sexta-feira, 23 de março de 2018

Judas Priest – Firepower (2018)


Judas Priest – Firepower (2018)
(Sony Music – Nacional)


01. Firepower
02. Lightning Strike
03. Evil Never Dies
04. Never the Heroes
05. Necromancer
06. Children of the Sun
07. Guardians
08. Rising from Ruins
09. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red

Lá se vão quase 50 anos de carreira. E não falamos de qualquer carreira, já que Judas Priest é o principal responsável por moldar todo um estilo, a ponto de ser impossível dissociar o nome da banda do Heavy Metal. Mas a verdade é que, gostem os mais fanáticos ou não, obstante o tamanho da lenda, faz tempo que o Judas não lança um trabalho que seja capaz de unir seus fãs, que te faça escutar o mesmo e pensar que estamos diante de um possível clássico. Mas convenhamos, nem dá para condená-los, afinal, faz parte do cerne do ser humano se acomodar com algumas situações.

De meados dos anos 90 para cá, as coisas não foram tranquilas para o Judas. Primeiro Halford saiu, sendo substituído por Tim “Ripper” Owens, com quem a banda lançou dois trabalhos, Jugulator (97) e Demolition (01). A repercussão não foi das melhores e em 2003, realizando o sonho de seus fãs, uniram-se novamente a Rob. Após isso, foram mais 3 álbuns, Angel of Retribution (05), Nostradamus (08) e Redeemer of Souls (14). Por mais que esses sejam trabalhos que possuem qualidades e defensores, a realidade é que todos passaram longe de serem unanimidades. Some-se a isso mais 2 fatos de suma importância: em 2011, K.K. Downing anunciou sua aposentadoria, se retirando da banda, e mais recentemente, Glenn Tipton se afastou das turnês, em decorrência dos efeitos do Mal de Parkinson, doença degenerativa com a qual convive há um tempo. No caso do primeiro, Richie Faulkner assumiu o posto, enquanto no segundo, Andy Sneap passou a excursionar com a banda.

Não vou mentir. Eu não esperava muita coisa mais vinda do Judas Priest, dado o fato de que já não lançavam um trabalho acima da média desde o fabuloso Painkiller (90). E vou além, acho que muitos fãs também compartilhavam desse pensamento, mesmo que não tivessem coragem de assumi-lo, afinal, quando uma banda chega ao status de lenda dentro de um estilo, a tendência é que o fã vire muito mais um “torcedor” do que um fã propriamente dito, fechando os olhos assim para falhas cometidas, recusando-se a aceitar que sim, lendas do Heavy Metal também cometem equívocos musicais. Por tudo isso, minha alegria por Firepower é sincera.


Não irei aqui cometer o exagero de dizer que seu 19º álbum de estúdio é um clássico. Falar isso seria totalmente leviano e eu estaria jogando para a torcida. Se é ou não é, o tempo tratará de dizer. O que posso afirmar é que o Judas Priest nos presenteou com um álbum que honra sua história. Por quase 30 anos, o fã esperou pelo legítimo sucessor de Painkiller, e justamente no momento mais improvável de sua carreira (que queiram ou não, se encaminha para o fim, pois o tempo é inexorável), o mesmo acabou surgindo. Muito do que escutamos poderia estar no citado clássico, mas não é só ele que dá as caras por aqui. Em Firepower, ecos de trabalhos como British Steel (80), Defenders of the Faith (84) e dos dois primeiros da carreira solo de Rob Halford, Resurrection (00) e Crucible (02), podem ser escutados pelos ouvintes mais atentos. Até mesmo momentos que remetem a Ram It Down (88) podem ser notados. Firepower é, pura e simplesmente, um álbum de Heavy Metal. E que álbum!

Não podemos discutir a capacidade de Rob Halford, pois ele é um dos maiores vocalistas do Rock/Metal de todos os tempos. Mas seria hipocrisia querer fechar os olhos para seus desempenhos recentes, afinal, a idade chega para todos. Em Redeemer of Souls, por mais que tenha feito um trabalho para lá de competente, em muitos momentos seus vocais soavam um pouco forçados. Já aqui não vemos isso, e Rob nos entrega seu trabalho mais sólido e diversificado em muito tempo. É nítida a paixão com a qual ele canta esse material. As guitarras soam pesadas e fortes, despejando não só riffs marcantes, como também ótimos duetos. Tipton dispensa qualquer presentação, enquanto Richie Faulkner se mostra ainda mais à vontade e adaptado à banda em seu segundo trabalho. Sobre Ian Hill e Scott Travis, não temos muito o que falar. Linhas de baixo marcantes, classudas, e bateria pesada, técnica e variada. É o que se espera da dupla e é o que nos entregam.


De cara, “Firepower” se mostra uma boa faixa de abertura, rápida e com boas bases, sendo seguida por “Lightning Strike”, uma música forte e que poderia estar sem problema algum em Painkiller. “Evil Never Dies” é um dos grandes momentos do álbum, e tem tudo para se tornar uma faixa clássica da banda, com boas guitarras, variação rítmica, um belo solo e refrão marcante. “Never the Heroes” é outra que se destaca pelo refrão, além de possuir boas melodias e um clima épico. Já “Necromancer” tem uma pegada um pouco mais moderna e riffs deveras sinistros, mas, ainda assim, uma bela canção de Heavy Metal Tradicional. “Children of the Sun” se destaca não só pela cadência e pelo peso, mas também por ser dessas faixas grudentas e que ficam na sua cabeça por um bom tempo.

Após a breve instrumental “Guardians”, a segunda metade do álbum abre com a fantástica “Rising from Ruins”, intensa, épica, com uma fortíssima linha de baixo e ótimos solos que esbanjam melodias. “Flame Thrower” apresenta aquele Heavy Metal típico do Judas, com ótimos riffs, sendo seguida por “Spectre”, faixa onde a parte rítmica se destaca e que possui melodias verdadeiramente contagiantes. Se você quiser saber o que é um verdadeiro Heavy Metal oitentista, escute a faixa seguinte, “Traitors Gate”, intensa, enérgica, e épica. “No Surrender” mescla com perfeição ímpar e de forma explosiva Hard e Heavy Metal. Difícil não se contagiar com sua energia e fúria. A pesada “Lone Wolf” se diferencia bastante das demais, com um ótimo riff principal e influência de Black Sabbath, enquanto “Sea of Red” encerra Firepower de forma épica.

A produção foi feita pela da dupla Andy Sneap (Amon Amarth, Accept, Megadeth, Exodus, Kreator), e um velho conhecido, Tom Allom, com quem o Judas trabalhou do período que foi de British Steel até Ram It Down. O resultado foi uma produção de altíssimo nível, bem mais polida e elaborada que as anteriores. A parte gráfica ficou por conta de Claudio Bergamin (Halford, Battle Beast) e Mark Wilkinson (com quem trabalham há 3 décadas), e vale dizer que a capa remete de certa forma ao clássico Screaming for Vengeance (82). No fim, temos uma verdadeira seleção de músicas para se cantar junto, levantando seus punhos para o alto. Uma honesta e verdadeira declaração de amor ao Metal.

NOTA: 91

Judas Priest é:
- Rob Halford (Vocal);
- Glenn Tipton (Guitarra);
- Richie Faulkner (Guitarra);
- Ian Hill (Baixo);
- Scott Travis (Bateria).

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