quinta-feira, 3 de abril de 2014

Gamma Ray – Empire Of The Undead (2014)




Gamma Ray – Empire Of The Undead (2014)
(earMUSIC/Edel Records - Importado)

01. Avalon
02. Hellbent
03. Pale Rider
04. Born To Fly
05. Master of Confusion
06. Empire Of The Undead
07. Time For Deliverance
08. Demonseed
09. Seven
10. I Will Return
11. Built A World (Bonus Track)

Lá se vão 4 anos, uma mudança de baterista (Dan Zimmerman saiu e foi substituído por Michael Ehré) e um incêndio que destruiu totalmente o estúdio da banda, mas finalmente o Gamma Ray surge com um novo álbum. Pelos últimos álbuns assaz burocráticos e por todo histórico citado a cima, minha expectativa aqui não era das melhores. A verdade é que desde Power Plant (99), o Gamma Ray não lança um trabalho que me agrade de verdade. Felizmente o panorama pode vir a ser mudado aqui.

Em seu 11º trabalho de estúdio, esse gigante do Power Metal alemão surge mais pesado e menos melódico que nos álbuns anteriores, o que acaba sendo um ponto positivo. Podemos até mesmo pescar aqui e ali, algumas passagens mais voltadas ao Speed/Thrash, o que dá uma agressividade extra ao som do Gamma Ray. O que não muda de forma alguma aqui é a, às vezes, irritante mania de Kai Hansen de “reciclar” não só antigas canções de sua autoria como também de bandas clássicas do Rock/Metal. O exemplo mais descarado disso talvez se dê na balada “Time For Deliverance”, com um refrão chupado descaradamente de “We Are The Champions”, do Queen. Não acredita? Faça o teste você mesmo e experimente cantar o refrão desta sobre a melodia do refrão de “Time For Deliverance”. Já “Pale Rider” e “Hellbent”, irão te remeter diretamente ao Judas Priest em diversas passagens. Ao menos em “Born To Fly” e “Master Of Confusion” o objeto da reciclagem é o próprio Kai Hansen. Preste atenção e será remetido, respectivamente, a “Eagle Fly Free” e “I Want Out”, ambas de sua fase no Helloween, o que acaba mostrando sua importância para a sonoridade clássica desta última nos anos 80.  Isso significa que estamos diante de um álbum ruim? Não. Esses aspectos citados, apesar de incômodos, não afetam tanto assim a qualidade da música apresentada em Empire Of The Undead. Por sinal, as citadas “Hellbent”, “Pale Rider” e “Master Of Confusion”, ao lado da faixa título e da épica faixa de abertura “Avalon”, com seus mais de 9 minutos e que vai te remeter a “Rebellion in Dreamland”, podem ser apontadas como os destaques desse trabalho.

Não, o Gamma Ray ainda não voltou àquela velha forma de trabalhos clássicos como Land Of The Free (95) e Somewhere Out in Space (97), mas Empire Of The Undead tem o mérito de, aparentemente, ter colocado a banda de volta nos trilhos após alguns trabalhos que a mim soaram completamente indiferentes. Com guitarras mais cruas e um pouco mais de peso em sua música, saíram da zona de acomodação que estavam e aos poucos vão respirando novos ares. Agora só falta Kai Hansen deixar a preguiça um pouco de lado e voltar a ser um pouco mais original em suas composições para, quem sabe, voltarem aos tempos de glória. Mas se você é fã da banda, não vai se decepcionar nem um pouco com o que irá encontrar aqui.

NOTA: 7,5





quarta-feira, 2 de abril de 2014

Lost Society – Terror Hungry (2014)




Lost Society – Terror Hungry (2014)
(Nuclear Blast - Importado)

01. Spurgatory
02. Game Over
03. Attaxic
04. Lethal Pleasure
05. Terror Hungry
06. Snowroad Blowout
07. Tyrant Takeover
08. Overdosed Brain
09. Thrashed Reality
10. F.F.E.
11. Brewtal Awakening
12. Mosh It Up
13. Wasted After Midnight
14. You Can’t Stop Rock’N’Roll (Bonus Track)

Às vezes me pergunto o que tem na água da Finlândia para que tantas bandas legais surjam de lá. Ano passado, o Lost Society apareceu do nada com seu debut, Fast Loud Death, um dos álbuns mais legais de 2013, praticando um Thrash Metal Old School totalmente calcado nas bandas da Bay Area. Eis que um ano depois o quarteto finlandês surge com Terror Hungry, seu aguardado sucessor. Não vou negar que estava muito ansioso para escutá-lo, afinal de contas, queria saber se iriam comprovar o potencial monstruoso demonstrado na estréia ou se iriam sucumbir à maldição do segundo álbum, que já atingiu tantas e mais tantas bandas promissoras na história do Metal.

Pois bem, o que posso dizer é que se você gostou de Fast Loud Death, vai simplesmente surtar com Terror Hungry. O que era ótimo ficou melhor ainda! Aqui você irá encontrar tudo que espera de um grande álbum de Thrash Metal, velocidade, agressividade, caos e muita, mas muita diversão. Há muito tempo não via uma coleção tão grande de riffs matadores em um tão curto espaço de tempo. Você tem que estar realmente morto para não sair batendo cabeça pelo quarto escutando faixas como “Game Over”, “Attaxic”, “Lethal Pleasure”, “Terror Hungry”, “Tyrant Takeover”, “Overdosed Brain” (com um riff que não vai sair da sua cabeça) e “Wasted After Midnight”. Quer saber? Eu poderia citar o álbum inteiro aqui sem problema algum. Na edição limitada, ainda temos de bônus um cover bem legal para “You Can’t Stop Rock’N’Roll”, do Twisted Sister. Aliás, me parece que fazer versões de músicas do Hard Rock oitentista vai se tornar uma tradição para o Lost Society, já que no debut tivemos de bônus “I Stole Your Love” do Kiss. 

Já vi alguns por ai os rotulando de “Metallica finlandês”, outros dizendo que estamos diante de um novo Exodus. Tudo besteira! Esse tipo de comparação só acaba por gerar uma expectativa desnecessária para o fã de Thrash. Tanto Metallica quanto Exodus são bandas únicas e incomparáveis. E além do mais, o Lost Society é totalmente capaz de andar com suas próprias pernas. Então meu amigo, tire a calça e a jaqueta jeans carregada de patches do armário, coloque seu tênis cano alto e o cinto de balas, volte no tempo e divirta-se como não fazia há muito. Terror Hungry é o álbum a ser batido em 2014!

NOTA: 9,5



terça-feira, 1 de abril de 2014

Dark Days Ahead – North Star Blues (2014)




Dark Days Ahead – North Star Blues (2014)
(Inverse Records - Importado)

01. Once We Stand, Once We Fall
02. North Star Blues
03. Heroes Of The World
04. Yesterday’s Noose
05. Last Day Of Light
06. Blood, Sweat & Broken Neck
07. Fail To Believe
08. Between The Walls Of Fire
09. Varra

Originária da Finlândia, país de onde sempre surge alguma boa banda de Metal, o Dark Days Ahead chega a seu segundo álbum apresentando uma boa mescla de Groove Metal, Death e Thrash, com algumas leves pitadas de Hard, tudo regado a guitarras bem pesadas e muita melodia. Normalmente quando uma banda tenta abarcar tantos estilos assim de uma só vez, o resultado acaba sendo uma verdadeira colcha de retalhos, um som sem muita identidade. Felizmente o Dark Days Ahead não se encaixa nessa descrição e se, ainda não consegue ter uma identidade própria, se mostra no caminho certo para ter uma sonoridade sua. 

North Star Blues é recheado de bons riffs, pesados e melódicos. Apesar de não ser o foco do álbum, a faixa de abertura, “Once We Stand, Once We Fall”, aproxima bem a banda daquele Death Melódico típico da cena sueca, que acabou por ser rotulado de Gothemburg Sound, dando ao ouvinte uma falsa impressão do que irá encontrar aqui. Mas a partir da faixa seguinte a música do Dark Days Ahead começa a ganhar uma cara diferente, com momentos mais característicos do Groove Metal. Começam também a pipocar, aqui e ali, algumas passagens que vão te remeter ao Hard Rock mais moderno praticado nos dias de hoje, mas nada que descaracterize demais o som da banda. “Yesterday’s Noose” é uma das faixas que se encaixa tranquilamente na descrição dada acima. “Last Day Of Light” é uma balada acústica que vêm para dar uma quebrada no clima do álbum e onde Toni Kaikkonen mostra sua versatilidade como vocalista, cantando de forma limpa. Daí para frente o álbum volta ao mesmo eixo, com destaque maior para “Fail To Believe”

Não, esse não é um álbum que irá mudar os rumos do Heavy Metal, muito menos um clássico instantâneo do estilo, mas ainda sim, North Star Blues rende vários momentos agradáveis durante sua audição, sendo indicado a fãs dos estilos citados durante a resenha. Cabe agora o Dark Days Ahead aparar algumas arestas aqui e ali em seu som para assim, deixar de ser mais uma promessa como tantas outras bandas por ai.

NOTA: 7,0




Inverse