segunda-feira, 17 de março de 2014

The Vintage Caravan – Voyage (2014)




The Vintage Caravan – Voyage (2014)
(Nuclear Blast - Importado)

01. Craving
02. Let Me Be
03. Do You Remember
04. Expand Your Mind
05. M.A.R.S.W.A.T.T
06. Cocaine Sally
07. Winterland
08. Midnight Medidation
09. The Kings Voyage
10. Psychedelic Mushroom Man (Bônus)

Se quando o assunto é música, a Islândia só lhe remete a nomes como Björk e Sigur Rós, a partir de agora o The Vintage Caravan certamente será o primeiro a ser lembrado. O trio formado por Óskar Logi (vocal/guitarra), Alex Örn (baixo) e Guojón Reynisson (bateria) lançam, via Nuclear Blast, seu segundo álbum de estúdio. Na verdade esse álbum foi lançado no ano de 2012, mas limitado apenas à Islândia e uns poucos países vizinhos e, para nossa sorte, o mesmo sai agora com distribuição mundial e direito a uma nova capa (belíssima por sinal). E olha, já chegam metendo o pé na porta com violência.

Desde já o TVC se candidata não são a uma das maiores revelações, como a um dos melhores álbuns de 2014. E por mais que possa parecer cedo para fazer essa afirmativa, acho difícil que tenhamos tantos álbuns superiores há Voyage esse ano. O som aqui é aquele que se encontra muito em voga nos dias de hoje, Hard setentista com influências de Rock Progressivo e Psicodélico. Mas não pense que esse trio islandês se resume apenas a ser um simples emulador de bandas clássicas. O buraco aqui e mais embaixo. Claro, Voyage transpira influências de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Cream, King Crimson, Hawkwind, Grand Funk Railroad ou Jimi Hendrix, mas desse caldeirão conseguem tirar um som próprio e muito original. O álbum é bem variado e temos desde momentos mais diretos a outros mais viajantes, tornando a audição muitíssimo agradável. Com um som robusto, riffs pesados e criativos (e que vão te remeter a nomes como Page e Blackmore), solos de uma inspiração rara e uma cozinha muito segura (com destaque para o baixo, excelente e bem na cara), vão agradar em cheio os amantes de Classic Rock. Destaques aqui para “Craving”, rápida e direta, “Let Me Be”, uma verdadeira pedrada, “Midnight Meditation”, uma espécie de “Paranoid” do século XXI (escute e irá entender a comparação), as baladas “Do You Remember”, com algo de Flower Power e “Winterland”, com passagens viajantes que vão te colocar em transe e a épica e psicodélica “The Kings Voyage”.

Voyage é um trabalho bem sólido e inspirado e que coloca o The Vintage Caravan no mesmo patamar de outras bandas dessa linha que vem se destacando nos últimos anos, como Orchid, Rival Sons, Graveyard ou Witchcraft, mas deixando o ouvinte com a impressão de que podem voar muito mais alto. E no final de tudo, quem disse que uma banda precisa reinventar a roda, se a mesma é plenamente funcional?

NOTA: 9,0





quarta-feira, 12 de março de 2014

Kernunna – The Seim Anew (2013)




Kernunna – The Seim Anew (2013)
(Independente - Nacional)

01. Kernunna
02. Curupira’s Maze
03. The Seim Anew
04. Snark
05. Dreamer
06. Póg Mo Thóin
07. The Last of the Seven Ears
08. The Keys to Given!
09. Ricorso

Para aqueles que não sabem, o Kernunna é o novo projeto do talentosíssimo multi-instrumentista Bruno Maia (Tuatha de Danann e Braia). Aqui ele se cercou de músicos como Khadhu (v,b/Cartoon) e Marco Diniz (v/Neverknow e participações no Tuatha), dentre outros, para fazer uma mescla bem interessante de estilos. 

A musicalidade do Kernunna é bem abrangente e aqui você irá encontra desde passagens mais Folk/Celta típicas do Tuatha de Dannan a passagens que vão te remeter a Beatles, Queen, Rush, Yes. E quer saber, o resultado disso é muito interessante. “Kernunna”, a faixa que abre o álbum, é uma agradável mistura de Folk com Prog Rock e que retrata perfeitamente o que você irá encontrar durante a audição. “Curupira’s Maze” tem letra baseada no folclore brasileiro e transita entre o Folk (tem algo de Skyclad aqui), o Metal e o Prog, pegada essa que se repete na faixa título, que possui um clima oriental que vai te remeter diretamente a alguns momentos dos Beatles. Quando “Snark” iniciar, a primeira coisa que virá a sua cabeça é “Silent Lucidity”, do Queensryche. Após isso, ela se envereda pelo Progressivo, sendo a única que não conta com elementos Folk. “Dreamer” é belíssima, com seus cravos, violinos e pianos e conta com forte influência do Yes, sendo uma das mais interessantes do álbum. “Póg Mo Thóin” é o momento Tuatha álbum, totalmente Folk/Celta e com um refrão desses que gruda de primeira na cabeça. “The Last of the Seven Ears”, a mais Psicodélica de todas, tem sua letra calcada no folclore mineiro (conta a lenda de Januário Garcia, o Sete Orelhas), sendo bem variada, envolvente e melódica. “Keys to Given!” tem uma pegada mais Space Rock e “Ricorso”, faixa que fecha os trabalhos, soa como uma agradabilíssima mistura de Prog, Folk, Beatles e Queen, sendo um resumo perfeito de tudo que foi escutado em The Seim Anew

Vale ressaltar que parte das letras desse trabalho foram inspiradas no último romance do escritor James Joyce, Finnegans Wake, tornando as mesmas tão interessantes quanto as músicas. É inegável que Bruno conseguiu dar uma cara única ao Kernunna, fazendo com que soe bem original e assim, nos deu um dos melhores álbuns de Folk do ano que passou. É desses trabalhos que vale a pena a aquisição. Então, dê um jeito de ter sua cópia o mais rápido possível.

NOTA: 9,0




Within Temptation – Hydra (2014)




Within Temptation – Hydra (2014)
(Nuclear Blast (Europa)/ Hellion (Brasil))

01. Let Us Burn
02. Dangerous (feat. Howard Jones)
03. And we Run (feat. Xzibit)
04. Paradise (What About Us?) (feat. Tarja)
05. Edge of the World
06. Silver Moon
07. Covered By Roses
08. Dog Days
09. Tell Me Why
10. Whole World Is Watching (feat. David Pirner)

Quando o Within Temptation surgiu nos anos 90, praticava aquele Gothic Doom que andou muito em voga na segunda metade daquela década e que rendeu diversos outros nomes a cena. Com a posterior queda de popularidade do estilo (afinal de contas, tudo são ciclos quando se trata de música), separou-se o joio do trigo e apenas as bandas que procuraram dar um passo a frente em seu som conseguiram permanecer em voga nos anos 2000. E no caso do sexteto holandês, não podemos acusar de forma alguma a banda de nunca procurar inovar, já que a cada lançamento buscam renovar seu som. O problema é que nem sempre isso significa que o resultado será satisfatório. Se em um primeiro momento, migraram para um Metal Sinfônico, posteriormente, numa tentativa de alcançar popularidade cada vez maior, passaram a adicionar um tempero mais pop a suas músicas, sempre calcadas na bela voz de Sharon den Adel, uma das melhores vocalistas de sua geração. E é ai que para alguns, a porca torce o rabo.
Claro, não vou negar que julgo mais do que válido quando uma banda não se acomoda e procura novas sonoridades para sua música, dando a ela um ar mais amplo e moderno, mas tudo nessa vida deve ser usado com parcimônia. Hydra continua do ponto onde o álbum anterior, The Unforgiving (que os fez aparecer pela primeira vez na Billboard 200), parou. As orquestrações continuam presentes, mas de uma forma muito mais contida e o que encontramos durante toda a audição é uma tentativa de equilibrar um som mais agressivo com melodias fáceis do pop, procurando tornar o Within Temptation mais acessível para os ditos “fãs normais”. Funciona? Nem sempre. “Let Us Burn”, com elementos eletrônicos e refrão grudento, “Dangerous”, com riffs pesados e um dueto empolgante de Sharon com Howard Jones (ex-Killswitch Engage) ou “Tell Me Why”, a mais pesada do álbum, entram no grupo das que funcionam muito bem. Já “Edge of the World”, com algo de Florence and the Machine (influência que surge novamente em “Dog Days”), “Covered by Roses”, que não empolga muito e principalmente, a descaradamente pop e constrangedora (para um fã de Metal) “Whole World Is Watching”, que conta com a participação de David Pirner (Soul Asylum), ficam no grupo das faixas desnecessárias. Já “Silver Moon” soa mais tradicional ao estilo da banda e se destaca em Hydra, chegando a contar com os vocais guturais de Robert Westerholt (G), que são sempre bem vindos. 
Deixei aqui duas músicas para comentar por último, pois ambas vão gerar discussões acaloradas. A primeira e certamente a mais polêmica, se trata de “And we Run”, que conta com a participação do rapper Xzibit, muito popular no mercado americano, foco principal da banda nos dias de hoje. Se você é desses que possui a cabeça aberta, vai achar a mesma moderna e ousada e fatalmente gostar. Agora, se você é daqueles mais puristas, vai abominá-la. Deixo para que o ouvinte a julgue. Já “Paradise (What About Us?)” era tranquilamente a faixa mais esperada de Hydra, pois desde o início sabia-se que a mesma contaria com um dueto de Sharon den Adel com ninguém menos que Tarja. Sei que vou comprar briga com muita gente ao dizer isso, mas me decepcionei profundamente com essa faixa. Claro, o dueto ficou belíssimo, as duas são muito talentosas, mas a música em si é absurdamente genérica, sem um pingo de inspiração. Realmente achei broxante.
Obstante o ótimo trabalho das guitarras em Hydra, pois estão até bem pesadas e agressivas, esse é o disco mais acessível do Within Temptation. Na sua busca por uma nova sonoridade, mesclaram perigosamente o Metal com o Pop, o que acabou por gerar alguns momentos totalmente desnecessários aqui. É um crime fazer essa mistura? Não, nada contra, mas bandas como o Amaranthe o fazem de forma muito mais competente. Mais um passo a frente e viram Pop de vez.

NOTA: 7,0











segunda-feira, 3 de março de 2014

Hagbard – Rise of the Sea King (2013)




Hagbard – Rise of the Sea King (2013)
(Sound Age Productions - Importado)

01. Eulogy of Ancient Times
02. Warrior’s Legacy
03. Berserker’s Requiem
04. Mystical Land
05. Let Us Bring Something For Bards To Sing
06. Sail To War
07. March To Glory
08. Hidden Tears
09. Dethroned Tyrant
10. Until the End of Day

Cada vez mais o Folk Metal vem ganhando terreno no cenário nacional e a mineira Hagbard é hoje uma das principais bandas do estilo no Brasil. Lançado no final de Outubro de 2013, Rise of the Sea King foi precedido alguns meses antes pelo ótimo single Lost in the Highlands, que já havia nos dado uma ótima mostra do que estava por vir em seu debut.
Musicalmente falando, o que temos aqui é uma mistura para lá de consistente de Folk Metal com outros gêneros, como o Metal Sinfônico, Viking Metal e até mesmo um Black Metal mais épico. Essa diversidade acaba por tornar a audição de Rise of the Sea King uma experiência bem agradável. Claro que temos elementos como flautas, violinos ou vocais femininos presentes, mas os mesmos surgem sem exageros e sempre muito bem encaixados nas músicas, o mesmo valendo para os teclados. Os vocais se destacam por sua ótima qualidade, tanto o urrado quanto o limpo, fora os coros, que empolgam o ouvinte. O trabalho todo é muito homogêneo e nivelado pelo alto, além de ser muito bem produzido. Destaques inevitáveis vão para “Warrior’s Legacy”, com ótimos riffs, as já conhecidas “Berserker’s Requiem” e “Let Us Bring Something For Bards To Sing” (presentes em Lost in the Highlands), “Sail To War”, a rápida “March To Glory” e a belíssima “Hidden Tears”, com um belo dueto vocal com participação de Vitória Vasconcelos. 
Para os desavisados de plantão, esse é um trabalho que vai surpreender, ainda mais por se tratar de um álbum de estréia. A verdade é que o Hagbard pode se colocar em pé de igualdade com boa parte das bandas do gênero no exterior, o que não é pouca coisa. Se você curte Folk/Viking Metal e bandas como Ensiferum, Eluveitie, Korpiklaani, Amon Amarth, Turisas ou apenas gosta de boa música, Rise of the Sea King é um prato cheio. Um dos melhores trabalhos de Metal lançados no Brasil em 2013.

NOTA: 8,5