quinta-feira, 19 de julho de 2018

Amorphis- Queen of Time (2018)


Amorphis- Queen of Time (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Bee
02. Message in the Amber
03. Daughter of Hate
04. The Golden Elk
05. Wrong Direction
06. Heart of the Giant
07. We Accursed
08. Grain of Sand
09. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast
11. As Mountains Crumble (Bônus)
12. Brother and Sister (Bônus)

O que fazer quando você chega ao ponto máximo da sua carreira e lança um trabalho que beira a perfeição? Essa é a pergunta que muitos devem ter feito após o Amorphis lançar o magistral Under the Red Cloud (15). Mas então você percebe que essa é a mesma banda que lançou Elegy (96), Tuonela (99) e Eclipse (06), trabalhos que suscitaram o mesmo tipo de questionamento, e que, ainda assim, conseguiu ir além em trabalhos posteriores, sempre se superando em matéria de criatividade e qualidade. Talvez na esperança de seu antecessor não ter sido o auge estivesse a justificativa para a minha ansiedade em escutar Queen of Time, o 13º trabalho de estúdio do sexteto finlandês.

Bem, antes de tudo, vale citar que Queen of Time marca o retorno ao Amorphis do seu baixista original, Olli-Pekka Laine, que havia saído da banda após Tuonela, sendo substituído por Niclas Etelävuori. Com a saída do mesmo ano passado, ele retornou ao seu posto, fazendo com que hoje os finlandeses tenham em sua formação o quarteto original que gravou o debut do grupo, The Karelian Isthmus (92). É algo no mínimo curioso, pois quando você coloca os dois trabalhos frente a frente, eles parecem díspares, por mais que os músicos envolvidos sejam praticamente os mesmos. É como se tivéssemos duas bandas completamente diferentes. Mas sabe o que é mais legal? É que apesar de tudo isso, ambas soam como o Amorphis.

Quem acompanha a carreira dos finlandeses desde o início sabe bem que nunca se acomodaram. O Amorphis é aquela banda que sempre procurou dar um passo à frente no que tange sua sonoridade, transformando radicalmente aquele Death Metal apresentado no debut em uma música que desafia rótulos. Além do já citado estilo, sua música apresenta elementos de Folk, Progressivo, Música Oriental, além de coros e partes sinfônicas. Toda essa diversidade os torna únicos, já que não existe um nome que pareça com eles no cenário atual. A verdade é que só o Amorphis soa como Amorphis, e convenhamos, personalidade musical é coisa cada vez mais rara nos dias de hoje.


Criatividade, eis a palavra-chave para entender Queen of Time. Se você, como eu, achava que Under the Red Cloud havia sido o auge do Amorphis, se prepare para rever seus conceitos, pois aqui eles elevaram ainda mais o nível do sarrafo. Não é exagero dizer que refinaram ainda mais o resultado do trabalho anterior, e um exemplo claro disso se dá quanto aos elementos orquestrais e aos coros. Pela primeira vez utilizaram instrumentos e coral reais, com as orquestrações elaboradas por Francesco Ferrini, do Fleshgod Apocalypse, e os coros pelo Hellscore Choir. Além disso, temos diversas outras participações especias, com destaques para as vocalistas Noa Gruman (Scardust) e Anneke van Giersbergen, Jørgen Munkeby (Shining) e a dupla do Eluveitie, Chrigel Glanzmann (que dessa vez participou de todo álbum) e Matteo Sisti.

Os vocais de Tomi Joutsen, como de praxe, são um diferencial imenso para o resultado do álbum, já que a forma como ele trafega entre o gutural e o limpo é simplesmente incrível. E toda essa parte de vocalização ainda é enriquecida com os belos coros e vocais adicionais femininos que surgem em algumas canções. Aliás, sobre isso, eu não me incomodaria em nada se estivessem presentes em todas, pois se encaixam com perfeição na proposta atual do Amorphis. As guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari nos entregam ótimos riffs e aquelas melodias inconfundíveis e grudentas, além de claro, bastante peso. Elas são muitíssimo bem acompanhadas pelos teclados de Santeri Kallio, responsável por criar atmosferas incríveis. Sua capacidade criativa deve ser estudada pela ciência. Quanto à parte rítmica, com Olli e Jan, o trabalho se aproxima da perfeição, tamanha a coesão e a diversidade que imprimem.

De cara, já abrem com uma dessas canções destinadas a se tornarem clássicas. “The Bee” é tudo aquilo você espera de uma canção do Amorphis, já que esbanja peso, tem algumas das melodias mais grudentas de todo o álbum, um refrão que fica na sua cabeça por dias e mais dias, atmosferas que remetem ao Oriente e ótimas vocalizações, tanto de Tomi quanto de Noa Gruman, que adiciona alguns vocais adicionais femininos à música e Albert Kuvezin, com alguns cantos harmônicos que ficam de fundo na canção (saca aqueles vocais que você encontra nos álbuns do Tengger Cavalry?). A bateria também está ótima, pesada e precisa. “Message in the Amber” é uma dessas canções onde o lado Folk fala um pouco mais alto, com belas vocalizações limpas de Joutsen, boa utilização de instrumentos de sopro e riffs marcantes. Os coros também ficaram belíssimos, e tem um forte impacto quando surgem. “Daughter of Hate” tem alguns riffs muito bons, e claro, melodias que cativam. Possui peso de sobra, ótimos guturais e em determinado momento, um solo de saxofone, cortesia de Jørgen Munkeby, do Shining. Os coros novamente surgem impactantes aqui.


“The Golden Elk” é outra que já nasceu clássica, e por algum motivo me remeteu a “Sacrifice”, do álbum anterior. Possivelmente a culpa é do refrão cativante e grudento, que já está há semanas na minha cabeça. As belíssimas orquestrações, a participação de Affif Merhej tocando oud (instrumento oriental semelhante ao alaúde) e o vocal feminino adicional de Noa certamente vão remeter o ouvinte ao Orphaned Land. Vale citar que as partes orquestradas do álbum são tocadas pela The Orphaned Land String Orchestra, e que Gruman fez os vocais femininos e cuidou dos arranjos e condução dos coros de Unsung Prophets & Dead Messiahs, último trabalho dos israelenses.“Wrong Direction” é dessas canções bem diretas e que gruda na cabeça, muito disso devido às melodias de guitarras e teclado, que são ótimas. Orquestrações e coros surgem discretamente de fundo, muito bem encaixados. “Heart of the Giant” tem os teclados de Santeri se destacando, ótimo trabalho das guitarras, além de um forte clima oriental e lindos coros que elevam a música a outro patamar. “We Accursed” traz o lado Folk à tona novamente, com elementos orquestrais sendo muitíssimo bem usados. O teclado novamente entrega boas melodias em parceria com as guitarras.

O clima oriental novamente dá as caras na ótima “Grain of Sand”, bem pesada e com uma ótima participação do baixo. O que dizer de “Amongst Stars”? Essa música tem algo de mágico, e isso não se dá apenas pela encantadora participação de Anneke van Giersbergen. Aliás, a respeito disso, é incrível como ela e Joutsen se completam, e como isso acrescenta muito à canção. Sério, dá até para ficar imaginando como seria se ela se tornasse parte do Amorphis. Mas isso é claro, é um desses sonhos completamente improváveis. Os elementos de Folk surgem muito bem em determinado momento, além de a canção possuir uma pegada que remete à fase mais Prog da banda (The Beginning of Times (11) e Circle (13)). Já é clássica! Encerrando a versão padrão do álbum, temos a ótima  “Pyres on the Coast”, que talvez seja o retrato perfeito de tudo que escutamos anteriormente. Ótimos guturais, melodias cativantes oriundas das guitarras e teclados, orquestrações simplesmente grandiosas, belíssimas harmonias e muita energia, apesar da aparente suavidade da canção. Na versão nacional, ainda temos duas faixas bônus que conseguem manter o alto padrão de qualidade do álbum, a belíssima “As Mountains Crumble” e “Brother and Sister”.

A produção mais uma vez ficou por conta do onisciente, onipresente e onipotente Jens Bogren, que a essa altura já dispensa qualquer tipo de apresentação. O seu entrosamento com a banda é tão bom, que eles já deixaram claro que não pretendem trabalhar com outro produtor no futuro. Ele também é o responsável pela mixagem. Já a masterização foi feita por Tony Lindgren (Kreator, Angra, Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost). Não é necessário então falar da qualidade final da produção, pois todos já imaginam. A capa é obra de Jean “Valnoir” Simoulin, o mesmo responsável pela de Under the Red Cloud, e que também trabalhou com nomes como Alcest, Behemoth, Paradise Lost, Morbid Angel e Orphaned Land. Passando longe da previsibilidade dos dias atuais, mais uma vez o Amorphis se mostra um dos nomes mais criativos, originais e fascinantes do cenário metálico atual, e nos entrega com Queen of Time, um fortíssimo candidato a melhor álbum de 2018.

NOTA: 94

Amorphis é:
- Tomi Joutsen (vocal);
- Esa Holopainen (guitarra);
- Tomi Koivusaari (guitarra);
- Olli-Pekka Laine (baixo);
- Jan Rechberger (bateria);
- Santeri Kallio (teclado).

Participações especiais:
- Noa Gruman (vocal adicional nas faixas 1, 2 e 4)
- Albert Kuvezin (Throat singing na faixa 1)
- André Alvinzi (teclados adicionais na faixa 1)
- Pekka Kainulainen (narração na faixa 2)
- Jørgen Munkeby (saxofone na faixa 3)
- Affif Merhej (Oud na faixa 4)
- René Merkelbach (vocal adicional na faixa 9)
- Anneke van Giersbergen (vocal adicional na faixa 9)
- Chrigel Glanzmann (flautas)
- Matteo Sisti (flautas)

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terça-feira, 17 de julho de 2018

Huey - Ma (2018)


Huey - Ma (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Inverno Inverso
02. Wine Again
03. Pei
04. Mother's Prayer
05. Adeus Flor Morta
06. Mar Estar
07. Fogo Nosso
08. 0+

Fazer Metal no Brasil não é nada fácil. Fazer Doom/Stoner, é ainda mais complicado. Música Instrumental? As dificuldades duplicam. O que dizer então de uma banda que junta tudo isso em sua música? Esse é o caso do Huey, quinteto paulistano formado por Dane El, Minoru e Vina (guitarras), Vellozo (baixo), e Rato (bateria), surgido em 2010 e que já tem na bagagem 1 EP, ¡Qué no me chingues wey! (10), 2 singles, Por Detrás de Los Ojos (12) e Valsa de Dois Toques (14), e seu debut, Ace, lançado no ano de 2014.

Após um hiato de 4 anos, o Huey chega a seu sucessor, intitulado Ma, que nada mais é do que uma palavra japonesa que significa justamente um espaço ou pausa entre duas partes. Um ótimo nome para um segundo álbum. É possível observar que nesse intervalo de tempo, o quinteto amadureceu ainda mais seu som, que soa homogêneo e diverso. A base da música é o Stoner/Doom, algo inegável, mas não deixam de combinar isso com estilos diversos como Progressivo, Noise e Post-Rock, o que termina enriquecendo ainda mais o ótimo resultado. Alternam momentos de fúria e intensidade, com outros mais calmos, muito disso devido as ótimas variações de andamento, o que avita que tudo soa repetitivo e cansativo. As guitarras têm um papel central na música do quinteto, com bons riffs e melodia, além de muito peso, e a parte rítmica se destaca pelo groove e precisão.


O álbum abre com “Inverno Inverso”, que possui bons riffs, bastante peso e algo de Sludge para temperar. “Wine Again” tem ótimas guitarras, além de um ótimo desempenho do baixo, enquanto a áspera “Pei” pende mais para o Stoner. “Mother's Prayer” esbanja peso e tem influências de Post-Rock, e “Adeus Flor Morta”, outra que também pende mais para o Stoner, é intensa, forte e também se destaca pelo trabalho do trio de guitarristas. “Mar Estar” esbanja peso, além de ser bem densa, assim como “Fogo Nosso”, um Stoner que te faz viajar diretamente aos anos 70, graças à influência de Blues que a mesma recebe, além dos riffs marcantes. Para encerrar, temos a ótima “0+”, uma dessas músicas que transborda energia por todos os poros, com uma parte rítmica que se sobressai.

Gravado no Family Mob Studios (São Paulo/SP), o álbum teve produção e mixagem realizadas pelo renomado Steve Evetts, que já trabalhou com nomes como Sepultura, Incantation, Prong, Havok e Symphony X, com a masterização realizada por Alan Douches (Baroness, The Obsessed, Pentagram, Motörhead, Mastodon). O resultado é ótimo. Já a bonita capa foi obra de Fábio Cristo. Com um trabalho maduro, coeso, variado, mas que prima pela homogeneidade no que se refere a qualidade das canções aqui executadas, o Huey vai agradar não só aos amantes de música instrumental, como também aos que apreciam um bom Doom/Stoner. Aos que se interessaram, Ma pode ser adquirido pela gravadora, através do e-mail store@blackholeprods.com

NOTA: 88

Huey é:
- Dane El (guitarra);
- Minoru (guitarra);
- Vina (guitarra);
- Vellozo (baixo);
- Rato (bateria).

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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Warshipper - Black Sun (2018)


Warshipper - Black Sun (2018)
(LAB 6 Music/Brutaller Records/Damned Records/Rapture Records - Nacional)


01. Nemesis (Intro)
02. Glowworm Dragon
03. Cry of Nowhere
04. Black Sun (Part I, II & III)
05. Rebirth
06. Abandoment
07. Descending - Genesis & Ontogenesis
08. Deathblast Overhead (Intro)
09. M.E. 262
10. Delusions of Grandeur

Deve existir alguma coisa na água que bebemos que faz com que o Brasil tenha uma capacidade ímpar de gerar bons nomes em vertentes mais extremas do Heavy Metal. Surgido no ano de 2011, na cidade de Sorocaba/SP, o Warshipper se envereda pelos caminhos do Death Metal, com uma sonoridade bruta e pesada. O seu EP de estreia, Worshippers of Doom (14), já havia chamado a atenção dos que acompanham mais atentamente o nosso underground, gerando assim certa expectativa para o seu debut.

Eis que finalmente, após 4 anos de espera, temos em mãos Black Sun, o debut do quarteto formado por Renan Roveran (vocal/guitarra, ex-Bywar), Rafael Oliveira (guitarra), Rodolfo Nekathor (baixo, ex-Zoltar) e Roger Costa (bateria). E o que podemos observar é uma banda que amadureceu sua música nesse meio tempo, passando a equilibrar com muita maestria peso, brutalidade, agressividade, técnica e melodia, gerando assim uma sonoridade de muita qualidade e que prima principalmente por não soar datada, já que tem uma pegada mais “moderna”, e por possuir personalidade própria, algo raro em bandas mais novas.

Após a breve introdução, surge a ótima “Glowworm Dragon”, veloz e simplesmente esmagadora, com guitarras pesadas, boas melodias e ótimo desempenho da parte rítmica. “Cry of Nowhere” até parece que vai ser mais cadenciada, mas então explode no mais puro Death Metal, abusando da brutalidade e dos ótimos riffs. “Black Sun (Part I, II & III)” é dessas canções épicas. Em seus 10 minutos de duração, mostra muita diversidade, complexidade e tem passagens cadenciadas que são simplesmente primorosas, que dão um ar bem opressivo à canção. Pense em uma faixa esmagadora e com potencial para triturar tímpanos. Essa é “Rebirth”. Com uma levada mais cadenciada, e ótimo trabalho tanto das guitarras quanto da parte rítmica, é um dos destaques do álbum.


A segunda metade do álbum abre com “Abandoment”, que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pela boa técnica dos músicos. Já “Descending - Genesis & Ontogenesis” é tão densa e intensa, que quase se solidifica diante de você. Destaque para o belíssimo trabalho das guitarras e as boas melodias que dele provêm. Após outra breve introdução, surge “M.E. 262”, uma dessas canções que transborda fúria e agressividade por todos os poros. Encerrando o álbum e mantendo a qualidade lá em cima, temos “Delusions of Grandeur”, onde mostram não só muita técnica, como também esbanjam peso e agressividade. Não existia forma melhor de fechar Black Sun.

A produção ficou a cargo da banda e de Rafael Augusto Lopes (Fanttasma, Lothlöryen, Hangar), sendo que este também foi o responsável pela mixagem e masterização. O resultado final é muito bom, pois mesmo tendo deixado tudo muito claro, não abriu mão em momento algum da agressividade. Já a capa e parte gráfica é mais um belo trabalho de Alcides Burn (Blood Red Throne, Queiron, Headhunter D.C., Malefactor, Nervochaos), da Burn Artworks. Com um Death Metal enérgico e bruto, e abusando do peso, o Warshipper se coloca entre as principais promessas do estilo no Brasil, e mostra potencial para voar muito mais alto em seus próximos trabalhos. Mais do que indicado aos que curtem um bom Death Metal.

NOTA: 87

Warshipper é:
- Renan Roveran (vocal/guitarra);
- Rafael Oliveira (guitarra);
- Rodolfo Nekathor (baixo);
- Roger Costa (bateria).

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Dysnomia - Anagnorisis (2018)


Dysnomia - Anagnorisis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Anagnorisis
02. Vorax Chronos
03. The Fall Of Phaethon
04. Janus – Faced Serpents
05. Library Of Babel
06. Prometheam
07. Occam’s Razor
08. Sertões

Como é legal você poder acompanhar o desenvolvimento de uma banda, trabalho após trabalho. O Dysnomia surgiu no ano de 2006, na cidade de São Carlos/SP, e em 2013 lançou um bom EP, As Chaos Descends, onde apresentava um Death/Thrash que primava pela agressividade. O passo seguinte se deu 3 anos depois com seu debut, Proselyte (resenha aqui), onde ficava nítida a evolução do quarteto, que soava mais coeso e maduro, refinando um pouco mais as composições, adicionando um pouco de melodia, mas sem abrir mão da brutalidade. A impressão deixada foi das melhores, e ficava nítido que estávamos diante de um novo nome muito promissor.

E eis que Anagnorisis vem para confirmar aquela sensação de 2 anos atrás. Estreando um novo guitarrista em estúdio, Fabrício Pereira, o quarteto completado por João Jorge (vocal/guitarra), Denílson Sarvo (baixo) e Érik Robert (bateria) dá um passo além e leva sua sonoridade um nível acima em matéria de qualidade. Equilibrando de forma magistral um Death Metal mais técnico com um Thrash Metal mais atual, o Dysnomia acaba gerando uma música que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pelas boas melodias e pelas passagens mais grooveadas que dão um diferencial às canções. Essas, por sinal, passam longe de soarem repetitivas, graças às boas mudanças de andamento que surgem a todo momento.

O vocal de João continua trafegando entre o gutural e o rasgado, enquanto sua guitarra, ao lado da de Fabrício, são responsáveis por um ótimo trabalho, já que nos entregam riffs realmente diferenciados. A parte rítmica, com Denilson e Érik se mostra mais entrosada e afiada do que nunca, o que não podia ser diferente, já que tocam juntos desde o surgimento da banda. Outro diferencial importante se dá nas letras, e isso é algo que preciso muito destacar. Elas são de extrema inteligência, e através da mitologia grega, filosofia e literatura, abordam diversos problemas de nossa sociedade, como a hipocrisia, só para ficar em um exemplo. Vale muito a pena prestar atenção nas mesmas. E de quebra, temos no encarte citações a nomes como Álvaro de Campos, Hesíodo e José Luis Borges, dentre outros.


“Anagnorisis” abre o álbum esbanjando peso, se destacando principalmente pelos ótimos arranjos e pelo belo trabalho das guitarras. “Vorax Chronos” vem na sequência, pendendo um pouco mais para o Death Metal, esbanjando brutalidade e com um ótimo desempenho da parte rítmica. “The Fall Of Phaethon” possui partes mais cadenciadas, que soam muito bem, e um bom groove. As guitarras nos entregam ótimos riffs e o vocal também se sobressai. “Janus – Faced Serpents” prima mais pelo tradicionalismo e pela energia, além de possuir boa técnica, enquanto “Library Of Babel” é outra que apresenta um bom groove e diversidade. “Prometheam” equilibra Death e Thrash com maestria, e apresenta mudanças de tempo interessantes, e “Occam’s Razor” faz jus ao nome, com seus riffs afiados e cortantes, além de ótimos solos e boa técnica. Encerrando o álbum, temos a ótima “Sertões”, bem agressiva, diversificada e onde apresentam elementos de ritmos brasileiros, com direito a uma citação ao grande Patativa do Assaré.

Assim como em Proselyte, a produção ficou a cargo da banda e de Gabriel do Vale, com um resultado não menos que ótimo e que nada fica devendo para produções gringas. É clara e límpida, mas manteve o peso e a agressividade que a música do quarteto pede. A capa e toda a parte gráfica dessa vez ficou por conta do talentoso Carlos Fides (Evergrey, Almah, Semblant, Noturnall) e se encaixa perfeitamente na sonoridade e temáticas abordadas pela banda. Com Anagnorisis, o Dysnomia deixa o time das promessas e se torna uma realidade do Metal no Brasil. Com uma música pesada, bruta, agressiva e muita equilibrada, esse é daqueles álbuns feitos sob medida para moer as vértebras do seu pescoço. Um dos melhores álbuns nacionais de 2018 que escutei até o momento.

NOTA: 87

Dysnomia é:
- João Jorge (vocal/guitarra);
- Fabrício Pereira (guitarra);
- Denílson Sarvo (baixo);
- Érik Robert (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Funeratus - Accept the Death (2018)


Funeratus - Accept the Death (2018)
(Distro Rock Records/Extreme Sound Records  - Nacional)


01. Accept the Death    
02. Rise and Fall Again   
03. Asphalt Eaters
04. Lost Souls
05. Indian Healing
06. Follow the Track
07. Victory
08. Vision from Hell
09. Endless Battle

O Brasil sempre gerou grandes nomes quando se trata das vertentes mais extremas do Metal, e convenhamos, falar disso é quase como chover no molhado. Fica até parecendo que é fácil fazer música pesada no Brasil, o que passa longe de ser uma verdade. A vida no underground não é fácil e muito menos justa, e uma prova disso são os paulistas do Funeratus. Surgido em 1993, o trio hoje formado por Fernando (Vocal/Baixo), André Nálio (Guitarra) e Guru Reis (Bateria), angariou nesses 25 anos de carreira o respeito daqueles que acompanham a cena nacional, mas isso não se refletiu em popularidade e quantidade de lançamentos. Uma injustiça.

Para os que não conhecem, o que temos aqui é aquele bom e velho Death Metal bruto, agressivo e pesado que se popularizou nos anos 90 e que em muitos momentos vai remeter o ouvinte a grandes nomes do estilo nesse período, como Morbid Angel e Krisiun, duas das influências mais perceptíveis. Mas veja bem, estou falando aqui de influência e não de simples emulação. Apesar dos 25 anos de estrada, Accept the Death é apenas o terceiro álbum completo de estúdio da banda, e surge 14 anos após seu antecessor, Echoes in Eternity (04), e 9 anos depois do EP Vision from Hell (09).

Esse grande intervalo de tempo acabou sendo positivo para o Funeratus, fazendo de Accept the Death indiscutivelmente seu melhor álbum até então. Aqui vemos o trio mais amadurecido e coeso, reflexo de uma formação que toca junta desde 2001. Os vocais de Fernando soam brutos (com algo de Morbid Angel antigo neles), e seu desempenho no baixo é não menos que excelente, já que o instrumento se faz bem presente durante toda a audição. André se destaca com riffs afiadíssimos e solos de qualidade, enquanto a bateria de Guru nos entrega muita precisão e uma avalanche de blast beats. Musicalmente a velocidade dá o tom da música do trio, mas passagens cadenciadas são inteligentemente inseridas, o que dá mais variedade às canções e evita aquele sentimento incômodo de que você está escutando a mesma música ad eternum. 


Sem perder tempo, o álbum abre com a faixa título, pesada, com ótimos riffs e levemente mais cadenciada (mas, ainda assim, veloz). Uma abertura perfeita, que é seguida da variada “Rise and Fall Again”, que alterna muito bem velocidade e cadência, com destaque para a dupla Fernando/Guru. “Asphalt Eaters” não alivia na agressividade e tem pitadas de HC e Thrash Metal que ajudam ainda mais nesse sentido. “Lost Souls” é simplesmente esmagadora, abusando da velocidade e contando com um bom solo, enquanto “Indian Healing” se mostra curta e grossa, com a força de um murro no pé da orelha. “Follow the Track” se mostra bruta e técnica, com uma influência saudável de Thrash Metal que faz dela um dos grandes destaques de todo o trabalho. “Victory” é outra que se destaca pelo peso absurdo, muito disso devido à sua cadência. A sequência final não abranda em nada a fúria, com “Vision from Hell” e a instrumental “Endless Battle”.

A produção coube à banda, em parceria com Joca Street, com a mixagem e masterização sendo realizadas na Alemanha, por Andy Classen (Rotting Christ, Tankard, Krisiun, Belphegor, Destruction). O resultado final é muito bom, já que conseguiu deixar tudo muito claro e audível, mas sem perder a agressividade que é necessária ao estilo. Já a capa e parte gráfica são mais um belo trabalho de Alcides Burn. Apresentando um trabalho forte, com boa técnica e muita coesão e precisão, o Funeratus mostra porque é um dos grandes nomes do Death Metal nacional e chega para ocupar de vez o espaço que lhe é de direito. Indiscutivelmente, um dos grandes álbuns do estilo que você irá escutar por aqui nesse ano de 2018.

NOTA: 86

Funeratus é:
- Fernando (Vocal/Baixo);
- André Nálio (Guitarra);
- Guru Reis (Bateria).

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domingo, 1 de julho de 2018

Melhores álbuns – Junho de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de junho na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. A Sound Of Thunder - It Was Metal 


2º. The Night Flight Orchestra - Sometimes the World Ain't Enough 


3º. Khemmis - Desolation
 

4º. Ghost - Prequelle 


5º. Nervosa - Downfall of Mankind


6º. Marduk - Viktoria
 

7º. Refuge - Solitary Men


8º. Sear Bliss - Letters From The Edge


9º. Orange Goblin - The Wolf Bites Back


10º. Sacrificed - Enraged
 

Menções Honrosas

- Kataklysm - Meditations


- Funeral Mist - Hekatomb


- Nordheim - Enter the Wolf


- Stormwitch - Bound to the Witch