quinta-feira, 19 de julho de 2018

Amorphis- Queen of Time (2018)


Amorphis- Queen of Time (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. The Bee
02. Message in the Amber
03. Daughter of Hate
04. The Golden Elk
05. Wrong Direction
06. Heart of the Giant
07. We Accursed
08. Grain of Sand
09. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast
11. As Mountains Crumble (Bônus)
12. Brother and Sister (Bônus)

O que fazer quando você chega ao ponto máximo da sua carreira e lança um trabalho que beira a perfeição? Essa é a pergunta que muitos devem ter feito após o Amorphis lançar o magistral Under the Red Cloud (15). Mas então você percebe que essa é a mesma banda que lançou Elegy (96), Tuonela (99) e Eclipse (06), trabalhos que suscitaram o mesmo tipo de questionamento, e que, ainda assim, conseguiu ir além em trabalhos posteriores, sempre se superando em matéria de criatividade e qualidade. Talvez na esperança de seu antecessor não ter sido o auge estivesse a justificativa para a minha ansiedade em escutar Queen of Time, o 13º trabalho de estúdio do sexteto finlandês.

Bem, antes de tudo, vale citar que Queen of Time marca o retorno ao Amorphis do seu baixista original, Olli-Pekka Laine, que havia saído da banda após Tuonela, sendo substituído por Niclas Etelävuori. Com a saída do mesmo ano passado, ele retornou ao seu posto, fazendo com que hoje os finlandeses tenham em sua formação o quarteto original que gravou o debut do grupo, The Karelian Isthmus (92). É algo no mínimo curioso, pois quando você coloca os dois trabalhos frente a frente, eles parecem díspares, por mais que os músicos envolvidos sejam praticamente os mesmos. É como se tivéssemos duas bandas completamente diferentes. Mas sabe o que é mais legal? É que apesar de tudo isso, ambas soam como o Amorphis.

Quem acompanha a carreira dos finlandeses desde o início sabe bem que nunca se acomodaram. O Amorphis é aquela banda que sempre procurou dar um passo à frente no que tange sua sonoridade, transformando radicalmente aquele Death Metal apresentado no debut em uma música que desafia rótulos. Além do já citado estilo, sua música apresenta elementos de Folk, Progressivo, Música Oriental, além de coros e partes sinfônicas. Toda essa diversidade os torna únicos, já que não existe um nome que pareça com eles no cenário atual. A verdade é que só o Amorphis soa como Amorphis, e convenhamos, personalidade musical é coisa cada vez mais rara nos dias de hoje.


Criatividade, eis a palavra-chave para entender Queen of Time. Se você, como eu, achava que Under the Red Cloud havia sido o auge do Amorphis, se prepare para rever seus conceitos, pois aqui eles elevaram ainda mais o nível do sarrafo. Não é exagero dizer que refinaram ainda mais o resultado do trabalho anterior, e um exemplo claro disso se dá quanto aos elementos orquestrais e aos coros. Pela primeira vez utilizaram instrumentos e coral reais, com as orquestrações elaboradas por Francesco Ferrini, do Fleshgod Apocalypse, e os coros pelo Hellscore Choir. Além disso, temos diversas outras participações especias, com destaques para as vocalistas Noa Gruman (Scardust) e Anneke van Giersbergen, Jørgen Munkeby (Shining) e a dupla do Eluveitie, Chrigel Glanzmann (que dessa vez participou de todo álbum) e Matteo Sisti.

Os vocais de Tomi Joutsen, como de praxe, são um diferencial imenso para o resultado do álbum, já que a forma como ele trafega entre o gutural e o limpo é simplesmente incrível. E toda essa parte de vocalização ainda é enriquecida com os belos coros e vocais adicionais femininos que surgem em algumas canções. Aliás, sobre isso, eu não me incomodaria em nada se estivessem presentes em todas, pois se encaixam com perfeição na proposta atual do Amorphis. As guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari nos entregam ótimos riffs e aquelas melodias inconfundíveis e grudentas, além de claro, bastante peso. Elas são muitíssimo bem acompanhadas pelos teclados de Santeri Kallio, responsável por criar atmosferas incríveis. Sua capacidade criativa deve ser estudada pela ciência. Quanto à parte rítmica, com Olli e Jan, o trabalho se aproxima da perfeição, tamanha a coesão e a diversidade que imprimem.

De cara, já abrem com uma dessas canções destinadas a se tornarem clássicas. “The Bee” é tudo aquilo você espera de uma canção do Amorphis, já que esbanja peso, tem algumas das melodias mais grudentas de todo o álbum, um refrão que fica na sua cabeça por dias e mais dias, atmosferas que remetem ao Oriente e ótimas vocalizações, tanto de Tomi quanto de Noa Gruman, que adiciona alguns vocais adicionais femininos à música e Albert Kuvezin, com alguns cantos harmônicos que ficam de fundo na canção (saca aqueles vocais que você encontra nos álbuns do Tengger Cavalry?). A bateria também está ótima, pesada e precisa. “Message in the Amber” é uma dessas canções onde o lado Folk fala um pouco mais alto, com belas vocalizações limpas de Joutsen, boa utilização de instrumentos de sopro e riffs marcantes. Os coros também ficaram belíssimos, e tem um forte impacto quando surgem. “Daughter of Hate” tem alguns riffs muito bons, e claro, melodias que cativam. Possui peso de sobra, ótimos guturais e em determinado momento, um solo de saxofone, cortesia de Jørgen Munkeby, do Shining. Os coros novamente surgem impactantes aqui.


“The Golden Elk” é outra que já nasceu clássica, e por algum motivo me remeteu a “Sacrifice”, do álbum anterior. Possivelmente a culpa é do refrão cativante e grudento, que já está há semanas na minha cabeça. As belíssimas orquestrações, a participação de Affif Merhej tocando oud (instrumento oriental semelhante ao alaúde) e o vocal feminino adicional de Noa certamente vão remeter o ouvinte ao Orphaned Land. Vale citar que as partes orquestradas do álbum são tocadas pela The Orphaned Land String Orchestra, e que Gruman fez os vocais femininos e cuidou dos arranjos e condução dos coros de Unsung Prophets & Dead Messiahs, último trabalho dos israelenses.“Wrong Direction” é dessas canções bem diretas e que gruda na cabeça, muito disso devido às melodias de guitarras e teclado, que são ótimas. Orquestrações e coros surgem discretamente de fundo, muito bem encaixados. “Heart of the Giant” tem os teclados de Santeri se destacando, ótimo trabalho das guitarras, além de um forte clima oriental e lindos coros que elevam a música a outro patamar. “We Accursed” traz o lado Folk à tona novamente, com elementos orquestrais sendo muitíssimo bem usados. O teclado novamente entrega boas melodias em parceria com as guitarras.

O clima oriental novamente dá as caras na ótima “Grain of Sand”, bem pesada e com uma ótima participação do baixo. O que dizer de “Amongst Stars”? Essa música tem algo de mágico, e isso não se dá apenas pela encantadora participação de Anneke van Giersbergen. Aliás, a respeito disso, é incrível como ela e Joutsen se completam, e como isso acrescenta muito à canção. Sério, dá até para ficar imaginando como seria se ela se tornasse parte do Amorphis. Mas isso é claro, é um desses sonhos completamente improváveis. Os elementos de Folk surgem muito bem em determinado momento, além de a canção possuir uma pegada que remete à fase mais Prog da banda (The Beginning of Times (11) e Circle (13)). Já é clássica! Encerrando a versão padrão do álbum, temos a ótima  “Pyres on the Coast”, que talvez seja o retrato perfeito de tudo que escutamos anteriormente. Ótimos guturais, melodias cativantes oriundas das guitarras e teclados, orquestrações simplesmente grandiosas, belíssimas harmonias e muita energia, apesar da aparente suavidade da canção. Na versão nacional, ainda temos duas faixas bônus que conseguem manter o alto padrão de qualidade do álbum, a belíssima “As Mountains Crumble” e “Brother and Sister”.

A produção mais uma vez ficou por conta do onisciente, onipresente e onipotente Jens Bogren, que a essa altura já dispensa qualquer tipo de apresentação. O seu entrosamento com a banda é tão bom, que eles já deixaram claro que não pretendem trabalhar com outro produtor no futuro. Ele também é o responsável pela mixagem. Já a masterização foi feita por Tony Lindgren (Kreator, Angra, Enslaved, Dimmu Borgir, Paradise Lost). Não é necessário então falar da qualidade final da produção, pois todos já imaginam. A capa é obra de Jean “Valnoir” Simoulin, o mesmo responsável pela de Under the Red Cloud, e que também trabalhou com nomes como Alcest, Behemoth, Paradise Lost, Morbid Angel e Orphaned Land. Passando longe da previsibilidade dos dias atuais, mais uma vez o Amorphis se mostra um dos nomes mais criativos, originais e fascinantes do cenário metálico atual, e nos entrega com Queen of Time, um fortíssimo candidato a melhor álbum de 2018.

NOTA: 94

Amorphis é:
- Tomi Joutsen (vocal);
- Esa Holopainen (guitarra);
- Tomi Koivusaari (guitarra);
- Olli-Pekka Laine (baixo);
- Jan Rechberger (bateria);
- Santeri Kallio (teclado).

Participações especiais:
- Noa Gruman (vocal adicional nas faixas 1, 2 e 4)
- Albert Kuvezin (Throat singing na faixa 1)
- André Alvinzi (teclados adicionais na faixa 1)
- Pekka Kainulainen (narração na faixa 2)
- Jørgen Munkeby (saxofone na faixa 3)
- Affif Merhej (Oud na faixa 4)
- René Merkelbach (vocal adicional na faixa 9)
- Anneke van Giersbergen (vocal adicional na faixa 9)
- Chrigel Glanzmann (flautas)
- Matteo Sisti (flautas)

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terça-feira, 17 de julho de 2018

Huey - Ma (2018)


Huey - Ma (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Inverno Inverso
02. Wine Again
03. Pei
04. Mother's Prayer
05. Adeus Flor Morta
06. Mar Estar
07. Fogo Nosso
08. 0+

Fazer Metal no Brasil não é nada fácil. Fazer Doom/Stoner, é ainda mais complicado. Música Instrumental? As dificuldades duplicam. O que dizer então de uma banda que junta tudo isso em sua música? Esse é o caso do Huey, quinteto paulistano formado por Dane El, Minoru e Vina (guitarras), Vellozo (baixo), e Rato (bateria), surgido em 2010 e que já tem na bagagem 1 EP, ¡Qué no me chingues wey! (10), 2 singles, Por Detrás de Los Ojos (12) e Valsa de Dois Toques (14), e seu debut, Ace, lançado no ano de 2014.

Após um hiato de 4 anos, o Huey chega a seu sucessor, intitulado Ma, que nada mais é do que uma palavra japonesa que significa justamente um espaço ou pausa entre duas partes. Um ótimo nome para um segundo álbum. É possível observar que nesse intervalo de tempo, o quinteto amadureceu ainda mais seu som, que soa homogêneo e diverso. A base da música é o Stoner/Doom, algo inegável, mas não deixam de combinar isso com estilos diversos como Progressivo, Noise e Post-Rock, o que termina enriquecendo ainda mais o ótimo resultado. Alternam momentos de fúria e intensidade, com outros mais calmos, muito disso devido as ótimas variações de andamento, o que avita que tudo soa repetitivo e cansativo. As guitarras têm um papel central na música do quinteto, com bons riffs e melodia, além de muito peso, e a parte rítmica se destaca pelo groove e precisão.


O álbum abre com “Inverno Inverso”, que possui bons riffs, bastante peso e algo de Sludge para temperar. “Wine Again” tem ótimas guitarras, além de um ótimo desempenho do baixo, enquanto a áspera “Pei” pende mais para o Stoner. “Mother's Prayer” esbanja peso e tem influências de Post-Rock, e “Adeus Flor Morta”, outra que também pende mais para o Stoner, é intensa, forte e também se destaca pelo trabalho do trio de guitarristas. “Mar Estar” esbanja peso, além de ser bem densa, assim como “Fogo Nosso”, um Stoner que te faz viajar diretamente aos anos 70, graças à influência de Blues que a mesma recebe, além dos riffs marcantes. Para encerrar, temos a ótima “0+”, uma dessas músicas que transborda energia por todos os poros, com uma parte rítmica que se sobressai.

Gravado no Family Mob Studios (São Paulo/SP), o álbum teve produção e mixagem realizadas pelo renomado Steve Evetts, que já trabalhou com nomes como Sepultura, Incantation, Prong, Havok e Symphony X, com a masterização realizada por Alan Douches (Baroness, The Obsessed, Pentagram, Motörhead, Mastodon). O resultado é ótimo. Já a bonita capa foi obra de Fábio Cristo. Com um trabalho maduro, coeso, variado, mas que prima pela homogeneidade no que se refere a qualidade das canções aqui executadas, o Huey vai agradar não só aos amantes de música instrumental, como também aos que apreciam um bom Doom/Stoner. Aos que se interessaram, Ma pode ser adquirido pela gravadora, através do e-mail store@blackholeprods.com

NOTA: 88

Huey é:
- Dane El (guitarra);
- Minoru (guitarra);
- Vina (guitarra);
- Vellozo (baixo);
- Rato (bateria).

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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Warshipper - Black Sun (2018)


Warshipper - Black Sun (2018)
(LAB 6 Music/Brutaller Records/Damned Records/Rapture Records - Nacional)


01. Nemesis (Intro)
02. Glowworm Dragon
03. Cry of Nowhere
04. Black Sun (Part I, II & III)
05. Rebirth
06. Abandoment
07. Descending - Genesis & Ontogenesis
08. Deathblast Overhead (Intro)
09. M.E. 262
10. Delusions of Grandeur

Deve existir alguma coisa na água que bebemos que faz com que o Brasil tenha uma capacidade ímpar de gerar bons nomes em vertentes mais extremas do Heavy Metal. Surgido no ano de 2011, na cidade de Sorocaba/SP, o Warshipper se envereda pelos caminhos do Death Metal, com uma sonoridade bruta e pesada. O seu EP de estreia, Worshippers of Doom (14), já havia chamado a atenção dos que acompanham mais atentamente o nosso underground, gerando assim certa expectativa para o seu debut.

Eis que finalmente, após 4 anos de espera, temos em mãos Black Sun, o debut do quarteto formado por Renan Roveran (vocal/guitarra, ex-Bywar), Rafael Oliveira (guitarra), Rodolfo Nekathor (baixo, ex-Zoltar) e Roger Costa (bateria). E o que podemos observar é uma banda que amadureceu sua música nesse meio tempo, passando a equilibrar com muita maestria peso, brutalidade, agressividade, técnica e melodia, gerando assim uma sonoridade de muita qualidade e que prima principalmente por não soar datada, já que tem uma pegada mais “moderna”, e por possuir personalidade própria, algo raro em bandas mais novas.

Após a breve introdução, surge a ótima “Glowworm Dragon”, veloz e simplesmente esmagadora, com guitarras pesadas, boas melodias e ótimo desempenho da parte rítmica. “Cry of Nowhere” até parece que vai ser mais cadenciada, mas então explode no mais puro Death Metal, abusando da brutalidade e dos ótimos riffs. “Black Sun (Part I, II & III)” é dessas canções épicas. Em seus 10 minutos de duração, mostra muita diversidade, complexidade e tem passagens cadenciadas que são simplesmente primorosas, que dão um ar bem opressivo à canção. Pense em uma faixa esmagadora e com potencial para triturar tímpanos. Essa é “Rebirth”. Com uma levada mais cadenciada, e ótimo trabalho tanto das guitarras quanto da parte rítmica, é um dos destaques do álbum.


A segunda metade do álbum abre com “Abandoment”, que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pela boa técnica dos músicos. Já “Descending - Genesis & Ontogenesis” é tão densa e intensa, que quase se solidifica diante de você. Destaque para o belíssimo trabalho das guitarras e as boas melodias que dele provêm. Após outra breve introdução, surge “M.E. 262”, uma dessas canções que transborda fúria e agressividade por todos os poros. Encerrando o álbum e mantendo a qualidade lá em cima, temos “Delusions of Grandeur”, onde mostram não só muita técnica, como também esbanjam peso e agressividade. Não existia forma melhor de fechar Black Sun.

A produção ficou a cargo da banda e de Rafael Augusto Lopes (Fanttasma, Lothlöryen, Hangar), sendo que este também foi o responsável pela mixagem e masterização. O resultado final é muito bom, pois mesmo tendo deixado tudo muito claro, não abriu mão em momento algum da agressividade. Já a capa e parte gráfica é mais um belo trabalho de Alcides Burn (Blood Red Throne, Queiron, Headhunter D.C., Malefactor, Nervochaos), da Burn Artworks. Com um Death Metal enérgico e bruto, e abusando do peso, o Warshipper se coloca entre as principais promessas do estilo no Brasil, e mostra potencial para voar muito mais alto em seus próximos trabalhos. Mais do que indicado aos que curtem um bom Death Metal.

NOTA: 87

Warshipper é:
- Renan Roveran (vocal/guitarra);
- Rafael Oliveira (guitarra);
- Rodolfo Nekathor (baixo);
- Roger Costa (bateria).

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Dysnomia - Anagnorisis (2018)


Dysnomia - Anagnorisis (2018)
(Independente - Nacional)


01. Anagnorisis
02. Vorax Chronos
03. The Fall Of Phaethon
04. Janus – Faced Serpents
05. Library Of Babel
06. Prometheam
07. Occam’s Razor
08. Sertões

Como é legal você poder acompanhar o desenvolvimento de uma banda, trabalho após trabalho. O Dysnomia surgiu no ano de 2006, na cidade de São Carlos/SP, e em 2013 lançou um bom EP, As Chaos Descends, onde apresentava um Death/Thrash que primava pela agressividade. O passo seguinte se deu 3 anos depois com seu debut, Proselyte (resenha aqui), onde ficava nítida a evolução do quarteto, que soava mais coeso e maduro, refinando um pouco mais as composições, adicionando um pouco de melodia, mas sem abrir mão da brutalidade. A impressão deixada foi das melhores, e ficava nítido que estávamos diante de um novo nome muito promissor.

E eis que Anagnorisis vem para confirmar aquela sensação de 2 anos atrás. Estreando um novo guitarrista em estúdio, Fabrício Pereira, o quarteto completado por João Jorge (vocal/guitarra), Denílson Sarvo (baixo) e Érik Robert (bateria) dá um passo além e leva sua sonoridade um nível acima em matéria de qualidade. Equilibrando de forma magistral um Death Metal mais técnico com um Thrash Metal mais atual, o Dysnomia acaba gerando uma música que se destaca não só pelo peso e agressividade, como também pelas boas melodias e pelas passagens mais grooveadas que dão um diferencial às canções. Essas, por sinal, passam longe de soarem repetitivas, graças às boas mudanças de andamento que surgem a todo momento.

O vocal de João continua trafegando entre o gutural e o rasgado, enquanto sua guitarra, ao lado da de Fabrício, são responsáveis por um ótimo trabalho, já que nos entregam riffs realmente diferenciados. A parte rítmica, com Denilson e Érik se mostra mais entrosada e afiada do que nunca, o que não podia ser diferente, já que tocam juntos desde o surgimento da banda. Outro diferencial importante se dá nas letras, e isso é algo que preciso muito destacar. Elas são de extrema inteligência, e através da mitologia grega, filosofia e literatura, abordam diversos problemas de nossa sociedade, como a hipocrisia, só para ficar em um exemplo. Vale muito a pena prestar atenção nas mesmas. E de quebra, temos no encarte citações a nomes como Álvaro de Campos, Hesíodo e José Luis Borges, dentre outros.


“Anagnorisis” abre o álbum esbanjando peso, se destacando principalmente pelos ótimos arranjos e pelo belo trabalho das guitarras. “Vorax Chronos” vem na sequência, pendendo um pouco mais para o Death Metal, esbanjando brutalidade e com um ótimo desempenho da parte rítmica. “The Fall Of Phaethon” possui partes mais cadenciadas, que soam muito bem, e um bom groove. As guitarras nos entregam ótimos riffs e o vocal também se sobressai. “Janus – Faced Serpents” prima mais pelo tradicionalismo e pela energia, além de possuir boa técnica, enquanto “Library Of Babel” é outra que apresenta um bom groove e diversidade. “Prometheam” equilibra Death e Thrash com maestria, e apresenta mudanças de tempo interessantes, e “Occam’s Razor” faz jus ao nome, com seus riffs afiados e cortantes, além de ótimos solos e boa técnica. Encerrando o álbum, temos a ótima “Sertões”, bem agressiva, diversificada e onde apresentam elementos de ritmos brasileiros, com direito a uma citação ao grande Patativa do Assaré.

Assim como em Proselyte, a produção ficou a cargo da banda e de Gabriel do Vale, com um resultado não menos que ótimo e que nada fica devendo para produções gringas. É clara e límpida, mas manteve o peso e a agressividade que a música do quarteto pede. A capa e toda a parte gráfica dessa vez ficou por conta do talentoso Carlos Fides (Evergrey, Almah, Semblant, Noturnall) e se encaixa perfeitamente na sonoridade e temáticas abordadas pela banda. Com Anagnorisis, o Dysnomia deixa o time das promessas e se torna uma realidade do Metal no Brasil. Com uma música pesada, bruta, agressiva e muita equilibrada, esse é daqueles álbuns feitos sob medida para moer as vértebras do seu pescoço. Um dos melhores álbuns nacionais de 2018 que escutei até o momento.

NOTA: 87

Dysnomia é:
- João Jorge (vocal/guitarra);
- Fabrício Pereira (guitarra);
- Denílson Sarvo (baixo);
- Érik Robert (bateria).

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Metal Media (Assessoria de Imprensa)

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Funeratus - Accept the Death (2018)


Funeratus - Accept the Death (2018)
(Distro Rock Records/Extreme Sound Records  - Nacional)


01. Accept the Death    
02. Rise and Fall Again   
03. Asphalt Eaters
04. Lost Souls
05. Indian Healing
06. Follow the Track
07. Victory
08. Vision from Hell
09. Endless Battle

O Brasil sempre gerou grandes nomes quando se trata das vertentes mais extremas do Metal, e convenhamos, falar disso é quase como chover no molhado. Fica até parecendo que é fácil fazer música pesada no Brasil, o que passa longe de ser uma verdade. A vida no underground não é fácil e muito menos justa, e uma prova disso são os paulistas do Funeratus. Surgido em 1993, o trio hoje formado por Fernando (Vocal/Baixo), André Nálio (Guitarra) e Guru Reis (Bateria), angariou nesses 25 anos de carreira o respeito daqueles que acompanham a cena nacional, mas isso não se refletiu em popularidade e quantidade de lançamentos. Uma injustiça.

Para os que não conhecem, o que temos aqui é aquele bom e velho Death Metal bruto, agressivo e pesado que se popularizou nos anos 90 e que em muitos momentos vai remeter o ouvinte a grandes nomes do estilo nesse período, como Morbid Angel e Krisiun, duas das influências mais perceptíveis. Mas veja bem, estou falando aqui de influência e não de simples emulação. Apesar dos 25 anos de estrada, Accept the Death é apenas o terceiro álbum completo de estúdio da banda, e surge 14 anos após seu antecessor, Echoes in Eternity (04), e 9 anos depois do EP Vision from Hell (09).

Esse grande intervalo de tempo acabou sendo positivo para o Funeratus, fazendo de Accept the Death indiscutivelmente seu melhor álbum até então. Aqui vemos o trio mais amadurecido e coeso, reflexo de uma formação que toca junta desde 2001. Os vocais de Fernando soam brutos (com algo de Morbid Angel antigo neles), e seu desempenho no baixo é não menos que excelente, já que o instrumento se faz bem presente durante toda a audição. André se destaca com riffs afiadíssimos e solos de qualidade, enquanto a bateria de Guru nos entrega muita precisão e uma avalanche de blast beats. Musicalmente a velocidade dá o tom da música do trio, mas passagens cadenciadas são inteligentemente inseridas, o que dá mais variedade às canções e evita aquele sentimento incômodo de que você está escutando a mesma música ad eternum. 


Sem perder tempo, o álbum abre com a faixa título, pesada, com ótimos riffs e levemente mais cadenciada (mas, ainda assim, veloz). Uma abertura perfeita, que é seguida da variada “Rise and Fall Again”, que alterna muito bem velocidade e cadência, com destaque para a dupla Fernando/Guru. “Asphalt Eaters” não alivia na agressividade e tem pitadas de HC e Thrash Metal que ajudam ainda mais nesse sentido. “Lost Souls” é simplesmente esmagadora, abusando da velocidade e contando com um bom solo, enquanto “Indian Healing” se mostra curta e grossa, com a força de um murro no pé da orelha. “Follow the Track” se mostra bruta e técnica, com uma influência saudável de Thrash Metal que faz dela um dos grandes destaques de todo o trabalho. “Victory” é outra que se destaca pelo peso absurdo, muito disso devido à sua cadência. A sequência final não abranda em nada a fúria, com “Vision from Hell” e a instrumental “Endless Battle”.

A produção coube à banda, em parceria com Joca Street, com a mixagem e masterização sendo realizadas na Alemanha, por Andy Classen (Rotting Christ, Tankard, Krisiun, Belphegor, Destruction). O resultado final é muito bom, já que conseguiu deixar tudo muito claro e audível, mas sem perder a agressividade que é necessária ao estilo. Já a capa e parte gráfica são mais um belo trabalho de Alcides Burn. Apresentando um trabalho forte, com boa técnica e muita coesão e precisão, o Funeratus mostra porque é um dos grandes nomes do Death Metal nacional e chega para ocupar de vez o espaço que lhe é de direito. Indiscutivelmente, um dos grandes álbuns do estilo que você irá escutar por aqui nesse ano de 2018.

NOTA: 86

Funeratus é:
- Fernando (Vocal/Baixo);
- André Nálio (Guitarra);
- Guru Reis (Bateria).

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domingo, 1 de julho de 2018

Melhores álbuns – Junho de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de junho na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. A Sound Of Thunder - It Was Metal 


2º. The Night Flight Orchestra - Sometimes the World Ain't Enough 


3º. Khemmis - Desolation
 

4º. Ghost - Prequelle 


5º. Nervosa - Downfall of Mankind


6º. Marduk - Viktoria
 

7º. Refuge - Solitary Men


8º. Sear Bliss - Letters From The Edge


9º. Orange Goblin - The Wolf Bites Back


10º. Sacrificed - Enraged
 

Menções Honrosas

- Kataklysm - Meditations


- Funeral Mist - Hekatomb


- Nordheim - Enter the Wolf


- Stormwitch - Bound to the Witch


sexta-feira, 29 de junho de 2018

White Dragon – Prepare for the changes (2018)


White Dragon – Prepare for the changes (2018)
(Nomade Records – Nacional)

 
01. Prepare for the changes
02. The End of the World
03. Tears for Somebody
04. White Dragon
05. Light Warrior
06. Six Destinies
07. Evolution
08. I Will Fly Free
09. Game of Life
10. Doomsday

Quanto vale um sonho? Ao sair da banda Harmonyca, o vocalista Léo Rodrigues tinha em mente um objetivo muito claro, que era lançar seu trabalho solo. Nasceu então o White Dragon. Mas quando se trata de Heavy Metal, as coisas nunca são fáceis, já que o estilo, além de não estar entre os mais populares em nosso país, não conta com o apoio merecido. Ainda assim, quando se trabalha duro e se tem persistência, mesmo aqueles sonhos mais difíceis e improváveis podem ser alcançados. É, acho que persistência é um substantivo que se encaixa bem quando falamos de Prepare for the Changes.

Se fazer Metal no Brasil não é fácil, imagine em uma cidade de interior, onde os recursos são infinitamente menores. Para encarar tal desafio, nos últimos anos Léo contou com o apoio de alguns amigos que o ajudaram, fosse tocando algum instrumento, fosse com o processo de gravação e produção, fosse como parceiro nas composições. Participaram da empreitada Levi Alves, Jhojo Sozi, Daniel Medeiros, Rafael Barbosa, Tonin Silva, Rafael Fernandes e Thiago Ghilhos. E o que temos em mãos no final desse processo é um álbum de Heavy Metal Tradicional, com um toque aqui e ali de Metal Melódico, e que não nega as suas raízes, pois aposta naquela sonoridade tipicamente oitentista de nomes como Iron Maiden (talvez a maior referência aqui) e Helloween. É aquele som feito sobre medida para os apreciadores desse período.

De cara, o álbum abre com a faixa título, que possui uma introdução orquestrada que dá um ar grandioso à mesma. Assim que ela se inicia, o DNA “Maideniano” fica bem claro, não só pelo instrumental, como pelo timbre vocal de Léo, que remete bastante ao de Bruce Dickinson em alguns momentos. Os riffs e as melodias agradam de imediato e o refrão é daqueles que cativa o ouvinte. Na sequência, “The End of the World” tem um bom uso dos teclados, que quando surgem, dão uma pegada mais Classic Rock à canção, além de um trabalho de guitarra muito legal. É outra onde o refrão se destaca. “Tears for Somebody” se destaca pelas boas melodias e pelo trabalho da parte rítmica, enquanto “White Dragon” soa como uma mescla de Iron e Helloween. Vale destacar as ótimas melodias vocais presentes. Encerrando a primeira metade, temos “Light Warrior”, faixa que prima não só pela variedade, já que alterna passagens mais cadenciadas com outras mais velozes, como também pelo refrão de bom gosto.


A segunda metade abre com “Six Destinies”, na qual tanto o instrumental quanto a letra homenageiam o Iron Maiden. Preste atenção em como Léo utilizou títulos de canções da banda em cada um dos versos e se divirta caçando essas referências. Musicalmente, a faixa emula a sonoridade dos britânicos com perfeição, algo que não incomoda em nada quando você percebe a intenção da faixa. É aqui também o momento onde ele deixa seu lado Bruce Dickinson aflorar com mais força. “Evolution” é enérgica e agradável, com um trabalho de guitarra muito bom, melodias agradáveis e um refrão que cativa.  “I Will Fly Free” é uma balada muito bonita e emocional, guiada apenas por violão, teclado e a voz de Léo, e é seguida por uma das melhores músicas do álbum, “Game of Life”. É dessas canções que chama a atenção pela força, pela técnica e por possuir ótimas melodias. A parte rítmica se destaca e o refrão é daqueles que você já sai cantando de primeira. Encerrando o álbum, temos a crua e enérgica “Doomsday”, onde o peso da guitarra se sobressai.

Com o passar dos anos, foram sendo utilizados 2 estúdios, tanto para o processo de gravação como de produção, Estúdio JS e Asafe Studio’s, mas, apesar disso, a produção de Prepare for the Changes está dentro da média para um álbum totalmente independente e gravado com as dificuldades que todos nós conhecemos. Tudo soa claro, audível, e não possui variações de volume entre as faixas. Claro, não dá pra negar que possui uma dose maior de crueza do que de praxe, mas surpreendentemente isso acaba fazendo bem à música na maior parte do tempo. Ainda assim, isso não exclui o fato de que em um futuro segundo trabalho, uma produção um pouco mais refinada (mas sem exageros) pode deixar o que é bom melhor ainda. Quanto à parte gráfica, vale dizer que foi toda feita pelo próprio Léo Rodrigues, tendo ficado bem legal. Gosta daquele Heavy Metal que parece ter saído dos anos 80? Se sim, temos aqui um trabalho que certamente vai te agradar em cheio. Quanto vale um sonho? Ah meus amigos, sonhos assim não têm preço.

NOTA: 84

White Dragon Project (Gravação):
- Léo Rodrigues (Vocal)
- Levi Alves (Guitarra, Baixo e Bateria nas faixas 1, 5, 6, 8, 10)
- Jhojo Sozi (Todos os instrumentos 2, 3, 4, 7)
- Daniel Medeiros (Guitarra na faixa 3)
- Rafael Barbosa (Guitarra na faixa 4)
- Tonin Silva (Guitarra na faixa 7)
- Rafael Fernandes (Teclado nas faixas 1, 5, 6, 8, 10)
- Thiago Ghilhos (Todos os instrumentos na faixa 9 e Guitarra na faixa 10)



quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)


A Sound Of Thunder - It Was Metal (2018)
(Mad Neptune Records – Importado)


01. Phantom Flight (Feat. Mark Tornillo)
02. Lifebringer
03. Atlacatl
04. The Crossroads Deal
05. It Was Metal
06. Obsidian & Gold (Desdinova Returns) (Feat. Tony Carey)
07. Second Lives
08. Els Segadors (The Reapers)
09. Tomyris
10. Charles II
11. Fortress of the Future Race

Se você ainda não conhece os americanos do A Sound Of Thunder, está perdendo um tempo precioso. Surgido no ano de 2008, e com a formação estável desde 2010, que conta com Nina Osegueda (Vocal), Josh Schwartz (Guitarra), Chris Haren (Baixo) e Jesse Keen (Bateria/Teclado), estrearam em 2009 com um EP autointitulado, que foi seguido 2 anos depois pelo seu debut, Metal Renaissance. De lá para cá, foram mais 3 EP's, Queen of Hell (12), Tales from the B-side (Pleasure Slave) (15), Second Lives (17), 4 excelentes trabalhos de estúdio, Out of the Darkness (12), Time's Arrow (13), The Lesser Key of Solomon (14), Tales from the Deadside (15) e 1 álbum de covers, Who Do You Think We Are? (16).

Em uma época onde bandas produzem em intervalos cada vez maiores, o quarteto originário de Washington deixa claro que passa longe do comodismo, enfileirando lançamentos e apresentando um crescimento e amadurecimento constantes, sem que isso em momento algum signifique abrir mão de sua identidade. Sim amigos, nem sempre evolução vem acompanhada de descaracterização musical. E agora, com It Was Metal, seu 6º álbum de estúdio, deixam mais do que claro que não pretendem tirar o pé do acelerador. Aliás, mais uma vez financiaram o trabalho através de campanha no Kickstarter, já que possuem uma base de fãs muito fiel e que confia na capacidade do ASOT de forjar músicas de qualidade. E vale dizer que, como de praxe, oferecem um produto diferenciado, pois além do álbum, produziram uma graphic novel (vendida separadamente), com histórias originais baseadas nas canções e produzidas por artistas da Marvel, DC e Valiant Entertainment.


Para quem acompanha o quarteto, a qualidade de It Was Metal não chega a surpreender. Mas aqui, curiosamente, para evoluir deram um passo atrás, já que musicalmente é um álbum mais direto e um pouco menos diversificado que os anteriores, uma espécie de retorno ao Heavy Metal Clássico de outrora. A influência de nomes como Iron Maiden, Saxon, Dio, Rush, Deep Purple, Rainbow e outros é latente, mas temperada com muita personalidade. Apesar da menor diversidade, esse é um trabalho com um ar mais grandioso do que, por exemplo, The Lesser Key of Solomon e Tales from the Deadside, com canções bem fortes, enérgicas e rápidas. A guitarra de Josh está simplesmente soberba, com muito peso, riffs grudentos, além de solos e melodias que são capazes de cativar qualquer amante do estilo. A parte rítmica não fica atrás, com o baixo de Chris apresentando aquelas linhas sólidas com as quais os fãs se acostumaram, fazendo uma bela dupla com Jesse e sua bateria, aqui simplesmente bombástica. Vale citar também o seu trabalho com os teclados, já que mesmo que os mesmos não se façam presentes em 100% das músicas, quando surgem acabam dando mais profundidade às mesmas.

Claro que o forte do A Sound Of Thunder é a coesão e o entrosamento de seus integrantes, que funcionam como uma máquina muito bem azeitada de fazer Heavy Metal. Mas, ainda assim, precisamos falar sobre Nina Osegueda. Apesar de ter formação clássica, tendo até mesmo cantado na Ópera Nacional de Washington entre 2000 e 2002, e de ter sido influenciada em sua juventude por algumas das maiores vozes femininas da história, como a espetacular Aretha Franklin e Whitney Houston (segundo a própria Nina, por causa de seus pais, ela não tinha muito contato com Metal na época, e o mesmo se limitava à trilha sonora do filme “Quanto Mais Idiota Melhor”), sua voz cai como uma luva no estilo da banda. Sem querer comparar, mas é como se fosse uma mistura de Rob Halford como Ronnie James Dio, mas em versão feminina. Para mim, está no mesmo nível de importância de outras vocalistas que, ao menos para mim, são lendárias para o estilo, como Leather Leone, Doro Pesch, Ann Boleyn, Lee Aaron, Betsy Bitch, Kim McAuliffe e Wendy O. Williams. Aliás, fica aí a dica de pesquisa, caso não conheça os nomes citados. Seria exagero fazer o trocadilho dizendo que sua voz é o próprio som do trovão?


Assim que os primeiros acordes de “Phantom Flight” começam, sua primeira reação é pensar que está diante de alguma faixa oitentista perdida do Saxon. Ótimas guitarras, que despejam riffs fortes e melodias grudentas, além de solos primorosos e uma participação mais do especial de Mark Tornillo (Accept), que divide os vocais com Nina (que canta de maneira primorosa). É Heavy Metal em estado puro. “Lifebringer” é o retrato perfeito do que é o A Sound Of Thunder. Tem aquele Classic Rock com uma pegada Progressiva, mesclado com Metal Tradicional bem na veia do Iron Maiden, e pitadas de Power Metal. Simplesmente empolgante. A faixa seguinte,  “Atlacatl”, trata da história do mítico governante de mesmo nome, que reinou em um estado indígena baseado na cidade de Cuzcatlan (em território hoje pertencente a El Salvador), e que resistiu bravamente às forças invasoras espanholas por alguns anos. Segundo a lenda, ao ser finalmente derrotado, para não ser capturado, teria saltado em um vulcão, se tornando dessa forma uma lenda inconquistada. A parte rítmica se destaca, sendo responsável por dar um forte clima tribal à canção, que casa perfeitamente com o tema. Somado aos vocais agressivos de Osegueda, temos aqui uma das faixas mais pesadas e densas de todo trabalho. Vale dizer que Nina tem descendência salvadorenha por parte de pai. Após todo esse peso, temos uma breve faixa instrumental, intitulada “The Crossroads Deal”. E como o nome deixa bem claro, tem forte influência de Blues.

Se prepare então para o murro no meio da cara que é “It Was Metal”. Repare nos riffs, afiadíssimos e certeiros (e que não escondem a influência de Blackmore), e nas ótimas linhas de baixo. Os vocais também se destacam pela agressividade. Uma verdadeira ode ao Heavy Metal. Bem, recuperar um pouco do fôlego se faz necessário, e para isso surge a épica e maravilhosa “Obsidian & Gold (Desdinova Returns)”, que não esconde a influência de Classic Rock e de nomes como Deep Purple e Rainbow. Por falar neste último, seu ex-tecladista Tony Carey participa (e brilha) na faixa. São quase 10 minutos de uma música simplesmente brilhante. Não se deixe enganar pela aparente calma da introdução de “Second Lives”, pois quando você menos esperar, ela vai simplesmente explodir em peso e energia. Forte, traz à tona as influências de Hard Rock da banda, perceptíveis aos mais atentos no trabalho das guitarras. Você é desses que acha que Metal e política não podem se misturar? Além de estar equivocado, certamente vai precisar pular a próxima faixa. Ela é nada menos do que uma versão metálica para o hino da Catalunha, “Els Segadors (The Reapers)”. E antes que você se pergunte o porque da banda ter gravado o mesmo, saiba de antemão que a mãe de Nina é catalã, e que parte de sua família reside lá. E no fim, o que era para ser uma homenagem da vocalista à sua mãe, tomou outro vulto com a declaração de autonomia da Catalunha no ano passado (que diga-se, não foi reconhecida pela Espanha). Apenas escute, e duvido que você não cante o refrão a todos pulmões, levantando o punho para o alto. 


Então chega a hora de mais um pouco de história, com “Tomyris”, rainha que governou os Masságetas (com território localizado hoje em partes do moderno Turcomenistão, Afeganistão, Uzbequistão, e sul do Cazaquistão.), e que foi a responsável pela morte de Ciro, o Grande, rei da Pérsia entre 559 e 530 a.C. Conta-se que após este morrer, ela decapitou o mesmo e jogou sua cabeça em um jarro com sangue humano, cumprindo assim a promessa que havia feito ao mesmo, de o afogar em sangue humano (Ciro havia assassinado seu filho, após capturá-lo em batalha). Mais Heavy Metal que isso, só mesmo a música em si, que se destaca pelas ótimas guitarras, pelo refrão cativante, pelo brilhante uso dos teclados (aqui a veia setentista vem à tona novamente) e pelos vocais viscerais de Nina. A sequência final mantém o nível primoroso das canções anteriores, com “Charles II” (mais um pouco de história, agora tratando do rei inglês Carlos II), com riffs que parecem ter sido forjados pela dupla Tipton/Downing. Veloz, certeira e tem uma melodia que contagia qualquer um e vai agradar em cheio aos fãs de Judas Priest e afins. É Metal em seu estado mais clássico, assim como a ótima “Fortress of the Future Race”, uma dessas canções que parecem ter sido forjadas pelo próprio Deus Metal. Duvido você não se empolgar com os ótimos riffs e solos aqui presentes.

Como de praxe na carreira da banda, a produção ficou nas mãos de Kevin Gutierrez (algo que ocorre desde Out of the Darkness), que ouso dizer, é quase como um quinto integrante, já que é homem de confiança do quarteto nesse sentido. Mais uma vez ele acerta em cheio, pois a produção ficou em um nível altíssimo. Clara, límpida e cristalina, mas sem soar artificializada. Não consigo imaginá-los trabalhando com outro nome nesse sentido. A capa é mais um trabalho fora do comum de Dusan Markovic, responsável pelas mesmas desde o EP Queen of Hell. Dizer que esse é o melhor trabalho da banda pode ser um pouco prematuro, já que The Lesser Key of Solomon está facilmente entre os 10 melhores álbuns de Metal dessa década, mas é inegável que It Was Metal tem tudo para colocá-los em um patamar mais alto dentro da cena. Você é desses que fica aí, lamurioso e queixoso quanto ao fato de nomes tradicionais do estilo estarem pendurando as chuteiras? Pois saiba que temos toda uma nova geração de excelentes bandas, e o A Sound Of Thunder é certamente um dos melhores nomes desta. Basta você deixar o comodismo de lado e acordar para a vida. Existe sim muita vida e qualidade no Heavy Metal, sem que a banda precise se chamar Iron Maiden, Metallica ou Black Sabbath. It Was Metal é mais uma das provas disso! Um dos melhores álbuns de 2018!

OBS: Bem que alguma gravadora nacional podia se dignar a lançar a discografia da banda no Brasil, hein!

NOTA: 92

A Sound Of Thunder é:
- Nina Osegueda (Vocal);
- Josh Schwartz (Guitarra);
- Chris Haren (Baixo);
- Jesse Keen (Bateria/Teclado).

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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Attomica – The Trick (2018)


Attomica – The Trick (2018)
(Marquee Records – Nacional)


01. Give Me The Gun
02. Feeling Bad
03. Kill The Hero
04. The Last Samurai
05. The Trick / You Bet
06. Endless Cycle
07. Land Of Giants
08. Mistery

Uma verdadeira lenda do Metal Nacional: é assim que podemos definir o Attomica. Surgido mais de 3 décadas atrás, no hoje já distante ano de 1985, os paulistas são responsáveis por alguns clássicos do Thrash metal no Brasil, como seu debut, Attomica (85) e o magistral Disturbing the Noise (91). Após esse último, entraram em um hiato de 12 anos (92-04), mas após o seu retorno, ao menos no que tange lançamentos, as coisas foram um tanto quanto devagar, já que tivemos apenas um álbum ao vivo, Back and Alive (04), e um de estúdio, o bom IV (12).

De 2012 para cá, o Attomica passou por enormes mudanças, com o falecimento do vocalista Alex Rangel em um acidente, e alterações profundas em sua formação, só restando o baixista André Rod. Esse, assim como na época de Limits of Insanity (89), assumiu os vocais, e complementando a formação, temos o guitarrista Marcelo Souza e o baterista Argos Danckas. Mas não pense que tais acontecimentos afetaram a sonoridade do grupo, pois o que temos aqui é aquele mesmo Thrash metal pesado, furioso, e que praticamente te obriga a sair batendo cabeça pela sala enquanto o Cd rola no som.

O que escutamos desde o primeiro segundo de The Trick é um Attomica bem coeso, que dosa com perfeição todos os elementos de sua música. Soam mais técnicos que em trabalhos anteriores, mas, ainda assim, muito pesados e agressivos. Os vocais de André remetem invariavelmente aos de Dave Mustaine, o que certamente vai levar muitos a comparar a sonoridade da banda com o Megadeth. Ok, a influência se faz realmente presente, sendo inegável em muitos momentos, mas também é possível escutarmos ecos de outros grandes nomes da Bay Area, como Metallica, Exodus e Testament. Mas o mais importante é que em momento algum soa como cópia. A identidade do Attomica se faz presente sempre.


De cara temos a enérgica e variada “Give Me The Gun”, com riffs destruidores e um refrão bem forte. Uma abertura perfeita e que deixa claro o nível de destruição que encontraremos pela frente. “Feeling Bad” vem na sequência, mantendo a variedade do trabalho, com boa técnica, mas sem abrir mão da agressividade. “Kill The Hero” é aquela canção que já nasceu clássica. Tem uma pegada mais cadenciada, bom groove, ótimos riffs e um refrão que você já sai cantando de primeira. Fechando a primeira metade do CD, temos outra canção mais cadenciada, “The Last Samurai”, onde o trio esbanja peso e técnica. “The Trick / You Bet” abre a segunda metade com muita energia e boas melodias, sendo seguida por “Endless Cycle”. Não se deixe enganar pelo começo tranquilo da mesma, pois quando o peso chega, ela se torna absurdamente intensa. A instrumental “Land Of Giants” apresenta boas melodias e técnica, enquanto “Mistery” encerra com uma homenagem póstuma a Alex Rangel (para quem o The Trick é dedicado), já que conta com seus vocais. Um final emocionante para um trabalho para lá de marcante.

A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Vagner Alba (Morfolk, Angry, Chaos Synopsis), com a gravação e tudo o mais ocorrendo no Oversonic Studio (São José dos Campos/SP). O resultado final ficou muito bom, já que apesar de tudo claro e audível, ainda assim, a sonoridade soa bastante orgânica, algo raro nas produções mais modernas, onde tudo fica plastificado em excesso. Já a bela capa foi obra de Fabio Moreira (vocalista da banda na época do clássico Disturbing the Noise), com concepção de André Rod. O design do encarte foi obra do ex-guitarrista Pyda Rod. Mostrando muito entrosamento, coesão e equilíbrio, e entregando ao ouvinte uma música que transborda energia, peso e agressividade, o Attomica lançou, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns de Thrash de 2018. Um trabalho que faz jus ao seu brilhante legado!

NOTA: 87

Attomica é:
- André Rod (Vocal/Baixo);
- Marcelo Souza (Guitarra);
- Argos Danckas (Bateria).

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Fallen Idol – Mourn the Earth (2018)


Fallen Idol – Mourn the Earth (2018)
(Tales from the Pit, Nomade Records, Mutilation Records, The Metalvox Produções, Nuktemeron Productions e Left Hand Records – Nacional)


01. Witches of Lucifer
02. Time to Mourn the Earth
03. Wait
04. Shattered Mirror
05. Chrisalysm
06. Lucidity
07. Secret Place

Existiu um tempo no qual o Doom Metal, esse gênero maldito que todos amamos (como diz o velho ditado, quem não gosta de Doom, bom sujeito não é!), não era tão popular por aqui. Não que hoje em dia ele domine as paradas de sucesso, mas é possível observarmos seu crescimento exponencial nos últimos anos, tanto em matéria de quantidade de boas bandas, como também do público que as aprecia. E dentre as principais bandas surgidas no Brasil nos últimos anos, um nome que merece destaque é o paulista Fallen Idol.

Surgido no ano de 2012, na cidade de Arujá/SP, o Power Trio formado por Rod Sitta (Vocal/Guitarra), Márcio Silva (Baixo) e Ulisses Campos (Bateria), pratica um Epic Doom Metal que possui um dos pés muito bem fincados no Heavy Metal Tradicional. Sua estreia se deu no ano de 2015, com um trabalho autointitulado, onde apresentaram uma sonoridade mais crua e agressiva, que acabou sendo refinada no lançamento seguinte, o ótimo Seasons of Grief (16), um trabalho que pendia muito mais para o Doom.

Já em seu terceiro álbum, Mourn the Earth, o trio dá mais um passo à frente, evoluindo ainda mais sua sonoridade, mostrando que a acomodação passa longe do Fallen Idol. Mesclando o melhor dos dois trabalhos anteriores, o que temos aqui é uma banda que soa ainda mais coesa e entrosada (afinal, são 6 anos mantendo a mesma formação), e que esbanja criatividade. A atmosfera que emana de cada canção é sombria e lúgubre, algo digno dos melhores trabalhos do estilo. Os vocais de Rod deram um passo evolutivo, soando superior ao que escutamos no passado, e o trabalho da guitarra é o melhor já apresentado pelos paulistas. Na parte rítmica, o baixo de Márcio e a bateria de Ulisses mantém o alto nível do trabalho, esbanjando peso e força. Tudo soa superior.


De cara já temos um clássico instantâneo, com a intensa “Witches Of Lucifer”, com ótimo riffs, refrão marcante e que conta com ótimos vocais femininos, cortesia de Paula Nogueira. Na sequência, temos a pesada “Time to Mourn the Earth”, que possui bom groove e um ótimo desempenho da parte rítmica. “Wait” é um doomzão da melhor qualidade, bruto, obscuro e arrastado, como deve ser toda canção do estilo. “Shattered Mirror” é dessas canções bem variadas, que trafega com muita qualidade entre o Heavy e o Doom, alternando passagens mais velozes e outras mais cadenciadas. É sem dúvida o momento mais agressivo de todo o trabalho. A instrumental “Chrisalysm” é o momento Cliff Burton do álbum, sendo toda levada pelo baixo de Márcio. Fechando o álbum, uma sequência totalmente voltada para o Doom, com a ótima “Lucidity” e sua melodia grudenta, e a lenta, arrastada e escura “Secret Place”.

Gravado no No Limits Studio, o álbum teve produção de Ivi Kardec, Felipe Stress e Rod Sitta, com mixagem e masterização realizadas pelos dois primeiros. O resultado final é muito bom, já que passa longe das produções artificializadas de hoje em dia, soando bem orgânica. É clara, com tudo audível, mas com aquela dose de sujeira mais do que saudável. A bela capa foi obra de César Benatti e Rod. Dando o passo definitivo rumo à sua maturidade musical, o Fallen Idol impressiona não só pelo crescimento apresentado entre os trabalhos, como também pela criatividade e qualidade do material aqui mostrado. E ouso dizer que Mourn the Earth é fortíssimo candidato não só a estar entre os melhores álbuns nacionais de 2018, como também se destacar a nível mundial dentro do cenário do Doom Metal. Um dos melhores álbuns do estilo já lançados em solo brasileiro.

NOTA: 89

Fallen Idol é:
- Rod Sitta (Vocal/Guitarra);
- Márcio Silva (Baixo);
- Ulisses Campos (Bateria).

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

The Dead Daisies - Burn It Down (2018)


The Dead Daisies - Burn It Down (2018)
(SPV/Shinigami Records - Nacional)


01. Resurrected
02. Rise Up
03. Burn It Down
04. Judgement Day
05. What Goes Around
06. Bitch (Rolling Stones Cover)
07. Set Me Free
08. Dead And Gone
09. Can’t Take It With You
10. Leave Me Alone
11. Revolution (Beatles Cover)

Desde que surgiu em 2013, pelas mãos do guitarrista David Lowy e do vocalista Jon Stevens (ex-INXS), o The Dead Daisies sempre chamou a atenção por dois motivos: a quantidade de grandes músicos envolvidos e a qualidade de suas músicas. Atualmente formado por John Corabi (vocal, ex-Mötley Crüe), Lowy (guitarra), Doug Aldrich (guitarra, ex-Dio, ex-Whitesnake, ex-Foreigner), Marco Mendoza (baixo, ex-Blue Murder, ex-John Sykes, ex-Ted Nugent, ex-Whitesnake) e Deen Castronovo (bateria, ex-Journey, ex-Ozzy Osbourne, ex-Steve Vai, ex-Paul Rodgers, ex-Tony MacAlpine, ex-Cacophony, dentre outros), esse último estreando em estúdio, chegam ao seu 4º trabalho de estúdio, Burn It Down, sucessor do ótimo Make Some Noise (16).

Para quem por acaso desconhece o The Dead Daisies, o quinteto pratica um Hard Rock Clássico, carregado de energia e com uma pegada mais voltada para os anos 70. Em Burn It Down podemos observar que sua música não só está mais sólida que nos trabalhos anteriores, como também soa mais pesada, despojada e crua. E isso, meus amigos, acabou por fazer um bem danado aos caras. Corabi está cantando de uma forma absurda, e só não ganha o posto de principal destaque individual porque David Lowy e, principalmente, Doug Aldrich soam monstruosos. O trabalho das guitarras aqui foi elevado a um outro nível se comparado com os álbuns anteriores. Na parte rítmica, Mendoza e Castronovo transbordam competência e categoria, algo mais do que esperado.

De cara, já temos uma sequência arrasa quarteirão, com as excelentes “Resurrected”, ruidosa, enérgica e com riffs pesados, e a cativante “Rise Up”, forte candidata a se tornar um hino da banda, e que vai te fazer bater a cabeça involuntariamente. “Burn It Down” tem uma levada mais cadenciada e uma saudável influência de Blues, além de um refrão que te pega de primeira. Essas características também se fazem presentes em “Judgement Day”, que mescla Hard Rock com o bom e velho Southern Rock. “What Goes Around” é uma canção forte, com um ótimo trabalho de guitarras, que vai te remeter invariavelmente ao Led Zeppelin, além de um baixo marcante.


Uma característica marcante do The Dead Daisies é a sua capacidade ímpar de recriar temas de outros artistas. E é assim que eles abrem a segunda metade do álbum, com uma versão simplesmente fantástica de “Bitch”, do Rolling Stones. “Set Me Free” é uma “balada” com aquela pegada sulista, que me fez pensar em Lynyrd Skynyrd e congêneres, além de possuir ótimos arranjos vocais. “Dead And Gone” é outra que tem o Led Zeppelin em seu DNA, se destacando não só pelo trabalho das guitarras, como também por uma saudável dose de sujeira. Na sequência final, temos “Can’t Take It With You” e seu refrão fácil, que te fisga já na primeira audição, “Leave Me Alone”, com um groove que a faz soar como uma mescla de AC/DC com Aerosmith e mais uma versão matadora, desta vez para “Revolution”, dos Beatles.

Com produção de Marti Frederiksen (Aerosmith, Def Leppard, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Foreigner), mixagem de Anthony Focx (Queensrÿche, Newsted, Foreigner, Santana, Night Ranger) e masterização de Howie Weinberg (Rush, Anthrax, Metallica, Uriah Heep, Celtic Frost, Dream Theater), o resultado final de Burn It Down é excelente, já que apesar de tudo claro e audível, não abriram mão de uma dose de sujeira, deixando assim tudo mais orgânico. Capa e design ficaram por conta de Sebastian Rohde (Iced Earth, Prong, In Extremo). No fim, o The Dead Daisies presenteia seus fãs com seu melhor trabalho até o momento, dando uma verdadeira aula do bom e verdadeiro Rock and Roll. Um dos melhores álbuns de 2018, e presença obrigatória na coleção de qualquer apreciador de boa música.

NOTA: 90

The Dead Daisies é:
- John Corabi (Vocal);
- David Lowy (Guitarra);
- Doug Aldrich (Guitarra);
- Marco Mendoza (Baixo);
- Deen Castronovo (Bateria).

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ministry - Amerikkkant (2018)


Ministry - Amerikkkant (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. I Know Words
02. Twilight Zone
03. Victims Of A Clown
04. TV5-4 Chan
05. We’re Tired Of It
06. Wargasm
07. Antifa
08. Game Over
09. AmeriKKKa

Não é exagero dizer que por muito tempo, o Heavy Metal possuiu um caráter contestador, até mesmo subversivo. Era isso que o tornava popular, atraía a juventude e ajudava na renovação de sua base de fãs. O jovem quer algo que choque, que bata de frente com os preceitos vigentes da sociedade, e até meados dos anos 90, era possível encontrar bandas que cumpriam bem esse papel. Mas vá lá entender, por algum motivo o estilo acabou se tornando música de “tiozão conservador”, perdendo esse seu lado mais incisivo. Com isso, o mesmo deixou de ser algo atrativo as camadas mais jovens, prejudicando assim todo o processo de renovação de sua base de fãs, que ocorre de forma lenta e a duras penas. Esse vácuo, no fim das contas, está sendo ocupado de forma muito inteligente por vários artistas do hip-hop, vide por exemplo, todo o estardalhaço causado por “This is America”, do rapper Childish Gambino. No momento que comecei a escrever essa resenha, o vídeo da canção já possuía mais de 213 MILHÕES de visualizações (em menos de 1mês).

Mas felizmente ainda existem bandas como o Ministry. Goste você ou não, é indiscutível o espírito contestador de seu líder, Al Jourgensen, sempre muito crítico com relação à sociedade americana. E é ela e seu momento conturbado do ponto de vista político-social, que dá toda a munição que ele necessita para fazer de Amerikkkant, seu 14º trabalho de estúdio, um dos álbuns mais ácidos que você escutará esse ano. Aqui sobra para todo mundo: Trump, fanáticos religiosos, crise política, racismo, supremacistas brancos, a forma como o país vem se dividindo, tudo vira munição na mão da banda. É uma crítica hostil e agressiva a toda turbulência pela qual passam os Estados Unidos.

Um dos pioneiros do Metal Industrial e uma das bandas mais influentes do estilo, o Ministry é dono de alguns trabalhos clássicos, como The Mind Is a Terrible Thing to Taste (89), Psalm 69 (92) e Rio Grande Blood (06). Mas não dá pra discutir o fato de que seus últimos 2 álbuns, Relapse (12) e From Beer to Eternity (13), não estão entre os mais inspirados da sua carreira. Muito disso se deu devido ao péssimo momento pelo qual Al Jourgensen passava, com problemas de saúde, o falecimento do guitarrista e um de seus melhores amigos, Mike Scaccia, além do vício em álcool e drogas. Não à toa, chegou a encerrar as atividades da banda em 2013. Felizmente, no ano seguinte optou por voltar à ativa e agora, 4 anos depois, nos entrega seu melhor trabalho desde 2006.


A mescla de vocais gritados e distorcidos, guitarras pesadas, elementos eletrônicos (utilizados de forma bem variada), samples, instrumentos de cordas, dentre vários outros detalhes, acabam gerando um desconforto no ouvinte, já que a música que surge disso acaba soando como a personificação perfeita do caos vivido por uma sociedade que, em muitos aspectos, remete diretamente e assustadoramente à nossa. “I Know Words” é uma colagem de elementos eletrônicos com samples de discursos de campanha de Donald Trump, e conta com a adição de um violoncelo. É o prelúdio de tudo que vamos escutar dali para frente. A bombástica e explosiva “Twilight Zone” é uma crítica raivosa ao atual Presidente americano, algo que continua em  “Victims Of A Clown”. Nessa, além de citações a O Grande Ditador, de Chaplin, e de novamente utilizar um violoncelo, temos a participação especial do rapper Arabian Prince, do lendário N.W.A, nos scratchings. Vale destacar também a forma como os elementos eletrônicos são muito bem utilizados e o baixo grooveado.

Após a vinheta “TV5-4 Chan”, é a vez da pesadíssima e raivosa “We’re Tired Of It”, mais puxada para o Metal e uma das músicas a contar com a participação de Burton C. Bell, do Fear Factory, nos vocais. Ele retorna na faixa seguinte, a sinistra e sombria “Wargasm”, essa com uma pegada que pode remeter o ouvinte ao Nine Inch Nails. “Antifa” é um belo exemplar de Metal Industrial com uma abordagem mais moderna, mas, ainda assim, é a faixa mais comum do trabalho. “Game Over” é, além de pesada e intensa, bem escura e hipnótica, graças à forma como os elementos industriais foram utilizados. A clássica “Thieves” me veio à cabeça durante a audição de mesma. Para encerrar com chave de ouro, temos  “AmeriKKKa”, que foge dos padrões repetitivos, esbanja intensidade e soa quase apocalíptica.

A produção ficou por conta do próprio Al Jourgensen, com mixagem realizada por Michael Rozon (Hirax, Melvins) e masterização de Dave Donnelly (Manowar, In Flames, Hammerfall, Mötley Crüe). O resultado final é não menos que ótimo. Já toda a capa e toda a parte gráfica, que segue o tom ácido e crítico do álbum, foi obra de Sam Shearon (Kill Devil Hill, A Pale Horse Named Death). Criticando o conservadorismo, o capitalismo, o elitismo, o racismo, os armamentistas, o fanatismo religioso, e tudo mais que causa o caos e a divisão dentro dos Estados Unidos, o Ministry nos entrega com Amerikkkant um trabalho sólido, atual e muito interessante. Pode até não estar no mesmo patamar de seus clássicos, mas, ainda assim, merece uma posição de destaque dentro de sua discografia.

NOTA: 85

Ministry é:
- Al Jourgensen (Vocal/Guitarra/Programação/Teclado)   
- Sinhue Quirin (Guitarra)
- Cesar Soto (Guitarra)
- Tony Campos (Baixo)
- John Bechdel (Teclado)
- Derek Abrams (Bateria)
- DJ Swamp (Scratchings)

Ministry (gravação):
- Al Jourgensen (Vocais nas faixas 2, 5, 6, 7, 8, 9/Guitarra nas faixas 2, 3, 5, 6, 7, 9/Teclado nas faixas 1, 2, 5, 6, 7, 9/Samplers nas faixas 1, 2, 4, 5, 6, 8, 9/Gaita na faixa 2)
- Sinhue Quirin (Guitarra nas faixas 2, 3, , 6, 7, 8, 9)
- Cesar Soto (Guitarra, Sirene e Sequenciador na faixa 6)
- Jason Christopher (Baixo nas faixas 2, 3, 5, 8, 9)
- Tony Campos (Baixo nas faixas 6, 7)
- John Bechdel (Teclado nas faixas 2, 3, 9)
- Roy Mayorga (Bateria nas faixas 3, 8, 9)
- DJ Swamp (Scratchings nas faixas 1, 2, 5, 6)

Participações Especiais:
- Lord of the Cello (Cordas nas faixas 1 ,2 e 3)
- Michael Rozon (Bateria Programada nas faixas 2, 3, 5, 6, 7, 9/Teclado na faixa 8)
- Burton C. Bell (Vocal na faixa 5 e narração na faixa 6)
- Arabian Prince (Scratchings na faixa 3)

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