quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Anvil - Hope In Hell (2013)




Anvil - Hope In Hell (2013)
(The End – Importado)

01. Hope In Hell
02. Eat Your Words
03. Through With You
04. The Fight Is Never Won
05. Pay The Toll
06. Flying
07. Call Of Duty
08. Badass Rock N Roll
09. Time Shows No Mercy
10. Mankind Machine
11. Shut The Fuck Up
12. Hard Wired
13. Fire At Will

O Anvil é aquela banda que todo mundo quer gostar, pois seus músicos são gente boa e batalhadores. E após o documentário Anvil: The Story of Anvil, essa necessidade das pessoas parece ter aumentado, já que acabaram se tornando uma banda cult. Mas como todo respeito, isso para mim o Anvil sempre foi, afinal era inegável o quanto influenciaram diversas bandas mais famosas por ai, mesmo não recebendo o devido reconhecimento do grande público e da mídia. O que o documentário fez, foi mostrar isso ao grande público.
Hope In Hell é Anvil puro, e você, caro leitor/ouvinte, não irá encontrar nada diferente do usual aqui. É um álbum para quem sempre acompanhou a carreira da banda e que vai agradar aos amantes de Metal Clássico. Ainda sim, não posso tampar o sol com a peneira. Apesar de possuir todas as características dos trabalhos anteriores da banda, esse é seu álbum mais fraco desde 2001. Não, não se trata de um trabalho ruim, mas sim inconstante. Você irá encontrar aqui ótimas músicas, como a faixa título que abre o álbum, pesada, lenta e muito cativante, “Eat Your Words”, que puxa mais para o Thrash e tem um riff fantástico, desses que vai te fazer bater cabeça, “Pay The Toll”, empolgante, com um ótimo refrão e que vai te fazer tocar air guitar pela sala, “Badass Rock N Roll”, que remete a Motorhëad e aos primeiros trabalhos da banda e possui ótimos riffs e refrão grudento, “Shut The Fuck Up” (outra que me lembrou Motorhëad) e “Hard Wire”, que poderia muito bem ser uma faixa clássica do Judas Priest. O problema é que falta inspiração na maioria das demais faixas e isso causa certa decepção, pois sabemos que Lips e seu fiel escudeiro Robb Reiner podem muito mais do que isso. Vou abrir um parêntese aqui com relação a “Through With You”. Essa faixa me deixa confuso, pois nunca vi um plágio tão grande assim na minha vida, já que quando a música se inicia, a primeira coisa que você imagina é que se trata de um cover do Purple. Se não se tratar de uma homenagem, estamos diante do maior caso de cara de pau da história do Metal.
O Anvil nunca jogou a toalha diante de todas as adversidades de sua carreira. Sua integridade e paixão pela música impõem respeito, ainda mais quando sabemos que nunca cederam as tendências e pressões, preferindo manter sua integridade artística a fazer algo comercial e, consequentemente, sair do underground. Fazem aqui o de sempre, um álbum sem frescuras, tocando Metal por amor. Irão ganhar uma multidão de fãs com Hope In Hell? Como sempre, certamente que não, mas irão agradar em cheio a seus fãs. Pode não ser seu melhor trabalho, mas isso é Anvil, o que é muito digno.

NOTA: 7,5





quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Running Wild - Resilient (2013)




Running Wild - Resilient (2013)
(SPV/Steamhammer – Importado)

01. Soldiers Of Fortune
02. Resilient
03. Adventure Highway
04. The Drift
05. Desert Rose
06. Fireheart
07. Run Riot
08. Down To The Wire
09. Crystal Gold
10. Bloddy Island
11. Payola & Shenaningans (Bônus Track)
12. Premonition (Bônus Track)

Com seus dois primeiros álbuns, Gates To Purgatory (84) e Branded And Exiled (85), o Running Wild ajudou a definir o que seria o Power/Speed Metal. Sendo assim, gostando ou não da banda, sua importância é inegável. Só que depois disso, simplesmente emendaram uma sequência fantástica de oito ótimos álbuns, que começa com o clássico Under Jolly Roger (87) e termina com The Rilvary (98), sempre com o tema pirataria como recorrente na parte lírica. Depois, a queda foi inevitável e não vou negar que após uma sequência de trabalhos que não empolgaram e que culminou com o fraco Rogues en Vogue (05), respirei aliviado com o anúncio do fim da banda por Rolf Kasparek no ano de 2009. Era mais digno isso do que ficar manchando a discografia da banda com trabalhos que não eram condizentes com sua história.

Em 2011 fomos surpreendidos com o anuncio do retorno da banda, que culminou no decepcionante Shadowmaker (12), que contava apenas com Rolf (vocal, guitarra e baixo), Peter Jordan (guitarra) e uma irritante bateria eletrônica. Dessa forma, fiquei com os dois pés atrás ao saber que Resilient contaria com essa mesma formação. Felizmente, ao final das contas acabei surpreendido. Sem exageros, esse é o melhor trabalho da banda desde o distante ano de 1998 e ajuda a recuperar muito da antiga credibilidade perdida pela sequência de péssimos lançamentos. Com ótimos riffs e melodias, músicas sólidas, ótimos refrões, desses que você pega na primeira audição, te jogam em uma máquina do tempo, fazendo com que retorne a época clássica do Running Wild nos anos 80/90. Resilient possui diversas canções com potencial para tornarem-se clássicos da banda como a forte faixa de abertura, “Soldiers Of Fortune”, “Adventure Highway”, que vai te remeter aos melhores momentos do Judas Priest, a ótima e agressiva “Crystal Gold” e principalmente, a épica e fantástica “Bloddy Island”. Claro que temos alguns momentos que não empolgam tanto, como a comercial “Desert Rose” e a fraca “Down To The Wire”, mas nada que faça o álbum cair na vala dos lançamentos fracos dos últimos anos.

Com já andaram dizendo por ai, com Resilient o Running Wild voltou a ser Running Wild, o que já não ocorria há muito tempo. Com um álbum de Metal puro e simples, sem invenções e com a criatividade de volta ao lugar, Rolf Kasparek te faz viajar a um tempo onde tudo era mais simples, inclusive o Heavy Metal. Preparem-se, pois a bandeira pirata está novamente desfraldada aos quatro ventos e eles estão chegando para pegar você. Álbum para bater cabeça!

NOTA: 8,0





segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Grande Ogro – O Grande Ogro (2013) (EP)




O Grande Ogro – O Grande Ogro (2013) (EP)
(Independente - Nacional)

01. Metal Frio
02. Sou mais esperto que a maioria dos ursos
03. Robert Garcia
04. Obcecado pela vida resolveu alimentar-se para não morrer

O Grande Ogro é um quarteto paulista, fundado no ano de 2011 e que se dedica a fazer Rock Instrumental. Em um primeiro momento isso pode causar calafrios à boa parte dos leitores, pois a maioria das pessoas comuns, ou pelo menos as que conheço, julgam música instrumental algo absurdamente chato. Mas não é o caso aqui.
O nome da banda foi tirado de um álbum do At The Drive In e isso dá uma pista do que você irá encontrar pessoalmente aqui. Outra referência que eu poderia dar aqui seria o The Mars Volta. Mas faço questão de frisar que a sonoridade da banda é bem original e não soa como cópia de nada que se encontra por ai. Composto de apenas 4 faixas, esse EP vai agradar aqueles que apreciam boa música. Fazendo um som instrumental, pesado, sujo e experimental, conseguem passar tranquilamente o que desejam com sua música, mesmo com a ausência de um vocalista, algo difícil de fazer. Todas as músicas são bem agradáveis e fluem com uma facilidade absurda, a ponto de o EP passar e você mal se dar conta disso, sendo obrigado a colocar o bendito para tocar novamente. Minhas preferidas aqui foram “Robert Garcia” e “Obcecado pela vida resolveu alimentar-se para não morrer”.
A arte do EP é muito legal e condizente com a proposta experimental do som da banda, tendo ficado a cargo do artista plástico Vermelho Ruber. Se você tem a cabeça aberta e passa longe do preconceito quando o assunto se trata música instrumental, precisa urgentemente conhecer o trabalho de O Grande Ogro.

NOTA: 8,0



Godtoth – Satanic Holocaust (2013)




Godtoth – Satanic Holocaust (2013)
(Independente - Nacional)

01. Satanic Holocaust
02. Soul Usurper
03. Unholy Crucifixion
04. Mutilated Children
05. Being And Nothingness
06. Cadaveric Incubation
07. Feast On The Flesh Of The Innocent
08. Grave Robbery

Esse trabalho deveria vir com um selo avisando aos com ouvidos delicados e sensíveis a manter distância segura do mesmo. Projeto que reúne membros do Facada e do Omfalos, o que temos aqui é o mais puro, sujo, brutal e podre Death Metal Old School, com toques muito bem vindos de Thrash e Black Metal. Há muito tempo não ouvia algo tão agressivo e violento assim e com tamanha qualidade.
Aqui não existe espaço para concessões, partes melódicas, tecladinhos bonitinhos, vocais femininos e outras modinhas que estão espalhadas por ai. É Death Metal das antigas, que vai te remeter aos primórdios do estilo e te fazer bater cabeça do início ao fim. Extremo, brutal e absurdamente honesto e verdadeiro, já começa quebrando tudo com a faixa título. Daí em diante o arregaço é inevitável, com uma sequência matadora de faixas que torna até  mesmo difícil apontar destaques. Ainda sim, vou me arriscar a citar “Soul Usurper”, “Unholy Crucifixion”, “Being And Nothingness” e “Grave Robbery”. Mas a verdade é que absolutamente todas as faixas aqui presentes são de alto nível.
A gravação é suja, como deve ser e te remete às bandas do início dos anos 90, o que torna tudo ainda mais legal. Como eles mesmos falam no release, são profanos, agressivos e avessos as modas que vêm e vão no mundo da música. Definição mais perfeita do que essa para o Godtoth e seu Satanic Holocaust não existe. Uma verdadeira aula de Death Old School. Se você curte o estilo, não pode deixar esse álbum passar. E a quem interessar, ele está disponível para download gratuito no bandcamp da banda.

NOTA: 9,0

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