quarta-feira, 20 de junho de 2018

Fallen Idol – Mourn the Earth (2018)


Fallen Idol – Mourn the Earth (2018)
(Tales from the Pit, Nomade Records, Mutilation Records, The Metalvox Produções, Nuktemeron Productions e Left Hand Records – Nacional)


01. Witches of Lucifer
02. Time to Mourn the Earth
03. Wait
04. Shattered Mirror
05. Chrisalysm
06. Lucidity
07. Secret Place

Existiu um tempo no qual o Doom Metal, esse gênero maldito que todos amamos (como diz o velho ditado, quem não gosta de Doom, bom sujeito não é!), não era tão popular por aqui. Não que hoje em dia ele domine as paradas de sucesso, mas é possível observarmos seu crescimento exponencial nos últimos anos, tanto em matéria de quantidade de boas bandas, como também do público que as aprecia. E dentre as principais bandas surgidas no Brasil nos últimos anos, um nome que merece destaque é o paulista Fallen Idol.

Surgido no ano de 2012, na cidade de Arujá/SP, o Power Trio formado por Rod Sitta (Vocal/Guitarra), Márcio Silva (Baixo) e Ulisses Campos (Bateria), pratica um Epic Doom Metal que possui um dos pés muito bem fincados no Heavy Metal Tradicional. Sua estreia se deu no ano de 2015, com um trabalho autointitulado, onde apresentaram uma sonoridade mais crua e agressiva, que acabou sendo refinada no lançamento seguinte, o ótimo Seasons of Grief (16), um trabalho que pendia muito mais para o Doom.

Já em seu terceiro álbum, Mourn the Earth, o trio dá mais um passo à frente, evoluindo ainda mais sua sonoridade, mostrando que a acomodação passa longe do Fallen Idol. Mesclando o melhor dos dois trabalhos anteriores, o que temos aqui é uma banda que soa ainda mais coesa e entrosada (afinal, são 6 anos mantendo a mesma formação), e que esbanja criatividade. A atmosfera que emana de cada canção é sombria e lúgubre, algo digno dos melhores trabalhos do estilo. Os vocais de Rod deram um passo evolutivo, soando superior ao que escutamos no passado, e o trabalho da guitarra é o melhor já apresentado pelos paulistas. Na parte rítmica, o baixo de Márcio e a bateria de Ulisses mantém o alto nível do trabalho, esbanjando peso e força. Tudo soa superior.


De cara já temos um clássico instantâneo, com a intensa “Witches Of Lucifer”, com ótimo riffs, refrão marcante e que conta com ótimos vocais femininos, cortesia de Paula Nogueira. Na sequência, temos a pesada “Time to Mourn the Earth”, que possui bom groove e um ótimo desempenho da parte rítmica. “Wait” é um doomzão da melhor qualidade, bruto, obscuro e arrastado, como deve ser toda canção do estilo. “Shattered Mirror” é dessas canções bem variadas, que trafega com muita qualidade entre o Heavy e o Doom, alternando passagens mais velozes e outras mais cadenciadas. É sem dúvida o momento mais agressivo de todo o trabalho. A instrumental “Chrisalysm” é o momento Cliff Burton do álbum, sendo toda levada pelo baixo de Márcio. Fechando o álbum, uma sequência totalmente voltada para o Doom, com a ótima “Lucidity” e sua melodia grudenta, e a lenta, arrastada e escura “Secret Place”.

Gravado no No Limits Studio, o álbum teve produção de Ivi Kardec, Felipe Stress e Rod Sitta, com mixagem e masterização realizadas pelos dois primeiros. O resultado final é muito bom, já que passa longe das produções artificializadas de hoje em dia, soando bem orgânica. É clara, com tudo audível, mas com aquela dose de sujeira mais do que saudável. A bela capa foi obra de César Benatti e Rod. Dando o passo definitivo rumo à sua maturidade musical, o Fallen Idol impressiona não só pelo crescimento apresentado entre os trabalhos, como também pela criatividade e qualidade do material aqui mostrado. E ouso dizer que Mourn the Earth é fortíssimo candidato não só a estar entre os melhores álbuns nacionais de 2018, como também se destacar a nível mundial dentro do cenário do Doom Metal. Um dos melhores álbuns do estilo já lançados em solo brasileiro.

NOTA: 89

Fallen Idol é:
- Rod Sitta (Vocal/Guitarra);
- Márcio Silva (Baixo);
- Ulisses Campos (Bateria).

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

The Dead Daisies - Burn It Down (2018)


The Dead Daisies - Burn It Down (2018)
(SPV/Shinigami Records - Nacional)


01. Resurrected
02. Rise Up
03. Burn It Down
04. Judgement Day
05. What Goes Around
06. Bitch (Rolling Stones Cover)
07. Set Me Free
08. Dead And Gone
09. Can’t Take It With You
10. Leave Me Alone
11. Revolution (Beatles Cover)

Desde que surgiu em 2013, pelas mãos do guitarrista David Lowy e do vocalista Jon Stevens (ex-INXS), o The Dead Daisies sempre chamou a atenção por dois motivos: a quantidade de grandes músicos envolvidos e a qualidade de suas músicas. Atualmente formado por John Corabi (vocal, ex-Mötley Crüe), Lowy (guitarra), Doug Aldrich (guitarra, ex-Dio, ex-Whitesnake, ex-Foreigner), Marco Mendoza (baixo, ex-Blue Murder, ex-John Sykes, ex-Ted Nugent, ex-Whitesnake) e Deen Castronovo (bateria, ex-Journey, ex-Ozzy Osbourne, ex-Steve Vai, ex-Paul Rodgers, ex-Tony MacAlpine, ex-Cacophony, dentre outros), esse último estreando em estúdio, chegam ao seu 4º trabalho de estúdio, Burn It Down, sucessor do ótimo Make Some Noise (16).

Para quem por acaso desconhece o The Dead Daisies, o quinteto pratica um Hard Rock Clássico, carregado de energia e com uma pegada mais voltada para os anos 70. Em Burn It Down podemos observar que sua música não só está mais sólida que nos trabalhos anteriores, como também soa mais pesada, despojada e crua. E isso, meus amigos, acabou por fazer um bem danado aos caras. Corabi está cantando de uma forma absurda, e só não ganha o posto de principal destaque individual porque David Lowy e, principalmente, Doug Aldrich soam monstruosos. O trabalho das guitarras aqui foi elevado a um outro nível se comparado com os álbuns anteriores. Na parte rítmica, Mendoza e Castronovo transbordam competência e categoria, algo mais do que esperado.

De cara, já temos uma sequência arrasa quarteirão, com as excelentes “Resurrected”, ruidosa, enérgica e com riffs pesados, e a cativante “Rise Up”, forte candidata a se tornar um hino da banda, e que vai te fazer bater a cabeça involuntariamente. “Burn It Down” tem uma levada mais cadenciada e uma saudável influência de Blues, além de um refrão que te pega de primeira. Essas características também se fazem presentes em “Judgement Day”, que mescla Hard Rock com o bom e velho Southern Rock. “What Goes Around” é uma canção forte, com um ótimo trabalho de guitarras, que vai te remeter invariavelmente ao Led Zeppelin, além de um baixo marcante.


Uma característica marcante do The Dead Daisies é a sua capacidade ímpar de recriar temas de outros artistas. E é assim que eles abrem a segunda metade do álbum, com uma versão simplesmente fantástica de “Bitch”, do Rolling Stones. “Set Me Free” é uma “balada” com aquela pegada sulista, que me fez pensar em Lynyrd Skynyrd e congêneres, além de possuir ótimos arranjos vocais. “Dead And Gone” é outra que tem o Led Zeppelin em seu DNA, se destacando não só pelo trabalho das guitarras, como também por uma saudável dose de sujeira. Na sequência final, temos “Can’t Take It With You” e seu refrão fácil, que te fisga já na primeira audição, “Leave Me Alone”, com um groove que a faz soar como uma mescla de AC/DC com Aerosmith e mais uma versão matadora, desta vez para “Revolution”, dos Beatles.

Com produção de Marti Frederiksen (Aerosmith, Def Leppard, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Foreigner), mixagem de Anthony Focx (Queensrÿche, Newsted, Foreigner, Santana, Night Ranger) e masterização de Howie Weinberg (Rush, Anthrax, Metallica, Uriah Heep, Celtic Frost, Dream Theater), o resultado final de Burn It Down é excelente, já que apesar de tudo claro e audível, não abriram mão de uma dose de sujeira, deixando assim tudo mais orgânico. Capa e design ficaram por conta de Sebastian Rohde (Iced Earth, Prong, In Extremo). No fim, o The Dead Daisies presenteia seus fãs com seu melhor trabalho até o momento, dando uma verdadeira aula do bom e verdadeiro Rock and Roll. Um dos melhores álbuns de 2018, e presença obrigatória na coleção de qualquer apreciador de boa música.

NOTA: 90

The Dead Daisies é:
- John Corabi (Vocal);
- David Lowy (Guitarra);
- Doug Aldrich (Guitarra);
- Marco Mendoza (Baixo);
- Deen Castronovo (Bateria).

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ministry - Amerikkkant (2018)


Ministry - Amerikkkant (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. I Know Words
02. Twilight Zone
03. Victims Of A Clown
04. TV5-4 Chan
05. We’re Tired Of It
06. Wargasm
07. Antifa
08. Game Over
09. AmeriKKKa

Não é exagero dizer que por muito tempo, o Heavy Metal possuiu um caráter contestador, até mesmo subversivo. Era isso que o tornava popular, atraía a juventude e ajudava na renovação de sua base de fãs. O jovem quer algo que choque, que bata de frente com os preceitos vigentes da sociedade, e até meados dos anos 90, era possível encontrar bandas que cumpriam bem esse papel. Mas vá lá entender, por algum motivo o estilo acabou se tornando música de “tiozão conservador”, perdendo esse seu lado mais incisivo. Com isso, o mesmo deixou de ser algo atrativo as camadas mais jovens, prejudicando assim todo o processo de renovação de sua base de fãs, que ocorre de forma lenta e a duras penas. Esse vácuo, no fim das contas, está sendo ocupado de forma muito inteligente por vários artistas do hip-hop, vide por exemplo, todo o estardalhaço causado por “This is America”, do rapper Childish Gambino. No momento que comecei a escrever essa resenha, o vídeo da canção já possuía mais de 213 MILHÕES de visualizações (em menos de 1mês).

Mas felizmente ainda existem bandas como o Ministry. Goste você ou não, é indiscutível o espírito contestador de seu líder, Al Jourgensen, sempre muito crítico com relação à sociedade americana. E é ela e seu momento conturbado do ponto de vista político-social, que dá toda a munição que ele necessita para fazer de Amerikkkant, seu 14º trabalho de estúdio, um dos álbuns mais ácidos que você escutará esse ano. Aqui sobra para todo mundo: Trump, fanáticos religiosos, crise política, racismo, supremacistas brancos, a forma como o país vem se dividindo, tudo vira munição na mão da banda. É uma crítica hostil e agressiva a toda turbulência pela qual passam os Estados Unidos.

Um dos pioneiros do Metal Industrial e uma das bandas mais influentes do estilo, o Ministry é dono de alguns trabalhos clássicos, como The Mind Is a Terrible Thing to Taste (89), Psalm 69 (92) e Rio Grande Blood (06). Mas não dá pra discutir o fato de que seus últimos 2 álbuns, Relapse (12) e From Beer to Eternity (13), não estão entre os mais inspirados da sua carreira. Muito disso se deu devido ao péssimo momento pelo qual Al Jourgensen passava, com problemas de saúde, o falecimento do guitarrista e um de seus melhores amigos, Mike Scaccia, além do vício em álcool e drogas. Não à toa, chegou a encerrar as atividades da banda em 2013. Felizmente, no ano seguinte optou por voltar à ativa e agora, 4 anos depois, nos entrega seu melhor trabalho desde 2006.


A mescla de vocais gritados e distorcidos, guitarras pesadas, elementos eletrônicos (utilizados de forma bem variada), samples, instrumentos de cordas, dentre vários outros detalhes, acabam gerando um desconforto no ouvinte, já que a música que surge disso acaba soando como a personificação perfeita do caos vivido por uma sociedade que, em muitos aspectos, remete diretamente e assustadoramente à nossa. “I Know Words” é uma colagem de elementos eletrônicos com samples de discursos de campanha de Donald Trump, e conta com a adição de um violoncelo. É o prelúdio de tudo que vamos escutar dali para frente. A bombástica e explosiva “Twilight Zone” é uma crítica raivosa ao atual Presidente americano, algo que continua em  “Victims Of A Clown”. Nessa, além de citações a O Grande Ditador, de Chaplin, e de novamente utilizar um violoncelo, temos a participação especial do rapper Arabian Prince, do lendário N.W.A, nos scratchings. Vale destacar também a forma como os elementos eletrônicos são muito bem utilizados e o baixo grooveado.

Após a vinheta “TV5-4 Chan”, é a vez da pesadíssima e raivosa “We’re Tired Of It”, mais puxada para o Metal e uma das músicas a contar com a participação de Burton C. Bell, do Fear Factory, nos vocais. Ele retorna na faixa seguinte, a sinistra e sombria “Wargasm”, essa com uma pegada que pode remeter o ouvinte ao Nine Inch Nails. “Antifa” é um belo exemplar de Metal Industrial com uma abordagem mais moderna, mas, ainda assim, é a faixa mais comum do trabalho. “Game Over” é, além de pesada e intensa, bem escura e hipnótica, graças à forma como os elementos industriais foram utilizados. A clássica “Thieves” me veio à cabeça durante a audição de mesma. Para encerrar com chave de ouro, temos  “AmeriKKKa”, que foge dos padrões repetitivos, esbanja intensidade e soa quase apocalíptica.

A produção ficou por conta do próprio Al Jourgensen, com mixagem realizada por Michael Rozon (Hirax, Melvins) e masterização de Dave Donnelly (Manowar, In Flames, Hammerfall, Mötley Crüe). O resultado final é não menos que ótimo. Já toda a capa e toda a parte gráfica, que segue o tom ácido e crítico do álbum, foi obra de Sam Shearon (Kill Devil Hill, A Pale Horse Named Death). Criticando o conservadorismo, o capitalismo, o elitismo, o racismo, os armamentistas, o fanatismo religioso, e tudo mais que causa o caos e a divisão dentro dos Estados Unidos, o Ministry nos entrega com Amerikkkant um trabalho sólido, atual e muito interessante. Pode até não estar no mesmo patamar de seus clássicos, mas, ainda assim, merece uma posição de destaque dentro de sua discografia.

NOTA: 85

Ministry é:
- Al Jourgensen (Vocal/Guitarra/Programação/Teclado)   
- Sinhue Quirin (Guitarra)
- Cesar Soto (Guitarra)
- Tony Campos (Baixo)
- John Bechdel (Teclado)
- Derek Abrams (Bateria)
- DJ Swamp (Scratchings)

Ministry (gravação):
- Al Jourgensen (Vocais nas faixas 2, 5, 6, 7, 8, 9/Guitarra nas faixas 2, 3, 5, 6, 7, 9/Teclado nas faixas 1, 2, 5, 6, 7, 9/Samplers nas faixas 1, 2, 4, 5, 6, 8, 9/Gaita na faixa 2)
- Sinhue Quirin (Guitarra nas faixas 2, 3, , 6, 7, 8, 9)
- Cesar Soto (Guitarra, Sirene e Sequenciador na faixa 6)
- Jason Christopher (Baixo nas faixas 2, 3, 5, 8, 9)
- Tony Campos (Baixo nas faixas 6, 7)
- John Bechdel (Teclado nas faixas 2, 3, 9)
- Roy Mayorga (Bateria nas faixas 3, 8, 9)
- DJ Swamp (Scratchings nas faixas 1, 2, 5, 6)

Participações Especiais:
- Lord of the Cello (Cordas nas faixas 1 ,2 e 3)
- Michael Rozon (Bateria Programada nas faixas 2, 3, 5, 6, 7, 9/Teclado na faixa 8)
- Burton C. Bell (Vocal na faixa 5 e narração na faixa 6)
- Arabian Prince (Scratchings na faixa 3)

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domingo, 3 de junho de 2018

Melhores álbuns – Maio de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de maio na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. Amorphis - Queen Of Time 


2º. Ynys Wydryn - Malevolent Creation
 

3º. Maestrick - Espresso della vita: Solare
 

4º. Graveyard - Peace
 

5º. Angelus Apatrida - Cabaret de la Guillotine


6º. Mos Generator - Shadowlands
 

7º. Eye of Solitude - Slaves Of Solitude


8º. Dopethrone - Transcanadian Anger


9º. Ihsahn - Ámr


10º. MX - A Circus Called Brazil
 

Menções Honrosas

- Iron Angel - Hellbound 


- Lords of Black - Icons of the New Days 


- Acherontas - Faustian Ethos
 

- Alkaloid - Liquid Anatomy

terça-feira, 29 de maio de 2018

Michael Schenker Fest – Resurrection (2018)


Michael Schenker Fest – Resurrection (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Heart and Soul (feat. Robin McAuley & Kirk Hammett)
02. Warrior (feat. Gary Barden, Graham Bonnet, Robin McAuley & Doogie White)
03. Take Me to the Church (feat. Doogie White)
04. Night Moods (feat. Graham Bonnet)
05. The Girl with the Stars in Her Eyes (feat. Doogie White)
06. Everest (feat. Graham Bonnet)
07. Messin’ Around (feat. Gary Barden)
08. Time Knows When It’s Time (feat. Robin McAuley)
09. Anchors Away (feat. Doogie White)
10. Salvation
11. Livin’ a Life Worth Livin’ (feat. Gary Barden)
12. The Last Supper (feat. Gary Barden, Graham Bonnet, Robin McAuley & Doogie White)

O Michael Schenker Fest surgiu em 2016, quando Michael Schenker resolveu reunir antigos membros do MSG (tanto do Michael Schenker Group quanto do McAuley Schenker Group) para uma série de shows pela Europa e Japão. Eis que então tínhamos em um mesmo palco os vocalistas Gary Barden, Graham Bonnet e Robin McAuley, o guitarrista/tecladista Steve Mann, o baixista Chris Glen e o baterista Ted McKenna, todos músicos de qualidade indiscutível e com uma história ao lado do guitarrista alemão. O sucesso foi inevitável, as apresentações lotaram e a turnê rendeu um trabalho gravado ao vivo no Japão.

O passo seguinte era lógico e inevitável: entrar em estúdio e gravar novas músicas com essa formação. E foi isso que Michael Schenker resolveu fazer. E para tornar tudo ainda mais matador, convidou Doogie White, vocalista de seu outro projeto atual, o Michael Schenker's Temple of Rock. Impossível dar errado, e o resultado disso é Resurrection, uma verdadeira aula de Hard/Heavy. Vale destacar dois pontos aqui, por mais que não sejam uma surpresa. Todos os 4 vocalistas foram muito bem aproveitados, com o devido espaço para brilharem, tanto individualmente quanto em conjunto. Além disso, o trabalho de guitarra aqui é simplesmente espetacular, com muita solidez, peso e groove. Mas também, convenhamos, estamos falando de  Michael Schenker, um dos melhores e mais influentes guitarristas de todos os tempos.

Abrindo os trabalhos, temos a acelerada e intensa “Heart and Soul”, com Robin McAuley nos vocais e participação de ninguém menos que Kirk Hammett na guitarra, sendo seguida por “Warrior”, que reúne os 4 vocalistas, possui um ótimo groove e boa utilização do teclado.“Take Me to the Church” conta com Doogie White nos vocais, tem ótimos riffs, um solo maravilhoso e um refrão simplesmente grudento.“Night Moods”, com Graham Bonnet, tem uma pegada mais clássica, com algo de Deep Purple bem evidente, “The Girl with the Stars in Her Eyes” pode remeter o ouvinte ao Rainbow, graças aos ótimos vocais de Doogie e aos bons riffs. Graham Bonnet canta na boa e rápida “Everest”.


A segunda metade abre com Gary Barden no divertido Rock com pegada blues “Messin’ Around”, uma das canções mais legais de todo o álbum.“Time Knows When It’s Time” é a segunda música a contar com McAuley, e soa bem enérgica, com uma pegada mais Metal que caiu muito bem. “Anchors Away” esbanja criatividade e tem um clima bem emocional, além de ótimo trabalho vocal de Doogie White. Na sequência, temos a intrumental “Salvation”, onde se destacam os riffs e o ótimo uso do wah-wah. Partindo para o final do álbum, temos “Livin’ a Life Worth Livin’”, outra a contar com Gary Barden, e que possui um refrão muito legal, e encerrando, “The Last Supper”, que novamente reúne os 4 vocalistas, encerrando Resurrection com chave de ouro.

A produção ficou por conta de Schenker e Michael Voss-Schön (Michael Schenker's Temple of Rock), sendo que este também cuidou da mixagem. Já a masterização foi realizada por Christoph "Doc" Stickel (Michael Schenker's Temple of Rock, Rhapsody of Fire, Luca Turilli's Rhapsody). O resultado final não é menos do que excelente. Já a ótima capa, que faz referência direta à Santa  Ceia, foi obra do alemão Stefan Heilemann (Pain, Epica, Blues Pills, Lindemann, Kreator), da Heilemania. Resurrection não é apenas uma celebração à carreira de Michael Schenker, mas a todo Hard/Heavy. Divertido como todos os álbuns do estilo deveriam ser!

NOTA: 87

Michael Schenker Fest é:
- Michael Schenker (Guitarra);
- Robin McAuley (Vocal);
- Gary Barden (Vocal);
- Doogie White (Vocal);
- Graham Bonnet (Vocal);
- Steve Mann (Guitarra/Teclado);
- Chris Glen (Baixo);
- Ted McKenna (Bateria).

Participações Especiais:
- Kirk Hammett (Guitarra em "Heart and Soul")
- Wayne Findlay (Teclado em "Heart and Soul" e "Salvation)

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terça-feira, 22 de maio de 2018

Memoriam - The Silent Vigil (2018)


Memoriam - The Silent Vigil (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Soulless Parasite
02. Nothing Remains
03. From The Flames
04. The Silent Vigil
05. Bleed The Same
06. As Bridges Burn
07. The New Dark Ages
08. No Known Grave
09. Weaponised Fear
10. Dronestrike V3 (Bonus Track)

A história do Memoriam já é conhecida pela maioria dos que apreciam Death Metal. Após a morte repentina do baterista Martin "Kiddie" Kearns, o Bolt Thrower resolveu encerrar sua carreira, e então seu vocalista, Karl Willetts, se juntou a alguns amigos para homenagear seu companheiro de banda. Só que esses amigos eram ninguém menos que o guitarrista Scott Fairfax (ex-Cerebral Fix, e que toca ao vivo com o Benediction), o lendário baixista Frank Healy (Sacrilege, ex-Benediction, ex-Napalm Death, ex-Cerebral Fix) e o baterista original do Bolt Thrower, Andrew Whale. Nascia então um verdadeiro supergrupo de Death Metal.

Além de uma grande homenagem, o Memoriam também se tornou uma forma de seus músicos se expressarem musicalmente, já que mesmo antes do fim, o Bolt Thrower não lançava nada desde o longínquo ano de 2005 e o Benediction, desde 2008. Talvez esteja aí a explicação de tanta urgência em seus lançamentos. Seu álbum de estreia, For the Fallen, foi um dos melhores trabalhos de Death Metal de 2017, e passado exatamente 1 ano do lançamento do mesmo, o quarteto já nos surpreende com seu sucessor, The Silent Vigil. E o que esperar do mesmo, sendo lançado assim em um espaço tão curto de tempo?

O debut, do ponto de vista de sonoridade, não surpreendeu ninguém, já que tinha muito de Bolt Thrower no mesmo. E mais do que pelos vocais de Willetts, a semelhança se dava muito nos riffs de guitarra, que seguiam aquela linha mais conservadora e monolítica que marcou a carreira do grupo. Seu Death Metal sempre foi muito mais homogêneo, sólido, forte e consistente, do que veloz e brutal, como observamos em muitas bandas atuais. Em uma era onde todos querem tocar de forma mais rápida, bruta e técnica, For the Fallen primou por ser um álbum da velha escola, pesado, raivoso e sujo. 


Já com The Silent Vigil, o que podemos observar é um Memoriam buscando ser mais Memoriam e menos Bolt Thrower. Claro que algumas características em comum ainda se fazem presentes (principalmente no trabalho das guitarras), mas é inegável que aqui buscam novos caminhos para suas músicas, que soam com muito mais groove e peso que no seu antecessor. E não é exagero também dizer que soa mais visceral e sombrio. Como era de se esperar, a homogeneidade entre as canções é algo latente, mas algumas se destacam um pouco acima das demais. São os casos de  “Nothing Remains”, uma faixa que transborda maldade e onde Whale brilha, “From The Flames”, uma dessas músicas que te faz bater cabeça sem nem notar, graças aos ótimos riffs, a ótima “Bleed The Same”, a pesada, densa e agressiva “As Bridges Burn”, e a sinistra e sombria “No Known Grave”.

A produção e masterização ficaram a cargo de Jon Dewsbury e James Pitts, que ao lado do guitarrista Scott Fairfax, cuidaram da mixagem. O resultado final ficou bem legal e condizente com a proposta musical da banda. Já a capa foi obra do lendário Dan Seagrave, que já havia trabalhado com a banda no debut, além de ter feito capas icônicas do estilo para bandas como Benediction, Entombed, Morbid Angel, Suffocation, Pestilence, Malevolent Creation, dentre muitas outras. O design e o layout ficaram novamente por conta do brasileiro Marcelo Vasco (Kreator, Slayer, Brujeria, Machine Head, Testament). Confesso que em um primeiro momento, estranhei um pouco The Silent Vigil, mas depois de algumas audições o trabalho foi crescendo e me ganhando aos poucos. No fim, o que temos é um álbum que personifica, como poucos nos dias de hoje, o que é Death Metal.

NOTA: 85

Memoriam é:
- Karl Willetts (Vocal);
- Scott Fairfax (Guitarra);
- Frank Healy (Baixo);
- Andrew Whale (Bateria).

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Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)


Heavatar - Opus II: The Annihilation (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. None Shall Sleep
02. Into Doom
03. Purpose Of A Virgin Mind
04. Hijacked By Unicorns
05. The Annihilation
06. Wake Up Now
07. A Broken Taboo
08. An Awakening
09. A Battle Against All Hope
10. A Look Inside
11. Metal Daze (Manowar Cover)
12. The Look Inside (Orchestral Version)

Como o tempo é algo escasso para a maior parte das pessoas, vou começar essa resenha de uma forma diferente. Se você não curte de forma alguma Power Metal, seja na sua vertente mais clássica ou mesmo a mais melódica/orquestral, pode parar por aqui mesmo sua leitura e voltar a concentrar seu tempo em atividades que julga mais edificantes. Continua aqui? Que ótimo, pois existem grandes possibilidades de que esse álbum entre no hall dos seus trabalhos preferidos nesse ano de 2018. Mas antes de tudo, vamos contextualizar o que vem pela frente.

Para quem não conhece, o Heavatar surgiu no ano de 2012, na Alemanha, pelas mãos de Stefan Schmidt, a mente criativa por detrás do Van Canto, grupo que se notabilizou por fazer um Heavy Metal a cappella. A ideia era simples: como soaria um grupo de Metal se nomes como Beethoven, Vivaldi, Puccini, Mendelssohn, Mozart, dentre outros, resolvessem formar uma banda? Inicialmente para tal jornada, o mesmo se cercou de músicos experientes na cena, mais precisamente o renomado baterista Jörg Michael (ex-Stratovarius, ex-Saxon, ex-Rage, ex-Running Wild, ex-Grave Digger, dentre outros), o guitarrista Sebastian Scharf (ex-Fading Starlight, banda na qual Stefan também tocou) e o baixista Charles Greywolf (Powerwolf).


Com esse time, lançou seu debut no ano de 2013, Opus I – All My Kingdoms, onde mostrou uma abordagem mais pesada ao tratar da fusão de Power Metal e Música Clássica. O fato é que em vez de inserir grandes partes orquestradas em suas canções, dentre outros exageros que muitos cometem por aí, resolveram fazer isso através das melodias, harmonias, solos e riffs presentes. Ok, outras bandas já fizeram isso no passado? Sim, mas não dá pra negar que o Heavatar transborda honestidade em sua música. Já para esse segundo álbum, apresentam uma mudança de formação, já que Greywolf não faz mais parte da mesma, tendo sido substituído pelo baixista Daniel Wicke, que tocou com Schmidt em outra ex-banda deste, o Jester’s Funeral.

Confesso que em um primeiro momento, o lançamento de Opus II: The Annihilation passou meio que batido por mim, já que o debut, apesar de bom, não me empolgou muito na época. Sendo assim, só posso agradecer à Shinigami Records por esse lançamento, pois eu teria perdido a chance de escutar um belo álbum de Power Metal. Como já dito, não estamos diante de uma proposta inovadora e revolucionária, mas temos em mãos um trabalho muito mais consistente, coeso e equilibrado do que há 5 anos atrás. As canções possuem peso e agressividade, com as influências de Música Clássica podendo soar mais na cara ou mais discretas. Os arranjos são muito bons, algo mais do que esperado levando em conta o talento que Stefan possui nesse sentido (o Van Canto, goste você ou não, está aí para mostrar isso). Ele, por sinal, se sai muito bem nos vocais, que se mostram bem variados, além de formar uma boa dupla com Sebastian Scharf, vide os bons riffs que surgem. A parte rítmica faz um belo trabalho, com Daniel sendo bem correto e Jörg apresentando seu trabalho explosivo de sempre.

“None Shall Sleep” abre o álbum de forma pesada e enérgica, com ótimos riffs e refrão, além de pegarem emprestada a linha melódica de “Nessun Dorma”, de Puccini. Ficou realmente muito legal. Mantendo o pé no acelerador, temos “Into Doom”, um Power Clássico com belas melodias e refrão fácil. “Purpose Of A Virgin Mind”, apesar de um pouco menos acelerada, ainda é uma faixa bem rápida e mostra ótimos riffs, além de bastante peso. A cadenciada “Hijacked By Unicorns” te esfrega Chopin na cara, na sua breve introdução de piano, e cativa com suas belas melodias vocais. “The Annihilation” começa com a 5ª Sinfonia de Beethoven, para depois alternar muito bem partes mais cadenciadas com outras mais velozes. E o refrão é explosivo! “Wake Up Now” é uma faixa mid-tempo que tem tudo para se tornar um hino do Heavatar, com riffs excelentes e muito peso. Simplesmente cativante.


Após isso, vem a sequência final, com a suíte intitulada The Look Inside, dividida em 4 canções diferentes, mas que possui elementos nas letras que se repetem em cada uma delas, servindo assim como um elo entre as mesmas. Aqui os elementos orquestrais surgem com mais força, transformando tudo em algo verdadeiramente épico. Além disso, se destacam pelas várias mudanças de ritmo, pelas belas melodias vocais (contando com a participação de Inga Scharf, do Van Canto) e por todo clima épico. Essas mudanças de andamento já podem ser bem observadas na abertura, com “A Broken Taboo”, que possui ótimas orquestrações e bastante peso. “An Awakening” é uma faixa belíssima, com lindas harmonias vocais, elementos clássicos e de Folk e bastante melodia. Mas o clima mais calmo é quebrado em seguida por “A Battle Against All Hope”, um Power Metal Sinfônico pesado e explosivo, com destaque para os pesadíssimos riffs de guitarra. Encerrando, temos “A Look Inside”, que é uma versão mais suave da abertura, “A Broken Taboo”. De bônus, ainda temos um cover para “Metal Daze”, do Manowar, e uma versão orquestrada da suíte The Look Inside.

A produção, muito boa por sinal, ficou por conta do próprio Stefan Schmidt, que também cuidou da mixagem. Já a masterização foi realizada por Jürgen Lusky (Angra, Edenbridge, Krokus, Unisonic). A capa foi obra do brasileiro Osmar Arroyo, responsável pela capa do último trabalho do Van Canto. No fim, o que temos é um álbum de Metal, sem invenções, sem inovações, e que consegue equilibrar muito bem o Power Metal e a Musica Clássica, dosando de forma perfeita peso, agressividade e melodia. Honesto, cativante e garantia de muita diversão. Sem dúvida um dos melhores trabalho do estilo nos últimos anos.

NOTA: 86

Heavatar é:
- Stefan Schmidt (Vocal/Guitarra);
- Sebastian Scharf (Guitarra);
- Daniel Wicke (Baixo);
- Jörg Michael (Bateria).

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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)


Deep Purple - Long Beach 1971 (2015/2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. Speed King
02. Strange Kind Of Woman
03. Child In Time
04. Mandrake Root

Desde 2013, a earMUSIC vem lançando uma série de álbuns ao vivo do Deep Purple, através da The Official Deep Purple (Overseas) Live Series, que cobrem a fase setentista da banda, com as MK II, III e IV. Por mais que não se tratem de materiais totalmente inéditos, já que bootlegs dos mesmos eram conhecidos pelos mais aficionados, os mesmos valem como o resgate de um período em que o grupo não deixava pedra sobre pedra em cima de um palco, com shows realmente memoráveis. Long Beach 1971 foi gravado e transmitido pela Rádio KUSC 91.5 FM, e vale dizer que nesse dia estavam abrindo para o The Faces, de Rod Stewart.

No repertório, temos apenas 4 músicas, mas que chegam perto dos 70 minutos de duração, algo totalmente normal nesse período para Ian Gillan (vocal), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (teclado). Longas jams, improvisações e longos solos de todos os instrumentistas eram características muito comuns para o Deep Purple nos anos 70. A verdade é que nos anos 70, em cima de um palco, o Deep Purple não era uma simples banda, mas a personificação de uma força da natureza. Todos os músicos brilham em algum momento. Gillan está simplesmente soberbo, enquanto Blackmore e Lord soam monstruosos, no melhor sentido da palavra. Já Roger Glover mostra a categoria que sempre lhe foi marcante, enquanto Paice deixa claro o motivo de ser um dos maiores bateristas de todos os tempos.

 

O Purple estava na época do clássico In Rock (70) e, de cara, abre a apresentação com a fantástica “Speed King”, em uma versão de tirar o fôlego. Na sequência, nada menos que “Strange Kind Of Woman”, que havia saído apenas em single e que acabou por fazer parte do álbum seguinte, Fireball (71). Destaques para os solos e para o duelo entre a voz de Gillan e a guitarra de Blackmore. Chega então a vez de “Child in Time”, onde o centro das atenções fica com o saudoso Jon Lord. Simplesmente incrível. Encerrando, “Mandrake Root”, retirada do álbum de estreia da banda, Shades of Deep Purple (68). Tem peso, ótimas melodias e é uma daquelas raras oportunidades que você tem de escutar em CD uma música da MK I tocada pela MK II.

Como já dito, originalmente esse material foi gravado e transmitido por uma rádio. Para esse lançamento, a apresentação foi remasterizada, deixando o que era bom ainda melhor. A qualidade do som não está menos do que ótima. Sempre me pergunto se o mundo precisa de mais um álbum ao vivo do Deep Purple, afinal, nessas 5 décadas de carreira foram lançados dezenas de trabalhos nesse formato, e no final sempre chego à mesma conclusão: sim, o mundo precisa. Uma das bandas mais importantes de todos os tempos em sua melhor forma. Precisa de motivo maior do que esse para ter Long Beach 1971 na sua coleção? Acho que não.

NOTA: 89

Deep Purple (gravação):
- Ian Gillan (vocal);
- Ritchie Blackmore (guitarra);
- Roger Glover (baixo);
- Jon Lord (teclado);
- Ian Paice (bateria).

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

We Sell The Dead - Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full (2018)


We Sell The Dead - Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full (2018)
(earMUSIC/Shinigami Records - Nacional)


01. The Body Market
02. Echoes Of An Ugly Past
03. Leave Me Alone
04. Imagine
05. Turn It Over
06. Too Cold To Touch
07. Trust
08. Pale And Perfect
09. Silent Scream

Pode parecer esquisita tal afirmação, mas o sueco We Sell The Dead é o que podemos chamar de um “quase supergrupo”. Isso porque Apollo Papathanasio (vocal/Spiritual Beggars, Firewind), Niclas Engelin (guitarra/In Flames), Jonas Slättung (baixo/Drömriket) e Gas Lipstick (bateria/ex-HIM) podem não estar entre as grandes estrelas do Metal, mas indiscutivelmente são ótimos músicos, experientes, e tocam/tocaram em nomes que são respeitados por muitos fãs do estilo. Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full é seu trabalho de estreia e, segundo a própria banda, o mesmo parte de uma premissa interessante: e se Jack, o Estripador, tivesse tocado em uma banda de Metal?

Daí para frente, o We Sell The Dead mergulha quase que totalmente, ao menos liricamente, na estética do período vitoriano. A isso, some-se um instrumental que em sua base me remeteu bastante ao que o Black Sabbath fez nos anos 80, permeado por uma aura gótica bem interessante, e sim, alguns elementos mais modernos, onde podemos escutar alguma coisa do tal do som de Gotemburgo. Na teoria isso soa bem interessante, e realmente em muitos momentos o é, mas a verdade é que não funciona 100% do tempo. Durante toda a audição, momentos carregados de energia e vibração são intercalados por outros um tanto frios, principalmente a partir da segunda metade do trabalho. Nem sempre as boas ideias que surgem conseguem ser bem aproveitadas. Quando você constata isso, fica inevitável fazer um trocadilho com o título do álbum usando aquele velho ditado: “De boas intenções, o inferno está cheio”.

 

Mas deixo claro que mesmo com alguns pequenos percalços, Heaven Doesn’t Want You And Hell Is Full está longe de ser um álbum ruim, até mesmo pelos nomes aqui envolvidos. Apollo mostra toda a sua categoria como vocalista, e consegue soar bem variado, apesar de rolar um certo estranhamento inicial entre sua voz, mais melódica, e o apelo mais sombrio das canções. Niclas também se destaca com bons riffs e por conseguir, em diversos momentos, encaixar uma pegada mais moderna nas canções, deixando-as atuais. Os principais destaques ficam por conta das ótimas  “Echoes Of An Ugly Past”, com bom trabalho de guitarra, as pesadas “Leave Me Alone” e “Imagine”, essa última com um pé no som de Gotemburgo, e “Trust”, uma interessante mescla de Doom com Gótico e Metal moderno. No fim, não dá para negar, mesmo com algumas ressalvas, que ele acaba sendo um álbum fácil de escutar e que rende 42 minutos de bom divertimento

Gravado, mixado e masterizado no Crehate Studios (Suécia), por Oscar Nilsson, o material possui um ótimo nível de produção, já que mesmo com tudo bem claro, limpo e audível, ainda assim ficou pesado. Os timbres também foram muito bem escolhidos. Não só a capa, como toda a parte de design ficou muito legal, sendo obra de Dan Lind. Vale dizer também que ele é o responsável por toda a apresentação visual da banda, já que a ideia é misturar isso à parte multimídia e musical, algo que pode ser observado nos vídeos já lançados (e que podem ser vistos logo abaixo). O We Sell The Dead pode não acertar em 100% do tempo, mas possui uma virtude rara em se tratando de um projeto desse porte. Em momento algum tentam se parecer com as bandas originais de seus integrantes e durante todo o tempo buscam uma personalidade própria. Só isso já basta para ficarmos de olho e esperarmos pelo próximo lançamento, já que o potencial para voar mais alto está mais do que latente nesse debut.

NOTA: 80

We Sell The Dead É:
- Apollo Papathanasio (vocal);
- Niclas Engelin (guitarra);
- Jonas Slättung (baixo);
- Gas Lipstick (bateria).

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Corrosion of Conformity – No Cross No Crown (2018)


Corrosion of Conformity – No Cross No Crown (2018)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Novus Deus
02. The Luddite
03. Cast The First Stone
04. No Cross
05. Wolf Named Crow
06. Little Man
07. Matre’s Diem
08. Forgive Me
09. Nothing Left To Say
10. Sacred Isolation
11. Old Disaster
12. E.L.M.
13. No Cross No Crown
14. A Quest To Believe (A Call To The Void)
15. Son and Daughter (Queen Cover)

Do Hardcore/Crossover do início de carreira, até o Stoner Metal dos dias de hoje, o Corrosion of Conformity sempre primou pela qualidade, independentemente da fase. Trabalhos como Animosity (85), Blind (91), a dobradinha Deliverance (94)/Wiseblood (96) e In the Arms of God (05) estão aí para mostrar isso para qualquer um que queira confirmar essa afirmação (algo que recomendo). Em 2006 o COC deu uma parada, retornando apenas em 2010 com o seu trio fundador, e sem Pepper Keenan, que naquela altura estava se dedicando ao Down. Após isso, 2 álbuns foram lançados, Corrosion of Conformity (12) e IX (14), mas no fundo, todos desejávamos mais do que isso.

A verdade é que boa parte de seus fãs ansiava pelo retorno de Pepper à banda, com a restauração daquela formação clássica que tocou entre 1993 e 2001 e que foi responsável pelos maiores clássicos do grupo. Ok, essa mesma formação também lançou America’s Volume Dealer (00), seu álbum mas discutível (e, ainda assim, longe de ser ruim), mas ninguém questiona a capacidade de Keenan (vocal/guitarra), Woody Weatherman (guitarra), Mike Dean (baixo) e Reed Mullin (bateria) de compor música de qualidade. E é isso que o quarteto faz em No Cross No Crown, seu 10º trabalho de estúdio.

Se tem uma coisa que esses caras sabem fazer muito bem, é misturar aquele Heavy Metal “sabbathico” com o melhor do Rock sulista, e o melhor de tudo, sem precisar se copiar. Eles poderiam simplesmente deitar sobre os louros do passado e lançar um álbum apenas por lançar, para agradar aos fãs desejosos de ver o quarteto junto novamente, mas felizmente optaram por não serem burocráticos, nos presenteando com seu melhor trabalho desde 1996. Aqui temos tudo que esperamos de um álbum do COC, ou seja, os vocais marcantes de Pepper, que também brilha ao lado de Woody com ótimos riffs, e uma parte rítmica coesa, pesada e criativa, formada por Mike e Reed. O peso, a energia e a vitalidade que brotam de cada música impressiona, e mostra que os 4 ainda têm muita lenha para queimar, se essa for a vontade dos mesmos. 


No Cross No Crown segue um padrão no mínimo curioso. O mesmo possui alguns interlúdios, que acabam por dividir o álbum em blocos formados por 2 músicas cada. O primeiro deles já surge logo na abertura, intitulado “Novus Deus”, sendo seguido por dois dos maiores destaques de todo o CD, a viciante “The Luddite” e a enérgica “Cast The First Stone”, com seu belo trabalho de guitarra. “No Cross” é o segundo interlúdio e surge para dar um necessário descanso, já que logo após temos a feroz “Wolf Named Crow” e  “Little Man”, com seus ótimos riffs e melodias. Mais um interlúdio (“Matre’s Diem”) e então temos a divertida “Forgive Me”, uma mescla perfeita de Stoner e Southern Rock, com destaque para os ótimos solos. Já “Nothing Left To Say” tem uma irresistível pegada Blues e ótimos vocais. Mais uma parada para o descanso com “Sacred Isolation” e então temos “Old Disaster”, onde soam como uma versão Metal do The Allman Brothers Band. É dessas músicas que cativam fácil o ouvinte. Outra que cativa é “E.L.M.”, onde a veia Black Sabbath da banda pulsa com força. Apesar de “No Cross No Crown” não ser propriamente um interlúdio, ele acaba por ocupar essa função, já que é uma faixa bem tranquila. Finalizando, temos a ótima “A Quest To Believe (A Call To The Void)”, com seus riffs arrastados e harmonias de guitarra marcantes e o improvável cover para “Son and Daughter”, do Queen, que ficou realmente muito legal.

A produção mais uma vez ficou nas mãos de John Custer, com mixagem de Mike Fraser (com quem trabalharam na época de Wiseblood) e masterização de Seva (outro velho conhecido da banda, dos tempos de America’s Volume Dealer). A qualidade, claro, não poderia ser melhor. Já a capa e toda parte de design e layout ficou por conta de Vance Kelly (Down, Prong, Them), com ótimos resultados. Poderíamos estar diante de apenas mais um álbum de reunião, desses que muitas bandas por ai fazem apenas para agradar os fãs, mas o que temos em  No Cross No Crown é, sem exageros, o melhor álbum do Corrosion of Conformity desde o clássico Wiseblood. Agora só nos resta esperar que Pepper, Mike, Woody e Reed continuem firmes e fortes nessa parceria. Um álbum que certamente estará em muitas listas de melhores do ano.

NOTA: 89

Corrosion of Conformity:
-  Pepper Keenan (vocal/guitarra);
- Woody Weatherman (guitarra);
- Mike Dean (baixo);
- Reed Mullin (bateria);

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)


Desalmado - Save Us From Ourselves (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Privilege Walls
02. It´s Not Your Business
03. Save Us From Ourselves
04. Black Blood
05. Blessed By Money
06. Bridges To a New Dawn
07. Corrosion
08. Binary Collapse
09. Exist And Resist

Para quem desconhece, o Desalmado surgiu no ano de 2004, e desde então vem construindo uma carreira muito sólida dentro do cenário do Grindcore nacional. A estreia se deu com o EP Hereditas (08), sendo acompanhado pelo seu debut, Desalmado (12), por um novo EP, Estado Escravo (14), e um split com o Homicide, In Grind We Trust (16). Save Us From Ourselves é seu segundo trabalho completo de estúdio, e o primeiro em que optam por cantar em inglês, mostrando uma maior ambição do quarteto quanto a levar sua forte mensagem ao maior número de pessoas mundo afora.

Musicalmente falando, seu Grindcore sempre recebeu muitas influências de outros estilos, o que deu à banda uma personalidade que a diferenciou da maioria de suas parceiras do cenário nacional. Já em Save Us From Ourselves podemos enxergar uma banda ainda mais madura, mas sem perder seu lado agressivo e odioso. As canções estão melhores trabalhadas e mais coesas, e trafegam com muita naturalidade entre diversos estilos. Aqui você tem momentos de Death Metal, Grind, Hardcore, Thrash/Groove e Black Metal, tudo coexistindo perfeitamente e gerando uma música absurdamente pesada e bruta. O Desalmado foge do lugar-comum e acaba acertando em cheio no alvo. Vale citar as letras, que felizmente destoam por completo dessa onda conservadora que a cada dia toma mais conta do Metal no Brasil.


É difícil imaginar uma forma melhor de abrir o álbum do que com “Privilege Walls”, uma bicuda no pé do ouvido, simplesmente destruidora. Na sequência temos a direta e empolgante “It´s Not Your Business” e  “Save Us From Ourselves”, que alterna passagens mais velozes com outras cadenciadas e possui ótimo groove. Essa alternância, por sinal, surge em outros momentos do álbum e faz muito bem à sonoridade do Desalmado.  “Black Blood” é outra que vai direto ao ponto, devastando tudo pelo caminho. As agressivas “Blessed By Money” e  “Bridges To a New Dawn” também apostam na diversidade, e brilham nas partes com mais cadência. Ao lado da faixa título, são as melhores de todo o trabalho. “Corrosion” é uma verdadeira pedrada, veloz e brutal, e  “Binary Collapse” é o que podemos chamar de massacre em forma de música. “Exist And Resist” encerra o álbum de forma brutal e opressiva, graças às passagens cadenciadas.

Gravado no Family Mob Studio (São Paulo/SP), o álbum foi produzido pela banda e por Hugo Silva, que também foi o responsável pela mixagem. O resultado final é simplesmente excelente, com uma produção de ponta que não fica devendo nada às bandas lá de fora. Já a capa foi obra de Jeca Paul e reflete com perfeição o conteúdo musical e lírico do trabalho. Com um som técnico, coeso, bem trabalhado, mas que não abre mão de ser brutal e absurdamente pesado, o Desalmado mostra estar em seu melhor momento, e melhor, com potencial para ir muito mais além. Curte nomes como Napalm Death, Entombed, Extreme Noise Terror e afins? Está aqui um trabalho mais do que indicado para você.

NOTA: 8,5

Desalmado é:
- Caio Augusttus (vocal);
- Estevam Romera (guitarra);
- Bruno Leandro (baixo);
- Ricardo Nutzmann (bateria).

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Expurgo - Deformed By Law (2018)


Expurgo - Deformed By Law (2018)
(Black Hole Productions - Nacional)


01. Silence
02. Victimized
03. Inhale Radiation Fumes
04. Carnivorous Eyes
05. Dead as Fuck
06. Xenon Pieces Swallowed
07. Interlude
08. The Taste Of Human Toxicity
09. Discurso Do Cadafalso
10. Nasty Gut Feast
11. Classic Utopia Of a Junkie Ambience
12. All Substances Are Toxic Under The Right Conditions
13. Habemus Cannis
14. Deviled Mind
15. Morgue Despair
16. Lungs Decay
17. Devil Variation
18. Sadistic Executioner
19. Harmless Scares
20. Agateophobia
21. Atmosphere Of Horror
22. Deploring Connections
23. Global Suppuration
24. Grey Waste III - Malebolge
25. Walk Among The Dead
26. On The Edge
27. Obsolescence

Quando você se torna fã de Metal, seja de alguma banda ou de algum estilo específico, você o faz por encontrar beleza ali. Aquilo que está escutando soa agradável aos seus ouvidos, te desperta sensações que de alguma forma lhe fazem bem. E se formos pensar bem, isso vale para todos os campos da vida. Nos atraímos pelo que achamos belo. Talvez por isso o Grindcore seja um estilo para poucos, já que sejamos sinceros, poucos conseguem encontrar essa citada beleza em uma música que prima pela velocidade extrema, pela agressividade no seu estado mais bruto e a quase que completa ausência de melodias. É uma música vil, infame, abjeta por natureza. E querem saber? Por isso mesmo é tão legal.

O Expurgo é uma dessas bandas que me faz lembrar porque gosto tanto do estilo. Surgido nas “Minas Hellrais”, mais precisamente na capital Belo Horizonte, no ano de 2001, o quarteto hoje formado por Egon (vocal), Philipe (guitarra/vocal), Sérgio (baixo) e Anderson (bateria) finalmente nos apresenta o sucessor de Burial Ground, seu debut lançado no ano de 2010. Vale dizer que nesse meio tempo, os caras continuaram produzindo, tendo lançado nada menos do que 6 splits (possuem outros 5, lançados antes de álbum de estreia, e uma demo) e uma compilação, com material lançado desde seu surgimento até o ano de 2013.

Em Deformed By Law, temos uma verdadeira aula de como se fazer música extrema, e que soa ainda mais repulsiva que em sua estreia (e isso é um elogio, ok?). São 27 canções que se destacam pela crueza, visceralidade e rispidez, sem espaço para melodias bonitinhas. É uma marretada atrás da outra, sem dó nem piedade com os ouvidos alheios. Um verdadeiro genocídio em forma de música. Os vocais de Egon estão monstruosos, enquanto a guitarra de Philipe não dá descanso, com riffs capazes de ceifar tantas vidas quanto a Morte, de tão cortantes. Na parte rítmica, Sérgio e Anderson não deixam pedra sobre pedra. É como um terremoto seguido de um tsunami, tamanho poder de destruição. Carnificina pura.


Destaques? Olha, me perdoem, mas não vou conseguir fugir daquele clichê do “todas as músicas estão no mesmo nível, sendo difícil apontar destaques”. E sabe por quê? Porque todas as músicas estão no mesmo nível, sendo...bem, vocês já entenderam. Se realmente achar que seus tímpanos dão conta de não sangrarem durante a audição, experimente escutar faixas como “Victimized”,  “Inhale Radiation Fumes”, “Xenon Pieces Swallowed”, “The Taste Of Human Toxicity”, “Discurso Do Cadafalso”, “Deviled Mind”, “Lungs Decay”, “Sadistic Executioner”, “Harmless Scares”, “Atmosphere Of Horror”, “Global Suppuration”, “Walk Among The Dead” e “On The Edge”, verdadeiras hecatombes musicais.

Gravado no Estúdio Multimídia, em Belo Horizonte, o álbum teve sua produção, mixagem e masterização realizadas por Dennis Israel, no ClintWorks Arts, em Hamburgo, Alemanha. O resultado final soa perfeito, já que apesar de ser possível escutar todos os instrumentos com clareza, ainda assim soa como um álbum de Grindcore. A capa é uma bela obra de Pedro Felipe (Ars Moriendee), e se encaixa perfeitamente na proposta musical. Com um peso descomunal, e esbanjando brutalidade e selvageria, Deformed By Law certamente causará surdez aos ouvidos mais delicados, e coloca o Expurgo entre as principais bandas do estilo no cenário mundial. Como diz o título de um velho clássico do cinema italiano, “Brutti, sporchi e cattivi”. Um álbum feio, sujo e mau!

NOTA: 88

Expurgo é:
- Egon (vocal);
- Philipe (guitarra/vocal);
- Sérgio (baixo);
- Anderson (bateria).

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terça-feira, 8 de maio de 2018

Encéfalo – DeaThrone (2018)


Encéfalo – DeaThrone (2018)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Intro
02. Echoes From The Past
03. Visceral Sadism
04. Annihilation Contempt to The Majesty
05. Blessed By The Wrong Choice
06. Hell
07. These Final Rotten Days
08. Food For Tyranny
09. Retaliation
10. A Hollow Body

Surgido em 2002, em Fortaleza/CE, o Encéfalo veio aos poucos construindo uma sonoridade própria. No início, tínhamos um Thrash Metal calcado nos grandes nomes do estilo, como Kreator, Sepultura e Slayer, com elementos de Death aqui e ali, como pode ser bem observado no seu debut, Slave of Pain (12), trabalho que colocou os cearenses como um dos nomes mais promissores da cena metálica brasileira. O passo seguinte, o ótimo Die to Kill (15), não só os consolidou no cenário, como mostrou maior presença do Death Metal na sonoridade do até então quarteto.

DeaThrone é a continuação natural de Die to Kill, e o título já deixa bem claro o que iremos encontrar ao colocar o CD para rodar. Estreando em estúdio como um trio, formado por Henrique Monteiro (vocal/baixo), Lailton Sousa (guitarra) e Rodrigo Falconieri (bateria), o Encéfalo nos entrega uma música técnica, pesada, absurdamente agressiva, e quase que imersa por completo no Death Metal, já que o Thrash ainda pode ser notado na composição de alguns riffs. Para completar, não apelam apenas para a velocidade, como muitos grupos por aí. Sua música se mostra variada, e algumas passagens cadenciadas surgem muito bem colocadas, evitando assim que suas composições soem cansativas. É o Encéfalo encontrando sua maturidade musical.


Descontando-se a primeira faixa, que é uma introdução, o que temos são 9 músicas que não darão alívio um segundo sequer para os pescoços dos ouvintes. “Echoes From The Past” é um ótimo cartão de visitas, com toda a sua brutalidade e técnica, enquanto “Visceral Sadism” se destaca pelas guitarras, que nos entregam riffs marcantes. “Annihilation Contempt to The Majesty” é um dos pontos altos do trabalho, sendo o melhor exemplo de como a alternância entre velocidade e cadência faz bem à música do trio. A sequência formada por “Blessed By The Wrong Choice”, a instrumental “Hell” e  “These Final Rotten Days” esbanjam agressividade e energia, enquanto “Food For Tyranny” é uma verdadeira aula de Death Metal. Encerrando, “Retaliation” e “ A Hollow Body” mostram muita técnica, peso e riffs que remetem ao passado Thrash da banda.

A produção de André Noronha ficou muito boa, já que está tudo claro e audível, mas sem abrir mão da agressividade e de uma saudável dose de sujeira, afinal, estamos falando de um álbum de Death Metal. Já a capa foi obra de Ygor Nogueira, e ficou muito boa, estando com o mesmo alto nível de qualidade que o trabalho em si. Bruto, agressivo e técnico, o Encéfalo segue evoluindo, maturando cada vez mais a sua sonoridade, e deixando de ser aquela promessa que escutamos no debut para se tornar uma realidade, assumindo assim seu lugar entre os grandes do Metal Nacional. Certamente um dos grandes álbuns nacionais de 2018.

NOTA: 84

Encéfalo é:
- Henrique Monteiro (vocal/baixo);
- Lailton Sousa (guitarra);
- Rodrigo Falconieri (bateria).

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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Melhores álbuns – Abril de 2018


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de abril na opinião do A Música Continua a Mesma.

1º. Riot V - Armor Of Light 


2º. Expurgo - Deformed by Law
 

3º. Leather - II
 

4º. The Dead Daisies - Burn It Down 


5º. Varathron - Patriarchs Of Evil


6º. Cruachan - Nine Years Of Blood
 

7º. Black Stone Cherry - Family Tree


8º. Saffire - Where The Monsters Dwell


9º. The Reign of Kindo - Happy However After


10º. Bullet - Dust To Gold
 

Menções Honrosas

- Ross The Boss - By Blood Sworn


- Kobra And The Lotus – Prevail II


- Blitzkrieg - Judge Not!


- Siriun - In Chaos We Trust