terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Ufrat - Global Devastation (2016)


Ufrat - Global Devastation (2016)
(Night Hunter Records - Nacional)


01. Intro        
02. The Smell of Death        
03. Unceasing Torment        
04. Annihilator of Minds        
05. Bastard Blood        
06. Confronting Death        
07. Global Devastation        
08. Death Row        
09. Peter Killer        
10. Cruel Faith        
11. Social Chaos        
12. Voluntary Slavery        
13. Nightfear

Quando o assunto é Metal, não é novidade nos depararmos com boas bandas vindas do Paraná, independentemente da vertente nas quais apostam. É de lá que vem o Ufrat, surgido no ano de 2009 na cidade de Ivaiporã, e que investe em um Thrash pesado, que em alguns momentos se permite flertar com o Death Metal. Em 2014, lançaram seu debut intitulado Welcome to Reality, sendo Global Devastation lançado 2 anos depois.

O Ufrat busca fazer o simples, sem abrir espaços para novidades ou qualquer outra coisa do tipo. Thrash pesado, enérgico, com vocais agressivos, bons riffs e parte rítmica que se mostra competente e técnica. É legal, mas quando uma banda se propõe a seguir esse caminho, sabe que o mesmo pode ser uma faca de dois gumes. Se por um lado permite que se pise sobre um terreno conhecido e seguro, minimizando ao máximo qualquer possibilidade de erro, por outro existe o risco de limitar demais a música e deixá-la amarrada demais ao senso comum do estilo. E o Ufrat topou assumir esse risco.


Global Devastation é um bom álbum, vai render bons momentos de diversão aos fãs do estilo, mas como esperado, não apresenta nada de diferente do que é feito há mais de 30 anos. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista do ouvinte. Tirando a introdução, são 12 músicas diretas e precisas, com direito a um cover para “Nightfear”, do Benediction, que ficou muito legal. Além dela, podemos apontar como destaques a intensa “Unceasing Torment”,  “Annihilator of Minds”, enérgica e que esbanja fúria, “Confronting Death”, com um pé no Death Metal, assim como também “Global Devastation” e “Peter Killer”. Aliás, quando caem para esse lado, fica bem nítida a influência de Benediction e Obituary na sonoridade do Ufrat.

Mas o verdadeiro calcanhar de aquiles aqui se dá no quesito produção. Feita pela própria banda, com a mixagem e masterização realizadas pelo guitarrista Alex, até deixa tudo audível, mas peca pela crueza um pouco além da conta. É algo a se pensar para o próximo trabalho. A parte gráfica se mostra simples e funcional, bem-feita, com capa de Paulo Feitoza e design e layout de Rafael Moreno. No fim, temos uma boa banda de Thrash/Death, que mostra potencial para crescer mais, bastando alguns ajustes (um pouco mais de variedade dentro das canções seria legal) aqui e ali para dar uma cara própria ao seu som.

NOTA: 7,0

Ufrat é:
- Caio (Vocal)
- Alex (Guitarra)
- Marcelo (Baixo)
- Ivan (Bateria)

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Seventh Sign From Heaven – Judgement Of Egypt (2017) (EP)


Seventh Sign From Heaven – Judgement Of Egypt (2017) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Judgment of Egypt
02. The Devil Fears Your Name
03. Paid on the Cross
04. Pain in Your Eyes
05. The Return

Para quem acompanha o cenário nacional, já não é novidade alguma o fato de a região Nordeste ter se tornado um grande celeiro de boas bandas de Metal. E é de lá, mais precisamente do Piauí, que vem o Seventh Sign From Heaven, quarteto formado por Mark Neiva (Vocal/Guitarra), Álvaro Mkbrian (Guitarra), Zinha Soares (Baixo) e Filim Nascimento (Bateria), que apesar do pouco tempo de estrada (surgiu no final de 2016), resolveu não perder tempo e já lançar um EP para mostrar seu trabalho.

Musicalmente, não temos nenhum grande mistério. A aposta dos piauienses é no Heavy Metal Tradicional, mais precisamente aquele praticado pelas bandas inglesas dos anos 80, mas que felizmente não soa datado, já que, apesar das muitas similaridades, não tentaram emular o clima da época, como muitas bandas fazem por aí. O trabalho das guitarras de Mark e Álvaro é muito bom, com bons riffs, melodias e aqueles duetos típicos do estilo. A parte rítmica é forte, coesa e afiada, conduzindo muito bem as canções. O único porém aqui fica por conta dos vocais, que nitidamente ficam devendo nas partes mais agressivas. Nas demais, se não soa brilhante, não compromete de forma alguma.

São 5 canções nas quais podemos escutar ecos de Iron Maiden e Judas Priest em diversos momentos. Aliás, com relação às influências de Maiden, fiquei um pouco confuso, pois apesar das guitarras lembrarem mais ao período oitentista da banda, por algum motivo que ainda não sei explicar, fui remetido à fase com Blaze em diversos momentos. E olha que os vocais de Mark nem se parecem com o de Bayley. 


“Judgment of Egypt” abre o EP de forma pesada, com destaque para as boas guitarras, mas peca na parte vocal. Uma pena, pois a música em si é muito boa. “The Devil Fears Your Name” é bem enérgica e tem um pé de leve no Hard, além de um bom refrão. “Paid on the Cross” abre com um dedilhado que me fez voltar aos tempos de The X Factor/Virtual XI, antes de o peso surgir, enquanto “Pain in Your Eyes” é uma bonita balada, contando apenas com voz e violão. Encerrando, temos a ótima “The Return”, onde as influências de Judas e Iron ficam mais evidentes. Pesada, tem ótimos trabalhos, tanto da dupla formada por Mark e Álvaro, quanto a formada por Zinha e Filim. É outra que tem um bom refrão.

Gravado no Magnus Studio, o EP teve a produção realizada por Carlos Magno e ficou em um bom nível, já que está clara, audível e bem pesada, com boa escolha de timbres, além de soar bem orgânica. A bonita capa foi obra de Marcus Lorenzet (Pagan Throne, Lothlöryen). E para completar, tudo vem embalado em um digipack muito bonito. Claro que, até por se tratar de uma banda nova, algumas arestas precisam ser aparadas aqui e ali, principalmente em relação ao trabalho vocal, mas a verdade é que o Seventh Sign From Heaven surpreende positivamente com seu EP de estreia. Mais uma boa revelação vindo do nosso querido Nordeste.

NOTA: 7,5

Seventh Sign From Heaven é:
- Mark Neiva (Vocal/Guitarra);
- Álvaro Mkbrian (Guitarra);
- Zinha Soares (Baixo);
- Filim Nascimento (Bateria).

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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Melhores álbuns – Janeiro de 2018

 
No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de janeiro na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs 


2º. Shining - X - Varg utan flock


3º. Hamferð - Támsins likam


4º. Summoning - With Doom We Come
 

5º. In Vain - Currents


6º. Gangrena Gasosa - Gente Ruim Só Manda Lembrança pra Quem Não Presta 
 

7º. Mystic Prophecy - Monuments Uncovered


8º. Wail - Resilient


9º. Audrey Horne - Blackout


10º. Mike Lepond’s Silent Assassins - Pawn and Prophecy
 

Menções Honrosas

- Arkona - Khram


- Tribulation - Down Below


- Fleshpyre - Unburying the Horses of War


- Sinistro - Sangue Cássia


-Warshipper - Black Sun


Melhor EP

- Absent - Towards the Void
 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Torture Squad - Far Beyond Existence (2017)


Torture Squad - Far Beyond Existence (2017)
(Secret Service Records - Nacional)


01. Don’t Cross My Path
02. No Fate
03. Blood Sacrifice
04. Steady Hands
05. Hate (feat. Dave Ingram)
06. Hero for the Ages
07. Far Beyond Existence
08. Cursed by Disease (feat. Edu Lane)
09. You Must Proclaim (feat. Luiz Louzada)
10. Just Got Paid (ZZ Top cover) (feat. Alex Camargo)
11. Torture in Progress (Instrumental) (feat. Marcelo Schevano)
12. Unknown Abyss

Com mais de 25 anos de carreira, o Torture Squad marcou seu nome a ferro e fogo na história do Metal brasileiro. Far Beyond Existence é seu 8º álbum de estúdio (há também em sua discografia 3 EP’s e 2 álbuns ao vivo), e é o primeiro trabalho completo a contar com a nova formação, que tem a vocalista Mayara “Undead” Puertas e o guitarrista Rene Simionato, que já haviam estreado no EP Return of Evil, de 2016. Após um tempo ajustando as engrenagens, trataram de entrar em estúdio e fazer o que mais entendem, Thrash/Death de qualidade!

Em Far Beyond Existence temos o que o Torture Squad faz de melhor, ou seja, Thrash/Death, pesado, bruto, sem invenções e modernidades. E convenhamos, quando bem-feito, não se precisa inovar. Os vocais de Mayara se mostram ainda melhores que em Return of Evil, sempre soando agressivos e variando entre o rasgado e o gutural. A guitarra de Rene despeja ótimos riffs, que se destacam pelo peso, além de solos, que apresentam boas melodias. Já Castor (baixo) e Amílcar (bateria) dispensam qualquer tipo de apresentação, já que formam uma das melhores partes rítmicas do Metal nacional. E para enriquecer ainda mais o resultado, temos as participações especiais de Dave Ingram (ex-Benediction, ex-Bolt Thrower), Edu Lane (Nervochaos), Luiz Carlos Louzada (Vulcano, Chemical Disaster), Alex Camargo (Krisiun) e Marcelo Schevano (Golpe de Estado, Casa das Máquinas, Carro Bomba).

De cara, temos a veloz e bruta “Don’t Cross My Path”, mesclando bem Thrash/Death, com riffs fortíssimos e um belo trabalho da parte rítmica. “No Fate” já deixa claro o que esperar em sua introdução e soa como uma hecatombe nuclear, tamanho peso e agressividade. “Blood Sacrifice” usa de elementos orientais em sua introdução que casam perfeitamente com a letra e se destaca não só pelo belo trabalho de bateria, como pelos bons vocais. “Steady Hands” traz mais variedade e cadência ao trabalho, possuindo boas melodias, enquanto “Hate” faz mais do que jus ao seu nome, soando furiosa, esmagadora, e com destaque para a participação de Dave Ingram, que faz alguns vocais. A primeira metade do CD se encerra com “Hero for the Ages”, com todo o seu peso e riffs afiadíssimos e cortantes.


A segunda metade abre com “Far Beyond Existence”, que segue uma linha mais Thrash e mostra uma variação interessante, com uma cadência muito legal. “Cursed by Disease” conta com a participação de Edu Lane, e pende mais para o Death, seguindo uma linha mais tradicional, esbanjando peso, ótimos riffs e vocais furiosos. Já em “You Must Proclaim”, violenta e que pende mais para o Thrash, a participação é de Luiz Carlos Louzada, que faz uma ótima dupla com Mayara. Vale destacar também os riffs de Rene. “Just Got Paid” é uma das faixas bônus aqui presentes e é duplamente inusitada, não só por ser um cover do ZZ Top, como por contar com os vocais, limpos, de Alex Camargo. E querem saber? Ficou muito legal! “Torture in Progress” é uma instrumental muito legal, técnica, intrincada e que se destaca pelo uso do Hammond, cortesia de Marcelo Schevano, que acaba dando um toque meio Deep Purple para a música. Encerrando, a sombria “Unknown Abyss”, que teria ficado perfeita se colocada como introdução abrindo o CD.

A produção e mixagem ficaram por conta da banda, de Tiago Assolini e Wagner Meirinho, sendo que esse último foi o responsável pela masterização. O resultado final é ótimo, pois apesar de tudo bem claro e audível, ainda assim a música do quarteto soa pesada e absurdamente agressiva. Já a capa ficou por conta de Rafael Tavares (Chaos Synopsis, Querion, Ocultan, Coldblood, Desdominus), com o encarte feito por João Duarte (Angra, Circle II Circle, Woslom, Hangar) alinhando-se ao conteúdo musical e lírico do trabalho. Vale dizer que o CD vem embalado em um slipcase e conta com um encarte adicional com a tradução das músicas. Com uma formação cada vez mais entrosada e talento de sobra, o Torture Squad nos entregou em Far Beyond Existence um trabalho de qualidade inquestionável.

NOTA: 8,5

Torture Squad é:
- Mayara “Undead” Puertas (Vocal)
- Rene Simionato (Guitarra)
- Castor (Baixo)
- Amílcar Christófaro (Bateria)

Músicos convidados:
- Dave Ingram (Vocal em “Hate”)
- Edu Lane (Narração em “Cursed by Desease”)
- Luiz Louzada (Vocal em “You Must Proclaim”)
- Alex Camargo (Vocal em “Just got Paid”)
- Marcelo Schevano (Hammond em “Torture in Progress”)

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O Subsolo - Volume 3 (2017)


O Subsolo - Volume 3 (2017)
(Independente - Nacional)


01. AlkanzA – Em Coma
02. Krucipha – Mass Catharsis
03. Cavera – Little General
04. Endrah – Your Life Deleted
05. The Undead Manz – Only Bad Men
06. Final Disaster – Beware The Children
07. XAKOL – Rise of a New Sun, Part 2: Sunrise
08. All Seven Days – Ashes
09. Plunder – Plunder
10. Blood Eyes – Minha História
11. Khorium – Quem Vai Pagar
12. HellArise – Human Disgrace
13. Infestatio – Jeff
14. Threzor – Silent Execution
15. Morpheus’ Dreams – Lobo-Guará
16. Honra – E.L.A.
17. Core Divider – Bloody Religion
18. Thousand Suns – Matter of Life
19. Orkane – Sickly World
20. Obscurity Vision – Last Chance to Life

As coletâneas sempre tiveram um papel importante dentro da história do Heavy Metal, principalmente nos anos 80 e 90. Os volumes da Metal Massacre, lançados pela Metal Blade, da Death is Just the Beginning, da Nuclear Blast, e da brasileira Warfare Noise, lançada pela Cogumelo, marcaram época em seus períodos, apresentando bandas que até então eram desconhecidas por muitos do grande público. E por mais que tenham perdido um pouco da força a partir dos anos 2000, a verdade é que esse formato continua muito válido.

O que temos aqui em mãos é o volume 3 da coletânea do site O Subsolo, um dos principais do Brasil quando falamos em música pesada. Uma atitude mais do que louvável, já que o foco aqui é o de divulgação das bandas de nosso underground, e não o ganho financeiro. É claro que como em qualquer iniciativa desse tipo, temos aqui nossos altos e baixos, já que variações de qualidade, principalmente no quesito produção, sempre existirão, dada a grande quantidade de bandas presentes (são 20 nesse volume), mas não é exagero dizer que o resultado final é muito positivo.

Primeiro, temos que destacar aquelas bandas que se destacam pela qualidade acima da média. Esse é o caso do Krucipha (PR), com seu Thrash/Groove com toques de música regional, do Endrah (SP) e seu Death Metal forte e bruto, do The Undead Manz (SC) e seu Modern Metal com toques de Industrial e que pode agradar em cheio fãs de nomes como Rammstein e Deathstars, do Final Disaster (SP), que apresenta uma mescla muito legal de Melodic Death Metal com Groove, e o HellArise (SP), que vai agradar em cheio aos fãs de um bom Thrash/Death. Esses nomes realmente se destacam muito acima dos outros, e estão mais do que prontos para galgar um posto no primeiro escalão do Metal brasileiro.


No segundo grupo, temos aquelas bandas que nos apresentam um grande trabalho, e que pouco ficam devendo se comparadas com as citadas acima. Aqui temos o Alkanza (SC), com um Thrash/Groove fortíssimo, com boas letras em português, o Cavera (RS), que nos entrega um Modern Metal com fortes influências de System of a Down, o XAKOL (SC), com um Power Metal sólido, seme xagero e de boas melodias, o Morpheus’ Dreams (SP), que surpreende com um ótimo Symphonic Progressive Metal, o Core Divider (SP), veterano de outras coletâneas, e seu Deathcore esmagador, e o veterano Obscurity Vision (SC), com um Death/Black simplesmente brutal.

Por último, temos o terceiro grupo, com bandas que mostram potencial, mas que precisam de alguns ajustes aqui e ali, seja no quesito produção, seja no quesito de amadurecer mais seu som. É o caso do All Seven Days (AL), que apresenta um Heavy Metal pesado e moderno, do Plunder (SC) e seu Metal Tradicional que tem os dois pés bem fincados nos anos 80, do Blood Eyes (SC), com um Metal Tradicional cantado em português que remete fortemente às bandas brasileiras dos anos 80, do Khorium (RJ), com sua mescla de Rapcore e Groove Metal, do Infestatio (SP), que investe no Thrash Metal, mesma aposta do Threzor (SC). Ainda temos o Honra (BA), que executa algo entre o Thrash e o Death, com alguma coisa de Deathcore aqui e ali, o Thousand Suns (SC), outro grupo a apostar suas fichas no Power Metal, e o Orkane (SC), com seu Thrash Metal oitentista. Como já dito, com mais capricho na produção e/ou mais maturação e identidade no som, estarão prontas para buscar maior reconhecimento dentro do nosso cenário.

De resto, é louvar a iniciativa do O Subsolo, e que ela perdure por muito mais tempo, afinal, coletâneas são de uma importância ímpar para o desenvolvimento de uma cena forte, já que não só dá às bandas uma forma interessante de divulgar seus nomes, como também as ajudam a aparar arestas e aperfeiçoar sua sonoridade. Meus parabéns a todos os envolvidos.

NOTA: 8,0

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017) (DVD Duplo)


Dimmu Borgir - Forces Of The Northern Night (2017) (DVD Duplo)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


DVD 1 e 2
01. Xibir (Orchestra)
02. Born Treacherous
03. Gateways
04. Dimmu Borgir (Orchestra)
05. Dimmu Borgir
06. Chess With The Abyss
07. Ritualist
08. A Jewel Traced Through Coal
09. Eradication Instincts Defined (Orchestra)
10. Vredesbyrd
11. Progenies Of The Great Apocalypse
12. The Serpentine Offering
13. Fear And Wonder(Orchestra)
14. Kings Of The Carnival Creation
15. Puritania
16. Mourning Palace
17. Perfection Or Vanity (Orchestra)

A história, todo fã do Dimmu Borgir conhece. Em maio de 2011, durante a turnê do álbum Abrahadabra (10), o grupo fez uma apresentação na capital de seu país, Oslo, no Spektrum, que foi cercada de aspectos diferenciados. A mesma contou com a participação da Orquestra da Rádio da Noruega e membros do coro Schola Cantorum, além de ter sido filmada e transmitida em forma de documentário pela rádio e TV governamental norueguesa, a NRK.

Na época, foi prometido que um DVD com a apresentação na íntegra seria lançado em 2012, mas tal fato não ocorreu. Aliás, se arrastou por tanto tempo que as cópias piratas desse show histórico surgiram para aplacar um pouco da ânsia dos fãs. A qualidade não era das melhores, mas era o que tínhamos em mãos. Mas eis que finalmente, em 2017, com alguns anos de atraso, Forces Of The Northern Night finalmente chegou de maneira oficial, em forma de CD (resenha aqui) e DVD.

Quando escutei o CD, fiz lá minhas ressalvas ao set list do mesmo (que é idêntico ao que temos aqui), já que praticamente ignora os anos 90 do grupo e se concentra pesadamente em Abrahadabra, um trabalho que passa longe do brilho da fase compreendida entre 1995 e 1999. Felizmente, o complemento do trabalho se dá com faixas dos álbuns Puritanical Euphoric Misanthropia (01) e Death Cult Armageddon (03), o que ajuda em muito a encorpar o trabalho como um todo. Mas ao mesmo tempo, enquanto fazia a audição, ficava imaginando a falta que fazia ter o DVD em mãos e assistir o show na prática. Sentia que tudo poderia me soar melhor.


O que temos em mãos é um DVD duplo, que além da mítica apresentação da Noruega, traz também a apresentação feita pelo Dimmu Borgir no Wacken de 2012, nos mesmos moldes da de Oslo, só que com a participação da Orquestra Sinfônica Nacional da República Tcheca. O set list é o mesmo, sem tirar nem pôr, com as apresentações se diferenciando apenas por detalhes de produção e de participação do público. Sendo assim, vamos focar mais no DVD 1, por se tratar da apresentação original. De cara, chama a atenção toda a produção que cercou o evento, com um palco com espaço de sobra para acomodar os 53 membros da Orquestra e os 30 membros do coral, além de claro, Shagrath (Vocal), Silenoz (Guitarra), Galder (Guitarra), Cyrus (Baixo), Daray (Bateria) e Gerlioz (Teclado).

Após a execução de “Xibir” por parte da Orquestra, o Dimmu Borgir surge com a sequência “Born Treacherous” e “Gateways”, deixando bem claro que, apesar de toda a parte sinfônica (simplesmente perfeita), estamos em um show de Metal, dado o peso que a banda imprime às canções. Ainda assim, é nítida a força que as canções ganharam, com uma atmosfera ainda mais grandiosa do que nas versões de estúdio, mas com a vantagem de não soarem pedantes. Após isso, um ataque duplo da faixa “Dimmu Borgir”, primeiramente executada apenas pela Orquestra e depois, já com o acompanhamento do sexteto. A sequência composta por “Chess With The Abyss”, “Ritualist” e “A Jewel Traced Through Coal” fecha a primeira metade do trabalho. Aqui também se encerram as canções de Abrahadabra.


Mais uma vez temos a orquestra sem a banda no palco, executando  “Eradication Instincts Defined”, para então o sexteto retornar com as ótimas “Vredesbyrd” e “Progenies Of The Great Apocalypse”, que soam simplesmente grandiosas (principalmente a segunda). Mesmo “The Serpentine Offering”, que não acho ser lá das músicas mais inspiradas da banda, soa muito legal aqui. Mais uma vez a banda se retira e a Orquestra executa “Fear And Wonder” (também encerram a apresentação com “Perfection Or Vanity”), instrumental que abre o Puritanical. O Dimmu Borgir então retorna e entrega a melhor sequência de todo o show, com as clássicas “Kings Of The Carnival Creation”, “Puritania” e a magnânima “Mourning Palace”, melhor canção da carreira da banda e que aqui encontrou sua versão definitiva.

No DVD 2 temos a apresentação da banda no Wacken de 2012, com o apoio da Orquestra Sinfônica Nacional da República Tcheca. Apesar do palco menor e de parte do show ter rolado ainda com a luz do dia, o que tirou uma pouco da força da produção, temos um público muito mais animado e participativo (não que não o fosse também no show de Oslo). De resto, em ambos os shows a banda está na ponta dos cascos, com seus músicos afiadíssimos, mesmo que o tecladista Gerlioz tenha ficado meio soterrado pela avalanche sonora da Orquestra. A produção é simplesmente primorosa, tanto no quesito imagem quanto som, mas nem poderíamos esperar menos de um trabalho que demorou anos para ficar pronto. Agora é esperar o dia 4 de maio para o lançamento de seu novo álbum, Eonian. Enquanto isso, aproveite sua cópia de Forces Of The Northern Night.

NOTA: 8,5

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (Vocal);
- Silenoz (Guitarra);
- Galder (Guitarra).
Músicos ao vivo:
- Cyrus (Baixo);
- Daray (Bateria) ;
- Gerlioz (Teclado);
- Agnete Kjølsrud (Vocal em “Gateways”).

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Minds That Rock - Brazilian Heavy Music Compilation (2017)


Minds That Rock - Brazilian Heavy Music Compilation (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. As Dramatic Homage – Enlighten
02. Bloody – Cancro
03. Cerberus Attack – Face Reality
04. Chafun Di Formio – Discurso
05. Darkship – Eternal Pain
06. Dysnomia – Spiralling Into Oblivion
07. Elizabethan Walpurga – Infernorium
08. Encéfalo – Blessed By The Wrong Choice
09. Endrah – Priced Out Of Paradise
10. Gestos Grosseiros – The Ambition
11. Losna – Mesmerized By Rotten Meat
12. Maverick – Upsidown
13. Pato Junkie – Atos Terroristas
14. Sacrificed – Shame
15. The Wasted – Heritage
16. Vetor – In The Sound Of The Wind
17. Yekun – The Last Sound Of Silence

A internet, a globalização e a facilidade de acesso à música (seja pelas plataformas de streaming, seja pelos downloads ilegais) fez o cenário ser inundado por uma grande quantidade de bandas de todos os lugares possíveis. Se nos anos 80, 90 e até mesmo no início dos anos 2000 era difícil ter acesso ao que era feito lá fora, hoje, com uma simples pesquisa e uns 2 ou 3 cliques, você em menos de 2 minutos escutará aquela banda de Death Metal obscura do Nepal.

Em um mercado com centenas de lançamentos mensais e milhares de bandas pipocando em tudo quanto é lugar, existem algumas armas para conseguir se fazer visível, e uma delas é a participação em coletâneas. E é isso que temos em Minds That Rock - Brazilian Heavy Music Compilation, que surgiu de uma parceria entre a Shinigami Records, um dos principais selos de Rock/Metal do Brasil e a Metal Media, uma das melhores assessorias de imprensa voltadas para esses estilos no país. E de cara, podemos observar uma ótima seleção de 17 bandas que mescla nomes já bem estabelecidos com outros que estão surgindo na cena e pedindo passagem.

Abrindo o trabalho, temos o Extreme Progressive Metal do As Dramatic Homage, com “Enlighten”, faixa que mescla melodia e agressividade em doses exatas. Na sequência, o Thrash Metal dá as caras em dose dupla, com “Cancro”, do Bloody, e “Face Reality”, do Cerberus Attack, duas verdadeiras pedradas, dessas boas para deixar seu pescoço dolorido por uns dias. Mantendo os níveis de violência lá no alto, temos ainda o Crossover do Chafun Di Formio, com a ótima “Discurso”. O Darkship surge com “Eternal Pain” e sua interessante mescla de Metal Sinfônico com Power, Heavy e Gothic, que acaba por gerar uma sonoridade bem moderna. Sem tirar o pé do acelerador, ainda temos o Thrash/Death do Dysnomia, com “Spiralling Into Oblivion”, o Heavy/Black do Elizabethan Walpurga (“Infernorium”) e o Encéfalo, outra a se enveredar pelo Thrash/Death, com “Blessed By The Wrong Choice”.

A segunda metade tem início com o Death Metal do Endrah, em “Priced Out Of Paradise”, e se mantém firme no estilo com “The Ambition”, do Gestos Grosseiros (que lançou um dos melhores álbuns nacionais de 2017). Na sequência, temos o Thrash Metal do Losna, com “Mesmerized By Rotten Meat”, e o Groove Metal do Maverick, com a ótima “Upsidown”. Também seguindo uma linha mais moderna, temos o Modern Metal do Pato Junkie, em “Atos Terroristas”. Seguindo uma linha mais tradicional, entre o Heavy e o Power Metal, temos o Sacrificed, que nos apresenta “Shame”, e o The Wasted, com “Heritage”. Na sequência final, temos o Heavy/Thrash do Vetor, que infelizmente encerrou as atividades no final de 2017, em “In The Sound Of The Wind” e a ótima mescla de Stoner, Heavy e Groove do Yekun, na pesadíssima “The Last Sound Of Silence”.

Claro que por se tratar de uma coletânea, existem alguns desníveis óbvios em matéria de produção, afinal, cada banda é responsável por seu material aqui, mas nada destoa gravemente. Tudo está em um bom nível. No fim, temos em mãos um material para lá de caprichado e que cumpre muito bem a sua função de mostrar a força do cenário nacional quando o assunto é Rock/Metal. Um material que por si só já vale a pena ter em sua coleção.

NOTA: 8,5

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