domingo, 30 de julho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Cold Insight - Further Nowhere (2017)
(Rain Without End Records – Importado)
 

O Cold Insight é uma One Man Band francesa, capitaneada pelo multi-instrumentista Sebastien Pierre (Enshine, Fractal Gates), e que aqui contou com o auxílio do baterista Christian Netzell (Volturyon, Vholdghast) e do guitarrista Jari Lindholm, seu companheiro no Enshine, que fez o solo em 3 faixas aqui. Musicalmente, temos uma mescla muito bem-feita de Death Metal Melódico com Doom Metal, com boas melodias e teclados muito bem encaixados, o que acaba por gerar uma atmosfera fria e melancólica, que certamente vai cativar muitos fãs de Doom. (8,0)

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Paladine - Finding Solace (2017)
(No Remorse Records – Importado)
 

Mesmo não passando por seu momento de maior popularidade, o Power Metal continua gerando novos nomes. Oriundo da Grécia, o Paladine apresenta em sua estreia um trabalho recheado de referências a nomes como Iced Earth, Iron Maiden, Judas Priest, Manowar, dentre outros. Suas músicas possuem um clima épico, bons riffs e melodias, refrões marcantes e tudo mais que se espera de um trabalho do estilo. Se não temos nada de novo ou revolucionário aqui, ao menos cativam o ouvinte pelas boas composições. Uma boa estreia. (7,0)

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Xaon - The Drift (2017)
(Sliptrick Records – Importado)
 

Se você aprecia nomes como Fleshgod Apocalypse, Ex Deo e Septicflesh, vem da Suíça mais uma boa aposta para o estilo. Apesar de relativamente novo (surgiu em 2014), o Xaon investe em um Death Metal Sinfônico surpreendente maduro e coeso em seu trabalho de estreia. Aqui temos ótimas melodias, riffs e solos de qualidade, boa alternância entre vocais limpos e agressivos e o principal, as partes sinfônicas não soam exageradas e nem tentam assumir a posição de protagonista nas canções. Tudo soa muito bem equilibrado aqui. Sem dúvida alguma, uma estreia surpreendente. (8,0)

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Cloven Hoof - Who Mourns for the Morning Star (2017)
(High Roller Records – Importado)
 

Já são mais de 35 anos de história (contando com o hiato entre 1990 e 2001) de uma das principais bandas da história da NWOBHM. Capitaneado pelo baixista Lee Payne, o Cloven Hoof chega a seu 7º trabalho de estúdio dando uma aula de como fazer Metal com qualidade. Como sempre, trafegam com naturalidade entre a NWOBHM, o Heavy Tradicional e o Power Metal, nos entregando ótimos riffs e solos, bastante peso e composições inspiradíssimas, que vão fazer a alegria dos fãs. Não seria exagero dizer que é o melhor álbum dos ingleses desde A Sultan's Ransom (89). (8,5)

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Mammoth Mammoth - Mount the Mountain (2017)
(Napalm Records – Importado)
 

A Austrália tem se mostrado um dos principais celeiros de bandas da atualidade, gerando bons nomes em todas as vertentes. É de lá que vem o Mammoth Mammoth, que chega a seu 4º trabalho completo de estúdio apresentando um Stoner Rock/Metal de qualidade. Com um pé no Hard e no Punk, sua sonoridade é enérgica, intensa e com bom groove, soando em alguns momentos como uma mescla do Motörhead com Black Sabbath, o que certamente vai agradar os amantes do gênero. Se não apresenta nada de novo ao estilo que já dá sinais de saturação, ao menos diverte muito com sua música. (7,5)

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Custard - A Realm of Tales (2017)
(Pure Steel Records – Importado)
 

Apesar de completar 30 anos de carreira neste ano, esse é apenas o 6º álbum de estúdio dos alemães do Custard, que, curiosamente, teve seus 2 primeiros trabalhos lançados no Brasil pela Megahard Records, no início dos anos 2000. Com seus 2 pés muito bem fincados nas raízes do Power Metal, seu som pode até não apresentar nada de novo, mas é pesado, tem boa técnica, refrões marcantes e boas melodias, que vão agradar em cheio fãs de bandas como Helloween, Grave Digger e afins. Acima de tudo, um trabalho que soa verdadeiro e honesto! (7,5)

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sábado, 29 de julho de 2017

Shows: Tribus Festival Brasil 2017 – Carangola/MG

Tribus Festival Brasil 2017
Granja Regina – Carangola/MG
22 de Julho de 2017
Por Leandro Vianna – Fotos: Leandro Vianna

Decididamente, umas das coisas que mais gosto de fazer é comparecer a Festivais e eventos do nosso underground. São em ocasiões assim que você acaba reencontrando aqueles amigos de outras cidades, em quem você só consegue esbarrar em shows, conhece pessoalmente aquele povo com que você até então só conversava virtualmente, faz novas amizades e mantém um contato direto com as bandas. E claro, tem a música, o mais importante de tudo. Desses eventos, um dos que mais gosto é o Tribus Festival Brasil, que ocorre em Carangola/MG, e tem o diferencial de unir não só música, como cultura em geral, além de possuir a proposta de sustentabilidade. Neste ano, em sua 5º Edição, tinha entre as principais bandas 3 dos principais nomes do nosso cenário na atualidade: os brasilienses do Arandu Arakuaa, tocando pela primeira vez em Minas Gerais, e os paulistas do Torture Squad e do Test.

Mas como eu sempre digo, para apoiar nosso underground, o fã de Metal tem que ter, acima de tudo, disposição para encarar a estrada e as intempéries da vida. Então, lá fui eu na manhã do dia 22, ao lado de minha esposa, encarar uma baldeação e quase 4 horas de viagem para chegar em Carangola, hospedar-me no hotel, almoçar e recarregar minimamente as baterias para a maratona de shows que se seguiria durante as horas seguintes. Como o local escolhido para o evento esse ano era um pouco mais afastado do Centro, a organização, com o apoio da Prefeitura, disponibilizou um micro-ônibus no horário das 13h para levar aqueles que quisessem chegar mais cedo ao local e claro, não perdi a oportunidade. E, devo dizer, não me arrependi nem um pouco.


Assim que cheguei, já me surpreendi com o espaço escolhido, muito agradável e em meio à natureza. Além disso, a estrutura montada estava muito legal. E como tem coisas que só ocorrem no underground, tive a oportunidade de acompanhar toda a passagem de som não só do Arandu Arakuaa como também do Torture Squad, sendo que, no caso dos últimos, pude ainda trocar uma ideia antes dos mesmos voltarem ao Hotel. O problema todo é que isso só ocorreu devido a um imprevisto que acabou afetando de certa forma o andamento normal de todo o Festival. Entre seus apoiadores, o evento contava com a Prefeitura de Carangola, que cedeu o palco utilizado. Contudo, durante o processo de montagem, constatou-se que o mesmo não estava completo, desencadeando assim um efeito dominó: se a montagem do palco atrasa, a montagem do equipamento de som também e, consequentemente, a passagem de som das bandas. E se tudo isso atrasa, automaticamente as apresentações têm o mesmo destino. E isso infelizmente ocorreu, acarretando por exemplo, na alteração da ordem dos shows, com o Dsnort, não tocando antes do Torture Squad, como programado. Mas infelizmente esses são imprevistos aos quais todo Festival está sujeito.


Com atraso, o Umanoid, banda da cidade de Carangola, subiu ao palco apresentando sua mistura de Metal e Hip Hop, muito bem-feita por sinal. Apresentando músicas próprias, mostraram um som bem coeso e, com certeza, agradaram aqueles que apreciam esse tipo de junção de estilos. Em seguida foi a vez do White Death, banda de Hard/Heavy do Espirito Santo, que fez um show que agradou bastante os que estavam presentes até aquele momento. Capitaneado pela boa vocalista Priscylla Moreno, mesclaram temas próprios com alguns clássicos do estilo, caindo no gosto de fãs de bandas como Iron Maiden, Saxon e afins. Vale lembrar que já possuem um EP lançado, Reaper Of Corruption, ainda com o vocalista anterior e estão agora em processo de pré-produção para gravar novo material já com Priscylla nos vocais. Em seguida foi a vez do Punk Rock tomar de assalto o Tribus, com os também capixabas do Ravengar. Serei sincero, não é um estilo que faça a minha cabeça, mas seria injustiça criticar o show dos caras por isso, até porque foi nítido o quanto o público curtiu a apresentação do trio formado por Marcelo Capilé (vocal e guitarra), Georgi (baixo) e Cadu Almeida (bateria). No set list, músicas próprias e covers de nomes como Misfits e Ramones, dentre outros. Em seguida, foi a vez do Hardcore do quarteto mineiro Os Capiau. E meu amigo, que porrada! A coisa estava tão violenta que ainda no começo do show, uma das cordas de uma das guitarras foi para o espaço, sendo necessário o empréstimo de um outro instrumento para que a apresentação não parasse por ali e atrasasse ainda mais todo o cronograma. Mas, guitarra emprestada, os caras simplesmente voltaram a quebrar tudo. Se você curte Hardcore, vale a pena correr atrás dos CD’s dos caras. Com o público ainda se recuperando do arregaço que foi o show dos mineiros, os fluminenses do Persecuter subiram ao palco apresentando seu Thrash Metal furioso e divulgando seu primeiro álbum completo de estúdio (possuem também um EP, de 2013) The Hatred Domains (vale uma audição no Bandcamp dos caras), lançado no começo desse ano. Só posso dizer que conseguiram manter a adrenalina lá no alto, algo que naquele momento se fazia muito necessário, já que o frio começava a incomodar os presentes. Um puta show de Thrash Metal, desses bons de se bater cabeça.


Nesse ponto tenho uma ressalva a fazer. Em um evento desse tipo, tem que se tomar muito cuidado ao escolher a ordem das bandas, e aqui tivemos uma falha. Deixo claro que nada tenho contra o Attività Power Trio, banda formada por ótimos músicos, bem técnicos, e que pratica o bom e velho Rock, com músicas próprias que possuem qualidades. Mas nunca, de forma alguma, poderiam ter tocado nesse momento do evento. E, repito, não é por uma questão de qualidade, mas é que de forma alguma conseguiriam manter o pique do público lá no alto, depois de dois shows avassaladores de Hardcore e Thrash Metal, como foram os do Os Capiau e do Persecuter. Por isso, mesmo fazendo uma boa apresentação, acabaram soando “inofensivos” e “esfriando” o público. E não sou eu quem diz isso, foi o que escutei de diversas pessoas durante o show do trio. Certamente, se tivesse sido a segunda ou terceira banda a se apresentar, teriam chamado muito mais a atenção.


Então chegamos ao ponto alto do Tribus, com uma sequência de shows simplesmente fantástica e que nem o frio que apertava cada vez mais foi capaz de atrapalhar. Sinceramente, é difícil até definir o que foi a apresentação do Test. Como apenas 2 caras conseguem alcançar tal nível de extremismo e destruição sonora é algo que merece ser estudado. A coisa estava em um nível tal que, em determinado momento da apresentação, o bumbo simplesmente foi ao chão, e o melhor, Barata não parou de tocar e continuou esmurrando os tons, enquanto João da Kombi massacrava a todos com seus vocais brutais e seus riffs destruidores. Ver o desespero do pessoal de palco para colocar o bumbo no lugar enquanto o massacre continuava só não foi tão divertido quanto o fato de que, dali para frente, tivemos uma pessoa sentada diante do bumbo pelo restante do show, para que nenhum acidente voltasse a acontecer. Simplesmente fantástico, e todo reconhecimento que os caras vêm recebendo nos últimos tempos se mostra mais do que merecido.


A apresentação seguinte foi de ninguém menos que o Torture Squad, que está lançando seu novo, e com todo respeito, melhor trabalho, Far Beyond Existence. E meus amigos, que show! May Puertas é um fenômeno da natureza em cima do palco, simplesmente destruidora. Tem uma ótima presença, parece ocupar todos os espaços possíveis e ainda destrói tudo com seus vocais. Rene Simionato faz um belo trabalho nas guitarras, com riffs viscerais e também tem boa presença, enquanto a dupla formada pelo baixista Castor e o baterista Amílcar Christófaro mostra ao vivo e a cores porque formam uma das melhores partes rítmicas do Metal brasileiro. Com um repertório muito bem selecionado, mesclando velhos e novos clássicos, fizeram um show que empolgou a todos, fazendo os presentes esquecerem o frio e o cansaço que já se abatia sobre alguns, pois começávamos a entrar madrugada adentro, devido ao atraso inicial. Um show pra ficar na memória.


Eis então que chega a hora do Arandu Arakuaa subir ao palco, divulgando seu 2º álbum de estúdio, o ótimo Wdê Nnãkrda. Confesso que estava bem ansioso pela apresentação, afinal, tenho noção de que não é tão simples para uma banda de Brasília vir tocar no interior de Minas Gerais. Infelizmente, devido ao frio, ao cansaço e o avançar da hora (já eram mais de duas da manhã quando subiram ao palco), parte do público acabou partindo após a apresentação do Torture Squad. Aos que foram embora, lamento, pois perderam um show simplesmente incrível. A mistura de Heavy Metal com música brasileira indígena, e letras que tratam de tradições e lenda dessa tão rica cultura, gera não só o verdadeiro Folk Metal brasileiro, como também uma sonoridade imersiva, que faz quem está diante do palco não conseguir sequer piscar os olhos durante a apresentação. As letras em Tupi, Xavante e Xerente ajudam demais nesse processo de imersão, além da utilização de instrumentos percussivos típicos da cultura indígena, assim como também da viola caipira. Sua música é de uma riqueza instrumental cativante. Karine Aguiar, além de ótima vocalista, tem uma presença marcante, enquanto os talentosos Zândhio Aquino e Pablo Vilela se mostram ótimos guitarristas, além de presenças marcantes no palco. O mesmo vale para o baixista Saulo Lucena, que se mostra bem presente, não só com seu instrumento, como nos vocais mais agressivos (cabe dizer aqui que todos em algum momento cantam, seja nessas partes mais agressivas, seja nos momentos cantados em língua indígena). Realmente um show incrível, que ainda contou com a participação do ativista indígena da etnia Puri, Kapua Lana, que interpretou um cântico do seu povo. Infelizmente, após essa apresentação, o corpo não mais aguentou e acabei indo embora, afinal, já se passava das 3 da manhã e eu e minha esposa ainda teríamos que enfrentar a jornada de volta para casa, tendo apenas umas 5 horas para descansar. Sendo assim, realmente não sei como ficaram as situações das demais apresentações que faltavam.


Agora, vamos a algumas considerações que julgo importantes, nem tão agradáveis de se falar. Vamos ao público. O que mais se escuta no interior é a reclamação pela inexistência de eventos que tenham o Heavy Metal como foco. E, realmente, não é fácil realizá-los, já que existem muitos custos e pouco apoio, por isso, iniciativas como o Tribus devem, sim, ser muito valorizadas. Não que o público presente tenha sido decepcionante, foi razoável, mas é triste constatar que basicamente tínhamos as mesmas pessoas com as quais cruzamos em todos os festivais na região. Qual o problema disso? Nenhum, se eu não soubesse que a quantidade de pessoas que curtem Metal por aqui é bem maior. Mas nessa hora, o comodismo sempre fala mais alto e o sofá de casa sempre vence. Veja por exemplo o caso da minha cidade, Cataguases. Centenas de pessoas dizem curtir Metal, mas sequer uma van foi cogitada para ir ao evento, até porque quando se organiza alguma, dificilmente se consegue fechar a mesma. E isso quando se tem uma banda da cidade tocando no evento (o que não foi o caso do Tribus esse ano). No final, além de mim e minha esposa, apenas mais 3 amigos daqui estavam lá. E isso se repete em todo o entorno. Depois, quando iniciativas como estas deixarem de acontecer, espero que não fiquem choramingando pelos cantos reclamando da falta das mesmas, já que quando elas ocorrem, preferem ignorar.

Agora, mais duas cutucadas em uma pequena parcela do público, mas nesse caso, nos que estavam presentes. Uma das bandas que se apresentou no festival teve uma iniciativa que achei muito legal. Disponibilizou seu CD pelo preço que a pessoa quisesse pagar. Achei louvável tal iniciativa e só não peguei uma cópia para mim porque realmente não era minha praia sonora e não estava com dinheiro sobrando, afinal, se tivesse que pagar, o faria por um preço justo, pois sei das dificuldades e custos de gravar no Brasil. O problema é que, nitidamente, o fã de música no Brasil não sabe dar valor à obra de um artista que ele diz curtir. Não sei mesmo se a banda se incomodou com tal fato ou não (afinal, quem tá na chuva é para se molhar), mas me emputeceu demais ver algumas pessoas chegando até a banca de CD’s dizendo que haviam curtido muito o show, gostado das músicas, e dando R$ 0,10 pelo material. Isso mesmo, DEZ CENTAVOS. E pior, ainda pedindo autógrafo do vocalista na capa do CD. É esse o valor que vocês dão aos artistas que dizem gostar? Custava abrir mão ao menos do valor de um latão de cerveja e pagar um preço minimamente justo pelo material dos caras? Na minha cabeça não, mas na de outros a ideia parece um tanto absurda.


Outro fato que me incomodou se deu durante a apresentação do Arandu Arakuaa, quando Kapua Lana subiu ao palco para interpretar um cântico de seu povo. Algumas indiretas já havia sido dadas durante a apresentação, em momentos onde os elementos indígenas eram realçados nas canções, mas quando Kapua assumiu o microfone, pude escutar algumas piadas de mau gosto com relação ao mesmo, vindo de duas ou três pessoas que estavam atrás de mim. Aparentemente, para eles, um descendente de indígena deve obrigatoriamente parecer com o que veem em filmes ou no Globo Repórter. Então, se por acaso vocês estiverem lendo aqui, vou lhes passar algumas informações. Os Puris viveram nas regiões que hoje correspondem aos estados de Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo (na região da Serra da Mantiqueira), até os séculos XVIII e XIX, quando foram massacrados e miscigenados com os colonizadores luso-brasileiros. Sendo assim, uma pessoa não possuir a mesma aparência de um indígena que vocês viram nos livros escolares ou na TV não significa que o mesmo não tenha ascendência indígena. E vejam só, olhando por esse lado, até mesmo vocês, engraçadinhos, podem ter alguma ascendência indígena e sequer saberem disso. Nunca, de forma algum, desmereçam a luta legítima de alguém por ter seus direitos reconhecidos. NUNCA!

Feito o desabafo, só cabe aqui todos os elogios a iniciativa do Tribus. Além da música, ainda ocorreram a apresentação do Grupo de Capoeira Camaradagem, exposição do artista Thiago Assis, fogueira folk com vivência xamânica, mural com poesias, exposição com artesanato, doação de mudas para serem plantadas pelo público e muitas outras coisas interessantes. Um Festival que realmente abrange não só a música, como a cultura como um todo. Um verdadeiro foco de resistência nos dias cada vez mais difíceis que enfrentamos atualmente. Que mesmo diante de todas as dificuldades, Jozilei Pimenta Costa e os demais que o apoiaram na organização se mantenham firmes e fortes por muitos e muitos anos, pois a cena underground precisa muito desse tipo de iniciativa para se manter viva. E sendo assim, que venha o próximo Tribus Festival Brasil.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Apple Sin - Apple Sin (2017)


Apple Sin - Apple Sin (2017)
(Independente - Nacional)


01. Intro    
02. Sea of Sorrow    
03. Darknes of World    
04. Apple Sin    
05. Another Day    
06. Respect   
07. Fire Star    
08. Black Hole    
09. Roaches Blood    
10. Roadie Metal (bônus track)

Uma das coisas mais legais de se acompanhar o cenário nacional de tão perto é poder observar as bandas crescendo, amadurecendo a cada passo dado. Esse é o caso do Apple Sin, banda surgida no ano de 2012, em Barroso/MG, e que já havia mostrado seu trabalho ao mundo tanto no EP de estreia, Fire Star (2015), como nas diversas participações na coletânea Roadie Metal. E é com muito prazer que finalmente temos em mãos o seu 1º trabalho completo de estúdio em mãos, Apple Sin, lançado em fevereiro desse ano. Para quem desconhece o trabalho dos mineiros, sua aposta é no bom e velho Heavy Metal Tradicional, com um dos pés muito bem fincados na NWOBHM e influências mais que evidentes de Iron Maiden e da carreira solo de Bruce Dickinson.

E por falar em Bruce, vale dizer aqui que o vocalista Patric Belchior tem um timbre muito próximo do mesmo, o que acaba deixando a sensação de similaridade com os nomes citados acima ainda mais forte. A dupla de guitarristas formada por Beto Carlos e Tainan Vilela é responsável por alguns riffs bem marcantes, fortes, além de solos melodiosos e claro, aquelas guitarras gêmeas que todos nós esperamos em uma banda com tal proposta sonora e influências. A parte rítmica também não fica nada atrás em matéria de qualidade, com o baixista Raul Ganso e o baterista Eduardo Rodrigues. Raul, por sinal, parece em muitos momentos incorporar Steve Harris em suas levadas. O trabalho ainda contou com a participação de Philippe Belchior nos teclados que, a propósito, estão muitíssimo bem encaixados em todo o álbum.

Tirando a introdução, temos 9 temas fortes e de qualidade, que vão agradar em cheio aos amantes de Metal Tradicional. “Sea Of Sorrow” tem uma pegada mais cadenciada, com um bom trabalho da dupla de guitarristas e peso, muito peso, além do teclado também ter sido muito bem colocado. E de cara já fica muito evidente que estamos diante de grandes fãs do Iron Maiden, sensação mais que reforçada na faixa seguinte, a bruta e já conhecida “Darkness of World”, outra com boas guitarras e o baixo de Raul se destacando. “Apple Sin” é mais uma faixa que migrou do EP para o CD e trafega com muita competência entre o Hard e o Heavy, com melodias pra lá de agradáveis e sem negar seu DNA “Maideniano”. Já “Another Day”, mesmo sem negar as raízes da banda, se mostra bem mais variada, mostrando um caminho interessante a se seguir no futuro, enquanto a balada “Respect” soa bem agradável. Em seguida, mais uma dobradinha oriunda do EP, as intensas “Fire Star” e “Black Hole”, e encerrando o trabalho, a enérgica “Roaches Blood” e a forte “Roadie Metal”.


Seria muito fácil tecer apenas elogios ao trabalho do Apple Sin, mas a verdade é que cabem sim algumas ressalvas. A primeira delas é muito óbvia. Precisam se descolar (e não abandonar) um pouco da fixação pelo Iron Maiden. E isso não é nenhum absurdo, pois faixas como “Another Day”, “Fire Star”, “Black Hole” e “Roaches Blood” mostram um caminho muito interessante a ser seguido. As raízes, o DNA, estão lá, mais que presente, mas conseguem trazer outras influências para essas canções, dotando-as de personalidade. São a prova de que o Apple Sin é sim uma das bandas com mais potencial no nosso cenário atualmente. A segunda ressalva cabe à questão da produção, que mais uma vez ficou por conta do baterista Eduardo Rodrigues. Ela é ruim? Longe disso. Em uma época de produções plastificadas, quase artificiais, é muito legal poder escutar algo mais orgânico, vivo. Está tudo claro, audível, todos os instrumentos podem ser bem notados, o peso e a agressividade estão presentes, mas ainda existe um pequeno excesso na crueza. A verdade é que a música do Apple Sin, com uma produção um pouco mais trabalhada, pode alcançar resultados ainda melhores. O último apontamento é a respeito da pronuncia do inglês, que pode ser um pouco mais caprichada em alguns momentos. Já a parte gráfica está muito bem-feita, com a arte tendo ficado a cargo do baixista Raul Ganso e o design do álbum feito por Philippe Belchior.

Para um álbum de estreia, o resultado aqui é muito bom. Mostrando uma banda mais madura,  pesada e agressiva, o Apple Sin vai confirmando o discurso de muitos por ai (inclusive o meu) sobre serem uma das bandas nacionais mais promissoras da atualidade. Cabe agora dar aquele último passo, e definir de vez sua personalidade, além de claro, aparar pequenas arestas aqui e ali. Feito isso, estarão mais que prontos para assumir uma posição entre as principais bandas de Metal do Brasil.

NOTA: 8,0

Apple Sin é:
- Patric Belchior (vocal);
- Beto Carlos (guitarra);
- Tainan Vilela (guitarra);
- Raul Ganso (baixo);
- Eduardo Rodrigues (bateria);
- Philippe Belchior (teclado).

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

The Charm The Fury - The Sick, Dumb & Happy (2017)



The Charm The Fury - The Sick, Dumb & Happy (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Down on the Ropes
02. Echoes
03. Weaponized
04. No End in Sight
05. Blood and Salt
06. Corner Office Maniacs
07. The Future Need Us Not
08. Silent War
09. The Hell in Me
10. Songs of Obscenity
11. Break and Dominate

O tempo é inexorável. Sendo assim, é inevitável que nossos grandes ídolos do Rock/Metal se aposentem, ou mesmo partam dessa vida. Subterfúgios, como turnês holográficas, até podem surgir, mas a verdade é uma só: todos partem. Por isso, a renovação dentro da música pesada se faz mais do que necessária, por mais que insistamos em nos apegar com unhas e dentes aos grandes nomes do passado. Sem isso, daqui a algumas décadas, o Metal terminará passando pelo mesmo processo do qual o Jazz e o Blues foram vítimas décadas atrás, ou seja, estilos que tiveram grande popularidade, mas não souberam se renovar quando necessário, se tornando assim uma música de nicho muito específico e limitado, voltado para pessoas “cults e requintadas”. Cite 10 artistas populares desses estilos na atualidade! Mas artistas atuais. Te garanto que a maior parte dos nomes que virão à sua cabeça são de músicos do passado. Mas felizmente, em matérias de bandas, temos aí uma geração que vem forte, pedindo passagem.

Quando falamos de Holanda e Metal, o que vêm à sua cabeça? Metal Sinfônico com vocais femininos, e nomes como Epica, After Forever, Delain, Within Temptation ou Stream of Passion? Death Metal e bandas como Sinister, Gorefest, Bleeding Gods e Houwitser? Alguns podem pensar em Metal Tradicional (Picture), ou em Prog Metal (Ayreon). Pois a essa lista, eu vou acrescentar o Metalcore do The Charm The Fury, banda surgida em Amsterdam, no ano de 2010, e que após um EP no ano de 2012 (The Social Meltdown), soltou seu debut no ano seguinte, A Shade Of My Forever Self, obtendo bons resultados, tocando em alguns dos principais festivais da Europa e chamando a atenção da Nuclear Blast, com quem acabaram assinando.

Quem teve a oportunidade de escutar A Shade Of My Forever Self, pôde perceber que por trás daquele disco que aparentemente apresentava um Metalcore comum existia uma banda promissora, não só pelos ótimos vocais de Caroline Westendorp, como também pelos riffs de guitarra, que mostravam boas influências de Groove e Thrash Metal. Faltava porém fazer isso aflorar. E bem, podemos dizer que agora em The Sick, Dumb & Happy, o The Charm The Fury mostra ao que veio, já que podemos observar uma banda muito mais madura que em seu debut, trabalhando melhor as referências e explorando todo aquele potencial latente que era possível observarmos 4 anos atrás.

Se Caroline já se mostrava o diferencial da banda na estreia, aqui ela só reforça isso. Seu trabalho vocal é impecável, tanto nas partes mais agressivas, quanto nas limpas e mais melódicas. A diversidade vocal é um dos grandes trunfos de The Sick, Dumb & Happy. A dupla de guitarristas, com Rolf Perdok e o estreante Martijn Slegtenhorst faz um belo trabalho, dando voz às já citadas influências de Thrash e Groove, que acabam por levar a música do quinteto a um patamar acima. Já a parte rítmica, com o baixista Lucas Arnoldussen e o baterista Mathijs Tieken, se mostra acima da média, imprimindo peso e variedade às canções.


As referências que surgem durante a audição são várias. Pantera, Machine Head, Lamb of God, Korn e Slipknot estão entre elas, mas o The Charm The Fury consegue dar uma cara própria a seus temas, muito disso graças aos vocais de Caroline. Dentre as canções presentes, vale destacar a ótima sequência de abertura, com a intensa “Down on the Ropes” e sua pegada Groove, a variada “Echoes”, com alguns vocais limpos bem melódicos e a feroz “Weaponized”, uma boa mescla de Groove com Metalcore. Outros destaques ficam por conta de “The Future Need Us Not”, raivosa, com ótimos riffs e uma pegada mais Nu Metal, e a dobradinha que encerra o trabalho, “Songs of Obscenity” e “Break and Dominate”, agressivas, pendendo para o Thrash e ótimas para se bater cabeça.

Produzido pelo baterista Mathijs Tieken, o álbum recebeu mixagem de Josh Wilbur (Lamb Of God, Gojira, Megadeth, Trivium, Crowbar), sendo que nos casos de “Corner Office Maniacs” e “Silent War”, as mixagens foram feitas respectivamente por Tieken e Stefan Glaumann (Apocalyptica, Paradise Lost, Rammstein, Samael, Therion, Within Temptation). A masterização foi obra de Ted Jensen, que já trabalhou com bandas do porte de Metallica, Megadeth, Iron Maiden, Pantera, dentre muitos outros. Já as duas músicas citadas acima foram masterizadas por outro nome tarimbado, Brian Gardner, que tem em seu currículo álbuns de nomes como David Bowie, Fear Factory, Lamb Of God, Rush e Suicidal Tendencies. Com uma equipe técnica desse porte, o resultado final não podia ser menos do que ótimo. Já a parte gráfica, muito boa, foi toda elaborada por Robert Sammelin, artista que já trabalhou na concepção de capas de diversos jogos para videogames, dentre outros trabalhos. Vale a pena pesquisar o trabalho do cara.

Se mostrando mais maduro, feroz, agressivo e diversificado, o The Charm The Fury se credencia desde já como uma das principais promessas do Heavy Metal para os próximos anos, e nos dá a certeza de que, ao menos no que tange às bandas, a renovação está acontecendo mais forte do que nunca, e com qualidade. Cabe agora o público fazer sua parte, dando chance aos novos nomes e mantendo mais viva do que nunca a chama do Rock/Metal. Ou se preferir, espere mais uns 10, 15 anos, para ver os velhos mestres (que um dia estiveram na posição do The Charm The Fury e de muito outros) em turnês holográficas, quem sabe, do conforto do sofá de sua casa ou em salas de projeção 3D.

NOTA: 8,0

The Charm The Fury é:   
- Caroline Westendorp (vocal);
- Rolf Perdok (guitarra);
- Martijn Slegtenhorst (guitarra);
- Lucas Arnoldussen (baixo);
- Mathijs Tieken (bateria).

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Lord Blasphemate - Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 (2017)


Lord Blasphemate - Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ - Equinox
02. Heptarchia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae
03. The Magician Hierophant of Hadit in Equinox
04. The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet
05. Draco Estelar Ophidian Ignea
06. In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots
07. Le Messe Noir - Le Psychodrame Original
08. Heptarquia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae (Orchestral Version)

O underground nunca é justo, e as dificuldades com as quais as bandas se deparam são imensas. Imagine então a luta para se manter uma banda por 25 anos na estrada. Surgido no Rio Grande do Norte, o Lord Blasphemate passou por muita coisa nessas duas décadas e meia, mas que lhe valeram o respeito dos fãs de Metal e um posto mais do que merecido entre os principais nomes do Black Metal no Brasil. Por sinal, seu debut, The Sun That Never Dies… (97), tem vaga fácil em qualquer lista de melhores do estilo lançados por aqui, tamanha sua qualidade. Ainda assim, esse é apenas seu 4º álbum completo de estúdio. Sem dúvida uma injustiça.

Quem conhece o trabalho do Lord Blasphemate sabe exatamente o que encontrará aqui. Agora, caso você faça parte dos que ainda não têm familiaridade com a banda, se prepare para escutar um Black Metal forte, pesado, agressivo, mas com boas melodias e uma certa dose de melancolia. Em nível de comparação, seguem a escola grega do estilo, que gerou grupos como Rotting Christ, Varathron, Nightfall, Thou Art Lord, Necromantia, dentre outros ótimos nomes, mas sua música é carregada de personalidade e os nomes citados acima servem apenas como referência ao prezado leitor para se localizar minimamente quanto ao que encontrará aqui.

Os vocais aqui ficaram por conta de Nyarlathotep, que já havia participado de 2 trabalhos anteriores da banda, o CD Ophisophia (13) e o EP Opus Gnosticum Satannae (14), e soam excelentes, bem variados. Nesse ponto, ainda contam com os vocais adicionais de Paulo Santiago (Kataphero), também responsável pelos samples, orquestrações e guitarra adicional, e Jaque Moraes, que faz os vocais femininos presentes em “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”. As guitarras do batalhador Hellhammer, único integrante original ainda presente, fazem um belo trabalho, despejando ótimos riffs e criando um clima bastante soturno em boa parte do tempo. Já a parte rítmica, com o baixista Znameni (ex-Sanctifer) e o baterista convidado Johnny Rodrigues (Infested Blood), realiza um trabalho primoroso, técnico e bem diversificado.

O Lord Blasphemate não é dessas bandas que investem na velocidade. Ela até pode se fazer presente aqui e ali, mas sua música tem como marcas a cadência e as muitas mudanças de tempo. Isso já fica bem claro na soturna faixa de abertura, “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ - Equinox” com bons riffs e melodias (reparem como as guitarras possuem boa influência de Metal Tradicional), mudanças de andamento e um teclado muitíssimo bem encaixado. O resultado disso é soturno. De forma alguma podemos deixar de citar as épicas “Heptarchia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae”, com partes velozes e que esbanjam rispidez, “The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet”, essas duas na casa dos 10 minutos, e “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”, com seus mais de 16 minutos de duração, clima melancólico, e ótimo trabalho vocal. Já “The Magician Hierophant of Hadit in Equinox” possui uma pegada mais tradicional, enquanto “Le Messe Noir - Le Psychodrame Original” soa bem agressiva. “Draco Estelar Ophidian Ignea” é bem curta, com pouco mais de 2 minutos e pende para o Dark Metal, com ótimas melodias e belíssimo trabalho vocal, enquanto a última faixa é uma versão orquestrada da 2ª música do CD.


Gravado no Sonora Studio, entre 2015 e 2016, Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 possui uma produção totalmente condizente com a proposta da banda. Pesada, seca e bem crua, soa bem orgânica, mas tendo deixado todos os instrumentos bem claros e audíveis. A parte gráfica, uma das mais belas que vi esse ano e que vem embalada em um digipack de 3 abas muito caprichado, é mais um grande trabalho de Alcides Burn (https://www.burnartworks.com/), que já trabalhou com bandas como Nervochaos, Krisiun, Rebaelliun, Keep Of Kalessin, Blood Red Throne, Headhunter D.C., dentre muitas outras.

Com uma música pesada, muito bem-arranjada e diversificada, agressiva, mas que não abre mão das melodias que a fazem soar tão soturna e melancólica, o Lord Blasphemate presenteia os fãs de Black Metal com mais um belo trabalho, que honra seus 25 anos de história e deixa mais do que claro o porquê de serem uma das principais bandas de Black Metal do Brasil. Imperdível!

NOTA: 8,0

Lord Blasphemate (Gravação):
- Nyarlathotep (vocal);
- Hellhammer (guitarra);
- Znameni (baixo).

Participações:
- Johnny Rodrigues (bateria)
- Paulo Santiago (samples, orquestrações, vocal na faixa 5, guitarra e vocal na faixa 6)
- Jaque Moraes (vocal na faixa 6)

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domingo, 23 de julho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

(Katoptron IX Records – Importado)
 

Grécia e Black Metal caminham lado a lado quando o assunto é qualidade, e no trabalho de estreia do trio Prometheus isso não é diferente. Black Metal bruto, que flerta com o Death Metal, além de boas passagens sinfônicas e atmosféricas. Ok, não apresentam nada de novo e você certamente já escutou uma centena de bandas de Black fazendo essa mesmíssima coisa, mas isso não desmerece em nada o trabalho do Prometheus, que tem qualidade e soa muito verdadeiro. Promissor. (7,5)

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Virtual Symmetry – X-Gate (2017) (EP)
(Independente – Importado)
 

Surgido no ano de 2009 em Milão (Itália), como uma One Man Band comandada pelo multi-instrumentista Valerio Æsir Villa, o Virtual Symmetry estabeleceu uma formação fixa no ano de 2012 (com Valerio assumindo apenas a guitarra). Após a estreia ano passado, soltam agora um EP onde dão uma verdadeira aula de Prog Metal, apresentando uma música com ótimas melodias, clima épico e muita, mas muita técnica (e sem soar enjoativo, vale dizer). Se você é fã do estilo, precisa obrigatoriamente conhecer esses italianos. (8,5)

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Vigilance – Hammer of Satan’s Vengeance (2017)
(Dying Victims Productions – Importado)
 

Sabe aquele Heavy/Black, com toques Speed, totalmente oitentista? Pois bem, ele tem seu representante na Eslovênia, que atende pelo nome de Vigilance. Soando em muitos momentos como uma mescla de Iron Maiden com Venom, deixam essas influências bem latentes durante os 37 minutos de duração desse que já é seu 3º trabalho de estúdio, com tudo procurando soar como se tivesse sido gravado em pleno anos 80. É datado e até mesmo um pouco previsível, mas vai agradar em cheio aqueles saudosistas do Metal, já que soa verdadeiro e honesto. Se curte nomes como os já citados acima, e outros como Warfare, Nifelheim, Possessed, KAT, e os primeiros trabalhos de bandas como Sodom, Slayer e Running Wild, pode ir sem medo. (7,0)

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Trial – Motherless (2017)
(Metal Blade Records – Importado)
 

A Suécia sempre foi um celeiro de boas bandas e é de lá que vêm o Trial, quinteto surgido no ano de 2007 e que chega aqui a seu 3º álbum de estúdio. Tendo a espinhosa missão de suceder o ótimo Vessel (15), temos aqui um Heavy Metal Tradicional (a influência de Iron Maiden nas guitarras é inegável), pesado e que flerta bastante com o Prog Metal. Seu som não soa datado, esbanja energia e boas melodias, mas, por algum motivo, não empolga tanto quanto seus dois trabalhos anteriores. Ainda assim, um bom álbum. (7,5)

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Salems Lott - Mask Of Morality (2017) (EP)
(Independente – Importado)
 

O visual é dos mais exagerados, misturando aspectos do Glam e do Visual Kei, mas não se deixe enganar por isso. O Salems Lott chega em seu 2º EP praticando uma mescla de Heavy, Power e Speed Metal, com toques de Hard/Glam, que eles intitulam de Shock Metal. Sua música transborda peso e energia e se mostra muito mais madura e bem definida que na sua estreia, em 2015. Essa é a primeira parte de uma história que terminará de ser contada em um segundo EP, a ser lançado ainda neste ano, mas a verdade é que estão mais do que prontos para soltarem um trabalho completo de estúdio. (8,0)

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Oriundo da China e radicado atualmente em Nova York, o Tengger Cavalry é um nome para lá de instigante. Seu vocalista, Nature Ganganbaigal, possui ascendência nômade e isso é refletido no seu Folk Metal, que recebe doses generosas da tradição musical mongol, com a utilização de instrumentos folclóricos nômades, como o Morin Kuur e o Tov Shuur. Além disso, seus vocais seguem uma linha chamada de Throat Singing (canto de garganta), que certamente causa estranhamento e desperta relações de “ame ou odeie” com relação ao trabalho da banda. Mas são justamente essa forma de cantar e os instrumentos folclóricos que acabam por criar uma atmosfera única e diferenciada. (8,0)

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)


Heaven Shall Burn – Wanderer (2016)
(Shinigami Records/Century Media Records - Nacional)


01. The Loss Of Fury
02. Bring The War Home
03. Passage Of The Crane
04. They Shall Not Pass
05. Downshifter
06. Prey To God
07. My Heart Is My Compass
08. Save Me
09. Corium
10. Extermination Order
11. A River Of Crimson
12. The Cry Of Mankind (My Dying Bride Cover)

Existem bandas que sempre procuram inovar, às vezes com bons resultados, outras vezes, nem tanto assim. No espectro oposto, existem aquelas bandas que encontraram uma “fórmula mágica” e que, por isso, procuram se manter dentro de sua zona de conforto. Assim como no caso anterior, isso pode ser positivo ou negativo, dependendo muito do nível de inspiração dos músicos envolvidos. É nesse segundo caso que se encaixam os alemães do Heaven Shall Burn, que ano passado lançaram Wanderer, seu 8º trabalho de estúdio e que agora chega as mãos dos fãs brasileiros em sua versão nacional, graças à iniciativa da Shinigami Records.

No caso do grupo alemão, encontraram sua fórmula em Antigone (04) e de lá para cá, pouco arriscaram, variando alguma coisa aqui e ali, mas mantendo sempre uma mesma linha sonora, mesclando Death Metal Melódico com Metalcore, criando assim uma espécie de Deathcore Melódico, capaz de agradar desde os fãs de nomes como Kataklysm ou In Flames (antigo) até os que apreciam bandas como Caliban e As I Lay Dying. Felizmente, no caso do HSB, a inspiração sempre esteve em dia e nunca decepcionaram seus fãs, lançando bons trabalhos na última década.

Mas em Wanderer, primeiro trabalho sem o baterista fundador, Matthias Voigt, podemos observar alguns pequenos avanços na sonoridade do Heaven Shall Burn. A base de sua sonoridade continua ali, firme e forte, mas podemos observar uma certa influência de Thrash Metal nos riffs, dando assim mais peso às canções aqui presentes. Sim, estamos diante do trabalho mais pesado do HSB em muito tempo, o que acaba por ser uma lufada de ar fresco para a banda. Os vocais de Marcus Bischoff continuam ótimos, brutos, agressivos e variados, sendo uma das marcas do quinteto, mas precisamos muito falar aqui da dupla de guitarristas Alexander Dietz e Maik Weichert. Decididamente, são a alma de Wanderer, já que seus riffs conseguem equilibrar com perfeição agressividade e melodia, além de soarem muito pesados. Os solos também se destacam pela qualidade. Eric Bischoff faz um bom trabalho no baixo e cabe dizer que seu instrumento está bem mais audível aqui do que no trabalho anterior, Veto (13). Já o estreante Christian Bass consegue manter o alto nível de seu antecessor, já que a bateria continua soando bombástica.


São 12 canções, incluindo a já tradicional faixa cover que consta em todos os lançamentos. Depois de coverizar bandas como Bolt Thrower, Paradise Lost, Edge of Sanity e Blind Guardian, dentre outras, a escolha aqui recaiu sobre o My Dying Bride. O nível das mesmas é bem homogêneo, mas é possível apontar alguns destaques inatos aqui. “Bring The War Home” é esmagadora e tem uma influência bem nítida da cena de Gotemburgo, sendo impossível não se lembrar dos bons momentos do In Flames nos anos 90. Isso também ocorre em “Passage Of The Crane”, bem refinada mas sem abrir mão da brutalidade, em “Extermination Order” e na direta “Corium” (com participação do guitarrista Nick Hipa, ex-As I Lay Dying). “Prey To God” é a faixa mais Death Metal já composta pela banda e conta com a participação mais que especial de ninguém menos que George "Corpsegrinder" Fisher (Cannibal Corpse). Já “A River Of Crimson” é bem intensa e possui ótimas melodias. E não dá para não citar a primorosa versão de “The Cry Of Mankind”, do My Dying Bride, simplesmente magistral e de muito bom gosto, contando com a participação de Aðalbjörn Tryggvason, vocalista do Sólstafir.

Produzido pelo guitarrista Alexander Dietz, com mixagem e masterização de Tue Madsen (Behemoth, At The Gates, Dark Tranquillity, Moonspell, Kataklysm, Vader), o resultado final é ótimo. Claro, cristalino, pesado e agressivo. Já todo o layout e design foram obra de Carsten Drescher (After Forever, Arch Enemy, Epica, Borknagar, Paradise Lost, Lacuna Coil), e acompanharam a qualidade da produção. Se você é fã do Heaven Shall Burn, sabe bem que pode adquirir esse trabalho sem medo, mas se você se encontra no time dos mais receosos, devido ao pé da banda no Metalcore, mas é fã de Death Metal Melódico, eis aqui um título que vale muito a pena conhecer.

NOTA: 8,0

Heaven Shall Burn é:
- Marcus Bischoff (vocal);
- Maik Weichert (guitarra);
- Alexander Dietz (guitarra);
- Eric Bischoff (baixo);
- Christian Bass (bateria).

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

The Unity - The Unity (2017)


The Unity - The Unity (2017)
(Shinigami Records/SPV/Steamhammer - Nacional)


01. Rise And Fall
02. No More Lies
03. God Of Temptation
04. Firesign
05. Always Just You
06. Close To Crazy
07. The Wishing Well
08. Edens Fall
09. Redeemer
10. Super Distortion
11. Killer Instinct
12. Never Forget

O Love.Might.Kill foi uma banda de Melodic Heavy Metal alemã que durou de 2010 a 2015, tendo lançado 2 álbuns de estúdio, Brace for Impact (11) e 2 Big 2 Fail (12). Entre seus membros, contava com o baterista Michael Ehré, que, no mesmo ano do lançamento do segundo trabalho, assumiu as baquetas do Gamma Ray. Guarde bem essa informação, pois ela será de grande valia mais à frente. Pois bem, foi no gigante do Power Metal alemão que Ehré travou grande amizade com o guitarrista Henjo Richter, com quem resolveu formar o The Unity no ano de 2016, até porque, convenhamos, com Kai Hansen excursionando mundo afora com o Helloween, a agenda do Gamma Ray não será tão movimentada por algum tempo.

Mas bem, como uma banda não se faz apenas de um guitarrista e um baterista, fazia-se necessário encontrar outros músicos para dar sequência ao The Unity. Foi então que Ehré resolveu chamar seus ex-companheiros de Love.Might.Kill, exceto o guitarrista Christian Stöver (por motivos óbvios, mas que ainda assim ajudou na composição de duas músicas e com guitarras adicionais na gravação) para completar o time. E assim, com a chegada de Jan Manenti (vocal), Stefan Ellerhorst (guitarra), Jogi Sweers (baixo) e Sascha Onnen (teclado), partiram para a composição do seu autointitulado debut.

Quando você pensa em uma banda que conta com 2 membros do Gamma Ray, a primeira coisa que vem à sua cabeça é um típico álbum de Power Metal Melódico, com todos os elementos que sempre marcaram a escola alemã do estilo. É uma questão de lógica. Só que atentem bem para um detalhe muito importante: sim, são 2 membros do Gamma Ray, mas também estamos falando de 5 ex-membros do Love.Might.Kill (com um 6º como colaborador) e, sendo assim, aquela lógica inicial acaba subvertida, pois é justamente a sonoridade da ex-banda de Ehré que predomina por aqui. Claro, existem alguns momentos mais Power aqui e ali, mas os mais familiarizados com a proposta do L.M.K sabem exatamente o que encontrarão aqui: um Heavy Metal carregado de melodias e com um pé no Melodic Hard Rock/AOR.


Isso é ruim? De forma alguma, pois é justamente por fugir da obviedade inicial que o debut do The Unity acaba sendo tão legal. Os vocais de Jan Manenti se destacam não só pelo belo timbre e pela variedade, como também por conseguir transpor para as canções a emoção que as mesmas pedem. A dupla formada por Henjo e Stefan Ellerhorst realiza um belíssimo trabalho nas guitarras, com bons riffs e ótimos solos, sempre carregados de muita melodia e sim, de certo acento pop aqui e ali. A parte rítmica, com Jogi Sweers e Ehré faz bem seu trabalho, entrosada e muito coesa, enquanto o tecladista Sascha Onnen encaixa muito bem seu instrumento nas canções, chegando até mesmo a comandar algumas delas.

São 12 canções que primam principalmente pelas boas melodias. Existem alguns altos e baixos aqui e ali, mas nada que realmente comprometa o resultado como um todo. Entre os destaques, poderia citar a sequência de abertura, com “Rise And Fall”, com uma tendência ao Power, boas melodias, bastante energia e refrão grudento, “No More Lies”, que mescla Dio da fase Dream Evil com Hard/AOR, sendo outra cujo refrão vai ficar na sua cabeça por dias, a ótima “God Of Temptation”, épica, pesada e que vai te remeter aos melhores momentos do Black Sabbath na fase Tony Martin (poderia estar sem força alguma no Headless Cross) e a mais que bombástica “Firesign”, faixa forte e cativante. É obrigatório também citar a excelente “Killer Instinct”, canção bem equilibrada, com uma pegada um pouco mais cadenciada e um riff daqueles marcantes.

A produção foi realizada pela própria banda, com mixagem e masterização realizadas por Miquel A. Riutort, no Psychosomatic Recording Studio. O resultado final foi muito bom, com tudo claro, limpo e audível, mas sem perder o peso. Já a capa é trabalho de Alexander Mertsch (Deep Purple, Savatage, Stratovarius, Gamma Ray), tendo ficado bem legal. Então se curte um híbrido entre Metal melódico, Hard e AOR, com melodias e refrões grudentos, o álbum de estreia do The Unity é mais do que indicado para você! Acima de tudo, um trabalho que rende bons minutos de diversão!

NOTA: 8,0

The Unity é:
- Jan Manenti (vocal);
- Henjo Richter;
- Stefan Ellerhorst (guitarra);
- Jogi Sweers (baixo);
- Michael Ehré (bateria);
- Sascha Onnen (teclado).

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Patria - Magna Adversia (2017)


Patria - Magna Adversia (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Infidels
02. Axis
03. Heartless
04. A Two-Way Path
05. Communion
06. Now I Bleed
07. Arsonist
08. The Oath
09. Porcelain Idols
10. Magna Adversia

Não nego, quando soube que o Patria estava para lançar um novo álbum, fiquei ansioso pelo mesmo. Vindo de uma ótima sequência, com Liturgia Haeresis (11), Nihil Est Monastica (13) e Individualism (14), ficava cada vez mais nítido que o grupo, formado por Mantus (Mysteriis, Darkest Hate Warfront), responsável pela guitarra, baixo e bateria, e o vocalista Triumphsword (Land of Fog, Thorns of Evil, Cold Mist) seguia a passos largos rumo ao seu auge criativo. Bem, não podemos dizer que já o tenham alcançado, mas se isso não ocorreu, imagino que estejam muito perto depois de Magna Adversia, seu 6º trabalho de estúdio.

A palavra evolução sempre assusta quando utilizada dentro do contexto do Metal, e mais ainda quando falamos de Black Metal, mas não soa exagerada se a inserirmos dentro dessa resenha. Mas calma, o Patria não aderiu às correntes mais modernas do estilo, pois sua música continua umbilicalmente ligada à segunda geração do Black Metal. Contudo, ao terminar a audição de Magna Adversia, é inevitável a sensação de que a banda evoluiu em muito dentro de sua proposta, mostrando que é possível sim, soar atual mesmo sendo tradicional.

Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi a forma como conseguiram equilibrar precisão, brutalidade e melodia, já que esta se faz presente em meio à rispidez e à agressividade das músicas. Muito disso se dá devido ao belo trabalho das guitarras e aos teclados que, encaixados de forma discreta, conseguem dar um discreto ar sinfônico às canções. Mas friso desde já que, quando falo de melodia e elementos sinfônicos, o paralelo a ser traçado aqui é com nomes como Dissection, Emperor, Limbonic Art ou Enslaved, e não com um Dimmu Borgir, um Cradle of Filth ou um Carach Angren. Como já falei acima, são atuais, sendo tradicionais.

Tudo aqui está um nível acima. Os vocais de Triumphsword soam melhores que nunca, mais variados que nos trabalhos anteriores. As canções também estão mais bem-arranjadas, mais trabalhadas, sendo perceptível o maior esmero nas composições. O nível das mesmas aqui é elevado. As orquestrações, quando surgem, têm a função de criar um clima soturno, épico, mas sem qualquer tipo de excesso, o que é muito positivo. Já o trabalho das guitarras é simplesmente fenomenal, despejando alguns riffs frios e marcantes, daqueles que ficam grudados na cabeça por horas. A bateria é um caso à parte e está fenomenal, tendo ficado por conta de Asgeir Mickelson, que já tocou com nomes do porte do Borknagar, Ihsahn, Sarke, Vintersorg (em estúdio) e atualmente comanda o projeto God of Atheists, ao lado de nomes como ICS Vortex, Vibeke Stene e Ihsahn, dentre outros.


A abertura, com “Infidels”, já deixa claro que o Patria não está para brincadeiras. Partes velozes se alternam com outras mais cadenciadas, muita energia, riffs cortantes e sintetizadores dando um clima sinfônico, mostram o passo à frente dado pela banda. A sequência, com a ótima “Axis” mantém o nível lá no alto, com um clima mais sombrio, boas melodias e riffs marcantes, fórmula bem parecida com a que encontramos em “Heartless”. “A Two-Way Path” soa bem intensa, com riffs fortes e bateria bombástica, enquanto “Communion” começa com uma bela introdução acústica, antes de explodir em peso e boas melodias. “Now I Bleed” conta com uma belíssima introdução orquestrada, composta por Fabiano Penna, do Rebaelliun, e é uma das melhores músicas de todo o álbum, com sua intensidade e violência. Já “Arsonist” é aquele Black Metal tipicamente escandinavo, que vai te transportar de volta aos anos 90, algo que se repete mais à frente, na ótima “Porcelain Idols”, uma das mais brutas e enérgicas aqui presentes. “The Oath” tem início com uma curta introdução sinfônica e possui alguns dos riffs mais frios e cortantes de todo o trabalho. Simplesmente épica. A faixa-título encerra o trabalho de forma surpreendente, com sua mescla de partes acústicas, sinfônicas e climáticas.

A produção foi realizada pela própria banda, com co-produção, mixagem e masterização realizadas no Crosound Studio (Garnes/Noruega), por ninguém menos que Øystein G. Brun, do Borknagar. O resultado final ficou incrível e muito equilibrado, já que apesar de ter deixado tudo limpo e claro, com uma cara atual, não abriu mão da agressividade, do peso e da rispidez. Uma das melhores produções de Black Metal que escutei neste ano. Já a belíssima parte gráfica ficou por conta do próprio Mantus (ou, se preferir, Marcelo Vasco), repetindo os tons utilizados em Liturgia Haeresis, e ficou ainda mais incrível no digipack caprichado feito pela Heavy Metal Rock.

Magna Adversia é, sem dúvida alguma, um divisor de águas na carreira do Patria. Mostrando que é possível, sim, evoluir sem perder suas características próprias, e moldando uma personalidade sem precisar abrir mãos de suas referências e influências, conseguiram lançar um dos principais álbuns de Black Metal deste ano de 2017. Obrigatório!

NOTA: 9,0

Patria é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra, baixo, bateria).

Participações Especiais:
- Fabiano Penna (orquestrações nas faixas 06 e 10);
- Ristow (guitarra na faixa 10);
- Øystein G. Brun (bateria e programação na faixa 10).

Patria ao vivo é:
- Triumphsword (vocal);
- Mantus (guitarra);
- Ristow (guitarra);
- Vulkan (baixo);
- Abyssius (bateria).

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)


Cold Mist - From the Dark Hills of the Past (2017)
(Cold Art Industry/Wolfblasphemer, My Dark Desires Records, Extreme Sound, Tolkiean Records, Haeretikus Productions - Nacional)


01. From the Dark Hills of the Past (intro)
02. Night and Mysteries
03. A Funeral Frost
04. Triumph of Cruelty
05. Manuscripts From Beyond
06. Deadly Mist
07. Emotions of a Full Terror
08. Old Domains
09. Fullmoon Tragedies

Em sua gênese, o Black Metal era hostil, fosse pelas letras atacando o cristianismo, fosse por sua crueza e agressividade, advindas das guitarras distorcidas, dos blast beats e dos vocais doentios. Quanto mais inacessível, quanto mais bruto e ofensivo, melhor. Mas a partir da 3ª geração do estilo, em meados dos anos 90, as coisas começaram a mudar, e tudo foi se tornando mais palatável ao gosto do “grande público”. O Black se dividiu em diversos sub-estilos, se diversificou e sim, deixou de chocar. Bandas como Dimmu Borgir, Emperor e Cradle Of Filth passaram a figurar no 1º escalão do Heavy Metal, ajudando ainda mais na aceitação e popularização do estilo.

Não me levem a mal, aprecio de verdade o atual cenário do Black Metal, com todas as suas ramificações e bandas tão diversas como Fen, Deafheaven, Altar of Plagues, Carach Angren, Saor ou Negura Bunget, mas em certos momentos, é inevitável aquele saudosismo. Nessas horas, é bom ter uma banda como a gaúcha Cold Mist por perto, com seu Black Metal calcado naquela geração nórdica, que até agrega elementos sinfônicos através dos teclados muito bem encaixados, mas que não abre mão da crueza e brutalidade tão necessárias em uma música que sim, surgiu para agredir a sociedade.

Formado por 2 dos principais nomes do cenário Black brasileiro, o vocalista e baterista Triumphsword (Patria, Land Of Fog, Thorns of Evil) e o guitarrista e baixista Bloodhate (Thorns of Evil, Hatred Sculpted Souls), e ainda contando com a luxuosa participação de Mantus (Patria, Darkest Hate Warfront, Mysteriis), que faz as guitarras adicionais do álbum, o Cold Mist estreia muito bem, nos presenteando com aquele Black Metal ríspido, cru, simples e direto, que vai remeter o ouvinte diretamente a nomes clássicos do estilo, como Emperor, Satyricon, Limbonic Art, Immortal, Taake e Darkthrone.

Os vocais de Triumphsword transitam muito bem entre o rasgado e o gutural, enquanto sua bateria soa simplesmente monstruosa. Bloodhate não fica nada atrás, se destacando pelos riffs afiadíssimos e cortantes, que soam frios, obscuros e sombrios como devem ser os riffs em um álbum de Black Metal que opta por seguir tal linha. Vale destacar que os teclados, tocados aqui por Bartzabel, conseguem dar não só um certo ar sinfônico, como também passar um clima bem soturno, estando sempre muito bem encaixado nas canções. Claro que boas melodias surgem aqui e ali, mas nada que faça a música do Cold Mist perder a sua rispidez. 


São 9 canções, sendo que 3 são instrumentais. “From the Dark Hills of the Past” serve de introdução para o álbum, “Manuscripts From Beyond” surge como um interlúdio bem-vindo em meio ao massacre e “Fullmoon Tragedies”, que conclui o trabalho. As 6 faixas restantes são verdadeiros hinos de pura hostilidade. “Night and Mysteries” é ríspida e crua, soando brilhante dentro de sua simplicidade, enquanto “A Funeral Frost” soa sombria e gélida, com um belo trabalho dos teclados. A bruta “Triumph of Cruelty” se destaca pelo alto nível de agressividade e pela mescla de velocidade com momentos mais cadenciados e sombrios, característica também presente na ríspida “Deadly Mist”. “Emotions of a Full Terror” é a mais “melodiosa” das faixas aqui presentes, com ótimos teclados e um clima que vai imergir o ouvinte em trevas. Já “Old Domains” esbanja agressividade e bons riffs.

Produzido pela própria banda, From the Dark Hills of the Past foi gravado, mixado e masterizado no Mantra Studio (Carlos Barbosa/RS), por Leandro Debenetti, no ano de 2010, e segue aquela linha mais Lo-fi, soando crua e se encaixando perfeitamente dentro da proposta sonora que aqui escutamos. Mas há de se frisar que está tudo 100% audível. Já o layout foi todo feito por Mantus (ou Marcelo Vasco, se você preferir) e ficou excelente, com o logo sendo criação de Maicon Ristow (que toca guitarra ao vivo com o Patria). Se você sente falta daquele Black Metal veloz, ríspido, simples e agressivo, eis aqui um trabalho mais do que imperdível para você. Corra atrás, porque vai valer muito a pena ter essa obra em sua coleção.

NOTA: 8,0

Cold Mist é:
-  Triumphsword (vocal/bateria);
-  Bloodhate (guitarra/baixo);
-  Bartzabel (teclado).

Participação especial:
- Mantus (guitarra).

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