quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dawn Of Tears – Act III: The Dying Eve (2013)




Dawn Of Tears – Act III: The Dying Eve (2013)
(Inverse Records - Importado)

01. A Cursed Heritage
02. Present Of Guilt
03. Lament Of Madeleine
04. The Darkest Secret
05. Silent As Shades Are
06. Angel Gone
07. The 7th Seal
08. Oceans
09. Prize Denied

Na ativa desde 1999, os espanhóis do Dawn Of Tears já possuem dois trabalhos, o bom debut Descent (2007) e o EP Dark Chambers Litanies (2009). Agora, após um intervalo de seis anos desde álbum de estreia, chega a seu segundo trabalho completo, Act III: The Dying Eve. A base de seu som é o Death Metal Melódico, mas você consegue encontrar aqui ecos de outros estilos como Gothic Metal, Metal Progressivo e algo de Metal Sinfônico. E dessa mistura conseguem extrair uma sonoridade bem interessante que, por mais que em alguns momentos resvale em bandas como Children Of Bodom e Cradle Of Filth, consegue dar a banda certa originalidade.
Como não poderia deixar de ser, as guitarras aqui estão carregadas de melodias e riffs pesados. As passagens sinfônicas ficam por cortesia dos ótimos teclados, que enriquecem muito a música desses espanhóis, fora os vocais femininos que dão o ar da graça em algumas músicas. A abertura se dá com a ótima “A Cursed Heritage”, com ótimos riffs, típicos do Death Melódico. “Present Of Guilt” é outra que se destaca de cara com sua ótima melodia de abertura e se torna um dos grandes destaques do álbum. Valem também uma atenta audição faixas como “Silent As Shades Are”, com um belo dueto vocal, “The 7th Seal” que soa como uma mistura das já citadas Children Of Bodom e Cradle Of Filth e a belíssima e acústica “Oceans”.
Com uma ótima produção, um som carregado de emotividade e composições inspiradas, o Dawn Of Tears surge com um trabalho bem consistente e coeso, mostrando algo raro nos dias de hoje, uma banda que sabe exatamente o que quer fazer. Se você curte Death Metal melódico mas quer um álbum que saia um pouco do lugar comum que caiu o gênero, esses espanhóis são uma grande pedida. Álbum muito bem recomendado!

NOTA: 8,0




quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ReVamp – Wild Card (2013)




ReVamp – Wild Card (2013)
(Nuclear Blast - Importado)

01. The Anatomy of a Nervous Breakdown’: On the Sideline
02. The Anatomy of a Nervous Breakdown’: The Limbic System
03. Wild Card
04. Precibus
05. Nothing
06. The Anatomy of a Nervous Breakdown’: Neurasthenia
07. Distorted Lullabies
08. Amendatory
09. I Can Become
10. Misery’s No Crime
11. Wolf And Dog

Sempre considerei Floor Jansen uma vocalista com talento fora do comum e de um potencial tremendo para ir muito além do que ia com o After Forever. Com o fim da banda e o surgimento do ReVamp, imaginei que finalmente esse potencial seria totalmente explorado, mas infelizmente, ReVamp (2010) foi um álbum um tanto decepcionante, já que não procurava sair muito do lugar comum do que Floor já havia feito com usa ex banda. Três anos se passaram, com direito a mais de um ano parada devido a um esgotamento nervoso que sofreu no início de 2011 (assunto bem tratado nas letras desse novo trabalho) e uma turnê com o Nightwish substituindo Anette Olzon (tudo indica que será efetivada nessa função) e Floor e seu ReVamp retornam com o segundo trabalho da banda.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi de como a banda evoluiu musicalmente de 2010 para cá. É uma diferença brutal. O instrumental da está mais pesado, agressivo e com muito mais pegada. Para dar uma vaga ideia, imagine um After Forever tocando algo próximo de um Death Melódico com elementos de Progressivo. Claro que existem momentos que vão remeter a ex-banda de Floor, isso é um tanto quanto inevitável, mas na maior parte do tempo temos uma sonoridade mais pesada, barulhenta e moderna. Já os vocais de Floor valem um capítulo à parte aqui. O que essa mulher está cantando é uma coisa absurda!  A variedade vocal que alcançou aqui é realmente impressionante e ela apresenta uma segurança que nunca havia demonstrado até então. Cantando nitidamente de uma forma mais agressiva (até porque o maior peso do álbum pede isso), ela vai desde momentos mais operísticos (que ela utiliza com moderação aqui) até ao gutural com uma facilidade e uma naturalidade absurda. As três faixas que levam o nome de “The Anatomy of a Nervous Breakdown’” são a espinha dorsal do álbum, todas bem agressivas e sendo a última, “Neurasthenia”, a melhor de todas, pois conta com a participação de Devin Townsend fazendo um dueto vocal perfeito com Floor. Vale destacar também a faixa título, com um riff pra lá de contagiante, “Precibus” e “Distorter Lullabies”, as duas faixas que mais remetem ao After Forever e “Misery’s No Crime”, a única que Floor não faz os vocais guturais, ficando esses a cargo de Mark Jansen.
Com uma das melhores performances vocais que ouvi em muito tempo e um álbum bem diversificado e coeso, que em momento algum soa tedioso, o ReVamp finalmente parece ter se encontrado musicalmente e seria uma pena que Floor Jansen deixesse a banda de lado caso venha a ser realmente efetivada como vocalista do Nightwish. Realmente surpreendente por sua qualidade, Wild Card é um álbum que vale a pena ser conferido por todo aquele que gosta de Heavy Metal de qualidade.

NOTA: 9,0





terça-feira, 1 de outubro de 2013

PAX – Live Sessions (2013)




PAX – Live Sessions (2013)
(Independente – Nacional)

01. Grudges & Burdens
02. The Merge
03. Altered Beast

Na estrada já há alguns anos, a paulistana PAX já possui 2  EP’s, Prelude (2009) e II (2011) e um single, Pure (2010), lançados. Durante o final de 2012 e o início de 2013, resolveram embarcar em um projeto muito interessante e registrar tanto em áudio quanto em vídeo a série Live Sessions no estúdio NaCena. A ideia era fazer como bandas do passado que em muitas oportunidades, faziam suas gravações ao vivo em estúdio, já que nos anos 60,70 e 80 não existiam todas as facilidades de hoje em dia para se gravar música.
Para se arriscar algo desse tamanho é indiscutível a necessidade de se estar muito bem ensaiada e com total domínio de ser repertório. Resumindo, não é algo para qualquer um. E felizmente, esse é o caso da PAX. Apostando em uma mistura de Stoner Rock e sonoridades típicas dos anos 90, apresentam um material de muita qualidade. Para situar o leitor/ouvinte, imagine um encontro entre algum dos grandes nomes do Classic Rock dos anos 70 com o Alice In Chains e o Korn. Diferente não é? Já de cara, na abertura com “Grudges & Burdens” podemos ver a síntese perfeita dessa mistura. Riffs a cargo de Daniel Ribeiro, que em muitos momentos te remete a Sabbath, mas com ótimos vocais de Arthur Zarpelon, que dão um ar mais moderno a música. “The Merge” também segue essa tocada, mas com uma influência um pouco maior de Grunge. “Altered Beast” encerra o trabalho com muita qualidade, numa mistura perfeito do clássico com o moderno. O PAX é completado pelo baixista Thiago Veiga e o baterista Douglas Oliveira, que mostram uma atuação bem competente e segura durante toda a execução das músicas.
Indiscutivelmente esse não é o tipo de música indicado aos mais tradicionalistas, já que apesar de terem buscado sua inspiração lá atrás, em sonoridades mais tradicionais, possuem uma grande dose de modernidade, o que não deixa seu trabalho datado. Mas se você é desses bangers com a cabeça mais aberta e gosta de boa música, PAX é uma ótima pedida. Esperemos agora seu primeiro álbum completo, que deve ser lançado até o final desse ano.

NOTA: 8,0





Dream Theater – Dream Theater (2013)




Dream Theater – Dream Theater (2013)
(Roadrunner - Importado)

01. False Awakening Suite:
I – Sleep Paralysis
II – Night Terrors
III – Lucid Dream
02. The Enemy Inside
03. The Looking Glass
04. Enigma Machine
05. The Bigger Picture
06. Behind The veil
07. Surrender To Reason
08. Along For The Ride
09. Illumination Theory
I – Paradoxe de la Lumière Noire
II – Live, Die, Kill
III – The Embracing Circle
IV – The Pursuit of Thruth
V – Surrender, Trust Passion

Fazer resenhas é uma tarefa muito difícil na maior parte do tempo. Como ser imparcial ao falar de uma banda que você é muito fã, ou pior ainda, como resenhar um álbum daquela banda que você não suporta ou considera apenas meia boca? Nessas horas tento deixar meus gostos pessoais de lado e olhar aquele trabalho pelo viés do que esperaria um fã. Na teoria isso é muito bonito, mas é claro que na prática acaba não funcionando tão bem assim. O Dream Theater é daquelas bandas que na maioria das vezes ou você os ama de paixão ou os odeia com todas as suas forças. Já eu me incluo naquele minúsculo grupo dos que pensam que a banda nem fede e nem cheira, que acham que lançaram alguns trabalhos bem legais e outros um tanto sacais. Sendo assim, quando peguei Dream Theater (o álbum), não sabia bem o que esperar. Claro, tinha certeza absoluta que iria escutar uma verdadeira aula de virtuosismo de seus músicos e muita complexidade sonora saindo das caixas de som, mas se eu iria gostar disso ou não, já era outra história.
A abertura, com a introdução instrumental “False Awakening Suite”, dividida em três partes, não me empolgou muito. Mas isso não quer dizer muita coisa, já que na maioria das vezes acho introduções um pé no saco. Quando o álbum começa realmente de verdade, “The Enemy Inside” me deixou bem animado. Com riffs bem pesados, um refrão excelente e principalmente, com James LaBrie cantando sem exageros, é um dos grandes destaques do álbum. A faixa seguinte manteve minha empolgação lá em cima, com a melódica “The Looking Glass”, uma espécie de Hard Rock Progressivo bem legal. Então temos o primeiro grande momento voltado exclusivamente para fãs da banda, com a instrumental “The Enigma Machine”. Com pouco mais de 6 minutos e mudanças e mais mudanças de andamento, é algo voltado realmente para quem curte Rock Progressivo, o que não é lá muito meu caso. Daí em diante o trabalho vai oscilando entre boas músicas, como “The Bigger Picture” e “Behind The Veil” e outras chatas, como “Surrender To Reason” (modorrenta e que custa a embalar) e a fraquíssima balada “Along The Rider”, até desembocar na épica faixa final, “Illumination Theory”, com seus cinco movimentos e mais de 22 minutos. O que falar dessa música? Com orquestrações, muito virtuosismo de todos os músicos e passeando por diversos estilos é tudo aquilo que um fã mais ama na banda e tudo que um detrator mais odeia. Para mim, um retrato perfeito da carreira da banda, com momentos fantásticos (na maior parte do tempo) e outros dignos de dar sono.
Talvez esse seja um dos trabalhos mais variados da carreira do Dream Theater e, com toda tranquilidade, seu melhor CD desde Six Degrees Of Inner Turbulence (2002). E vale destacar duas coisas aqui: Mike Mangini, pela primeira vez tendo oportunidade de participar do processo de composição junto com a banda, destrói tudo e faz com que não se sinta um pingo de falta de Portnoy (suas viúvas me perdoem, mas é a mais pura verdade) e James LaBrie está cantando como nunca, evitando exageros irritantes que muitos por ai criticavam. Com passagens intrincadas, muita criatividade, emoção e dinamismo, o Dream Theater lançou um álbum que vai fazer seus fãs gozarem litros e seus detratores lançarem pesadas criticas. Já para mim, um belo álbum de Heavy Metal, com altos e baixos como qualquer lançamento dos dias de hoje. Se você realmente curte a proposta da banda, pode ir sem um pingo de medo, pois é diversão garantida.

NOTA: 8,5