sexta-feira, 28 de julho de 2017

Apple Sin - Apple Sin (2017)


Apple Sin - Apple Sin (2017)
(Independente - Nacional)


01. Intro    
02. Sea of Sorrow    
03. Darknes of World    
04. Apple Sin    
05. Another Day    
06. Respect   
07. Fire Star    
08. Black Hole    
09. Roaches Blood    
10. Roadie Metal (bônus track)

Uma das coisas mais legais de se acompanhar o cenário nacional de tão perto é poder observar as bandas crescendo, amadurecendo a cada passo dado. Esse é o caso do Apple Sin, banda surgida no ano de 2012, em Barroso/MG, e que já havia mostrado seu trabalho ao mundo tanto no EP de estreia, Fire Star (2015), como nas diversas participações na coletânea Roadie Metal. E é com muito prazer que finalmente temos em mãos o seu 1º trabalho completo de estúdio em mãos, Apple Sin, lançado em fevereiro desse ano. Para quem desconhece o trabalho dos mineiros, sua aposta é no bom e velho Heavy Metal Tradicional, com um dos pés muito bem fincados na NWOBHM e influências mais que evidentes de Iron Maiden e da carreira solo de Bruce Dickinson.

E por falar em Bruce, vale dizer aqui que o vocalista Patric Belchior tem um timbre muito próximo do mesmo, o que acaba deixando a sensação de similaridade com os nomes citados acima ainda mais forte. A dupla de guitarristas formada por Beto Carlos e Tainan Vilela é responsável por alguns riffs bem marcantes, fortes, além de solos melodiosos e claro, aquelas guitarras gêmeas que todos nós esperamos em uma banda com tal proposta sonora e influências. A parte rítmica também não fica nada atrás em matéria de qualidade, com o baixista Raul Ganso e o baterista Eduardo Rodrigues. Raul, por sinal, parece em muitos momentos incorporar Steve Harris em suas levadas. O trabalho ainda contou com a participação de Philippe Belchior nos teclados que, a propósito, estão muitíssimo bem encaixados em todo o álbum.

Tirando a introdução, temos 9 temas fortes e de qualidade, que vão agradar em cheio aos amantes de Metal Tradicional. “Sea Of Sorrow” tem uma pegada mais cadenciada, com um bom trabalho da dupla de guitarristas e peso, muito peso, além do teclado também ter sido muito bem colocado. E de cara já fica muito evidente que estamos diante de grandes fãs do Iron Maiden, sensação mais que reforçada na faixa seguinte, a bruta e já conhecida “Darkness of World”, outra com boas guitarras e o baixo de Raul se destacando. “Apple Sin” é mais uma faixa que migrou do EP para o CD e trafega com muita competência entre o Hard e o Heavy, com melodias pra lá de agradáveis e sem negar seu DNA “Maideniano”. Já “Another Day”, mesmo sem negar as raízes da banda, se mostra bem mais variada, mostrando um caminho interessante a se seguir no futuro, enquanto a balada “Respect” soa bem agradável. Em seguida, mais uma dobradinha oriunda do EP, as intensas “Fire Star” e “Black Hole”, e encerrando o trabalho, a enérgica “Roaches Blood” e a forte “Roadie Metal”.


Seria muito fácil tecer apenas elogios ao trabalho do Apple Sin, mas a verdade é que cabem sim algumas ressalvas. A primeira delas é muito óbvia. Precisam se descolar (e não abandonar) um pouco da fixação pelo Iron Maiden. E isso não é nenhum absurdo, pois faixas como “Another Day”, “Fire Star”, “Black Hole” e “Roaches Blood” mostram um caminho muito interessante a ser seguido. As raízes, o DNA, estão lá, mais que presente, mas conseguem trazer outras influências para essas canções, dotando-as de personalidade. São a prova de que o Apple Sin é sim uma das bandas com mais potencial no nosso cenário atualmente. A segunda ressalva cabe à questão da produção, que mais uma vez ficou por conta do baterista Eduardo Rodrigues. Ela é ruim? Longe disso. Em uma época de produções plastificadas, quase artificiais, é muito legal poder escutar algo mais orgânico, vivo. Está tudo claro, audível, todos os instrumentos podem ser bem notados, o peso e a agressividade estão presentes, mas ainda existe um pequeno excesso na crueza. A verdade é que a música do Apple Sin, com uma produção um pouco mais trabalhada, pode alcançar resultados ainda melhores. O último apontamento é a respeito da pronuncia do inglês, que pode ser um pouco mais caprichada em alguns momentos. Já a parte gráfica está muito bem-feita, com a arte tendo ficado a cargo do baixista Raul Ganso e o design do álbum feito por Philippe Belchior.

Para um álbum de estreia, o resultado aqui é muito bom. Mostrando uma banda mais madura,  pesada e agressiva, o Apple Sin vai confirmando o discurso de muitos por ai (inclusive o meu) sobre serem uma das bandas nacionais mais promissoras da atualidade. Cabe agora dar aquele último passo, e definir de vez sua personalidade, além de claro, aparar pequenas arestas aqui e ali. Feito isso, estarão mais que prontos para assumir uma posição entre as principais bandas de Metal do Brasil.

NOTA: 8,0

Apple Sin é:
- Patric Belchior (vocal);
- Beto Carlos (guitarra);
- Tainan Vilela (guitarra);
- Raul Ganso (baixo);
- Eduardo Rodrigues (bateria);
- Philippe Belchior (teclado).

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