terça-feira, 14 de agosto de 2018

Axecuter - A Night of Axecution (2018)


Axecuter - A Night of Axecution (2018)
(Mindscrape Music - Nacional)


01. Intro
02. Attack
03. Raise the Axe
04. Creatures in Disguise – melodias cativantes
05. The Axecuter – forte e enérgica
06. No God, No Devil (Worship Metal)
07. Bangers Prevail – bons riffs
08. Missão Metal (Flageladör cover)
09. Creatures in Disguise (Official Video Clip)

Olha, vamos ser sinceros, o revival pela qual passou o Metal oitentista rendeu muita coisa chata. E se digo isso não é por não gostar do estilo, já que é justamente o contrário, ele foi a base sobre a qual construí todo o meu gosto musical. Se não fosse pelo mesmo, eu provavelmente não estaria aqui escrevendo essa resenha. Mas existem aquelas bandas que fazem tal movimento valer a pena, e esse é o caso dos curitibanos do Axecuter, surgido no ano de 2010 e que em seu currículo, possui um full, Metal Is Invincible (13) e uma infinidade de EP’s e Splits.

Quem já conhece o Axecuter sabe bem o que esperar. Uma viagem musical ao Metal dos anos 80, com uma mescla de Heavy, Thrash e Speed que prima muito pelo peso e agressividade. A base de seu som se aproxima muito daquela sonoridade europeia de bandas como Venon, Sodom, Destruction e Celtic Frost, mas com algo de nomes do outro lado do Atlântico, como Exciter, Razor e afins. Os vocais de Danmented estão mais agressivos do que nunca, enquanto sua guitarra despeja riffs cortantes. O baixo de Rascal e a bateria de Verdani formam uma parte rítmica que prima não só por ser muito coesa, mas também por impor o peso das canções.


Gravado em 12 de maio de 2017, no 92 graus The Underground Pub, A Night of Axecution é um desses álbuns ao vivo que transbordam honestidade. Isso é visível a cada nota tocada pelo Power Trio, fora o fato que conseguem soar ainda mais agressivos do que em estúdio, o que acaba sendo muito positivo. É muito difícil para um fã de Metal oitentista não se empolgar com a intensidade e a crueza de músicas como “Raise the Axe”, a cativante “Creatures in Disguise”, “No God, No Devil (Worship Metal)”, um verdadeiro hino, ou a espetacular “Bangers Prevail”. O maior pecado aqui é a curta duração do álbum. Descontando-se a Intro, são apenas 6 canções retiradas do show, que acabam nos deixando com aquele gosto de quero mais. Para complementar, ainda temos um cover para “Missão Metal”, do Flageladör, que ficou muito legal, e o vídeo para “Creatures in Disguise”.

A produção ficou a cargo de Maiko Thomé e soa crua, mas na medida certa, sem exageros. Conseguiu aliar organicidade com clareza. O único porém fica com relação à captação do público, que você quase não escuta, mesmo a banda interagindo bastante com o mesmo. Já a capa foi obra de Mano Mutilated, e tem toda aquela aura dos anos 80, assim como também o encarte, que teve seu design feito por Tersis Zonato. Executando com perfeição sua proposta, e transbordando paixão pelo Metal, o Axecuter acerta em cheio com A Night of Axecution. É para afastar os móveis e sair batendo cabeça pela sala.

NOTA: 86

Axecuter é:
- Danmented (vocal/guitarra);
- Rascal (baixo);
- Verdani (bateria).

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Pandemmy - Rise of a New Strike (2016)


Pandemmy - Rise of a New Strike (2016)
(Sangue Frio Produções/Burn Distro - Nacional)


01. One Step... Foward
02. Circus of Tyrannies
03. State of War
04. 7000 Days of Terror (and the New Attempt)
05. Almost Dead
06. Rise of a New Strike
07. Inferno is Over
08. Stars of Decadence
09. Against the Perfect Humankind
10. No Reasons for Losses
11. Ecce Homo
12. Nepenthe

Obstante todas as dificuldades que são inerentes a se fazer música pesada no Brasil, o nosso underground continua produzindo boas bandas dentro de todos os estilos do Metal. Ainda sim, não dá para negar uma queda pelos estilos mais extremos, e aqui temos mais um ótimo exemplo disso. Surgido em 2009 na cidade de Recife/PE, o Pandemmy lançou uma Demo e dois EP’s antes de chegar em seu debut, Reflections & Rebellions, no ano de 2013. Nele, era nítido que estávamos diante de um promissor nome do Death/Thrash nacional, bastando um pouco mais de rodagem para que aparassem aquelas arestas típicas de qualquer banda que está surgindo e encontrando seu som.

Após um hiato e profundas transformações, já que apenas o seu guitarrista fundador, Pedro Valença, permaneceu, o Pandemmy nos entregou no ano de 2016 o seu segundo álbum, ainda que apenas em versão digital. No ano seguinte, com o apoio da Sangue Frio Records e da Burn Distro, finalmente a versão física conheceu a luz do dia, acrescida de 2 faixas bônus. Aqui podemos observar uma banda que, apesar das turbulências vividas, maturou a sua sonoridade, que claro, possui todos aqueles elementos tradicionais do estilo, mas que ainda sim consegue não soar datada. Existe algo de atual na música dos recifenses. A velocidade não é a única aposta, e momentos mais cadenciados surgem de forma muito positiva, além de algumas boas melodias que pipocam aqui e ali. Isso deu uma variedade muito maior a música do grupo, evitando que a mesma se tornasse cansativa ou mesmo repetitiva. Como já dito, todos os elementos que esperamos de uma banda que trafega entre o Thrash e o Death se fazem presentes aqui. Os vocais odiosos, as guitarras pesadas e que nos presenteiam com bons riffs e solos de qualidade, e a parte rítmica técnica e diversificada.


Após uma introdução, “Circus of Tyrannies” chega com a força de uma explosão nuclear, devastando os tímpanos de quem estiver pela frente. Rápida e ríspida, se destaca pela força dos seus riffs e pela ótima parte rítmica. “State of War” mantêm o bom nível, mesclando bem velocidade e cadência. A cadência por sinal é o que dá o tom na ótima “7000 Days of Terror (and the New Attempt)”, que possui algumas boas melodias e um belo solo. “Almost Dead” se destaca não só pela velocidade um pouco maior, como também pelo peso e diversidade. “Rise of a New Strike” tem uma pegada mais tradicional, mas mostra boa técnica e muito peso.  “Inferno is Over” é densa, bruta e tem um ar bem sombrio e escuro. É quase Doom. Indo em uma direção oposta, “Stars of Decadence” aposta mais na velocidade, mesmo que tenha um ou outro momento mais cadenciado, e é muito agressiva. “Against the Perfect Humankind” é outra música que impõem respeito, dada a brutalidade e agressividade, e “No Reasons for Losses” encerra mesclando não só velocidade e cadência, como também possui boas melodias. De bônus, 2 covers, “Ecce Homo”, dos também pernambucanos do Decomposed God, onde não procuraram inventar, e “Nepenthe”, dos finlandeses do Sentenced, onde conseguiram dar uma cara toda própria a música.

O álbum teve toda a sua produção por conta de Júnior Supertramp, com coprodução dos guitarristas Pedro Valença e Guilherme Silva. O resultado é muito bom, soando bem orgânico e agressivo, mas você consegue escutar perfeitamente todos os instrumentos. Já a capa e toda parte gráfica forma obra do Deafbird Design Lab, e ficou realmente bem legal. De quebra, ainda tivemos as participações especias de Raphael Olmos em “Rise of a New Strike”, e de Amanda Lins e André Lira em “Nepenthe”, além do saudoso Fabiano Penna, que ao lado de Bruno Marques, foi responsável pelos arranjos da introdução de “No Reasons for Losses”. Mostrando uma maior maturidade e diversidade musical, além de conseguir agregar boas melodias a sua música, mas sem abrir mão do peso e da agressividade, o Pandemmy reforça o potencial mostrado no debut e se coloca a um passo de entrar no grupo dos grandes nomes do Death/Thrash nacional. Em tempo, após o lançamento, o vocalista Vinícius Amorim saiu da banda, e seu posto é hoje ocupado por Rayanna Torres.

NOTA: 85

Pandemmy (Gravação)
- Vinicius Amorim (vocal);
- Pedro Valença (guitarra);
- Guilherme Silva (guitarra);
- Marcelo Santa Fé (baixo);
- Arthur Santos (bateria).

Pandemmy é:
- Rayanna Torres (vocal);
- Pedro Valença (guitarra);
- Guilherme Silva (guitarra);
- Marcelo Santa Fé (baixo);
- Arthur Santos (bateria).

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)


Threesome - Keep on Naked (2017) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Sweet Anger
02. My Eyes
03. ERW

O Rock and Roll sempre foi algo instigante, provocativo e que procurou quebrar tabus. Fosse através de artistas como Chuck Berry e Little Richards, negros que se tornaram ídolos de jovens brancos em uma época que a segregação racial ainda era forte nos Estados Unidos, fosse através de Elvis Presley chocando um país no horário nobre, em rede nacional, ao “mexer as cadeiras”, o embate contra o conservadorismo sempre esteve presente. Nos anos 60, 70 e 80 essa postura provocadora se manteve, e o Rock continuou sendo visto como algo ameaçador a moral e aos bons costumes que imperam entre os “cidadãos de bem”.

Então algo “bugou” no Rock and Roll e ele começou a encaretar. Pior, foi encaretando tanto, mas tanto com o passar do tempo, que começou a beirar o conservadorismo (e aqui estou falando do campo dos costumes). Aliás, beirar não, pois, a cada dia, fica nítido que o estilo vem se tornando coisa de “tiozão conservador”, com capacidade nula de chocar ou provocar. O Rock and Roll hoje em dia não causa mais medo em ninguém, tornou-se a música que embala a rotina do “cidadão de bem”.


Threesome é o equivalente em inglês para ménage a trois. E não me venham dizer que não sabem do que se trata, porque sei que essa é uma das categorias preferidas da maioria de vocês no RedTube e no XVideos. Na boa, poucos nomes poderiam ser mais Rock and Roll do que isso. Do ponto de vista lírico, abordam as relações sexuais e humanas, mas nem sempre em sua forma monogâmica (julgo que ficou meio óbvio dado o nome da banda), e olha, é muito bom ver algo assim sendo abordado de maneira tão aberta e não apelativa. Só em uma sociedade que cada vez se afunda mais e mais em um conservadorismo que beira a hipocrisia, o sexo tende a continuar sendo tratado como um tabu, como algo não natural.

Desabafos a parte, vamos ao que interessa. O Threesome surgiu em 2012 na cidade de Campinas/SP, e 2 anos depois soltou o seu debut, Get Naked, com resultados muito bons. Após isso, o vocalista Bruno Baptista se retirou da banda e o posto passou a ser ocupado por Juh Leidl, dando início assim a uma nova fase, que nos é mostrada através desse EP, Keep on Naked, lançado ano passado. Não é exagero dizer que ele é uma ponte entre o passado e o atual momento do quinteto, e a prova disso é que das 3 faixas, duas são regravações de temas do primeiro álbum, “Why are you so Angry”, que se tornou “Sweet Anger”, e “Every Real Woman”, que passou a se intitular “ERW”. 


Musicalmente temos uma mescla muito legal de Rock dos anos 60 e 70, com Indie e Alternative Rock, que se não é a maior das novidades, acaba por render ótimos resultados. A música do Threesome soa intensa, enérgica e empolga o ouvinte com uma facilidade tremenda, graças também as ótimas melodias. “Sweet Anger” é um Rock forte e direto, como todos deveriam ser. Com uma pegada que a aproxima bem daquele Hard setentista, tem bom peso e ótimos vocais de Juh Leidl, que dão um ar um tanto quanto sensual a canção. “My Eyes” é outra nessa mesma pegada, mas contando com os vocais principais de Fred Leidl, com Juh surgindo em alguns momentos. Essa dinâmica funcionou muito bem e pode ser mais explorada futuramente. Tem um groove muito legal, além de um refrão marcante. “ERW” mais uma vez se destaca pelos vocais e pela pegada bem Rock and Roll, soando bem superior a sua versão original.

A produção é um ponto de destaque, já que todo processo foi realizado por Maurício Cajueiro (Stephen Stills, Steve Vai, Glenn Hughes, Gene Simmons), e feito de forma analógica, dando um ar bem orgânico e cru a música do grupo. Ainda sim, temos total clareza do que escutamos, já que nada é exagerado. A belíssima capa é obra da vocalista Juh Leidl, e reflete com perfeição o que é a banda. Se mostrando mais madura que no debut, com uma sonoridade muito bem definida, e uma proposta lírica provocadora, instigante, e confrontadora, o Threesome está pronto para voar mais alto. Então prezados, coloque o CD para rolar, chame seu companheiro, companheira, ou tudo isso no plural mesmo, e vá viver livre das amarras morais que a sociedade te impõem. Vá ser feliz!

NOTA: 87

Threesome é:
Juh Leidl (vocal);
Fred Leidl (guitarras/piano/vocais);
Bruno Manfrinato (guitarras);
Bob Rocha (baixo);
Henrique Matos (bateria).

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Assessoria de Imprensa


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Melhores álbuns – Julho de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de julho na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. Lucifer - Lucifer II


2º. Arandu Arakuaa - Mrã Waze 


3º. Immortal - Northern Chaos Gods
 

4º. Michael Romeo - War Of The Worlds Pt. 1 


5º. Ultra-Violence - Operation Misdirection


6º. Deafheaven - Ordinary Corrupt Human Love
 

7º. Skeletonwitch - Devouring Radiant Light


8º. Chris Caffery - Jester's Court 


9º. Between the Buried and Me - Automata II


10º. Kissin' Dynamite - Ecstasy
 

Menções Honrosas

- Cabrero - Prelúdio ao Ódio Infundado


- Dee Snider - For the Love of Metal


- DevilDriver - Outlaws ’Til the End, Vol. 1


- Obscura - Diluvium

 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Dimmu Borgir - Eonian (2018)


Dimmu Borgir - Eonian (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Unveiling
02. Interdimensional Summit
03. Ætheric
04. Council Of Wolves And Snakes
05. The Empyrean Phoenix
06. Lightbringer
07. I Am Sovereign
08. Archaic Correspondence
09. Alpha Aeon Omega
10. Rite Of Passage

O que é Black Metal? Uma música visceral, odiosa, anticomercial e niilista? Certamente sim. Hoje o Dimmu Borgir se encaixa nisso? Sinceramente não. Isso é um absurdo, um crime inafiançável? Nunca. Aliás, é curioso observar uma parcela do público criticando os noruegueses nesse sentido, e usando os anos 90 como parâmetro para tal fala. Quem viveu a época do lançamento de Enthrone Darkness Triumphant (97), por exemplo, escutou esse mesmo discurso por parte dos fãs de Black Metal do período. Para eles, a banda já havia abandonado os padrões do estilo e não merecia receber tal rótulo. Hoje esse mesmo álbum é utilizado como parâmetro por seus detratores, para dizer que hoje são mais uma banda do estilo. O mundo dá voltas.

Segundo a linha de pensamento de Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C.), ninguém entra duas vezes em um mesmo rio, já que na segunda vez, tanto a pessoa quanto o rio já se modificaram. Não são mais as mesmas águas, não se é mais o mesmo ser. O mundo está em movimento constante, tudo flui, tudo é dinâmico e nada pode ficar parado. O Dimmu Borgir completou em 2018, 25 anos de carreira, e nada mais normal que depois de mais de duas décadas, certas coisas mudassem. Então se você alimentava uma volta ao passado depois de um hiato de 8 anos sem um álbum de inéditas, certamente vai se decepcionar, pois, o que temos aqui é um passo evolutivo em relação ao seu trabalho anterior, o contestado por muitos, Abrahadabra (10).


Hoje o Dimmu Borgir é em sua essência, uma banda de Metal Sinfônico. Isso pode ser decepcionante para alguns, mas não diminui em nada o trabalho dos noruegueses. Eonian não é um álbum fácil, e confesso que em uma primeira audição, a chave não virou de imediato. Senti que existia muito mais naquelas 10 canções do que a minha sensação inicial, e decidi que não teria pressa com o mesmo. Vou dizer que foi a melhor escolha que fiz. Dessa vez Shagrath (vocal), Silenoz e Galder (guitarras), mais uma vez acompanhados de Gerlioz (teclado) e Daray (bateria), acertaram a mão em cheio quanto ao equilíbrio do lado Metal e o Sinfônico. Ao contrário de seu trabalho anterior, as guitarras soam pesadas e não ficam soterradas pelos arranjos orquestrais e corais. Você consegue focar suas atenções nos riffs, que em alguns casos sim, remetem ao passado Black Metal da banda, assim como nos demais instrumentos.

O álbum abre com “The Unveiling”, que possui em sua introdução os elementos industriais já conhecidos no trabalho da banda. Galder e Silenoz se saem muito bem nas guitarras, entregando bons riffs, que conseguem se destacar no meio de tanta coisa acontecendo. A participação do Schola Cantorum, mais uma vez responsáveis pelos corais, causam impacto quando surgem. A 1ª vez que escutei “Interdimensional Summit”, senti certa decepção, pois, a achei pomposa em demasia e com cara de sobra do Abrahadabra. Com o tempo essa percepção foi se alterando. Melódica, grudenta, versátil e com um refrão grandioso (responsabilidade dos corais), acabou se tornando uma das minhas faixas preferidas. “Ætheric” é o que podemos chamar de um Black 'n' Roll. Riffs frios e pegajosos, mudanças de tempo bem interessantes e corais simplesmente bombásticos a colocam em uma posição de destaque no álbum.

“Council Of Wolves And Snakes” se mostra densa e com bastante refinamento. As guitarras trazem bom peso, e elementos tribasi são adicionados, através da percussão, a cargo de Martin Lopez (Soen, ex-Opeth), e de vocais xâmanicos executados por Mikkel Gaup. Os teclados de Gerlioz também assumem uma posição de destaque e são responsáveis por algumas passagens bem atmosféricas e etéreas. “The Empyrean Phoenix” é o que podemos chamar de um jogo de luz e sombras. Possui aquela escuridão típica do Black Metal, com guitarras que nos entregam riffs sombrios e um tanto gélidos, mas, ao mesmo tempo, os corais e as partes sinfônicas iluminam a canção, dando até mesmo certo ar dramático à mesma. “Kings of Carnival Creation” encontra-se com “Mourning Palace”. Pode soar exagerado, mas essa é realmente uma boa definição para “Lightbringer”. Os teclados dão um ar atmosférico, as guitarras e a percussão te hipnotizam. Tem aquele ar malévolo do Dimmu Borgir antigo, mas adaptado para uma nova realidade sonora.


“I Am Sovereign” é certamente o momento mais Black de todo o álbum, já que várias passagens pendem para o estilo. Sim amigos, aqui você consegue ter vislumbres daquela faze noventista da banda. Épica, dramática e melancólica, possui algumas melodias orientais bem interessantes. Já “Archaic Correspondence” tem uma abordagem ligeiramente mais minimalista da coisa, com guitarras pesadas e bons desempenhos da bateria e do teclado. “Alpha Aeon Omega” me levou aos tempos de Death Cult Armageddon (03), e possui aquele ar grandioso típico de uma música como “Progenies Of The Great Apocalypse”. Aliás, desde Puritanical Euphoric Misanthropia (01), todo álbum do Dimmu possui uma música com essa pegada. O final se dá com a instrumental “Rite Of Passage”, bem melancólica e que passa uma sensação de vazio, de solidão, em que ouve.

Produzido pela própria banda, o álbum teve a coprodução do onipresente, onipotente e oniciente Jens Bogren, que também foi responsável pela mixagem. A masterização foi realizada por Tony Lindgren. O resultado é excelente, já que apesar de termos uma infinidade de coisas ocorrendo ao mesmo tempo, em nenhum momento a música fica confusa. A capa foi obra de Zbigniew M. Bielak (Ghost, Behemoth, Paradise Lost, Deicide), com layout sob a supervisão do brasileiro Marcelo Vasco e Shagrath. Durante a audição, é nítida a paixão de todos pela música que executam, e isso é certamente responsável por fazer desse um material divertido de se escutar. Mais épico e sinfônico do que tudo já feito agora, mas sem os exageros cometidos no passado, com corais e elementos orquestrais majestosos, ótimas melodias e guitarras que dão peso as composições, esse é simplesmente sua obra mais ambiciosa até então. Sem dúvida, seu melhor e mais sólido álbum dos últimos 15 anos.

NOTA: 86

Dimmu Borgir é:
- Shagrath (vocal/teclado);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo).

Dimmu Borgir (gravação):
- Shagrath (vocal/teclado/baixo);
- Silenoz (guitarra/baixo);
- Galder (guitarra/baixo);
- Daray (bateria);
- Gerlioz (teclado);
- Martin Lopez (percussão na faixa 4);
- Mikkel Gaup (vocl na faixa 4).

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