segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Uncaved – Meaning Of Death (2013)



Uncaved – Meaning Of Death (2013)
(Independente - Nacional)
               
01. In Times of the End
02. Head on a Platter
03. Cerebral Gangrene
04. Meaning of Death
05. Leeches All Over My Body
06. Vengeance is Mine
07. Heaven Denied
08. The Philosopher

O cenário carioca tem se mostrado muito frutífero nos últimos anos, principalmente para aqueles que curtem sonoridades mais extremas. A quantidade de boas bandas vindo daqueles lados é uma coisa absurda e o quarteto Uncaved é mais uma delas. Formado em 2004, Meaning Of Death é o seu debut e chega demonstrando muita qualidade para uma estreia.
Musicalmente não temos grandes invenções aqui. O Uncaved aposta em um bom e velho Death Metal tradicional, com suas raízes fincadas nos anos 90, misturando muito bem a escola sueca e a americana do estilo. Agora, podem até não apresentar novidades em sua música, mas o fã do estilo não vai poder reclamar do quesito extremismo e brutalidade. O que sai do som aqui é de deixar surdo qualquer um com ouvidos mais sensíveis. A esses, recomendo passar a quilômetros de distância desse petardo, pois estarão fazendo um favor à saúde de seus canais auditivos. Mas se você for daqueles que como eu, adora um som extremo saindo dos falantes, pode se fartar sem medo. Destaques para a pesadíssima “Leeches All Over My Body”, a empolgante “Head on a Platter”, “Cerebral Gangrene” e o excelente cover para “The Philosopher”, dos mestres do Death, que ficou ainda mais extrema. Individualmente falando, todos aqui se destacam, com Carlos Alberto destilando ótimos riffs na guitarra, Eddie Valentino (baixo) e Robson Cruz (bateria) formando uma cozinha absurdamente coesa e pesada e o vocalista Joab Farias com um gutural de impor muito respeito.
A única resalva que faço aqui é no quesito produção. Não que ela seja ruim, ao contrário, mas em alguns momentos a bateria ficou um pouco embolada. No fim, nada assim tão dramático e que atrapalhe a audição de Meaning Of Death. Levando em conta que se trata de um trabalho de estreia e independente, se torna totalmente justificável. A ilustração da capa, “Crucificion of Apostle Peter, Rome”, do holandês Jan Luyken (1649 - 1712), ficou muito legal e combina perfeitamente com o que escutamos no CD. Estão de parabéns pela escolha e pelo capricho na parte gráfica. Com um trabalho que exala honestidade e profissionalismo e músicas de ótima qualidade e que irão empolgar todos aqueles que são fãs da vertente mais tradicional do Death Metal, o Uncaved estreia com o pé direito, demonstrando ter muito potencial para ir longe e se tornar uma das grandes bandas de nossa cena.

NOTA: 8,0






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Almah – Unfold (2013)




Almah – Unfold (2013)
(Substancial Music - Nacional)
               
01. In My Sleep
02. Beware The Stroke
03. The Hostage
04. Warm Wind
05. Raise The Sun
06. Cannibals In Suits
07. Wings of Revolution
08. Believer
09. I Do
10. You Gotta Stand
11. Treasure of The Gods
12. Farewell

Edu Falaschi pode ser um cara de declarações polêmicas e você pode ou não concordar com ele, mas uma coisa não podemos negar, independente do ponto de vista a seu respeito. O cara tem talento, não só como vocalista, mas como compositor e produtor e vem provando isso cada vez mais a frente do Almah. Os últimos tempos não foram lá muito fáceis para ele, seja pelo rompimento com o Angra, pelos problemas na sua voz ou pelas mudanças de formação em sua banda, mas superou todas essas dificuldades e agora presenteia seus fãs com um novo trabalho.
Vindo de três bons lançamentos, Almah (06), Fragile Equality (08) e Motion (11), Unfold era ansiosamente aguardado pelos fãs justamente por ser o primeiro trabalho de Edu a frente do Almah com essa sendo sua banda principal. Esses não irão se decepcionar aqui. Uma das principais características da banda, que é praticar um Metal moderno, atual, sem deixar de lado as suas influências naturais, continua mais do que presente aqui. Durante toda a audição, você poderá ouvir passagens Power, Prog e até mesmo momentos mais puxados para o Hard Rock, mas sempre fugindo daqueles velhos clichês dos estilos citados, mostrando que se pode sim, fazer um som calcado em sonoridades mais tradicionais, mas passar longe do mais do mesmo. Os destaques aqui são muitos. A sequência de abertura é empolgante, com a Power “In My Sleep”, a moderna “Beware The Stroke” e a furiosa “The Hostage” (minha preferida). Outra que segue uma linha mais Power e é ótima é “Believer”. Por sinal, vale chamar a atenção de como conseguem escapar dos clichês do estilo, algo raríssimo. “Cannibal In Suits” equilibra bem passagens melodiosas e modernas, enquanto “Wings of Revolution” e “You Gotta Stand” tem uma pegada mais Hard Rock, mas ainda sim soando modernas. A primeira então tem grande potencial para estourar nas rádios mais voltadas para o Rock. Outra questão a ser levantada aqui é a forma como Edu canta durante Unfold. Esqueça os exageros de sua ex-banda. Aqui, canta de forma mais contida, mais grave, o que é ótimo. Não resta dúvida de que sair do Angra foi a melhor escolha de sua carreira.
Com esse lançamento, o Almah se reafirma cada vez mais como uma das principais bandas do cenário nacional. Com uma identidade toda sua, maturidade, personalidade e principalmente, com um álbum forte, diversificado e consistente, se candidata a voos mais altos não só aqui como no exterior. Que essa nova fase na carreira de Edu renda muitos outros trabalhos como Unfold. Obrigatório na coleção de qualquer headbanger que se preze.

NOTA: 9,0

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domingo, 10 de novembro de 2013

Paradise Lost – Tragic Illusion 25 (The Rarities) (2013)




Paradise Lost – Tragic Illusion 25 (The Rarities) (2013)
(Century Media - Importado)
               
01. Loneliness Remains
02. Never Take Me Alive
03. Ending Through Changes
04. The Last Fallen Saviour
05. Last Regreat
06. Faith Divide Us – Death Unite Us
07. Cardinal Zero
08. Back On Disaster
09. Sons Of Perdition
10. Godless             
11. Missing
12. Silent In Heart
13. Gothic 2013
14. Our Saviour 2013

Normalmente, quando uma banda faz 25 anos de carreira, temos o lançamento daquele inevitável “Best of”, com todos aqueles clássicos óbvios lançados durante a carreira e sem grandes novidades. Mas nesse caso, não estamos falando de uma banda comum, mas sim do Paradise Lost, que durante todo esse tempo de estrada sempre teve como principal característica fazer o que tinha vontade e não o óbvio. Prova disso é que poderiam ter passado o resto de sua carreira “regravando” o Draconian Times, mas optaram pela integridade e seguir um caminho que muitos condenaram, mas que artisticamente falando, refletia o desejo da banda. Sendo assim, não pense que nessa coletânea comemorativa ira encontrar os grandes clássicos da banda, porque se o fizer, irá quebrar feio a cara. O que temos aqui é uma pequena seleção de faixas raras e B Sides que saíram apenas como  bônus em álbuns, versões em vinil ou singles, além de uma faixa inédita e duas regravações.
De cara, temos a faixa inédita do trabalho, a fúnebre e desde já clássica “Loneliness Remains”. Ela vem para mostrar a todos que o Paradise Lost passa hoje pelo seu melhor momento na carreira. Depois temos a sequência de faixas das sessões do Tragic Idol (12), com o excelente cover do Spear Of Destiny, “Never Take Me Alive” e duas verdadeiras pérolas escondidas que, se tivessem entrado na versão final do álbum, o teriam tornado perfeito, “Ending Through Changes” e “The Last Fallen Saviour”. Outra faixa que finalmente está ao alcance dos fãs é a ótima “Cardinal Zero”, bônus do Faith Divide Us – Death Unite Us (09), que possui uma das melhores linhas de guitarra de Greg Mackintosh. Dessa mesma sessão, temos duas ótimas versões sinfônicas, da faixa título e de “Last Regreat” e ainda outra pequena joia, “Back On Disaster”, bônus da versão japonesa. Já das sessões de In Requiem (07) temos “Sons Of Perdition”, “Godless”, “Silnet In Heart” e o cover de “Missing”, do Everything But The Gril, faixa a qual o Paradise Lost deu uma cara toda sua. Para encerrar com chave de ouro, as ótimas regravações de “Gothic” e “Our Saviour”, que se não suplantam as originais (até porque seria pedir demais já), são uma bela homenagem a elas. Aliás, como é bom poder ouvir Nick Holmes cantando como nos velhos tempos.
O único defeito de Tragic Illusion 25 (The Rarities) é não incluir faixas raras anteriores ao In Requiem. Isso acaba privando os fãs de ótimas músicas, como “Xavier” (cover do Dead Can Dance) e “Small Town Boy” (cover do Bronski Beat’s), bônus do Symbol Of Life (02) ou de faixas ainda mais antigas, como os covers para “Walk Away” do Sisters Of Mercy e “How Son Is Now” do The Smiths. Mas isso talvez tenha uma explicação no fato de que, apesar de se tratar de uma coletânea com faixas gravadas em diferentes épocas, o álbum possua uma coesão absurda, fazendo com que um ouvinte mais desavisado pense se tratar de um novo trabalho de inéditas. Nesse ponto, não posso negar que a inclusão de tais faixas mataria essa coesão, por serem bem diferentes estilisticamente falando. Um verdadeiro presente para os fãs!

NOTA: 9,0





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Scibex – Path To Omors (2013)




Scibex – Path To Omors (2013)
(Independente - Nacional)
               
01. Cryptic Comfort Zone
02. Built To Collapse
03. Embrace Of Silicon
04. Static
05. Mermaid Serpent
06. Being
07. Heralds Of Noosphere
08. Path To Omors
09. Vast & Secular (Instrumental)

Podem falar o que quiserem e me chamar de bairrista, mas para mim Minas Gerais sempre será o maior celeiro de bandas do Metal Nacional. Formada no ano de 2012 em Ituiutaba é já com um single (Error Bath) e um EP (Matha’s Prison) lançados no seu ano de fundação, os mineiros do Scibex já chegam ao seu debut mostrando uma competência e uma maturidade absurdas para uma banda com tão pouco tempo de estrada. A sonoridade na qual investem é algo muito pouco explorando em se tratando de Brasil, um Avant-garde Black Metal com altas doses de Progressivo que busca sair da mesmice que se encontra por ai.
Tentando dar um norte ao ouvinte, tente imaginar uma mistura de Arcturus, Borknagar e Opeth, só que com mais peso. Conseguiu imaginar? Com uma originalidade e criatividade absurdas, conseguem juntar no mesmo pacote Black, Death, Doom, Thrash, Metal Tradicional, Progressivo, vocais hora rasgados, hora limpos, cadencia e muita técnica, tudo com muita naturalidade e bom gosto. Apesar de ser um álbum longo, com mais de 1 hora de duração, você sequer nota o tempo passar durante a audição do mesmo, tamanha a qualidade do material apresentado. Em um álbum com tantas ótimas músicas, ouso aqui destacar “Cryptic Comnfort Zone”, faxa que abre Path To Omors e que já de cara mostra o que você irá encontrar pela frente, “Embrace Of Silicon”, “Being” e “Heralds Of Noosphere”.
Surpreendentemente, apesar de todo ecletismo e complexidade do trabalho, o som praticado pelo Scibex é de fácil assimilação, o que convenhamos, é extremamente difícil de conseguir em um gênero como o Avant-garde. Com muita personalidade, repleto de detalhes que se revelam a cada audição mais atenta e mesclando suas influências com muita naturalidade, Path To Omors se mostra um álbum forte e candidato frequentar as listas de melhores do ano de 2013. Vale destacar aqui também um fato que vem ocorrendo cada vez mais com bandas independentes. Esse álbum contou com o apoio da Lei de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Uberlândia, mostrando assim que quando o trabalho é bem feito, consegue colocar para escanteio qualquer preconceito que ainda exista com o Metal. Mais uma vez, Minas Gerais nos presenteia com uma grande banda. Tremdanadibão isso!!!!!

NOTA: 9,0

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