terça-feira, 24 de setembro de 2013

Volbeat – Outlaw Gentlemen & Shady Ladies (2013)




Volbeat – Outlaw Gentlemen & Shady Ladies (2013)
(Universal – Importado)

01. Let’s Shake Some Dust
02. Pearl Hart
03. The Nameless One
04. Dead But Rising
05. Cape Of Our Hero
06. Room 24
07. The Hangman’s Body Count
08. My Body
09. Lola Montez
10. Black Bart
11. Lonesome Rider
12. The Sinner Is You
13. Doc Holliday
14. Our Loved Ones

Goste ou não da proposta apresentada pelos dinamarqueses do Volbeat, após a audição de Outlaw Gentelmen & Shady Ladies o ouvinte/leitor não vai poder negar que estamos diante de uma das bandas mais criativas e originais do atual cenário. A mescla de estilos apresentados em sua música é algo de se espantar. Metal, Hard Rock, Classic Rock, Punk, Country, Rockabilly, Pop, uma colcha de retalhos que teria tudo para dar muito errado. Mas o quarteto formado por Michael Poulsen (vocal/guitarra), Rob Caggiano (guitarra, ex Anthrax), Anders Kjolholm (baixo) e Jon Larsen (bateria) parece possuir a fórmula mágica para transformar a união de estilos tão diversos e música de muita qualidade.
Claro que aquele fã mais radical vai torcer o nariz para muitos momentos presentes aqui, já que da mesma forma que outra banda bem polêmica no momento, o Ghost B.C., o Volbeat em muitas passagens deixa escancarada uma veia pop latente, como podemos escutar nas totalmente radiofônicas “Pearl Hart”, “The Nameless One”, a mezzo balada “Cape Of Our Hero” e “Lola Montez”, todas muito melódicas e com refrões que grudam na sua cabeça como chiclete no cabelo. Mas duvido que esses mesmo radicais não curtam faixas como a densa “Room 24” com uma introdução totalmente sabbática e que conta com a participação do grande King Diamond abrilhantando aquela que é o grande destaque do álbum, “Dead But Rising”, muito pesada e forte,”Black Bart” com guitarras gêmeas no melhor estilo Thin Lizzy e leves toques de Punk/Death (só para constar, o vocalista Michael Poulsen é originário da cena Death) e “Doc Holiday” que começa com um banjo mas depois descamba para um quase Thrash Metal. Outra que vale a pena destacar aqui é a Punk/Country “Lonesome Rider”, que conta com participação especial de Sarah Blackwood nos vocais.
Assim como o já citado Ghost, o Volbeat é dessas bandas que os headbangers espalhados pelo mundo vão amar ou odiar, sem o mínimo espaço para meio termo. Apostando em uma mescla de faixas agressivas com outras mais experimentais, riffs e melodias excelentes e refrões para lá de inspirados, conseguiram desvincular sua sonoridade de qualquer rótulo musical, mas ainda sim dar um grande potencial mercadológico para sua música. Não é coincidência o fato de terem chegado ao topo das paradas em 6 países e de cara, na semana de lançamento, terem entrado entre os 10 álbuns mais vendidos do Top 200 da Billboard. Outlaw Gentelmen & Shady Ladies pode não ser o melhor álbum da carreira desses dinamarqueses (esse é o 5º de estúdio deles), mas é seu álbum mais variado e aquele que tem tudo para levá-los rumo ao estrelato. Se não é um radical de cabeça fechada, compre já esse álbum para sua coleção!

NOTA: 8,5





segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Paulo Schroeber – Freak Songs (2011)




Paulo Schroeber – Freak Songs (2011)
(Independente – Nacional)

01. Parallel Realities
02. Fast Jazz
03. Give Me A Pill
04. Neoclassical Party
05. Mom’s Patience
06. Fusion Headache
07. Rock It
08. To My Father
09. Good Trip
10. Insert Coins
11. Rabbit Soup
12. The Third Wish

O guitarrista gaucho Paulo Schroeber se tornou conhecido nos últimos anos por seu ótimo trabalho em bandas como Hammer 67, Astafix e principalmente no Almah. Nessa última gravou dois ótimos álbuns de estúdio, mas infelizmente, por questões de saúde, foi forçado a deixar a mesma. Sofrendo de uma rara doença degenerativa do coração, a Miocardiopatia Hipertrófica, Paulo teve que praticamente parar sua carreira em virtude disso, já que uma das principais características de tal doença é justamente o risco de uma morte súbita. Hoje, entre tratamentos e cirurgias, vem travando uma grande batalha por sua vida, nunca abaixando a cabeça e servido de exemplo para muitos que vivem reclamando sem passar por 1% do que ele vem vivendo.
Lançado no ano de 2011, Freak Songs foi até agora seu primeiro e único trabalho solo. Normalmente não tenho muito saco para álbuns solo de guitarristas, já que em sua maioria não passam de um cara querendo mostrar como consegue tocar mais rápido do que os demais, numa fritação e aporrinhação de saco sem tamanho. Felizmente o trabalho de Paulo se encaixa na minoria. Claro que temos aqui faixas velozes, diversidade de estilos e exibição de técnica ao extremo, como em qualquer álbum do estilo, mas tudo isso é feito com muito feeling e bom gosto. Em muitos momentos somos remetidos à obra de outro grande guerreiro, Jason Becker (se não conhece a história desse gênio da guitarra, de uma pesquisada no Google) e em menor escala, a Steve Vai. Mas a verdade é que na maior parte do tempo Paulo mostra muita identidade. Destaques aqui vão para “Fast Jazz”, que é exatamente o que o título diz, um Jazz tocado a toda velocidade, “Give Me A Pill”, com uma agradável levada funkeada (Funk de verdade, não essa coisa que aqui no Brasil leva esse nome), “Mom’s Patience", curta mas com uma melodia muito suave e agradabilíssima e “Rabbit Sup”, que vai te remeter a Becker.
Resumindo, esse é um grande trabalho, indicado não somente a outros guitarristas como também a todo aquele que aprecia música de qualidade e bom gosto. Ao escutar Freak Songs é inevitável lamentarmos o fato de Paulo Schroeber ter que praticamente dar uma pausada na carreira justamente em seu melhor momento. Que ele consiga superar sua doença e nos presentear com muitos outros trabalhos de bom gosto.

NOTA: 8,5





sexta-feira, 20 de setembro de 2013

The Dillinger Escape Plan – One Of Us Is The Killer (2013)




The Dillinger Escape Plan – One Of Us Is The Killer (2013)
(Sumerian Records – Importado)

01. Prancer
02. When I Lost My Bet
03. One Of Us Is The Killer
04. Hero Of The Soviet Union
05. Nothing’s Funny
06. Understanding Decay
07. Paranoia Shields
08. CH 375 268 277 ARS
09. Magic That I Held You Prisoner
10.
Crossburner
11. The Threat Posed By Nuclear Weapons

Desde que conheci o TDEP em 1999, através do clássico Calculating Infinity, esses americanos doentios passaram a fazer parte do hall de minhas bandas preferidas. Não se importando com os limites pré-estabelecidos para a música, abusando da criatividade e impondo uma verdadeira libertinagem musical, sempre procuraram sair da zona de conforto, dando a cara para bater e evoluindo entre um trabalho e outro, apesar de ainda sim conseguir manter sua identidade, muito particular, diga-se de passagem, intacta.
Sendo assim, você leitor/ouvinte conhecedor do trabalho do TDEP sabe exatamente o que irá encontrar em One Of Us Is The Killer, 5º álbum de estúdio da banda (eles ainda possuem alguns ep’s bem interessantes). Música perturbadora, técnica, caótica, desafiadora e como definiram uma vez, claustrofóbica. Sua mistura de Metal, Metalcore, Rock, Hardcore, Jazz e passagens pop, desafiam toda e qualquer unidade estilística. Certamente esse tipo de proposta vai sempre incomodar a uma parte dos headbangers, mas é justamente essa independência de não ser impor limites que os torna uma das bandas mais originais do Metal. É isso que um fã espera e é isso que lhe é oferecido pela banda. Dessa forma, é impossível não abrir um sorriso quando a faixa de abertura, “Prancer”, explode nos falantes. Caótica e infernal, mas com um pequeno acento “melódico”, é uma típica faixa do TDEP. Já “When I Lost My Bet” é agressiva e tensa, com destaque para as guitarras intrincadas de Ben Weiman e os vocais de Greg Puciato. Aliás, isso é algo recorrente durante toda a audição. Vale a pena destacar também a faixa título, “Hero Of The Soviet Union”, uma das faixas mais extremas do álbum e onde resgatam suas raízes Hardcore, “Paranoia Shields”, onde surpreendentemente deixam de lado todo o seu absurdo rítmico, a complexa “Magic That I Held You Prisoner” e “Crossburner”, maior faixa do álbum e que, apesar do início mais arrastado, é mais uma típica música do TDEP.
Toda banda vanguardista e com uma proposta tão ampla do ponto de vista musical, pode mais cedo ou mais tarde acabar desagradando a seus fãs, até porque algumas ideias sempre irão funcionar melhor do que outras. Mas felizmente, ainda não foi dessa vez que isso ocorreu com o TDEP. Com um álbum intenso, dinâmico, pesado, técnico e que certamente exigirá muita paciência por parte daqueles que não estão acostumados com sua sonoridade, acertaram em cheio novamente One Of Us Is The Killer e irão agradar em muito a todos os seus fãs. Se você se encaixa nesse grupo, pode comprar sem medo.

NOTA: 9,0


http://www.youtube.com/user/ChuckBillyTotemPoll