aos ótimos riffs, a ótima “Bleed The Same”, a pesada, densa e agressiva “As Bridges Burn”, e a sinistra e sombria “No Known Grave”.

A produção e masterização ficaram a cargo de Jon Dewsbury e James Pitts, que ao lado do guitarrista Scott Fairfax, cuidaram da mixagem. O resultado final ficou bem legal e condizente com a proposta musical da banda. Já a capa foi obra do lendário Dan Seagrave, que já havia trabalhado com a banda no debut, além de ter feito capas icônicas do estilo para bandas como Benediction, Entombed, Morbid Angel, Suffocation, Pestilence, Malevolent Creation, dentre muitas outras. O design e o layout ficaram novamente por conta do brasileiro Marcelo Vasco (Kreator, Slayer, Brujeria, Machine Head, Testament). Confesso que em um primeiro momento, estranhei um pouco The Silent Vigil, mas depois de algumas audições o trabalho foi crescendo e me ganhando aos poucos. No fim, o que temos é um álbum que personifica, como poucos nos dias de hoje, o que é Death Metal.

NOTA: 85

Memoriam é:
- Karl Willetts (Vocal);
- Scott Fairfax (Guitarra);
- Frank Healy (Baixo);
- Andrew Whale (Bateria).

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Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)


Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. None Shall Sleep
02. Into Doom
03. Purpose Of A Virgin Mind
04. Hijacked By Unicorns
05. The Annihilation
06. Wake Up Now
07. A Broken Taboo
08. An Awakening
09. A Battle Against All Hope
10. A Look Inside
11. Metal Daze (Manowar Cover)
12. The Look Inside (Orchestral Version)

Como o tempo é algo escasso para a maior parte das pessoas, vou começar essa resenha de uma forma diferente. Se você não curte de forma alguma Power Metal, seja na sua vertente mais clássica ou mesmo a mais melódica/orquestral, pode parar por aqui mesmo sua leitura e voltar a concentrar seu tempo em atividades que julga mais edificantes. Continua aqui? Que ótimo, pois existem grandes possibilidades de que esse álbum entre no hall dos seus trabalhos preferidos nesse ano de 2018. Mas antes de tudo, vamos contextualizar o que vem pela frente.

Para quem não conhece, o Heavatar surgiu no ano de 2012, na Alemanha, pelas mãos de Stefan Schmidt, a mente criativa por detrás do Van Canto, grupo que se notabilizou por fazer um Heavy Metal a cappella. A ideia era simples: como soaria um grupo de Metal se nomes como Beethoven, Vivaldi, Puccini, Mendelssohn, Mozart, dentre outros, resolvessem formar uma banda? Inicialmente para tal jornada, o mesmo se cercou de músicos experientes na cena, mais precisamente o renomado baterista Jörg Michael (ex-Stratovarius, ex-Saxon, ex-Rage, ex-Running Wild, ex-Grave Digger, dentre outros), o guitarrista Sebastian Scharf (ex-Fading Starlight, banda na qual Stefan também tocou) e o baixista Charles Greywolf (Powerwolf).


Com esse time, lançou seu debut no ano de 2013, Opus I – All My Kingdoms, onde mostrou uma abordagem mais pesada ao tratar da fusão de Power Metal e Música Clássica. O fato é que em vez de inserir grandes partes orquestradas em suas canções, dentre outros exageros que muitos cometem por aí, resolveram fazer isso através das melodias, harmonias, solos e riffs presentes. Ok, outras bandas já fizeram isso no passado? Sim, mas não dá pra negar que o Heavatar transborda honestidade em sua música. Já para esse segundo álbum, apresentam uma mudança de formação, já que Greywolf não faz mais parte da mesma, tendo sido substituído pelo baixista Daniel Wicke, que tocou com Schmidt em outra ex-banda deste, o Jester’s Funeral.

Confesso que em um primeiro momento, o lançamento de Opus II: The Annihilation passou meio que batido por mim, já que o debut, apesar de bom, não me empolgou muito na época. Sendo assim, só posso agradecer à Shinigami Records por esse lançamento, pois eu teria perdido a chance de escutar um belo álbum de Power Metal. Como já dito, não estamos diante de uma proposta inovadora e revolucionária, mas temos em mãos um trabalho muito mais consistente, coeso e equilibrado do que há 5 anos atrás. As canções possuem peso e agressividade, com as influências de Música Clássica podendo soar mais na cara ou mais discretas. Os arranjos são muito bons, algo mais do que esperado levando em conta o talento que Stefan possui nesse sentido (o Van Canto, goste você ou não, está aí para mostrar isso). Ele, por sinal, se sai muito bem nos vocais, que se mostram bem variados, além de formar uma boa dupla com Sebastian Scharf, vide os bons riffs que surgem. A parte rítmica faz um belo trabalho, com Daniel sendo bem correto e Jörg apresentando seu trabalho explosivo de sempre.

“None Shall Sleep” abre o álbum de forma pesada e enérgica, com ótimos riffs e refrão, além de pegarem emprestada a linha melódica de “Nessun Dorma”, de Puccini. Ficou realmente muito legal. Mantendo o pé no acelerador, temos “Into Doom”, um Power Clássico com belas melodias e refrão fácil. “Purpose Of A Virgin Mind”, apesar de um pouco menos acelerada, ainda é uma faixa bem rápida e mostra ótimos riffs, além de bastante peso. A cadenciada “Hijacked By Unicorns” te esfrega Chopin na cara, na sua breve introdução de piano, e cativa com suas belas melodias vocais. “The Annihilation” começa com a 5ª Sinfonia de Beethoven, para depois alternar muito bem partes mais cadenciadas com outras mais velozes. E o refrão é explosivo! “Wake Up Now” é uma faixa mid-tempo que tem tudo para se tornar um hino do Heavatar, com riffs excelentes e muito peso. Simplesmente cativante.


Após isso, vem a sequência final, com a suíte intitulada The Look Inside, dividida em 4 canções diferentes, mas que possui elementos nas letras que se repetem em cada uma delas, servindo assim como um elo entre as mesmas. Aqui os elementos orquestrais surgem com mais força, transformando tudo em algo verdadeiramente épico. Além disso, se destacam pelas várias mudanças de ritmo, pelas belas melodias vocais (contando com a participação de Inga Scharf, do Van Canto) e por todo clima épico. Essas mudanças de andamento já podem ser bem observadas na abertura, com “A Broken Taboo”, que possui ótimas orquestrações e bastante peso. “An Awakening” é uma faixa belíssima, com lindas harmonias vocais, elementos clássicos e de Folk e bastante melodia. Mas o clima mais calmo é quebrado em seguida por “A Battle Against All Hope”, um Power Metal Sinfônico pesado e explosivo, com destaque para os pesadíssimos riffs de guitarra. Encerrando, temos “A Look Inside”, que é uma versão mais suave da abertura, “A Broken Taboo”. De bônus, ainda temos um cover para “Metal Daze”, do Manowar, e uma versão orquestrada da suíte The Look Inside.

A produção, muito boa por sinal, ficou por conta do próprio Stefan Schmidt, que também cuidou da mixagem. Já a masterização foi realizada por Jürgen Lusky (Angra, Edenbridge, Krokus, Unisonic). A capa foi obra do brasileiro Osmar Arroyo, responsável pela capa do último trabalho do Van Canto. No fim, o que temos é um álbum de Metal, sem invenções, sem inovações, e que consegue equilibrar muito bem o Power Metal e a Musica Clássica, dosando de forma perfeita peso, agressividade e melodia. Honesto, cativante e garantia de muita diversão. Sem dúvida um dos melhores trabalho do estilo nos últimos anos.

NOTA: 86

Heavatar é:
- Stefan Schmidt (Vocal/Guitarra);
- Sebastian Scharf (Guitarra);
- Daniel Wicke (Baixo);
- Jörg Michael (Bateria).

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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)


Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Speed King
02. Strange Kind Of Woman
03. Child In Time
04. Mandrake Root

Desde 2013, a earMUSIC vem lançando uma série de álbuns ao vivo do Deep Purple, através da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, que cobrem a fase setentista da banda, com as MK II, III e IV. Por mais que não se tratem de materiais totalmente inéditos, já que bootlegs dos mesmos eram conhecidos pelos mais aficionados, os mesmos valem como o resgate de um período em que o grupo não deixava pedra sobre pedra em cima de um palco, com shows realmente memoráveis. Long Beach 1971 foi gravado e transmitido pela Rádio KUSC 91.5 FM, e vale dizer que nesse dia estavam abrindo para o The Faces, de Rod Stewart.

No repertório, temos apenas 4 músicas, mas que chegam perto dos 70 minutos de duração, algo totalmente normal nesse período para Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (teclado). Longas jams, improvisações e longos solos de todos os instrumentistas eram características muito comuns para o Deep Purple nos anos 70. A verdade é que nos anos 70, em cima de um palco, o Deep Purple não era uma simples banda, mas a personificação de uma força da natureza. Todos os músicos brilham em algum momento. Gillan está simplesmente soberbo, enquanto Blackmore e Lord soam monstruosos, no melhor sentido da palavra. Já Roger Glover mostra a categoria que sempre lhe foi marcante, enquanto Paice deixa claro o motivo de ser um dos maiores bateristas de todos os tempos.

 

O Purple estava na época do clássico In Rock (70) e, de cara, abre a apresentação com a fantástica “Speed King”, em uma versão de tirar o fôlego. Na sequência, nada menos que “Strange Kind Of Woman”, que havia saído apenas em single e que acabou por fazer parte do álbum seguinte, Fireball (71). Destaques para os solos e para o duelo entre a voz de Gillan e a guitarra de Blackmore. Chega então a vez de “Child in Time”, onde o centro das atenções fica com o saudoso Jon Lord. Simplesmente incrível. Encerrando, “Mandrake Root”, retirada do álbum de estreia da banda, Shades of Deep Purple (68). Tem peso, ótimas melodias e é uma daquelas raras oportunidades que você tem de escutar em CD uma música da MK I tocada pela MK II.

Como já dito, originalmente esse material foi gravado e transmitido por uma rádio. Para esse lançamento, a apresentação foi remasterizada, deixando o que era bom ainda melhor. A qualidade do som não está menos do que ótima. Sempre me pergunto se o mundo precisa de mais um álbum ao vivo do Deep Purple, afinal, nessas 5 décadas de carreira foram lançados dezenas de trabalhos nesse formato, e no final sempre chego à mesma conclusão: sim, o mundo precisa. Uma das bandas mais importantes de todos os tempos em sua melhor forma. Precisa de motivo maior do que esse para ter Long Beach 1971 na sua coleção? Acho que não.

NOTA: 89

Deep Purple (gravação):
- Ian Gillan (vocal);
- Ritchie Blackmore (guitarra);
- Roger Glover (baixo);
- Jon Lord (teclado);
- Ian Paice (bateria).

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

We Sell The Dead - Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full (2018)


We Sell The Dead - Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. The Body Market
02. Echoes Of An Ugly Past
03. Leave Me Alone
04. Imagine
05. Turn It Over
06. Too Cold To Touch
07. Trust
08. Pale And Perfect
09. Silent Scream

Pode parecer esquisita tal afirmação, mas o sueco We Sell The Dead é o que podemos chamar de um “quase supergrupo”. Isso porque Apollo Papathanasio (vocal/Spiritual Beggars, Firewind), Niclas Engelin (guitarra/In Flames), Jonas Slättung (baixo/Drömriket) e Gas Lipstick (bateria/ex-HIM) podem não estar entre as grandes estrelas do Metal, mas indiscutivelmente são ótimos músicos, experientes, e tocam/tocaram em nomes que são respeitados por muitos fãs do estilo. Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full é seu trabalho de estreia e, segundo a própria banda, o mesmo parte de uma premissa interessante: e se Jack, o Estripador, tivesse tocado em uma banda de Metal?

Daí para frente, o We Sell The Dead mergulha quase que totalmente, ao menos liricamente, na estética do período vitoriano. A isso, some-se um instrumental que em sua base me remeteu bastante ao que o Black Sabbath fez nos anos 80, permeado por uma aura gótica bem interessante, e sim, alguns elementos mais modernos, onde podemos escutar alguma coisa do tal do som de Gotemburgo. Na teoria isso soa bem interessante, e realmente em muitos momentos o é, mas a verdade é que não funciona 100% do tempo. Durante toda a audição, momentos carregados de energia e vibração são intercalados por outros um tanto frios, principalmente a partir da segunda metade do trabalho. Nem sempre as boas ideias que surgem conseguem ser bem aproveitadas. Quando você constata isso, fica inevitável fazer um trocadilho com o título do álbum usando aquele velho ditado: “De boas intenções, o inferno está cheio”.

 

Mas deixo claro que mesmo com alguns pequenos percalços, Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full está longe de ser um álbum ruim, até mesmo pelos nomes aqui envolvidos. Apollo mostra toda a sua categoria como vocalista, e consegue soar bem variado, apesar de rolar um certo estranhamento inicial entre sua voz, mais melódica, e o apelo mais sombrio das canções. Niclas também se destaca com bons riffs e por conseguir, em diversos momentos, encaixar uma pegada mais moderna nas canções, deixando-as atuais. Os principais destaques ficam por conta das ótimas  “Echoes Of An Ugly Past”, com bom trabalho de guitarra, as pesadas “Leave Me Alone” e “Imagine”, essa última com um pé no som de Gotemburgo, e “Trust”, uma interessante mescla de Doom com Gótico e Metal moderno. No fim, não dá para negar, mesmo com algumas ressalvas, que ele acaba sendo um álbum fácil de escutar e que rende 42 minutos de bom divertimento

Gravado, mixado e masterizado no Crehate Studios (Suécia), por Oscar Nilsson, o material possui um ótimo nível de produção, já que mesmo com tudo bem claro, limpo e audível, ainda assim ficou pesado. Os timbres também foram muito bem escolhidos. Não só a capa, como toda a parte de design ficou muito legal, sendo obra de Dan Lind. Vale dizer também que ele é o responsável por toda a apresentação visual da banda, já que a ideia é misturar isso à parte multimídia e musical, algo que pode ser observado nos vídeos já lançados (e que podem ser vistos logo abaixo). O We Sell The Dead pode não acertar em 100% do tempo, mas possui uma virtude rara em se tratando de um projeto desse porte. Em momento algum tentam se parecer com as bandas originais de seus integrantes e durante todo o tempo buscam uma personalidade própria. Só isso já basta para ficarmos de olho e esperarmos pelo próximo lançamento, já que o potencial para voar mais alto está mais do que latente nesse debut.

NOTA: 80

We Sell The Dead É:
- Apollo Papathanasio (vocal);
- Niclas Engelin (guitarra);
- Jonas Slättung (baixo);
- Gas Lipstick (bateria).

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Corrosion of Conformity – No Cross No Crown (2018)


Corrosion of Conformity – No Cross No Crown (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Novus Deus
02. The Luddite
03. Cast The First Stone
04. No Cross
05. Wolf Named Crow
06. Little Man
07. Matre’s Diem
08. Forgive Me
09. Nothing Left To Say
10. Sacred Isolation
11. Old Disaster
12. E.L.M.
13. No Cross No Crown
14. A Quest To Believe (A Call To The Void)
15. Son and Daughter (Queen Cover)

Do Hardcore/Crossover do início de carreira, até o Stoner Metal dos dias de hoje, o Corrosion of Conformity sempre primou pela qualidade, independentemente da fase. Trabalhos como Animosity (85), Blind (91), a dobradinha Deliverance (94)/Wiseblood (96) e In the Arms of God (05) estão aí para mostrar isso para qualquer um que queira confirmar essa afirmação (algo que recomendo). Em 2006 o COC deu uma parada, retornando apenas em 2010 com o seu trio fundador, e sem Pepper Keenan, que naquela altura estava se dedicando ao Down. Após isso, 2 álbuns foram lançados, Corrosion of Conformity (12) e IX (14), mas no fundo, todos desejávamos mais do que isso.

A verdade é que boa parte de seus fãs ansiava pelo retorno de Pepper à banda, com a restauração daquela formação clássica que tocou entre 1993 e 2001 e que foi responsável pelos maiores clássicos do grupo. Ok, essa mesma formação também lançou America’s Volume Dealer (00), seu álbum mas discutível (e, ainda assim, longe de ser ruim), mas ninguém questiona a capacidade de Keenan (vocal/guitarra), Woody Weatherman (guitarra), Mike Dean (baixo) e Reed Mullin (bateria) de compor música de qualidade. E é isso que o quarteto faz em No Cross No Crown, seu 10º trabalho de estúdio.

Se tem uma coisa que esses caras sabem fazer muito bem, é misturar aquele Heavy Metal “sabbathico” com o melhor do Rock sulista, e o melhor de tudo, sem precisar se copiar. Eles poderiam simplesmente deitar sobre os louros do passado e lançar um álbum apenas por lançar, para agradar aos fãs desejosos de ver o quarteto junto novamente, mas felizmente optaram por não serem burocráticos, nos presenteando com seu melhor trabalho desde 1996. Aqui temos tudo que esperamos de um álbum do COC, ou seja, os vocais marcantes de Pepper, que também brilha ao lado de Woody com ótimos riffs, e uma parte rítmica coesa, pesada e criativa, formada por Mike e Reed. O peso, a energia e a vitalidade que brotam de cada música impressiona, e mostra que os 4 ainda têm muita lenha para queimar, se essa for a vontade dos mesmos. 


No Cross No Crown segue um padrão no mínimo curioso. O mesmo possui alguns interlúdios, que acabam por dividir o álbum em blocos formados por 2 músicas cada. O primeiro deles já surge logo na abertura, intitulado “Novus Deus”, sendo seguido por dois dos maiores destaques de todo o CD, a viciante “The Luddite” e a enérgica “Cast The First Stone”, com seu belo trabalho de guitarra. “No Cross” é o segundo interlúdio e surge para dar um necessário descanso, já que logo após temos a feroz “Wolf Named Crow” e  “Little Man”, com seus ótimos riffs e melodias. Mais um interlúdio (“Matre’s Diem”) e então temos a divertida “Forgive Me”, uma mescla perfeita de Stoner e Southern Rock, com destaque para os ótimos solos. Já “Nothing Left To Say” tem uma irresistível pegada Blues e ótimos vocais. Mais uma parada para o descanso com “Sacred Isolation” e então temos “Old Disaster”, onde soam como uma versão Metal do The Allman Brothers Band. É dessas músicas que cativam fácil o ouvinte. Outra que cativa é “E.L.M.”, onde a veia Black Sabbath da banda pulsa com força. Apesar de “No Cross No Crown” não ser propriamente um interlúdio, ele acaba por ocupar essa função, já que é uma faixa bem tranquila. Finalizando, temos a ótima “A Quest To Believe (A Call To The Void)”, com seus riffs arrastados e harmonias de guitarra marcantes e o improvável cover para “Son and Daughter”, do Queen, que ficou realmente muito legal.

A produção mais uma vez ficou nas mãos de John Custer, com mixagem de Mike Fraser (com quem trabalharam na época de Wiseblood) e masterização de Seva (outro velho conhecido da banda, dos tempos de America’s Volume Dealer). A qualidade, claro, não poderia ser melhor. Já a capa e toda parte de design e layout ficou por conta de Vance Kelly (Down, Prong, Them), com ótimos resultados. Poderíamos estar diante de apenas mais um álbum de reunião, desses que muitas bandas por ai fazem apenas para agradar os fãs, mas o que temos em  No Cross No Crown é, sem exageros, o melhor álbum do Corrosion of Conformity desde o clássico Wiseblood. Agora só nos resta esperar que Pepper, Mike, Woody e Reed continuem firmes e fortes nessa parceria. Um álbum que certamente estará em muitas listas de melhores do ano.

NOTA: 89

Corrosion of Conformity:
-  Pepper Keenan (vocal/guitarra);
- Woody Weatherman (guitarra);
- Mike Dean (baixo);
- Reed Mullin (bateria);

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)


Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Privilege Walls
02. It´s Not Your Business
03. Save Us From Ourselves
04. Black Blood
05. Blessed By Money
06. Bridges To a New Dawn
07. Corrosion
08. Binary Collapse
09. Exist And Resist

Para quem desconhece, o Desalmado surgiu no ano de 2004, e desde então vem construindo uma carreira muito sólida dentro do cenário do Grindcore nacional. A estreia se deu com o EP Hereditas (08), sendo acompanhado pelo seu debut, Desalmado (12), por um novo EP, Estado Escravo (14), e um split com o Homicide, In Grind We Trust (16). Save Us From Ourselves é seu segundo trabalho completo de estúdio, e o primeiro em que optam por cantar em inglês, mostrando uma maior ambição do quarteto quanto a levar sua forte mensagem ao maior número de pessoas mundo afora.

Musicalmente falando, seu Grindcore sempre recebeu muitas influências de outros estilos, o que deu à banda uma personalidade que a diferenciou da maioria de suas parceiras do cenário nacional. Já em Save Us From Ourselves podemos enxergar uma banda ainda mais madura, mas sem perder seu lado agressivo e odioso. As canções estão melhores trabalhadas e mais coesas, e trafegam com muita naturalidade entre diversos estilos. Aqui você tem momentos de Death Metal, Grind, Hardcore, Thrash/Groove e Black Metal, tudo coexistindo perfeitamente e gerando uma música absurdamente pesada e bruta. O Desalmado foge do lugar-comum e acaba acertando em cheio no alvo. Vale citar as letras, que felizmente destoam por completo dessa onda conservadora que a cada dia toma mais conta do Metal no Brasil.


É difícil imaginar uma forma melhor de abrir o álbum do que com “Privilege Walls”, uma bicuda no pé do ouvido, simplesmente destruidora. Na sequência temos a direta e empolgante “It´s Not Your Business” e  “Save Us From Ourselves”, que alterna passagens mais velozes com outras cadenciadas e possui ótimo groove. Essa alternância, por sinal, surge em outros momentos do álbum e faz muito bem à sonoridade do Desalmado.  “Black Blood” é outra que vai direto ao ponto, devastando tudo pelo caminho. As agressivas “Blessed By Money” e  “Bridges To a New Dawn” também apostam na diversidade, e brilham nas partes com mais cadência. Ao lado da faixa título, são as melhores de todo o trabalho. “Corrosion” é uma verdadeira pedrada, veloz e brutal, e  “Binary Collapse” é o que podemos chamar de massacre em forma de música. “Exist And Resist” encerra o álbum de forma brutal e opressiva, graças às passagens cadenciadas.

Gravado no Family Mob Studio (São Paulo/SP), o álbum foi produzido pela banda e por Hugo Silva, que também foi o responsável pela mixagem. O resultado final é simplesmente excelente, com uma produção de ponta que não fica devendo nada às bandas lá de fora. Já a capa foi obra de Jeca Paul e reflete com perfeição o conteúdo musical e lírico do trabalho. Com um som técnico, coeso, bem trabalhado, mas que não abre mão de ser brutal e absurdamente pesado, o Desalmado mostra estar em seu melhor momento, e melhor, com potencial para ir muito mais além. Curte nomes como Napalm Death, Entombed, Extreme Noise Terror e afins? Está aqui um trabalho mais do que indicado para você.

NOTA: 8,5

Desalmado é:
- Caio Augusttus (vocal);
- Estevam Romera (guitarra);
- Bruno Leandro (baixo);
- Ricardo Nutzmann (bateria).

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Expurgo - Deformed By Law (2018)


Expurgo - Deformed By Law (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Silence
02. Victimized
03. Inhale Radiation Fumes
04. Carnivorous Eyes
05. Dead as Fuck
06. Xenon Pieces Swallowed
07. Interlude
08. The Taste Of Human Toxicity
09. Discurso Do Cadafalso
10. Nasty Gut Feast
11. Classic Utopia Of a Junkie Ambience
12. All Substances Are Toxic Under The Right Conditions
13. Habemus Cannis
14. Deviled Mind
15. Morgue Despair
16. Lungs Decay
17. Devil Variation
18. Sadistic Executioner
19. Harmless Scares
20. Agateophobia
21. Atmosphere Of Horror
22. Deploring Connections
23. Global Suppuration
24. Grey Waste III - Malebolge
25. Walk Among The Dead
26. On The Edge
27. Obsolescence

Quando você se torna fã de Metal, seja de alguma banda ou de algum estilo específico, você o faz por encontrar beleza ali. Aquilo que está escutando soa agradável aos seus ouvidos, te desperta sensações que de alguma forma lhe fazem bem. E se formos pensar bem, isso vale para todos os campos da vida. Nos atraímos pelo que achamos belo. Talvez por isso o Grindcore seja um estilo para poucos, já que sejamos sinceros, poucos conseguem encontrar essa citada beleza em uma música que prima pela velocidade extrema, pela agressividade no seu estado mais bruto e a quase que completa ausência de melodias. É uma música vil, infame, abjeta por natureza. E querem saber? Por isso mesmo é tão legal.

O Expurgo é uma dessas bandas que me faz lembrar porque gosto tanto do estilo. Surgido nas “Minas Hellrais”, mais precisamente na capital Belo Horizonte, no ano de 2001, o quarteto hoje formado por Egon (vocal), Philipe (guitarra/vocal), Sérgio (baixo) e Anderson (bateria) finalmente nos apresenta o sucessor de Burial Ground, seu debut lançado no ano de 2010. Vale dizer que nesse meio tempo, os caras continuaram produzindo, tendo lançado nada menos do que 6 splits (possuem outros 5, lançados antes de álbum de estreia, e uma demo) e uma compilação, com material lançado desde seu surgimento até o ano de 2013.

Em Deformed By Law, temos uma verdadeira aula de como se fazer música extrema, e que soa ainda mais repulsiva que em sua estreia (e isso é um elogio, ok?). São 27 canções que se destacam pela crueza, visceralidade e rispidez, sem espaço para melodias bonitinhas. É uma marretada atrás da outra, sem dó nem piedade com os ouvidos alheios. Um verdadeiro genocídio em forma de música. Os vocais de Egon estão monstruosos, enquanto a guitarra de Philipe não dá descanso, com riffs capazes de ceifar tantas vidas quanto a Morte, de tão cortantes. Na parte rítmica, Sérgio e Anderson não deixam pedra sobre pedra. É como um terremoto seguido de um tsunami, tamanho poder de destruição. Carnificina pura.


Destaques? Olha, me perdoem, mas não vou conseguir fugir daquele clichê do “todas as músicas estão no mesmo nível, sendo difícil apontar destaques”. E sabe por quê? Porque todas as músicas estão no mesmo nível, sendo...bem, vocês já entenderam. Se realmente achar que seus tímpanos dão conta de não sangrarem durante a audição, experimente escutar faixas como “Victimized”,  “Inhale Radiation Fumes”, “Xenon Pieces Swallowed”, “The Taste Of Human Toxicity”, “Discurso Do Cadafalso”, “Deviled Mind”, “Lungs Decay”, “Sadistic Executioner”, “Harmless Scares”, “Atmosphere Of Horror”, “Global Suppuration”, “Walk Among The Dead” e “On The Edge”, verdadeiras hecatombes musicais.

Gravado no Estúdio Multimídia, em Belo Horizonte, o álbum teve sua produção, mixagem e masterização realizadas por Dennis Israel, no ClintWorks Arts, em Hamburgo, Alemanha. O resultado final soa perfeito, já que apesar de ser possível escutar todos os instrumentos com clareza, ainda assim soa como um álbum de Grindcore. A capa é uma bela obra de Pedro Felipe (Ars Moriendee), e se encaixa perfeitamente na proposta musical. Com um peso descomunal, e esbanjando brutalidade e selvageria, Deformed By Law certamente causará surdez aos ouvidos mais delicados, e coloca o Expurgo entre as principais bandas do estilo no cenário mundial. Como diz o título de um velho clássico do cinema italiano, “Brutti, sporchi e cattivi”. Um álbum feio, sujo e mau!

NOTA: 88

Expurgo é:
- Egon (vocal);
- Philipe (guitarra/vocal);
- Sérgio (baixo);
- Anderson (bateria).

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