quarta-feira, 26 de março de 2014

Saxon – Unplugged and Strung Up (2013)




Saxon – Unplugged and Strung Up (2013)
(UDR Music - Importado)

01. Stallions of the Highway (re-recorded version)
02. Crusader (orchestral version)
03. Battle Cry
04. The Eagle Has Landed (orchestral version)
05. Red Star Falling (orchestral version)
06. Broken Heroes (orchestral version)
07. Call to Arms (orchestral version)
08. Militia Guard
09. Forever Free (re-recorded version)
10. Just Let Me Rock (re-recorded version)
11. Frozen Rainbow (acoustic version)
12. Iron Wheels (live acoustic version)
13. Requiem (acoustic version)
14. Coming Home (acoustic version)

Com 38 anos de estrada e uma discografia extensa, podemos dizer sem exagero que o Saxon é, ao lado do Iron Maiden, o maior expoente da NWOBHM. O que mais me impressiona é que, ao contrário do seu par mais famoso, Biff Byford e Cia continuam com a criatividade em dia, sempre procurando dar algo novo a seus fãs, ao invés de ficar lançando trabalhos burocráticos seguidos de álbuns ao vivo. Não condeno o Maiden por ter se acomodado dessa forma, afinal de contas, para que se arriscar e mudar uma tática que só vem rendendo vitórias e muito dinheiro à banda? Até porque, convenhamos, seus fãs não parecem se importar em nada com isso. Talvez, justamente por não ser um gigante do Metal, o Saxon possa se arriscar mais musicalmente falando, mesmo quando se propõe a lançar uma simples coletânea.

Quando tomei conhecimento da proposta de Unplugged and Strung Up, confesso que, como grande fã do Saxon, fiquei um tanto receoso. A ideia de regravar, rearranjar ou mesmo fazer versões acústicas de músicas que até então possuíam versões definitivas me pareceu um convite ao fracasso. Todas as bandas que vi se enveredarem por esse território nos últimos anos quebraram feio a cara. Felizmente isso não ocorre aqui. Claro que sempre vai ter aquele fã que irá fazer uma resalva sobre essa ou aquela faixa, mas no geral é um álbum que irá agradar a quase todos. Os maiores destaques ficam por conta de “Stallions of the Highway”, muito mais atual e superior a original, as versões orquestradas de “Crusader”, “The Eagle Has Landed” e “Broken Heroes”, épicas, pesadas, renovadas e tão boas ou até melhores que as originais e as versões acústicas de “Frozen Rainbow”, “Requiem” e “Coming Home”, essa última tendo sido totalmente reinventada, se tornando quase um Blues.

Com versões repaginadas e revigoradas, o Saxon conseguiu dar a alguns de seus clássicos uma cara muito mais atual sem que perdessem qualidade. Claro, sempre teremos aqueles puristas que irão reclamar, mas estes o iriam fazer de qualquer forma, independente do que fosse lançado aqui. Já até os imagino dizendo que bom mesmo era na época do Wheels of Steel, ou Denin and Leather, ou Power and Glory, ou Crusader, ou qualquer álbum da primeira metade dos anos 80. Realmente, seria muito mais fácil para o Saxon ficar vivendo de glórias passadas, se repetindo álbum após álbum, ao invés de se arriscar com algo novo. Mas seria isso honesto com seus fãs? Não estariam assim se tornando uma banda caça níqueis? Unplugged and Strung Up é um álbum digno e indicado a todos os fãs da banda. E para encerrar, como continua cantando esse tal de Biff Byford!

NOTA: 8,0




terça-feira, 25 de março de 2014

Lacuna Coil – Broken Crown Halo (2014)




Lacuna Coil – Broken Crown Halo (2014)
(Century Media - Importado)

01. Nothing Sands in Our Way
02. Zombies
03. Hostage To The Light
04. Victims
05. Die & Rise
06. I Forgive (But I Won’t Forget Your Name)
07. Cybersleep
08. Infection
09. I Burn In You
10. In The End I Feel Alive
11. One Cold Day

Confesso que estava bem curioso para escutar Broken Crown Halo, novo álbum dos italianos do Lacuna Coil. É inegável que uma das características principais da banda foi sempre se desenvolver de um trabalho para o outro, procurando trazer algo novo a cada lançamento e evitando cair na armadilha de fazer o mais do mesmo. Desde Karmacode (2006), passaram a adicionar doses de Nu Metal a seu som, praticando uma espécie de Melodic Gothic Metal moderno que, se desagradou em parte os fãs de seus álbuns mais antigos, abriu a eles as portas do mercado americano, dando muito mais visibilidade à banda e os fazendo sair do gueto do Metal, conseguindo boas colocações inclusive na Billboard 200. 

Talvez por isso, hoje o Lacuna Coil tenha mais liberdade para fazer o que bem desejar quando o assunto é sua música. Sendo assim, em Broken Crown Halo, resolveram não focar tanto no mercado americano. Não, não é um retorno as suas raízes, como já vi erroneamente diversos críticos musicais apontarem. Se você for escutar o álbum acreditando nisso, vai se decepcionar. Mas é inegável que trouxeram de volta certos elementos do passado a sua música, encontrando certo equilíbrio entre o som mais grooveado praticado nos últimos álbuns com aquela aura mais Dark que possuíam até o Comalies (2002). O ponto forte do Lacuna Coil sempre foi o contraste do dueto vocal de Cristina Scabbia e Andrea Ferro, algo que já não vinha mais se fazendo tão presente. Aqui, em alguns momentos, temos de volta aqueles velhos vocais urrados que Andrea sempre fez tão bem, fora uma maior participação sua nas demais músicas, sempre fazendo ótimo contraponto a voz de Cristina. Chama atenção também a produção mais orgânica, diferente dos seus trabalhos anteriores, focados para o mercado americano. Os maiores destaques aqui ficam para “Nothing Stands in Our Way”, bem equilibrada e resumindo todo o contexto do álbum, para a melódica e agressiva “Zombies”, onde Andrea se destaca, “Die & Rise”, com um que de Korn e um bom refrão, “I Forgive (But Won’t Forget Your Name)”, feita para tocar nas rádios rock por ai e a forte “Infection”

Com Broken Crown Halo, o Lacuna Coil parece finalmente ter encontrado um equilíbrio para sua música. Com riffs pesados, melodias mais obscuras, mas ainda sim com um som de fácil assimilação, fizeram sem sobra de dúvidas seu álbum mais forte em muito tempo. Você pode até vir a dizer que na época do Comalies era melhor, ainda sim isso não vai desmerecer o belo trabalho feito aqui.

NOTA: 8,0





quinta-feira, 20 de março de 2014

Dynahead – Chordata II (2014)




Dynahead – Chordata II (2014)
(Independente - Nacional)

10. Jugis
11. Kode
12. Legis
13. Mortem
14. Numinous

Há cerca de um ano atrás, ao terminar minha resenha sobre a primeira parte desse trabalho conceitual dos brasilienses do Dynahead, finalizei da seguinte forma: “Algumas bandas passam toda uma carreira fazendo um mesmo trabalho. Já outras se renovam a cada lançamento. Pois esses brasilienses levam essa equação ao extremo, pois inovam e se renovam a cada faixa de Chordata I (...) Com uma identidade musical absurdamente forte, podemos dizer que o Dynahead lançou um álbum acima da média do que vemos por ai hoje em dia, e que vai entrar fácil nas listas de melhores de 2013.”. Pois bem, no meu caso, Chordata I não só entrou em minha lista como o considerei o melhor álbum de Metal nacional e um dos 10 melhores lançados em todo mundo no ano passado.

Chordata II começa exatamente do ponto onde seu antecessor parou, por isso não se assuste com o fato da numeração do Cd iniciar na faixa 10. Tão bom e intenso quanto o trabalho anterior, a ordem aqui continua sendo não possuir uma linearidade. Tendo como base um Thrash Metal agressivo e pesado, o Dynahead vai fundindo a ele estilos diversos como Djent, Bossa Nova, MPB, Jazz, Pop, numa efervescência de influências. A forma como conseguem ir, em uma mesma música, do agressivo para o suave, de vocais urrados para os limpos (como canta esse Caio Duarte), tudo carregado com muita técnica, mostra o nível de maturidade a que chegou a música dos brasilienses. Destaques? O álbum inteiro! “Jugis” tem ótimos riffs e muitas mudanças rítmicas. “Légis” é técnica e moderna, enquanto “Mortem” soa mais agressiva e seca. “Numinous” é o momento mais tranqüilo de Chordata II e “Kode”...bem, essa é um caso a parte, pois desde já é, para mim, um dos maiores clássicos do Metal nacional. Com seus mais de 20 minutos, ela condensa toda a proposta da banda e em momento algum soa cansativa ou repetitiva, já que variações de estilo ocorrem durante todo o seu andamento.

Carregado de personalidade e originalidade, Chordata II dificilmente perderá o posto de melhor lançamento nacional de 2014. Inovadora e única no cenário nacional, irá agradar em cheio aqueles bangers que tem a cabeça mais aberta e que não pararam no tempo. Já os puristas, bem, esses irão ficar de “mimimi”, reclamando do som da banda, escutando seus cd’s do Manowar, clamando morte aos falsos, como verdadeiros Guerreiros do Metal que são. E para completar, não só Chordata II como o restante da discografia do Dynahead, estão disponíveis para download gratuito no site da banda. Mas quer saber, esse aqui vale um esforço para compra. Essencial na coleção de qualquer banger apreciador de boa música.

NOTA: 9,5







terça-feira, 18 de março de 2014

Grand Magus – Triumph And Power (2014)




Grand Magus – Triumph And Power (2014)
(Nuclear Blast - Importado)

01. On Hooves Of Gold
02. Steel Versus Steel
03. Fight
04. Triumph And Power
05. Dominator
06. Arv
07. Holmgang
08. The Naked And The Dead
09. Ymer
10. The Hammer Will Bite

Quando surgiu em 2001, o Grand Magus praticava um Stoner/Doom de muita competência e que chegou a seu ápice com o clássico Iron Will (2008). Após isso as influências mais tradicionais despontaram no som da banda e essa fase rendeu dois grandes álbuns, Hammer Of The North (2010) e The Hunt (2012). Com um crescimento muito consistente de álbum para álbum, o Grand Magus mais uma vez não decepciona seus fãs e lança mais um ótimo trabalho. 

Triumph And Power é seu sétimo álbum de estúdio e nele procuraram (e conseguiram encontrar) um equilíbrio entre suas duas fases, o que provavelmente irá agradar novos e antigos fãs. Aqui irão encontrar tudo que esperam de um grande álbum de Metal: som denso, pesado, ótimas melodias, riffs e solos inspirados, linhas vocais cativantes, arranjos épicos, cozinha muito consistente e refrões que grudam na cabeça do ouvinte mais do que chiclete no cabelo. 

O disco é absurdamente homogêneo e nivelado por alto. Os arranjos épicos dão a música da banda um ar bélico, fazendo com que em muitos momentos o ouvinte imagine e até mesmo se sinta em um campo de batalha. Vale à pena destacar aqui e faixa de abertura, “On Hooves Of Gold”, com uma levada mais cadenciada, “Steel Versus Steel”, com ótimos riffs de guitarra, a pesada e crua “Fight”, que vai te fazer sair batendo cabeça pela sala cantando junto o refrão, a pesada faixa título, a épica “Holmgang” e “The Hammer Will Bite”, que passa raspando no Doom.

Com Triumph And Power o Grand Magus parece ter encontrado o equilíbrio exato entre o tradicional e o moderno, mostrando que o comodismo não faz parte de sua carreira e lançando um álbum que consegue ser ao mesmo tempo muito pesado, mas acessível. Podem não inventar e não apresentar nenhuma revolução sonora, mas é justamente por apostar no simples e fazer isso com uma competência absurda que conseguem ser uma banda única. Obrigatório!

NOTA: 9,0