sexta-feira, 30 de junho de 2017

Hellish War - Defender Of Metal (2001/2017)


Hellish War - Defender Of Metal (2001/2017)
(Independente - Nacional)


01. Into The Battle
02. Hellish War
03. We Are Living For The Metal
04. Defender Of Metal
05. The Sign
06. Gladiator
07. Into The Valhalla
08. Sacred Sword
09. Memories Of A Metal
10. Feeling Of Warriors
11. The Law Of The Blade

Quando falamos de Metal Tradicional no Brasil, um dos primeiros nomes que vem à tona certamente é o veterano grupo campineiro Hellish War, na luta desde 1995 e com 3 cd’s de estúdio já lançados, além de um trabalho ao vivo. Nesses mais de 20 anos de árdua labuta em prol do Metal Nacional, nunca esmoreceram, apesar de todas as dificuldades que são enfrentadas por quem se aventura pelas sinuosas estradas do underground metálico.

Mas tudo tem um começo, e aqui temos o início da caminhada do Hellish War. Ainda me lembro das propagandas da Megahard Records na Rock Brigade, no início dos anos 2000, onde tive meu primeiro contato com Defender Of Metal, debut do grupo campineiro. Dali surgiu a curiosidade de escutar aquele CD que, só pelo título, já deixava claro ser uma ode ao estilo que tanto amamos. E realmente ele o era e não sem justiça, o tempo acabou por fazer dele um dos principais trabalhos do estilo quando se trata de Metal Tradicional não só no Brasil, como na América Latina como um todo.

Decididamente esse é um álbum para saudosistas. Tudo nele remete aos anos 80, desde a sonoridade, que mescla a escola germânica (principal referência aqui) com a britânica do estilo, como também a parte lírica, que chega até mesmo a soar um tanto imatura com seus excessos de palavras como “Battle”, “Metal”, “Sword” ou “Warriors”, algo bem típico quando nos recordamos do cenário metálico oitentista. São clichês que certamente incomodarão aos mais críticos, mas que arrancarão sorrisos daqueles que viveram o período, ou mesmo dos mais novos que idolatram o passado. 


Os vocais de Roger Hammer podem não ser soberbos, mas soam fortes, enérgicos e sinceramente, isso vale mais do que alcançar aquelas notas inimagináveis. Remetem a nomes como Chris Boltendahl (Grave Digger), Rock 'n' Rolf (Running Wild) e Hansi Kürsch (Blind Guardian). As guitarras de Vulcano e Daniel Job executam um ótimo trabalho, com riffs velozes e marcantes, além de bons solos, enquanto a parte rítmica, com o baixista Gabriel Gostautas e o saudoso baterista Jayr Costa (a quem esse relançamento é dedicado), mostra não só boa técnica, como segura o peso das canções. E os refrões? Bem, são grudentos como devem ser.

Claro, as músicas estão cheias de clichês do estilo, não apresentam nada de novo, mas ainda assim mantêm o nível e são capazes de empolgar os fãs do estilo. Entre os maiores destaques, eu apontaria “Hellish War”, um Speed Metal tipicamente alemão e que poderia estar em qualquer bom álbum do período, “We Are Living For The Metal”, um Power Metal com forte influência de Helloween e que possui um daqueles refrões moldados para se cantar a plenos pulmões nos shows, a forte e empolgante “The Sign”, as “maidenianas” “Gladiator” e “Sacred Sword” (essa épica com mais de 10 minutos de duração) e a pesada “The Law Of The Blade”.

Em matéria de produção, a qualidade é boa, ainda mais se tratando de um trabalho gravado em 2001. Soa crua, mas totalmente audível. A capa com seu guerreiro pronto para lutar em prol do Metal também é clichê do estilo, mas ainda assim legal e remete totalmente aos anos 80. E para provar a relevância de Defender Of Metal, basta citar que anos depois o mesmo foi lançado posteriormente no mercado europeu, onde é considerado por muitos como um trabalho cult. Como já dito, um dos principais trabalhos do Metal Tradicional lançado no Brasil e que mais uma vez está ao alcance de todos os fãs do bom e velho Metal oitentista.

NOTA: 8,0

Hellish War (gravação):
- Roger Hammer (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- Gabriel Gostautas (baixo);
- Jayr Costa (bateria).

Hellish War é:
- Bil Martins (vocal);
- Vulcano (guitarra);
- Daniel Job (guitarra);
- JR (baixo);
- Daniel Person (bateria).

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Canábicos – Intenso (2017)


Canábicos – Intenso (2017)
(Monstro Discos – Importado)


01. Planeta Estranho
02. Fora Da Lei
03. Intenso
04. Não Faz Sentido
05. Lei Do Cão
06. Viagem Espacial
07. Rotina
08. Eu Não Sei O Que Vai Ser De Mim

Eis aqui uma prova de que o cenário mineiro não revela nomes de qualidade apenas no Metal Extremo. Surgido no ano de 2013 em Araguari (no Triângulo Mineiro), pelas mãos dos ex-integrantes do Anil, o guitarrista Murcego Gonzáles (Uganga) e o vocalista Clandestino, e contando ainda com o baixista MM e o baterista Mestre Mustafá, o Canábicos se enveredam pelos caminhos do Hard/Classic Rock, com nítidas influências daquele som feito nos anos 70 por nomes internacionais como Led Zeppelin, Black Sabbath, Steppenwolf ou mesmo nacionais, como Os Mutantes. E vale dizer que as letras (muito boas) são feitas em nossa língua pátria.

A primeira coisa que chama a atenção é o fato de Intenso já ser o 3º álbum de estúdio dos mineiros (que ainda têm um EP). Sim, em uma época onde bandas parecem lançar material por obrigação a cada 3, 4 anos, o Canábicos produz não só de forma massiva, mas também com muita qualidade. Outro aspecto que vale destacar é que, apesar da proposta sonora adotada, em momento algum sua música soa datada. Você consegue perceber as referências, as influências do quarteto, mas ainda assim sua música soa atual, contemporânea.

Enérgica! Eis um adjetivo que cabe bem à música do Canábicos. Aliando peso, agressividade, groove e ótimas melodias, conseguem fazer uma música que soa absurdamente agradável aos ouvidos e que acaba te fazendo deixar o CD no repeat, já que os poucos mais de 30 minutos de duração de Intenso parecem durar a metade do tempo. Quando você se dá conta, o mesmo já acabou e bate aquela vontade de escutar tudo de novo. Os vocais de Clandestino são bem fortes e possuem um ótimo timbre, enquanto a guitarra de Murcego despeja bons riffs e solos em nossos ouvidos, com influências claras de nomes como Page, Iommi e Hendrix. A parte rítmica com MM e Mustafá é firme, coesa e bem diversificada.


São apenas 8 canções, mas todas de ótimo nível. “Planeta Estranho” além de enérgica, possui ótimos riffs, enquanto “Fora da Lei” tem uma levada mais cadenciada e bom groove. Já “Intenso” tem uma pegada mais zeppeliana e faz mais que jus ao nome, e o Black Sabbath dá as caras em “Não Faz Sentido”, outra com um ótimo groove e uma vibe um pouco mais psicodélica. As influências de Page e Cia voltam a surgir na grooveada e melodiosa “Lei do Cão”, que tem um refrão que você já pega de primeira. Já a animada “Viagem Espacial” é a mais acessível de todo álbum, tendo uma veia mais Pop/Rock e teria espaço na programação de qualquer Rádio Rock por aí. Muito boa! “Rotina” tem um início mais enérgico, cru, para logo depois cair em um momento mais “viajado”, para em seu final retornar à pegada inicial. “Eu Não Sei O Que Vai Ser De Mim” encerra o álbum de forma intensa, com boa melodia e groove, sendo, sem dúvida, o momento mais psicodélico de Intenso.

Gravado no RockLab, em Goiânia, o álbum teve produção, mixagem e masterização realizados por Gustavo Vazquez (Uganga, Black Drawing Chalks, Hellbenders), com um resultado simplesmente excelente. O CD vem embalado em um digipack simples, mas caprichado, com fotos e arte feitos por Luiz Soufe. Com uma música forte, intensa e variada, o Intenso vai agradar em cheio os amantes de um bom Rock and Roll. Anotem esse nome, Canábicos, pois ainda irão ouvi-lo muito por aí.

NOTA: 8,5

Canábicos é:
- Clandestino (vocal);
- Murcego Gonzalez (guitarra);
- MM (baixo);
- Mestre Mustafá (bateria).

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Axes Connection - A Glimpse Of Illumination (2017)


Axes Connection - A Glimpse Of Illumination (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Meaning Of Evil
02. Rearrage Yourself
03. Wisdom Is The Key
04. Use The Reason
05. Prepare Your Soul
06. The Gates
07. A Glimpse Of Illumination
08. Journey To Forever
09. Skyline
10. The True Connection

Vamos voltar um pouco no tempo. Nos anos 90, os irmãos Vitor (bateria) e Marcos Machado (guitarra) resolveram trabalhar juntos em algumas músicas, visando um projeto em conjunto, mas a entrada deste último no Distraught no ano de 1998 (permaneceu até o início de 2013) fez com que a ideia fosse engavetada. Nos 15 anos em que Marcos permaneceu na banda gaúcha, ele, Vitor e eventualmente o terceiro irmão, Márcio (vocal), se reuniram algumas vezes para não deixar as músicas existentes esquecidas, mas sempre de maneira muito informal.

Em 2013, Vitor convenceu o Marcos a trabalhar no projeto de forma séria, mas logo após tal fato, infelizmente veio a falecer. Foi então que, como forma de homenagear o irmão, Marcos e Márcio resolveram seguir em frente com o sonho do mesmo, convidando o baixista Magoo Wise (ex-Apocalypse, ex-Distraught) a se juntar à banda. O que era um projeto ganhou um nome que é uma referência explícita ao sobrenome dos irmãos, Axes Connection (Axe significa Machado em inglês), e 4 anos depois surge A Glimpse Of Illumination, que muito mais do que um álbum de estreia, é uma homenagem à memória de Vitor.

Musicalmente, nos deparamos com um Heavy Metal Clássico, com influência de bandas tanto dos anos 70 quanto dos 80. Os vocais de Márcio são bem diversificados, enquanto Marcos faz um belo trabalho na guitarra e apresenta alguns bons riffs. A parte rítmica, que na gravação foi composta por Magoo e Lourenço Gil (bateria), mostra técnica e boa variedade, imprimindo peso às canções. Os destaques aqui ficam por conta de “The Meaning Of Evil”, que tem uma pegada setentista, além de soar bem intensa e pesada, a enérgica “Rearrage Yourself”, que flerta com o Black Sabbath, “Use The Reason”, forte, pesada e com bons riffs, a sabbathica “Prepare Your Soul” e a variada e técnica “A Glimpse Of Illumination”.


Produzido por Marcos Machado e pela banda, e como ele mesmo define no release enviado à imprensa, com o espírito do “do-it-yourself” prevalecendo, o álbum foi gravado parte em casa, parte no Felipe Live Studio, onde também foi mixado por Felipe Haider, tendo sido masterizado pelo ex-baixista do Hibria, Benhur Lima. O resultado final fica dentro da média, mas fiquei com a sensação de que poderia ter ficado um pouco melhor. Está tudo claro, audível, bem timbrado e soando bem orgânico, mas ficou um pouco cru além da conta. Já a bela capa, que retrata com perfeição o que é A Glimpse Of Illumination, foi obra de Aldo Marcondes.

Pesado, intenso e bem diversificado, o Axes Connection não só tem uma boa estreia, como também faz uma bela e emocionante homenagem a Vitor. Eis mais um nome promissor de nossa profícua cena.

NOTA: 7,5

Axes Connection é:
- Márcio Machado (vocal);
- Marcos Machado (guitarra);
- Magoo Wise (baixo);
- Cristiano Hulk (bateria).

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sábado, 24 de junho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Mechina - As Embers Turn to Dust (2017)
(Independente – Importado)


O Mechina é uma banda peculiar, pois sua música não é das mais fáceis de se rotular (afinal de contas, para que rótulos, não é?). Mas para localizar o leitor, é como se praticassem um Djent/Progressivo Sinfônico, mas com toques de Groove, Industrial e Death Metal aqui e ali. Desde seu 2º álbum, Conqueror (11), o grupo americano vem contando uma história conceitual sobre humanos refugiados buscando uma nova casa e os desdobramentos disso, sendo que As Embers Turn to Dust já é seu 7º trabalho de estúdio (lançam religiosamente 1 álbum por ano desde 2013, sempre no dia 1º de janeiro). Como sempre, conseguem manter o ótimo nível, com um trabalho vocal primoroso (vão desde vocais limpos masculinos e femininos até urrados/guturais), ótimos riffs, e com as partes orquestrais muitíssimo bem equilibradas, sem roubar o espaço dos demais instrumentos. Para quem conhece a banda, imagine um trabalho que em matéria de sonoridade, trafega entre Acheron (15) e Progenitor (16). Épico, cinematográfico e muito bom! (8,5)

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Grog – Ablutionary Rituals (2017)
(Murder Records – Importado)


Oriundo de Portugal, o Grog já é uma banda veterana, com seus 26 anos de estrada. Praticando uma mescla de Brutal Death Metal com Grindcore, chegam a seu 4º álbum de estúdio apresentando um trabalho nada indicado para aqueles que possuem ouvidos sensíveis e delicados. Sua música é brutal, destrutiva, com vocais “podres” (no melhor sentido da palavra), riffs velozes e trituradores e parte rítmica destruidora, conseguindo unir muito bem o lado técnico do Death Metal com a incivilidade do Grindcore. E títulos como “Uterine Casket”, “Sterile Hermaphrodite”, “A Scalpel Affair” e “Flesh Beating Continuum” deixam muito claro que a “singeleza” também se faz presente na parte lírica. Vale ressalvar que dentro da proposta adotada, os 40 minutos de duração acabam tornando o trabalho um pouco cansativo da metade para frente, sendo que uns 10 minutos a menos cairiam bem aqui. Se o Grog não apresenta nada de novo ao ouvinte, ainda assim faz com competência o que se propõe, valendo uma audição aos que curtem uma “podreira”. (7,0)

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Dark Rites – Dark Rites (2017)
(Sliptrick Records – Importado)


O Dark Rites surgiu no ano de 2016 e é um reflexo dos tempos atuais. Se trata de um projeto de internet que une músicos dos Estados Unidos, Inglaterra e Suécia. Apesar disso, conseguem mostrar uma sonoridade muito coesa, que mescla de forma bem interessante Groove Metal e Death Metal Melódico. É como se membros do Amon Amarth e do Lamb Of God resolvessem se juntar para formar um projeto paralelo, já que essas são as duas maiores referências presentes no trabalho de estreia do grupo. Equilibrando muitíssimo bem peso e melodia, nos apresentam uma música recheada de boas melodias, bons riffs e boa técnica. Não, você não vai se deparar com nada revolucionário aqui, já que não existe nada de novo musicalmente, mas fazem sua música com tanta paixão que você acaba relevando completamente isso. Fora que soa muito divertido. Um nome para se observar de perto nos próximos anos. (8,0)

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Ulvegr - Titahion: Kaos Manifest (2017)
(Ashen Dominion – Importado)
 
 
Para quem desconhece, o Ulvegr é um duo de Black Metal oriundo da Ucrânia, formado por Odalv (GreyAblaze, KZOHH, Elderblood, ex-Nokturnal Mortum) e Helg (Khors, GreyAblaze, KZOHH), já estando em seu 4º trabalho de estúdio. Seu Black Metal feroz, que versa sobre misticismo, ocultismo e paganismo, recebe uma série de influências que enriquecem em muito o resultado final. Passagens atmosféricas e elementos tribais criam um clima de culto ritualístico simplesmente assustador e sinistro, que deixa sua música ainda mais intensa e, porque não, desesperadora. Vale dizer que aqui a dupla contou com a colaboração do vocalista e guitarrista Astargh (GreyAblaze, Elderblood, ex-Nokturnal Mortum), do tecladista Hyozt (KZOHH, Nokturnal Mortum) e do vocalista Ermunaz (KZOHH), este em uma faixa. Um álbum poderoso! (8,5)

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Jonne - Kallohonka (2017)
(Playground Music Finland – Importado)
 
 
Para quem não ligou os pontos, esse é o projeto solo do vocalista do Korpiklaani, Jonne Järvelä, que chega a seu segundo trabalho e conta com a participação de músicos de bandas como Amorphis, Battlelore, Shape of Despair, dentre outras. Mostrando um trabalho mais bem-composto, maduro e diversificado que em sua estreia, sua música reúne elementos de Folk Acústico, World Music, Jazz, Flamenco, Progressivo e até algumas boas melodias Pop, resultando em algo que se aproxima muito mais do que fez no Shammaani Duo do que o que faz no Korpiklaani. Amplo e versátil, é um dos álbuns mais agradáveis que você escutará nesse ano de 2017. (8,0)

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Eis que o grupo polonês capitaneado pela vocalista Marta Gabriel chega a seu 6º CD mantendo aquela mesma pegada típica do Metal oitentista apresentada em seus trabalhos anteriores. A fixação da banda pelo período é tanta que em alguns momentos suas músicas chegam a soar um pouco datadas e sem identidade, já que a busca por originalidade não parece ser do interesse do quarteto polaco. Durante toda a audição, nomes como Iron Maiden, Cirith Ungol, Manowar, Warlock e Running Wild virão à sua cabeça, fazendo persistir aquela sensação famosa do “eu já escutei isso antes”. Mas ao mesmo tempo, não podemos negar a qualidade dos ótimos vocais de Marta, dos riffs pesados e sim, muito bons, além da ótima parte rítmica. São essas qualidades que acabam por equilibrar o jogo e dar qualidade ao grupo. Sua devoção pelos anos 80 é tão grande, que temos aqui participações especiais de ícones do período, como Ross The Boss (ex-Manowar), Mantas (ex-Venom) e Steve Bettney (Saracen), além de um cover para “See You in Hell” do Grim Reaper, na versão em CD, e para “Long Live the Loud”, do Exciter, no vinil. Vale destacar também a belíssima capa do mestre Andreas Marshall. (7,5)

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Apophanous – Obliteration Has Come (2016) (EP)


Apophanous – Obliteration Has Come (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Origins Of Violence
02. Bright Evil Eyes
03. Like An Angel
04. Death Drive

Apesar do Thrash Metal ser um estilo bem cotado entre as bandas brasileiras, a maior parte delas opta por adotar aquela sonoridade mais tradicional, com suas raízes bem fincadas ou na cena da Bay Area, ou na cena alemã. Algumas outras poucas, seguem uma escola mais brasileira, tendo o Sepultura como referência. Mas mesmo meio a um panorama mais conservador, existem novos nomes que optam por se enveredar por caminhos mais “modernos”. E esse é o caso do Apophanous.

O Apophanous ainda está dando seus primeiros passos, tendo surgido em São Paulo no ano de 2015. Adotando como sonoridade o que chamamos de Progressive Thrash Metal, podemos citar como referências bandas como Machine Head, Pantera, Lamb Of God, Chimaira e afins, executando assim um som com pegada mais moderna, técnico, muito bem trabalhado, mas sem abrir mão do peso e da agressividade em momento algum. Mudanças de tempo ocorrem em diversos momentos, evitando que as canções se tornem repetitivas e cansativas, além de possuírem melodias interessantes. Mas repito, a agressividade está presente em cada nota aqui, já que não abrem mão da mesma de forma alguma.

Chama a atenção o fato de que, apesar do pouco tempo de estrada, já apresentam uma coesão absurda, e muito disso vem do fato de já se tratarem de músicos com certa rodagem no underground. O vocalista Vitor Alcantara já passou pelo Encanto Blasfemo e pelo Divine Holocaust, sendo que nessa última tocou junto com o baterista Fábio Trevisan. O guitarrista Tiago Lima passou pelo Cimeries e pelo Everhate e o baixista Álvaro Albuq, pelo Stultifera. Exatamente por toda essa bagagem, conseguem dar uma cara própria à sua música, mesmo que as referências fiquem bem evidentes. Os vocais são agressivos e variados, a guitarra despeja bons riffs e solos melodiosos e a parte rítmica mostra competência, precisão e técnica.


São apenas 4 faixas, mas todas com um nível muito bom de qualidade. A abertura se dá com “Origins Of Violence”, bem variada, alternando muito bem partes mais cadenciadas com outras um pouco mais rápidas e ótimo desempenho da dupla formada por Álvaro Albuq e Fábio Trevisan. “Bright Evil Eyes” segue essa mesma linha, variando bem seu andamento e, além de ótimos riffs, possui um belíssimo solo. Já “Like An Angel” soa mais crua e enérgica, com uma melodia bem agradável e um bom refrão, enquanto “Death Drive” tem uma dose um pouco maior de rispidez, ótimos riffs, além de ser outra que se destaca pelo ótimo solo.

Gravado, mixado e masterizado no I.M.F (Santo André/SP) por Titio Falaschi, o resultado final em termos de produção é muito bom, soando clara, mas sem aquela coisa asséptica e fria que escutamos por ai. Soa pesada, orgânica, viva. Já a capa foi obra de Bruno Guia. A se lamentar, apenas o fato de Obliteration Has Come não ter saído em formato físico. Mas o mesmo pode ser encontrado em formato digital no YouTube, Bandcamp, Spotify, iTunes e demais plataformas digitais conhecidas. Mostrando um potencial de crescimento muito grande, o Apophanous se credencia desde já a, no futuro, estar entre os grandes nomes do nosso cenário.

NOTA: 8,0

Apophanous é:
- Vitor Alcantara (vocal);
- Tiago Lima (guitarra);
- Álvaro Albuq (baixo);
- Fábio Trevisan (bateria).

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Mothership - High Strangeness (2017)


Mothership - High Strangeness (2017)
(Ripple Music - Importado)


01. High Strangeness    
02. Ride The Sun    
03. Midnight Express    
04. Crown Of Lies    
05. Helter Skelter    
06. Eternal Trip    
07. Wise Man    
08. Speed Dealer

Parece ser indiscutível o fato de que o Stoner Rock vive o seu melhor momento em termos de popularidade, vide a grande quantidade de bandas que surgem a todo o momento apostando no dito estilo. Mas por mais que isso tenha aspectos positivos, por outro, a grande oferta acaba, de certa forma, nivelando tudo por baixo, já que grande parte desses novos nomes se limitam apenas a emular o que já foi feito por nomes consagrados do passado. Dentro desse panorama, uma banda que queira se destacar e não ser apenas mais uma em meio à multidão tem que apresentar algo muito consistente.

Esse é o caso do Power Trio texano Mothership, formado pelos irmãos Kyle (vocal/baixo) e Kells Juett (vocal/guitarra) e pelo baterista Judge Smith. Formado no ano de 2010, lançaram 2 álbuns de estúdio, Mothership I (13) e Mothership II (14) e um trabalho ao vivo, Live Over Freak Valley (16), que ajudaram a sedimentar seu caminho e crescimento dentro do underground, os colocando em uma posição de cada vez mais destaque dentro da cena. E após a audição de High Strangeness, não seria exagero da minha parte dizer que esse é o passo que faltava para os colocar um degrau acima, entre os grandes nomes do gênero.

Com seus dois pés muito bem fincados nos anos 70, praticando um Stoner/Hard com pitadas psicodélicas que surgem para temperar mais esse caldo, High Strangeness já chama a atenção de cara por sua belíssima capa. Ao bater o olho na mesma, você já sabe com o que irá se deparar. Se você já estiver familiarizado com a discografia do trio, assim que colocar o material para tocar, irá se ligar em um segundo aspecto: esse é um trabalho muito mais “simples” que seus antecessores, já que sua duração fica em torno dos 33 minutos (os anteriores ficavam na casa dos 45 minutos). Suas canções, definitivamente, estão mais curtas, diretas e precisas, soando muito mais orgânicas. 




O álbum abre com a faixa-título, um ótimo e hipnótico prelúdio instrumental que deixa escancarada toda a vibe setentista do trio. Na sequência, “Ride The Sun” chega bem direta, simples, com um riff inicial pra lá de marcante e que gruda na sua cabeça de imediato, assim como o bom refrão. É dessas músicas que cativam o ouvinte já de cara. “Midnight Express” é uma dessas clássicas faixas do estilo, capaz de te deixar viciado na mesma e com uma ótima performance da parte rítmica. Aliás, Kyle e Judge, em muitas passagens, conseguem remeter ao melhor do Black Sabbath. “Crown Of Lies” encerra a primeira metade do trabalho, e além de um riff simplesmente esmagador, se mostra bem variada, com várias mudanças de ritmo e um solo muito legal.

Não se deixe enganar, apesar do nome, “Helter Skelter”, que abre a segunda metade, não se trata de um cover dos Beatles, mas sim de uma música do próprio Mothership. Ótimos riffs, uma bateria muito forte e um climão bem Kyuss dão o mote em uma das faixas mais enérgicas do trabalho. “Eternal Trip” é um interlúdio instrumental suave e dinâmico, que surge para abaixar um pouco a adrenalina e preparar para o espetacular final. Primeiro, “Wise Man”, simples, direta, com um ótimo riff e uma melodia grudenta e por último, com a espetacular “Speed Dealer”, melhor faixa disparada de todo o trabalho, uma verdadeira viagem pelo que os anos 70 tinham de melhor a oferecer em matéria de música. Vibrante, viciante e com um belo riff.

A produção é excelente, conseguindo emular bem o clima do período, mas sem soar forçado. Tudo é muito honesto e natural aqui. O trabalho vocal é excelente, digno de todos os elogios, assim como a guitarra, que soa 100% verdadeira, saída de um trabalho dos anos 70. E a parte rítmica, essa brilha durante toda a audição. Equilibrando muito bem peso e melodia setentistas, o Mothership criou um álbum que vai agradar em cheio a fãs de formações como Spiritual Beggars, Fu Manchu, Orange Goblin, Kyuss e outras nessa linha. Certamente um dos grandes álbuns de Stoner Rock de 2017.

NOTA: 8,5

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 68. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/ZkBcFg
Leitura Online: https://goo.gl/t9Eg1Q

Mothership é:
- Kyle Juett (vocal/baixo);
- Kells Juett (vocal/guitarra);
- Judge Smith (bateria).

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Fuoco Fatuo – Backwater (2017)


Fuoco Fatuo – Backwater (2017)
(Profunde Lore Records - Importado)


01. Sulphureous Hazes    
02. Rainfalls of Debris    
03. Perpetual Apochaos    
04. Nemesis

Se existe uma coisa que a Itália produz muito bem, além das massas, é o tal do Doom Metal. Não sei se é o macarrão à bolonhesa, se é a pizza napolitana, ou se é o fato do Silvio Berlusconi ter governado o país por anos e anos (o mais provável, já que os dois primeiros itens devem ter influenciado o Power Metal animado e alegre das bandas de lá), mas os caras sabem fazer músicas sombrias como poucos. Esse é o caso do Fuoco Fatuo, surgido no ano de 2011 e que se envereda pelos tortuosos caminhos do Funeral Doom.

É preciso deixar claro, que esse não é um álbum para se tocar de fundo nas tarefas cotidianas de casa. Devido à sua profundidade, se faz necessária dedicação exclusiva para sua audição, já que  certos detalhes mais sutis exigem alguma atenção. Obviamente que estamos diante de um som muito arrastado, brutalmente pesado e opressivo, mas o Fuoco Fatuo agrega elementos de Death e Black à sua sonoridade, o que acaba permitindo pequenas mudanças de andamento aqui e ali, além de um aumento da velocidade em alguns trechos (mas nada exagerado). No final, é justamente esse aspecto de sua música que acaba tornando a audição “agradável”, já que apesar da longa duração das canções aqui presentes (entre os 13 e os 17 minutos), você mal percebe o tempo passar, e quando se dá conta, Backwater já chegou ao fim e você está dando o Play mais uma vez.


Os vocais de Milo Angeloni são rosnados e parecem sair das profundezas de algum sepulcro, maximizando a sensação de desolação. Ele, ao lado de Giovanni Piazza, é responsável por despejar riffs duríssimos, lentos e de um peso simplesmente esmagador, fora algumas melodias muito interessantes que surgem aqui e ali. Como o álbum foi gravado como um trio, Piazza também acumulou a função de baixista (posto hoje pertencente a Andrea Collaro), fazendo um belíssimo trabalho, enquanto o baterista Fabrizio Moalli (que saiu após a gravação, sendo substituído por Davide Bacchetta) consegue dar variação às canções, nos momentos em que as mesmas “aceleram” um pouco, evitando que se tornem cansativas.

São apenas 4 músicas, mas que valem por 40 de muitas bandas por aí. “Sulphureous Hazes” abre o álbum de forma sufocante. Os vocais rosnados, os riffs desoladores, momentos atmosféricos, tudo isso se une para criar uma sensação de vazio no ouvinte. A sensação de angústia toma conta de  “Rainfalls of Debris”, assim como de  “Perpetual Apochaos”, com seu clima hipnótico e assombroso. É certamente o ponto mais alto de “Backwater”. Encerrando, “Nemesis” faz jus ao nome e abate impiedosamente qualquer resquício de felicidade que ainda possa existir no ouvinte. E ao final da audição, tudo que sobra é terra desolada. Tem coisa melhor que isso quando falamos de Funeral Doom? Opressivo, como todo álbum do estilo deveria ser.

NOTA: 8,0

OBS: Resenha originalmente publicada na October Doom Magazine nº 68. O link para leitura online e/ou download se encontra logo abaixo. Vale muito a pena baixar/ler.

Download: https://goo.gl/ZkBcFg
Leitura Online: https://goo.gl/t9Eg1Q

Formação (gravação):
- M. (Milo Angeloni) (vocal/guitarra);
- G. (Giovanni Piazza) (guitarra/baixo);
- F. (Fabrizio Moalli) (bateria).

Formação atual:
- Milo Angeloni (vocal/guitarra);
- Giovanni Piazza (guitarra);
- Andrea Collaro (baixo);
- Davide Bacchetta (bateria).

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Ministério da Discórdia - Abismo (2016) (EP)


Ministério da Discórdia - Abismo (2016) (EP)
(Independente - Nacional)


01. Abrace a Discórdia
02. Abismo
03. Supremo Concílio
04. Orquídea Negra
05. Perdidos

O Heavy/Rock com aquela sonoridade mais setentista é talvez o estilo que ande mais em voga nos dias de hoje. A quantidade de novos nomes se enveredando por esses lados é imensa. Ainda assim, no Brasil, por mais que tenha ocorrido um aumento nos últimos anos, poucas são as novas bandas a adotar tal sonoridade. O Ministério da Discórdia surgiu no ano de 2007 e em 2013 lançou seu debut, autointitulado, em que mesclava Heavy e Thrash, mas deixava claras suas influências com essa sonoridade mais clássica do Heavy/Rock. Nada mais normal para quem em seu início de carreira fazia covers do Black Sabbath.

Pois em Abismo, seu segundo trabalho, o Power Trio formado por Maurício Sabbag (vocal/guitarra), Carlos Botelho (baixo) e Inacio Nehme (bateria), resolveu investir de vez no seu lado mais Heavy, mergulhando de cabeça nas influências “sabbathicas” que estão presentes desde o surgimento da banda. Mas não pense que se trata de uma simples emulação, pois apesar da influência mais que latente, o som do Ministério da Discórdia possui uma identidade toda sua. Esse é o grande diferencial que os separa de boa parte da concorrência.

Os vocais de Mauricio são sem dúvida alguma, um dos grandes destaques aqui. Forte, com um timbre para lá de agradável, consegue imprimir ótimas linhas vocais. Aliás, aqui temos uma prova de que sim, o português cai muito bem no Metal, ao contrário do que muitos acreditam por aí. Basta ter competência para tal. Sua guitarra também executa um ótimo trabalho, despejando riffs que deixariam Tony Iommi orgulhoso, além de executar ótimos solos. A parte rítmica, com Carlos e Inácio, também não fica nada atrás, esbanjando técnica, coesão e competência. Dão peso e diversidade às canções.


“Abrace a Discórdia”, que abre o trabalho, é a que mais se aproxima daquela sonoridade do debut. Enérgica e com uma pegada mais moderna, transborda peso e tem um refrão daqueles bem grudentos. Já “Abismo” tem ótimas guitarras e não esconde a influência de Black Sabbath, com sua levada cadenciada e densa. “Supremo Concílio” mantém essa mesma pegada, com uma melodia marcante e um refrão desses que ficam por dias na sua cabeça, além de uma letra forte. Sendo a mais curta e simples do trabalho, “Orquídea Negra” tem uma pegada mais psicodélica, lisérgica, algo que se mantém na densa e ótima “Perdidos”, que encerra o EP.

Gravado no estúdio Audiofusion, com produção de Rafael Zeferino, o resultado final é muito bom, com tudo orgânico, natural. Soa claro, audível, mas sem perder nada do peso. Já a bela capa foi obra de Silvio Senna. Vale citar que temos a participação especial de Gus Sanches, tocando Hammond em “Perdidos”. Apresentando músicas cheias de energia, variadas e com melodias que agradam sem qualquer esforço, o Ministério da Discórdia se credencia para entrar de vez no primeiro time do Metal nacional. E em tempos modernos, Abismo não foi lançado em versão física, mas liberado nas principais plataformas de música digital, além de suas músicas estarem disponíveis para audição no YouTube. Vale a pena correr atrás.

NOTA: 8,0

Ministério da Discórdia é:

- Maurício Sabbag (vocal/guitarra);
- Carlos Botelho (baixo);
- Inacio Nehme (bateria).

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Céu em Chamas - Infernal (2017)


Céu em Chamas - Infernal (2017)
(Independente - Nacional)


01. Lutar
02. Portões do Inferno
03. Gritos e sussurros
04. Correntes
05. Caos
06. Inferno
07. Falida Imaginação
08. Sopro da Destruição
09. Olhos Pulsantes

O que chamamos de “brasileiro médio” é sem sombra de dúvida, um sujeito conservador em quase todos os campos de sua vida. Não é um tipo muito afeito a mudanças, ao que fuja do tradicional, do “certo”. O “fã médio de Heavy Metal” no Brasil também não difere em nada disso. Se apega com todas as suas forças às formas mais tradicionais de se fazer Metal, vendo como “modinha” ou desmerecendo a qualidade de qualquer coisa que ouse sair da fórmula pronta que perdura no estilo por décadas. A coisa chega a um ponto que, para muitos, basta ter sido feito nos anos 80/90 para se tornar um material clássico (mesmo que na época em que foi originalmente feito tenha sido considerado mediano ou até mesmo fraco). Basta observar que muitos dos selos nacionais hoje em dia sobrevivem de relançamentos de álbuns clássicos, ou até mesmo obscuros, do período citado acima.

Isso se reflete de diversas formas em nossa cena, como por exemplo, no fato de que boa parte dos novos nomes apostam justamente nessas sonoridades mais tradicionais, afinal, as mais modernas são “coisa de adolescentes modinhas”, segundo muitos pregam por aí. E não me levem a mal, gosto e muito do Metal feito nas décadas passadas, mas isso não significa que preciso desmerecer o que é feito hoje em dia, afinal, tem muita coisa boa por aí, basta deixar o radicalismo um pouco de lado. Mas felizmente, existem aqueles que remam contra a corrente e investem com força em sonoridades mais modernas, indo de encontro aos anseios de uma geração de fãs mais nova e que sim, prezado amigo que parou musicalmente no tempo, não se importa muito com os novos trabalhos do Metallica ou do Iron Maiden.

O Céu em Chamas surgiu em Itapira/SP, no início de 2013, e faz parte desse grupo que nada contra a corrente. Mesclando elementos típicos do Metalcore, com estilos como Death Metal Melódico e Groove Metal, sua sonoridade nos remete de imediato a nomes como Heaven Shall Burn, Carnifex, Hatebreed, Whitechapel, The Agonist, In Flames, ou as brasileiras Confronto, Pray For Mercy e Project46. Sua música transborda energia e alterna momentos mais velozes com outros mais cadenciados, mas nunca abrindo mão do peso. Rafael Coradi (ex-Slasher) é responsável por ótimos guturais, sempre cantando de forma bem agressiva, enquanto a dupla Alemão e Maicon é responsável por bons riffs (em alguns momentos, típicos de Death Metal) e melodias muito agradáveis. A parte rítmica, com Frango (baixo) e Betão (bateria), também executa um belo trabalho, dando diversidade às canções e soando bem firme.


São 9 sons que, como já dito, soam muito enérgicos, além de bastante heterogêneos. Não há grandes variações de qualidade entre as músicas, apesar de obviamente termos algumas que se destacam frente às demais. “Lutar” tem uma sonoridade bem moderna e um ótimo trabalho da dupla de guitarristas, enquanto “Portões do Inferno” é curta e direta, com destaque inevitável pra o belo trabalho da parte rítmica. “Gritos e Sussurros” é outra com uma pegada mais moderna e as guitarras despejam riffs com boas melodias, que inevitavelmente vão te remeter a nomes como In Flames e Dark Tranquillity. “Inferno” é uma bela mescla de Hardcore com Death Metal, abusando da agressividade e do peso, e “Sopro de Destruição” faz mais do que jus ao seu nome, destruindo pescoços dos menos tarimbados.

Gravado no Black Stone Studio, com produção de Bruno Cestari, Infernal tem ótima qualidade nesse quesito, já que mesmo com tudo claro e audível, o peso e a agressividade se fazem mais que presentes. Já a capa foi obra do guitarrista Alemão Pompeu. Vale destacar que o álbum está disponível para download gratuito tanto no site da banda como também em seu Bandcamp. Podem não apresentar absolutamente nada de novo, mas dentro do que propõem a fazer, conseguem obter um ótimo resultado, ainda mais se tratando de um álbum de estreia. Então, se esse é o seu tipo de som, vale muito a pena conferir a música do Céu em Chamas.

NOTA: 8,0

- Rafael Coradi (vocal);
- Alemao Pompeu (guitarra);
- Maicon (guitarra); 
- Frango (baixo);
- Betao (bateria).

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sábado, 17 de junho de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

King Satan - King Fucking Satan (2017)
(Saturnal Records - Importado)

 
Surgido no ano de 2015 e com alguns singles lançados, o finlandês King Satan pratica um Metal Industrial que se envereda pelo que se convencionou rotular de Aggrotech, com algumas influências de Metal mais extremo. Com doses de EBM e Dark Electro (o que pode fazer você se lembrar dos noruegueses do Combichrist), sua música é agressiva, conta com vocais e batidas distorcidas, além de bons riffs de sintetizador. Dentro de toda frieza e mecanicidade, mão apresenta nada de novo em matéria de sonoridade, chegando a soar um pouco repetitivo da metade para frente, mas, ainda assim, é bem enérgico e por que não, divertido. Uma boa estreia. (7,0)


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Doll’s Diary – Hard & Loud (2017)
(Rockshots Records – Importado)


A Ucrânia não parece ser um lugar muito comum para uma banda de Hard Rock, mas é de lá que vem o Doll’s Diary, que chega aqui ao seu trabalho de estreia. Musicalmente, temos aquele típico Hard Rock onde os vocais, as guitarras, os teclados e as melodias e refrões grudentos e de fácil assimilação nos remetem diretamente aos anos 80. Para dar um diferencial com relação à concorrência, é possível notarmos elementos orquestrais que acabam por enriquecer mais as músicas, dando um ar teatral/dramático às mesmas. O resultado é realmente muito bom, e se pensarmos que esse é apenas o seu debut, concluímos que estamos diante de uma banda realmente de muito futuro. (7,5)

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Altair – Descending: A Devilish Comedy (2017)
(Sleaszy Rider Records – Importado)

  
E eis que temos aqui uma banda italiana de…..Power Metal! Nos apresentando seu 2º álbum, o sexteto italiano mostra aquele típico Power/Prog feito sob medida para agradar a fãs de nomes como Angra, Sonata Arctica, Symphony X e dos conterrâneos do Time Machine (que fim levaram?). Composições recheadas de virtuosismo, clima épico, melodias agradáveis, boas linhas de teclado e influências de música clássica, tudo feito de forma impecável, como manda o figurino. Mesmo sem mostrar nada de novo, é um álbum que tem tudo para agradar aos mais fanáticos pelo estilo. (7,5)

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Fleshpress - Hulluuden Muuri (2017)
(Kult of Nihilon – Importado)


Na estrada desde 1998, o finlandês Fleshpress chega ao seu 7º trabalho de estúdio nos apresentando um som de digestão nada fácil. Seu Sludge/Doom é denso, com vocais meio gritados, riffs com ecos de Black Metal e uma levada lenta e pesada, que acaba por criar um clima lúgubre e sombrio, às vezes até meio aterrorizante. Sem sombra alguma de dúvida, uma música perturbadora e inquietante, feita sob medida para agradar aos fãs do estilo. Um álbum no qual vale demais a pena dar uma conferida (está disponível no Bandcamp da banda), se tiver a oportunidade. (8,0)

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 Azarath – In Extremis (2017)
(Agonia Records – Importado)


Aos que ainda o desconhecem, o Azarath é a outra banda de Inferno, baterista do grande Behemoth. In Extremis já é seu 6º álbum de estúdio (recomendo a audição dos anteriores) e, como de praxe, apresenta um Death/Black violento, veloz, duro e bruto, sem espaço para enrolações de qualquer tipo. Vocais monstruosos, guitarras destruidoras e uma parte rítmica simplesmente absurda de tão boa, geram uma música que vai fazer a alegria não só de fãs do Behemoth, como também de nomes como Incantation, Immolation, Belphegor e afins. Poderoso e impiedoso! (8,5)

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Horisont – About Time (2017)
(Century Media Records – Importado)


De toda essa leva de novas bandas que emulam aquela sonoridade típica dos anos 70, os suecos do Horisont certamente estão entre as 3 melhores. Em seu 5º álbum de estúdio, não apresentam nada de muito novo, mas conseguem mostrar evolução em relação aos ótimos trabalhos anteriores. Sua música está ainda mais bem trabalhada, com um ótimo desempenho das guitarras (preste atenção nas guitarras gêmeas, que coisa linda), enquanto as melodias, absolutamente cativantes, certamente farão a alegria daqueles fãs mais saudosistas. Um dos grandes álbuns de 2017! (9,0)

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Suicide Silence - Suicide Silence (2017)


Suicide Silence - Suicide Silence (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Importado)


01. Doris
02. Silence
03. Listen
04. Dying In A Red Room
05. Hold Me Up, Hold Me Down
06. Run
07. The Zero
08. Conformity
09. Don’t Be Careful You Might Hurt Yourself

Entre seu debut, The Cleansing (07) e The Black Crown (11), o Suicide Silence cresceu com uma velocidade impressionante, aumentando sua base de fãs a cada lançamento. E justamente quando estava em seu melhor momento, seu vocalista e fundador Mitch Lucker faleceu em um acidente de moto na noite de Halloween de 2012, mergulhando a banda em um momento de grande incerteza. Quase 1 ano depois, quando anunciaram Eddie Hermida (ex-All Shall Perish) nos vocais, muitos questionaram a opção por seguirem em frente, mas os ótimos resultados alcançados por You Can’t Stop Me  (16º lugar na Billboard 200, a melhor posição da banda até então/resenha aqui), acabou por mostrar que a espinhosa decisão havia sido a mais correta.

Apesar disso, ao que tudo indica, uma nova pergunta martelava na cabeça de seus integrantes: deveriam continuar seguindo pelo mesmo caminho, seguro, que rendeu popularidade à banda, ou se arriscar a ousar desafiar seus limites como artistas? Correr o risco da estagnação ou se reinventar? E bem, a essa altura, todos sabemos que a escolha se deu pela segunda opção. Para isso, chamaram o renomado produtor Ross Robinson, responsável por trabalhos de sucesso de nomes como Sepultura, Korn, Deftones, Slipknot e muitos outros. Possivelmente o cara certo para tal missão espinhosa. Ainda assim, a recepção aos dois primeiros singles do álbum, “Doris” e “Silence”, não foi das melhores, tendo inclusive ocorrido uma petição online por parte de fãs para que o Suicide Silence não lançasse o trabalho.

Não vou mentir, esse não é um trabalho de fácil digestão. Ao contrário, é indigesto e boa parte dos fãs não engoliu o mesmo (como comprovou a 163º posição na Billboard 200, depois do anterior ter alcançado a 16ª). Certamente o ciclo até o próximo álbum será turbulento, com pesadas críticas por parte de seu público. Mas Suicide Silence é passível das pesadas críticas que vêm sofrendo mundo afora? Bem, sim e não. O uso dos vocais limpos por Hermida, tão criticado por muitos, afeta sim o resultado final, mas não apenas eles; diria que as linhas vocais como um todo causam problema. Musicalmente, resolveram ousar, trazendo elementos do moribundo Nu Metal para dentro do seu Deathcore, fazendo uma mistura que, ou pode dar muito certo ou ser um desastre completo. A verdade é que esse não é um trabalho de meios termos.

“Doris” e “Silence”, tão criticadas de início, são possivelmente os dois melhores momentos aqui presentes. Em ambas conseguiram encontrar a medida certa para a junção entre Nu Metal e Deathcore aqui propostas. Os vocais limpos podem até incomodar os mais radicais, mas surgem bem encaixados e não comprometem em nada o resultado. O buraco aqui é muito, mas muito mais embaixo. A verdade é que, na ânsia de apresentar algo novo e revolucionar sua sonoridade, o Suicide Silence acaba em muitos momentos trocando os pés pelas mãos. Em alguns, quando pende excessivamente para o Nu, acaba remetendo demais a nomes como Korn e Deftones (em “Dying In A Red Room” você fica esperando os vocais de Chino Moreno entrarem), soando até mesmo um pouco datados. 


Já em outros, até apresentam boas ideias, mas cometem o erro de tentarem colocar todas em uma única música, deixando tudo excessivamente confuso. A confusão também se reflete nas linhas vocais de Eddie Hermida. Sua competência como vocalista já foi mais do que provada em seus trabalhos com o All Shall Perish e com sua estreia no Suicide Silence, mas aqui ele soa irreconhecível. E não, isso não se dá devido aos vocais limpos que abundam em todo o CD. O problema é que em diversas passagens, as linhas vocais parecem não se encaixar no instrumental, soando um tanto forçadas. É como se tivéssemos duas músicas diferentes em paralelo, tocando naquele momento. E nessa, boas melodias que acabam por surgir, terminam se perdendo meio a tanto caos. É o caso de músicas como “Listen”, “Dying In A Red Room” ou “Run”. Claro, existem bons momentos aqui, como nas já citadas “Doris” e “Silence”, ou mesmo “The Zero”, mas prevalecem essas passagens mais estranhas e confusas.

Quanto à parte técnica, não tem muito o que se falar. Produzido por Ross Robinson, teve a mixagem realizada por Joe Barresi (Tool, Queens of the Stone Age, Kyuss, Volbeat) e masterização por Dave Collins (Metallica, Bruce Dickinson, Neurosis, Sepultura). Já a capa é bem simples, contando apenas com uma foto da banda, de responsabilidade de Dean Karr (Danzig, Iron Maiden, Pantera, Slayer, Testament). O design da mesma e o layout do encarte (muito bom por sinal) foram feitos por Marcelo Vasco (Slayer, Borknagar, Dimmu Borgir, Brujeria, Testament, Kreator). Como podemos observar, um time de primeiríssima linha.

Bem, o que o futuro reserva ao Suicide Silence, só o tempo dirá. É admirável quando um artista resolve desafiar seus limites e explorar novos horizontes para o seu trabalho. Mas ao fazê-lo, o mesmo deve ter a noção de que isso pode ou não dar certo, e mais, ser ou não ser compreendido pelo seu público-alvo. Infelizmente, o caso aqui parece ser o primeiro. Ao darem abrangência demais às suas composições, fizeram com que elas soassem experimentais um pouco além da conta, perdendo seu foco (e consequentemente sua força) e fazendo com que as boas ideias apresentadas (e elas existem aos montes, pode acreditar) se perdessem. Um álbum que certamente não vai agradar os fãs tradicionais da banda, mas pode vir a atrair um novo público, principalmente os fãs de Nu Metal e aqueles com a cabeça mais aberta a experimentações. Quem sabe no próximo conseguem acertar a mão nessa nova fórmula.

NOTA: 6,0

Suicide Silence é:
- Eddie Hermida (vocal);
- Chris Garza (guitarra);
- Mark Heylmun (guitarra);
- Dan Kenny (baixo);
- Alex Lopez (bateria).

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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten (2017)


Carach Angren - Dance And Laugh Amongst The Rotten (2017)
(Seasons of Mist - Importado)


01. Opening
02. Charlie
03. Blood Queen
04. Charles Francis Coghlan
05. Song for the Dead
06. In De Naam Van De Duivel
07. Pitch Black Box
08. The Possession Process
09. Three Times Thunder Strikes


Surgido no ano de 2003, na Holanda, o trio Carach Angren se notabilizou desde o início por apostar em um Black Sinfônico que o aproximava de nomes como Anorexia Nervosa (principalmente) e Dimmu Borgir, mas com a particularidade de ter suas letras voltadas para histórias de terror. Lammendam (08) é um dos melhores álbuns de estreia da primeira década dos anos 2000, e os trabalhos que vieram em sequência, Death Came Through a Phantom Ship (10), Where the Corpses Sink Forever (12) e o primoroso This Is No Fairytale (15), não só colocaram o nome dos holandeses entre os principais do estilo, como levaram seu tecladista e responsável pelas partes orquestrais a trabalhar com nomes de peso como Pain, Lindemann e Ex Deo. Com um momento tão positivo como esse, nada melhor do capitalizá-lo com um novo álbum.

E eis que o Carach Angren nos presenteia com Dance And Laugh Amongst The Rotten, seu 5º trabalho de estúdio. Mais uma vez, temos de fundo uma história de terror, centrada em uma menina, que está a jogar com um tabuleiro de Ouija na sala de sua casa, quando se depara com um espírito do mal chamado Charlie. Assustada, corre deixando o tabuleiro para trás, mas este permanece aberto para o mundo espiritual. Dai para frente, o que vemos é um desfile de fantasmas que passam  pela sala contando suas histórias, para o deleite de nós ouvintes.




Musicalmente, esse é seu trabalho mais abrangente, teatral e refinado. Além do já tradicional Black Sinfônico que lhe é característico, é possível observarmos elementos de estilos como Thrash e Heavy nas canções aqui presentes. As composições se mostram muito mais maduras, melhor trabalhadas e com uma riqueza imensa de detalhes. Os vocais de Seregor se mostram muito firmes e também mais teatrais, sendo seu melhor trabalho nesse sentido. Os backing vocals, a cargo de Ardek, também ajudam demais nesse sentido. Seregor também é o responsável pela guitarra, onde conta mais uma vez com o apoio de Patrick Damiani (também responsável pela gravação do baixo), com ótimos resultados. Temos aqui riffs fortes e marcantes, além de ótimas melodias. A bateria de Namtar, como sempre, soa implacável e se mostra imprescindível para o ótimo resultado que aqui observamos. E quanto a Ardek, brilha tanto nos teclados quanto nas orquestrações. Aliás, a cada trabalho que passa, elas vão ficando mais e mais cinematográficas, grandiosas. Vale destacar que as partes de violino, como de praxe em todos os álbuns, foram executadas por Nikos Mavridis, que toca ao vivo com a banda.

A introdução se dá com a belíssima instrumental “Opening”, que começa guiada por um piano e vai crescendo aos poucos, à medida que as demais orquestrações vão surgindo. Sombria, remete a trilhas de filmes e consegue te inserir com perfeição dentro do clima de terror da história. Sua transição para a segunda música, “Charlie”, é simplesmente perfeita. Nesta, somos introduzidos na história, tendo ao fundo uma música pesadíssima, assombrosa e com ótimos coros e partes sinfônicas. Os vocais de Seregor soam simplesmente malignos em alguns momentos. É uma das músicas que mais escutei nos últimos dias. A sequência se dá com a agressiva e dinâmica “Blood Queen”, que trata de uma das versões da lenda de Bloody Mary, que no caso aqui seria a Rainha Maria I da Inglaterra. Responsável por uma intensa perseguição religiosa aos protestantes, acabou morrendo sem ter o filho que tanto sonhava, já que era infértil. Os vocais dramáticos e os ótimos coros chamam a atenção de cara em “Charles Francis Coghlan”, nosso próximo fantasma. O sujeito em questão foi um famoso ator anglo-irlandês, que viveu entre 1842 e 1899. Ao falecer na cidade de Galveston, no Texas, teve seu corpo guardado por meses na cidade, enquanto a família decidia que procedimento adotar (enterro ou cremação). Mas em 1900, ocorreu o Grande Furacão de Galveston, que até hoje é a maior tragédia natural da história dos Estados Unidos. Seu caixão acabou arrastado para o mar, desaparecendo. Existem algumas histórias de que o mesmo teria sido encontrado, uma delas, que ele teria ido parar a milhares de quilômetros de distância, em sua casa em uma ilha no Canadá, mas nada realmente comprovado. Musicalmente falando, temos guitarras que soam realmente brutas, um ótimo trabalho de teclado e passagens primorosas de violino.

“Song for the Dead” parece ter sido escolhida de forma estratégica para dividir o trabalho. Com um tema mórbido (um cara que não só usa a roupa dos mortos, como mantêm seus corpos e dança com os mesmos), é uma canção até um tanto simplória, perto de todas as demais, mas reforça bem o clima teatral do trabalho, graças aos ótimos vocais e ao refrão que, mesmo que você não queira, cantará junto antes que a música termine. A segunda metade tem início com “In De Naam Van De Duivel”, canção que pende um pouco mais para o Black Metal mais clássico e que insere a figura do Diabo na história. E definitivamente, tem um clima diabólico, que casa perfeitamente com a história baseada no folclore da província de Limburgo (Holanda), onde o diabo envia uma bruxa com a tarefa de separar um casal. Ao final, o marido é levado a acreditar erroneamente que sua esposa quer assassiná-lo e acaba matando-a antes. “Pitch Black Box” dá sequência ao álbum, apresentando aquela que é a sonoridade mais moderna de guitarra aqui presente. Ainda assim, com sua levada mais cadenciada e ótimas orquestrações, acaba por soar realmente maligna. Liricamente, introduz um elemento de suma importância no futuro da história, uma caixa preta que não deve ser aberta de forma alguma.




“The Possession Process” possui ótimas melodias e orquestrações, e por ter uma pegada mais Death Metal, pode remeter alguns ouvintes aos gregos do Septicflesh. Contudo, ela ainda tem aquele ar marcante que só o Carach Angren consegue imprimir em uma música. Liricamente, e preste bem atenção nesse detalhe quando escutá-la, descreve o processo de possessão de uma pessoa por um espírito demoníaco. Aqui, vamos observando a pessoa perdendo o controle de forma gradual, até estar totalmente dominada. Para fechar com chave de ouro, temos a excelente “Three Times Thunder Strikes”, canção rápida, fenomenal e com orquestrações simplesmente épicas e grandiosas. Aqui somos transportados novamente à cena inicial do álbum e descobrimos que, na verdade, a menina havia aberto a caixa um mês antes e libertado Charlie, sendo possuída pelo mesmo; e que ele já estava lá desde o início do álbum, nos trazendo todas essas histórias. Com a última frase, “Did you open the box before hearing this song?”, podemos entender que, desde o início, fizemos parte de toda a história. Vale dizer que na versão boxset (que vem em uma caixa-preta… entendem a ironia?), ainda temos uma maravilhosa versão orquestral de “Charles Francis Coghlan”, que lamentavelmente não ter entrou na versão padrão.

Gravado no famoso Studio Abyss (Suécia), Dance And Laugh Amongst The Rotten teve a mesma equipe que cuidou de This Is No Fairytale, ou seja, mixagem feita por Peter Tägtgren (que convenhamos, dispensa apresentações) e masterização realizada por Jonas Kjellgren (Amorphis, Overkill, Dark Funeral, Immortal, Hypocrisy, Sabaton). O resultado final é primoroso, e mesmo com uma música tão rica em detalhes, conseguimos captar cada um deles. A capa ficou por conta de Costin Chioreanu (Arch Enemy, Darkthrone, At The Gates, Enslaved, Draconian), se encaixando perfeitamente dentro de todo o contexto.

Soando mais refinado e diversificado do que no passado, não dá para dizer que o resultado final aqui supera o de This Is No Fairytale, mas convenhamos, essa seria uma tarefa para lá de ingrata. Ainda assim, a música do Carach Angren é tão grandiosa e possui tanta qualidade, que dificilmente Dance And Laugh Amongst The Rotten deixará de estar entre os melhores álbuns de2017. Faça o que precisar, mas tenha esse álbum em sua coleção.

NOTA: 9,0

Carach Angren é:
- Seregor (vocal/guitarra);
- Namtar (bateria);
- Ardek (teclado/piano/orquestrações).

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The Doomsday Kingdom - The Doomsday Kingdom (2017)


The Doomsday Kingdom - The Doomsday Kingdom (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)

 
01. Silent Kingdom
02. The Never Machine
03. A Spoonful Of Darkness
04. See You Tomorrow
05. The Sceptre
06. Hand Of Hell
07. The Silence
08. The God Particle

Leif Edling é um sujeito que dispensa apresentações. A sua importância para o Doom Metal é inegável e basta uma passada em seus trabalhos frente a nomes como Candlemass, Avatarium e Krux para ter tal confirmação. E bem, agora nessa lista podemos incluir seu novo projeto, o The Doomsday Kingdom, onde ele merecidamente adota a alcunha de The Doomfather (quem somos nós para questionar tal fato?). E junto dele, temos um time de inegável talento. Nos vocais, Niklas Stålvind (Wolf), na guitarra, Marcus Jidell (Avatarium, ex-Royal Hunt, ex-Evergrey), e na bateria o posto é ocupado por Andreas Johansson (Narnia, Royal Hunt, Rob Rock).

O momento criativo de Leif é efetivamente dos melhores. Ano passado, tivemos o lançamento do ótimo EP Death Thy Lover do Candlemass e já agora em 2017, além desse debut do The Doomsday Kingdom, tivemos o 3º álbum do Avatarium. E o melhor de tudo, cada um desses trabalhos soa com uma identidade própria, por mais que, inevitavelmente, possuam traços em comum, afinal, saem da mente de um mesmo gênio. As primeiras pistas sobre o que esperar do TDK foram dadas ano passado, com a demo de 4 músicas, Never Machine. Ali nos deparamos com uma sonoridade que, apesar de navegar pelos mares do Classic Doom, não se restringia apenas a isso.

Musicalmente, podemos dizer que na maior parte do tempo, o The Doomsday Kingdom soa como um encontro do Black Sabbath com alguma banda de NWOBHM, apesar de outras influências poderem ser notadas. Niklas Stålvind soa muitíssimo bem, conseguindo impor bastante variedade à sua performance vocal e Marcus Jidell mostra a categoria que dele já conhecemos, pois o trabalho de guitarra aqui é simplesmente ótimo. Leif dispensa qualquer tipo de apresentação, com suas linhas de baixo inconfundíveis e Andreas Johansson se mostra um baterista impressionantemente preciso.


Das 8 faixas aqui presentes, 2 já eram conhecidas em suas versões demo. “The Never Machine” é um Doom clássico no melhor sentido da palavra, lenta, carregada, com uma melodia assustadora e aquela atmosfera obscura, enquanto “The Spectre” soa bem densa e muito bem trabalhada, além de ter um sintetizador muito bem encaixado por volta de sua metade. “Silent Kingdom” abre o trabalho de forma enérgica, com riffs pesados, uma pegada típica da NWOBHM e bom trabalho de Stålvind. “A Spoonful Of Darkness” tem uma pegada bem Doom, com um clima macabro e aquele DNA típico das composições de Leif Edling, enquanto “See You Tomorrow” é uma belíssima instrumental, com um clima bem atmosférico e escuro, com destaque para o belíssimo piano. “Hand Of Hell” é facilmente a música mais pesada de todo trabalho. Tem ótimos riffs e belo desempenho de Niklas. Mas os destaques ficam com as duas faixas que encerram o trabalho. “The Silence” é um Doom daqueles que só Leif sabe compor, pesado e épico, enquanto “The God Particle” talvez seja a que mais se aproxima do Candlemass, com sua levada lenta e sombria. Mas vale citar que existem certos flertes com Rock psicodélico aqui e ali.

A lamentar mesmo, há apenas a ausência das outras duas faixas da demo de 2016, a ótima “Zodiac City” e a bela “The Whispering”. Quem sabe figurem em algum trabalho futuro. A produção ficou a cargo de Marcus Jidell, com mixagem de David Castillo (Avatarium, Amorphis, Kreator, Candlemass, Katatonia, Opeth, Moonspell, Sepultura) e masterização do “Sr. Onipotente/Onipresente/Onisciente” Jens Bogren (todas as bandas legais que você escutou nos últimos anos). Conseguiu dar um ar mais bruto, mais orgânico, mas, ao mesmo tempo, deixar tudo muito claro e atual. Perfeito. Já a capa foi obra de Erik Rovanperä (Candlemass, Avatarium, Crucified Barbara). Um trabalho obrigatório, não só para os fãs de Candlemass, como também para todo amante de Doom Clássico. Um dos grandes álbuns de 2017!

NOTA: 8,5

- Niklas Stålvind (vocal);
- Marcus Jidell (guitarra);
- Leif Edling (baixo);
- Andreas Johansson (bateria).

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