sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Decapitated - Anticult (2017)



Decapitated - Anticult (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Records - Nacional)


01. Impulse
02. Death Valuation
03. Kill The Cult
04. One-Eyed Nation
05. Anger Line
06. Earth Scar
07. Never
08. Amen

Eis aqui uma resenha controversa por diversos motivos. O primeiro deles é extramusical, afinal, qualquer headbanger minimamente informado sabe das pesadas acusações que recaem sobre a banda no momento, nas quais seus integrantes estão sendo acusados, em diferentes níveis, de terem estuprado uma fã da banda nos Estados Unidos. O julgamento se dará no dia 16 de janeiro de 2018 e atualmente Rafal Piotrowski (vocal), Vogg (guitarra), Hubert Więcek (baixo) e Michał Lysejko (bateria) aguardam o mesmo em liberdade, mas impedidos de manterem contato um com o outro sem a presença de advogados, e claro, com seus passaportes confiscados.

Agora, vamos abordar o lado musical. Quando surgiu em 2000, com Winds of Creation, o Decapitated se destacou não só pela juventude de seus integrantes (as idades variavam entre 16 e 19 anos), mas por executar um Technical Death Metal de primeiríssima qualidade. Não demorou muito para assumirem uma posição de destaque no cenário, graças aos álbuns seguintes, Nihility (02), The Negation (04) e Organic Hallucinosis (06). Então veio o fatídico dia 29 de outubro de 2007, quando um acidente com o Tourbus em uma estrada da Bielorússia vitimou o baterista Vitek e encerrou a carreira do vocalista Covan, devido às sequelas sofridas pelo mesmo. Após 2 anos de hiato, Vogg resolveu voltar acompanhado de novos músicos e continuar escrevendo a história do grupo.

De lá para cá, tivemos Carnival Is Forever (11), Blood Mantra (14) e agora Anticult, trabalhos que despertaram reações diversas nos fãs, já que Vogg nunca hesitou em fazer o Decapitated explorar novos territórios para a sua música. E aqui isso não é diferente, já que temos uma continuação e evolução natural de seu trabalho anterior, com o Groove Metal se fazendo ainda mais presente. Sendo assim, prezado amigos, não esperem aqui um retorno aos primórdios da banda, com aquele  Technical Death Metal de outrora. O que temos em Anticult se aproxima bem mais de um álbum de Groove com toque de Death. 


E isso é ruim? Obstante muitos fãs por aí estarem torcendo o nariz, o resultado passa longe de ser ruim, até porque mesmo que quisessem, o lado técnico da música do quarteto não conseguiria ser extirpado, algo que pode ser observado já na abertura, com “Impulse”, que apesar do Groove, possui boa dose de técnica e muitas mudanças de tempo. É um dos destaques aqui, assim como “Death Valuation”, que não esconde sua influência de Pantera, com sua bateria simplesmente furiosa e riffs que deixaria Dimebag orgulhoso. Outros destaques ficam com a grooveada “Kill The Cult”, com um ótimo trabalho de guitarra, a diversificada “One-Eyed Nation”, “Earth Scar”, com seus ótimos riffs e melodias e “Never”, com toda a sua agressividade e boas linhas vocais.

A produção ficou por conta de Vogg, com mixagem de Daniel Bergstrand (Abbath, Dimmu Borgir, Behemoth, In Flames, Meshuggah) e masterização realizada por Lawrence Mackrory, vocalista do Darkane. O resultado final é muito bom, já que apesar de tudo muito claro e audível, ainda assim o trabalho soa pesado e agressivo. Já a capa e o restante da parte gráfica foram obra de Lukasz Jaszak (Behemoth, Emperor, Alcest), sendo bem impactante.

Os fãs mais antigos torcerão o nariz com Anticult? Com toda certeza, e não tenho dúvidas que uma parte dos mesmos debandará. Por outro lado, tal sonoridade aqui adotada abre possibilidade de conquista de novos fãs, de um público maior, algo que parecia acontecer antes do lamentável episódio ocorrido alguns meses atrás, e que se confirmado, decretará merecidamente o fim da banda (afinal, se tal violência tiver realmente ocorrido, não podemos “passar pano” para a banda apenas por gostarmos de sua música). É esperar as cenas dos próximos capítulos e ver o que o futuro reserva para Piotrowski, Vogg, Wiecek e Lysejko, se a cadeia ou a continuação da carreira.

NOTA: 8,5

Decapitated é:
Rafal Piotrowski (vocal);
Vogg (guitarra);
Hubert Więcek (baixo);
Michal Lysejko (bateria).

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Carniça - Carniça (2017)


Carniça - Carniça (2017)
(Blasphemic Art Distro/Petrol Music Underground - Nacional)


01. The March (of the Rotten Souls)
02. Terrorzone
03. Revolução Farroupilha
04. War Games to Die
05. Carniça
06. The Old Butcher
07. The Putrid Kingdom
08. Midnight Queen (Sarcófago Cover)

E lá se vão 26 anos de carreira, contando o hiato de 4 anos em meados da primeira década de 2000, e os veteranos gaúchos do Carniça chegam ao seu 4º trabalho de estúdio. Pode parecer uma produção modesta para tanto tempo de estrada, mas não podemos esquecer que o underground é muitas vezes injusto com as bandas, que precisam encarar muitas dificuldades para conseguir lançar um único trabalho. Apenas os que realmente amam o estilo conseguem sobreviver aos percalços do tempo.

Quem conhece o trabalho do trio formado por Mauriano Lustosa (vocal), Parahim Neto (guitarra) e Marlo Lustosa (bateria) — após a gravação o baixista Marcelo Zabka se juntou à banda — sabe bem o que vai encontrar aqui: um Thrash/Death muito bem feito, pesado, agressivo, enérgico, mas com algumas boas doses de melodia oriundas das influências de Heavy Tradicional, que ficam evidentes em muitas passagens aqui presentes.

Após a breve introdução, “Terrorzone” chega quebrando tudo, bem direta e com boa alternância de ritmo (algo comum durante toda a audição). O trabalho da parte rítmica se destaca bastante. Na sequência, “Revolução Farroupilha” vem com sua letra em português e uma levada bem cadenciada, além de melodias que remetem ao Metal Tradicional.


O trabalho de guitarra em todo o álbum é realmente muito bom, se destacando pelos ótimos riffs, algo observável em canções como “War Games to Die”, mais puxada para o Thrash, e na bruta “Carniça” (outra em português). Já o lado Death Metal fica mais evidente em canções como a técnica “The Old Butcher” e a diversificada “The Putrid Kingdom”, que conta com vocais de Flávio Soares (Leviaethan). Fechando, um ótimo cover para “Midnight Queen”, do Sarcófago, que contou com a participação do ex-guitarrista da banda mineira, Fábio Jhasko, no violino.

A produção foi realizada pela própria banda em parceria com Augusto Haack, tendo ficado simples e bem-feita, apesar de um pouquinho mais crua que o ideal, mas nada que comprometa o resultado final. Já a capa foi obra de Eduardo Monteiro, que conseguiu transportar para ela o massacre sonoro do trio. Esbanjando vigor, agressividade e mostrando boa variação rítmica, o Carniça presenteou os fãs de Thrash/Death com mais um belo trabalho, que vai deixar muito nego cascudo aí com dores no pescoço.

NOTA: 8,0

Carniça é:
- Mauriano Lustosa (vocal);
- Parahim Neto (guitarra);
-  Marcelo Zabka (baixo);
- Marlo Lustosa (bateria).

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Escarnnia - Humanity Isolated (2017)


Escarnnia - Humanity Isolated (2017)
(Classic Metal - Nacional)


01. Total Death
02. Condemned to Kill
03. Eternal Hatred
04. Rotten Spirit
05. Humanity Isolated
06. A Moment of Compassion
07. The Evil Spell
08. Suicidal Beliefs
09. Suffering and Desolated
10. Back in Time

Vem do Tocantins, um estado sem muita tradição na música pesada, mais um bom nome do cenário Death Metal Nacional. O Escarnnia surgiu no ano de 2012 e conta em sua formação com Ismael Santana (vocal/guitarra), Valber Sousa (guitarra), Natanael dos Santos (baixo) e Samuel dos Santos (bateria), sendo que Humanity Isolated é seu álbum de estreia. E posso dizer sem exagero que ele vai surpreender muitos por ai.

Musicalmente, o quarteto tem seus pés muito bem fincados naquela sonoridade do início dos anos 90, com uma influência mais nítida do Death, mais alguns ecos das bandas inglesas do mesmo período, além de algo de Thrash aqui e ali. Os vocais se mostram bem variados, enquanto as guitarras despejam não só bons riffs, como também alguns duetos típicos do Metal Tradicional. A parte rítmica mostra diversidade, técnica, peso e coesão.

 

São 10 canções que primam principalmente pela boa variedade e nenhuma está abaixo da média. Os destaque inevitáveis ficam por conta de “Total Death”, bruta, com muitas mudanças de tempo e bom trabalho de baixo/bateria, as enérgicas e com um pé no Thrash “Condemned to Kill” e “Rotten Spirit”, as mais cadenciadas e muito bem trabalhadas “Eternal Hatred” e “Humanity Isolated”, e a enérgica “The Evil Spell”, que se destaca pelo bom trabalho de guitarra.

Gravado no Estúdio Lamparina/SP, o álbum teve produção, mixagem e masterização feitas por Tiago Hóspede (Worst), com bons resultados. Tem uma dose de crueza, mas sem exageros, já que tudo ficou claro, audível e pesado. Já a capa foi obra de J. Duarte, da J. Duarte Design, que já trabalhou com nomes como Angra, Torture Squad, Circle II Circle, Metal Church, Woslom, dentre outros. No final, temos em mãos um bom álbum de Death Metal, de uma banda que, se não prima pela originalidade, se destaca pela qualidade, além de mostrar muito potencial de crescimento.

NOTA: 8,0

- Ismael Santana (vocal/guitarra);
- Valber Sousa (guitarra);
- Natanael dos Santos (baixo);
- Samuel dos Santos (bateria).

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Imperador Belial/Into the Cave - True Horror Tales (2016) (Split)


Imperador Belial/Into the Cave - True Horror Tales (2016) (Split)
(Lord Grave / Anton’s Hell Records / Obskure Chaos Distro / Hell Music Label / Impaled Records / Satanic Sounds Records / Nightmare Productions / Wolf War - Nacional)


Imperador Belial
01. Intro: Satanic Chance
02. Erzébet Bathory
03. White Chapel’s Killers
04. Blasphemy (Kabarah Cover)
05. O Opositor
06. Total Destruction (Bathory Cover)
Into The Cave
07. Crowned Princes Of Hell
08. Nazarene’s Death
09. Entropy
10. Coffin Joe
11. Lovecraft

Uma das coisas que mais gosto em splits é a possibilidade de conhecer bandas de qualidade em dobro. Aqui, temos a junção de duas bandas oriundas do estado do Rio de Janeiro, o já veterano Imperador Belial, com quase 20 anos de carreira (surgiram em 1998), e o Into the Cave, um duo que conta com músicos/ex-músicos do próprio Imperador. E amigos, o que temos aqui é uma verdadeira viagem no tempo, um retorno aos primórdios da música extrema.

Na época da gravação, o Imperador Belial contava em sua formação com o vocalista R. Inkubus, o guitarrista Chaos (guitarra), o baixista Washington Marchon (posto atualmente ocupado por Bode de Sade) e o baterista Bitch Hünter (substituído posteriormente por Wrath). Musicalmente, temos um som calcado naquela 1ª geração do Black Metal, ou seja, Venom, Hellhammer, Celtic Frost e afins. Já o duo Into the Cave, como já dito, possui uma ligação direta com o Imperador, já que é composto por seu vocalista e seu ex-baterista (que aqui toca todos os instrumentos) e mostra-se um pouco mais ríspido e agressivo, já que sua música segue mais a linha praticada por nomes como o brasileiro Sarcófago e o canadense Blasphemy.


No “lado” que cabe ao Imperador Belial, temos 6 músicas, contando com a intro “Satanic Chance”, retirada de uma clássica cena do filme de terror mexicano Alucarda, e que se encaixa com perfeição na proposta da banda. Entre os destaques, além dos covers para “Blasphemy” (Kabarah) e “Total Destruction” (Bathory), podemos citar a brutal e obscura “Erzébet Bathory” e a violenta “O Opositor”, com ótimos riffs e onde deixam sua mensagem mais do que explícita. Já o Into the Cave nos apresenta 5 faixas que transbordam agressividade. Rispidez, velocidade e pouca variação dão o tom aqui, o que não diminui em nada a qualidade do material. Destaques ficam com as duas faixas que fecham o trabalho, “Coffin Joe” e “Lovecraft”, que mostram mais diversidade, alternando velocidade com momentos mais cadenciados e sombrios.


A produção é totalmente condizente com a proposta das bandas, de resgatar aquele som oitentista que marcou os primórdios da música extrema, crua e suja, mas ainda assim permitindo que escutemos todos os instrumentos. True Horror Tales é um trabalho feito na medida para os fãs de nomes como Venom, Hellhammer, Sarcófago, Bathory, Celtic Frost, Possessed, dentre outras. Uma verdadeira aula de agressividade e violência musical.

NOTA: 8,0

Imperador Belilal é:
- R. Inkubus (vocal);   
- Chaos (guitarra);
- Bode de Sade (baixo);
- Wrath (bateria).

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Into the Cave é:
- R. Inkubus (vocal);
- Bitch Hünter (todos os instrumentos).

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Rage - Seasons Of The Black (2017)


Rage - Seasons Of The Black (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Records - Nacional)


CD 1
01. Season Of The Black
02. Serpents In Disguise
03. Blackened Karma
04. Time Will Tell
05. Septic Bite
06. Walk Among The Dead
07. All We Know Is Not
08. Gaia
09. Justify
10. Bloodshed In Paradise
11. Farewell
CD 2
01. Adoration
02. Southcross Union
03. Assorted By Satan
04. Faster Than Hell
05. Sword Made Of Steel
06. Down To The Bone

Contando o período em que se chamava Avenger, já se vão 34 anos de carreira, e o Rage chega à incrível marca de 23 álbuns de estúdio lançados (fora os incontáveis EP’s, singles e material ao vivo). Há 2 anos, as coisas ficaram um tanto complicadas para Peter "Peavy" Wagner quando o guitarrista Victor Smolsk e o baterista André Hilgers saíram da banda, deixando-o sozinho, mas ele não esmoreceu: recrutou Marcos Rodríguez (guitarra) e Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria) e soltou no ano seguinte The Devil Strikes Again, um álbum direto, pesado e que mostrava uma banda revigorada e buscando um retorno às suas raízes.

Com Seasons Of The Black, o trio alemão se mantém firme nessa caminhada, já que aqui temos uma continuação mais que natural do anterior (até pelo pouco tempo de intervalo entre os mesmos). Soando despojado, não é exagero dizer que temos um resgate daquela vibração dos anos 80 e 90, já que a pompa da “era Smolsk” foi deixada de lado em prol daquilo que podemos definir como a essência do Rage, ou seja, muito peso e melodia (com o primeiro prevalecendo em muitas passagens).

Os vocais de Peavy continuam se mantendo muito característicos, o que acaba por ser uma qualidade. Marcos Rodriguez realiza um belo trabalho com sua guitarra, já que além de imprimir boas melodias, nos entrega riffs bastante agressivos, que podem te fazer viajar no tempo, à época dos antigos clássicos da banda, como Perfect Man (88), The Missing Link (93) e Black in Mind (95). Quanto à parte rítmica, o trabalho é muito bom, com a dupla Peavy/Lucky mostrando técnica, coesão, peso e muita variedade.

A abertura, com “Season Of The Black”, empolga pelos riffs fortes e pelo refrão grudento, enquanto a enérgica “Serpents In Disguise” traz aquele clima dos anos 80/90 à tona, com o peso sobrepujando as melodias e ótimos vocais de apoio a cargo de Marcos (algo que se repete em diversos outros momentos em todo o álbum). Nem mesmo o refrão que se repete um pouco além da conta estraga essa canção. Essa pegada mais pesada prevalece também em “Blackened Karma”, outra com riffs marcantes e melodias agradáveis. “Time Will Tell” soa mais acessível e poderia estar sem problema algum em um álbum como End of All Days (96), enquanto a forte e pesada “Septic Bite” tem um pé bem fincado no Thrash e te faz viajar à época de The Missing Link.


Já “Walk Among The Dead”, apesar das boas melodias, fica um pouco abaixo das anteriores. Parece que falta algo a mais. “All We Know Is Not” traz qualidade de volta ao álbum, e se destaca pelos ótimos riffs e melodias, enquanto “Gaia”, um interlúdio, é responsável por abrir a suíte intitulada The Tragedy Man, que encerra o trabalho com as faixas “Justify”, com bons riffs e refrão, “Bloodshed In Paradise”, bem diversificada e com clima épico e “Farewell”, a única canção de todo o trabalho com elementos orquestrais e que se encaixaria sem dramas em Lingua Mortis (96). De bônus, temos um CD com 6 regravações de canções do Avenger.

A produção ficou a cargo da própria banda, com a mixagem e masterização realizadas por Dan Swanö (Edge Of Sanity, Dissection, Incantation, Novembers Doom, Katatonia). O resultado é verdadeiramente bom, pois aliou peso, agressividade e clareza. Já a capa, assim como no álbum anterior, foi obra de Karim König. Despojado e bem à vontade, o Rage nos apresenta em Seasons Of The Black um trabalho cativante e que vai render bons minutos de divertimento.

NOTA: 8,0

Rage é:
-  Peter "Peavy" Wagner (vocal, baixo);
- Marcos Rodríguez (guitarra);
- Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria)

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Necromancer - Forbidden Art (2014)


Necromancer - Forbidden Art (2014)
(Heavy Metal Rock – Nacional)


01. Necromantia (Intro)
02. Necromancer
03. Deadly Symbiosis
04. Dark Church
05. Havocs and Destruction
06. Middle Ages
07. Plundered Society
08. The Rival
09. Desert Moonlight

O Necromancer é um veterano de nossa cena, e quem acompanhou o underground carioca dos anos 80 e 90, certamente já conhece a banda ao menos de nome. Fundada no ano de 1986, tendo gravado as demos Demo I (86), Dark Church (87), Science of Fear (93) e Victims of Deranged Maneuverings (96), a banda passou por todas as dificuldades inerentes ao período e chegou a encerrar as atividades, entrando em um hiato que teve fim no ano de 2012.

Com o seu retorno, finalmente teve a oportunidade de 2 anos depois, soltar esse que é seu mais que merecido debut, intitulado Forbidden Art. Caso você desconheça o trabalho do grupo, o que temos aqui é um Death/Thrash com óbvias e nítidas influências oitentistas (afinal, surgiram nessa época), pesado, enérgico, com vocais que transbordam raiva, riffs absurdamente agressivos (que remetem fortemente à escola alemã) e uma parte rítmica que se mostra técnica, coesa e consistente.

Vale dizer que das 8 faixas aqui presentes (descontando a introdução), mais da metade saíram diretamente das antigas demos da banda, sendo que apenas “Havocs and Destruction”, “Middle Ages” e “The Rival” são inéditas. Apesar do tempo que separa essas composições das demais, temos aqui uma sonoridade bem homogênea, pois, todas as faixas mantêm seus pés muito bem fincados nos anos 80. Pesa a favor também a variedade que presenciamos aqui, já que o Necromancer equilibra muito bem passagens mais velozes com outras mais cadenciadas, evitando assim que a audição se torne cansativa.


Os destaques inevitáveis ficam para “Necromancer”, forte, rápida e com ótimos riffs, a raivosa e pesada “Deadly Symbiosis”, que possui uma levada um pouco mais “cadenciada”, a aula de Thrash intitulada “Havocs and Destruction”, com um ótimo trabalho tanto das guitarras quanto da bateria, “Middle Ages”, simplesmente furiosa, e a brutal “The Rival”. A produção, que ficou a cargo de Fernando Perazo, acaba sendo muito bem equilibrada, deixando tudo audível, mas com a sujeira necessária à proposta do Necromancer. Já a capa é mais um belo trabalho do renomado Marcelo Vasco. Não temos aqui a reinvenção da roda, até porque isso é algo desnecessário, mas sim uma verdadeira aula de Death/Thrash, feito por quem entende de verdade do riscado. Imperdível!

NOTA: 8,5

Necromancer (gravação):
- Marcelo Coutinho (vocal);
- Luiz Fernando (guitarra);
- Alex Kafer (guitarra, baixo e bateria).

Necromancer é:
- Marcelo Coutinho (vocal);
- Luiz Fernando (guitarra);
- Alex Kafer (guitarra);
- Gustavo Fernandes (baixo);
- Vinicius Cavalcanti (bateria).

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Obscurity Vision - Obscurity Creation (2002/2016) (Demo)


Obscurity Vision - Obscurity Creation (2002/2016) (Demo)
(Independente - Nacional)


01 – Obscurity Creation
02 – Slow Agony
03 – Last Chance To Life
04 – Dark Victory Day
05 – I Can See (Bonus Track 2016)

A vida de uma banda no underground brasileiro nunca é fácil quando falamos de Heavy Metal, um estilo visto com preconceito por muitos, uma espécie de pária musical no que tange nosso país, que valoriza estilos mais populares. Apesar de desconhecido da grande maioria, o Obscurity Vision já é uma banda veterana, tendo surgido no distante ano de 1997 na cidade de Balneário Rincão/SC, mas que, por essas vicissitudes da vida, acabou passando por um longo hiato na carreira.

Para marcar essa nova fase em sua carreira resolveu relançar sua única Demo, Obscurity Creation, originalmente do ano de 2002, com a adição de uma faixa bônus lançada pelo grupo no ano passado. Musicalmente, temos um Black/Death (pendendo mais para o primeiro) bem agressivo, bruto e direto, mas que em momento algum abre mão de algumas melodias, que surgem aqui e ali durante a audição. Os vocais de Rafael Vicente alternam entre o gutural e o rasgado, enquanto a guitarra de Luiz Rodrigues não só é responsável por bons riffs, como também por boas melodias. A parte rítmica, com o baixista Daniel Machado e o baterista R. Nunes, possui uma técnica razoável, mas nada exagerada e prima pela coesão e correção.


Das 4 faixas originais, os destaques ficam por conta da enérgica “Slow Agony” e de “Dark Victory Day”, que prima pelo bom trabalho de guitarra. Já “I Can See”, faixa mais nova, mostra uma sonoridade pendendo mais para o Death Metal Tradicional do que para o Black, dando uma amostra do que esperar do futuro. Posso dizer que o mesmo parece muito promissor, e cabe agora esperar o prometido novo trabalho do grupo.

Do ponto de vista de produção, não tem muito que falar. Trata-se de uma gravação de 2002, quando tudo era mais difícil e a qualidade não é das melhores se comparada com o que temos hoje. Quem viveu essa época, sabe que não era possível ir muito além. No fim, temos em mãos um bom registro histórico, um retrato de uma época onde tudo era ainda mais difícil para uma banda de Metal, e onde cada pequena conquista (como um lançamento de uma Demo) era uma grande vitória ante todas as imensas dificuldades.

NOTA: 7,0

Obscurity Vision é (gravação):
- Rafael Vicente (vocal);
- Luiz Rodrigues (guitarra);
- Daniel Machado (baixo);
- R. Nunes (bateria).

Obscurity Vision é:
- Rafael Vicente (vocal);
- Luiz Rodrigues (guitarra);
- João Rodriguez (guitarra);
- Luiz Trentin (bateria).

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Prong - Zero Days (2017)


Prong - Zero Days (2017)
(Shinigami Records/SPV/Steamhammer - Nacional)

01. However It May End
02. Zero Days
03. Off the Grid
04. Divide and Conquer
05. Forced Into Tolerance
06. Interbeing
07. Blood Out of Stone
08. Operation of the Moral Law
09. The Whispers
10. Self Righteous Indignation
11. Rulers of the Collective
12. Compulsive Future Projection
13. Wasting of the Dawn
14. Reasons to Be Fearful (Bonus Track)

Sinceramente, eu queria ter o ânimo do vocalista e guitarrista Tommy Victor. O cara simplesmente parece não parar e de 2012 para cá, já lançou com o Prong nada menos que 5 álbuns de estúdio, Carved in Stone (12), Ruining Lives (14), Songs from the Black Hole (15), X – No Absolutes (16) e esse Zero Days, além de um trabalho ao vivo, Unleashed in the West (14). Fora isso, gravou mais 2 álbuns de estúdio com o Danzig. Só de escrever, já cansei.

O Prong sempre marcou sua carreira pela ousadia e por explorar novas fronteiras musicais, tanto para o bem quanto para o mal, e não dá para dizer que sua mistura de Thrash, Hardcore, Groove e Industrial seja leviana, já que resultou ao menos em dois trabalhos verdadeiramente clássicos, Prove You Wrong (91) e Cleansing (94). A partir de Ruining Lives, podemos dizer que começaram a inserir algumas tendências mais comerciais em seu som, algo que se consolidou definitivamente em X – No Absolutes, com resultados em sua maioria bem positivos.

Zero Days mantém essa pegada, de unir aquele Prong do passado com esse mais atual, dos últimos álbuns. Tommy Victor continua um vocalista ímpar e mostra uma abordagem vocal muito variada, além de compor alguns riffs de primeiríssima qualidade. E vale dizer que mesmo com as melodias mais acessíveis, o peso e a agressividade continuam se fazendo bem presentes. A parte rítmica, com o estreante Mike Longworth (baixo) e Arturo "Art" Cruz (bateria), mostra a categoria e competência que lhe é esperada, com um ótimo desempenho de ambos.

Durante a audição, podemos dizer que é possível notar alguma inconstância. A verdade é que a primeira metade do álbum é excelente, com canções de ótima qualidade, mas a metade seguinte dá uma caída, com alguns momentos que realmente não funcionam. A sequência inicial, com as ótimas “However It May End”, “Zero Days” e “Off the Grid” se destaca pela agressividade, intensidade e pelos bons riffs. “Divide and Conquer” consegue mesclar o velho e o novo, soando bem pesada, mas com um refrão altamente acessível. “Forced Into Tolerance” é um Thrash com padrão Prong de qualidade, esbanjando energia, enquanto “Interbeing” tem qualidade de sobra e ótimos riffs. Daí para a frente começa a montanha russa. 


Tommy, por algum motivo, parece ter criado certa fixação com o Linkin Park, já que vários momentos de “Blood Out of Stone” remetem ao mesmo. Já não havia dado certo em X – No Absolutes, com “With Dignity”, e aqui também não funcionou. Felizmente, “Operation of the Moral Law” volta a elevar o nível do trabalho, esbanjando muito peso. “The Whispers” é possivelmente a mais acessível de todas as canções aqui presentes e soa bem moderna, mas funciona surpreendentemente bem, enquanto “Self Righteous Indignation” se mostra bem suja e pesada, mas sem empolgar tanto. “Rulers of the Collective” possui um bom groove e se utiliza de alguns elementos eletrônicos, mas padece do mesmo problema da faixa anterior. A sequência final volta para colocar tudo em seu devido lugar, com as boas melodias de “Compulsive Future Projection” e “Wasting of the Dawn”, que faz um ótimo uso dos recursos eletrônicos, além de possuir bons riffs. Na versão nacional, temos de bônus a boa “Reasons to Be Fearful”, com suas melodias acessíveis.

Repetindo o trabalho anterior, a produção ficou a cargo da dupla Tommy Victor e Chris Collier, sendo que esse último também foi responsável pela masterização e da mixagem, que mantêm a qualidade que escutamos em X – No Absolutes, com tudo claro, audível e pesado. E mostrando que gosta de continuidade, mais uma vez a capa foi feita por Sebastian Rohde. Consolidando essa mescla de peso e acessibilidade, o Prong mais uma vez agrada e, se não tem o brilhantismo de meados dos anos 90, ainda assim soa agradável e passa longe de fazer feio. Quem é fã, certamente irá aprovar.

NOTA: 8,0

Prong é:
- Tommy Victor (vocal/guitarra);
- Mike Longworth (baixo);
- Arturo "Art" Cruz (bateria).

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Mugo - Race of Disorder (2017)


Mugo - Race of Disorder (2017)
(Independente - Nacional)


01. Race Of Disorder
02. Seeds Of Pain
03. Corruption
04. Sanguessugas
05. Deliverance
06. Think Twice
07. Terra De Ninguém
08. Elo Quebrado

Surgido no ano de 2006 em Goiânia/GO, o quarteto Mugo, atualmente formado por Pedro Cipriano (vocal), Guilherme Aguiar (guitarra), Faslen de Freitas (baixo) e Weyner Henrique (bateria), chega ao seu 3º álbum de estúdio mostrando evolução se comparado aos seus dois trabalhos anteriores, Go to the Next Floor (09) e The Overwhelming End (12).

Musicalmente, o que temos aqui é uma mescla bem interessante e ampla de estilos como Thrash, Death e Groove, com alguns toques de Hardcore e até mesmo Djent. A alternância entre momentos mais velozes e outros mais cadenciados dá uma variedade muito legal ao som do quarteto, característica que pode também ser notada nos ótimos vocais de Pedro, que vão do rasgado ao gutural, mas sempre soando absurdamente agressivos. A guitarra de Guilherme faz um belíssimo trabalho no que tange aos riffs, enquanto a parte rítmica, com Faslen e Weyner, se mostra bem técnica, coesa e pesada, passando muita segurança às composições.

“Race of Disorder” abre o álbum de forma pesada e bruta, com ótimo groove e riffs tipicamente Thrash, enquanto a ótima “Seeds Of Pain” trafega com naturalidade entre o Groove e o Death Melódico. Já a rápida “Corruption” escancara as influências Hardcore da banda e tem um ótimo trabalho da bateria. E não se deixe enganar pelo começo mais cadenciado de “Sanguessugas”, pois quando ela explode em velocidade, fica parecendo uma betoneira sem freio descendo uma ladeira. Simplesmente brutal e com um groove que em muitos momentos contagia. É a primeira das canções cantadas em português.


“Deliverance” soa bem variada, já que é outra que mescla com muita competência bases mais velozes com passagens cadenciadas, além de possuir riffs marcantes. “Think Twice” é outra que esbanja groove, além de possuir melodias bem interessantes e um ótimo refrão. Na sequência final, mais duas canções cantadas em nossa língua pátria: primeiro, a violenta “Terra de Ninguém”, com um refrão totalmente Hardcore e muito peso, e encerrando, “Elo Quebrado”, cadenciada, opressiva e bruta.

Produzido por Ciero e com masterização e mixagem realizadas por Franscisco Arnozan, o resultado final é totalmente condizente com a proposta adotada pela banda, com todos os instrumentos soando claros, pesados e muito bem timbrados. Já a parte gráfica foi obra da Xtudo Obze Artwork, com tudo sendo embalado em um digipack bem caprichado. Mostrando uma sonoridade bem variada, moderna e empolgante, o Mugo acerta em cheio com Race of Disorder, lançando um dos álbuns nacionais mais legais desse ano de 2017.

NOTA: 8,5

Mugo é:
Pedro Cipriano (vocal);
Guilherme Aguiar (guitarra);
Faslen de Freitas (baixo);
Weyner Henrique (bateria).

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domingo, 3 de dezembro de 2017

Melhores álbuns – Novembro de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de novembro na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
 
 
  
 
    

Menções Honrosas

Cavalera Conspiracy - Psychosis 
 


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Thy Art Is Murder - Dear Desolation (2017)


Thy Art Is Murder - Dear Desolation (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Records - Nacional)


01. Slaves Beyond Death
02. The Son of Misery
03. Puppet Master
04. Dear Desolation
05. Death Dealer
06. Man Is the Enemy
07. The Skin of the Serpent
08. Fire in the Sky
09. Into Chaos We Climb
10. The Final Curtain

O Deathcore é um estilo olhado com desconfiança pelos mais tradicionalistas, mas que vem conquistando seu espaço através dos anos. Ainda assim, é inegável que a saturação da cena vinha causando um certo desgaste ao estilo, sendo inevitável que alguns de seus principais nomes começassem a buscar novos rumos para sair da mesmice musical. E bem, com os australianos do Thy Art Is Murder, isso não foi diferente, já que é possível observarmos alguns avanços em Dear Desolation, quando comparado com sua obra anterior, Holy War (15).

Aos que ainda desconhecem o trabalho de Thy Art Is Murder, o grupo surgiu no ano de 2006, já tendo lançado 1 Ep e chegando agora ao seu 4º trabalho de estúdio. Após o lançamento de Holy War, foram abalados com a notícia da saída do vocalista CJ McMahon (que queria dedicar mais tempo à família), o que os forçou a tocar com uma série de vocalistas convidados, já que não anunciaram um substituto. Mas para a alegria dos fãs, no começo desse ano, os australianos anunciaram o retorno de seu vocalista e sem demora, trataram de soltar um novo álbum.

Mas bem, como dito, atualmente a maioria dos grandes nomes do estilo vêm buscando novos rumos para sua música, e no caso do Thy Art Is Murder, a escolha foi aproximar sua música mais do Death Metal, principalmente daquele praticado por bandas polonesas, como Behemoth e Decapitated. Claro, os elementos característicos do Deathcore se fazem presentes, mas estão bem mais atenuados, pelo menos em relação à primeira metade do álbum. Os vocais de CJ McMahon soam mais ferozes que nunca, enquanto a dupla formada por Sean Delander e Andy Marsh executa um belo trabalho de guitarras, não só no que tange aos riffs, como também aos solos. A parte rítmica, com Kevin Butler e Lee Stanton mostra coesão, técnica e brutalidade. E preste atenção no desempenho de Stanton e note toda influência que Inferno (Behemoth) exerce sobre ele.


A primeira metade do trabalho soa praticamente irretocável. “Slaves Beyond Death” tem bons riffs e em alguns momentos, beira o Death Metal (mas soando moderna), sendo seguida pela brutal e feroz “The Son of Misery”. “Puppet Master” é uma das melhores aqui presentes, e além de muito peso, possui bom groove, enquanto “Dear Desolation” soa moderna e se destaca pelo trabalho das guitarras. “Death Dealer” é densa e agressiva, conseguindo manter o padrão de qualidade das faixas anteriores. Infelizmente, na segunda metade temos uma queda de qualidade, já que canções como “The Skin of the Serpent” e “Into Chaos We Climb” soam bem comuns e sem brilho. Ainda assim, cabe aqui destacar “Fire in the Sky”, com suas ótimas melodias e a fortíssima “The Final Curtain”, que encerra os trabalhos.

Todo o trabalho de produção, mixagem e masterização mais uma vez ficou nas mãos de Will Putney (Gojira, Hibria, Exhumed), que conseguiu alcançar um ótimo resultado, já que está tudo muito claro, pesado, agressivo e bem timbrado. Já a capa foi obra de Eliran Kantor (Incantation, Ex Deo, Fleshgod Apolcalypse, Iced Earth, Testament, Soufly), e é uma das mais bonitas e impactantes desse ano de 2017. Mostrando estar disposto a explorar novas fronteiras, o Thy Art Is Murder deu um passo importante para fugir da estagnação em que o cenário Deathcore se enfiou nos últimos anos. Claro, existem arestas a serem aparadas aqui e ali, como o desnivelamento do álbum a partir da segunda metade deixa bem claro, mas não é isso que faz de Dear Desolation um trabalho menor, já que boa parte do mesmo é decididamente empolgante.

NOTA: 8,0

Thy Art Is Murder é:
CJ McMahon (vocal)
Sean Delander (guitarra)
Andy Marsh (guitarra)
Kevin Butler (baixo)
Lee Stanton (bateria)

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Unisonic - Live In Wacken (2017)


Unisonic - Live In Wacken (2017)
(Shinigami Records/earMUSIC - Nacional)


CD
01. Venite 2.0
02. For The Kingdom
03. Exceptional
04. My Sanctuary
05. King For A Day
06. A Little Time
07. Your Time Has Come
08. When The Deed Is Done
09. Star Rider
10. Throne Of The Dawn
11. March Of Time
12. Unisonic
DVD
01. For The Kingdom
02. Exceptional
03. You Time Has Come
04. When The Deed Is Done
05. March Of Tiime
06. Unisonic

No início da década, quando foi anunciado que Kai Hansen e Michael Kiske estariam trabalhando juntos no Unisonic, muitos fãs de Helloween se empolgaram, afinal, muitos acharam que nunca mais teriam a oportunidade de ver ambos juntos em uma banda. Alguns, ainda mais visionários, vislumbravam até mesmo uma possibilidade de ambos voltarem a tocar com a ex-banda (o que acabou se concretizando nesse ano, com a Pumpkins United).

Vale dizer que o Unisonic não se resume apenas aos dois ex-Helloween, já que conta com outros músicos do mais alto gabarito. Na outra guitarra, temos Mandy Meyer (Krokus, ex-Asia, ex-Gothard) e no baixo, Dennis Ward (que se destaca não só como produtor como por seu trabalho em bandas como Pink Cream 69, Missa Mercuria e Place Vendome). Contavam também com o excepcional baterista Kosta Zafiriou (Pink Cream 69), mas esse infelizmente resolveu se aposentar das baquetas recentemente. Mas em suma, um time para lá de experiente e vencedor.

Com o Unisonic, lançaram 2 trabalhos completos de estúdio, Unisonic (12) e Light of Dawn (14) e 2 EP’s, Ignition (12) e For the Kingdom (14). Sendo assim, o que temos aqui, em seu primeiro álbum ao vivo, é uma seleção do que fizeram de melhor nesse tempo, acrescida de duas canções do Helloween, “A Little Time” e “March Of Time”. E chama muito a atenção como conseguiram deixar as canções aqui presentes mais pesadas e enérgicas que as versões originais (em se tratando dos temas da banda).


A produção, que ficou nas mãos de Ward, conseguiu passar todo o clima de uma apresentação ao vivo para o ouvinte. Você sente como banda e público estavam felizes por estarem ali. Além disso, o intervalo entre as canções é mínimo, sem enrolação. Kiske está simplesmente impecável, enquanto Kai e Mandy fazem um trabalho excepcional nas guitarras. Já a dupla formada por Dennis e Kosta aproveita muito o entrosamento existente (tocavam juntos no Pink Cream 69), mostrando força e coesão de sobra.

Obviamente, não existem pontos fracos aqui, mas algumas canções se destacam mais do que outras, caso de “For The Kingdom”, pesada, rápida e com um refrão grudento, como toda canção de Power Metal deve ser, as cativantes “Exceptional” e “My Sanctuary”, a memorável “Your Time Has Come” (com aquele refrão para cantar junto!) e a mais que clássica “Unisonic”. Quanto às canções oriundas do Helloween, ambas mantiveram o nível das originais, com “A Little Time” ganhando um trecho incidental de “Victim of Changes” do Judas Priest lá pela sua metade, e “March of Time” tendo ficado ligeiramente mais melódica, mas mantendo a velocidade e a epicidade que lhe é característica.

De quebra, ainda temos aqui um DVD com faixas retiradas da mesma apresentação, que peca por um único motivo, que é o de ter apenas 6 canções. Seria muito legal se futuramente, lançassem essa apresentação na íntegra, pois a mesma é mais que digna disso. E não importa se você é fã ou do Helloween, ou do Unisonic, ou do Gamma Ray, ou de Power Metal em geral, Live In Wacken é um desses álbuns ao vivo que merece um espaço na sua coleção de CD’s.

NOTA: 8,5

Unisonic (gravação):
- Michael Kiske (vocal);
- Kai Hansen (guitarra);
- Mandy Meyer (guitarra);
- Dennis Ward (baixo);
- Kosta Zafiriou (bateria).

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Cellar Darling – This Is The Sound (2017)


Cellar Darling – This Is The Sound (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast Records - Nacional)


01. Avalanche
02. Black Moon
03. Challenge
04. Hullaballoo
05. Six Days
06. The Hermit
07. Water
08. Fire, Wind & Earth
09. Rebels
10. Under The Oak Tree
11. NHigh Above These Crowns
12. Starcrusher
13. Hedonia
14. Redemption
Faixas Bônus:
15. The Cold Song
16. Mad World
17. The Prophet’s Song

Foi no meio de 2016 que Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados), Ivo Henzi (guitarra e baixo) e Merlin Sutter (bateria) anunciaram seu desligamento do Eluveitie, para logo em seguida apresentarem sua nova banda, o Cellar Darling (nome do álbum solo de Anna, lançado em 2013). Claro que as comparações com a ex-banda do trio seriam inevitáveis, e claro, semelhanças existem, mas a verdade é que o que mais se destacam aqui são justamente as diferenças existentes entre as duas.

O peso do Heavy Metal se faz presente, mas mesclado com o Folk Rock, fazendo da música do Cellar Darling algo mais palatável, até mesmo com certa veia Pop, principalmente no que tange às melodias e aos refrões, muitos deles verdadeiramente grudentos. Mas não se engane, as guitarras estão lá, despejando bons riffs, fazendo pairar por todo o tempo a lembrança do Heavy Metal sobre a música do trio. Além disso, elementos folclóricos se fazem presentes e remetem diretamente à música celta, com ótimos resultados.

Anna Murphy continua se mostrando uma vocalista diferenciada, e com uma vantagem: no Cellar Darling, ela pode variar muito mais seus vocais, mostrando todo o seu potencial e categoria. Em muitos momentos, sua voz toma o protagonismo das músicas, com a gama de emoções que ela consegue passar ao ouvinte. Já Ivo e Merlin executam seu trabalho com muita precisão, técnica e qualidade, mostrando porque estão entre os melhores músicos do estilo.


Temos 17 músicas na versão nacional, já que por aqui This Is The Sound conta com 3 faixas bônus. E destaques não faltam para serem apontados. “Avalanche” abre o trabalho com um retrato fiel do que é o Cellar Darling. Elementos celtas e bom peso aliados a melodias fáceis, simples, cativantes e com um bom apelo pop. “Black Moon” mantém essas características, apesar de soar um pouco mais escura, enquanto “Hullaballoo” soa mais agitada e enérgica, assim como a ótima “The Hermit”. “Fire, Wind & Earth” é outra que se destaca por ser bem direta e forte candidata a melhor música de todo o trabalho. Outra com característica bem parecida é “Starcrusher”. Já “Redemption” termina a versão normal do álbum de uma forma bem sentimental, graças aos ótimos vocais de Anna. De bônus, versões para “The Cold Song” (Klaus Nomi), “Mad World” (Tears for Fears) e “The Prophet’s Song” (Queen).

Produzido por Anna e pelo guitarrista do Coroner, Thomas Vetterli, teve sua mixagem e masterização realizadas por esse último. E ainda teve uma masterização adicional do onipresente, onisciente e onipotente Jens Bogren. O resultado final foi simplesmente ótimo. A belíssima parte gráfica ficou por conta de Manuel Vargas Lepiz e Christopher Ruf. Mesclando o Folk Rock com o Metal de forma muito equilibrada e buscando se diferenciar do que fizeram no Eluveitie, mas sem cortar as raízes, Anna, Ivo e Merlin lançaram um dos trabalhos mais legais do estilo em 2017, além de mostrar um grande potencial de crescimento. Curte Folk? Conheça o Cellar Darling.

NOTA: 8,0

Cellar Darling é:
- Anna Murphy (vocal, hurdy gurdy, flauta e teclados);
- Ivo Henzi (guitarra e baixo);
- Merlin Sutter (bateria)

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Megaira - Power, Lies and Death (2017)


Megaira - Power, Lies and Death (2017)
(Shinigami Records - Nacional)


01. Rising Of The King (Intro)
02. Power And Cruelty
03. Ariadne’s Thread
04. The Fall Of Minotaur
05. Dedalus And Icarus Escape
06. Corona Borealis
07. End Of A Reign (Begin The Judgement)
08. Erinyes

Como é legal descobrir um nome novo e promissor, já que, apesar de não se tratar de uma banda novata, confesso que desconhecia por completo a Megaira. Surgida no ABC paulista no ano de 2009, passaram por um processo longo de gravação de seu debut, que teve início em 2012. E finalmente, após 5 anos, temos em mãos Power, Lies and Death, o debut do quinteto formado por Paulo Schmidt (vocal), Annia Bertoni (vocal), Paulo Melo (guitarra), Tiago Souza (baixo) e Murillo Vuldroph (bateria).

De cara, você tem sua atenção despertada para a dificuldade em definir a sonoridade da Megaira, o que acaba por ser um fator bem positivo. Buscando referência na mitologia grega (que por sinal é o foco lírico do grupo), podemos definir sua música como uma quimera que une estilos como Metal Tradicional, Power, Thrash, Death, Black e Sinfônico, mas de uma forma que funciona surpreendentemente bem. Soa pesado, agressivo, mas, ao mesmo tempo, possui melodias ótimas e marcantes. Tudo aqui é muito bem equilibrado.

Os vocais possuem uma dinâmica bem interessante. Paulo Schmidt é responsável pelos guturais, enquanto Annia Bertoni responde pelos vocais limpos, mas não naquela linha lírica “a bela e a fera”, já que eles pendem para o Metal Tradicional. Isso acaba por evitar que os mesmos fiquem chatos e maçantes. A guitarra de Paulo Melo consegue despejar riffs que conseguem unir agressividade e melodia. Aliás, é da guitarra que boa parte das melodias aqui presentes emana. A parte rítmica, com o baixista Tiago Souza e o baterista Murillo Vuldroph, se mostra firme, variada, pesada e técnica, chegando até mesmo a tomar para si o protagonismo em alguns momentos. Já as partes sinfônicas surgem sempre nos momentos ideais, enriquecendo e dando um diferencial interessante às músicas.


Após uma introdução instrumental (“Rising Of The King”), “Power And Cruelty” abre efetivamente o trabalho de forma agressiva, com um bom trabalho de guitarra e ótimo dueto vocal entre Paulo e Annia. Em seguida, temos “Ariadne’s Thread”, com melodias muito boas, teclado bem encaixado e com passagens sinfônicas que surgem para enriquecer a canção. “The Fall Of Minotaur” se mostra bem variada e pesada, com o baixo se destacando e riffs marcantes, enquanto “Dedalus And Icarus Escape” alterna de forma muito positiva passagens mais cadenciadas com outras mais rápidas. Já “Corona Borealis” tem os teclados se destacando e a guitarra despejando não só ótimos riffs, como boas melodias, e “End Of A Reign (Begin The Judgement)” possui uma pegada bem Thrash, soando bem pesada e com algumas passagens bem ríspidas. Encerrando o álbum, “Erinyes” esbanja energia, intensidade e boas melodias.

Gravado no Estúdio 1202 (São Paulo/SP), Power, Lies and Death teve produção e mixagem feitas por Luiz Portinari, com mixagem e masterização adicionais realizadas por Thiago Oliveira. O resultado final é bom, já que tudo soa bem orgânico, longe da artificialidade de alguns trabalhos atuais, deixando tudo claro, audível, mas com certa dose de crueza (acho que poderiam polir um pouco mais, mas nesse caso é gosto pessoal mesmo). Já a capa (que retrata o Rei Minos, de Creta) e o encarte (que ficou bem legal com os tons predominantemente claros utilizados) foram feitos por Leandro Furlanetto.

Mostrando que é possível sim, sair do lugar comum e da zona de conforto nas quais muitas bandas novas optam por ficar, e soando moderno, mas sem abrir mão de sonoridades mais tradicionais, a Megaira estreou com o pé direito, se credenciando ao posto de uma das principais revelações do Metal brasileiro nesse ano de 2017. É esperar que todo o potencial aqui demonstrado se confirme nos trabalhos vindouros.

NOTA: 8,0

Megaira é:
- Paulo Schmidt (vocal);
- Annia Bertoni (vocal);
- Paulo Melo (guitarra);
- Tiago Souza (baixo);
- Murillo Vuldroph (bateria).

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Wintersun - The Forest Seasons (2017)


Wintersun - The Forest Seasons (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Awaken From The Dark Slumber (Spring)
    I - The Dark Slumber
    II - The Awakening
02. The Forest That Weeps (Summer)
03. Eternal Darkness (Autumn)
    I - Haunting Darkness
    II - The Call of the Dark Dream
    III - Beyond the Infinite Universe
    IV - Death
04. Loneliness (Winter)
05. Loneliness (Winter) (acústico) *Bônus Track

Originalmente, o Wintersun surgiu no ano de 2003, como um projeto paralelo do então vocalista e guitarrista do Ensiferum, Jari Mäenpää, mas antes mesmo do lançamento do autointitulado debut em 2004, tornou-se sua banda principal. Após uma elogiada estreia, deu-se um hiato de 8 anos, durante o qual o perfeccionista Jari trabalhou duro para lançar o igualmente aclamado pelos fãs Time I (12), gerando assim uma grande expectativa por parte do público pela continuação da obra. Mas após outro longo hiato, agora de 5 anos, não foi bem isso o que aconteceu.

No primeiro semestre deste ano, Jari Mäenpää anunciou que, apesar de ter a composição de Time II bem adiantada, não poderia lançá-lo, pois não possuía os recursos necessários para finalizar a obra sem comprometer a visão integral da mesma. Além disso, afirmou que lançaria uma série de ambiciosas campanhas de crowdfunding, com a intenção de arrecadar dinheiro para a construção de um estúdio para a banda, ou como ele se refere, o quartel-general do Wintersun, permitindo assim que não só finalizassem Time II com a liberdade necessária, como também os demais trabalhos futuros do grupo. O valor pretendido? 750 mil euros.


Na primeira das campanhas, buscaram bater a meta de 150 mil euros, disponibilizando um único pacote no valor de 50 euros, que continha uma cópia em WAV de The Forest Seasons para download, um booklet 5K de 17 páginas criado pelo próprio Jari, uma versão instrumental do mesmo The Forest Seasons, versões remasterizadas dos 2 álbuns de estúdio da banda, o álbum ao vivo Live At Tuska 2013 em Mp3 de 320 kbps e uma versão acústica para a música “Loneliness”. O resultado final? 464 mil e 330 euros! Impressionante.

Mas no final disso tudo, o que esperar de The Forest Seasons, o 3º trabalho de estúdio do Wintersun? Bem, o que posso dizer é que estamos definitivamente diante de um álbum capaz de dividir opiniões. O conceito aqui fica bem óbvio - as 4 estações do ano - tomando como base uma floresta e as transformações nela ocorridas. Musicalmente, temos o esperado, ou seja, Melodic Death Metal, com grandes coros, orquestrações fartas e bombásticas, um clima épico e bastante complexidade. Tudo o que um fã da banda realmente espera. Mas ao mesmo tempo, quando se faz algo assim, corre-se o risco de se esbarrar na pretensão e na indulgência, o que não deixa de ocorrer aqui em alguns momentos. Cabe então ao ouvinte decidir se aprova ou não. Não é sem motivos que The Forest Seasons vem despertando reações de amor e ódio no exterior.

A variedade é o mote aqui, em todos os sentidos. As linhas vocais são bem fortes e as guitarras são responsáveis por riffs marcantes. Vale dizer que, apesar de a banda ter uma formação fixa, tudo aqui foi gravado por Mäenpää, exceto algumas partes vocais, que contaram com o apoio de Teemu Mäntysaari (guitarra) e Jukka Koskinen (baixo). As orquestrações soam grandiosas e os sintetizadores são muito bem utilizados. A parte rítmica também soa muito bem e todo o trabalho tem aquela complexidade típica do Wintersun. Talvez seja por isso que alguns não consigam absorver a grande quantidade de detalhes aqui presentes.


A abertura se dá com a primavera, “Awaken From The Dark Slumber”. Jari consegue criar um belo clima aqui. Conseguimos sentir o inverno chegando ao fim e a vida voltando à floresta, com o seu despertar. As orquestrações estão muito boas e, em alguns momentos, os sintetizadores nos remetem ao Dimmu Borgir de trabalhos como Enthrone Darkness Triumphant (97) e Godless Savage Garden (98). Aliás, isso ocorre em diversos outros momentos durante os 54 minutos de duração do trabalho. Em seguida chega o verão, com “The Forest That Weeps”, que possui bons riffs, um clima épico e melodias verdadeiramente agradáveis, além de ótima variedade vocal e coros realmente grandiosos. Eis que então a escuridão começa a se aproximar com o outono, em “Eternal Darkness”. Fazendo jus ao nome, começa ríspida e brutal, com forte influência de Black Metal. Possui um clima melancólico e sombrio, bem outonal, graças às ótimas orquestrações, e prepara muito bem o terreno para o inverno, que está chegando. E ele chega com a fria e triste “Loneliness”, que faz valer seu nome. O ponto alto são os vocais de Mäenpää, bem emocionais e que conseguem transmitir a sensação de solidão e escuridão que o tema pede. De bônus, temos a versão acústica da mesma, que foi incluída como recompensa na campanha de crowdfunding da banda.

Toda a parte de produção, mixagem e masterização ficou por conta de Jari Mäenpää, que fez um trabalho muito bom. Você consegue perceber cada pequeno detalhe do trabalho, e olha que são muitos. A capa foi obra de Gyula Havancsák (Accept, Grave Digger, Destruction, Stratovarius), tendo ficado muito bonita. Já o encarte foi obra mais uma vez de Jari. The Forest Seasons é um bom trabalho? Aos meus olhos sim, já que mesmo que não chegue no mesmo nível dos 2 primeiros álbuns, ainda assim impõe muito respeito, sendo capaz de despertar reações variadas nos ouvintes. Um dos melhores trabalhos do ano para os apreciadores de Metal Sinfônico.

NOTA: 8,5

Wintersun (gravação)
-  Jari Mäenpää (vocal/todos os instrumentos)

Wintersun é:
- Jari Mäenpää (vocal/guitarra);
- Teemu Mäntysaari (guitarra);
- Asim Searah (guitarra);
- Jukka Koskinen (baixo);
- Kai Hahto (bateria).

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Metal Church - Classic Live (2017)


Metal Church - Classic Live (2017)
(Shinigami Records/Rat Pak Records - Nacional)


01. Beyond the Black
02. Date with Poverty
03. Gods of a Second Chance
04. In Mourning
05. Watch the Children Pray
06. Start the Fire
07. No Friend of Mine
08. Badlands
09. Human Factor
10. Fake Healer (Bonus Studio Track com Todd La Torre do Queensrÿche)
11. Badlands (Studio Version)

É indiscutível que o retorno de Mike Howe fez um bem tremendo ao Metal Church, resultando em XI (16), o melhor trabalho da banda desde o clássico Hanging in the Balance (93). Após isso, a banda emendou uma turnê de divulgação onde não só tocou canções do novo trabalho, como também clássicos de sua história, tanto da primeira fase do vocalista com o grupo (1988-1995), como também do período do saudoso “Reverendo” David Wayne (1982-1988, 1998-2001). E como o título deixa claro, é justamente nos clássicos que esse 3º álbum ao vivo dos americanos se concentra.

Então não espere encontrar canções de XI, pois elas não se fazem presentes. Aqui, Mike Howe (vocal), Kurdt Vanderhoof (guitarra), Rick van Zandt (guitarra), Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria, que foi substituído esse ano por Stet Howland) nos apresentam apenas os clássicos inquestionáveis do Metal Church. Além disso, temos de bônus duas músicas de estúdio: uma nova versão para “Fake Healer” (presente em Blessing in Disguise (89)), que conta com a participação mais do que especial de Todd La Torre, do Queensrÿche, e “Badlands”, que entrou no set list ao vivo.



Com um repertório muito bem escolhido, ficou fácil para conquistarem o público presente. E tomem clássicos como  “Beyond the Black”, “Watch the Children Pray”, “Start the Fire” (as 3 da fase Wayne), “Date with Poverty”, “Gods of a Second Chance” e  “No Friend of Mine”. A energia que é passada pela banda em cima do palco é realmente incrível e fica muito nítido o quanto estavam se divertindo junto com o público ali. A nova versão de “Fake Healer” ficou realmente incrível, principalmente pelo contraste entre as vozes de Howe e La Torre, que ficou muito legal. Acertaram em cheio na escolha.

No fim, temos em mãos um trabalho de muito boa qualidade e que certamente vai agradar em cheio aos fãs mais antigos da banda. Com um set list escolhido a dedo para ser à prova de erros e uma ótima performance ao vivo, o Metal Church celebra não só o bom momento que vivem com a volta de Howe, como também toda a sua história.

NOTA: 8,0

Metal Church (gravação):
- Mike Howe (vocal)
- Kurdt Vanderhoof (guitarra)
- Rick van Zandt (guitarra)
- Steve Unger (baixo)
- Jeff Plate (bateria)

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