Sim prezados amigos, chegou a época das tão amadas e odiadas listas de "Melhores do Ano". E como sei que vocês adoram uma boa lista, teremos uma overdose delas aqui nos próximos dias. Isso porque além dos tradicionais Top 20 Nacional e Internacional, teremos aqui nos próximos dias listas segmentadas por estilos.
E como digo sempre, não esqueçam, listas refletem muito mais o gosto pessoal de quem a faz do que qualquer outra coisa. Se não encontrou os trabalhos que julgam sendo os melhores, lembrem-se, às vezes um trabalho não “bate” para um como “bate” para outro. Fora que nem sempre tenho tempo ou conhecimento para escutar tudo (são centenas e centenas de lançamentos todos os meses). Fora isso, divirtam-se!
01. Cannibal Corpse - Red Before Black (Metal Blade Records/Rock Brigade Records - Nacional)
02. Ex Deo - The Immortal Wars (Napalm Records/Shinigami Records - Nacional)
03. God Dethroned - The World Ablaze (Metal Blade Records - Importado)
04. Memoriam - For the Fallen (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
05. Nothing Lies Above - Liber Teth (Independente - Nacional)
06. Necrot - Blood Offerings (Tankcrimes Records - Importado)
07. Immolation - Atonement (Nuclear Blast Records/Shinigami Records - Nacional)
08. Lock Up - Demonization (Listenable Records - Importado)
09. Noldor - Condemned To Eternity (Independente - Nacional)
10. Incantation - Profane Nexus (Relapse Records - Importado)
Quase chegaram
- Nervochaos - Nyctophilia (Cogumelo Records - Nacional)
- Azarath - In Extremis (Agonia Records - Importado)
- Gutted Souls - The Illusion of Freedom (Independente - Nacional)
Ex Deo - The Immortal Wars (2017) (Shinigami Records - Nacional)
01. The Rise of Hannibal 02. Hispania (The Siege of Saguntum) 03. Crossing of the Alps 04. Suavetaurilia (Intermezzo) 05. Cato Major: Carthago delenda est! 06. Ad Victoriam (The Battle of Zama) 07. The Spoils of War 08. The Roman
As Guerras Púnicas consistiram em 3 conflitos, ocorridos entre os anos de 264 a.C e 146 a.C, que colocaram frente a frente em campo de batalha as duas maiores forças de sua época, a República Romana e a República de Cartago. Desses conflitos, o mais famoso de todos, conhecido como Segunda Guerra Púnica, ocorreu entre 218 a.C e 201 a.C e terminou com a vitória de Roma. Mas qual o porquê dessa fama? Bem, a resposta se encontra aqui, em The Immortal Wars. Mas antes, vamos contextualizar um pouco, afinal, minha formação em História tem que me servir de algo.
Após a derrota no primeiro conflito, existia um forte sentimento de revanchismo por parte da Cartago, que acabou explodindo quando Aníbal, filho de Amílcar Barca, principal comandante cartaginês na Primeira Guerra Púnica, assumiu o comando da província da Hispânia. Fazendo honrar a promessa que havia feito a seu pai, de que nunca seria amigo dos romanos, iniciou uma campanha que, possui entre suas façanhas, o fato de ter atravessado os Alpes Suíços com seus soldados e elefantes, surpreendendo o exército romano, ao qual derrotou diversas vezes nos mais de 10 anos que ficou em campanha na Península Itálica, apesar das dificuldades para conseguir recursos e reforços serem grandes. Não sem motivo, é considerado por muitos o maior gênio tático militar da história. Mesmo os romanos o respeitavam pelo seu brilhantismo estratégico, tendo adotado muitas de suas táticas posteriormente.
A essa altura, você deve estar ser perguntando o que isso tem a ver com Heavy Metal. Bem, lá vamos nós. Para quem não conhece o Ex Deo, esse é um projeto que nasceu no ano de 2008, pelas mãos de Maurizio Iacono, vocalista e baixista do Kataklysm, com a ideia de falar sobre a história do Império Romano e, dessa forma, prestar uma homenagem às suas raízes italianas. Para facilitar as coisas, optou por chamar seus amigos de banda, os guitarristas Jean-François Dagenais e Stéphane Barbe, o baterista Max Duhamel, posteriormente substituído em ambas as bandas por Olivier Beaudoin, além do baixista Dano Apekian (Ashes of Eden), formando assim, desde o princípio, um time coeso e entrosado. Apostando em um Death Metal Sinfônico pomposo, o debut veio em 2009, Romulus, e seu sucessor, Caligvla, em 2012. Apesar da boa repercussão dos trabalhos, Mauricio anunciou no ano de 2014 uma pausa nas atividades do Ex Deo.
Felizmente, pouco mais de 1 ano depois, anunciou o retorno da banda e que estava começando a trabalhar em um novo álbum. E eis que após um hiato de 5 anos, vem à luz The Immortal Wars, seu trabalho mais maduro e grandioso. Por mais que as qualidades de Romulus e Caligvla sejam inquestionáveis, a verdade é que Iacono conseguiu maximizar as mesmas aqui. O trabalho vocal está soberbo, tanto no que tange a Mauricio, que soa bem mais diversificado aqui, quanto aos corais, simplesmente fabulosos. As guitarras de Dagenais e Barbe despejam riffs realmente fortes e fazem um trabalho muito interessante, além de impor ótimas melodias às canções. A parte rítmica brilha, principalmente a figura de Olivier Beaudoin. Sua bateria soa como um tambor de guerra e faz com que o ouvinte se sinta realmente envolvido nos acontecimentos narrados.
É preciso abrir um aparte no que se refere às orquestrações presentes em The Immortal Wars. Aqui as mesmas ficaram a cargo de Clemens Wijers, ou se preferir, Ardek, tecladista do Carach Angren, e nunca soaram tão grandiosas e pomposas. Muito disso vem do fato de Wijers também estar envolvido com trilhas sonoras cinematográficas, o que ajuda demais no resultado final que escutamos aqui. Os elementos orquestrais presentes não só engrandecem as canções, como também são utilizados para realçar as partes mais pesadas das músicas do Ex Deo. E o resultado disso realmente não poderia ser melhor.
Versando sobre Aníbal e a Segunda Guerra Púnica, The Immortal Wars tem duas partes muito bem definidas. Na primeira, o foco é Aníbal, sua chegada ao poder e o início de sua campanha, enquanto a segunda foca na resposta romana e na figura de Cipião Africano, principal responsável pela derrota do general cartaginês. De cara, um dos pontos altos do trabalho, a bombástica “The Rise of Hannibal”. As orquestrações, coros e narrações dão um clima épico e sombrio à canção que versa sobre o surgimento de Aníbal e sua promessa a seu pai, de que nunca seria amigo dos romanos (algo que seguiu até o fim de seus dias). A enérgica e brutal “Hispania (The Siege of Saguntum)” traz elementos sinfônicos muito bem incorporados, soando opressiva e conseguindo transportar o ouvinte ao cerco de Sagunto. Destaque-se o belo trabalho das guitarras. A sequência se dá com “Crossing of the Alps”, que como o próprio título deixa claro, trata da travessia de Aníbal e seus homens pelos Alpes. Sua melodia, simplesmente épica, e a energia que transborda da mesma, faz dela uma faixa tão destruidora e impactante quanto os 37 elefantes de guerra que o General cartaginês levou consigo para a península itálica. Encerrando a primeira metade e marcando a virada do mesmo, temos a belíssima instrumental “Suavetaurilia (Intermezzo)”, com orquestrações de cair o queixo e que te fazem se sentir parte de um filme.
A segunda metade não poderia abrir de melhor forma do que com “Cato Major: Carthago delenda est!”. O clima bélico que emana da mesma é algo absurdo e é impossível você não se sentir caminhando para uma batalha em meio às Legiões romanas. Bruta, diversificada e com muitas mudanças de tempo, ela eleva ainda mais o tom cinematográfico do álbum, que vai se encaminhando para seu ápice. Eis que chega o momento decisivo da história, com “Ad Victoriam (The Battle of Zama)”. Sombria, com orquestrações grandiosas e um trabalho vocal primoroso não só de Iacono, como dos coros aqui presentes, consegue transpor o ouvinte para o campo de batalha em Zama, presenciando a vitória final de Cipião sobre as tropas de Aníbal, um confronto entre 2 gênios da estratégia militar. E o peso das guitarras é algo brutal. Com a guerra acabada, chega a hora dos vencedores recolherem seus espólios, com a triunfante “The Spoils of War”, a mais feroz e veloz de todas aqui presentes. Bases sólidas e ótimas melodias dão o tom da canção. Para fechar, nada melhor do que louvar a grandiosidade da República de Roma com “The Roman”. Os ótimos corais e orquestrações dão a mesma um ar ainda mais grandioso e memorável, fora os riffs, tão esmagadores quanto as Legiões romanas em batalha. Sem dúvida, o ponto alto de todo trabalho.
Gravado no JFD Studio (Estados Unidos) e no Pirate Studios (Canadá), The Immortal Wars recebeu produção da própria banda, com mixagem e masterização realizadas pelo onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren, no Fascination Street Studios (Suécia). Simplesmente a melhor produção do Ex Deo até hoje, já que soa limpa, clara, permitindo que o ouvinte escute cada mínimo detalhe aqui presente (e são muitos), mas ainda assim pesada e agressiva. A belíssima capa, uma das melhores de 2017, foi obra do renomado Eliran Kantor, que já trabalhou com nomes como Testament, Soufly, Incantation, Iced Earth, Fleshgod Apocalypse, Sodom, Tristania, dentre muitos outros. Já o belíssimo layout do encarte, ficou por conta da esposa de Iacono, Surtsey, da Ocvlta Designs. Simplesmente primoroso.
Grandioso, cinematográfico e épico. Aqui temos três adjetivos que se encaixam com perfeição para definir o que é The Immortal Wars. Variado, pesado, dinâmico e bruto, dificilmente você terá a oportunidade de escutar outros trabalhos nesse ano que mesclem de forma tão perfeita Metal Extremo e Metal Sinfônico. Se esse for o tipo de som que gosta, eis aqui uma das aquisições obrigatórias para sua coleção.
O
guitarrista Mark Jansen é um sujeito inquieto. Após sua saída do After Forever
em 2002, criou o Épica, banda com a qual vêm conseguindo enorme sucesso
praticando uma mistura de Power Metal com Metal Sinfônico. Não satisfeito com
isso, em 2010 criou o Mayan, projeto que aposta em uma espécie de Symphonic
Death Metal. Nele, conta com a presença de dois companheiros de Epica, o
baixista Rob van der Loo e o baterista Ariën van Weesenbeck. Em seu álbum de
estréia, Quarterpastr (11), tinha
também a seu lado a vocalista Simone Simmons. Sendo assim, não é crime algum um
leitor mais desavisado imaginar que o Mayan em nada se difere da banda
principal de Jansen. Pois informo a você que está redondamente enganado.
Em Antagonise, Simone foi substituída pela
italiana Laura Macri, além de termos as participações de Floor Jansen (ex –
After Forever, ReVamp, Nightwish), Marcela Bovio (Stream of Passion) e do
violinista grego Dimitris Katsoulis. Claro que existem similaridades, afinal de
contas existem aqui elementos sinfônicos em profusão que são responsáveis por
todo o clima épico da banda, mas o Mayan é muito mais que isso. Em relação ao
debut, estão sem sombra de dúvidas mais maduros, tendo aperfeiçoado suas
composições e conseguindo um melhor equilíbrio entre as partes mais agressivas
e as melódicas, por mais que cometam aqui e ali um ou outro exagero sinfônico. Ao
contrario do que muitos podem pensar, não apelam aqui para aquele velho clichê
dos vocais estilo “bela e a fera” (os vocais limpos femininos são mais contidos
aqui), já que foco é quase sempre o gutural de Jansen. Quando surge uma voz em
contraponto, na maior parte das vezes a responsabilidade recai sobre os vocais
limpos de Henning Basse (ex-Metalium). Musicalmente, os melhores momentos
ocorrem quando apostam mais no Death Metal. Chamou-me muito a atenção o
conteúdo lírico de Antagonize, que está bem explicitado em sua capa, que
retrata perfeitamente a realidade do mundo atual, onde os governos, através de
estratégia do medo, tentam cada vez mais diminuir a privacidade e aumentar seu
controle sobre as pessoas. Os destaques aqui vão para “Bloodline Forfeit”, “Burn Your Witches”, “Paladines of Deceit”,
“Insano”, uma espécie de interlúdio onde Laura Macri brilha, “Human Sacrifice”, “Enemies of Freedom”
e “I Faceless Spies”.
Pesado,
moderno e versátil, Antagonize é um
trabalho muito agradável de ouvir. Claro, se trata de uma proposta um tanto
complexa, mas ainda sim sua digestão não é tão difícil como se poderia
imaginar. Se você curte bandas como Septicflesh, Fleshgod Apocalypse ou Ex Deo,
certamente irá aprovar o novo álbum do Mayan.
01. Kingborn
02. Minotaur (Wrath of Poseidon)
03. Elegy
04. Towards the Sun
05. Warpledge
06. Pathfinder
07. The Fall of Asterion
08. Prologue
09. Epilogue
10. Under Black Sails
11. Labyrinth
Banda
italiana e Metal Sinfônico. Quando essas duas coisas se juntam, você já imagina
uma banda de Power Metal Melódico na linha do Rhapsody e demais do gênero. Mas
quem conhece o Fleshgod Apocalypse, sabe que a praia aqui é outra, um Death
Metal absurdamente brutal e técnico. Talvez justamente por essa mistura
inusitada do Death com o Symphonic Metal, a banda vem crescendo de forma
exponencial no cenário metálico.
Claro,
estamos diante de um trabalho de difícil apreciação e absurdamente complexo.
Sendo assim, dificilmente o ouvinte ira captar a força do som presente em
Labyrinth já de cara, a não ser aqueles que já acompanham a banda em seus
lançamentos anteriores, Oracles (09) e Agony (11). Desde a abertura, com á
ótima e violenta “Kingborn” até o encerramento, com a instrumental que leva o
nome do álbum, podemos dizer que cada música presente aqui é surpreendente,
pois os rumos que cada canção toma são incertos e inesperados. Musicalmente
falando, não temos grandes diferenças em relação aos trabalhos anteriores da
banda, mas é inegável também que estão com uma sonoridade bem mais madura. A
forma como misturam o seu Death Metal brutal com as parte sinfônicas consegue
soar absurdamente natural e passa longe do exagero e do pedantismo. Um exemplo
disso são os vocais operísticos de Verônica Bordacchini, utilizados na medida
certa. Outros destaques aqui vão para “Minotaur (Wrath os Poseidon)”, bem
acelerada, a caótica “Elegy”, “Pathfinder”, “The Fall of Asterion” e “Under
Black Sails”.
Vale
destacar também a ótima produção de Labyrinth, a melhor da banda até esse
momento, pois conseguiu deixar todos os instrumentos bem audíveis e o som muito
pesado e agressivo. No final, se você já curtia a proposta do Fleshgod
Apocalypse, se tornará ainda mais fã desses italianos, mas, se você se
encaixava naquele grupo que não curtia o som praticado por eles, não é com esse
álbum que irá mudar de opinião. Aqui não tem espaço para meios termos, ou se
ama ou odeia.