terça-feira, 6 de novembro de 2018

Altú Págánach - The Wizard (2018)


Altú Págánach - The Wizard (2018)
(Cold Art Industry - Nacional)


01. Dance Of The Wizard
02. The Magic
03. Ash Nazg Durbatulûk
04. Ash Nazg
05. Frerin
06. Iron Music
07. The Battle Of The Ancients
08. The Dream
09. Altú Págánach*
10. Melkor Rise*
11. Walking With Tolkien*
12. Bauglir Forest*
13. Old Wisdom*
14. Nirnaeth Arnoediad*

E lá se vão 17 anos de carreira e uma infinidade de lançamentos, entre demos, singles, compilações, EP’s e álbuns de estúdio, mas ainda sim o Altú Págánach não está entre os nomes mais conhecidos de nosso underground. Uma pena, porque seu Folk Black Metal, com temática baseada não só no paganismo, mas principalmente na obra do mestre John Ronald Reuel Tolkien, ou J.R.R Tolkien (1892-1973), é feito sobre medida para agradar aos fãs de hordas como Summoning, Caladan Brood, Emyn Muil, Vordven, Burzun e afins.

Originalmente, The Wizard foi pensado como um EP, mas a Cold Art Industry, em seu lançamento, adicionou ao mesmo os EP’s Walking With Tolkien Part II e Melkor Rise, transformando-o em um álbum completo. O trabalho é temático, abordando a trajetória de Radagast, O Castanho, um dos 5 Istari enviados a Terra Média para ajudar na luta contra Sauron, desde a sua chegada até a Primeira Batalha. Musicalmente, como esperado por quem já escutou os trabalhos anteriores, Lord Maleficarum T. I. Typhonis, o nome por detrás do Altú Págánach, conseguiu equilibrar com muita competência o seu Black Metal ríspido e cru, com os elementos mais atmosféricos que se fazem fortemente presentes nas composições.

Seguindo aquela linha estilística do início dos anos 90, e esbanjando assim agressividade e sujeira, mostra que a ideia aqui não é soar bonito e agradável aos ouvidos alheios, mas sim feio e obscuro. É a mais pura representação do underground. Os vocais trafegam com competência entre o rasgado e o limpo, acompanhados de riffs gélidos e teclados soturnos, que dão aquela atmosfera toda especial as canções do grupo. Dentre as 14 aqui presentes, vale destacar a faixa de abertura, “Dance Of The Wizard”, bem equilibrada e variada, as agressivas “Ash Nazg Durbatulûk” e “Ash Nazg”, e “Altú Págánach”, feita na medida para o que gostam de um Black Metal Old School. Já a sequência que encerra o álbum, que vai de “Walking With Tolkien” até “Nirnaeth Arnoediad”, seguem uma linha mais Ambient/Darkwave, que pode cair em cheio no gosto dos que apreciam bandas como Pazuzu, Vond, Dargaard, Wongraven e Mortiis.

Vale dizer que a Cold Art Industry está disponibilizando duas versões diferentes do álbum. Uma em digipack, limitada a 100 cópias, numeradas a mão, e outra em acrílico, com apenas 300 cópias, que vem acompanhada de um poster A3, adesivo e OBI. Em resumo, se você gosta de Folk Black Metal, não tem desculpa para não ter essa obra em sua coleção.

NOTA: 8,0

Altú Págánach é:
- Lord Maleficarum T. I. Typhonis

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Cold Art Industry (acrílico)



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Bloodbath – The Arrow of Satan is Drawn (2018)


Bloodbath – The Arrow of Satan is Drawn (2018)
(Peaceville Records – Importado)


01. Fleischmann   
02. Bloodicide
03. Wayward Samaritan
04. Levitator
05. Deader
06. March of the Crucifers
07. Morbid Antichrist
08. Warhead Ritual
09. Only the Dead Survive
10. Chainsaw Lullaby

O Bloodbath é o epítome do termo supergrupo. Vejamos: Nick Holmes (vocal, Paradise Lost), o novato Joakim Karlsson (guitarra, Craft), Anders "Blakkheim" Nyström (guitarra, Katatonia), Jonas Renkse (baixo, Katatonia) e Martin Axenrot (bateria, Opeth). Um belo time, correto? Se você puxar na memória e lembrar que antes desses, passaram pela mesma formação, músicos do porte de Dan Swanö (Edge of Sanity), Mikael Åkerfeldt (Opeth), Peter Tägtgren (Hipocrisy) e Per "Sodomizer" Eriksson (Ghost, ex-Katatonia), a ideia só se reforça. O melhor de tudo é que apesar de normalmente supergrupos tenderem a decepcionar, aqui a coisa sempre foi diferente, já que sempre fizeram a alegria dos fãs daquele Death Metal tipicamente sueco, com os lançamentos de Resurrection Through Carnage (02), Nightmares Made Flesh (04), The Fathomless Mastery (08) e Grand Morbid Funeral (14).

Seu 5º álbum de estúdio, The Arrow of Satan is Drawn, vem não só para reforçar a tradição de grandes trabalhos da banda, como também para confirmar que vivem seu melhor momento na carreira. Soando mais coeso e entrosado que no álbum anterior – nem parece que Joakim Karlsson entrou recentemente para a banda –, o Bloodbath não inventa quando se trata de fazer Death Metal. Calcado em nomes como Entombed, Dismembrer e Grave, entregam aos seus fãs exatamente o que esses esperam: música hostil, bruta, que alterna momentos mais velozes e agressivos com outros mais cadenciados e opressivos. Os vocais de Nick Holmes se mostram ótimos mais uma vez, conseguindo dar um clima sinistro as canções. Já as guitarras de Karlsson e Nyström não aliviam no peso, despejando riffs corrosivos, capazes de destruir os tímpanos menos acostumados. Quanto a parte rítmica, com Renske e Axenrot, esbanjam técnica, diversidade e firmeza. E convenhamos, não dava para esperar menos que isso.


“Fleischmann” abre o trabalho em grande estilo, com muita intensidade e boas melodias. Na sequência, “Bloodicide” te deixará sem palavras. Meu amigo, aqui só temos Nick Holmes dividindo os vocais com as lendas Jeff Walker (Carcass), Karl Willetts (ex-Bolt Thrower, Memoriam) e John Walker (Cancer). Só isso já valeria o álbum todo. “Wayward Samaritan” é bem técnica e com bons riffs, e “Levitator” abusa do peso e da sujeira. “Deader” soa simplesmente infernal em toda a sua brutalidade, enquanto “March of the Crucifers” é daquelas músicas opressivas do início ao fim. “Morbid Antichrist” é um dos pontos altos, e vai moer pescoços alheis. Na sequência final, temos a sangrenta “Warhead Ritual”, a pesada e maligna “Only the Dead Survive”, com seu ótimo trabalho de guitarra, e a violenta “Chainsaw Lullaby”, com seus bons riffs e vocais variados.

A produção esbanja qualidade, e a mixagem e masterização de Daniel Liden (Craft, Draconian, Katatonia) se mostra um grande diferencial. Conseguiu deixar tudo claro, audível, mas ainda sim soando orgânico, com uma “sujeira” que deixa tudo mais agradável. A capa é mais uma belíssima obra de Eliran Kantor, uma das melhores que vi esse ano. Pesado e intenso, The Arrow of Satan is Drawn é uma verdadeira agressão sonora, uma espécie de portal do inferno em forma de música. Convenhamos, tem coisa melhor do que isso quando falamos de Death Metal? Candidato a melhor álbum do estilo em 2018.

NOTA: 90

Bloodbath é:
- Nick Holmes (vocal);
- Joakim Karlsson (guitarra);
- Anders "Blakkheim" Nyström (guitarra);
- Jonas Renkse (baixo);
- Martin Axenrot (bateria).

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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Hammerfall - Glory to the Brave (Anniversary Edition) (1997/2017)


Hammerfall - Glory to the Brave (Anniversary Edition) (1997/2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


CD1
01. The Dragon Lies Bleeding
02. The Metal Age
03. HammerFall
04. I Believe
05. Child Of The Damned  (Warlord cover)
06. Steel Meets Steel
07. Stone Cold
08. Unchained
09. Glory To The Brave
10. Ravenlord (Stormwitch Cover) *
11. Glory To The Brave (radio edit) *
CD2 – Live
1. The Metal Age (1998)
2. Steel Meets Steel (1998)
3. Stone Cold (1998)
4. Glory To The Brave (2012)
5. Hammerfall (2012)
6. The Dragon Lies Bleeding (2012)
7. Glory To The Brave Medley (2017)
DVD
The First Crusade:
1. Introduction
2. Steel Meets Steel - First Live Show
3. Glory To The Brave - Clip 1
4. HammerFall
5. Steel Meets Steel – Live
6. Glory to the Brave - Clip 2
7. The Making of “Glory To The Brave”
8. Ravenlord - Live (Stormwitch Cover)
9. The Metal Age - Live
10. Nominated for the Swedish Grammy Award
11. Stone Cold – Live
Interview 2017:
12. Chapter I: The Early Days
13. Chapter II: The Rockslaget Festival
14. Chapter III: The Album
15. Chapter IV: New Members, Wacken & Touring
Live: Dynamo Festival 1998
16. Child Of The Damned
17. The Metal Age
18. Steel Meets Steel
19. Eternal Dark
20. The Dragon Lies Bleeding
21. Stone Cold
22. HammerFall

O Hammerfall surgiu no ano de 1993, como um projeto despretensioso de ex-membros e membros de bandas como Cerimonial Oath, In Flames e Dark Tranquillity. Em virtude disso, o grupo meio que ficou em segundo plano, já que o foco dos músicos aqui envolvidos estava em seus grupos principais. Até que 1996 chegou, marcando a grande virada na história do Hammerfall. Foi nesse ano que, quando do impedimento do vocalista Mikael Stanne (Dark Tranquillity) em se apresentar com a banda em um concurso, deu-se a entrada de Joacim Cans. A química foi tão boa, que ele foi efetivado no posto, e no ano seguinte, receberam o convite da Nuclear Blast para lançarem um álbum. Daí em diante, a coisa tomou outra figura.

Para você entender a importância de Glory to the Brave no cenário do Heavy Metal, precisa compreender bem a conjuntura do momento em que foi lançado. A década de 90 foi cruel com o estilo, que foi relegado pelo grande público em prol do Grunge, do Rock Alternativo e do Nu Metal. Agravando o panorama, os grandes nomes do Metal não passavam por sua melhor fase, com trocas de membros importantes e lançamentos de álbum que foram muito contestados, não só pela imprensa especializada, como também por uma parcela dos fãs. Em 1997, bandas como Silverchair, Radiohead, Oasis, No Doubt, Prodigy, Korn e Limp Bizkit estavam se tornando cada vez mais populares, enquanto o Metallica lançava nada menos que o catastrófico ReLoad. Muitos diziam que o Heavy Metal estava ultrapassado, morto. E quer saber? Era meio difícil ir contra tal afirmação, dado a falta de novidades e o vazio criativo existente.

Direto, sem espaço para modernidades e focando em um Heavy/Power rápido e clássico, Glory to the Brave tomou de assalto a cena, sendo sem dúvida alguma, ao lado de Legendary Tales do Rhapsody, o principal responsável por alavancar o estilo, o tornando novamente popular entre os apreciadores de música pesada. Era um trabalho que nos remetia diretamente a era de ouro do Hard/Heavy oitentista, com suas guitarras simples, afiadas e rápidas, sua parte rítmica forte e firme, ótimas melodias, muita musicalidade e refrões simplesmente grudentos. A sensação de saudosismo, de retorno a um passado nem tão distante assim, onde a realidade do fã de Metal parecia mais simples, foi inevitável. A sonoridade, calcada em nomes como Iron Maiden, Helloween e Manowar, dentre outras, também ajudava muito. 


Mas sejamos sinceros, nada disso ajudaria se a música em si não possuísse qualidades, e isso ela tem de sobra. Glory to the Brave é um dos álbuns clássicos dos anos 90 quando falamos de Heavy Metal, e esse relançamento comemorativo é muito bem-vindo. As canções aqui presentes foram remasterizadas, e o CD recebeu farto material extra. Além de duas faixas bônus que já eram conhecidas do público, o cover para “Ravenlord” do Stormwitch, e a versão editada de “Glory to the Brave”, temos um segundo CD, com 7 músicas ao vivo, gravadas em períodos diferentes da carreira, um DVD contendo parte do documentário The First Crusade, que até então só era acessível através das boas e velhas fitas VHS, uma entrevista de 2017 e o show de 1998 no Dynamo Open Air. Tudo isso vem embalado em formato digipack e com um encarte riquíssimo, cheio de memorabília da banda.

Quanto as músicas em si, são clássicas dentro do repertório do Hammerfall. O trabalho de remasterização foi muito bem-feito, deixando as canções mais claras e vivas, confirmando a força das mesmas. Impossível não se empolgar com a básica e eficiente “The Dragon Lies Bleeding”, a agressiva “The Metal Age” e suas boas guitarras gêmeas, a explosiva “HammerFall”, a versão mais do que definitiva para “Child Of The Damned”, do Warlord – curiosamente, Cans acabou fazendo parte da banda entre 2002 e 2003, gravando inclusive um álbum – e a ótima  “Unchained”. Além disso, mostram uma competência ímpar nas duas belíssimas baladas aqui presentes, “I Believe” e a incrível “Glory of the Brave”. Um clássico mais do que obrigatório na coleção de qualquer fã de Heavy/Power.

NOTA: 91

Hammerfall (gravação)
- Joacin Cans (vocal);
- Oscar Dronjak (guitarra);
- Glenn Ljungström (guitarra);
- Fredrik Karsson (baixo);
Convidados
- Patrik Räfling (bateria);
- Stefan  Elmgren (guitarra e violão em I Believe);
- Mats Hansson (guitarra);
- Fredrik Nordström (piano e teclado).
- Jesper Strömblad (composição e letras nas faixas de 1 à 3 e de 7 à 9).

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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)


Paradise Lost – In Requiem (2007/2018)
(Century Media/Shinigami Records – Nacional)


01. Never for the Damned
02. Ash & Debris
03. The Enemy
04. Praise Lamented Shade
05. Requiem
06. Unreachable
07. Prelude to Descent
08. Fallen Children
09. Beneath Black Skies
10. Sedative God
11. Your Own Reality

Draconian Times foi o auge criativo do Paradise Lost, assim como um ponto de virada em sua carreira. As altíssimas vendas geraram uma carga de shows pesada e estafante, e a vontade de buscar novos horizontes criativos. Isso pode ser observado em seus trabalhos seguintes, One Second, Host e Believe in Nothing, mais experimentais e que não foram, ao menos na época, muito bem recebidos por uma parcela dos seus fãs. Após isso, começaram a seguir um caminho oposto, retornando lentamente ao seu passado musical, mostrando que é possível sim, caminhar adiante sem deixar de olhar para o passado.

In Requiem é o álbum que marca o retorno do Paradise Lost ao Metal Gótico dos tempos de Icon e Draconian Times, tanto que não soaria nada deslocado se tivesse sido lançado na sequência desse último. Por mais que o caminho para ele tenha sido pavimentado pelos 2 trabalhos anteriores, Symbol of Life e Paradise Lost, o que escutamos aqui não deixa de ser inesperado. Diversificado e consistente, equilibra muito bem as diversas facetas da banda, soando pesado, épico, agressivo e sombrio, mas sem abrir mão das belas melodias e de alguns dos melhores solos de sua carreira. Aliás, vale dizer que o trabalho das guitarras aqui é primoroso, com destaque claro para Greg Mackintosh e seus riffs envolventes e melancólicos.

A primeira metade de In Requiem prima principalmente pelo peso, soando bem forte, com riffs pesados e alguns elementos de Doom presentes. É onde temos as melhores canções de todo álbum. A segunda parte também possui boas qualidades, mas já se envereda um pouco mais pelo Gothic Rock, primando bem mais pelas melodias cativantes. Mesmo que esteja levemente abaixo, não compromete em nada, já que não existe uma música sequer que possamos chamar de fraca. Além do já citado trabalho das guitarras, vale destacar o belíssimo trabalho vocal de Nick Holmes. Mesclando o estilo de Icon/Draconian Times, com o que observamos na fase seguinte, consegue soar forte e altamente emocional.


São 11 canções do mais alto nível, mas onde cabem alguns destaques. “Never for the Damned” tem ótimos riffs e vocais, além de belos solos, e “Ash & Debris” não fica nada atrás nesse sentido, destacando-se pelo uso discreto e competente dos teclados. Ainda hoje considero “The Enemy” uma das 10 melhores canções da carreira do Paradise Lost, com seu peso e refrão primoroso. Os corais femininos são um diferencial a parte. Um clássico. “Praise Lamented Shade” é daquelas canções sombrias e melancólicas que sempre marcaram a carreira dos ingleses, enquanto Requiem é simplesmente primorosa. Mackintosh e Aedy brilham com um trabalho de guitarra que transborda melancolia, e não é exagero dizer que ela teria espaço em um álbum como Shades of God. “Beneath Black Skies” não abre mão do peso, mas se envereda mais pelos caminhos do Gothic Rock, com destaque principalmente para sua introspecção e refrão. O encerramento, com “Your Own Reality”, também vale ser destacado, graças a sua suavidade e belíssimas melodias, que dão um ar sombrio a canção.

A produção de Rhys Fulber mostra qualidade, com a mixagem de Mike Fraser (Dio, Metallica, Rush, Slayer), e masterização de U.E. Nastasi (Dream Theater, Gojira, Lamb of God, Cradle of Filth) fazendo a diferença no bom resultado. Já a capa, do renomado Seth Siro Anton (Moonspell, Rotting Christ, Exodus), é para mim, uma das melhores da carreira da banda. No fim, temos em mãos um ótimo álbum de Gothic Metal, onde é possível perceber toda a paixão da banda pelo que fazem. In Requiem mostrou que ao contrário do que alguns pensavam, que o Paradise Lost ainda era sim, uma banda absurdamente criativa e capaz de lançar ótimos álbuns. O Rei estava mais vivo do que nunca, e de volta ao trono que sempre foi seu por direito.

NOTA: 88

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Jeff Singer (bateria).

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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Paradise Lost – Believe in Nothing (2001/2018)


Paradise Lost – Believe in Nothing (2001/2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. I Am Nothing
02. Mouth
03. Fader
04. Look At Me Now
05. Illumination
06. Something Real
07. Divided
08. Sell It To The World
09. Never Again
10. Control
11. No Reason
12. World Pretending
13. Gone (Bonus Track)
14. Leave This Alone (Bonus Track)

Falando como “torcedor” do Paradise Lost, sempre tive sérios problemas com Believe in Nothing, já que é o álbum que menos gosto em toda a discografia da banda. Dei chances e mais chances ao mesmo, mas no final a conclusão era sempre a mesma: fraco. Em contrapartida, conheço muitas pessoas que são tão fãs da banda quanto eu, mas que apreciam muito este álbum, deixando claro que no fim, tudo é uma questão unicamente de gosto pessoal, da forma como uma expressão artística atinge o receptor. Sendo assim, resolvi deixar meu ranço de lado e ser o mais imparcial possível com relação ao álbum em questão.

Alguns anos atrás, Greg Mackintosh disse em uma entrevista que a fase compreendida entre Host e Believe In Nothing foi muito sombria e confusa para a banda, tanto do ponto de vista musical como pessoal. Conflitos internos, falta de foco e principalmente forte pressão da gravadora – a na época gigante EMI -  para o lançamento de um trabalho de fácil assimilação e alta vendagem marcaram esse período. Vale dizer que inclusive a mesma interferiu diretamente na produção do álbum, sem autorização da banda, resultando assim na perda de peso das guitarras na mixagem, o que causou forte desconforto. O Paradise Lost nunca escondeu sua má vontade com o resultado de Believe In Nothing, por isso não foi surpresa que logo após o relançamento de Host no começo de 2018, anunciassem uma versão remixada e remasterizada pelas mãos de Jaime Gomez Arellano, atual produtor da banda.

A versão original de Believe In Nothing sempre me soou como um álbum de Rock Alternativo, com alguns toques de goticismo. Apesar de as guitarras terem retornado ao centro das atenções, em momento algum soavam pesadas como deveriam, e os elementos Synth Pop/Goth que funcionaram tão bem em Host, passaram a ocupar um espaço menor. Era como se tivéssemos um legítimo sucessor de One Second, mas sem a pegada necessária. Além disso, sempre enxerguei uma forte variação de qualidade entre as faixas, com algumas onde eu conseguia ver potencial e outras que me faziam pular para a música seguinte. Sendo assim, a curiosidade para escutar a versão remixada e remasterizada era grande, afinal, ela seria um retrato quase perfeito do que a banda buscava originalmente apresentar.


A primeira coisa que me chamou a atenção, é que as músicas onde eu enxergava potencial, realmente eram boas. Canções como “I Am Nothing”, com bom refrão e guitarras, “Mouth”, e seu ar emotivo e obscuro, “Fader”, onde o lado gótico foi realçado, “Look At Me Now”, com elementos eletrônicos que remetem ao Host, a ótima “Illumination”, com suas guitarras que lembram The Sister of Mercy, e a lenta, profunda e pesada “World Pretending”, finalmente mostraram toda a sua força. As guitarras soam fortes e vivas, com os elementos góticos típicos da banda ganhando o merecido destaque. Quanto as demais canções, nem todas funcionam como deveriam. Algumas, como “Sell It To The World”, “Something Real” e “Divided” até conseguiram crescer um pouco em qualidade, apesar de um tanto convencionais, mas outras como “Never Again”, “Control” e “No Reason” continuaram soando fracas e sem inspiração. Para completar o pacote, temos 2 faixas bônus, a boa e sombria “Gone”, que sinceramente deveria ter entrado na versão normal do álbum, e  “Leave This Alone”, que não compromete.

A melhora ocorrida através da remixagem e remasterização é gritante, e ao menos aos meus ouvidos, deu novas cores a Believe In Nothing. Como já dito, ainda sim nem tudo funciona as mil maravilhas, e o álbum começa a soar um pouco cansativo do meio para frente, até mesmo por ocorrer uma pequena queda de qualidade no que tange as canções. A produção feita por Jaime Gomez Arellano conseguiu tirar parte da má impressão que eu tinha com relação ao trabalho. Não vou mentir que para mim, continua sendo o elo mais fraco de uma discografia brilhante, mas agora é um elo melhor do que muita coisa que se escuta por aí. Quem diria que um dia eu acharia Believe In Nothing um bom álbum? Os tempos mudam meus amigos, mudam muito.

NOTA: 78

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Lee Morris (bateria).

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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Paradise Lost – Host (1999/2018)


Paradise Lost – Host (1999/2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records – Nacional)


01. So Much Is Lost
02. Nothing Sacred
03. In All Honesty
04. Harbour
05. Ordinary Days
06. It’s Too Late
07. Permanent Solution
08. Behind The Grey
09. Wreck
10. Made The Same
11. Deep
12. Year Of Summer
13. Host

Antes de começar a resenha, já deixarei mais do que claro: sou “torcedor” do Paradise Lost. Sendo assim, ao ler isso, é provável que você já imagine, e com razão, que sou desses que endeusa tudo que o quinteto inglês faz. Bem, devo informar que sou torcedor sim, mas daqueles críticos, que sempre quer ver a banda dando o seu melhor. Claro, nem sempre foi assim, afinal, todos temos aquela fase mais “die hard”, onde o radicalismo impera, como também aquela acrítica, onde tudo é lindo e maravilhoso. Host é, sem dúvida, o trabalho que melhor se encaixa na minha fase radical.

Quando o mesmo saiu no ano de 1999, minha primeira reação ao escutá-lo foi a mesma de muitos fãs da banda até então: “Que m#$&* é essa?”. Essa foi a pergunta que me fiz quando da primeira audição de Host, e confesso, a única por muitos, muitos anos. Porque tal reação? Bem, talvez porque aqui o Paradise Lost leva seu experimentalismo ao extremo, ousando sair do comodismo e explorando novos horizontes criativos, algo para o qual eu, com meus 22 anos, não estava maduro o suficiente para entender e aceitar. Não tenho vergonha de admitir que o odiei por muito tempo, até ter a maturidade o suficiente para finalmente compreender o que se descortinava diante de mim.

Host é um álbum de Synth Pop/Goth, influenciado pelos anos 80, principalmente por Depeche Mode, e em 1999, poucos estavam preparados para tal mudança. Era difícil compreender que essa era o mesmo grupo responsável por lançar 4 anos antes, um dos melhores álbuns de Metal de todos os tempos, Draconian Times. Onde estavam os vocais agressivos, as guitarras distorcidas, a bateria enérgica? Tudo que eu conseguia escutar eram vocais limpos (algo que já haviam apresentado em One Second), guitarras sintetizadas, que ficavam em segundo plano, pois, eram soterradas pelos teclados, samplers, além de uma parte rítmica que mais parecia ter saído de um álbum Synth Pop oitentista. Pois, hoje chegou o dia de redimir Host.


O Paradise Lost sempre se caracterizou pelo ecletismo durante toda a sua carreira, por isso chega a ser difícil acreditar que existam fãs radicais da banda por aí, são quase que mitos, mas já conheci alguns, nessa vida. Se por acaso você é um desses “unicórnios” perdidos, deve estar se perguntando o porquê de redimir um álbum que foge de tudo que a banda fez antes e depois. Possivelmente porque sou fã há 27 anos – o que equivale a 65% do meu tempo de vida até hoje -, e, porque aprendi a apreciá-lo, mas principalmente, porque mudei muito nesses quase 20 anos e sou teimoso como uma mula quando acredito em algo. Bem, acredito em Host.

Hoje, quando olho para trás, consigo ver que esse era o passo lógico a ser dado após One Second, e que apenas foram em frente com relação ao que haviam apresentado no mesmo. Consigo enxergar também que as características básicas da banda continuam mais que presentes, bastando você se despir de opiniões pré-concebidas e de radicalismos. Apesar de todos os efeitos que foram utilizados para dar um clima eletrônico e atmosférico, aquelas guitarras únicas e inconfundíveis se fazem presentes, incluindo aí os riffs e fraseados fantásticos, característicos do trabalho de Mackintosh, que dão o toque de melancolia típico do Paradise Lost. Os vocais de Nick, seguindo na mesma tocada de One Second, estão simplesmente primorosos, mostrando uma maturidade absurda. Ainda hoje, considero esse seu melhor desempenho vocal em um álbum da banda.

 

Além de tudo que foi citado, temos aqui o mais importante, ou seja, aquela vibração sombria que perpassa toda a carreira da banda, um DNA Paradise Lost. A música aqui é cativante e atmosférica, com um goticismo latente que se faz presente em cada uma das canções. Mesmo sem o peso das guitarras, a melancolia se faz inerente, e isso é o mais importante quando se trata da banda. Host consegue ser simples em sua fórmula, mas, ao mesmo tempo, rico e complexo, graças às diversas camadas de guitarras e teclados. É sim, um álbum de muitas texturas e sabores, que deve ser apreciado com calma e sem pressa alguma. Canções como “So Much Is Lost”, “Nothing Sacred”, “Ordinary Days”, “Permanent Solution”, “Behind The Grey” e “Made The Same” possuem elementos em comum, que permitem as guitarras sintetizadas e aos teclados se destacarem, além de ótimas melodias e refrões que cativam já na primeira audição, envolvendo o ouvinte com uma facilidade absurda.

Claro que se você não for fã desse tipo de proposta, a lógica é achar Host um álbum monótono, já que em um ou outro momento a coisa fica toda um pouco arrastada, e existe certa tendência às canções parecerem um pouco entre si. Mas se for desses que apreciam Synth/Goth, e principalmente Depeche Mode, fatalmente vai terminar envolvido e imerso no álbum durante sua audição. Por falar no veterano duo inglês, uma vez li que Host é o álbum que o Depeche Mode deveria ter lançado após Ultra, e sendo apreciador de ambas as bandas, fica meio difícil não concordar, dada a qualidade dos temas aqui presentes. Vale destacar também a excelente produção, já que por se tratar do trabalho de estreia da banda pela gigante EMI, recebeu todo o suporte da gravadora nesse sentido. Ouso dizer que nunca conseguiram nada tão perfeito nesse sentido até hoje.

Resumindo, se você se encaixa no grupo que tem ressalvas ao trabalho, abra a sua cabeça, dispa-se de seus preconceitos e terá em mãos um álbum de rara qualidade em se tratando de Synth Pop/Goth. Se for fã, pode mergulhar de cabeça, chamar de Depeche Lost ou Paradise Mode, até porque para mim, ainda é o melhor álbum do Depeche Mode não lançado pelo Depeche Mode. Se não se encaixa em nenhum dos 2 grupos, apenas aproveite um álbum de extrema qualidade.

NOTA: 87

Paradise Lost (gravação)
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra/teclado);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Lee Morris (bateria).

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Rotting Christ - Triarchy of the Lost Lovers (1996/2018)


Rotting Christ -Triarchy of the Lost Lovers (1996/2018)
(Cold Art Industry - Nacional)


01. King of a Stellar War
02. A Dynasty from the Ice
03. Archon
04. Snowing Still
05. Shadows Follow
06. One with the Forest
07. Diastric Alchemy
08. The Opposite Bank
09. The First Field of the Battle
Bonus Tracks
10. Tormentor (Kreator cover) *
11. Flag of Hate/Pleasure to Kill (Kreator cover) *

Não vou dizer que Triarchy of the Lost Lovers é o melhor álbum da carreira do Rotting Christ, afinal, estamos falando de uma banda que tem em sua discografia, obras do porte de Thy Mighty Contract (93), Non Serviam (94), A Dead Poem (97), Khronos (00) e Sanctus Diavolos (04). Entretanto, sem dúvida, o 3º trabalho dos gregos é o preferido de muitos fãs espalhados pelo mundo. E é justamente ele que a Cold Art Industry, em um verdadeiro serviço de utilidade pública, lança em versão nacional, em uma edição similar à que foi lançada em digipack no ano de lançamento. Isso significa que temos aqui 3 covers do Kreator, mais precisamente para as clássicas “Tormentor”, “Flag of Hate” e “Pleasure to Kill” (essas duas em um medley). A diferença aqui se dá pelo fato de o material vir em caixa acrílica, embalado em um slipcase e limitado apenas a 500 cópias.

Mas o que Triarchy of the Lost Lovers possui de tão especial? Ele é só o álbum que definiu o Rotting Christ como banda. Não entendam mal, Thy Mighty Contract e Non Serviam são trabalhos fabulosos, mas não apresentavam qualquer novidade quanto a questão estilística, mesclando Black Metal com Thrash, e se diferenciando do que outras bandas faziam unicamente na questão da inspiração para as composições. Já aqui podemos observar uma boa dose de elementos góticos, que unido ao que a banda fazia, gerou aquilo que muitos rotularam de Dark Metal. As músicas alternam entre o mid-tempo e o cadenciado, com boas mudanças de tempo e melodias que conseguem dar um aspecto sombrio, triste e fúnebre às canções. O álbum possui uma atmosfera bem emocional e espiritual, que o transformaram em um trabalho único até então.

A evolução da banda fica muito clara, e é possível observarmos um refinamento muito maior de seu som. As canções estão mais bem trabalhadas, as guitarras despejam riffs afiadíssimos e cortantes, sem abrir mão das melodias, enquanto o baixo, bem sólido, e a bateria, bem variada, dão peso às músicas. Nota-se também que os vocais já não soam tão forçados quanto nos 2 trabalhos anteriores. É, sem dúvida, sua obra mais madura e agradável aos ouvidos, com uma musicalidade muito superior ao de álbuns anteriores. Vale destacar também que Triarchy of the Lost Lovers funciona bem, tanto se analisarmos suas faixas de forma individual, como se o fizermos pelo todo. A coesão do material impressiona.


Apesar do nível altíssimo apresentado, ainda é possível apontarmos alguns destaques dentre as 9 canções que compõem o álbum. “King of a Stellar War” abre o trabalho de forma cativante, com seu ritmo mais lento e suas ótimas melodias.  “A Dynasty from the Ice” se destaca não só pelos ótimos riffs, como por possuir boas passagens atmosféricas. “Archon” é enérgica, pesada e bruta, enquanto a bela e cadenciada “Snowing Still” chama a atenção pelas suas melodias taciturnas, além de possuir um belo solo. “One with the Forest” tem uma boa utilização do teclado, responsável por boas passagens atmosféricas, além de, claro, ser mais uma que se destaca pelas melodias. “The Opposite Bank” é dessas canções fortes que tem um trabalho de guitarra bem marcante, e  “The First Field of the Battle”, que encerra a versão padrão do álbum, tem não só bons riffs, como um clima sombrio.

A produção ficou nas mãos do hoje experiente Andy Classen, mas que na época vinha iniciando sua carreira de produtor. O resultado foi superior ao que haviam apresentado até então, já que tudo está audível, limpo e com uma boa organicidade, capaz de passar uma sensação de frieza ao ouvinte. Já a capa foi obra de Stephen Kasner, e é uma das mais marcantes da carreira dos gregos. Triarchy of the Lost Lovers é o álbum definidor da carreira do Rotting Christ, onde conseguiram equilibrar o peso do Black e a melancolia do Gothic, dando assim um norte para seus trabalhos futuros. Um clássico obrigatório na coleção de qualquer bom amante do Heavy Metal.

NOTA: 89

Rotting Christ é:
- Sakis Tolis (vocal/guitarra);
- Jim Patsouris (baixo);
- Themis Tolis (bateria/percussão).

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