segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Eluveitie - Evocation II: Pantheon (2017)


Eluveitie - Evocation II: Pantheon (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

01. DUREÐÐU
02. Epona
03. Svcellos II (Sequel)
04. Nantosvelta
05. Tovtatis
06. Lvgvs
07. Grannos
08. Cernvnnos
09. Catvrix
10. Artio
11. Aventia
12. Ogmios
13. Esvs
14. Antvmnos
15. Tarvos II (Sequel)
16. Belenos
17. Taranis
18. Nemeton

Surgido em 2002, pelas mãos de Chrigel Glanzmann, o suíço Eluveitie marcou seu nome a ferro e fogo entre os principais nomes do cenário Folk Metal, com sua música que mescla elementos folclóricos com Death Metal Melódico, e que gerou ótimos trabalhos como Spirit (06) e Slania (08). Mas entre todos os seus álbuns de estúdio, Evocation I - The Arcane Dominion (09) se destaca justamente por fugir da fórmula que consagrou o grupo. Totalmente acústico e com seu conceito baseado na cultura celta, até hoje divide opiniões, já que existem os que o amam justamente por se aprofundar no Folk, e aqueles que simplesmente o odeiam por não possuir elementos que remetam ao Metal.

Após o lançamento do mesmo, a banda enfileirou 3 álbuns que seguiram seu padrão musical, mas Chrigel sempre deixou claro que a segunda parte estaria sendo trabalhada pelo grupo. Tudo ia bem até que em 2016 passaram por uma drástica reformulação, que colocou os fãs em dúvida não só sobre a continuação da banda, como também a respeito de Evocation II. De uma só tacada, Anna Murphy (Vocal e Hurdy Gurdy), Ivo Henzi (Guitarra) e Merlin Sutter (Bateria) anunciaram sua saída. Felizmente, Glanzmann não perdeu muito tempo e tratou de recompor o Eluveitie, trazendo de volta a violinista Nicole Ansperger, além de Matteo Sisti (Whistles, Bagpipes), Alain Ackermann (Bateria), Jonas Wolf (Guitarra), Michalina Malisz (Hurdy Gurdy) e por último, Fabienne Erni (Vocal, Harpa e Mandola).

E foi com uma nova formação que trataram de entrar em estúdio no começo de 2017 para a gravação de Evocation II: Pantheon, seu 7º álbum de estúdio, que finalmente encerra o ciclo iniciado em 2009. Continuação mais do que natural de Evocation I - The Arcane Dominion, temos em mãos um trabalho acústico, que se aprofunda no panteão mitológico celta, além de ser todo cantado em gaélico. Não espere elementos metálicos aqui, já que nem mesmo os agressivos vocais de Chrigel se fazem muito presentes (aparecem esparsamente em uma ou outra canção). A banda pensou cada detalhe aqui presente, contando com a ajuda de especialistas em cultura celta para a confecção das letras e até mesmo da pronúncia do idioma.


É claro que a variedade musical aqui presente é imensa, afinal, são mais de uma dezena de instrumentos tocados. Mas apesar disso, Evocation II apresenta uma coesão surpreendente e flui com grande naturalidade. E não se assuste com o grande número de músicas, 18, pois além de boa parte delas não chegar aos 3 minutos (ou passar por pouco dessa marca), temos também uma quantidade razoável de interlúdios e faixas instrumentais. Por mais que seja um trabalho que deva ser analisado como um todo, é inevitável que tenhamos alguns destaques, como no caso das empolgantes “Epona” e “Lvgvs”, as mais acessíveis de todo o trabalho e que, além de cativar com facilidade, te faz sentir aquela vontade de levantar, fazer uma fogueira com os móveis no meio da sala e sair dançando em volta da mesma, enquanto bebe seu hidromel. A instrumental “Nantosvelta” é outra que empolga pela bela utilização dos instrumentos folclóricos, assim como “Catvrix”, que te faz se sentir participando de um ritual antes de uma batalha, e “Taranis”. “Artio” se mostra bem densa e tem como destaque os belos vocais de Fabienne.

Produzido por Chrigel e pelo guitarrista do Coroner, Tommy Vetterli, Evocation II teve a mixagem realizada por esse último e a masterização por Dan Suter. Já a capa foi obra de Glanzmann. Soando mais enérgico que a primeira parte, e mostrando muita variedade e coesão, o Eluveitie vai agradar em cheio os fãs da mesma, além de claro, aqueles que apreciam Folk, independentemente dele vir acompanhado de guitarras pesadas ou não. Sem dúvida, um dos principais trabalhos do estilo em 2017.

NOTA: 8,0

Eluveitie é:
- Fabienne Erni (Vocal, Harpa Celta e Mandola);
- Chrigel Glanzmann (Vocal principal, Bouzouki, Flautas, Gaita, Violão Acústico e Bodhrán);
- Jonas Wolf (Guitarra);
- Rafael Salzmann (Guitarra);
- Kay Brem (Baixo);
- Alain Ackermann (Bateria);
- Matteo Sisti (Whistles, Bagpipes, Mandola);
- Nicole Ansperger (Violino);
- Michalina Malisz (Hurdy Gurdy).

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Miss May I - Shadows Inside (2017)


Miss May I - Shadows Inside (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Shadows Inside
02. Under Fire
03. Never Let Me Stay
04. My Destruction
05. Casualties
06. Crawl
07. Swallow Your Teeth
08. Death Knows My Name
09. Lost In The Grey
10. My Sorrow

O Metalcore não é um estilo pelo qual muitos morrem de amores. Sendo assim, não é de se surpreender que muitos fãs de música pesada no Brasil desconheçam por completo o trabalho dos americanos do Miss May I. Formado no ano de 2006 pelos colegas de escola Levi Benton (vocal). B.J. Stead (guitarra), Justin Aufdemkampe (guitarra), Ryan Neff (baixo) e Jerod Boyd (bateria), o grupo se mantém junto até os dias atuais (Ryan chegou a sair em 2007, mas retornou em 2009) e com Shadows Inside chega ao seu 6º álbum de estúdio.

Sim, esse é o 6º trabalho do quinteto, o que me deixou um tanto curioso sobre nunca tê-lo escutado, afinal, mesmo não sendo meu estilo preferido, até pelas obrigações do A Música Continua a Mesma, acabo escutando Metalcore, e até mesmo aprendendo a gostar de alguns nomes envolvidos nesse cenário. Sendo assim, lá fui eu pesquisar sobre o grupo e escutar seus trabalhos anteriores, Apologies Are for the Weak (09), Monument (10), At Heart (12), Rise of the Lion (14) e Deathless (15). Após isso, me deparei com uma boa banda, mas digamos assim, um tanto preguiçosa. Sim amigos, preguiçosa! Mas vamos lá explicar melhor o que quis dizer com isso.

Em primeiro lugar, o Miss May I é sim, uma boa banda de Metalcore (e não é sem motivos que tem uma boa cotação entre os fãs do estilo). Sua música, mesmo sem qualquer inovação, apresenta muitas qualidades. Em Shadows Inside temos peso, bons riffs (os melhores apresentados por eles até hoje), melodias aos montes, refrões cativantes e aquela já esperada mescla de vocais mais agressivos com outros mais limpos. Mas perceberam que nada do que citei aí em cima é propriamente uma novidade? Tudo aqui está dentro do padrão esperado de um trabalho do estilo. É como se estivéssemos diante de um grupo que está satisfeito com o nível em que se encontra, sem a mínima preocupação de crescer e dar aquele passo a mais que separa as boas bandas dos grandes nomes.


Essa acomodação, essa preguiça em evoluir minimamente a sua música, acaba por prejudicar um pouco a banda. Tendo ouvido sua discografia por completo, posso dizer que, excetuando-se pelo trabalho muito mais inspirado das guitarras, eu poderia colocar qualquer faixa presente nesse Shadows Inside em algum outro trabalho da banda, como At Heart ou Monument, que tal fato passaria desapercebido. A sorte é que os caras são competentes dentro do que fazem e apresentam músicas bem diversificadas e coesas (você não fica com a impressão de escutar sempre a mesma canção). Das 10 faixas aqui presentes, posso destacar a ótima e enérgica faixa título, “Under Fire”, onde os vocais limpos funcionam muito bem, “My Destruction”, com sua boa introdução acústica e ótimas melodias (me lembrou muito a atual fase do In Flames) e “Swallow Your Teeth”, com seu bom trabalho de guitarras e ótimo refrão (os coros são realmente contagiantes).

O trabalho de produção ficou a cargo de WZRD BLD (We Came As Romans, Motionless In White) e Nick Sampson (Born Of Osiris, Asking Alexandria, We Came As Romans), com mixagem realizada por Andrew Wade (A Day To Remember, The Dead Rabbitts, Wage War) e masterização do renomado Alan Douches (Killswitch Engage, Beneath the Massacre, All That Remains, The Agonist, God Forbid). A qualidade obviamente é das melhores. Sem nada propriamente novo, mas maximizando suas qualidades, o Miss May I pode até não conquistar novos territórios com Shadows Inside, mas certamente irá agradar em cheio aos fãs do estilo.

NOTA: 7,5

Miss May I é:
- Levi Benton (vocal);
- B.J. Stead (guitarra);
- Justin Aufdemkampe (guitarra);
- Ryan Neff (baixo);
- Jerod Boyd (bateria).

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Appice - Sinister (2017)


Appice - Sinister (2017)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. Sinister
02. Monsters And Heroes
03. Killing Floor
04. Danger
05. Drum Wars
06. Riot
07. Suddenly
08. In The Night
09. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros In Drums
12. War Cry
13. Sabbath Mash

Bem, acho que os irmãos Carmine e Vinny Appice dispensam qualquer tipo de apresentação. Estão facilmente entre os maiores bateristas de todos os tempos e tocaram com grandes nomes do Rock e do Metal nas últimas décadas. Apesar disso e de uma turnê juntos alguns anos atrás, nunca haviam lançado um álbum em conjunto, falha que finalmente foi corrigida no ano de 2017, com Sinister. E o que esperar de um álbum “solo” de 2 bateristas? Um material centrado em seus instrumentos? Grandes exibições de técnica?

Nada disso, afinal, lembrem-se, não estamos lidando aqui com músicos que precisam se autoafirmar. Os irmãos Appice são músicos consagrados e mais do que respeitados, servindo de referência para milhares de bateristas por aí. Não precisam provar nada. Então, mais do que tudo, o foco desse trabalho é a música e não performances individuais. E para isso, Carmine e Vinny não economizaram nos convidados especiais: junto da dupla, temos músicos do porte de Paul Shortino (vocal/Rough Cutt, King Cobra), Robin McAuley (vocal/MSG), Craig Goldy (guitarra/ex-Dio), Joel Hoekstra (guitarra/Whitesnake), Ron “Bumblefoot” Thal (ex-Guns N' Roses), Tony Franklin (baixo/ex-Blue Murder, ex-The Firm), Phil Soussan (baixo/ ex-Ozzy Osbourne), dentre outros.

Musicalmente, temos um trabalho que trafega entre o Hard Rock e o Heavy Metal, como se fosse um apanhado musical da carreira de ambos. Os vocais são de primeira categoria (Carmine chega a assumir o mesmo em uma das canções), e as guitarras despejam riffs de muita qualidade, além de bons solos e claro, bastante peso. As linhas de baixo se mostram muito boas e a bateria, bem, não preciso dizer nada a esse respeito. São 13 canções de muita qualidade, que conseguem manter o bom nível do início ao fim.


“Sinister”, que abre os trabalhos, é uma delas. Pesada, cativa fácil o ouvinte. “Monsters And Heroes” é um tributo a Dio, originalmente lançado pelo King Cobra no ano de 2010 e que aqui teve as partes de bateria regravadas por Vinny. Vale destacar o belo desempenho de Paul Shortino nos vocais. Já  “Killing Floor” é um Hard pesado, com destaque para a guitarra de Craig Goldy, enquanto “Danger” esbanja energia. “Drum Wars” faz jus ao nome e é bem divertida. “Riot” é um cover do Blue Murder (ex-banda de Carmine) e soa simplesmente arrebatadora, com ótimos vocais de Robin McAuley, e “Suddenly” se mostra um Hard bem agradável. “In The Night” tem uma pegada mais Pop, diferindo demais da faixa seguinte, “Future Past”, que se mostra muito densa e com algo de Dio. “You Got Me Running” se destaca não só pelas boas melodias, mas também pelos vocais de Carmine, que funciona muito bem na função. Na sequência final, “Bros In Drums” se destaca pela pegada Blues/Rock, “War Cry” pelas boas melodias e pela guitarra de Joel Hoekstra, e “Sabbath Mash”, é um medley que reúne trechos de “Iron Man”, ‘Paranoid’ e ‘War Pigs”.

Gravado em uma infinidade de estúdios e produzido por Carmine e Vinny, o álbum foi mixado e masterizado por Steve DeAcutis (Tyketto, Vanilla Fudge, Overkill, Nuclear Assault), com ótimo resultado final. A capa foi obra de Dave Guerrie. Com um álbum divertido, sólido e coeso, os irmãos Appice dão uma aula de bom gosto e mostram porque são não só duas lendas da bateria, como também da música pesada.

NOTA: 8,0

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Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)


Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)
(Independente - Nacional)


01. Fearless Heart
02. Beneath The Skin
03. Stolen Innocence
04. Asleep
05. Keep You Close To My Heart
06. From Porcelain To Ivory
07. Caliban
08. Dark Eyes
09. Downfall
10. Fenrir’s Last Howl

Apesar de todas as dificuldades inerentes, o Brasil é um terreno fértil para o surgimento de boas bandas quando o assunto é Heavy Metal. O Fenrir’s Scar surgiu no ano de 2015, na cidade de Campinas/SP, e resolveu não perder muito tempo, tratando de já lançar seu debut no final do ano passado. A aposta? Uma mescla de Modern Metal com Gothic Metal, que invariavelmente nos remete a nomes como Lacuna Coil, Evanescence, Within Temptation, Amaranthe e outros.

Contando na época da gravação com Desireé Rezende (vocal), André Baida (vocal), Vinícius Prado (guitarra), Paulo “Khronny” Victor (guitarra), Gabriel Rezende (baixo), Graziely Maria (teclado) e Ildécio dos Santos (bateria), o Fenrir’s Scar felizmente procura fugir daquela fórmula batida de vocais guturais masculinos/vocais operísticos femininos. André até segue uma linha bem agressiva, mas Desireé opta pelos vocais voltados para o Metal, o que termina sendo uma vantagem.

A dinâmica vocal aqui me remeteu demais aos trabalhos do Lacuna Coil, o que não é demérito algum. A dupla de guitarristas formada por Vinícius (que saiu da banda recentemente, tendo André assumido a outra guitarra) e Khronny entregam aos ouvintes bons riffs e bases, além de muito peso. Vale destacar também a qualidade dos solos apresentados. Na parte rítmica, Gabriel e Ildécio apresentam um trabalho muito coeso e com boa técnica, além de diversificado. Já Graziely se destaca bastante, pois o teclado tem um papel muito importante na música do Fenrir’s Scar, tendo posição de destaque em diversas canções.


Sendo assim, é injusto jogar todos os holofotes apenas no papel de André e Desireé, por mais que o primeiro mostre possuir versatilidade de sobra e a suavidade da voz da segunda ter um papel importante de contrastar com o peso do instrumental. Todos aqui se destacam. E por falar em destaque, por mais que as 10 canções aqui presentes sejam bem homogêneas em matéria de qualidade, é inevitável que algumas se sobressaiam às outras. “Fearless Heart” possui bons riffs, peso e ótimos vocais, algo que também podemos observar em “Beneath The Skin” (que possui ótimo refrão) e “Stolen Innocence” (com ótimo trabalho do teclado). Por sinal, essas 3 me remeteram demais ao trabalho atual do Lacuna Coil. A belíssima “Keep You Close To My Heart” apresenta apenas a voz de Desireé e o piano de Graziely, sendo um dos pontos altos aqui. “From Porcelain To Ivory” se destaca não só pelo dueto vocal, como pelo refrão grudento.

Gravado no Minster Studio (Campinas/SP), o álbum teve produção de Fabiano Negri e mixagem e masterização feitas por Ricardo Palma. O resultado final é bom, pois além de deixar tudo bem claro e nítido, manteve o peso e a agressividade. Já a belíssima capa foi obra de Wesley Souza. Equilibrando bem suavidade e peso, o Fenrir’s Scar não nega em momento algum suas influências, mas passa longe de soar como uma simples emulação das mesmas. Ao final, temos uma boa estreia, de uma banda que mostra grande potencial futuro de crescimento e que tem tudo para figurar entre as principais do estilo no Brasil.

NOTA: 8,0

Fenrir’s Scar (gravação):
- Desireé Rezende (vocal);
- André Baida (vocal);
- Vinícius Prado (guitarra);
- Paulo “Khronny” Victor (guitarra);
- Gabriel Rezende (baixo);
- Graziely Maria (teclado);
- Ildécio dos Santos (bateria).

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)


Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)
(SPV /Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)

01. Born Of The Flame
02. Far Beyond All Fear
03. The Deviant Chord
04. Blacklist
05. Foggy Dew
06. Divine Intervention
07. Long Awaited Kiss
08. Salacious Behavior
09. Fire Of Our Spirit
10. Dare

Em um mundo perfeito, o Jag Panzer receberia muito mais reconhecimento e estaria entre os maiores nomes do Metal mundial. Exagero? Não acho. Apesar dos hiatos entre 1988-1993 e 2011-2013, já se vão mais de 3 décadas desde que surgiram em 1981, com o nome de Tyrant, e nessa extensa carreira possuem, além de um trabalho que beira a perfeição e está entre os melhores da história do estilo, Ample Destruction (84), álbuns do porte de The Fourth Judgement (97), Thane to the Throne (00) e Casting the Stones (04), não menos que excelentes.

A verdade é que, excetuando o equívoco cometido com Dissident Alliance (94), estamos falando de uma discografia que sempre primou pela alta qualidade. The Deviant Chord, seu 10º trabalho de estúdio, surge após um hiato de 6 anos desde The Scourge of the Light (11) e tem como curiosidade o fato de contar com 4/5 da formação clássica da banda, ou seja, aquela que gravou o magnânimo Ample Destruction (só o baterista Rikard Stjernquist não tocou no álbum, mas está na banda desde 1987), já que o guitarrista Joey Tafolla voltou a integrar suas fileiras nesse retorno do Jag Panzer em 2013.

Musicalmente, todo fã sabe exatamente o que vai encontrar aqui: Heavy Metal Tradicional com toques de Power da melhor qualidade, com Harry "The Tyrant" Conklin cantando de forma tão brilhante como no início da carreira (incrível como a qualidade dele se mantém), Mark Briody e Joey Tafolla destruindo nas guitarras, com ótimos riffs e solos, enquanto John Tetley e Rikard Stjernquist formam uma das melhores partes rítmicas do estilo, mostrando coesão, peso e muita força. 


Já na abertura, uma dobradinha de quebrar pescoços: “Born Of The Flame” e “Far Beyond All Fear”, com um pé no Power, ótimo trabalho das guitarras e uma energia que remete aos trabalhos do início de carreira. A cadenciada “The Deviant Chord” se mostra bem variada e se destaca principalmente pelos ótimos solos, enquanto “Blacklist” mantém o bom nível do álbum, com Harry Conklin mostrando porque é uma das principais vozes do estilo. A primeira metade se encerra com uma versão para a tradicional canção do folclore irlandês, “Foggy Dew”, que transborda energia.

A segunda metade abre com “Divine Intervention”, com riffs que vão remeter alguns ao trabalho do Judas Priest, sendo seguida pela belíssima balada “Long Awaited Kiss”. “Salacious Behavior” equilibra muito bem elementos de Heavy e Power, além de possuir uma pegada que em alguns momentos remete a Dio. Na sequência, “Fire Of Our Spirit” escancara a influência da NWOBHM na sonoridade da banda, com melodias que lembram os bons momentos do Iron Maiden nos anos 80. Fechando com chave de ouro, “Dare”, que com muito peso e riffs poderosos, tem tudo para se tornar um hino da banda.

A produção ficou a cargo de John Herrera, que também cuidou da mixagem (ao lado de Ryan Johnson) e da masterização do álbum. O resultado final ficou muito bom, claro, audível, pesado, e conseguiu que a banda não soasse datada, dando um ar moderno à sua sonoridade mais tradicional. Já a capa, umas das mais legais de 2017, foi feita por Dušan Marković (A Sound of Thunder, Dragonhearth, Mystic Prophecy). Mantendo seu aproveitamento lá em cima, o Jag Panzer lançou um dos grandes álbuns do estilo em 2017, e que é daquelas aquisições obrigatórias para os fãs de Heavy Metal.

NOTA: 8,5

Jag Panzer é:
- Harry "The Tyrant" Conklin (vocal);
- Mark Briody (guitarra);
- Joey Tafolla (guitarra);
- John Tetley (baixo);
- Rikard Stjernquist (bateria).

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Belphegor - Totenritual (2017)


Belphegor - Totenritual (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Baphomet
02. The Devil's Son
03. Swinefever - Regent Of Pigs
04. Apophis - Black Dragon
05. Totenkult - Exegesis Of Deterioration
06. Totenbeschwörer
07. Spell Of Reflection
08. Embracing A Star
09. Totenritual
10. Stigma Diabolicum (live) (bônus track)
11. Gasmask Terror (live) (bônus track)

Quando falamos de Death/Black Metal, um dos primeiros nomes que vêm a cabeça é certamente o dos austríacos do Belphegor. Na estrada desde 1992, o grupo capitaneado pelo vocalista e guitarrista Hel "Helmuth" Lehner já nos presenteou com trabalhos no mínimo excelentes, como Blutsabbath (97), Necrodaemon Terrorsathan (00), Lucifer Incestus (03), Pestapokalypse VI (06) e Blood Magick Necromance (11). Vindo de um álbum no mínimo inconstante, onde apostaram mais no Death Metal, Conjuring the Dead (14), o agora trio, completado por Serpenth (baixo) e Simon "BloodHammer" Schilling (bateria) resolveu não brincar em serviço.

O que temos em Totenritual, seu 11º álbum de estúdio, é justamente o que o Belphegor sabe fazer de melhor, Blackened Death Metal pesado, bruto, agressivo e infernal, com boas doses de técnica e alguma melodia aqui e ali, mas sem afastar aquele clima sombrio de que estamos em meio a um ritual satânico. Helmuth parece estar 100% recuperado dos sérios problemas de saúde que teve em 2011 (para quem não sabe, o mesmo contraiu febre tifoide na turnê brasileira daquele ano, tendo quase morrido em decorrência disso), e seus vocais estão em altíssimo nível, enquanto sua guitarra despeja riffs realmente poderosos. A parte rítmica, com Serpenth e o estreante BloodHammer, executa um trabalho brilhante, com destaque para a precisão e variação da bateria, algo que o trabalho anterior ficou devendo um pouco.

Abrindo o trabalho, temos a brutal “Baphomet”, pesada, com riffs afiadíssimos e uma pegada mais Death Metal, mas logo em seguida o Belphegor clássico dá as caras com a ótima “The Devil's Son”, uma faixa simplesmente explosiva, com um pé bem firme no Black Metal, além de boas melodias e um trabalho primoroso de bateria. Surge então uma das sequências mais matadoras da carreira do grupo austríaco: “Swinefever - Regent Of Pigs” tem alguns dos riffs mais brutais de todo o trabalho, além de ser absurdamente pesada, “Apophis - Black Dragon” tem, além de ótimas guitarras, um certo clima oriental que pode te remeter ao Nile, enquanto a épica e memorável “Totenkult - Exegesis Of Deterioration” chega brutalizando tudo com seus ótimos riffs e refrão para lá de forte.


A segunda metade do álbum abre com a assustadora instrumental “Totenbeschwörer”, sendo seguida pela veloz “Spell Of Reflection”, onde o ponto alto são, sem dúvida, os vocais de Helmuth. “Embracing A Star” soa sufocante, claustrofóbica, alternando com muita competência passagens mais lentas com outras mais velozes e brutas. Encerrando a versão padrão do álbum, temos a apocalíptica e violenta “Totenritual”, curta, grossa e simplesmente explosiva. De bônus, ainda temos 2 faixas ao vivo, gravadas no Inferno Festival, na Noruega, em abril de 2017. São “Stigma Diabolicum”, presente em Bondage Goat Zombie (08), e  “Gasmask Terror”, faixa de abertura do trabalho anterior, Conjuring the Dead.

No quesito produção, temos aqui o melhor resultado obtido pelo grupo até hoje. A mixagem ficou nas mãos de Jason Suecof (Deicide, Job for a Cowboy, Kataklysm, Death Angel), enquanto a masterização foi realizada por Mark Lewis (Cannibal Corpse, Trivium, Six Feet Under, Fallujah). Conseguiram deixar tudo muito nítido, mas ainda assim brutal, aliando modernidade e crueza. A capa é mais uma brilhante obra de Seth Siro Anton (Moonspell, Decapitated, Rotting Christ, Ex Deo, Exodus). Soando pesado, agressivo e sobretudo, orgânico, o Belphegor lançou mais um trabalho demoníaco, que vai fazer a alegria não só dos seus fãs, como também dos que apreciam um bom Death/Black.

NOTA: 8,5

Belphegor é:
- Helmuth (vocal/guitarra);
- Serpenth (baixo);
- BloodHammer (bateria).

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Morthur - Between the Existence and the End (2017)


Morthur - Between the Existence and the End (2017)
(Sangue Frio Records/ABC Terror Records/Blasphemic Art Distribuidora/Corvo Revords/Profundezas Abismais Productions/Holocaust Records Vinyl/Libertinus Records/Tornhate Records/Necro Distro & Prods/ T.N. Prods. & Distro - Nacional)


01. Intro    
02. Immortals   
03. From Life to Death    
04. Mortal Desire    
05. Warlock of the Underworld    
06. Demonized    
07. Extremely Against the World    
08. Living Blasphemia    
09. Alien Tomb

O Rio Grande do Sul e o Death Metal possuem uma ligação forte, quase umbilical, já que a naturalidade com que o cenário gaúcho gera grandes nomes para o estilo é algo que beira o absurdo. Surgido na cidade de Erechim, no ano de 2013, o Power Trio Morthur é mais um nome que surge para se somar à lista de ótimas bandas surgidas por lá, e nos apresenta aqui seu debut, Between the Existence and the End, um trabalho que, confesso, me surpreendeu muito positivamente.

O que temos em mãos é um belíssimo álbum de Blackned Death Metal, como se aquele Morbid Angel dos primeiros álbuns se encontrasse com o Behemoth para fazerem uma jam. Sua música soa forte e bem densa, esbanjando peso, agressividade, brutalidade e energia, mas com um certo clima gélido e sombrio perpassando suas canções. E isso, somado às letras de cunho mais filosófico e niilista, geram uma sonoridade maravilhosamente odiosa.

Os vocais de Jeferson Casagrande seguem uma linha mais urrada do que gutural, e se mostram bem variados. Na guitarra, ele também faz um belo trabalho, despejando riffs bem agressivos e cortantes (que resvalam no Black Metal em alguns momentos). Na parte rítmica, muito pesada e coesa, o baixo de Marco Antonio Zanco se mostra belicoso, enquanto o baterista André Cândido faz um belíssimo uso dos pedais duplos. E o mais legal é que, apesar de não adotar modernidades em seu som e seguir uma linha mais Old School, em momento algum sua música soa datada. Justamente o contrário, temos aqui uma sonoridade bem atual.


Após a curta intro, “Immortals” chega simplesmente destruidora, com boa velocidade, mudanças de ritmo e alguns riffs de arrepiar a espinha. “From Life to Death” mantém o nível de rispidez bem alto, soando bruta e raivosa. Vai remeter muitos por aí aos bons momentos do Morbid Angel. Mas o Morthur não aposta apenas na velocidade, já que momentos mais cadenciados se fazem presentes, dando variedade ao trabalho. Faixas como “Mortal Desire” e “Warlock of the Underworld” (simplesmente brutal) são ótimos exemplos disso. “Demonized” começa a mil por hora, para em seguida alternar entre cadência e velocidade, tendo na sequência a variada “Extremely Against the World”. Na sequência final, “Living Blasphemia” se mostra bem arrastada e sombria, características também presentes na ótima “Alien Tomb”, que fecha o CD.

Gravado e produzido entre os anos de 2014 e 2016 pela própria banda e pela Phobos Dark Art, e com a mixagem feita por Jeferson Casagrande, é nítido o cuidado que tiveram nesse sentido, já que o resultado ficou muito bom, bem acima da média do que vemos no cenário nacional. A capa e layout também foram obra de Jeferson, tendo ficado simples, mas funcional e dentro do contexto apresentado. Mostrando uma maturidade absurda, além de muita energia e criatividade, o Morthur surpreende de forma muito positiva, credenciando-se desde já a pleitear um posto entre as principais bandas do estilo no país. Se gosta de Death Metal bem-feito, pode correr atrás desse material.

NOTA: 8,5

Morthur é:
- Jeferson Casagrande (vocal/guitarra);
- Marco Antonio Zanco (baixo);
- André Cândido (bateria).

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